Notas iniciais
Primeiramente, quero agradecer às duas lindas recomendações que recebi pelo último capítulo. Cara, como vocês são lindas e perfeitas. Me deixem casar com vocês, por favor? xD
Juro, não esperava que fosse receber outra recomendação nessa fanfic. Na verdade, não esperava ler o que li! Não sabem o quanto fiquei feliz...Domingo passado foi realmente um dia especial. Eu, praticamente, saltitei pela casa e corri para contar pra minha mãe que tinha recebido recomendações.
Claro que ela não entendeu nada, mas ficou feliz também! Uh-ha, duas bobocas saltitando em pleno domingo xD
Enfim, MUITO OBRIGADA. Estou simplesmente maravilhada e realizada. AMO VOCÊS, MIL VEZES OBRIGADA!
Esse capítulo foi grandão pensando nas minhas queridas: Ju Hiddles e Yasmin! ♥
E desejo boa leitura!

Quando Loki e eu dissemos para meu pai que ficariamos para dormir por ali mesmo, ele nos ofereceu o quarto dos meninos, que reclamaram por terem sido obrigados a dormir no mesmo quarto que as garotas. Loki, é claro, adorou a ideia de atazanar a vida dos garotos e logo aceitou o convite, agradecendo meu pai como se fosse uma pessoa muito educada.

Até parece.

Assim que nos deitamos na cama, as crianças e até mesmo os mais velhos já estavam dormindo. Meu pai, como eu já esperava, adormeceu no sofá. Pensei em acordá-lo para que ele pudesse dormir confortável em sua cama, mas Loki me impediu.

– Venha, vamos aproveitar enquanto ele dorme.

Não havia compreendido quais eram os planos malignos daquele desgraçado, até deitar na cama. Loki começou a mover aquelas enormes mãos para o meu corpo, como se nada quisesse, apenas acariciando minha pele lentamente. Semicerrei os olhos e o fitei, fazendo-o dar o sorriso que eu já conhecia bem.

Demoramos algum tempo para pegar no sono depois disso.

Acordei ao sentir o peso da cama diminuir. Sorri por lembrar quem havia dormido ao meu lado aquela noite, assim como fazia ultimamente ao perceber quem era. Sem me mexer, abri um dos olhos lentamente para poder espiar o que Loki estava fazendo.

O vi de pé, em frente à pequena poltrona ao lado do guarda roupa e da janela. Suas roupas humanas estavam jogadas lá e ele provavelmente queria vesti-las.

Ele ficava bem melhor sem elas, na minha opinião.

– Acabou de acordar e já está pensando coisas indecentes? — A voz rouca dele ecoou por todo o quarto e eu quase tremi. Quase.

– Bom dia, Loki. — Eu disse, esticando os braços para me espreguiçar. Levantei logo em seguida e fui rapidamente até ele, dando alguns pulinhos enquanto andava. Abracei-o pelas costas e passei meus braços por sua cintura, deixando minhas mãos abertar em seu peito nu. Ele abaixou a cabeça parcialmente para olhar-me e deu um meio sorriso em resposta ao meu gesto. — Achei que iria querer dormir mais. Você vive reclamando que quer dormir.

– É verdade, mas seu pai veio aqui dizendo que devemos tomar o café da manhã ao lado dos outros mortais. Disse também que, no almoço, iremos a um restaurante.

– Mas isso não é necessário! Papai vive inventando coisas.

– Tenho que concordar. — Ele arqueou uma das sobrancelhas. — Porém, creio que devemos aceitar o convite dele.

– Ahn? Por que?

– Não seria nada elegante recusar e ir embora, ao meu ver.

– Falando como um príncipe mimado. Bem sua cara!

– Se acha que sou mimado, espere até ver como Thor é tratado em Asgard.

Pude notar um pouco de inocência no início de sua frase, mas ao final dela, a forma que Loki dizia as palavras já não era mais inocente. Ele ainda tinha problemas para falar sobre a preferência de seus pais por Thor, isso era claro para mim. Odiava vê-lo sentindo-se inferior à Thor. Afinal, para mim, ele era o melhor, mas eu não tinha condições de mostrar-lhe o que eu pensava sinceramente. Apenas pensava que ele um dia acreditaria em mim.

Depositei um beijo em seu ombro direito e afastei-me dele, indo atrás das minhas roupas que deveriam estar jogadas por aí. Assim que as encontrei, coloquei-as rapidamente pois Loki já estava vestido. Saímos juntos do quarto e todos já estavam acordados. Ashley olhava para mim com um sorrisinho malicioso como se soubesse que a noite havia sido boa para mim.

E realmente foi.

– Acho que vocês dormiram muito bem, né, mana? — A praga da Ashley começou e eu não a respondi depois de notar que papai não estava muito feliz com aquela pergunta.

– Mal pude dormir direito enquanto ouvia você gemer. Da próxima vez, façam isso quando estiverem bem longe da gente, por favor.

– David! — Eu gritei, corada. Loki riu, mas sequer fui capaz de ouvir pelo coro de gargalhadas dos outros irmãos. — Não diga essas coisas!

– Nem precisa tentar esconder, todos ouvimos muito bem. E eu não quero nem saber porque você chama esse cara de Loki.

David realmente não deveria ser meu irmão. Deveria ser algum inimigo meu de alguma vida passada que reencarnou só para me infernizar.

– Ai, irmão. Deve ser algum tipo de apelido de marido e mulher. — Respondeu Ashley enquanto eu tentava arrumar alguma desculpa para qualquer tipo de pergunta que meu irmão pudesse fazer.

David gargalhou depois de ouvir o que Ashley disse, obrigando meu pai a chamar a sua atenção. Meu pai o chamou de mal educado e, como meu irmão já era um homem também, bateu boca com papai. Lembrava-me que David sempre foi um garoto problemático e difícil de se lidar. Ele sempre discutia por qualquer coisa com todo mundo, mas comigo era muito pior. Ele sempre foi grosso comigo e não me tratava com gentileza. Com o passar do tempo, pensei que ele havia mudado depois de adulto.

