New Life With Aliens
2 The stay.
Notas iniciais
– Certo, me acompanhem. Vamos procurar algumas roupas para vocês. — Eu disse, entrando em casa, sendo seguida pelos quatros homens nus mais gostosos que já vi na vida.
– Tem certeza que devemos fazer isso, Thor? — Perguntou o garoto de cabelos escuros.
– Ela é só uma criança, não há perigo algum. — Resmungava Thor, seguindo-me até dentro de casa.
– Mas ela é uma midgardiana! — Exclamou o moreno, exalando raiva por seus poros.
– Você não esta muito diferente disso agora, meu irmão. — Foi a última frase do loiro, fazendo o moreno se calar. Ele, então, saiu do buraco, sendo seguido pelos outros dois que também estavam vindo atrás de mim.
Levei-os até o quarto de meu pai e disse para que eles escolhessem sem fazer muita bagunça. Quando entrei, todos já estavam vestidos, menos o garoto que chamou a minha atenção. Como era mesmo o nome? Ani? Algo assim.
– Não encontrou nada que sirva? — Perguntei enquanto colocava algumas roupas de meu irmão em cima da cama de papai. — Veja se as roupas do meu irmão servem. Não acham melhor tomar um banho primeiro? Só para tirar a terra...eu posso arranjar algumas toalhas, mas vai ter que ser rápido. Logo meu pai estará aqui. — Alertei-os.
– Nós não temos tempo para cortesia, linda dama. — Thor falou com sinceridade e eu quase ri. Ele falava coisas esquisitas, mas com certeza, ele era um cavalheiro. — Apenas usaremos estas vestimentas e sairemos de sua humilde moradia. Peço-lhe um último favor: Ajude Anakin a encontrar roupas que sirvam para ele. Aguardaremos nos cômodos de baixo. — Thor falou, fazendo um gesto para que os outros dois, Luke e Loki, seguissem-no.
– Então, oi. — Falei, tentando não gaguejar. Eu estava completamente nervosa porque agora aquele garoto estava olhando atentamente para mim. Não haviam distrações e eu quase podia sentir minhas articulações tremerem. — Posso te ajudar? — Sorri torto. — Meu irmão costumava rasgar as mangas das camisetas, portanto, use essa regata aqui...- Peguei uma regata preta com decote em V para que ele usasse. — Como seus braços são fortes, terá de ser uma dessas. Camisas com manga não irão servir, com certeza. — Aproximei-me dele esticando a camisa em sua direção para medir visualmente o tamanho, vendo se caberia ou não.
– Isso está bom. — Quando os lábios dele se abriram, parecia que um furacão havia passado ao meu lado. Senti um arrepio estranho graças a um vento que não havia passado por lá. As janelas do quarto estavam fechadas, assim como a porta. A voz dele era rouca, grossa e mostrava certo controle sobre alguma coisa. Ou alguém, não sei bem explicar.
– E-eu...é...certo, então. Agora, as calças e...cueca. — Oh, céus. Acabei olhando para onde não devia novamente e fiz com que ele seguisse meus teimosos olhos, olhando para si mesmo. Assim que levantou seu olhar novamente para olhar-me, ele sorriu torto. Para mim, foi como um tiro de cupido no coração. Eu estava completamente caidinha.
Ele era lindo! Muito lindo!
– Apenas vista isso, sim? — Entreguei-lhe uma cueca boxer vermelha e uma calça jeans qualquer. Para ser franca, foi a primeira que vi jogada na cama. Achei que seria melhor sair de perto daquele hipnotizador de uma vez por todas e deixei-o no quarto, sozinho.
Assim que cheguei até a sala, notei os outros conversando. Decidi aproximar-me lentamente para poder ouvir a conversa deles. Talvez assim, eu conseguisse entender melhor aquela situação doida.
– Thor, o que faremos para consertar a nave? Não temos como tentar contato com Odin. — Loki resmungava, incrédulo, enquanto passava a mão por seus cabelos negros, empurrando-os para trás.
– Teremos de consertá-la nós mesmos, caro irmão. Nossa única alternativa é implorar o apelo da cara Midgardiana para com ferramentas e utencílios favoráveis.
– Eu sou bom nisso, não encuquem tanto! — Brincou o mais novo, enquanto sorria abobalhadamente.
