New Life With Aliens
17 This time around.
Notas iniciais
Ah, tem algo mais. Era pra eu ter postado ontem, mas uma amiga fez o FAVOR de me dizer "Hey George, você quer um balão? Chegue mais perto. Venha cá, vamos brincar juntos". Sabem da onde é isso? É de um filme chamado It. O problema desse filme não é por ser de Terror, nem sangrento, nem nada. O problema desse filme é o PALHAÇO ASSASSINO E PSICOPATA. Eu ODEIO palhaços e assim, quando li o que ela escreveu pra mim, consegui imaginar a maldita cena e eu entrei em pânico. Não consegui mais escrever por causa do medo e bom, acabei indo dormir rezando para que não sonhasse com ele. Bem, desculpem por mais um dia de atraso.
Enfim, vamos ao capítulo. ;)
– Como assim não vamos nos casar? Que história é essa?
– Perdoe-me, Brian. — Foi tudo que disse antes de correr na direção de Loki. Segurei-lhe uma das mãos e corri para fora da igreja junto com ele.
Não tive certeza, mas pensei ter visto um sorriso.
– Scar! Espere por nós! — Gritou Jane, mas eu sequer dei atenção. Meu corpo parecia estar fora de controle; ele não obedecia mais meus comandos.
Continuei a correr, ignorando qualquer som ao meu redor, até mesmo as palavras de Loki. Na verdade, não estava certa se era ele quem falava ou era outra pessoa por perto. Pude sentir meu vestido arrastar por todo o chão molhado e nem mesmo isso me impediu de continuar percorrendo meu caminho para longe da igreja.
Ao atravessarmos a rua, notei um grande clarão em nossa direção e logo em seguida, pensei que tivesse sentido meu braço ser arrancado. Loki havia parado de correr e puxou-me de encontro para ele.
Senti uma imensa felicidade por pensar que ele queria me abraçar, porém não foi isso. Havia um carro em alta velocidade que teria me atropelado se caso ele não tivesse me puxado.
Contudo, eu ainda prefiria o abraço.
– Você precisa prestar atenção, estúpida! Você poderia ter morrido se eu não estivesse aqui. Não, era para você estar morta agora...- Ele abaixou a cabeça e respirou fundo, voltando a olhar seriamente para mim. — Tome cuidado da próxima vez, lhe imploro.
– Nossa...O que aconteceu com você em Asgard esses anos? — Sorri. — Me desculpe, vou prestar atenção da próxima. — Assim que terminei de falar, levei uma das mãos até seu rosto. Nossos olhares se encontraram e por alguns segundos, pude notar que ele continha um olhar carregado de saudade. Não tinha certeza se aquilo era certo ou se eu estava delirando, mas...- Ai, meu Deus! Você disse que me ama!
– Só percebeu isso agora?
– Na verdade, sim. E ainda não posso acreditar. 'Tô sonhando?
– Garanto que não é um sonho.
– Como pode me provar? — Perguntei fazendo uma careta. Não era exatamente o que eu tinha em mente para fazer quando eu voltasse a vê-lo. Loki sorriu e não me respondeu.
Confesso que treinei diversas vezes todas as possibilidades e ensaiei comigo mesma todas as nossas falas. Não me iludi nenhuma vez ao fazer Loki romântico ou gentil, afinal, ele não é assim. Já havia me conformado.
– Sei uma ótima maneira de lhe provar. — Ele disse e logo em seguida juntou nossos lábios.
Aquela sensação era tão boa que não havia como descrever. Das outras vezes que nos beijamos, eram maravilhosos beijos cheios de desejo. Contudo, agora era diferente. Ali havia saudade e amor, ambas misturadas com inúmeras emoções que eu já não me preocupava em nomear. Loki levou suas mãos ao meu rosto, segurando-o como se aquilo me impedisse de fugir, de lutar contra o toque dele, ou se me impedisse até de estapeá-lo.
Como se eu fosse louca o bastante para tentar resistir.
Passei meus braços em volta de sua nuca, enlaçando alguns fios de seus cabelos com minhas mãos. Para mim, aquele foi considerado um beijo agitado. Vez ou outra eu tentava escapar dos lábios dele para respirar e ele não aceitava, voltando logo em seguida à procura dos meus lábios. Não pude deixar de sorrir ao perceber aquele desespero e acabei quebrando o beijo.
– Tá com pressa, filho? Vai me matar sem ar!
– Não sabe como senti falta disso...
Lá estava eu outra vez, sorrindo como uma completa idiota.
– Caramba, parece que 'tá tudo muito melhor do que apenas bem por aí. — Ouvimos a voz de Darcy bem perto de nós e nos separamos parcialmente. Logo enlacei uma das mãos com a dele, só para senti-lo ao meu lado. — Vão me explicar que merda é essa? Pode começar a falar, bonitão! — Disse Darcy, referindo-se a Thor.
– Não é óbvio? — Respondeu ele. — Loki finalmente decidiu admitir que não suportaria a eternidade sem Scarllet e veio buscá-la.
– Me buscar? Como assim? — Virei a cabeça em direção ao grande homem ao meu lado, esperando uma resposta. Loki fechou os olhos e bufou.
– Thor é um grande tolo e começa a falar sem explicar nada antes...
– Ora, irmão. Não foi para isso que voltamos? Eu tenho algo para dizer à Jane, assim como você tem para dizer à ela.
– Está dizendo que eu terei que perguntar o mesmo que você?
– É claro! Pensou que apenas iria levá-la sem qualquer compromisso?
– Você não me disse isso antes, Thor.
– Era necessário? Isso era um tanto quanto óbvio, Loki.
Do que eles estavam falando, afinal? Me levar para onde? Para Asgard? Perguntar o quê? Não estava compreendendo nada, mas não parecia estar sozinha nisso. Jane e Darcy também continham a mesma expressão confusa que eu.
– Parem de tagarelar e expliquem. — Darcy falou, chamando a atenção dos dois.
Thor olhou furioso para Loki e logo sorriu, indo em direção à Jane. Assim que se aproximou dela, segurou uma de suas mãos e ajoelhou-se à sua frente.
Naquele momento, senti meu coração pular.
– Jane, estou aqui hoje para lhe perguntar algo muito importante em sua e também em minha vida. — Thor levantou a cabeça para olhá-la e Jane já estava com lágrima nos olhos. Aquilo só podia significar uma coisa. — Gostaria de saber se você poderia deixar que meu irmão ficasse em sua casa por mais alguns dias.
O quê? O QUÊ?