Mas parece que me enganei.

– O que te aflinge tanto com o rapaz, filho? — Papai estava nervoso pois seu pescoço estava com uma coloração avermelhada. Ele era do tipo de mudar de cor quando ficava com muita raiva.

– Só eu que percebi que esse cara é bem parecido com aquele que ficou na nossa casa há muitos anos atrás? E mais, vocês também não devem ter percebido que ele é ainda mais parecido com aquele cara que atacou Nova York. Como era mesmo o nome dele? Ah, sim! O nome dele era Loki. Que coincidência, ein. O que será que nossa querida Scarllet anda escondendo de nós?

– David, não seja louco! — Ashley se entrometeu na briga.

– Eu não sou louco, vocês quem são desligados demais! Tenho minhas duvidas sobre esse cara. — Virou-se de frente para mim e para Loki, que estava calmo. — Eu poderia jurar que você e aquele alienígena são a mesma pessoa.

– E se eu fosse, o que você faria? Se eu realmente fosse aquele assassino de outro planeta...O que seria capaz de fazer contra mim, sabendo quem sou?

Loki soltou minha mão e aproximou-se de David, falando calmamente, mas com seriedade na voz. David mantinha a expressão de calma, pois ele realmente pensava que estava certo em suas especulações.

Quando Loki chegou bem perto de meu irmão, David tirou um revólver que estava escondido em sua cintura e apontou para o resto de Loki, praticamente encostando a arma na testa dele. Todos arregalamos os olhos, mas não nos mexemos. Eu sabia que Loki não morreria caso meu irmão atirasse, porém, todos iriam descobrir quem ele era de verdade e a confusão iria começar. Foi pensando nisso que, então, decidi me meter.

Corri até o corpo de ambos e empurrei David para trás com toda minha força. Ele não esperava que eu fizesse isso e, por isso, desequilibrou-se e quase caiu. Foi obrigado a se segurar em Ashley, que acabou impedindo a queda dele. Papai, no entanto, correu até ele e tirou o revólver de suas mãos.

Fiquei assustada pela possibilidade de tudo estar acabado e também porque pensei que Loki levaria um tiro, apesar de saber que nada aconteceria com ele. Só por pensar em vê-lo jogado ao chão, sangrando...Meu coração ficou despedaçado.

– Acho melhor contar a eles. — Ouvi aquela frase em minha cabeça e logo olhei para trás, avistando Loki olhando para mim, calado. Balancei a cabeça, negando, mas ele insistiu. — O garoto está desconfiado, Scarllet. Devemos fazer isso.

– Faremos ao final do dia, então. — Eu pensei e ele assentiu.

Hoje seria um dia muito longo...

***

Passamos a manhã passeando enquanto David deve ter passado em algum manicômio. Logo depois daquele episódio psicótico, ele saiu do hotel e não voltou mais. Papai, então, decidiu que deveríamos almoçar sem ele.

Meu pai se desculpou com Loki inúmeras vezes e tentou convencê-lo de que David não era daquele jeito; que ele estava apenas um pouco desconfortável com aquela situação. Loki deixou claro que estava tudo sob controle, deixando meu pai menos preocupado.

Mal sabia ele o que viria a seguir.

Papai insistiu em levar todos nós para almoçarmos em um dos melhores restaurantes da cidade (e um dos mais caros, também). É claro que eu discordei, não queria que ele gastasse ainda mais dinheiro comigo.

– Eu quero fazer isso para a minha princesa! — Dizia ele, fazendo com que eu desistisse de contrariar.

Quando saímos do hotel, meu pai ofereceu o carro algumas vezes para Loki, pedindo para que ele dirigisse. Eu neguei todas as vezes ou seria um desastre. Loki não sabia dirigir, mas seria estranho se meu pai soubesse disso.

– Deixe-o dirigir, filha! Quero ver se esse garoto realmente é bom!

– Pai, estou implorando! Dirija você!

– Por que não quer que ele dirija? Não é nada demais!

– Por favor, papai. Quero que ele fique comigo. — Eu disse e papai rolou os olhos.

Acabei convencendo-o de dirigir e deixar Loki em paz. Meu pai estava com uma combe azul marinho, afinal, em um carro normal, a família toda não caberia. Entramos e Loki ficou todo o caminho sentado ao meu lado, com ambas as mãos no joelhos que estavam grudados. Vez ou outra, meus irmãos olhavam aquela cena e davam risada, deixando Loki confuso. Ele não compreendia qual era a graça, mas ele parecia uma estátua de um cachorro sentado. Um cachorro magro e pescoçudo.

Ao imagina-lo em forma de cão, comecei a rir também.

– Qual é a graça?! — Loki perguntou durante todo o caminho e só recebeu risadas como resposta.

Não demoramos muito para chegar ao restaurante pois não havia muito trânsito. Assim que descemos, já entramos e nos sentamos na mesa que papai havia reservado. Enquanto esperávamos a comida chegar, ficamos conversando.

– Então, minha filha. Como está o trabalho?

– Ah...Está ótimo, pai. — Gaguejei um pouco ao falar e meu pai fitou-me confuso.

Eu era uma veterinária formada, é verdade. Porém, com toda essa loucura de alguns dias para cá, esqueci completamente do meu trabalho. Havia uma clínica em que eu trabalhava, mas eu não havia aparecido por lá desde o dia do meu casamento interrompido. E pior, haviam alguns colegas meus presentes no dia da cerimônia. Eles observaram tudo e sabiam que Loki não era meu verdadeiro noivo. E pior ainda, deveriam pensar que Loki não era nada mais que um amante, e eu uma vadia por ter trocado o amante pelo noivo no dia do casamento, na frente do padre e da igreja inteira!