– Por que está tão feliz, Luke? Enlouqueceste? Deverias estar a chorar. E mais, Thor, pedir ainda mais a ajuda da midgardiana? Isso é tão...esdrúxulo. — Resmungava Loki, rabugento. Eu não sabia o que queria dizer aquela palavra "midgardiana", mas com certeza, coisa boa não era. Ele fazia uma cara de nojo quando pronunciava essa palavra referindo-se a mim.
Maldito playboy frescurento!
– Pare com isso, irmão. Precisamos da ajuda dela e sabes disto. Será bom ficarmos aqui Midgard, pelo menos por enquanto. — Dizia Thor, fazendo os outros dois se calarem. Principalmente Loki, apesar de ter feito uma cara péssima. Ele com certeza estava odiando aquilo com todas as forças.
– Com licença. — Decidi parar de me esconder e confrontá-los. — Vão me explicar o que é isso tudo? — Disse, enquanto sentava-me no sofá ao lado de Luke, o loirinho.
– Como foi prometido, Senhorita. Eu sou Thor, filho de Odin. Tenho certeza que já ouviu falar de mim.
– Conheço apenas um Thor que é filho de Odin. Ele é um Deus e é um personagem de histórias em quadrinhos!
– Vejo que sabes quem sou, então. Sim, eu sou este mesmo Thor, o herdeiro do trono de Asgard. Nesse momento, Asgard e outros reinos estão passando por uma guerra terrível. Nosso reino foi invadido e então, Odin, mandou-nos embora de Asgard em uma nave.
– Vocês fugiram?
– Fomos obrigados. Mesmo com a nave mais rápida de Asgard, fomos perseguidos e nossa nave sofreu diversos danos. Quando fomos atingidos, tentei escapar entrando em alguma galáxia sem sequer olhar para onde estava indo. Foi assim que viemos parar aqui.
– Entendi...puro e infeliz acidente, certo? — Olhei friamente para Loki, provocando-o. Ele parece ter entendido o recado, pois olhou-me sem jeito. Rabugento. — Ok, o que uma pobre garota como eu pode fazer para ajudar vocês?
– Será que poderia nos fornecer abrigo por alguns dias e também alguns utensílios que auxiliarão no concerto da nave?
– Você quer dizer que querem lugar pra ficar e precisam de ferramentas?
– Isso mesmo.
– Não sei se podem ficar aqui...minha família é grande. — Falei, já pensando no que poderia dizer para meu pai. Como diabos eu explicaria isso?
– Tenho certeza que pode pensar em algo. Sua família não é compreensiva? — Perguntou Thor.
– Somos só eu e meu pai que bancamos a casa...Eu tenho seis irmãos mais novos e tenho que cuidar de todos. Faço todas as refeições e cuido da casa, sem falar em lavar e passar a roupa de todos. E ainda tenho que cuidar de mim, eu estudo e frequento um colégio. Não sei se tenho tempo para simplesmente fazer tudo isso para mais quatro pessoas. — Confessei ao respondê-lo.
– Não será tão ruim assim! — Luke exclamou, animado. — Conosco aqui, poderemos te ajudar nas tarefas. Você vai poder até se divertir!
– Você é um tipo de escrava? — Perguntou Loki.
– Não. Minha mãe morreu e eu sou a irmã mais velha, portanto, tenho que cuidar dos mais novos como se fosse a mãe que eles precisam. — Pigarreei. — Se vocês me ajudarem mesmo, então, acho que posso inventar alguma coisa para que papai aceite vocês.
– Quem é "Papai"? — Perguntou Loki, novamente.
– O meu pai, Senhor Curioso. — Eu sorri e ele arregalou os olhos. — O nome dele é Ryan, ele é o grande dono dessa casa.
– Se é ele quem comanda, por que é você que sofre? — Perguntou Luke, o loirinho.
– Ele trabalha para nos alimentar. Nada mais justo de que eu cuide das coisas em casa. Eu fico bem cansada, mas eu aguento. Sou forte! — Levantei o braço direito, forçando um músculo que eu não tinha, dando leves tapas com a outra mão. O pequeno e simples gesto provocou risos em Luke e em Thor que sorriram para mim. Loki apenas continuava com aquela expressão de dó e mágoa nos olhos. Parecia ter pena de mim.
Talvez, aos olhos dele, eu era uma humana fraca e insignificante que não sabia o que era sofrimento. Sabe-se lá quantos anos ele deveria estar comemorando e eu, apenas com 16, achando que sabia o que era sofrimento.
É, para um Deus como Loki, eu deveria parecer bem patética mesmo.
– Portanto, Senhorita, se a ajudarmos nos afazeres domésticos, poderemos ficar? — Perguntou Thor, olhando-me com esperança.