Não pude me conter e comecei a rir, sendo seguida por Darcy e também por Loki. A expressão de Jane era impagável. Ela puxou sua mão, separando-a das de Thor, que a segurava docemente. Jane deu-lhe as costas e abaixou a cabeça para fitar seus próprios pés e, foi então que notei. Thor também estava rindo.
– Estou brincando, Jane. Quero saber se você gostaria de se casar comigo.
O silêncio voltou a pairar entre nós.
– Que tipo de proposta é essa? Você ri da minha cara e só fala isso? Sem nada romântico?
Não tinha outra hora para se fazer de difícil não, Jane?
– Ouça, Jane. Estou sem qualquer condição de te dar algo agora, pois nada tenho aqui em Midgard. Contudo, se aceitar minha proposta e for para Asgard ao meu lado, poderei lhe dar tudo que desejar. Tudo, Jane. Tudo que é meu, será também seu. Basta apenas pedir e eu lhe darei. — Thor colocou suas mãos nos ombros de Jane e aproximou-se lentamente dela. — Por favor, Jane. Venha comigo. Minha vida estará completa com você ao meu lado.
Jane virou-se para voltar a olhá-lo e sorriu, abraçando-o fortemente em seguida. Aquela era uma resposta positiva, com certeza.
Darcy e eu batemos palma e gritamos como loucas, enquanto Loki mantinha-se calado todo o tempo. Corri para parabenizar Jane e Thor, abraçando-os, desejando felicidades por toda a vida deles. Darcy também o fez, mas de uma forma inusitada, como já esperávamos.
– Escutaí, Thor. Vê se não vai ser broxa na hora H, ok? Não parece, mas Jane é super exigente.
– Darcy! Cala essa boca!
– O que seria "broxa" e "Hora H", exatamente? — Thor falou baixo enquanto Jane ia em direção a Darcy com uma das mãos no alto, planejando estapeá-la.
– Não queira saber, Thor. Apenas mais uma das besteiras que Darcy diz. — Respondi para ele, fazendo Jane agradecer-me apenas com o olhar.
Senti Loki apertar minha mão, como se quisesse chamar a minha atenção sem os outros saberem. Parei de rir da cena de Darcy apanhando e olhei para ele, que desviou o olhar até Thor. Fiz o mesmo e notei que Thor gesticulou para que Loki falasse alguma coisa rapidamente, pois eles pareciam ter pressa.
– Scarllet...- Loki falou tão baixo que eu sequer consegui ouví-lo. Parecia até um garotinho inocente. — Quero que venha comigo para Asgard.
– Quê? Quando? Por que?
– Agora. Porque eu quero que vá.
– Ah, você manda aqui?
– Você não disse que gostaria de ir para Asgard? Pois bem, esta é a hora!
– É só uma visita, certo? Tenho uma família aqui, Loki. Não posso simplesmente sumir da Terra sem dizer nada para eles. Se eu for com você, tenho que arranjar uma boa desculpa e isso será um processo demorado. Portanto, não posso ir ainda.
– Porra, Scarllet! Não complica mais as coisas! — Darcy se aproximou de nós com Jane ao seu lado.
– Qual é, Darcy? Você vai fazer o favor de dizer para a minha família que eu morri atropelada por esse carro de agora há pouco? Se você fizer esse favor e tiver essa coragem, por favor, fique à vontade! — Gritei, fazendo-a ficar sem resposta. Voltei a olhar para Loki, que fitava Thor aterrorizado. Os dois trocavam olhares estranhos, como se escondessem algo muito importante. — Vocês tem algo para me contar? Por que estão com essa cara?
– Sua família sabia que você ia se casar hoje? — Thor perguntou.
– Sabia, mas eles ainda não chegaram para a cerimônia. Estão atrasados.
– Isso quer dizer que não sabem como se parece o noivo? — Dessa fez foi a vez de Loki perguntar.
– Pois é, mas...Onde querem chegar?
– E se você apresentar Loki à eles, em vez do verdadeiro noivo?
Oh, céus.
– Mas...Loki não me pediu em casamento.
– Não, mas sua família não precisa saber disso.
– Querem que eu minta para a minha família?
– É por uma boa causa, Scarllet. Você precisa ver conosco agora ou eu serei obrigado a aceitar aquela mulher como minha...esposa, por toda a eternidade. — Loki resmungou e aquilo fez com que meu sentido ciumenta psicopata acordasse.
– Você, com outra? Nem por cima do meu cadáver, queridos. Darcy, avise para meu pai que eu e o noivo não conseguimos chegar pro casamento e evite que ele fale com qualquer convidado, por favor! Eu volto assim que possível.
– Espera! O que eu falo pra ele?
– Nosso carro ficou sem gasolina enquanto voltávamos de um fim de semana em...Sei lá, inventa alguma cidadezinha distante e pequena. Paramos pra dormir em uma pensão e começou a chover absurdamente, aí não tivemos como chegar na hora. Por favor, dê um jeito de enrolar que quando eu voltar, eu me viro.
– Tudo bem, vão tranquilas. Ei, seus dois idiotas! Cuidem delas ou eu mato vocês dois, fui clara?
– Como água, Srta. Lewis. — Falou Thor, aproximando-se de Jane.
Thor passou a mão pela cintura dela, puxando-a para si. Loki fez o mesmo comigo e eu fiquei surpresa, além de exalar felicidade por todos os poros do meu corpo.
– Abra a ponte, Heimdall. — Os dois disseram juntos e logo uma grande luz tomou conta de todo o espaço em que nós quatro estávamos.
Pude sentir que meu corpo foi puxado com força e, se Loki não estivesse me segurando, eu com certeza teria voado para longe deles. Em pouquíssimo tempo, uma imensa e bela cidade estava diante dos meus olhos. Abaixo de nós, havia uma ponte colorida mas ao mesmo tempo, transparente. Pude ver um mar através dela.
Soltei-me de Loki e fui para a beirada da mesma, olhando toda aquela água. Havia mesmo água em outros mundos? Uau. Todos os caras da NASA iriam amar ver isso!
Olhei para o céu e achei que minha alma sairia do corpo. Era a visão mais linda que já havia visto em toda minha vida. Havia uma estrela que iluminava tudo por ali e, para mim, era exatamente igual ao Sol. Deveria estar no fim da tarde em Asgard e isso indicava que logo o céu ficaria completamente negro, fazendo com que mais estrelas surgissem.
– Eu sabia que você ia gostar. — Ouvi-o dizer e senti sua respiração bater contra minha orelha, fazendo-me arrepiar. — Precisa ver durante a noite. Garanto que será, no mínimo, milhões de vezes mais bonito do que em Midgard.