Que maravilha. Agora eu era uma vagabunda desempregada.

– E você, rapaz? O que você faz? Contem-me como se conheceram.

O Senhor não tá ajudando, papai.

– Brian é...Advogado, papai. Sim, ele é ótimo no que faz, o Senhor precisa ver! — Eu sorri. — Bem, nós...Nós nos conhecemos em...Aqui, aqui mesmo. Na faculdade eu conheci uma garota que tinha uma amiga e, essa amiga namora com o irmão dele. Engraçado isso, né? Deve ser o destino.

– Ah, você não é filho único? — Perguntou papai, enquanto bebia um gole de sua coca-cola.

– Não, senhor. Tenho mais três irmãos. — Notei uma alteração na voz dele ao dizer aquela palavra.

– Espero conhecê-los algum dia. — Papai sorriu e Loki balançou a cabeça positivamente.

Seria ótimo se pudéssemos viver assim. Ficava extremamente chateada quando pensava que teria que abrir mão de família para viver ao lado de Loki. E se caso eu desistisse dele, teria de explicar toda aquela situação para a minha família. Mas o que eu deveria dizer? Que para não sair do planeta, escolhi deixar meu noivo? Eu só tinha duas opções e ambas eram péssimas. Escolhendo qualquer uma delas, um dos lados sairia machucado e magoado e, de qualquer forma, a verdade viria à tona. Não importava para qual lado eu escolhesse ir, eu estava ferrada se continuasse indo por qualquer um dos caminhos.

Estava confusa. Era capaz de ver uma estrada de terra dividida em duas direções. Uma delas, Asgard; A outra, Canadá. Eu estava parada bem no meio, olhando para ambas as direções e quase podia sentir meu coração dividindo-se, enquanto uma parte ia por um caminho e a outra seguia pelo outro.

– Senhor Dasovic, poderia dar-me licença um minuto? Preciso falar algo com Scarllet. — Loki levantou-se e puxou-me com ele. Meu pai logo concordou e Loki levou-me para fora do restaurante. Assim que saímos, ele foi em direção à lateral do local, onde não haviam muitas pessoas e, mais rápido do que eu pude prever, levou-me para o telhado do restaurante com apenas um pulo.

Porra! Ele é um gato gigante ou o quê?!

– Loki, que que foi isso?! — Eu disse desesperadamente, com uma das mãos em meu peito.

– Preciso que ouça com atenção, Scarllet. Pude ouvir tudo que esteve pensando desde que entramos no restaurante e devo contar-lhe porquê lhe disse que não poderia trazê-la para Midgard muitas vezes.

– Que cara é essa? O que você andou escondendo?

– Já lhe disse que o tempo em Asgard é diferente do tempo midgardiano. Depois do nosso casamento, você viverá comigo em Asgard e depois de apenas três anos, toda a sua família estará morta.

Não podia acreditar no que ele estava dizendo.

– C-como é...? Morta...?

– Três anos para nós serão noventa anos para eles, Scarllet. Você não poderá voltar aqui para vê-los nunca mais ou eles descobrirão, pois verão que você não envelheceu nem um dia. Seu pai estará morto e talvez até mesmo alguns de seus irmãos. Compreende agora?

– Se é assim, eu não posso ir com você. Não posso deixá-los!

– Eu não deixarei que fique. Não posso perdê-la outra vez, Scarllet. Se não vier por vontade própria, a levarei à força.

– Isso é muito injusto! Por que você pode ficar com a sua família e eu tenho que abandonar a minha?!

– Asgard é o meu lar!

– E aqui é o meu! E além de desistir da minha casa, quer que eu desista da minha família também? Eu não posso!

– Você pode e vai. Vou contar a verdade para eles e direi que a levarei comigo. Não há discussão. — Ele falou em tom severo e deu-me as costas. — Vamos voltar.

– Não! Eu não vou deixá-los!

– Asgard será também a sua casa. Não seja teimosa! Estou ordenando, venha logo! — Ele veio até mim e puxou-me, levando-me para o chão consigo. Loki entrou rapidamente no restaurante e eu corri atrás dele, com o intuito de impedi-lo de fazer aquilo.

Logo que entrei, dei de cara com suas costas.

– O que houve? — Eu disse, posicionando-me ao seu lado. Loki mantinha os olhos arregalados e apenas balançou a cabeça, como se estivesse usando o próprio queixo para apontar. Olhei em direção ao local que ele dissera e finalmente notei a causa do problema.

Tony Stark.

Tony estava na mesa bem do lado da em que nós estávamos. Ele almoçava calmamente com uma mulher loira que eu julguei ser Pepper. Tony ergueu uma taça de vinho e usou uma colher para dar leves batidas na mesma, chamando a atenção de todos.

– Quero propor um brinde à esta maravilhosa e sortuda mulher que se encontra nessa mesa comigo, pois ela será minha esposa em breve. — Ao dizer aquilo, Pepper escondeu seu rosto com ambas as mãos, enquanto as pessoas do restaurante aplaudiam, assoviavam e gritavam, desejando felicidade aos dois.

Tony girou seu corpo em todas as direções para olhar atentamente para todas as pessoas e logo seu olhar pairou sobre o nosso. Ele finalmente notara Loki e sua expressão de felicidade tornou-se preocupada, assim como a minha.

– O que você faz aqui, Rena? — Disse Tony, fazendo todos no restaurante olharem para nós, inclusive minha família. — Achei que você e a Barbie tivessem voltado para a terra de vocês. Qual é desta vez? Outro Tour?

– Stark, por favor, nós podemos explicar. — Posicionei-me na frente do corpo de Loki. — Ele veio apenas para me buscar. Já estamos voltando, não há com o que se preocupar.

– Te buscar? Como assim? Você vai deixar esse cara levar você embora pro planeta dele? É sério isso?

