Newcomer.
3 Capítulo 3 - Thunderstorm - Parte II.
Notas iniciais
Emily e Elizabeth estavam enroladas nas toalhas que Spencer as emprestara, tomando um café forte e quente.
— O tempo aqui é muito diferente! Quando saí de casa o céu estava claro... Sem nenhuma nuvem! — Elizabeth indignou-se, arrancando sorriso das meninas no recinto.
— Você acaba se acostumando. — Hanna comentou, olhando para as unhas. — Como num dia em que você sai com sua bolsa coach satchel e no outro já aprende que deve levar mais uma no carro caso algum idiota passe de carro por você e espirre toda a lama em sua direção.
— Definitivamente! — Suspirou Elizabeth com os olhos arregalados, como se não quisesse prolongar o assunto com Hanna por não compreendê-lo.
Emily, por sua vez, observava a garota. Como ela podia ser tão cheia de qualidades?! Não parara de pensar um segundo sequer no amasso relâmpago que deram dentro de seu carro. Uma parte dela se dividia e gostaria muito de continuar com aquilo, mas a outra parte (a mais sensata), por sua vez, lhe dizia que aquilo não era justo com Paige. Embora uma terceira parte ainda estivesse contente por desejar uma pessoa que aparentemente a desejava igualmente.
Logo quando começara a sair de seus devaneios para participar da conversa e parar de observar a situação como uma psicopata, de acordo com Aria, o lustre da sala e todos os outros aparelhos da casa pareceram pifar.
— Droga! — Hanna exclamou sem fôlego, devido ao susto.
— Black out... — Comentou Emily, obviamente.
— Era de se esperar, com essa tempestade lá fora. — Elizabeth deu de ombros.
— Esperem aí. Vou pegar as lanternas. — Spencer calmamente se levantou e passou a tatear as paredes.
— Vai rápido! — Puderam ouvir Aria falando, temerosa.
— Voilá. — Em poucos segundos Spencer acendera duas lanternas, colocando-as em cima da bancada. E, aproveitando a situação, curvou a luz na direção ascendente ao seu pescoço. – Mais um filme de terror? Quem topa? — Sorriu.
— Está doida, Spencer?! — Gritou Hanna agudamente. — Põe um de comédia ou coisa assim!
— Melissa levou os filmes daqui, só deixou os de terror. — Suspirou, colocando a lanterna no lugar anterior.
— Não precisamos necessariamente assistir filmes. — Comentou Aria. — Vamos jogar verdade ou desafio?
— Sério, Aria? — Hanna bufou. — Igual nos filmes de adolescentes?
— Das duas uma... — Spencer acrescentou. — Ou um assassino aparece de repente ou alguém sai grávida. Nesses filmes é sempre a mesma coisa.
Todas a encararam e começaram a discutir sobre o assunto, até que resolveram, sem nenhuma outra opção concorrente, jogar, já que os pais de Spencer aproveitaram a tempestade para ficarem juntos, alugando um quarto num hotel cinco estrelas e não dormiriam em casa. Dessa forma não teria chance de que eles ouvissem alguma besteira.
As jovens se sentaram formando um círculo no chão e colocaram a lanterna para girar. Quem fosse atingido pela luz, era a "vítima" de quem estivesse do lado oposto da lanterna.
— Você não vem? — Perguntou Spencer para Elizabeth que se encontrava de pé, encostada no sofá.
— Não me dou muito bem nesses tipos de jogos. — Respondeu a garota, gentilmente.
— Por que? Você tem algo muito grande para esconder? — Brincou Hanna.
— Eu? Não.
— Então! — Aria falou de modo agudo demais. — Senta aqui logo! — Depositou uns tapinhas no chão ao seu lado.
Elizabeth, convencida pelas mais novas amigas, se sentou entre Aria e Hanna. Já ao lado de Hanna se encontrava Emily, seguida por Spencer.
— Bom, é o seguinte! — Aria começou animada, mas com um certo tom de autoridade, o que não combinava nada com ela. — A pessoa só pode escolher verdade três vezes. Depois disso, é só desafio. É claro que não podem ser desafios impossíveis. Mesmo se você for desafiado a fazer algo com alguém do jogo, a vítima e a outra pessoa escolhida deverão fazer. — Olhou rapidamente para Emily, indicando alguma coisa nas entrelinhas, o que não agradou a morena, pois começava a desconfiar de alguma armação e sentia que algo tinha a ver com Elizabeth. — Sendo assim, para não ser injusto, a outra pessoa escolhida, ganha direito a mandar um desafio para qualquer jogador, que não pode recusar.
As meninas concordaram com os termos e, sem mais rodeios, a garota girou a lanterna, que parou entre Spencer e Hanna. Com a luz voltada para a loira, que enchia copos de cada menina com vodka.
