Newcomer.
33 Capítulo 33 - Memories of Another Time .
— E então? Como ele está? – A voz de Hanna ressoava pelo aparelho telefônico.
— Bem, eu acho. – O suspiro de Emily fora ouvido do outro lado da linha, entregando seu cansaço. – Os médicos disseram que ele está se recuperando sem maiores problemas.
— Spencer também foi para casa? Ela me pareceu muito estranha.
— Sim, pensei que fosse só eu que havia imaginado isso. – Agora um grande bocejo se fez presente.
— Então Aria está com ele?
— Não, Han. – Emily saberia que uma hora a loira saberia.
— Emily! Você sabe que —A pode terminar o trabalho a qualquer momento, ainda mais se Toby estiver sozinho!!
— Hanna, ele não está sozinho... Está com o Caleb...
— Oh... – A amiga pareceu muda por alguns instantes. – Não sabia que ele já estava na cidade...
— Chegou agora a pouco, antes que eu precisasse ligar para Aria. – O silêncio mais uma vez se fez presente.
— Certo, Em... Eu tenho que... Tenho que me arrumar agora, caso contrário chegarei atrasada para a aula do Sr. Hopher. Nos falamos na escola.
Antes mesmo de encerrar a ligação, os olhos de Emily percorriam todo o perímetro que a vista de sua janela podia alcançar e não tardou a ver o que procurava, assim que desligou a chamada. Elizabeth trancava a porta da frente de sua casa, com o telefone em mãos.
— Eu sei, Alice. – A morena escutava com um pouco de dificuldade. – Eu sei que não saiu conforme o planejado... – A brasileira parecia irritada. – Eu agi por impulso, ok?! Mas que droga! – Se inclinasse mais, Emily sofreria uma queda e tanto. – Me dê mais alguns dias! Eu prometo que terá o que quer! – Elizabeth se encaminhava para seu carro, atrapalhando a audição da vizinha. – Certo. Não se preocupe mais com isso. Eu garanto a você que dará tudo certo. – Agora que a menina dos olhos azuis havia entrado no veículo, que saiu cantando pneu, Emily nada mais pode ouvir e xingando em voz baixa, discou para Spencer, que atendeu prontamente.
— Emily?
— Hey, Spence! – A morena cumprimentou a amiga, demonstrando sua ansiedade. – Então... Alguma notícia do notebook de Elizabeth?
— Ah... Não... — Respondeu de imediato. – Pelo que eu encontrei, podemos denunciá-la como —A tanto quanto uma barata. Dá no mesmo.
— Mas que... Vadia... – Emily balançou a cabeça negativamente. – Spencer...?
— Sim?
— Eu acabei de ouvir uma conversa dela com aquela tal de Alice... Algo sobre agir por impulso. Parecia estar tomando uma bronca e tanto... Você acha que ela estava falando sobre... – Emily engoliu em seco. – Não ter acabado o serviço e eliminado Toby do caminho?
— Em, podemos continuar essa conversa na escola? Estamos atrasadas. – A outra respondeu após uma breve pausa.
Um ar de perplexidade preencheu os pulmões da morena, que balbuciou algo como “Nos encontramos lá”.
...
Estacionou o carro em uma excelente vaga. Coisas pequenas como esta a faziam dar pulos de felicidade. Pobre e ingênua Emily, pensava consigo mesma. Agora, era difícil que alguma coisa pudesse lhe fazer mudar a expressão de seriedade. O que só piorou após dar os primeiros passos no corredor e ouvir seu nome no auto-falante.
— Emily Fields, favor comparecer a sala do diretor. Emily Fields, favor comparecer a sala do diretor.
— Não tem como o dia piorar... – Sussurrou para si, e bufando encaminhou-se para a sala do senhor Bennet.
— Emily! – Diferente do que imaginava, a morena assustou-se ao ver a treinadora Wine sentada na cadeira do diretor com um grande sorriso. Mas nada a assustou mais do que chocar seu olhar com Elizabeth, que encontrava-se sentada na frente da professora. A simpatia caraterística da brasileira havia desaparecido. Seu olhar não expressava nada além de pressa, como quem não tivesse tempo de estar ali.
— M-me chamou, treinadora? – Apressou-se em mudar o olhar da brasileira para a professora.
— Mas é claro que chamei! Existe outra Emily Fields por aqui? – Wine não perdia o sorriso, o que começava a deixar a situação ainda mais estranha, e continuou: — Devido aos acontecimentos recentes, — Pigarreou. – você não pôde comparecer ao meu encontro na segunda-feira, como eu havia pedido logo depois do jogo de vôlei. Mas já que estamos aqui agora, eu gostaria de comunicar que haverá um baile dos esportes aqui no Rosewood Day, e tanto você, como a Elizabeth aqui, mostraram que estão mais do que aptas para serem as capitãs, sendo assim, foram escaladas para a organização!! – Terminou em um fôlego só, com os olhos brilhantes de satisfação e rápidas palminhas.
Antes que Emily pudesse expressar todo o seu descontentamento com a questão e puxar o ar para responder a grosso modo, surpreendeu-se com o arrastar da cadeira de Elizabeth, que se levantou dizendo de forma séria:
— Me desculpe, Wine, mas não estou com cabeça para isso agora. Talvez em uma outra oportunidade. – E Emily assistiu simplesmente a garota sair da sala debaixo do olhar confuso da treinadora.
...
— Ela deve estar com muita coisa na cabeça... Afinal, Em, as provas estão chegando. – Spencer disse sem dar muita importância ao que Emily acabara de contar para as amigas sentadas na sombra de uma das maiores árvores que conseguiram encontrar no intervalo.