– Por favor, senhor Stark. Thor levou Jane com ele e eu também pretendo ir voluntariamente.

– Não posso concordar com isso. Não confio na Rena e nem você deveria confiar.

– Diga-me, Stark. Quem pediu a sua opinião? A levarei comigo, já está decidido. Não se meta. — Disse Loki, fazendo Tony bufar e soltar um riso sarcástico logo em seguida.

– Ponha a sua armadura, meu velho. Vamos nos resolver na nossa língua.

Olhei logo em seguida para meu pai, que mantinha os olhos arregalados. Meus irmãos estavam assustados e Ashley quase chorava.

Agora, eles sabiam de tudo.

– Não quero conflito algum, mortal. Já estamos indo embora.

– Não perguntei se quer ou não, estou dizendo para colocar a armadura. Vamos lá, Rena.

Loki colocou uma das mãos em meu braço e puxou-me para fora do restaurante, com mais velocidade do que da outra vez. Tinha certeza que aos olhos dos outros, havíamos nos tornado apenas um borrão.

Não pude ter certeza de quanto tempo foi, mas ao meu ver, foram apenas alguns segundos e nós já estávamos perto do hotel novamente. Loki notou que Stark estava por perto, por isso não fomos ao quarto em que minha família estava. Nos dirigimos ao banheiro e ficamos escondidos por lá.

– Loki, meu pai, provavelmente...Me odeia agora.

– Ele não a odeia. Deve estar apenas...Muito zangado com você.

– Ah, apenas muito zangado? Legal isso.

– É melhor do que odiar plenamente.

– É verdade. — Suspirei. — Olha, nós precisamos conversar com ele. Eu não posso ir embora sem explicar. Por favor.

– Está certo. Nós devemos dar alguma explicação. — Respondeu Loki, saindo do banheiro logo em seguida, sendo seguido por mim.

Nós fomos rapidamente ao quarto em que minha família estava e assim que entramos, nos deparamos com Thor e Jane sentados no sofá, ambos de frente para meu pai, que continuou com uma cara maravilhosa ao me ver.

– Thor? Jane? O que estão fazendo aqui? — Perguntei.

– Thor sismou que deveríamos voltar, pois sentiu que Loki estava com problemas. — Respondeu Jane, olhando para Thor que levantou-se rapidamente e andou na direção de Loki, abraçando-o fortemente, fazendo o mesmo comigo logo em seguida.

Quase morri sem ar.

– Eu fiquei muito preocupado com vocês. Me alegro que estejam bem. — Resmungou Thor.

– Scarllet. — Papai falou. — Você tem dez minutos para explicar o que está acontecendo aqui.

Ouvindo a voz severa do papai, todos ficaram em silêncio e eu pude sentir meus joelhos tremerem. Sempre tive imenso respeito por meu pai, afinal, ele era o grande homem da minha vida. Eu observei todo o esforço dele para criar todos os filhos sozinho, colocando dinheiro em casa. Sabia do sofrimento dele por estar sem minha mãe, tendo que trabalhar como louco. Observei tudo isso e sabia o quanto fora difícil, por isso nunca havia ousado dizer uma palavra com falta de respeito à ele. Nunca quis desapontá-lo, nem traí-lo, muito menos magoá-lo.

Mas mesmo assim, parece que fiz tudo isso.

Expliquei resumidamente a história e contei toda a verdade. Até mesmo sobre o meu casamento mal sucedido. Contei sobre os rapazes que se hospedaram em casa quando eu era nova e assim que ele soube que era o mesmo rapaz, ficou nervoso. Claro que isso piorou quando eu contei que esse rapaz, na verdade, era o deus da trapaça que havia atacado New York. Meu pai adorou a novidade.

– Então, seu irmão estava certo sobre tudo?

– Sim, papai. Eu peço que me perdoe por todas as mentiras e peço que acredite em mim. Eu não posso viver de outra forma, papai.

– Você acha que tem algum direito de me pedir algo, Scarllet?

– Nunca lhe pedi nada, papai. Mas, com todo o respeito, não é o senhor quem escolhe com quem vou me casar. Me desculpe.

– Com licença. — Disse uma voz grossa atrás de nós e eu logo percebi que era Thor. — Vim aqui dar um recado para vocês. É importante.

– Claro, Thor. Pode falar. — Respondi.

– Frigga permitiu a estadia de sua família em Asgard, Scarllet. Afinal, você será da nossa família, assim como eles. Minha mãe não quer que escolha entre Loki e sua família, pois seria um grande sofrimento para ambos os lados. Portanto, você poderá levá-los, se assim desejar. — Disse Thor.

– Isso...É verdade? — Eu disse, sentindo meus olhos começarem a lacrimejar.

– Certamente. Jane e eu precisamos voltar, viemos apenas para esclarecer isto. Não demorem. Boa sorte. — Disse Thor, dando as costas para nós. Jane correu para me dar um abraço e o seguiu rapidamente.

Olhei para meu pai com toda a coragem que reuní, mas ainda sim, sentia-me desprotegida. Minhas mãos suavam enquanto meu olhar sustentava o dele. Estava com muito medo. Temia que ele não aceitasse o convite de Thor já que estava com raiva. Mas isso resultaria na nossa separação definitiva e eu rezava para que ele entendesse isso, antes que fosse tarde demais.

– Eu quero ir. — Ouvi uma voz fina e chorosa atrás de meu pai, que virou rapidamente para olhar quem falava. — Ou melhor, nós queremos.

Eram Ashley e Jamie.

Não pude conter um sorriso que tomou conta de quase todo o meu rosto. Senti uma mão segurar a minha, como se estivesse querendo me tranquilizar. Olhei para o lado e vi que Loki sorria torto pela confirmação de minhas irmãs.

Já não me sentia mais desprotegida.

– Vocês...Querem ir com a irmã de vocês? Sabem que nunca mais irão me ver e ainda querem ir? — Papai estava indignado.

