Newcomer.

32 Capítulo 32 - Nightmares.


Notas iniciais
Agradeço por nunca desistirem. ;)

Os nós dos dedos da mão de Emily começavam a adquirir a cor azulada devido à insistência em bater à porta do quarto de Spencer.

– Spencer?! – Chamou a garota mais uma vez. – Spencer! – O desespero ficava cada vez mais presente à medida em que o tempo passava.

Em uma situação comum ela iria para casa e evidentemente encontraria com a amiga nos corredores de Rosewood Day, entretanto, elas eram apenas fantoches pertencentes ao mundo de -A, e nesse mundo a palavra “comum” não existe. – Merda, Spencer! – Bufou antes de tomar distância. – Você realmente vai me obrigar a isto, não é?

Contudo, antes que qualquer outro pensamento lhe pudesse vir à cabeça, ouviu-se um breve trepidar procedente da maçaneta e a porta em que Emily estava batendo há aproximadamente dez minutos fora aberta pela residente.

– Emily? — Uma voz rouca e desconhecida surgiu por trás da porta, em meio a escuridão na qual o aposento se encontrava.

– Spence? – Emily já não gritava. Agora sua voz saia em um sussurro cauteloso enquanto se dispunha a dar pequenos passos até se encontrar rente à porta. – É você? – Cuidadosamente adentrou no espaço escuro e logo que o fez, tratou de acender a luz, porém assustou-se com o que viu. Sua amiga estava em um estado nunca visto antes. Os cabelos rebeldes e o moletom rasgado traziam a aparência de uma moradora de rua que nunca ouvira falar de shampoo. – Spencer?

– Sou eu. – Spencer encurtou a distância, tratando de fechar a porta.

– O que há com você? – Emily sentou-se ao lado da amiga, de forma delicada e cautelosa. Mas quando percebeu que não haveria uma resposta para sua pergunta resolveu acrescentar:

– Toby já está no quarto.

Eu sei. – Spencer sussurrou, encarando o piso de seu quarto, sem demonstrar nenhuma expressão.

– Você sabe? – Emily ergueu as sobrancelhas, confusa. – Então por que não ainda não foi visitá-lo? – Ajeitou-se incomodamente na cama da amiga.

– Não sei. – Spencer se pronunciou depois de alguns minutos, quando Emily ainda tentava compreender o que se passava.

– Não sabe?! – Enfureceu-se. – Spencer! É o TOBY! – Levantou repentinamente. – O Toby! Aquele que tentou nos avisar sobre –A!

– TOBY?! Aquele que me largou para entrar para o time de nosso maior inimigo?! – Agora Spencer também se encontrava de pé.

– Spencer... – Emily acalmou-se. Não adiantaria discutir com a amiga naquele estado. – O que está havendo?

– E-eu... – Spencer tomou fôlego. – Eu não sei o que estou sentindo. – Balançou a cabeça negativamente, encobrindo os olhos com as mãos.

Emily se aproximou e envolveu aquele corpo, que agora parecia tão frágil e delicado, a sua frente.

– Eu não aguento mais, Emily. – A mais alta pôs-se a soluçar nos braços da nadadora, que nada falava, apenas ouvia. – Não aguento mais essa pressão. – A cada frase, Spencer fazia pausas para que o choro saísse. – Somos adolescentes, droga!!! ADOLESCENTES! E agora as pessoas que amamos correm riscos. Riscos reais!!!

– Spencer... – Emily passava as mãos carinhosamente pelos cabelos desgrenhados da outra. – Nós iremos passar por isso. – Proferia palavras que sabia que não poderia cumprir. – Nós temos que permanecer fortes! Fortes por todos os que amamos. Fortes por nós mesmos. Fortes por Alison.

– ... Ela não está aqui, mas está em todo o lugar...

...

– Onde ele está? – Spencer se aproximou da cadeira na qual Hanna encontrava-se sentada a aproximadamente duas horas.

– Bom dia para você também.

– Hanna...! – Emily, que vinha logo atrás, chamou a atenção da loira, falando entre dentes.

– Ele ainda não acordou. – Hanna limpou os olhos com as costas de sua mão. – Mas se quiser vê-lo... – Indicou o quarto com a mão desocupada.

Assim que Spencer saiu de cena, adentrando no quarto indicado pela loira, Emily jogou-se em uma cadeira ao seu lado.

– Que foi?

– Esquece. – A morena balançou a cabeça. – Como ele está?

– Ainda não acordou.

– Alguém veio vê-lo?