– Já é mais bonito até de dia. — Eu falei e ele sorriu. — O que é essa coisa colorida aqui? — Apontei para a ponte abaixo de nós.
– Se chama Bifrost, mas é conhecida pelos humanos como "Ponte Arco-Íris". É o caminho mais seguro que os Asgardianos usam para transitar entre os reinos. — Explicou e logo deu um sorriso sarcástico. — É claro que, para mim, é diferente. Com ou sem a ponte, posso ir para onde bem desejar.
– Como isso é possível?
– Eu sou Loki. Nada para mim é impossível.
– Que porra você fez pra poder passar sem usar a ponte?
– Criei passagens secretas, apenas isso. — O sorriso dele aumentou e eu pude pensar em quantas travessuras ele já deve ter feito usando essas passagens.
Um filho da mãe, realmente.
– Vamos logo, vocês dois. Temos que falar com Odin. — Disse Thor, chamando nossa atenção.
Loki e eu já estávamos com os rostos bem próximos um do outro, ambos sorrindo como psicopatas por motivos que eu mesma desconhecia. Ele logo abriu caminho para mim, gesticulando para que eu seguisse Thor e Jane. Foi o que fiz, sendo seguida por ele.
A cada metro que percorríamos, eu tinha ainda mais curiosidade por aquele lugar. Era tudo tão medieval e perfeito, da forma como eu sempre sonhei em viver. Exatamente em um lugar como esse, sem tecnologia, sem barulho, sem problemas entre a própria população. Viver valorizando um rei, ver os cidadãos lutando para proteger o país e não algo material. Só de pensar eu me sentia incrivelmente entusiasmada.
Olhei detalhadamente para todos os cantos pelos quais passei. Quando possível, perguntava algumas pequenas coisas para Loki, que me respondia de bom grado e para a minha sorte e surpresa, até me contava algumas histórias sobre alguns assuntos.
– Você parece uma criança vendo tudo isto. — Disse ele.
– É tudo tão lindo, Loki! Depois que falarmos com seu pai, você vai ter que me levar pra conhecer a cidade inteira. Vai me mostrar cada pedacinho, tá?
– Vou pensar no seu caso. — Loki olhou para mim de rabo de olho e sorriu sem mostrar os dentes.
Sorri imensamente por saber que aquilo era uma resposta positiva.
Thor apertou o passo e não muito tempo depois fui capaz de avistar um imenso e dourado castelo. Vasculhei todos os cantos rapidamente com os olhos e aquele lugar era muito familiar para mim. Foi aí que, então, me lembrei do sonho.
– Eu já estive aqui antes.
– Não foi no seu sonho? — Perguntou Jane.
– Não, é uma sensação diferente. Como se eu estivesse, finalmente, em paz por ter vindo aqui. Como se fosse meu verdadeiro lar. É muito estranho...
– Podemos perguntar sobre essas suas sensações para minha mãe, Scarllet. Ela poderá lhe ajudar. — Disse Thor.
– Verdade? Eu gostaria muito de saber! Muito mesmo! Obrigada, Thor.
Thor respondeu-me apenas com um aceno de cabeça e um sorriso leve, parando de andar logo em seguida. Empurrou o enorme portão com ambos os braços e alguns guardas apareceram rapidamente para saudá-lo.
– Meu príncipe, o senhor já está de volta?
– Havia avisado que minha viagem seria rápida desta vez. Onde está Odin?
– Meu senhor...este é o problema. Seu pai entrou no sono de Odin hoje cedo. Provavelmente dormirá por algumas semanas. — Respondeu um dos servos, fazendo uma reverência e abrindo caminho para que pudéssemos passar.
Thor bufou, deixando óbvio que estava nervoso. Eu não compreendia nada daquilo, é claro. Apenas pude notar que aquele tal sono era um pouco indesejado.
– O que faremos agora, irmão?
– Vamos esperá-lo, é claro.
– Ei, por quanto tempos vamos esperá-lo? — Perguntei.
– Mais ou menos uma semana Asgardiana. — Respondeu Loki.
– Tudo isso?! Minha família vai estranhar o nosso desaparecimento! Eu preciso voltar para poder avisar e...
– Scarllet, ouça. Terá de escolher entre Midgard e Asgard. Você compreende? Não posso viver levando-a lá sempre para poder ver sua família.
– Você está me fazendo escolher entre você e minha família, Loki?
Ele respirou fundo e não me respondeu. Era isso, então? Eu teria de escolher? Se fosse viver ao lado dele, deveria desistir da minha família para sempre? Não.
Nunca.
– Por favor, não briguem agora. Acabamos de chegar...Devemos apresentá-las para todos. Venham comigo. — Disse Thor. Eu rapidamente o segui e dei as costas para Loki antes que eu sentisse vontade de estapeá-lo.
Andamos mais alguns minutos e fui capaz de avistar o trono. Havia uma linda mulher sentada ao lado do grande trono vazio. Sua expressão estava aflita e, assim que avistou Thor, abriu um sorriso imenso. Para mim parecia que o mundo dela havia voltado a fazer sentido depois de vê-lo. Ela sorriu ainda mais docemente quando viu Loki indo cumprimentá-la.
– Meus filhos, sejam bem vindos. Fico tão feliz que estejam de volta. — Ela disse, acariciando o rosto de ambos com suas mãos.
Minha sogra era linda!
Eu estava observando aquela cena cheia de fofura atentamente e logo percebi Loki olhar-me de rabo de olho, sorrindo como se estivesse debochando de mim. Perguntei-me o porquê daquilo, já que não havia feito nada.
Estranho.
– Amada mãe, estas são as adoráveis damas de quem falei. — Disse Thor, fazendo com que eu e Jane sorríssemos por sua gentileza.
– Senhoritas, sejam bem vindas à Asgard. Sintam-se à vontade. — Ela sorriu para nós, que correspondemos da mesma forma, agradecendo. — Mas Thor, meu filho. Não era apenas uma?
– Minha mãe, minha noiva é Jane Foster. — Respondeu Thor, apontando para Jane. — A outra...Bem, creio que Loki deverá explicar a situação. — Thor sorriu e afastou-se de sua mãe, caminhando até Jane outra vez. A bela mulher olhou para Loki, esperançosa e curiosa pelo que ele diria.
Na verdade, não era só ela quem estava curiosa.
– Quem seria a outra jovem, Loki? — Insistiu ela.
– Ela é...a pessoa com quem eu quero me casar.
Assim que ele respondeu-a com aquelas palavras, não pude deixar de olhá-lo rapidamente. Meu sorriso ia de orelha à orelha, como se fosse rasgar meu próprio rosto. Todos deram risos discretos ao verem a minha reação, mas riram ainda mais pela expressão incomodada de Loki.