– Não quero ficar sem Scarllet para o resto da minha vida, pai. Me admira o Senhor aceitar isso. — Respondeu Ashley, ríspida, fazendo papai abaixar a cabeça para fitar seus pés.

Os garotos também deram um passo à frente, demonstrando estarem de acordo, assim como as meninas. Todos andaram até mim e ficaram ao meu lado encarando nosso pai, esperando qualquer tipo de reação positiva que viesse dele.

– Venha conosco, Ryan. Por favor. — Desta vez, foi Loki quem falou, deixando meu pai muito surpreso.

Todos ficamos, na verdade.

Enquanto papai ainda olhava furioso para mim, nossa atenção foi tomada pelo barulho da porta atrás de nós. David estava chegando naquele momento e notou que havia algo errado pela péssima expressão de todos nós.

– Ainda estão aqui? Vão embora logo. — Disse ele, entrando e tirando seu casaco para jogá-lo em cima do sofá logo em seguida.

– David, você estava certo. — Eu disse e ele olhou para mim, surpreso. — Sobre tudo. Sobre ele. — Apontei para Loki. — Você sempre teve razão, mas preciso que venha comigo. Todos vão, só falta você.

– Ir onde?

– Você verá. Venham. — Eu disse, seguindo Loki para fora do quarto do hotel.

Fomos até a cobertura do hotel e de lá, Loki pediu para Heimdall abrir a ponte. Quando todos viram aquela imensa claridade, ficaram assustados. As garotas ficaram abraçadas com os garotos; David permaneceu sozinho, assim como meu pai. Logo sentimos nossos corpos sendo puxados para cima e rapidamente estávamos em nosso novo lar.

– Bem vindos à Asgard. — Disse Loki. — Acompanhem-me.

A reação da maioria foi como a minha assim que fui parar ali pela primeira vez.

– Que porra é essa?! — David gritou. — Onde...O que aconteceu?!

– Esse será nosso novo lar, David. — Eu disse, andando atrás de Loki.

Todos me seguiram depois que papai deu uma bronca em David mandando-o calar a boca. Ao chegarmos no palácio, Jane veio cumprimentar-me, assim como Frigga, Thor e os guerreiros amigos dele.Fizeram o mesmo com Loki e com minha família, que fiz questão de apresentar para todos eles.

Meu pai não sabia como se portar em um lugar como aquele por ser muito humilde. Até mesmo para mim estava difícil só de pensar em ser uma princesa. Ser uma princesa é o sonho de toda menina, mas as coisas mudam quando isso realmente acontece. Não é tudo um mar de rosas, ainda mais quando se é uma princesa esposa de um deus.

Se alguém me ouvisse falando essas coisas, concordariam em me colocar em um manicômio.

– Fico feliz que tenham aceitado nosso convite. — Frigga disse à minha família. — Será imensamente satisfatório ter a companhia de vocês na nossa família de hoje em diante. — Ela sorriu, fazendo meu pai sorrir igualmente.

Caminhamos pelo palácio lentamente enquanto Frigga e Thor nos apresentavam cada canto da enorme estrutura. Nossa última parada foi na sala do Trono e, assim que chegamos, pude notar um homem com um tapa-olho.

É moda agora?

Frigga andou lentamente até ele, sentando-se ao seu lado. Graças à esse movimento, meu coração disparou. Aquele não era um idoso qualquer, muito menos um homem qualquer.

Era Odin.

– Finalmente posso conhecê-la. — Disse ele. — Aproxime-se, meu filho.

Thor puxou Jane para frente para ficar mais próxima de Odin e eu olhei para Loki, confusa. A frase não estava errada? Deveria ser "Aproximem-se, filhoS" não deveria?

– Esta é a minha noiva, Jane Foster. — Disse Thor, segurando a mão de Jane, que estava querendo ajoelhar diante dos pés de Odin.

– Seja bem vinda. — Respondeu Odin, levantando-se e andando lentamente até Jane. Ao chegar perto dela, segurou sua mão e beijou-a, fazendo-a sorrir. — E quanto à você, Loki? Sua mãe informou que você tinha uma grande surpresa.

– Também pretendo me casar.

– Ah, que bela notícia! Finalmente decidiu aceitar o casamento que lhe arranjei? Frigga, já tomou as devidas providências e deu as boas notícias para a noiva que espera a resposta de Loki? — Disse Odin, dando as costas para mim e para Loki, impedindo-nos de explicar a situação.

– Não, meu rei. Loki ainda não lhe disse tudo.

Odin olhou confuso para Loki e foi só então que ele notou-me ali, de mãos dadas com Loki, bem ao lado dele e à sua frente. Já estava com vontade de chorar por ter notado que Odin sequer tinha percebido a minha presença ali.

Afinal, o que eu deveria ser para eles? Um inseto? Um ser inferior? Algo que deveria ser ignorado e esquecido? Foi assim que me senti naquele momento.

– Como eu dizia, Pai de Todos...Pretendo me casar com esta dama ao meu lado.

Apenas a voz de Loki ecoava pelo grande local, sem qualquer som para interrompe-la. Odin, então, finalmente olhou para mim com ambas as sobrancelhas arqueadas, mostrando estar surpreso.

– Uma mortal? Estou admirado, Loki.

– Creio que esteja. — Loki limpou a garganta. — Estou aqui para pedir que aprove esse matrimônio, como também a estadia dela e de sua família em Asgard.

– Estás dizendo que quer a companhia dela aqui, morando junto à você?

– Exato.

– Os mortais são realmente seres incríveis. — Disse Odin. — Que assim seja. Bem vindos ao seu novo lar.

Logo depois de todas as devidas apresentações e tudo mais, Frigga nos mostrou onde seria o quarto de cada um. Cada um dos meus irmãos teria um quarto para si, segundo Frigga. Aquela notícia deixou a maioria muito contente, menos meu pai. Ele não gostou nem um pouco de saber onde eu iria dormir daquele dia em diante.