– Caleb ligou... – Hanna disse de uma vez só. – Ele virá.

– Han! Isso é ótimo, não? – Emily acariciou o braço da amiga. – Não? – Repetiu.

– Não sei ainda... – Seus olhos azuis desviaram dos negros a sua frente. – Ele está muito diferente depois que foi para aquela cidade, Em.

– Talvez essa visita seja uma ótima oportunidade para vocês conversarem... – Emily buscou animá-la, dando-lhe um sorriso de conforto.

– Talvez. – Hanna, por sua vez, já não parecia tão confiante.

...

– Como ele está? – Aria surgiu com dois cappuccinos em mãos, entregando-os para as amigas. – Desculpem a demora. Demorei mais na fila da lanchonete do que indo em casa tomar banho.

– Spencer está com ele há quase uma hora. – Emily respondeu, agradecendo o líquido cafeinado.

– Ah... – Aria surpreendeu-se. – Então... Ele já acordou? Eles voltaram? – Disse calmamente, fazendo com que as amigas se entreolhassem em um misto de pena e compreensão.

– Não que saibamos. – Tanto a loira, quanto a morena, notaram o muxoxo que saiu da mais baixa, enquanto a mesma arrumava um lugar para sentar-se.

– Você e Spencer irão fazer o revezamento hoje? – Aria perguntou à Emily, esticando o pescoço, recebendo um aceno positivo da mesma.

– Não vejo a hora de deitar em minha cama e comer algo que não venha de uma lata. – Hanna revirou os olhos, levantando-se, assim como a mais baixa.

– Vocês ficarão bem? – Aria encarou a morena.

– Não se preocupe. – Um sorriso saiu de seus lábios. – Qualquer coisa nós avisaremos a vocês. – Tenham um excelente e merecido descanso, meninas.

...

– Hey... – Emily bateu levemente na porta do quarto, após duas horas de espera, fazendo Spencer se sobressair. – Está tudo bem por aqui? – Desviou o olhar para o corpo de Toby Cavanaugh, vestido com a roupa do hospital.

– Ah, oi. – Disse uma Spencer envergonhada. – Que horas são? – Passou a procurar algum indicativo das horas em seus bolsos.

– Fazem duas horas que você está ai. – A morena se apoiou lateralmente na porta de madeira.

– Nossa. – Surpreendeu-se a mais alta. – Nem notei o tempo passar.

– Está com fome?

– Não. Sem fome alguma.

– Você quer fazer a primeira ronda, ou ...?

– Eu faço. – A garota assentiu.

– Certeza? Não está cansada?

– Eu faço. – Repetiu Spencer, calmamente.

...

Sombras passavam rapidamente rente aos seus olhos. Silhuetas moviam-se na escuridão parcial daquela mal iluminada área do hospital. Vozes sussurrantes provinham do quarto no qual estivera a alguns momentos atrás. O quarto de Toby.

– S-Spen? – Emily tentou levantar-se da cadeira em que, há alguns segundos, dormia calmamente. – S-Spencer? – Sua voz saia embolada, como se estivesse dopada com algum tranquilizante utilizado em animais ferozes. Por diversas vezes forçou os olhos semicerrados para que os mesmos não falhassem e fechassem sem seu consentimento. – Spencer? – Chamou novamente, mais forte, e assim que o fez, viu um vulto apressado deixar o aposento em que Toby se encontrava. Um vulto de casaco escuro como a noite. – Spencer?? – Dessa vez o desespero tomou conta de si e mesmo que seu corpo não estivesse respondendo todos os comandos de forma correta, a morena pôs-se a andar em direção ao aposento.

– Em? – Spencer a chamou assim que a mesma adentrou no quarto hospitalar. – Você está bem? — Ainda abalada e pálida pelo que acabara de ver, Emily pôde notar a amiga sentada em uma poltrona próxima a maca em que se encontrava Toby, lendo um de seus livros grossos de diversas páginas, iluminadas por uma fraca luz do abajur ao lado.

–A. –A esteve aqui! – A morena se aproximou do sofá, perto da janela e deixou que seu corpo entrasse em contato com as almofadas macias. – Eu vi.

– Emily. Você está louca? – Spencer levantou o olhar do livro. – Eu estive aqui, acordada, o tempo inteiro.

– Eu vi... – A morena afirmou, agora sem muita convicção. – Pelo menos eu acho que vi... – Falou em voz baixa para si mesma.

– Descanse, Em. – Spencer voltou à leitura. – Você precisa dormir.

Notas finais
A fic já está tomando o rumo para a reta final, galera.