New Life With Aliens
3 Goodbye.
Notas iniciais
Acordei assustada graças ao terrível pesadelo que havia tido. Levei as mãos ao pescoço, ensopado de suor, massageando-o. O relógio na mesa de cabeceira indicava que já era hora de levantar-se. Eu precisava preparar os irmãos e o café de todos, por isso, era a primeira a acordar todos os dias.
Corri até a cozinha vestindo uma camisola rosa sem mangas, para começar a preparar o café da manhã. Assim que cheguei na cozinha, fiquei surpresa. A mesa já estava arrumada e lotada de alimentos, sucos e outras coisas para o café.
– O que é isso? — Perguntei para mim mesma, confusa. Olhei para o relógio do microondas e notei que era 5:40 da manhã. Ninguém deveria estar acordado essa hora por conta própria. Insônia, talvez?
– Bom dia! Gostou da surpresa? — Luke apareceu atrás do balcão, com um sorriso que faria com que qualquer um tivesse um belo dia sem qualquer complicação.
– Você fez tudo isso, Luke?
– Thor me ajudou! Nós acordamos cedo para poder concertar os últimos problemas da nave e eu decidi fazer isso para você e para a sua família.
– E onde vocês aprenderam a fazer essas coisas?
– Tinha um livro de culinária bem ali, e também, um dia, nós assistimos um programa desses com o seu pai. Valeu a pena! Agora só espero que esteja gostoso. — Ele franziu o cenho e eu dei uma risadinha.
– Está com uma cara ótima, na verdade.
– Obrigado!
– Não você, bobo. — Eu sorri ainda mais, fazendo-o me acompanhar. — Estou dizendo que a comida parece boa. Posso provar?
– Ah, por favor! — Ele deu um pulo, indo em direção à mesa. Ele passou um tipo de patê em um pão, colocou um pouco de suco em um copo, cortou alguns pedaços de queijo branco e olhou-me. — Doozo. — Ele abriu caminho para mim, mostrando-me onde eu deveria ir com seu braço.
– O que foi que você disse aí?! — Eu sorri, confusa. — Que língua é essa?
– Japonês! Quer dizer "Fique à vontade". Aprendi na televisão também.
– Entendo. Você deve ter adorado a televisão.
– É fascinante, verdade. Os humanos não são tão burros e patéticos como nós pensávamos.
– Como você é simpático, minha nossa. — Falei em tom de ironia e ele apenas sorriu. Sentei-me e comi um pouco de cada que ele havia feito e realmente, estava tudo uma delicia.
Até nisso esses alienígenas conseguem ser melhores do que nós que fazemos essas coisas durante toda a vida. É frustrante.
– E então? — Ele perguntou, ansioso por uma resposta positiva.
– Está tudo muito bom, Luke. Obrigada. — Sorri em agradecimento e vi que Luke também sorriu, enquanto olhava-me diretamente nos olhos.
Eu não gostava muito quando ele fazia aquilo. Sentia-me impotente, incapaz de correspondê-lo. Ele era mesmo muito bom para mim, divertido, muito bonito, simpático e carinhoso...Mas eu sentia que não podia.
Não só por ele ser um Asgardiano, eu só sabia que não deveria me envolver com ele. Apesar de sentir-me confusa depois do que ele fez no banheiro. Eu entendia que ele fazia aquilo só para ver a minha reação, já que não sabe o que é amor dos humanos. Mas não posso negar que não fiquei sentida, já que nunca nenhum homem se aproximou de mim daquele jeito.
O quê? Eu estou na puberdade, poxa.
Enquanto eu continuava pensando em baboseiras como essas, Luke se aproximava de mim. Eu não percebi nada, até que ele finalmente chegou muito perto de meu rosto. Eu olhei-o surpresa e ele sorriu sem mostrar os dentes. Luke, então, beijou-me no nariz.
– O que estão fazendo? — Foi quando nos afastamos bruscamente e eu joguei-me para trás, caindo da cadeira. Olhei para a porta da cozinha e notei que era Loki.
– N-nada! — Respondi rapidamente antes que Luke falasse alguma besteira.
