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6 The Truth Behind the Purple


P.O.V. Belle

Eu estava observando tudo. Ele não atacou Puppet. Ele não poderia. Não teria coragem.

Eu estava errada.

O Homem Roxo abraçou Puppet. Lágrimas escorriam de seus olhos e causavam falhas no sistema do robô.

—Você é o Homem Roxo...-Kenny murmurou.

O Homem Roxo não respondeu.

—Hã...suas lágrimas estão dando problema no sistema de ativação do modo de emergência.

—Eu sei...-murmurou o humano.

Kenny pareceu confuso.

—Sinto muito-falou o Homem Roxo.

—O quê? Do que está falan...-mas o robô não teve a oportunidade de terminar a frase.

O Homem Roxo cravou a faca nas costas do robô. De alguma forma ele conseguiu acertar bem na área onde está o sistema de desligamento. Puppet tombou para frente, desativado. O humano colocou-o no chão, respirou fundo, tentando se controlar e enxugou as lágrimas.

Ele girou a faca na mão e embainhou-a. Parecia pronto para sumir dali. Só que, além de mim, mais alguém viu tudo.

—O Homem Roxo!-exclamou Arthur.

Não estava nos planos de Arthur ser escutado, mas o cara o ouviu e se virou. O ruivo observou o outro, assustado. Mas a expressão de medo virou de curiosidade. Ele se aproximou, observando o outro. Lágrimas brotaram em seus olhos.

—Ford...-murmurou.

Ford continuou parado.

—POR QUE, FORD, POR QUÊ? COMO VOCÊ PODE?!-Arthur berrou, as lágrimas já escorrendo por seu rosto.

—VOCÊ NÃO ENTENDE!-foi a vez de Ford gritar-OS CIPHERS NÃO DEVERIAM TER CONSTRUÍDO ESSE LUGAR! ESSES ROBÔS SÃO MONSTROS! ELES...

—NÃO! OS HUMANOS É QUE SÃO OS MONSTROS! Você é o monstro-ele murmurou a última parte.

Ford tentou se aproximar, mas Arthur recuou.

—NÃO TOQUE EM MIM!-gritou o ruivo e saiu correndo.

Levei alguns segundos para conseguir processar o que acontecera. Quando voltei à realidade, Ford estava com as costas apoiadas à parede, abraçando os joelhos e com a cabeça entre eles. Claramente estava chorando. Após algum tempo, ele se levantou e saiu correndo, ainda com lágrimas nos olhos.

—-------------

Depois de arrumar Kenny com um feitiço, segui o Homem Roxo até a Sala Segura, nos fundos do restaurante. Uma sala invisível para os robôs. Depois de um problema em uma das tentativas de arrumar Springtrap, até os funcionários foram proibidos de entrar.

Ford entrou na sala e olhou ao redor. Não pareceu encontrar a lanterna no chão, já que estava usando a luz de fora para enxergar o que tinha ali. Entrei um tempo depois dele, apoiei as costas na parede e fechei a porta com o pé. O escuro repentino pareceu assustá-lo.

—Encontrou algo interessante?-perguntei.

O Homem Roxo achou a lanterna e procurou a dona da voz. Ao me ver, bufou. Eu tinha um sorriso cruel no rosto e, nesse momento, ele ficou ainda maior.

—Devo dizer que estou impressionada. Achei as ligações no telefone uma ótima estratégia. Ainda mais por serem em inglês. Arthur adora perder tempo tentando entender e traduzir as mensagens. Um tempo bom o bastante para desmontar uns robôs. Mas...sério? Ligações? Virou o pai, é?-abri um sorriso sarcástico-Bem...os dois pais.

—Ha ha, engraçadinha. Você é um raio de sol na minha vida, sabia?-falou, irônico, e eu ri-Mas...como você sabia sobre mim?

—Ah, me poupe. Realmente achou que eu não saberia quem você é?

—Como sabia que eu viria aqui?

—Você mencionou a sala na ligação desta noite. E Spring Bonnie.

—Fui muito óbvio?

—Mais ou menos. Enfim, gostou do que fiz com ela? As reformas com essa Spring Bonnie se saíram melhores do que as de Springtrap. Mas, honestamente, aquele outro robô já não tinha muita salvação.

Ford suspirou e desviou o olhar.

—Sei o que está fazendo, Ford-falei-E sei PORQUE está fazendo.

—Sabe?

—Mais ou menos. Sei que algo terrível vai acontecer. Assim como você, não sei o que e nem com quem. Mas não posso fazer muito para impedir. Mesmo assim, saiba que estou do seu lado.

—Como sabe que eu sei?

—Você tem alguns dons Ford. No começo achei que você não fosse humano. Mas você é. Só um pouco...diferente. Você pode ver espíritos. Sei que vê as crianças. Além disso, seus sonhos te dão algumas dicas valiosas sobre passado, presente e futuro.

—Realmente vai me apoiar?

—Claro. Além disso, sei muito bem o que tem em mente. Apenas...tome cuidado. É perigoso e você sabe disso.

—Eu sei. Mas algo me diz que vou precisar disso.

—Sei como é. De qualquer forma, Arthur e Kenny já sabem que você é o Homem Roxo. Até contarem aos outros não vai demorar. Será perigoso para você ficar andando por aí, então esse seria um bom disfarce.

Quando mencionei os nomes de Arthur e Kenny, a expressão de Ford se entristeceu. Coitado. Deve ter sido difícil para ele atacar Kenny e pior ainda ter que lidar com o que Arthur disse. Mas o Homem Roxo estava fazendo a coisa certa.

—Hey, relaxa. Tudo vai dar certo, ok?-falei e ele assentiu-Enfim, vou procurar os outros e deixar claro que devem manter distância dessa sala. Amanhã será o dia, Ford. Sinto isso. Se prepare.

Saí de lá e fui até a sala do vigia noturno, onde estavam Arthur, Jamie, Jeanine e Vincent.

—Olá pessoas...e...Springtrap. Spring...Vincent?

—Você é muito engraçadinha-Vincent ironizou.

Eu ri.

—Pois é, hoje estou terrível. Pior que o Mike.

—Oho, peraí-Scott riu-Pior que o Mike ninguém é.

—Bem, então acho que não se importariam se eu soltasse uns trocadilhos que inventei esses dias.

—Não!-todos falaram.

Eu ri mais uma vez e revirei os olhos.

—Enfim, percebi algo interessante sobre a Spring Bonnie.

—Aquele animatrônico que você conseguiu reformar há um tempo?-Springtrap...Vincent...perguntou.

—Aham. Tomem cuidado. Se o virem por aí, não se aproximem. Eu não o ativei e não sei o que pode ter dado nele para estar funcionando. Pode ser perigoso. Por isso não devem entrar na Sala Segura. O animatrônico está lá dentro e poderia fugir.

—Espere-Arthur disse-Dá para resumir?

Suspirei.

—Eu só queria lembrá-los da política daqui em relação à Sala Segura. Ninguém pode entrar lá. Nunca. Eu percebi que o animatrônico Spring Bonnie tem se movido.