Enquanto todos ainda estavam arrumando suas coisas em seus aposentos, Loki levou-me até o dele. Ao entrarmos, meu queixo quase caiu por dois motivos:

Tudo era lindo e enorme; e aquele lugar era familiar para mim.

– Estou sentindo isso outra vez. Estranho. — Resmunguei.

– Isso o quê? — Perguntou Loki, andando até uma escrivaninha encostada à parede.

– Essa sensação de que já estive aqui. Loki, você acredita naquelas coisas de vidas passadas, e tal?

– Acredito. Você não? — Falou, ainda sem olhar para mim.

– Bem, nós humanos não temos nenhum tipo de prova concreta sobre isso, portanto é só acreditar ou não. Mas...Eu me senti tão esquisita vindo pra cá. Tudo é tão familiar. Você, por acaso, teve alguma namorada linda no passado? — Brinquei.

– Na verdade, tive.

O-quê?

– Teve? — Insisti na pergunta como se estivesse dizendo para ele negar aquilo e evitar um possível ataque de ciúme.

– Ela se chamava Freyja. — Tremi ao ouvir o nome. Eu conhecia aquele nome. — Tivemos um pequeno romance, somente.

– Somente? Como se fosse algo realmente simples. Tenho certeza que o "pequeno romance" de vocês durou mais do que meus anos de vida até hoje.

– E você está certa. Está ciente de como o tempo passa por aqui. Freyja e eu nos conhecemos graças à minha pupila, Amora. Amora sempre tentou obter a atenção de Thor, e como não obteve sucesso, tentou o mesmo comigo. Acabou desistindo e abandonou Asgard. Não durou muito tempo fora daqui e foi assassinada. Freyja e eu, no entanto, já não éramos mais os mesmos. Ela tinha certeza que eu era infiel e tinha um caso amoroso com Amora, por isso acabou deixando-me só.

– E ela ainda vive?

– Deve viver. Nunca mais soube nada a seu respeito.

– E quem era aquela outra que ia casar com você, e blá blá blá?

– Oh, Sigyn. — Ele riu. — Ela me lembra muito você.

– Não me diga. — Bufei. — Por que?

– Na aparência; ambas são muito parecidas. Já a conhecia de tempos passados, mas nunca tive nenhum envolvimento com ela. Sigyn, por outro lado, começou a demonstrar um súbito interesse por mim e exigiu um matrimônio. Odin, como já estava cansado de mim e de minhas travessuras...

– Travessuras de solteirão. — Interrompi-o e ele limpou a garganta, fazendo-me ficar em silêncio novamente.

– ...Aceitou com o intuito de fazer com que eu tomasse jeito, como dizem os mortais. Claro, foi em vão. Não poderia casar-me com ela.

– Claro que não. Afinal, você me ama.

Ouvi Loki bufar, mas nada me respondeu. Andei até ele e abracei-o pelas costas, apertando-o contra mim. Encostei minha cabeça em suas costas de uma forma que eu pudesse senti-lo mais perto de mim. Fui capaz de ouvir os batimentos de seu coração e aquilo me deu uma tranquilidade imensa. Já não existia mais nenhuma dessas mulheres lindas e divinas para mim. Minha mente estava vazia com a combinação do som do coração dele batendo e de seu cheiro que insistia em impregnar minha alma.

– Você me ama, não é...?

Fechei os olhos, esperando a resposta. Loki respirou fundo e segurou meus braços, abrindo-os para que eu pudesse soltar o corpo dele. Continuei de olhos fechados, tentando não parecer desapontada pela reação dele.

– Não é...? — Insisti em questioná-lo uma segunda vez e então, fui capaz de sentir suas mãos passando pela pele dos meus braços. — Você é tão gelado. — Podia sentir meu corpo tremer nos locais em que ele passava as mãos. — O gato comeu sua língua? — Não seria capaz de explicar, mas pude senti-lo se aproximando de mim, como se houvesse um campo magnético entre nós. Como se ambos fossemos feitos de eletricidade e, quando juntos, pudéssemos causar uma explosão perigosa. Logo fui capaz de sentir sua respiração batendo contra a pele do meu nariz e não pude conter um sorriso. — Serei eu esse gato? — Debochei e ouvi-o dar um leve riso, colando nossos lábios logo em seguida.

Ficamos um tempo ali, em pé, apenas sentindo um ao outro, mas logo fomos interrompidos por alguém que eu não esperava.

– Darcy?

Surprise, queridos! — Ela disse, abrindo ambos os braços como se fosse uma assistente de mágico, ou algo do tipo. — Dona Frigga tá mandando todo mundo comparecer à sala de jantar, que deve ser muito grande pra caber toda essa cambada que Loki e Thor trouxeram. — Nós duas rimos e Loki apenas sorriu, arqueando ambas as sobrancelhas, concordando com ela. — Vambora. Depois vocês se pegam aí. — Disse Darcy, correndo para fora dos aposentos de Loki.

Ou melhor, dos nossos aposentos.

A noite passou rapidamente enquanto todos conversávamos. Nosso jantar foi, de longe, o melhor jantar em que já estive. Me diverti muito com todos ali presentes e, diferente do que todos pensam, até que Asgardianos tinham senso de humor. Claro que a grande culpada do início das piadas era Darcy, mas depois, todos acabamos entrando na brincadeira também. Até mesmo Loki riu algumas vezes e, quando Thor se engasgou com um pedaço de frango, Loki gargalhou. Estava feliz ao vê-lo rir daquela forma, afinal, só fui capaz de ver essa cena uma vez, há muitos anos atrás.

Era realmente ótimo vê-lo sorrir assim novamente.