– Luke, por favor, diga-me que não estás tendo um caso com a midgardiana Já basta Thor. — Loki falou, frio e sem expressão como sempre.
– Isso não é da sua conta, Loki. — Luke respondeu para o irmão, ríspido. De cara, eu estranhei e olhei-o sem entender. — Se eu gostar dela, e daí? O que há de errado nisso? — Luke cruzou os braços, olhando para Loki, furioso.
– Ah, céus. É por isso que eu odeio Midgard. Sempre que viemos para cá, algum dos irmãos faz alguma loucura.
– Olha só quem fala, não é, Loki? Não foi você quem quase destruiu Nova York? — Luke retrucou e foi quando a minha ficha caiu.
Eu havia ouvido falar de um grande ataque alienígena que havia ocorrido em Nova York há um ou dois anos. Ouvi falar que milhões de pessoas morreram e a cidade sofreu graves danos.
Agora, eu havia acabado de descobrir que o grande causador de tudo aquilo estava hospedado em minha casa?
– Loki... — Eu tentava tomar coragem de falar e de repende, um medo tomou conta de mim. — É verdade?
– Tive momentos péssimos e já paguei por eles. Não me olhe assim. — Ele me olhou com desprezo e eu senti vontade de chorar. Por que? Não sei.
– Você tem razão, irmão. Eu gosto mesmo de Scarllet. — Luke olhou para mim e sorriu, deixando-me sem saber o que dizer ou que expressão fazer.
– Thor já passou por isso e você sabe muito bem que não pode tê-la! Não seja tolo! — Loki exaltou-se completamente. Eu fiquei surpresa, nunca pensei que ele gritaria com o irmão e ficaria nervoso, ainda mais por causa de uma coisa tão banal.
– Isso é problema meu, não seu. Apenas fique longe de nós e nos deixe em paz. — Luke veio até mim e puxou-me carinhosamente para que eu pudesse levantar. — Falarei com Odin sobre isso. Talvez, com a permissão dele, eu possa casar-me com ela.
– Epa! Pera aí! — Eu disse, saindo de seus braços. — Luke, você está confundindo as coisas. Eu sou apenas uma menina qualquer de dezesseis anos! Eu não vou casar agora, e mais, eu não estou apaixonada por você. — Falei baixo e abaixei a cabeça. — Eu não queria te magoar, me desculpe. Só não imaginei que você gostasse de mim dessa forma, me perdoa mesmo! — Olhei-o nos olhos e Luke ficou sem reação, sequer me respondeu.
Olhei para Loki que, por sua vez, sorria discretamente. O olhar dele estava praticamente fervendo e ele aparentava estar muito feliz pela desgraça do irmão.
– O que você está fazendo é feio, Loki. — Falei após passar ao seu lado, correndo de volta para meu quarto.
Em que confusão eu consegui me meter...
***
Assim que todos acordaram, desceram direto para a cozinha para tomarem café da manhã feito por Luke. Ryan chamou-me diversas vezes, mas eu recusei. Eu não queria aparecer na frente de Luke e Loki tão cedo, assim eu não teria que fingir estar bem e evitaria que algum dos dois idiotas falasse alguma bobagem perto da minha família.
David já havia voltado e eu implorei diversas vezes para que ele não negasse o plano que contei para o papai. Ele, como sempre, brigou comigo e me ameaçou. Mas isso não importava, contanto que ele ficasse calado e não contasse a verdade. E mais, ele não deve ter acreditado muito em mim, também.
A aparição alienígena era mesmo uma história estranha para se contar para alguém.
Tomei um banho rápido e peguei a primeira roupa que vi na gaveta. Graças aos céus, era o meu último ano de colégio. Logo meus irmãos cresceriam e eu poderia ir para a faculdade e estaria livre, em fim.
Thor havia me informado que a nave estava praticamente pronta e talvez hoje ou amanhã, eles partiriam. Por um lado, fiquei triste. Eles eram muito engraçados e haviam me ajudado muito durante essas poucas semanas em que ficaram aqui, não posso negar.
– Já estão todos no carro, Scar! Venha logo! — Disse papai, lá da sala.
