Newcomer.
34 Capítulo 34 – CeCe Drake
Notas iniciais
Emily subitamente prendeu o ar em seus pulmões treinados ao longo dos anos de natação e por uma fração de segundos poderia jurar ter visto Ali parada diante de si.
Mas assim que piscou pela segunda vez, tentou inutilmente esconder o ar de surpresa:
— CeCe?
— Parece até que viu um fantasma, Fields! – A semelhança com Alison era realmente incrível, como se fossem gêmeas ou algo do tipo e tivessem frequentado a mesma escola preparatória para ser uma “abelha rainha”.
Era impossível ver CeCe e não lembrar instantaneamente de Ali com o cabelo preso num rabo de cavalo desleixado e sua saia xadrez da festa de final de ano, da equipe de hóquei, enrolada na cintura para parecer mais curta.
Alison era a única menina do sétimo ano que conseguira entrar para o time da escola, para a inveja de Spencer, visto que sempre competiam em tudo.
Pegava carona para casa com as meninas mais velhas do Rosewood Day, incluindo CeCe, que ouviam o rapper Jay-Z em suas Cherokees, o mais alto possível, e espirravam perfume nela antes que descesse do carro para que não chegasse em casa cheirando a cigarros.
— N-não. Eu só achei que fosse outra pessoa. – Emily olhou para o assoalho rapidamente.
— Alison? – CeCe levantou a sobrancelha direita, mas a morena não respondera. – De qualquer forma, — Continuou, rompendo o silêncio constrangedor. — a treinadora Wine disse que Spencer estaria por aqui.
— Spencer? – Emily a encarou com o cenho franzido, buscando entender o motivo pelo qual CeCe Drake, uma das garotas mais populares de Rosewood, estaria procurando por Spencer.
— Sim, Emily. Spencer. – CeCe deixou que escapasse um suspiro cansado, como se fizesse um grande esforço para falar com alguém com deficiência nas capacidades mentais.
Emily, por sua vez, apenas apontou para trás, indicando o local onde estivera há poucos minutos.
— Ótimo! – A garota sorriu em agradecimento e parou de repente, logo que começou a andar. E sem nem mesmo se virar novamente para a morena, falou em um sussurro:
— As vezes eu também penso que a vejo por aí.
Mas quando Emily puxara o ar para responder, CeCe já se encaminhava para falar com Spencer, sendo fixada pelos olhares espantados e curiosos de Hanna e Aria.
...
— Então?
— Hum? – Spencer respondeu distraída, enquanto arrumava o último alfinete na toalha de mesa azul turquesa.
— Vai nos contar o que CeCe Drake estava conversando com você há poucos minutos? – Hanna cruzou os braços junto ao peito, tomando cuidado para que sua pulseira da Tiffany's não enroscasse em sua blusa de crochê.
— Nada demais. – Respondeu ainda concentrada em seu afazer com um alfinete preso nos lábios, parecendo um caipira com um palito de dentes.
— Spencer! – Aria perdeu a paciência de encarar a amiga, esperando que a mesma lhe desse algum olhar significativo ou que falasse de uma vez sobre o ocorrido, e forçou a mesma a encará-las, puxando-a pelo casaco cashmere e segurando seu rosto com as duas mãos. – Spencer... – Disse, estranhamente calma. — Você evitará o derrame que vai acontecer com Emily e Hanna daqui a pouco, se você falar logo o que CeCe Drake conversou com você.
Hanna cutucava as palmas de suas mãos com as unhas, uma coisa que ela fazia quando se sentia fora de controle. CeCe era uma pessoa ruim. Ela sabia disso, pois lembrava de como Ali a olhava e a tratava sempre depois que descia do carro que os Drake deram como presente para a filha mais velha. Teve uma súbita necessidade de comer alguns Junior Mints. Ou talvez cajus. Até mesmo os Slim Jims da mesa serviam.
Emily, por sua vez, possuía um semblante assustador. Seus olhos estavam arregalados, seguindo cada movimento que a jogadora de hóquei fazia. Sua boca não conseguia pronunciar uma só palavra. Nada. Ao invés disso, estava imaginando as infinitas possibilidades que poderiam ter feito com que CeCe procurasse por Spencer.
Ela poderia jurar que a mais velha não ia com a cara do quarteto. A ideia mais provável e resumida que Emily e as meninas passavam horas conversando quando iam nas casas umas das outras, era a de que CeCe as julgava crianças demais para que Ali andasse com elas.
Mas o que Emily não contara para as amigas era o que havia feito a mando de CeCe quando Ali ainda morava na casa ao lado. Quando seu coração estava começando a entender todo os turbilhões de sentimentos que rodopiavam em sua cabeça. Quando havia acabado de escrever a carta que mais tarde acabaria colocando na própria caixa de correio da casa dos DiLaurentis.
— O que é isso? – A voz de CeCe ecoou em suas lembranças. – Uma carta, Emily? – Ela havia acabado de virar no corredor do Rosewood Day, para a surpresa de Emily, que havia arquitetado um plano onde ficaria até depois da aula e ninguém a veria depositando o envelope com corações falando sobre o beijo na casa da árvore, no armário de Alison.
— N-não! – A morena tentou esconder o papel atrás de si, mas a loira fora mais rápida.
— Uma carta de amor?! – A mais velha fingiu emoção. – Você está apaixonada? – O falso sorriso morreu em seu rosto, quando viu onde a garota colocaria o papel e deu lugar a um olhar surpreso. – Alison? Jura?
Emily nada dizia. Queria correr para bem longe dali, até seus pés começarem a perder a sustentação do corpo. Mas simplesmente paralisou. Não conseguia mover um músculo sequer.
— Definitivamente... Alison é estonteante. – CeCe começou a divagar. – Não estou surpresa de que muitos caiam a seus pés. Afinal, fui eu quem a ensinou ser quem é. – Parou de repente e um sorriso maligno começou a tomar conta de sua face. – Já sei! Facilitarei as coisas para o casal. Vou falar para a sua família esquecer esse negócio de quererem juntar você e Ben Coogan! – E começou a andar como se nada tivesse acontecido.
Segundos depois foi como se Emily tivesse levado um choque de adrenalina e seu corpo saiu em disparada para alcançar a mais velha.
— Por favor! – Disse mais assustada do que gostaria de aparentar. – CeCe! Eu faço qualquer coisa!
Isso pareceu surtir efeito, fazendo com que a loira parasse no mesmo momento.
— Qualquer coisa?
A mente de Emily começou a voltar para o presente quando Aria comentou algo sobre derrame.
— O que há com vocês?! – Aria desviara seu olhar de Spencer para as outras duas.
— N-Nada... – Hanna gaguejou, mas logo que o fez, ajeitou sua postura, voltando ao normal. – Desembucha.
— Spencer... – Emily suplicou com o olhar.
— Gente... – Spencer pareceu perder a calma. – Não foi nada demais! – Se aproximou do trio. – Além de Ali, ela era amiga de Melissa, Ian, Jason... Se lembram? – Encarou as demais, que ouviam atentamente. – É isso. Ela encontrou com minha mãe na rua, soube que Melissa voltará da França daqui a três dias e quer organizar uma festa surpresa na minha casa. – Respirou fundo. — Pronto!
As meninas suspiraram aliviadas com a explicação, mas algo ainda não as fazia entender o porquê de Spencer ter ficado tão diferente e Aria não entendia o motivo pelo qual a garota não falara do bilhete que havia visto CeCe colocando no bolso de seu casaco.
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