— Ahá! — Spencer sorriu maldosa. — Verdade, ou desafio?
— Verdade. — Hanna sorriu desconfiada, pensando um pouco antes de responder.
— Você e Caleb... Então? — Spencer levantou as sobrancelhas. — Já rolou?
Todas as meninas exclamaram uma surpresa.
— Já vamos começar assim?! — Emily exclamou espantada e receosa com as perguntas que fariam ali. Elizabeth havia acabado de conhecê-las. O que acharia de tudo aquilo?
Foi então que percebeu algo brilhante depositado ao lado do sofá de três lugares da família Hastings. O objeto em questão era uma garrafa que antes possuía conteúdo alcoólico e agora desconfiava que o álcool, antes pertencente à garrafa, estava na corrente sanguínea de suas amigas.
— Não me importo. — Sorriu Hanna bobamente. — Sim, Spencer. Já fizemos! Que pergunta de adolescente!
— Nós somos adolescentes! — Aria protestou.
Realmente. Embora fossem adolescentes no auge da juventude, não conseguiam se sentir assim desde que A aparecera em suas vidas.
Beberam uma dose de vodka após a rodada e foi a vez da loira girar o foco de luz, que parou entre Emily e Aria, apontando para a morena.
— Verdade ou desafio? — Disse Aria lambendo os lábios, esquecendo do peso da frase que havia proferido anteriormente, e fazendo com que as meninas no ressinto rissem do gesto.
— Ver-verdade. — Respondeu temerosa.
— Você e Paige? Se sim, como é o sexo entre duas mulheres? Sempre tive a curiosidade.
Mesmo esperando que a pergunta fosse audaciosa, Emily corou como nunca, mas resolveu explicar para que aquilo se encerrasse logo:
— Sim. — Respondeu rapidamente a primeira parte. — Bom, eu pelo menos, vejo como algo mais delicado. Repleto de toques e arrepios em lugares nunca imaginados. É desejo em flertes direcionados pelo olhar. — Se perdeu em meio aos seus pensamentos, recobrando-se em seguida. — Mas em termos práticos, existem aquelas que usam apetrechos, outras os dedos e outras ainda, a língua. — Fez uma pausa para então continuar, como se não pudesse esquecer: — E aquelas que usam de todos esses artifícios, é claro.
— Uau! — Spencer deixou com que a exclamação escapasse, provocando risos em todas as presentes que tiveram que beber do copo, visto que a rodada se encerrava.
Emily girou a lanterna que rodou por algumas vezes e agora iluminava Elizabeth e de seu lado oposto, Hanna.
— Verdade ou desafio? — Hanna sorriu maliciosamente para Elizabeth, que teve seu semblante levemente assustado.
— Verdade? — A brasileira ergueu uma das sobrancelhas.
— Você é quem sabe, Elizabeth! — Aria riu da situação.
— Ok... Verdade então. — Afirmou.
— Qual é a sua? Já entrando nesse assunto... Homem ou mulher? E, falando nisso, você é solteira ou...?
— De qual sexo eu tenho atração? — Perguntou para confirmar a pergunta, recebendo um sinal afirmativo com a cabeça de Hanna. — Certo... Então... Eu sempre fui muito tranquila quanto a isso. Me considero bi, embora tenha preferências pelo sexo feminino. E sim, solteira.
— Eu não sabia que bissexuais poderiam gostar mais de um lado que de outro. — Comentou Aria.
— Não se sinta mal, Aria. Muita gente não sabe disso. — Disse tranquilamente à garota, bebendo mais uma vez com o resto do grupo.
Por mais que Emily quisesse que o jogo se encerrasse o mais rapidamente possível, tendo em vista que suas amigas já estavam um pouco embriagadas e que as únicas sóbrias ainda no recinto eram Elizabeth e ela, queria descobrir um pouco mais sobre a nova moradora de Rosewood.
Foi a vez de Elizabeth girar a lanterna, que a iluminou novamente, com Spencer no oposto.
— Isso não é justo! — Se queixou, brincando.
— Verdade ou desafio? — Spencer perguntou.
— Verdade!
— Você pode esclarecer um pouco mais sobre o que Emily falou... Então... Sexo com homem e com mulher... Qual a diferença?
— Caramba! — Elizabeth riu, envergonhada. — Eu quero entender o porquê de tamanha curiosidade de vocês.
— Interesses puramente científicos. — Spencer deu de ombros, sorrindo com a situação.
— Não sei dizer ao certo, Spence... — Respondeu corada. — Mas acho que, como Emily disse, quando você tem uma relação com uma mulher, é tudo bem diferente. Os toques, as falas mansas, a delicadeza...
