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7 The Calm After the Storm


P.O.V. Ford

Eu estava no banheiro encarando meu reflexo no espelho. Consegui tirar a tinta, mas tive que dar uma cortada nos meus cabelos, já que ela deixou as pontas no mínimo destruídas.

Voltei até a sala nos fundos e deitei no chão, encarando o teto. O dia seguinte seria cheio, eu precisava descansar. Fechei os olhos e, depois do que pareceu uma eternidade, consegui dormir.

—Hello? Hello...uh...what on earth are you doing there, uh didn’t you get the memo, uh, the place is closed down, uh, at least for a while. Someone used one of the suits. We had a spare in the back, a yellow one, someone used it...now none of them are acting right. Listen j...just finish your shift it’s safer than trying to leave in the middle of the night. Uh we have one more event scheduled for tomorrow, a birthday. You’ll be on day shift, wear your uniform, stay close to the animatronics, make sure they don’t hurt anyone okay, uh for now just make it through the night, uh when the place eventually opens again I’ll probably take the night shift myself. Okay, good night and good luck-ouvi a voz no telefone dizer.

Olhei ao redor. Esse lugar de novo. Venho tendo pesadelos com essa pizzaria há dias. Aqueles animatrônicos antigos (Chica, Bonnie, Freddy e Foxy) estão sendo usados para peças. Enquanto isso, os toys fazem a festa.

Dei corda na caixinha de música. Não queria ver o Puppet tão cedo depois do que fiz.

Um animatrônico estava no corredor. Era Toy Freddy. Em todos os meus pesadelos, Golden Freddy costumava me matar. Mas, por algum motivo, aqui era o toy. Conforme ele se aproximava de minha sala, sua boca ia abrindo mais e mais. Seus olhos, antes azuis, pareciam prateados.

Saia daqui!, pensei. Comecei a piscar a luz na cara do animatrônico. Nada. Coloquei a máscara. Continuou no lugar. Parece que ele se adapta à tudo que faço!

A caixinha de música precisava de corda e, nesse momento, eu soube que estaria perdido. Mas tentei algo. Se eu não olhasse as câmeras, Toy Freddy não entraria em minha sala!

Coloquei o plano em prática. Ouvi uma música diferente ecoar pela sala. Eu sabia que Puppet chegaria logo. Mas...ele não teve a oportunidade de me atacar. De alguma forma, Toy Freddy entrou na minha sala.

Seus olhos negros possuíam duas luzes prateadas em cada um. Sua boca estava aberta, como se ele fosse me devorar ou sei lá. Ele sumiu. Abri o tablet para procurá-lo no palco. Nada. Quando olhei para a sala, Toy Freddy me atacou. Seus olhos novamente azuis pareciam encarar minha alma. Sua boca parecia capaz de arrancar a parte da frente da minha cabeça.

Acordei suando frio. Estremeci ao me lembrar do pesadelo. A mordida de 87...

The New and Improved Freddy Fazbear's Pizza. Um antigo estabelecimento que não ficou muito tempo aberto. Os livros sequer falam dele, mas no final da década de 80, a mordida de 87 foi o assunto mais comentado na cidade. No início dos anos 90, o assunto foi completamente esquecido.

Será que Toy Freddy...

Nah...

Será?

Mas...por que eu sonharia com isso?

Será possível que hoje...

Bem, a história se repete. Qualquer um que pare para analisar percebe isso sem dificuldade. Homem Roxo, robôs sendo desmontados, almas das crianças...

Olhei a fantasia de Spring Bonnie ao meu lado. O sistema do animatrônico poderia até estar funcionando, mas a aparência...bem, Belle ainda teria que cuidar um pouco desse detalhe.

"Someone used one of the suits. We had a spare in the back, a yellow one, someone used it...", lembrei. "Stay close to the animatronics, make sure they don’t hurt anyone". Farei isso.

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Os toys cantavam alegremente no palco. Eu me mantinha perto deles, mas tomava cuidado para ninguém me ver.

O dia já estava acabando, e nada aconteceu. Será que meus instintos estavam errados? Mas...Belle também sentia isso. Será que algo afetou a linha do tempo?

Toy Freddy parecia cansado. Sei que tentei desmontá-lo, mas devo admitir que não há como não ter pena do cara. Sempre correndo para lá e para cá, querendo dar conta de tudo. Sei que é uma espécie de "líder do grupo", mas alguém precisa enfiar no sistema do toy que ele não pode fazer tudo sozinho.

As crianças começaram uma brincadeira de pique-pega. Os toys aproveitaram para parar um pouco. Toy Freddy bocejou, o que significava que sua bateria estava acabando.

