Newcomer.

31 Capítulo 31 - A day is the day of Hunting and the other day is the day of Hunter.


Notas iniciais
Esse capítulo eu dedico com exclusividade para a minha melhor amiga, minha namorada, que não me deixou desistir nem por um segundo sequer. Obrigada! Não esqueçam de expressar suas teorias através dos comentários. :)

– Não. Não! Não! – Spencer não cansava de repetir para si mesma essa pequena palavra de apenas três letras, mas que provocava um grande efeito em sua alma. A garota se encontrava em um estado deplorável. Suas mãos trêmulas abraçavam seus joelhos, entrelaçando os dedos com a cabeça baixa em uma posição digna de pena.

– Spence... Spence... Não foi sua culpa. – Hanna se abaixou com o máximo de cautela que aquela situação exigia, ajoelhando-se no chão. — Você não poderia ter evitado... – Começou a tecer um caminho vagaroso pelos cabelos desarrumados da amiga. – Não tivemos tempo... – O coração da loira martelava contra o peito, embora não demonstrasse. Assim como Emily e Aria, que se encontravam perdidas com tudo o que ocorrera há exata uma hora.

O barulho que as sirenes emanavam eram como uma espécie de tortura. Sirenes de ambulâncias se misturavam com sirenes provindas de viaturas policiais e gritos no imperativo.

Mesmo que não fosse o pensamento de maior força em suas mentes, as meninas se perguntavam quem teria alertado as autoridades, visto que nenhuma delas conseguira sinal telefônico para tal feito.

...

Aquele tipo de local lhe trazia arrepios. Os aparelhos de monitorização cardíaca, as respirações através de tubos e a extrema necessidade da cor branca se fazer presente no recinto...

Aquilo não era um dos seus piores pesadelos, mesmo assim, era horripilante. Quando Emily fora enganada por –A e tivera que passar um tempo no hospital por consequência da úlcera, ou até mesmo quando o cemitério fora incendiado e novamente Emily sofrera por decorrência desse feito, quando Mona a atropelara com o carro e diversas outras lembranças, fizeram com que a loira se deparasse com este local. O Hospital da cidade de Rosewood, Pensilvânia, que fora construído para atender todos os 7988 habitantes e que agora abrigava mais um recém chegado. Toby Cavanaugh.

– Bem, senhorita Marin, — Hanna levantou os olhos, saindo de seus devaneios e prontamente se colocou de pé para ouvir o que a médica lhe dizia. — o Sr. Cavanaugh se encontra na área de urgência desta localidade. Como lhe disse na semana anterior, o quadro é grave, devido à queda. Embora não tenhamos nenhuma modificação em seu estado, seu amigo permanece em constante vigilância. Por tanto, não se preocupe. Entraremos em contato assim que algo for alterado.

Sentiu, quase que imediatamente, o gosto férrico preencher toda a boca. Aquilo estava indo longe demais havia muito tempo. Com um sorriso obrigado, forçou-se a balbuciar um agradecimento para a médica, que por sua vez, após um aceno breve com a cabeça, se retirou do local.

Disseram para as autoridades que Toby Cavanaugh havia caído da Caixa D'água, quando marcaram de se encontrar no lugar, para uma pequena festa entre amigos. Ficou claro que a polícia local não fora completamente persuadida e que investigaria o recinto, mas aquele não era o pior problema que enfrentariam.

...

Cinco longos dias haviam passado posteriormente ao ocorrido. Talvez, se enquadrassem nos cinco dias mais tristes que as garotas já haviam enfrentado. A chuva caia através da janela daquela sala de aula fria para poder constatar esse fato.

As garotas mal conseguiam prestar atenção no que estava sendo escrito no quadro pela senhora Stranderwood, a professora de geografia. Aria mexia em seu celular, e assim como Hanna, não fazia nada demais, apenas desbloqueava a tela e voltava a bloquear novamente. Emily sentia-se atraída por fazer algo do tipo, no entanto, seu aparelho celular fora completamente destruído assim que o atirou contra a parede na noite passada durante um acesso de raiva ao ler a mensagem que -A lhe mandara. “Se Spencer morrer de desgosto, eu acabo lucrando 2 em 1”. O telefone, que agora encontrava-se na lixeira de seu quarto, fora comprado a menos de uma semana, posto que perdera o seu na confusão da festa a fantasia, na mansão dos Drake.

Levemente levantou seu olhar para Spencer que sentava duas carteiras de distância a sua frente, uma vez que não aguentava mais olhar para a cadeira vazia de Elizabeth, imaginando o que a mesma estaria fazendo ou planejando.

Spencer não pôde aguentar mais. Toda a pressão em seu peito desde o incidente fazia com que sua respiração fosse prejudicada. Os pensamentos corriam por sua mente culpando-a de tudo o que acontecera até então. Imediatamente levantou-se, sob o olhar de todos os presentes na aula, inclusive da professora, agarrou sua mochila, e deixou a sala em seguida.

– Spencer!! – Hanna gritou assim que conseguiu permissão para sair da sala, com Aria e Emily ao seu encalço.

– Droga! Ela corre rápido demais! – Aria bufou.

– Acredito que tenhamos que deixá-la por agora. Há muita coisa em sua cabeça. – Emily proferiu, ainda que soubesse que alcançaria a amiga rapidamente se tentasse.

...

Lady Evil, evil. She's a magical mystical woman. Lady Evil, evil in my mind. She's queen of the night, but...

Já passava das oito horas da noite e o som de Black Sabbath vazava através dos fones de ouvidos, com a voz de Ozzy Osbourne no volume máximo. Todavia, a acústica fora interrompida com o susto que a portadora recebeu assim que se aproximou de sua residência, pois algo saíra por detrás de uma das pilastras de sua varanda.

– Spen...? – Elizabeth assustou-se com a proximidade repentina da garota. Embora não pudesse processar o que estava acontecendo em tão pouco espaço de tempo, sentiu uma grave ardência tomar conta de seu rosto. – Mas que mer...?! – Desta vez sua outra face fora atingida e os fones caíram de seus ouvidos.

– Como você pôde?! – Spencer fez menção de desferir mais um tapa na face de Elizabeth, contudo a outra fora mais rápida desta vez, agarrando-lhe a mão. A garota arfava. Seu peito subia e descia com grande velocidade. Os olhos repletos de lágrimas condiam com toda a raiva expressada através de sua fala ríspida. – Como você pôde fingir esse tempo todo?! – Sua voz não passava de um sussurro esganiçado, devido as lágrimas que escorriam de seus olhos. – Como você pôde tentar matá-lo?! – Spencer conseguiu se desvencilhar do aperto em seu pulso e passou a fazer com que a brasileira recuasse com fortes empurrões.

Elizabeth, não havia esboçado até o momento nenhuma reação após a surpresa que Spencer lhe pregara. Porém, sua expressão começou a mudar conforme a outra falava. Suas sobrancelhas ergueram-se e um sorriso tomou conta de seus lábios. Spencer não pôde acreditar no que via. Queria que Elizabeth gritasse e dissesse que ela estava ficando louca. Mas não! Elizabeth estava ali, na sua frente, sorrindo.

– Eu sabia que esse dia chegaria. – Os olhos da brasileira pareciam brincar com a situação diante da incredibilidade de Spencer. – Só não pensei que fosse demorar tanto para processar... – Elizabeth lançou um breve olhar para as costas de Spencer, como se confirmasse algo com alguém. Mas assim que Spencer virou-se para observar para quem a garota dirigia o olhar, ouviu um grande estampido e adentrou em completa escuridão.

Notas finais
Xablau. E ai? :D