– Bem, meus queridos...Descansem hoje a noite ao lado das mulheres que amam, pois amanhã, elas terão de levantar cedo para começar as lições básicas de uma princesa. — Comentou Frigga, referindo-se às seus filhos. — Espero que todos fiquem à vontade e, se me derem licença, irei me retirar. Estou cansada.

– Frigga. — Chamei sua atenção e ela olhou para mim. — Amanhã, poderemos falar sobre aquela minha sensação de já ter vivido aqui?

– É claro, senhorita. — Ela sorriu e seguiu seu caminho até seus aposentos, sendo seguida por Odin, que também se despediu de todos amavelmente.

Loki e eu ficamos mais algum tempo nos divertindo com todos, mas nos retiramos logo depois de Thor e Jane. Loki entrou no quarto e foi direto à estante de livros, como se estivesse com pressa. Achei que era normal, afinal, eu sabia que ele era um nerd.

Um nerd muito bonitão.

Fui em direção ao banheiro e quando entrei, fiquei perplexa. Lembrava muito aqueles banheiros de hotéis chiquérrimos. Havia algo parecido com uma banheira ali e, eu concluí que deveria tomar banho naquilo. O grande desafio seria descobrir como ligar aquela bagaça.

Notei alguns botões na parede que estava coberta por algum material que lembrava muito azulejo. Estava confusa. Se eu apertasse um, a água iria brotar da onde? E se eu apertasse o errado? Iria aparecer algum tipo de monstro ou fogo para me queimar viva?

Vai saber, né.

– Lokiiiiiiiii. — Falei com a voz fina, tão fina que até eu fiquei irritada comigo mesma. — Como liga esse negócio aqui? — Gritei, mas não obtive resposta. Repeti a pergunta e esperei que ele me respondesse, mas nada. Decidi, então, colocar a cabeça pra fora e xingá-lo por estar me ignorando. Virei meu corpo e trombei com ele. — Ai! O que você tá fazendo aqui?!

– Você não quer saber como iniciar?

– Não precisava ter vindo aqui! Eu tô pelada, meu! — Falei ainda mais alto, tentando cobrir — em vão — meu corpo com as mãos.

– Age como se eu nunca tivesse visto. — Ele sorriu, passando por mim e apertando um dos botões.

– Você não viu muitas vezes, tá, garanhão.

– Vi o suficiente para ter guardado cada ponto do seu corpo em minha mente. Posso nomear o que desejar, inclusive as imperfeições.

– Não viaja, querido. Eu sou perfeita! — Debochei, tentando disfarçar meu rosto já corado.

Dei-lhe as costas e coloquei um pé dentro da quase banheira e a água estava ótima. Bem quentinha. Coloquei o outro pé e, antes de sentar, senti Loki segurar minha cintura. Ele virou meu corpo de frente para ele e beijou meu pescoço, que agora estava na altura de seu rosto, já que eu estava em um lugar suspenso.

– Que...Que isso?

– Fiquei com vontade de tomar banho também. — Ele disse pausadamente, enquanto eu o ajudava a tirar suas roupas.

– É claro. — Eu disse e ambos sorrimos.

***

Abri os olhos e notei que estava em um lugar escuro e frio. Lembrava muito uma floresta, pois eu fui capaz de notar algo úmido sob meus pés e também uma névoa densa. Olhei para todas as direções, tentando enxergar algo.

– Tem alguém aí? — Perguntei e notei que minha voz causou um eco. Pude ouvi-la mais algumas vezes depois de ter falado.

Logo em seguida, avistei uma luz ao longe. Parecia uma pequena bolinha de luz, como um vagalume. A luz vinha se aproximando cada vez mais e, quando já estava apenas há alguns metros de mim, notei um rosto por trás da luz que de branca, tornou-se lilás.

Era uma mulher, loira e, para a minha surpresa, muito parecida comigo.

– Quem é você? — Perguntei e ela sorriu, mas seu sorriso não foi amigável, não. Pelo contrário, foi maldoso, malicioso e até mesmo falso, como já me era familiar.

– Sou tu. — Respondeu.

– Eu não uso essas roupas horríveis. — Disse, fazendo-a olhar para seu próprio corpo, confusa. Olhou logo em seguida para mim de forma amedrontadora.

– Estou aqui para dar-lhe um aviso, mortal. Tu é apenas um recipiente, fique ciente disto. Nunca terás quem desejas, pois ele a mim já pertence.

– Recipiente? Quê? Olha, se você tá falando do Loki, já vou dizer que é melhor nem tentar nada, tá? Temos aqui o Thor, Odin, Frigga e até mesmo Loki que irão impedir você de tentar causar qualquer problema. — Ameacei e ela gargalhou.

Ein?

– Eles não podem salvá-la de teus próprios pensamentos, criança.

A mulher deu-me as costas enquanto ignorava tudo o que eu gritava para irritá-la. Ela andou para dentro da escuridão até desaparecer, deixando-me pensativa e inquieta. Quem era ela? Por que estava dentro da minha cabeça? O que estava acontecendo? Eu tinha inúmeras perguntas que não poderiam ser respondidas e, para o meu azar, eu sequer sabia onde estava ou o que faria para sair dali.

Aquele lugar sequer parecia ser minha mente. Era tão...Escuro e horripilante.

Sentei-me no chão e abracei meus joelhos com o intuito de diminuir o frio que sentia. Esperei intermináveis minutos que, para mim, eram como horas. Aquilo era mesmo um sonho? Se sim, o que eu poderia fazer para acordar?

Levantei-me e focalizei uma das árvores que estavam em meu campo visual. Distanciei-me alguns metros dela e depois, corri com toda a minha velocidade em sua direção, dando de cara com o tronco. Caí para trás graças ao grande impacto e fui capaz de ouvir as risadas maldosas da mesma mulher outra vez.

– Quando eu te pegar, eu vou te matar, sua vaca! — Eu gritei e as risadas cessaram.

É, pelo menos isso ela compreende.

