Newcomer.
2 Capítulo 2 - Thunderstorm - Parte I.
Notas iniciais
— EM? Aonde você está?? — Emily passou a mão no rosto com marca do travesseiro, ainda tonta por acordar tão repentinamente.
— Estou em casa Hanna, por que esse desespero? — Disse Emily ao celular.
— Esqueceu que marcamos sete horas, aqui na casa da Spencer?
— Ah! Droga. Me dá vinte minutos. — Emily bateu na testa assim que Hanna encerrou a chamada.
A morena começou a se arrumar às pressas, retirando o pijama e recebendo um mais novo roxo na perna ao cair de cara no chão, fazendo com que ela mesma risse da situação.
Quando já estava de tênis, short, cabelo penteado e sutiã, ela começou a procurar sua blusa verde preferida. Achou-a depois de alguns minutos, pendurada na janela.
Ao se aproximar para pegá-la, se deparou com Elizabeth na janela da casa ao lado. Assim como quando Alison morava ali, seus quartos eram frente a frente.
A garota nova, por sua vez, estava semi nua, somente de calcinha e sutiã. E ainda não havia reparado nos olhares espantados da morena.
Elizabeth se vestia calmamente, sem a menor pressa. Aquela cena, fez com que as partes íntimas de Emily queimassem desesperadamente, por mais que evitasse ter tais pensamentos.
A morena tentou a todo custo lembrar do difícil teste de matemática que teria que realizar na quinta-feira ou da louça hiper suja que lavou na noite anterior. Mas nenhum de seus recursos adiantou naquele momento em que não se recordava nem mesmo de que estava atrasada.
Quando nenhuma de suas ideias funcionaram, Emily deu-se por vencida e já não via mais razão na necessidade humana em piscar os olhos, até que Elizabeth percebeu a situação de supetão.
O coração de Emily deu um pulo, pego no flagra, e como castigo fez com que seu rosto adquirisse uma nova cor avermelhada. Não sabia para onde desviar o olhar ou se enterrar.
Mas para sua surpresa, a menina de olhos azuis rira e apenas saíra de seu campo de visão, voltando brevemente, desta vez devidamente vestida e com uns papéis e caneta em mãos.
Emily pôde ver algo escrito junto ao seu peito em um dos papéis que a jovem trouxera consigo:
"Estou me sentindo naqueles filmes de Serials Killers"
Como se já não fosse o suficiente, Emily parecia haver comido bastante pimenta de uma só vez. Tratou de caçar alguns papéis e uma caneta pelo quarto e logo escreveu de volta:
"Eu estava procurando minha blusa e acabei olhando para o seu quarto sem querer"— Mostrou a blusa em mãos.
"Não se preocupa, também olhei para sua janela sem querer. Adorei a queda!"— O brilho nos olhos de Elizabeth eram divertidos, como se brincassem com a situação.
Emily não sabia se a garota estava flertando com ela quando disse que também olhara sem querer ou se era apenas a verdade.
"Não sou uma pessoa que esbanja equilíbrio"— A morena mostrou o papel para a vizinha, sem graça.
"Já reparou que nossas conversas geralmente começam através de papéis?? Acho que ficaria mais fácil se você me desse seu telefone".
Emily escreveu seu celular no papel e mostrou à vizinha, que largou o que estava segurando para pegar seu celular e começar a digitar algo, fazendo com que o aparelho de Emily vibrasse, avisando sobre uma nova mensagem.
"Anota meu numero aí, tarada da janela. — B"
Emily leu a mensagem assustada e olhou para a menina. Ela estava sorrindo bastante, o que fez com que Emily fizesse o mesmo.
"Impossível não ter pensamentos tarados quando minha vizinha resolve trocar de roupa com a janela aberta"— Ela se arrependeu logo que mandou. Não importaria se Elizabeth estava flertando ou não com ela, mas ELA definitivamente estava flertando com Elizabeth, o que fez com que instantaneamente se sentisse mal por Paige. Desviou o olhar, pensativa, mas recebendo uma mensagem em seguida:
"Vou me policiar nesse quesito! Haha. Tenho que terminar de me arrumar, vou conhecer a cidade. Nos falamos depois?"— Elizabeth enviou a mensagem e fez um gesto com as mãos, mandando um beijo.
...
— "A" não dá notícias fazem três dias. — Disse Spencer depois de um gole em seu suco de laranja natural.
— Será que finalmente desistiu de fazer a vida dos outros um inferno? — Disse Hanna, com os cotovelos apoiados no balcão da cozinha dos Hastings.
— Não, "A" não é assim. — Disse Emily pegando um biscoito de chocolate do pote que estava no armário da cozinha de Spencer.
— Ela está tramando algo. Com certeza. — Disse Aria, que estava sentada em cima do balcão. Seu tom de voz era macabro. O que fez com que as meninas se arrepiassem.
Todas concordaram.
— Não aguento mais esse monstro! — Esbravejou Hanna.
As meninas ficaram mudas automaticamente quando ouviram um barulho provindo do lado de fora da casa. Todas prenderam o fôlego com o terrível pensamento de que "A" as ouvira e de que estivesse ali o tempo todo.
A porta se abriu vagarosamente e uma pessoa encapuzada com um tecido preto entrou no recinto, alimentando os gritos das quatro gargantas apavoradas.
— O que está havendo aqui? — Disse uma voz conhecida, que para alívio de todas, era pertencente a mãe de Spencer, Verônica Hasting, uma das advogadas mais conceituadas que se ouvia falar por ai.