– Esse é o acordo, cara. Rezem para que meu pai aceite.
– Ele aceitará, nós garantimos. — Resmungou Loki, baixo para que eu não pudesse ouvir.
– Eu ouvi o que você disse, Senhor Rabugento. É bom não tentar usar nenhum de seus joguinhos mentais com o meu pai ou arranjaremos problema, certo?! — Cruzei os braços e bati com força o pé no chão.
– Pobre mortal. Não sabes quem sou?
– Claro que sei. Loki Laufeyson, o Deus da Trapaça. Grande bosta! Aqui nesse planeta você é um nada, assim como nós. Thor, venha comigo, vou mostrar onde estão as ferramentas que papai usa. — Fiz um gesto para que ele me acompanhasse, deixando o moreno irritado, fuzilando-me com aqueles olhos azuis intensos.
***
Finalmente, meu pai havia chego e quando viu os quatro homens estranhos sentados no sofá dele, quase teve um infarto.
– SCARLLET! O QUE É ISSO? — Ele gritou, surpreso.
Expliquei para ele que aqueles eram colegas de colégio do David e que, bom, eles estavam com problemas familiares. Precisavam de lugar para ficar e eu acabei deixando pois eles disseram que, em troca, iriam me ajudar com as obrigações. Papai demorou para aceitar, mas até que foi mais fácil do que eu pensei que seria.
Combinamos que eles trabalhariam como camelo em casa para que eu pudesse respirar mais relaxada pelos dias em que estariam aqui, caso quisessem cama, roupa lavada e comida.
Loki reclamou muito, como sempre. Os outros três concordaram felizes, agradecendo a nossa bondade. Ou melhor, apenas Thor e Luke. Anakin não expressava nenhuma reação, apenas ficava quieto e atento a qualquer coisa. Ele observava tudo.
O fim de semana finalmente chegou e meu despertador tocava às 6:30 da manhã em pleno sábado. Eu precisava levantar para preparar o café de todos, já que os bebês acordavam bem cedo todos os dias.
Passei as mãos nos olhos, esfregando-os lentamente, em uma missão torturante enquanto procurava acordar mais rapidamente. Eu estava dando-me ao luxo de ter preguiça, depois de tantos anos! Eu mal podia acreditar, para ser sincera. Aqueles quatro não poderiam ter vindo em melhor hora! Acho que isso é obra sua, não é?
– Obrigada, mamãe. — Falei baixo e sorri levemente, olhando para o céu depois de abrir as cortinas.
Para a minha surpresa, Thor e Luke estavam no jardim concertando a nave. Como era cedo, era mais difícil que alguém visse aquilo, portanto era mais seguro. Nosso quintal já estava normal novamente porque eu quase matei os quatro e obriguei-os a arrumar tudo.
Assim que saí do quarto, fui em direção ao banheiro, ainda rastejando e bocejando a cada centímetro que eu percorria até lá. Assim que cheguei na porta, coloquei a mão na fechadura com o intuito de girá-la e entrar, mas fui surpreendida.
Anakin abriu a porta com força, fazendo um vento que fez com que meus cabelos voassem levemente. Dei de cara com ele. Fiquei olhando-o por alguns segundos, hipnotizada.
Durante esses dias, sequer havia olhado para ele tão atentamente. Ele era ainda mais lindo do que eu pensava que era quando o conheci.
– B-bom dia. — Falei e abaixei o olhar, sorrindo levemente.
– Bom dia. — Ele respondeu. Ah, era ótimo ouvir a voz dele. Ele quase não falava, por isso eu dava um imenso valor para cada palavra que saía da boca dele. Ele era muito misterioso e isso me deixava muito curiosa. — Você está rosa.
– R-rosa? C-c-como assim?
– Aqui, olhe. — Ele apontou para sua bochecha, como se não soubesse o que era aquilo.
– Ah, n-não é na-nada. Às vezes eu acordo com muito calor e fico com o rosto assim. — Eu disse entre risos e caretas brincalhonas para que ele não percebesse que era por causa dele que eu estava corada.
Quem mandou ser tão lindo?
– Calor, é? — Ele colocou a mão em seu rosto, pensativo. — Legal. — Ele continuava olhando para mim daquela forma que passava de inexpressiva para expressiva. — Tchau. — Anakin, então, passou por mim, saindo do banheiro e indo para o quintal. Conclui que era para auxiliar seus irmãos com o concerto da nave.