— Spencer! – Aria interveio. – Você ouviu a mesma coisa que eu? Elizabeth séria e mal-humorada? A conversa dela com a tal de Alice? — Aria gesticulava velozmente. — E você está dizendo que ela apenas deve estar muito atarefada estudando para as provas? Sério? Ela é –A!
Hanna revirou os olhos pela milésima vez, voltando-se para Emily:
— Em? O que você fez depois disso?
Emily desviou a atenção das duas amigas que passaram a discutir como se estivessem sozinhas e virou-se para encarar a loira.
— Eu acho que fiquei uns dois minutos olhando para a cara da professora, tentando entender o que tinha acabado de acontecer e então pedi desculpas. – Desviou do braço de Aria, que ainda fazia gestos expansivos ao discutir com Spencer. – Wine perguntou se pelo menos eu aceitaria o convite...
— E...? – Hanna disse impaciente.
— O que eu poderia fazer? Você tinha que ver a cara dela. Parecia que tinham acabado de roubar todo o suprimento de anabolizantes. É claro que aceitei, e ainda escalei vocês para ajudar!
...
— Sério? – Hanna bufou, depositando sua bolsa na cadeira mais próxima.
— Qual é! – Aria abriu os braços. – Dá um tempo, Han!
— É, Hanna. – Defendeu, Emily. – Para de reclamar um pouco e aproveite. – Cortou um pedaço de fita azulada. – Não era você a pessoa que mais gostava de organizar festas por aqui?
— Era. – Frisou a loira. – Passado. Predicativo do indicativo! – Parou para pensar por alguns segundos, semicerrando a visão. – Ou algo do tipo... – Concluiu, fazendo com que as amigas apenas revirassem os olhos, e balançassem as cabeças negativamente para os lados.
— Han. – Aria segurou a loira amigavelmente pelos braços. — É uma festa beneficente. Pense nisso. Você estará ajudando muitas pessoas.
— Tudo bem... – Sorriu. – Estarei ajudando todas a pessoas. Menos nós quatro. – Falou entre dentes.
— E você acha que nós estamos felizes de estar aqui sem ter nenhuma pista sobre você sabe quem...? – Sussurrou Aria.
Spencer, por sua vez, não participou daquela conversa. Seu olhar estava perdido em um outro momento, que parecia muito distante agora. A lembrança a fisgou em cheio. Lembrou de como Alison gostava de bailes. Assim como lembrou também do sorriso da abelha rainha em uma das fotos que havia tirado em um baile como aquele. A mesma foto que estava no santuário para Alison na curva da casa dos DiLaurentis, cheio de retratos e velas à Virgem Maria. No meio, estava um pequeno alfabeto de ímãs que formavam o nome Ali. A própria Spencer tinha colado a foto de Alison sorrindo numa camiseta azul Von Dutch, apertada, e novos e excelentes jeans Seven. Elas estavam no sexto ano, e era a noite do Baile de Gala de Inverno de Rosewood. Elas cinco haviam espiado Melissa quando Ian foi buscá-la. Spencer soluçou de tanto rir quando Melissa, tentando fazer uma grande entrada, tropeçou na calçada diante da casa dos Hastings, a caminho da cafona limusine Hummer. Foi, talvez, sua última lembrança verdadeiramente divertida e despreocupada.
Enquanto Spencer secava seus olhos com as costas de sua mão pálida e magra, um sujeito de boné vermelho dos Phillies a encarou. Ela abaixou a cabeça. Aquela não era a melhor hora para fazer a tomada de colapso da garota emocionada com a tragédia.
— Spencer? – Ouviu alguém chamar.
— O-oi? – Piscou algumas vezes para tentar afastar os pensamentos. – Desculpem. Estava um pouco distraída.
— Um pouco? Você estava em Marte, Spencer. – Hanna ergueu as sobrancelhas.
— Esse é o garoto do clube literário? – Aria questionou em um tom baixo?
— O quê? – Spencer tentou compreender o que a amiga falava.
— Você sabe... Aquele que você está gostando... – Sussurrou a mais baixa.
— Hum? — A garota demorou para entender o que Aria estava querendo dizer, mas logo se deu conta. – Ah! – Franziu a face, com um sorriso torto. – Não. Não é ele. Eu nem conheço esse garoto de boné! – O que fez com que Aria parecesse sentir-se aliviada, mas assustou-se ao ver a expressão da outra amiga.
— E-Eu... – Emily petrificou. – Acho que... Acho que vou beber água... – Disse, encarando a porta do ginásio, fazendo com que as amigas estranhassem a situação, contudo, como não viram nada no local em que a esportista olhara, as três acenaram com a cabeça.
Sob passos largos, a morena saiu do ginásio, afastando-se de “Dirrty”, na voz de Christina Aguilera. Mas deparou-se apenas com o corredor vazio e olhou para os lados, ofegante, sentindo seu coração diminuir a cada batida. Ela jurava que havia visto os cachos loiros de Ali. Até mesmo conseguia sentir seu perfume, Michael Kors. Ela nunca se esqueceria daquele cheiro, uma vez que não tinha sentido nada tão delicioso em sua vida. Com exceção de chiclete de banana e do perfume de morangos de Elizabeth. Se recordou, então, da noite em que Ali desapareceu. Estava tão bonito lá fora, o início perfeito para o que seria um verão perfeito. Elas tinham planejado ir pra Jersey Shore no final de semana seguinte, tinham ingressos para ir ao show do No Doubt em julho, e Alison ia dar uma enorme festa para comemorar seus treze anos em agosto, mas foi tudo por água abaixo no instante em que Ali entrou no celeiro da família Hastings. Entretanto, suas lembranças se quebraram no instante em que alguém tocou delicadamente em seu ombro direito, e com uma voz doce e suave, pronunciou seu nome:
— Emily?
Fale com o autor