Uma coisa que Belle nunca conseguiu arrumar foi isso: os robôs não bocejam como humanos. As bocas deles abrem como as de lobos.

Enquanto Toy Freddy bocejava, percebi que a tragédia estava feita. Uma criança trombou feio com Arthur, fazendo-o tropeçar para frente e sua cabeça ficou presa na boca do toy.

As pessoas começaram a gritar e correr desesperadamente. Toy Chica saiu de perto gritando algo como "NÃO QUERO NEM VER!". Bonbon tentava manter Toy Freddy calmo e Goldie correu até a confusão para tentar ajudar de alguma forma.

Olhei ao redor. Meu olhar encontrou o de Belle e ela me mandava uma mensagem clara: faça algo!

Eu estava pronto para isso. Com a fantasia de Spring Bonnie eu conseguiria mexer na boca do toy sem o risco de machucar as mãos.

Fui até Toy Freddy e os robôs próximos a ele me olharam, confusos. Segurei a parte de cima e de baixo de sua boca. Com um pouco de dificuldade, forcei-a a abrir e Arthur se afastou, respirando ofegantemente e extremamente pálido. O esforço me fez ficar meio tonto.

—NÃO!-Belle gritou.

Olhei para ela, confuso, e respirei fundo, buscando recuperar o ar perdido. Quando entendi o que a Cipher tentara alertar, já era tarde.

Ouvi um estalo. Senti as molas da fantasia penetrarem em minha pele e berrei de dor e agonia. Caí de joelhos. Vi meu sangue no chão e minha visão estava turva.

De repente, senti as molas voltarem às suas posições e meus ferimentos se curarem. O quê? Olhei ao redor com dificuldade. Todos pareciam em choque. Então eu entendi. Belle fez um feitiço.

—Ela tem poderes!-alguém exclamou.

—É uma bruxa!-murmuraram.

Belle cutucou o namorado.

—Henry, vamos sair daqui. Agora!-ela disse e os dois saíram correndo.

Senti alguém me ajudar a levantar. Era Arthur. Tirei a fantasia com cuidado e encarei o ruivo.

—Arthur, eu sinto muito. Eu deveria ter explicado o porquê de estar fazendo aquilo tudo e também dito como eu sabia. Além disso, eu realmente não queria fazer mal ao Kenny, mas eu não tive escolha, eu...

Fui interrompido por Arthur, que me beijou. Fiquei em choque por um tempinho, mas retribuí o beijo.

Quando nos afastamos, Arthur encarou o chão.

—Ford, eu sou quem deveria pedir desculpas. Eu não quis dizer aquilo, eu só estava em choque e magoado. Achei que você estivesse...-coloquei uma mão em seu ombro, o interrompendo.

—Hey, está tudo bem agora.

—Eu não acredito que quase arrancaram minha cabeça. E você quase morreu dentro daquela fantasia. Tem certeza que está bem?

—Absoluta-sorri e o abracei.

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Belle inventou alguma desculpa para explicar o que acontecera. Algo sobre a ala de terror. As pessoas pareceram acreditar.

Segurei a máscara da fantasia de Spring Bonnie e olhei ao redor. Parece que finalmente teremos um tempo de sossego. Não é fácil conseguir fechar esse lugar, os Ciphers sempre dão um jeito.

Deixei a máscara no chão e olhei a faca em minha outra mão. Coloquei-a dentro de um estojo e o guardei em meu bolso. Nunca se sabe quando vai precisar de uma dessas.

Tirei meu boné de segurança e encarei meu reflexo no vidro.

Lembrei-me da criança que anos atrás perdeu seu irmãozinho e, pouco tempo depois, já tinha se afastado de seus amigos (um deles inclusive saiu da cidade) e ficado sem sua família adotiva.

Lembrei-me do garoto de 17 anos que trabalhou como vigia noturno na Fazbear's Fright e passou uma semana sendo perseguido por um animatrônico, alucinações, pesadelos e fantasmas de seu passado.

Lembrei-me do garoto de 21 anos que trabalhou como vigia noturno na Teddy's e foi forçado a dar de cara aquele Sprigtrap novamente. O mesmo garoto, que, dias depois, enfrentou esse animatrônico.

Agora, tudo mudou. Meus amigos estavam de volta. Minha família estava de volta. Meu irmãozinho estava de volta. E agora, eu estava com Arthur. Tudo ficaria bem.

Apoiei as costas no vidro e olhei o chão. A luz da sala atrás de mim projetava uma sombra à minha frente. Observei-a atentamente. Por um momento, eu poderia jurar que vi algo como duas orelhas de urso na minha sombra.

Eu sorri.

Algumas coisas nunca mudam.

It's me.

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