– É...pelo menos tive um progresso. — Animei a mim mesma. Quem sabe um dia eu pudesse conseguir ter um diálogo que durasse mais do que um minuto com ele. — Triste vida. — Choraminguei.
– Você olha pro meu irmão de um jeito estranho. — Luke estava atrás de mim e eu dei um leve grito por causa do susto. — O que quer dizer aquele olhar?
– Nada! Você está doido, Luke. — Tentei disfarçar.
– Tô não. Eu percebi. Você não olha assim pra mim. Nem para Thor. Para Loki e Anakin é diferente, até a sua respiração muda...não negue!
– É-É impressão s-sua, Lu-Luke. — Forcei uma tosse. — Está insinuando que estou apaixonada?! — Falei, exaltando-me.
– Eu não disse isso, só perguntei o que significava...mas parece que você mesma se entregou! — Ele apontou para mim. — Te peguei! — Luke soltou uma gargalhada e eu devo ter virado um tomate, no mínimo.
– Pare! — Pedi. — Não é isso! Não é! — Eu tentava explicar-me, mas ele continuava rindo, até que, de repente, ele parou e olhou-me sério.
Sem querer encará-lo, entrei no banheiro e tentei fechar a porta, mas Luke foi mais rápido. Ele entrou comigo e sentou-se na pia, fechando a porta com o pé.
– O que foi agora? Vai me zoar?
– O que é zoar?
– É...brincar, zombar da minha cara.
– E isso é ruim?
– Nem sempre, mas em um momento como esse seria. — Bufei.
– Você sabe quantos anos eu tenho? — Ele perguntou, balançando-as pernas que agora estavam suspensas.
– Er, não. Dezoito?
– Vinte e três. Não parece, né?
– O que? O QUÊ?! Não pode ser! É mentira!
– Por que eu mentiria?
– Você aparenta ter a idade do meu irmão, uns quinze, no máximo! — Falei, perplexa. — Mas o que isso tem a ver? — Perguntei, curiosa. Não estava entendendo onde ele queria chegar com aquela conversa.
Antes que eu pudesse fazer mais perguntas, Luke passou um dos braços pela minha cintura, puxando-me para perto dele. Assim que ele o fez, segurou-me com suas pernas que fizeram com que escapar fosse completamente impossível.
Assustei-me e acabei ficando imóvel. Eu não sabia o que fazer. Na verdade, não conseguia entender o que ele estava fazendo e nem porquê estava fazendo.
Abri a boca para falar algo, mas foi em vão. Nenhum som saiu e eu apenas permaneci quieta, olhando-o fixamente. Luke, então, passou uma mão pela minha nuca, puxando alguns fios de cabelo que haviam escapado do rabo de cavalo frouxo que fiz para escovar os dentes.
Ele puxou-me para mais perto e fez com que nossos narizes se tocassem. Foi aí que, então, eu acordei.
– P-pa-pare c-com i-isso! — Gaguejei ao tentar falar e lutei contra os braços dele.
– Você é bonita. Tenho vontade de beijar seus lábios, sabia? Mas eu só queria ver você ficar daquele jeito comigo também. Você deve querer que Anakin e Loki façam isso com você, né? — Ele finalmente soltou-me e eu afastei-me bruscamente dele, encostando-me na parede com os braços caídos rentes ao corpo. — Desejo sorte com eles. Bye! — Ele abriu a porta e saiu todo saltitante, como se nada tivesse acontecido, deixando-me lá, assustada.
Assim que tomei coragem de sair do banheiro, Loki apareceu. Ô azar!
– O-olá.
– Saia da frente, espécie de vida inferior. Preciso aliviar-me.
– Olha só isso! — Eu bufei sarcástica. — Pode entrar, madame! O banheiro é todo seu. Frescurento de uma figa. — Rolei os olhos e saí batendo os pés.
– Midgardiana horrível.
– Epa, o que você disse aí?
– Horrível. Desprovida de beleza, compreende? — Ele falou, frio como sempre.
– O Luke disse que eu sou linda, tá? — Defendi-me.
– Ele tem o pior gosto do mundo. Desculpe desiludi-la. — Ele riu e eu, em troca, soquei-lhe o nariz com força. — O que é isso?! Como ousa? Você vai se arrepender.
– Tente me pegar! — Foi quando nossa corrida começou. Eu fugi dele por mais ou menos, dez minutos. Mas o desgraçado era muito rápido! Eu sabia que quando ele me pegasse, eu estaria perdida.
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