– Minha nossa! Venha, querida. Temos muito para conversar.
– Claro, majestade. — Respondi.
– Me chame apenas de Frigg, minha jovem. Está com sua família agora. — Disse Frigga, estendendo sua mão para mim, que rapidamente aceitei e segurei-a docemente.
Frigg levantou-se e levou-me até os jardins de Asgard, junto de Jane. Ao chegarmos lá, ela nos deu uma rápida lição de como as coisas por ali funcionavam. Eu e Jane já sabíamos um pouco, portanto não foi tão difícil assim compreender tudo. Se bem que os nomes dos reinos que ela dissera eram impossíveis. Lembravam nomes de doenças em...Latim?
– Diga-me, Senhorita...-
– Dasovic. — Respondi e ela sorriu.
– Senhorita Dasovic. Como foi que você e Loki...se aproximaram?
– Bem, é uma longa história...Posso resumir? — Eu disse e ela concordou balançando a cabeça. — Certo. Nos conhecemos por acaso. Eles estavam fugindo de alguma coisa e acabaram destruindo o meu quintal. Eu era só uma adolescente, tinha 17 anos, mais ou menos. De início, Loki me pareceu apenas arrogante e cheio de si. Não gostava nem um pouco dele. — Eu sorri e baixei a cabeça para fitar meus pés. — Logo eles foram embora e eu fui morar em Nova York porque iria estudar lá. Conheci Jane e Darcy por ter que acabar morando com Darcy. Junto de Jane, veio Thor e, junto de Thor...Reencontrei Loki. Assim que o vi novamente, senti algo diferente. Não sei explicar o quê, nem porquê...Mas logo que eu o vi, tive vontade de raptá-lo e prendê-lo na minha casa. — Nós três rimos. — É verdade...Bem, nós acabamos nos aproximando enquanto eles ficaram na Terra, mesmo sem querer. Ele me salvou várias vezes e me ajudou muito. E melhor ainda, fez meu coração bater de uma forma que nunca havia batido antes. Assim que ele foi embora e me deixou, achei que minha vida acabaria. Sofri muito e depois de alguns anos sem vê-lo, decidi continuar minha vida e marquei meu casamento com um homem que conheci. Contudo, Loki fez o favor de atrapalhar a cerimônia do meu casamento para dizer que me ama.
– Sabia que eu ainda não acreditei no que ele disse? Você deveria ter filmado, Scar. — Disse Jane, entre risos.
– Realmente gostaria de voltar no tempo para poder filmar! Seria perfeito. — Respondi enquanto observava Jane rir.
– Que história interessante, minha jovem. Mal posso acreditar que Loki realmente permitiu-se amar alguém além de si mesmo. — Ela sorriu discretamente. — Diga-me, Senhorita Dasovic, você mudaria a personalidade dele se pudesse? Apenas uma curiosidade.
– Nunca. A personalidade dele só fez com que eu aprendesse a amá-lo ainda mais e, principalmente, a dar valor para cada palavra carinhosa que ele me diz. É raro e por isso, quando ele diz, é sempre especial.
– Você realmente o ama. — Disse Frigga, olhando diretamente para mim. Senti como se aquilo fosse algum tipo de prova que ela precisava para ter certeza se eu o amava mesmo ou não. Sorri por apenas pensar que passei na ligeira avaliação e Frigga continuou a andar, mostrando-nos ainda mais o extenso jardim.
Explicou-nos quem eram as pessoas mais importantes dali, como os amigos de Thor, o rei e o guardião da ponte. Para mim, o aprendizado seria menos requisitado, já para Jane...Ela teria de aprender quem eram todos os deuses; deveria saber tudo sobre todos os reinos e também deveria cuidar de seu marido, sem contar de seus futuros filhos.
Só de falar fiquei cansada.
– Estou lhe dizendo tudo isto porque sei que serão muitas coisas para aprender, Jane. A rainha é de todo importante para toda a sobrevivência do reino, pois sem ela, um rei nunca será um rei completo. Compreende o que digo?
– É claro, majest...Frigg. — Jane corrigiu-se e sorriu.
– Eu mesma poderei ajudá-la com o conhecimento e também poderei ensiná-la todos os afazeres. A Senhorita Dasovic poderá ajudá-la com certas coisas, mas deixem o trabalho pesado para os criados. Garanto que terão uma maravilhosa vida aqui em Asgard ao nosso lado.
– Frigg, posso perguntar uma coisa? — Eu disse.
– É claro, minha jovem.
– Se...Se eu ficar aqui, eu nunca mais poderei ver minha família?
– É claro que poderá, querida. Por que pergunta isto?
– Mas...foi Loki quem disse que eu deveria escolher entre minha família e ele.
Frigga franziu o cenho, confusa. Negou com a cabeça e disse que eu poderia ver a minha família quantas vezes quisesse, como também poderia trazê-los para a minha nova casa. Expliquei para ela que esse seria o único modo de fazer com que eles acreditassem em toda essa história de outro mundo e tudo mais.
Para minha família, todos de Asgard não passavam de Aliens.
Jane e eu passamos o resto da tarde ao lado de Frigga no jardim e, quando escureceu, ela ordenou que o jantar fosse servido. Nos sentamos na mesa juntamente com outras quatro pessoas; guerreiros, na verdade. Eles receberam Thor amigavelmente, como se fossem realmente muito próximos. Contudo, quando viram Loki, sequer esbanjaram uma reação de felicidade.
A situação voltou a se repetir quando Anakin e Luke apareceram e me viram. Anakin, pelo menos, tentou disfarçar. Luke, como eu já imaginava, não fez questão de tentar esconder o desgosto por me ver outra vez.
– Apenas ignore. — Loki surgiu literalmente do nada e sussurrou bem perto do meu ouvido, passando rapidamente ao meu lado para sentar-se na grande e larga mesa.
Frigga sentou-se em uma das pontas, do lado direito. Os guerreiros, Luke e Anakin sentaram de um lado e eu, Thor, Jane e Loki sentamos do outro. Parecíamos dois casais, realmente. Vez ou outra, enquanto todos comiam, eu olhava para baixo e via uma das mãos de Loki sobre sua coxa. Estava com uma vontade absurda de segurá-la, mas me controlei.
– Então, que surpresa vê-la por aqui, Scarllet. — Disse Luke. — Não pensei que viria. Afinal, por que veio?
– Luke, por favor. Não seja grosseiro. — Thor praticamente rosnou e Luke desviou o olhar do dele, tomando um gole de sua bebida esquisita.