Verônica parecia ter vindo direto dos estábulos da família. Vestia uma camiseta Petit Bateau, um jeans skinny e suas surradas botas de montaria. Havia até mesmo um pouco de feno em seu cabelo.
— Nada. Absolutamente nada, mãe. Estávamos falando sobre filmes com temáticas macabras. — Spencer apressou-se em dizer.
— Certo... — Retirou o sobretudo de couro preto completamente encharcado. – Está chovendo horrores lá fora. Mal dá para ver a mão na frente do rosto. Vi que uma grande tempestade vai começar hoje. O que me leva ao assunto dois... — Colocou sua bolsa tamanho viagem Louis Vuitton no balcão e observou as garotas que conhecia desde crianças. — Estão convidadas para dormir aqui, meninas.
— Eu aceito o convite, Mrs. Hastings. Obrigada. — Disse Hanna enquanto mordia uma maçã, como se já fosse de casa. As outras meninas também aceitaram, devido ao fato isolado e agradeceram em coro.
...
Assim que ligaram para suas respectivas casas para avisar que iriam dormir na casa de Spencer, começaram a assistir a um filme de terror qualquer, até que mais um barulho fez com que se arrepiassem.
— Mas que mer... — Xingou Hanna.
— É meu celular. — Interrompeu Emily, pegando o aparelho. A nome Elizabeth piscava na tela. Spencer deu pausa no filme e Emily logo atendeu:
— E-EMILY? — Ouviu a vizinha gritar do outro lado da linha. Era muito difícil de ouvir, parecia estar debaixo da tempestade que agora caia intensamente.
— Elizabeth? Aonde você está? — Emily tampou o ouvido oposto com a mão.
— Per-perdida! Eu estava entrando... "Brrr booom!" — Emily ouviu um som de trovão. Elizabeth continuou: – ... Floresta quando a chuva tempestade começou.
— Eu sei aonde é a entrada da trilha para a floresta. Estou a caminho! — Emily encerrou a chamada e pegou a chave do carro de forma veloz, sentindo os olhares das amigas queimarem atrás de si.
— Você só pode estar brincando que vai sair nesse dilúvio!!! — Spencer deu a volta e a encarou de frente.
— Elizabeth se perdeu. Eu sei aonde ela está, Spencer. Fique aqui com as meninas. Eu volto logo. É aqui perto — E saiu apressada sem dar tempo para protestos.
...
Elizabeth parecia ter pulado no lago Pecks, tendo em vista o estado de suas roupas. Andava pela trilha quando conseguiu reconhecer a luz do farol do SUV que vinha se aproximando e não se demorou em correr para o automóvel em que Emily dirigia e agilmente havia aberto a porta do carona.
— Muito obrigada, Emily! — Disse aliviada. — Eu realmente não esperava por essa chuva e não tinha realmente ninguém que pudesse ligar.
— Não foi nada. — Olhou preocupada com a situação da vizinha, que tentava esfregar as mãos nos braços para afastar o frio, em vão.
— O aquecedor do carro quebrou...
— Não tem problema! — Elizabeth olhou para seu rosto com espanto. — Você já fez muito em vir aqui ao meu resgate e eu ainda estou inundando o carro todo!
— Aqui em Rosewood a temperatura pode mudar drasticamente. Você tem que estar preparada. — Emily sorriu em passar a informação para a mais nova residente da cidade e, hesitante, estendeu os braços em sua direção, dando um abraço aquecido.
Realmente se encontrava preocupada com as condições em que se encontrava a outra. O que ela fazia na floresta?
A garota dos olhos azuis não esperou mais nem um segundo e se atirou nos braços da morena.
— Você vai pegar um resfriado só com esse abraço, Emily.
— Na verdade estou com medo de que VOCÊ pegue um resfriado.
— Você é linda, sabia? — Elizabeth sorriu entre os braços de Emily encarando a menina bem de perto. Seus olhos desceram para a boca de repente e devagar segurou o pescoço da morena, meio hesitante, começando a beijá-la levemente.
Quando seus lábios se tocaram, uma onda de calor passou por suas partes íntimas. Mas mesmo assim, não se soltaram, perdidas em si mesmas. O beijo era lento, o que fez com que Elizabeth pedisse passagem com a língua, cedida quase que instantaneamente por Emily.
A menina dos olhos azuis mordia os lábios e o pescoço de Emily carinhosamente, passando as mãos por suas costas, até chegar no quadril, apertando-os entre os baixos gemidos da morena.
Como se acabasse de realizar que contos de fadas não existem, Emily pulou em seu assento, empurrando a garota gentilmente.
— Paige. — Afirmou. — Elizabeth, eu namoro a Paige.
Um longo silêncio se formou entre as duas, interrompido somente com os grossos pingos de chuva que caíam velozmente do lado de fora, até que a morena resolveu quebrá-lo:
— Vamos para a casa da Spencer. É a mais perto daqui. A tempestade vai piorar... — Ela dizia ligando o carro, sem ao menos olhar para a garota pela vergonha que carregava agora consigo.
— Emily, eu... Me desculpe. Não sei o que deu em mim...
— Não. — Emily deu um sorriso fraco para ela. — Sou eu quem namora aqui, certo? — Esperou que Elizabeth confirmasse com a cabeça para então continuar. — Então sou eu quem lhe devo desculpas...
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