— Quantos anos você tem?! Tá parecendo uma romântica incorrigível do século passado. — Hanna riu com o próprio comentário e Elizabeth a acompanhou na risada antes de responder constrangida:
— Dezenove.
As meninas se espantaram.
— E o que está fazendo na High School?
— Terminei o ensino médio no Brasil. Mas queria algo a mais no meu currículo... — Elizabeth disse envergonhada.
— Estou me sentindo uma cobaia científica! — Hanna fingiu desapontamento.
Todas no recinto riram da interpretação da loira, tomando cuidado para não engasgar com a vodka pura.
— Tá bem! — Disse Spencer, cortando a conversa. — Agora que sabemos que temos uma integrante nerd, vamos continuar esse jogo.
As meninas assentiram e Elizabeth rodou a lanterna mais uma vez. A luz parou em Aria, com seu oposto sendo Hanna.
— E você e Ezra, Aria? Como é namorar um homem mais velho?
— Ezra? — Aria indagou para si mesma, pensativa. — Ezra é um cara bacana. Nós dividimos os mesmos gostos por diversas coisas. Ele é bem mais maduros do que os meninos da nossa idade, obviamente, e pelo que Emily e Elizabeth falaram, acho que ele é quase tão delicado quanto uma mulher no quesito sexo. E eu gosto disso nele... — Finalizou romanticamente esperançosa e logo tratou de girar a lanterna.
Em meio a toda a situação, a cabeça de Emily já estava começando a rodar. Não queria nem imaginar a das amigas, que já estavam bebendo antes que ela voltasse da trilha da floresta com sua vizinha. Quando se deu conta, era a vez de Elizabeth perguntar para Spencer:
— Verdade ou Desafio?
— Verdade.
— Estamos falando de intimidades, mas não as verdadeiras intimidades. — Sorriu. — Spencer, qual é o seu desejo mais íntimo?
— Sexual? — Spencer arregalou os olhos, um pouco assustada com a audácia da pergunta feita pela novata.
— Não! — Elizabeth também ficou com um semblante igualmente assustado e com a face vermelha. — Da vida.
— Agora que eu achei que as coisas estavam ficando ainda mais interessantes! — Hanna suspirou decepcionada.
Essa pergunta fez com que Spencer realmente pensasse. Ficando em dúvida se devia responder ou não.
— Eu gostaria de realmente poder viver minha adolescência. Queria poder fazer compras com minhas amigas num sábado a tarde na Filadélfia ou ir para as festas na casa de Noel Kahn sem me preocupar em ser ameaç...
— Spencer! — Aria ficou por um triz de gritar. — Não prolonga muito! É para todas nós jogarmos! — Riu de forma forçada, cortando a amiga, uma vez que sabia que a mesma poderia acabar falando demais para uma pessoa que acabou de chegar na cidade e que não mereceria ser mais uma a carregar o peso de A.
Elizabeth se espantou um pouco com a resposta. Mas Spencer logo girou a lanterna para quebrar o assunto e todas beberam mais uma vez. A luz rodou e rodou, até parar entre Emily e Elizabeth.
As duas se encararam desconfortáveis.
— Verdade ou Desafio?
— Verdade. — Elizabeth se mexeu com um certo incômodo.
— Se você tivesse uma chance de voltar no tempo para consertar algo em sua vida. O que você faria?
— Definitivamente foi profundo. — Aria cruzou os braços, interessada.
— Apenas um ato?
— Não sei. Um ato, uma decisão, uma fala... Algo que você julgou ser errado e gostaria de consertar. — Emily respondeu, sustentando o corpo no braço apoiado no chão.
— Não sei... Essa pergunta foi realmente difícil, Fields. — Elizabeth sorriu, assumindo uma pose pensativa em seguida. — Acho que não mudaria nada. Eu sou aquele tipo de pessoa que acredita que, se aconteceu, serviu como experiência. — Ajeitou alguns fios rebeldes que insistiam em cair na frente de seus olhos.
— Definitivamente eu não comeria aquele donuts do Wawa. — Hanna comentou mais para si mesma do que para as amigas e encarou a própria barriga. — Acho que engordei dois quilos com aquilo!
— Talvez... — Elizabeth pareceu lembrar de algo subitamente. — Talvez eu faria com que eu mesma não me apaixonasse repentinamente por uma pessoa que conheci. Uma pessoa comprometida.
— Isso também foi profundo, Elizabeth. — Aria acariciou brevemente as costas da outra em sinal de apoio. — Todas nós temos história sobre paixões que não deram certo. Mas infelizmente, não podemos mandar em nossos corações.
Emily engoliu em seco, um pouco constrangida. Era dela de quem Elizabeth falava, certo? E por que Spencer as estava encarando daquele jeito?