– Ela veio porque vai se casar. — Loki respondeu e todos — tirando Thor, Jane e Frigga — pararam de comer para poder encará-lo. Naquele instante, tive uma imensa vontade de rir. A expressão deles era muito engraçada.
Loki deveria ser mesmo um desgraçado mal amado.
– E quem será o sortudo? — Perguntou um homem enorme, barbudo e ruivo. Ugh. Enquanto falava, cuspia inúmeros pedaços de comida, sem contar da barba que estava suja e molhada pela bebida e comida que ele estava consumindo como um louco esfomeado.
– Eu.
Assim que ele respondeu, senti meu coração saltar e acelerar. Eu parecia ter participado de uma maratona e, graças a isso, eu sabia que estava começando a corar pela primeira vez depois de muito tempo. Tentei esconder meu rosto e abaixei a cabeça para fitar meu prato enquanto comia em silêncio.
– Perdão? — Disse uma mulher que eu julguei ser Sif. — Você? Casando com uma humana? Isso só pode ser brincadeira.
– Qual o problema, Sif? Está com ciúme? — Ele sorriu sarcástico. — Não se preocupe, podemos arranjar algum humano corajoso o bastante para ficar com você também, se quiser.
Assim que Loki terminou de falar, olhou-a nos olhos com a expressão desgraçada que costumava fazer sempre. Sif bufou, cheia de ódio e afastou sua cadeira para trás, levantando-se em um pulo. Jogou os talheres que estavam em suas mãos no prato e saiu de lá sem terminar seu jantar.
– Loki, isso foi muito rude. – Eu disse.
– Ela mereceu.
– Você precisa se desculpar.
– Eu não vou me desculpar, Scarllet. — Ele fechou os olhos e largou os talheres lentamente, como se estivesse se controlando para não me mandar caçar sapo.
– Você vai, sim. Para de ser frescurento e pede desculpa pra ela. Olha lá, ela nem comeu a comida dela por sua culpa!
– Porque é uma tola. O que ela quis dizer com "isso só pode ser brincadeira"? Não sou digno de ter uma esposa, é isso? Ela quem me deve desculpas!
– Você é insuportável com os outros, Loki. Por isso ninguém te respeita. E você vai querer discutir mesmo comigo? — Coloquei meus talheres em cima da mesa e ameacei levantar-me. — Vou ser obrigada a sair da mesa sem terminar também ou você vai pedir desculpas?
– Está bem. — Ele bufou. — Me desculpe, Sif. Fui muito grosseiro com você. — Ele falou imensamente alto para que ela pudesse ouvir em qualquer lugar não muito distante dali. Se fosse uma casa, ela não ouviria. Mas como era um lugar tão grande, a voz dele ecoou pelas paredes e logo Sif apareceu com os olhos arregalados.
– O que disse?
– Estou pedindo que me perdoe por ter sido grosseiro com você. Por favor, venha e termine seu jantar conosco.
Sif olhou ao redor e eu notei que todos estavam com a mesma expressão espantada, assim como ela. Tanto os irmãos, quanto os guerreiros e até mesmo Frigga. Jane também estava um pouco surpresa; Thor, nem tanto.
Na verdade, eu também estava muito surpresa.
Sif mostrava ainda estar muito confusa, mas decidiu aceitar e voltou a sentar-se ao lado do homem ruivo e barbudo. Loki nada disse durante todo o tempo que se seguiu; ele apenas comeu e fitou seu próprio prato. Ouvíamos uma risada discreta vez ou outra e quando Loki notava, rangia os dentes de ódio. Sabia que ele estava se segurando para não mandar todos para o inferno e sumir o mais rápido possível de lá, e era isso que me deixara feliz.
Ele estava se controlando porque eu pedi.
– Se me dão licença, vou me retirar. — Ele disse e levantou-se rapidamente, fazendo-me acompanhá-lo com o olhar.
– Você não vai me esperar?
– Quer que um mal amado te espere? — A voz dele foi fria como costumava ser quando nos conhecemos. Fria e afiada como uma navalha cortando minha pele.
Não compreendi o que ele quis dizer, pois ele não me deu chance de fazer qualquer tipo de pergunta. Caminhou rapidamente para longe e fechou uma grande porta atrás de si. Olhei para Frigga e ela gesticulou para que eu fosse atrás dele.
E foi isso que fiz.
Não preocupei-me em tentar disfarçar meus sentimentos e decidi correr para alcançá-lo. Queria entender o porquê dele ter dito algo tão absurdo como aquilo. Ele com certeza estava nervoso ou chateado comigo. Talvez eu não devesse ter insistido tanto para que ele se desculpasse. Afinal, eu conhecia o tamanho do orgulho dele.
Avistei-o abrindo uma porta ao final do corredor em que eu me encontrava. Aquele lugar era enorme. Pelas minhas contas, devo ter corrido uns belos dez minutos atrás dele só para finalmente chegar ali.
Que desgraça seria morar em um lugar imenso daqueles.
Assim que cheguei a ponto de abrir a porta, fiquei estática. Não sabia se deveria bater ou não. Se eu batesse, ele provavelmente não me deixaria entrar. Contudo, se eu entrasse sem bater, ele ficaria nervoso. Qual seria menos pior?
Acho que levar uma bronca é melhor do que ser ignorada.
Abri a porta e vasculhei todo o quarto com o olhar. procurando por ele. Aquele maldito quarto era maior que a sala e a cozinha de Jane juntas.
Mesquinho.
Andei lentamente até a cama e sentei-me em sua berada, esperando que ele aparecesse logo e, foi o que aconteceu. Uma porta do lado direito do quarto se abriu e ele saiu, surpreendendo-se ao me ver.
– O que está fazendo aqui?
– Por que disse aquilo? Mal amado?
– Foi o que você pensou mais cedo, não foi? "Loki deveria ser mesmo um desgraçado mal amado." — Ele repetiu minha frase e foi então que me toquei.
Ele lê mentes.
– Vai dizer que não é verdade? Todos aqui te tratam de uma forma tão...Estranha. Tirando sua mãe, claro. — Eu disse e ele rolou os olhos.
– Não tente me mudar, mortal estúpida. É perda de tempo.
– Eu não quero mudar você, Loki. Você não é o deus da mentira e da trapaça? Apenas finja, minta para ser um pouco mais simpático. Mesmo que fique sem dizer nada, tente se controlar. As pessoas não o respeitam porque não gostam de você; porque acham que não merece. E é exatamente o contrário, Loki. Prometa pra mim que vai tentar ficar quieto quando te infernizarem assim.