– Talvez, se eu me jogar no chão inúmeras vezes, eu acorde! — Falei para mim mesma e, sem mais demora, o fiz.

Joguei-me e logo levantei-me para poder jogar-me outra vez. Mesmo com tudo isso, eu ainda estava presa ali. Não adiantou. As risadas voltaram a tomar conta do local e eu já estava com uma raiva insuportável daquela loira infeliz.

– A verdadeira diversão começará agora. — Ouvi-a como se sua voz estivesse tomando conta de toda a minha mente graças ao tom alto em que estava.

Logo depois de suas palavras, senti algo em meus pés. Uma cócega irritante. De repente, tudo à minha volta ficou iluminado pelas mesmas bolas de luz de antes e, quando olhei novamente para meus pés, achei que teria um treco.

Baratas.

Baratas por toda parte.

O chão parecia ser feito de baratas.

Comecei a dar pulos enormes para ser capaz de esticar minhas pernas, batendo em meu próprio corpo com ambas as mãos, tentando tirá-las de mim. Corri até as árvores e, ao tocar no tronco com o intuito de subir para fugir das pragas que ocupavam o chão, o tronco da árvore transformou-se em mais delas. Até mesmo as folhas secas agora eram baratas.

– Não! Por favor! Pare com isso! — Eu gritava como louca, sem deixar de pular. — Por favor! Eu quero acordar! Por favor! — Ao perceber que não havia para onde fugir, lágrimas começaram a escorrer de meus olhos enquanto eu sentia aquelas pragas subindo por todo o meu corpo. Não havia jeito de tirar todas elas, afinal, enquanto eu tirava duas ou três, outras dez subiam por outros lados e lugares em que eu não conseguia alcansar ou ver. — Por favor! Diga-me porquê está fazendo isso comigo!

– Tu é apenas um recipiente. Lembre-se disto. — Ela disse, rindo logo em seguida.

Todas as luzes, com exceção de uma, se apagaram. Corri em direção à luz que sobrara e pude notar que havia um espelho pendurado ao tronco da árvore parcialmente iluminada. Caminhei até o espelho dando pulinhos para tentar me livrar das pragas e, assim que cheguei perto o suficiente, consegui ver meu corpo repleto por elas. Elas andavam livremente em mim, como se eu fosse algo morto. Haviam até algumas em meu rosto, eu podia senti-las. Sentia-as sobre minha pele e, mesmo que eu tentasse tirá-las de lá, elas não iam embora. Tudo coçava. Eu queria fugir, correr, gritar e chorar. Abri a boca com o intuito de pedir ajuda e assim que tentei fechá-la, notei que ela não fechava mais.

Arregalei os olhos, amedrontada e paralisada, literalmente. Meu corpo já não se movia e eu não compreendia porquê. As baratas continuavam caminhando por mim e, para a minha alegria, uma delas foi em direção ao único buraco escuro que encontrou: minha boca.

Senti as antenas de uma delas passando por meus lábios e tudo que fui capaz de mover foi a língua. Tentaria empurrá-la para fora ou deixaria que ela entrasse? Afinal, baratas grudam. Havia um risco de ela grudar na minha língua e isso seria apenas um jeito mais fácil de trazê-la para dentro.

– SO-CO-RRO! — Gritei com toda a força que pude e rapidamente tudo aquilo desapareceu.

Levantei-me em um pulo, toda suada e com lágrimas nos olhos. Loki estava com suas mãos apertando meus braços, ajoelhado à minha frente com os olhos arregalados. Olhei em volta e notei que estavam também Darcy, Frigg, Thor e Jane.

– O que aconteceu, Scar? — Perguntou Darcy, falando pausamente, como se tivesse medo de dizer alguma coisa.

Voltei a olhar para Loki e eu pude perceber que ele notou o medo e pavor em meus olhos, pois passou uma mão por minha cabeça e abraçou-me. Apenas apertei-o com força, enterrando meu rosto em seu peito, tentando esquecer aquelas sensações e pensamentos horríveis pelos quais passei.

– Um...Pesadelo? Não. Foi muito mais real. Pude sentir aqueles demônios andando em mim...- Disse, entre soluços.

– Demônios? — Perguntou Thor.

– Havia uma mulher. Ela disse que eu sou apenas um recipiente. Ela estava dando risada enquanto eu pedia para que ela parasse....Mas ela não parou....Obrigada por me acordar, Loki.

– Está tudo bem. — Loki sussurrou e beijou-me o topo da cabeça. — Não precisa se preocupar, eu vou resolver isto.

– O que está havendo aqui? — Disse Jane.

– Existe algo...Ou alguém que quer tomar posse do corpo de Scarllet. — Respondeu Loki, sem deixar de abraçar-me. — Alguém que quer atormentá-la com seus medos e aprisioná-la em seus próprios pensamentos, tornando-os reais para ela. Por isso você foi capaz de sentir tudo, Scarllet. Aconteceu dentro da sua cabeça, mas faz parte do feitiço.

– Feitiço? Eu estou enfeitiçada?

– Parece que trazê-la aqui foi um grande erro. — Disse Loki, olhando para baixo.

– Erro? Por que diz isso?

– Parece que havia algo escondido em você...Alguma ligação com alguma outra alma poderosa e, trazendo você aqui, a ligação agora está completa. Esta alma conseguiu obter contato com você diretamente e conseguiu o que desejava. Amedrontar você, por meio de sonhos.

– Como sabe de tudo isso, irmão? — Disse Thor, mostrando estar tão surpreso quanto todos nós.

– Porque fui eu quem criou isto e, sendo assim, existem apenas duas pessoas que poderiam ter feito isso à ela. Eu ou minha antiga pupila...

...Amora.

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Notas finais
Espero que tenham gostado, amores! Espero comentários (e possíveis recomendações u.u) Hahaha! Lindaaaaaaaas! ♥