Todas tomaram a bebida destilada e a novata girou a lanterna sem mais delongas, que demorou um pouco mais para parar, apresentando em seu oposto, Spencer, com a luz iluminando novamente sua face.
— Isso é inadmissível!! Essa lanterna está de implicância comigo! — Brincou a brasileira, revoltada.
— Você já não pode mais escolher "verdade". — Advertiu Hanna com um sorriso brincalhão escapando de seus lábios.
Spencer voltou a olhar para Elizabeth e logo depois para Emily. Fez isso durante alguns segundos.
— Spencer... — Emily advertiu.
— O quê? — O sorriso maroto aumentou.
...
— Eu não acredito nisso. É muita criancice. — Emily bufou.
— Então por quê você aceitou? — Elizabeth se divertia com a situação.
— Elizabeth! Isso é algo que crianças de quatorze fazem. — Encostou no fundo de madeira da dispensa da casa dos Hastings, lugar onde agora se encontravam.
— É só um jogo Em, relaxa. Vamos apenas sentar aqui e deixar o tempo passar para sairmos logo dessa dispensa. — Imitou o movimento da outra.
— Só vou relevar isso, porque, sem sombra de dúvidas, elas estão bêbadas.
— Eu e você estamos quase lá também.
— Bêbadas?
— Claro, Emily! Você percebeu a quantidade de vodca que bebemos?
— Minha mãe me mataria se me visse assim... — Emily sussurrou.
— Você tem ideia do porquê Spencer pediu para que ficássemos trancadas aqui durante esses minutos? — Elizabeth perguntou para a morena.
Emily negou com a cabeça, comentando em seguida:
— Talvez seja porque as meninas não aprovam meu relacionamento com Paige e estão a todo momento me apresentando e me jogando para cima de outras garotas. — Deu de ombros. — Isso sempre acaba me deixando em maus lençóis.
— E você sabe por quê elas não gostam da Paige?
— Ela tentou me afogar uma vez, depois da aula de natação. — Disse tranquilamente, como se fosse algo indispensável para o começo de um relacionamento.
— O QUÊ?! — Elizabeth se espantou e encarou a garota, assustada.
— Isso foi há bastante tempo. — Emily deixou escapar um sorriso. — Ela era apenas uma garota com medo demais para sair do armário.
— Agora eu entendo suas amigas. — Sussurrou Elizabeth.
— Elas sabem que você faz o meu tipo e acho que decidiram se reunir em um complô.
— Eu faço seu tipo? — Elizabeth ergueu uma sobrancelha, deixando o rosto de Emily escarlate.
Mesmo com a pouca iluminação, a morena podia ver os olhos azuis brilhantes.
— Elizabeth... — Tentou organizar as palavras. — Eu não posso simplesmente terminar meu namoro por alguém que conheço há poucos dias. Sou uma parte importante na vida da Paige. Estou ajudando-a a lidar com a sexualidade que ela recém descobriu. Mas se dependesse das minhas amigas, eu estaria com você desde o primeiro dia em que nos conhecemos. — Riu de sua última frase.
— Certamente. — Elizabeth balançou a cabeça. — Você está com a razão, afinal, namorados servem para isso também... Uma forma de apoio e suporte.
— E não é só por você ser super atraente e possuir um carisma alto, que eu tenha que me deixar levar pelos meus impulsos, entende? — Emily continuou a falar, se aproximando da garota.
— Entendo. — Elizabeth comentou em um tom mais baixo e devagar, tentando compreender o que a morena estava fazendo.
Mas antes que pudesse organizar suas ideias, sentiu Emily depositando as mãos em sua cintura e com a respiração pesada, aproximando lentamente suas bocas, que estavam quentes de desejo de ambas as partes.
— Emily... — Disse temerosa, mas a outra já não lhe dava ouvidos.
Elizabeth então, puxou a morena para mais perto, encaixando seus corpos e Emily mordiscou devagar seus lábios, fazendo com que soltasse um gemido baixo, aproveitando para introduzir sua língua.
Sem que percebesse, a mão de Emily deslizou pelo corpo de Elizabeth, aproveitando cada toque, passando por entre os seios, com leves apertos, arrancando mais gemidos da garota, e pela barriga até descer e passar pelo local "proibido".
Emily se assustou com o que estava prestes a fazer. A garota de cabelos castanhos deu um pequeno pulo com o toque tão íntimo e se afastou.
A morena pôde então perceber o quanto a outra menina estava excitada. Queria tê-la por completo. Gostaria de acariciar aquele lugar e aumentar o ritmo devagar, dizendo que terminaria com Paige naquele mesmo instante. Mas, quando deu por si, Elizabeth já havia aberto a porta do local e voltava para a roda de amigas, que Emily havia esquecido completamente que estavam na mesma casa.
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