– E se eu recusar? Vai pedir ajuda para a sua sogra?
Maldito. Desgraçado. Fica lendo a minha mente. Que vergonha. Que vergonha. Que vergonha!
– Eu te odeio!
– Bem que você queria me odiar, não é? Mas você não pode. — O sorriso arrogante, sarcástico e malicioso voltou a tomar conta de seu rosto, enquanto ele caminhava lentamente em minha direção. — Você não quer me odiar. Não suportaria viver sem isso....- Levou uma das mãos aos meus cabelos, puxando-os para trás, fazendo-me arquear a cabeça e jogar o pescoço para trás. Aproximou seus lábios da minha pele e beijou-a apenas uma vez, mordendo-a logo em seguida. Fechei os olhos e suspirei. — Não viveria sem mim.
– Nem quero.
Com a minha resposta Loki obteve tudo o que desejava. Ele sorriu maliciosamente e juntou nossos lábios enquanto passava suas mãos pelo meu corpo.
Correspondi da mesma forma, mas usei meus braços para abraçá-lo por cima de seus ombros. Ele começou a andar lentamente para frente, fazendo-me andar sem saber para onde ia. Não muitos passos depois, acabei chutando alguma coisa grande e pesada. Loki, sem deixar de me beijar, empurrou-me contra a cama, deitando-se em cima de mim.
Ousei abrir os olhos e senti um frio na barriga absurdo. Ver aquela cena me dava arrepios. Seu rosto tão perto do meu, me beijando enquanto eu sentia o peso do corpo dele sobre o meu. Comecei a sentir calor. Não só pela situação em si, mas também por vergonha e isso comprometeu a forma de correspondê-lo. Loki percebeu rapidamente e abriu os olhos, diminuindo a intensidade do nosso beijo. Diminuiu cada vez mais até que finalmente o cessou por completo, mas ele não se mexeu. Continuou na mesma posição, com nossos narizes quase se encostando, enquanto nos encarávamos.
– Está com medo?
– M-medo? N-não. D-de que?
– De mim.
Sua voz soou machucada para mim. Como eu poderia ter medo dele? Acho que medo era a última coisa que eu poderia sentir enquanto estava ao seu lado. Eu ficava sem reação a maioria das vezes porque sentia tantas coisas ao mesmo tempo que não sabia como reagir.
– Por que acha que estou com medo de você?
– Você está tremendo.
– Isso é ansiedade e outras coisinhas mais. — Eu ri. — Posso estar sentindo tudo, menos medo. — Foi a vez dele sorrir.
– Ótimo, então.
Loki virou sua cabeça para trás e levantou uma das mãos, fazendo um movimento giratório com a mesma. Fui capaz de ver algo como uma fumaça verde saindo de sua mão e logo ouvi o barulho da fechadura sendo lacrada. Voltou a encarar-me e ambos sorrimos.
– Caso alguém tenha a brilhante ideia de nos atrapalhar. — Foi tudo que disse antes de voltar a me beijar.
***
Acordei sem saber que horas eram. Meu corpo estava mole e eu não tinha vontade alguma de sair da cama. Abri meus olhos e notei que estava apoiada em algo que subia e descia.
Sorri ao lembrar-me da noite passada.
Levantei a cabeça lentamente, tentando não acordá-lo. Fiquei algum tempo olhando-o dormir calmamente e então, passei uma das mãos por seu peito, massageando-o. Enquanto isso, beije-lhe os lábios suavemente e ele logo correspondeu da mesma forma, fazendo-me sorrir e quebrar o beijo.
– Bom dia, príncipe sapo. — Eu disse, enquanto apoiava meu rosto em seu peito.
– Bom dia, estúpida. — Ele falou com a voz rouca e com um sorriso, enquanto passava uma das mãos em meus cabelos. — Você está toda descabelada.
– Eu imagino, cara. — Ambos rimos. — Loki...Ontem foi a melhor noite da minha vida.
– Fico feliz por isso. — Respondeu e puxou meu rosto para poder juntar nossos lábios mais uma vez.
Enquanto nos beijávamos inocentemente, Loki puxou todo meu corpo para cima do seu, fazendo-me colocar uma perna de cada lado de seu corpo. Levou a mão que sobrara até meu quadril e deixou-a lá. Sorri por compreender qual era a sua intenção, já que ambos ainda estávamos sem roupa alguma.
– Se você não parar, não vamos sair daqui tão cedo.
– Essa é a intenção. Não quero ver ninguém além de você hoje.
***
Algum tempo depois — algumas horas — Loki e eu decidimos nos levantar e sair do quarto. Ou melhor, eu acabei fugindo dele. Estava envergonhada por tamanha demora. Já havíamos dormido até muito tarde e ainda ficamos enrolando mais algum tempo lá no quarto. Com certeza, todos já haviam tomado café da manhã e quem sabe qual poderia ter sido a conclusão de todos?
Apesar de ser um pouco óbvio.
Para a minha surpresa, assim que chegamos na "sala de jantar", todos ainda estavam sentados lá, aguardando. Rezei para que não tivessem ficado aguardando nós dois por todo aquele tempo, pois seria ainda mais vergonhoso explicar o motivo da demora.
Loki caminhou e deu a volta na mesa como se nada tivesse acontecido e sentou-se exatamente no lugar onde estava na noite anterior quando jantamos. Fiz o mesmo e sentei ao seu lado. Ambos ficamos em silêncio absoluto, mas eu ouvia discretas risadinhas vindo de lá e cá vez ou outra. Olhei de rabo de olho para Jane, que me respondeu com um gesto de "joia".
Nessa hora, pensei que viraria um pimentão.
– Demoraram muito para acordar hoje, não é? O que aconteceu com vocês? — O ruivo barbudo se pronunciou.
Tô começando a ficar com raiva desse cara.
– Estávamos fazendo sexo.
Pensei ter morrido, ido para o inferno e voltado na hora que ouvi aquilo. Olhei para ele com os olhos arregalados e todos começaram a gargalhar. Loki sorriu de canto e continuou comendo calmamente.
Comecei a estapeá-lo no braço com toda a minha força e ele apenas olhou para mim de rabo de olho, rindo do meu nervosismo. Eu estava ainda mais vermelha. Onde eu iria enfiar minha cara agora? Olhei para todos eles que ainda riam e logo em seguida fitei Frigga. Ela estava com as sobrancelhas arqueadas e ria docemente, como se aquilo fosse realmente algo cômico.
– O que foi? — Perguntou Loki quando as risadas começaram a diminuir.