Tomei coragem e saí do quarto. Peguei a mochila e coloquei-a em minhas costas. Assim que estava quase chegando na escada para descê-las, esbarrei em alguém e caí no chão.
– Você se machucou? — Ouvi e olhei para cima. No mesmo instante, fiquei corada.
– A-Ani?! — Gaguejei. — Desculpe!
– Você gosta de morangos? — Lá vem. Acho que perguntas estranhas em horas erradas são genéticas.
– Gosto...por que?
– É que existem alguns desenhados em sua roupa de baixo. — Ele apontou para o meio das minhas pernas que estavam abertas.
Eu estava de saia. Merda.
– Ai. Meu. Deus. — Gritei e fechei as pernas rapidamente, escondendo o rosto com as mãos. Eu estava queimando de vergonha agora.
Ani se abaixou e apoiou-se em um dos joelhos, ficando um pouco mais alto que eu. Ele tirou minhas mãos de meu rosto e levantou-o com o polegar. Ele olhou para mim seriamente e então, sorriu torto.
– Aí está...você está rosa. Então era desse calor que você havia falado para mim antes. — Ele disse e eu fiquei em silêncio. Eu estava quase explodindo de felicidade e de vergonha. Queria sumir dali o mais rápido possível, mas havia uma parte de mim que queria ficar para que pudesse puxá-lo pela regata que usava e beijá-lo.
– Q-que c-calor? — Tentei disfarçar mas gaguejei tanto que estava na cara que era mentira.
– O que você deve estar sentindo. Posso fazer um teste?
– Teste?
– Pra ver se eu também sou capaz de sentir isso. — Ele sorriu e então, passou uma das mãos pelo meu rosto, levando-a até minha nuca. Quando lá chegou, ele puxou-me lentamente para ele e eu entendi o que ele faria.
Ele semicerrou os olhos, diferente de mim. Eu queria guardar aquela cena para sempre em meu coração e em minha memória. Seria o meu primeiro beijo. E com o cara que eu estava apaixonada desde que havia posto meus olhos nele.
Nada poderia ser melhor que aquilo e eu nunca pensei que passaria por uma coisa dessas.
Quando faltavam apenas alguns centímetros para nos tocarmos, Anakin abriu os olhos e olhou para o lado de canto de olho.
– O que é isso?! — Uma voz altíssima nos assustou, separando Anakin de mim. Quase pude sentir meu coração doer naquele momento, juro.
– Ele só ia...tirar uma migalha de pão do meu cabelo, é. Isso, isso mesmo! — Inventei qualquer coisa e falei rapidamente, tropeçando nas palavras.
– E precisava ter chegado tão perto da minha garota, Ani? — Luke olhava sério para Anakin que, por sua vez, olhou-me desentendido. Eu neguei silenciosamente, apenas balançando a cabeça.
– Ela é sua garota? — Perguntou Anakin.
– Claro! Até contei para Thor que pedirei a Odin que me deixe casar com ela. — Luke sorriu mostrando quase todos os dentes, vindo em minha direção e me levantando. Não pude negar a expressão desgostosa.
Era horrível ficar falando não para ele diversas vezes. Ele era meu amigo, acima de tudo. Não queria magoá-lo. Era difícil demais para mim ter que suportar aquilo, ainda mais agora que eu quase havia conseguido o que eu tanto queria.
Eu estava confusa, em confronto comigo mesma. Eu não queria magoar Luke, mas eu não gostava dele. Eu queria Anakin e por causa de Luke, eu perdi a chance. Eu estava morrendo de raiva daquela situação e, quando vi Loki na cozinha brigando com o irmão por minha causa, fiquei ainda mais triste. Loki era tão frio e isso me machucava muito e eu sequer sabia o motivo. Ele era assassino, frio e malvado. Mas por alguma razão que eu não sabia qual era, quando soube disso tudo que ele fez, senti-me péssima, destruída.
Em meio a tantos pensamentos confusos, comecei a chorar ali mesmo, na frente de Luke e Anakin. Ani olhou-me confuso e Luke assustou-se assim que notou que eu chorava.
– Ei, o que foi? — Luke perguntou enquanto tentava levantar meu rosto para que eu pudesse olhá-lo.