– Seu imbecil! Olha o que você fala na frente dos outros! Tá querendo morrer? Que ódio que eu tenho de você, Loki!
– Você disse que me odiava antes de eu começar a brincar com você noite passada. O seu ódio mudou rapidamente para outra coisa bem mais interessante. — Disse Loki, fazendo todos rirem ainda mais. O barbudo até se engasgou com a comida.
Bem feito.
– Eu vou quebrar sua cara agora mesmo! — Levantei-me e posicionei-me igual uma lutadora profissional de kung fu. Sabia que se chutasse a cara dele, iria doer.
Loki rolou os olhos e levantou-se rapidamente, distanciando-se apenas uns dois metros de mim. Cruzou os braços e arqueou as sobrancelhas, como se dissesse para avançar.
Se quer jogar sujo, vamos jogar.
Cheguei perto dele e assim que chutei sua canela, escorreguei para trás de seu corpo e enlacei uma das mãos em seus cabelos, voltando a ficar de frente para ele. Apenas com aquele movimento o pescoço dele arqueou levemente e ele franziu o cenho pelo incomodo, fazendo-me sorrir.
Aproximei meu rosto do dele e quando ele sorriu, voltei a puxar-lhe os cabelos com toda a minha força. Sua cabeça chegou a arquear levemente para trás e neste momento, fui capaz de passar uma das pernas por trás das dele, dando uma rasteira. Para ser franca, nunca pensei que daria certo.
Mas deu.
Assim que ele caiu, também fui ao chão, porém caí por cima dele. Ainda puxando seus cabelos para trás, mordi-lhe o lábio inferior e sorri, levantando-me logo em seguida. Loki fez o mesmo, levantando-se ainda mais rápido do que eu em um pulo. Todos riram ainda mais depois daquilo.
– O grande Loki derrotado por uma mulher humana? Essa sim é uma bela surpresa.
– Foi porque eu deixei ela fazer o que queria. Apenas queria observar até onde as míseras provocações iriam.
– Ah, tá. Não tente contornar a situação agora e admita que ficou doidinho quando sentiu eu puxando seu cabelo, vai. — Eu disse com uma voz suspeita e Loki bufou, voltando para a mesa.
Corri de volta para o meu lugar e agarrei um de seus braços, fazendo-o olhar para mim. Aproveitei essa rápida oportunidade e dei-lhe um selinho, sorrindo logo em seguida. Desta vez, ele não foi capaz de negar e também sorriu, mostrando estar divertindo-se tanto quanto todos ali presentes.
– Mãe, preciso lhe falar.
– Diga, Loki.
– Scarllet precisa voltar para Midgard para avisar sua família sobre nós. Eu gostaria de ir antes do Pai de Todos despertar. A senhora poderia permitir nossa saída hoje? Voltaremos o mais rápido possível.
Ele foi educado. Educado. Aquelas simples palavras fizeram Frigga abrir um sorriso imenso, exatamente como eu fiz. Loki pareceu não compreender, mas sequer importou-se. A doce mulher concordou amavelmente e logo depois de terminarmos de comer, nos dirigimos à Bifrost.
Em menos de minutos, fui capaz de sentir aquele ar poluído novamente. Mas senti uma certa tranquilidade por estar em casa.
Fomos até a casa de Jane e nos encontramos com Darcy. Ela nos contou que minha família estava muito preocupada comigo, pois para eles, eu estava desaparecida em uma cidade do interior.
– Eles estão hospedados em um hotel no fim da rua. O que você vai dizer para eles?
– Ainda não sei. Talvez só o básico, por enquanto. Direi que vou morar com ele na...Romênia.
– Romênia?! — Ela gritou.
– Eles nunca iriam pra lá. Na verdade, ninguém além de mim iria. — Eu ri. — Vai me dar algum tempo até que eu consiga concertar as coisas em Asgard, aí sim poderei levá-los lá e explicar tudo. Mesmo sabendo que talvez, eles não gostem nem um pouco da ideia de que eu estou tendo um caso com um alienígena.
– Ei, eu não sou essa coisa alienígena. Eu sou um deus!
– Tá, eu sei. Mas aqui a gente chama os povos de outros planetas como aliens ou alienígenas. Será estranho dizer pro meu pai que tenho uma nova vida ao lado de um alien em outro planeta. Ele vai ter um treco. Ainda mais quando souber da história inteira.
– Isso é verdade. — Disse Darcy, fazendo Loki concordar.
– Bem, primeiro coloque uma roupa de humano normal e aí podemos ir ao hotel.
***
Ao entrarmos no elevador, lembrei-me de muitas coisas. Nossa pequena fuga para o terraço para ver as estrelas. Nosso beijo. A nossa despedida. Coisas tão importantes na minha vida começaram por causa de um elevador.
Que curioso.
Assim que chegamos ao apartamento e tocamos a campainha, a porta se abriu rapidamente, sendo seguida por um grito. Era Ashley, minha irmã. Eu mesma fiquei tão feliz de revê-la depois de tanto tempo que meus olhos logo lacrimejaram.
Ela pulou em mim e abraçou-me apertado, fazendo-me retribuir da mesma forma.
– Mana! Entra, por favor! Estávamos todos muito preocupados com você! Papaaaai, vem cá! Olha quem chegou! — Ela falou muito alto e logo em seguida, fui capaz de ver meu pai.
Meus outros irmãos estavam todos atrás dele e também haviam vindo ver a grande novidade. Todos sorriram e eu corri para abraçar cada um deles, abraçando primeiro meu pai.
– Minha querida! Minha Scarllet...Minha princesa. Fico aliviado que esteja bem. Fiquei muito preocupado com você. Que ideia foi essa de viajar justo alguns dias antes do seu casamento?
– Me perdoe, pai. Eu e meu noivo gostamos de umas loucuras. — Olhei para trás e vi Loki sorrir discretamente, assim como eu.
Abracei todos os meus irmãos que, para a minha surpresa, já estavam todos grandes. Não havia mais nenhum bebêzinho precisando de cuidados da irmã coruja agora.
– Então, esse é o jovem Brian? — Perguntou papai, caminhando até Loki. Olhou-o de cima a baixo com os olhos semicerrados, enquanto Loki apenas o encarava sem dizer nenhuma palavra. — Prazer, rapaz. Sou Ryan, mas creio que você já me conhece, não?
– Exatamente, senhor. Ouvi muito sobre o senhor. — Loki estendeu a mão para meu pai, que de início hesitou mas logo aceitou e segurou-a. — É uma honra finalmente conhecê-lo.
– Você...tem um sotaque meio estranho. De onde você é?
– Sou de um lugar chamado Asgard. — Ao falar isso, ele olhou para mim com uma expressão sarcástica. — Fica na Romênia.
Oh. Menino esperto.
– Romênia...Interessante. E vocês, bem, como farão para se casar agora? Perderam a data aqui, não?
– Sim, mas meus pais insistiram para fazermos a cerimônia lá. Será vantajoso porque não teremos gastos, será tudo por conta da minha família e será uma grande cerimônia.
– Tudo...Por conta da sua família? Mas é muito dinheiro.
– Nada que seja mais importante que nosso amor, não é, docinho? — Loki olhou para mim com aquela expressão de falsa paixão melosa e eu tive que me controlar muito para não cair na gargalhada.
Docinho?
Esse definitivamente não era o Loki.
– Com certeza, coração. — Caminhei rapidamente até ele e entrelacei nossos braços, ficando praticamente apoiada no corpo dele. Loki sorriu forçado e eu retribuí da mesma forma, fazendo meu pai rolar os olhos pelo romance meloso entre nós.
Meu pai e Loki sentaram no sofá da sala e conversaram de mais algumas coisas que eu já não me importava em ouvir. Sabia que Loki não teria problemas em se virar e resolver toda aquela situação. Minhas irmãs, Jamie e Ashley me levaram para o quarto em que estavam dormindo porque queriam conversar, então, eu fui.
– Sentimos muito a sua falta, Scar. Nem acredito que você vai se casar! — Disse Jamie.
– Acreditem, nem eu estou me conformando ainda. — Nós rimos.
– Scar, ele é muito lindo! Sério, ele não têm um irmão ou algo do tipo? — Disse Ashley.
– Na verdade, tem sim. Três. Mas um já vai casar e é mais velho. Sobraram dois e eles são lindos, e também são mais novos.
– Perfeito! Apresenta pra gente porque estamos precisando!
– Ash, a Jamie é só uma criança!
– É, mas ela vai crescer rápido. Já sabe, viu? Fale bem de mim pra eles e vê se algum se interessa por mim.
– Tudo bem, Ash. Eu falo, fica tranquila. — Voltamos a rir.
– Scar, posso fazer uma pergunta?
– Claro, Ash.
– Você e o romeno já transaram?
Por que todos começaram a tocar nesse assunto agora? Estou com algo escrito na testa que dê alguma dica? Não é possível!
– Ash, por favor...
– Ah, não se torne uma irmã chata. Não há segredos entre nós!
– Certo...Bem, na verdade, nós fizemos pela primeira vez ontem.
– Uau! — Ela bateu palmas e deu alguns gritinhos, enquanto Jamie tentava entender o assunto. — E como foi? Ele é bom?
– Ash!
– Faaaaaala! Ele é? — Ela ria enquanto falava após perceber que eu estava envergonhada.
Afinal, quem não ficaria? Dar detalhes dessas coisas é constrangedor.
– Sim, ele é ótimo.
– O que fizeram?
– Já não é demais?
– Por favor!
– Bem, nós brigamos durante a noite e ele foi pro quarto todo nervosinho. Eu fui atrás dele pra tentar resolver as coisas e parece que consegui muito mais fácil do que imaginava. — Sorri e suspirei. — Passamos a noite toda...Acordados. E quando acordamos, pensei que ele não me largaria. Tive que fugir dele ou teríamos ficado o dia todo também.
– Nossa, ele é potente!
Aqueles comentários idiotas da minha irmã estavam me fazendo rir muito de uma forma que não ria há algum tempo. Era realmente bom rever a família. Fiquei me divertindo e rindo muito por mais ou menos uma hora, contando fofocas no quarto delas e coisinhas mais. Me contaram de seus amores de colégio e também das pessoas que detestavam.
Papai não demorou para vir chamar nós três para comermos alguma coisa e foi quando notei que já estava anoitecendo.
– Pai, obrigada pelo convite, mas nós temos que ir. Já está anoitecend...- Ao chegar na sala para falar com o meu pai, fui interrompida por gritos dos garotos.
Eu e as três meninas começamos a observar e mal pude acreditar no que estava vendo. Loki estava jogando xbox junto com meus irmãos e com meu pai. Por incrível que pareça, ele estava vencendo no campeonato de futebol e meu pai tava querendo morrer de ódio por estar perdendo.
Decidi esperar o jogo terminar para podermos ir embora.
Sentei-me ao lado de Loki no braço do sofá, enquanto ele estava concentrado no jogo. Vez ou outra, meu pai quase conseguia fazer um gol e gritava algum palavrão, fazendo meus irmãos gritarem igualmente, enquanto Loki apenas sorria.
Logo o jogo terminou e Loki venceu de 5 x 3.
– Isso foi sorte, garoto. Sorte! No próximo campeonato, vou acabar com você! — Disse papai enquanto olhava nervoso para Loki, que continuava sorrindo vitorioso.
– Parabéns, filho da mãe. — Eu disse e ele virou a cabeça na minha direção, sendo obrigado a levantar um pouco a cabeça para poder olhar-me, já que eu estava mais alta que ele.
– Obrigado, estúpida. — Ele sorriu daquela forma maliciosa que eu tanto gostava e aproximou seu rosto do meu. Nos encaramos por alguns segundos e eu dei-lhe um selinho, mordendo seu lábio antes de separar nossas bocas.
Assim que nos afastamos e lembramos onde estávamos, voltei a corar quando percebi que todos estavam olhando para nós sem reação. Limpei a garganta e levantei-me.
– Bem, temos que ir, papai. Boa viagem de volta para o Canadá. Eu vou precisar viajar novamente agora, temos um compromisso.
– Agora de noite? Fique até amanhã, querida. Mal matei a saudade de você.
– Me desculpe, papai...Eu preciso mesmo ir.
– Scarllet, podemos ficar esta noite, se você quiser.
Assim que ouvi a voz de Loki, olhei rapidamente para ele. Não parecia estar sendo irônico, nem nada.
– Verdade? Não será um problema?
– Fique tranquila, eu me entendo depois com quem tiver alguma reclamação. Faz muito tempo que você não os vê, não é?
– Sim...
– Não se preocupe, então. Está tudo sob controle.
Andei em sua direção e passei meus braços pelo corpo dele, enlaçando minhas mãos quando consegui abraçá-lo por completo. Encostei minha cabeça em seu peito e, enquanto ouvia seu coração bater acelerado, resmunguei inúmeros "obrigada".
Pensei ter ouvido alguns "por nada" algumas vezes, também.
Notas finais
Espero que tenham gostado!
Me digam o que estão achando, coisas lindas.
Beijinhos. ♥
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