– Por que vocês são tão confusos?! Luke, entenda, eu não quero magoar você, mas eu não quero ser sua garota! — Gritei, separando-me dos braços dele. — Ani, eu quero te beijar há muito tempo! Fiquei triste por saber que Loki era malvado e fiquei ainda pior por perceber que ele não se importa comigo da forma que eu gostaria! Vocês três estão me confundindo demais! Apenas vão embora de uma vez por todas! — Gritei entre soluços graças ao choro. Os dois permaneceram em silêncio com os olhos arregalados. Eu peguei minha mochila e corri descendo a escada, indo para o colégio com meus irmãos, rezando para que quando eu voltasse da escola, eles não estivessem mais lá.
***
O dia estava chuvoso – o que não era nenhuma surpresa – mas continuava bonito. Já estava começando a escurecer e finalmente eu estava voltando para casa. Optei por voltar a pé, já que havia saído mais cedo do colégio por não ter tido a última aula hoje. Carros e ônibus passavam vagarosamente por aquela área da cidade. Haviam pessoas andando tranquilamente pelas ruas, alguns casais tentando fugir da chuva. Crianças brincavam com as poças de água. Continuei andando, pensativa. Será que eles ainda estariam lá? Eu estava tentando demorar o máximo possível para chegar em casa. Não queria encontrá-los tão cedo hoje.
Assim que cheguei, destranquei a porta, respirei fundo e entrei. Para a minha surpresa, tudo estava em completo silêncio. A casa estava um completo brinco, brilhava de ponta a ponta. Joguei a mochila no sofá e continuei andando calmamente, procurando-os pelos cômodos do andar de baixo.
– Thor? Tem alguém aí? — Chamei e não obtive resposta. Andei mais um pouco e fui até o quintal.
A nave não estava mais lá.
Senti uma pontada forte no peito. Eles haviam ido embora mesmo? E sem dizer adeus? Corri para dentro novamente e encontrei uma folha em cima da mesa. Peguei-a para lê-la.
Scarllet,
Antes de qualquer coisa, quero agradecer a sua bondade. Você nos foi muito útil, linda dama. Jamais esquecerei o que fez por mim e por meus irmãos. Sou imensamente grato à você.
Creio que saiba dos sentimentos de Luke por você, e sim, eu estava ciente. Eu pensava que a Senhorita sentia algo por ele, também. Mas, segundo ele mesmo, você nutre sentimentos por Anakin, correto?
Luke foi claro o bastante e disse que se você aceitar se casar com ele, ele perdoará a sua grosseria de hoje. Convenceremos Odin para que permita o casamento e traremos você até Asgard e algum dia, você se tornará a Rainha.
Caso esteja de acordo, use este anel em seu dedo. Luke saberá se você usá-lo e voltará para buscá-la. Porém, se aceitar, você terá de deixar Midgard para sempre, assim como a sua família.
Sei que é uma escolha difícil, portanto, daremos tempo à você.
Atenciosamente, Thor.
Assim que terminei de ler, avistei o anel que Thor citou em baixo do papel. Senti algo estranho, parecido com saudade. Eu estava triste por eles terem ido embora. Havia sido divertido passar todo aquele tempo com seres tão...interessantes e inusitados.
Porém, por mais que a saudade e a tristeza sejam grandes, eu nunca me casaria com Luke. Eu sabia que ele seria um ótimo marido, mas eu não o amava. E além do mais, eu sou só uma adolescente qualquer...como poderia ser rainha? E como poderia desistir da minha família para sempre? Realmente, não havia nem como pensar em aceitar uma proposta tão absurda como essa.
Fechei os olhos e engoli o choro quando pensei em Ani e em Loki. Eu realmente estava triste em pensar que nunca mais veria nenhum dos dois novamente, apesar de Loki sempre ter sido grosso comigo e Anakin nunca ter falado comigo direito.
Apesar de tudo isso, no fundo, eu sabia que voltaria a vê-los de novo. Eu não sabia quando, nem onde e muito menos porquê. Eu só sabia que os encontraria mais uma vez, eu sentia isso.
Só espero que não demore tanto.
Notas finais
Espero que tenham gostado, beijo!
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