New Life With Aliens
10 Scare.
Notas iniciais
Enfim, espero que gostem um pouquinho.
PS: Depois do segundo *** Loki será o narrador.
Boa leitura.
Fiquei alguns dias presa naquele hospital pela suspeita de ter ingerido veneno. Assim que tiveram a prova de que eu estava bem, me liberaram. Não quis que chamassem ou avisassem ninguém quando eu saísse. Queria um tempo pra mim mesma; um tempo sozinha. Aquele maldito sonho não saía da minha cabeça de jeito nenhum. Eu ficava horas e horas pensando naquilo e em como parecia ser tão real para mim. Por que eu tive um sonho como aquele? Por mais que eu pensasse, não conseguia encontrar uma resposta coerente. Talvez fosse complicado demais para uma mera mortal compreender.
– Senhorita Dasovic, já arrumou suas coisas? — Uma enfermeira perguntou para mim, enquanto ficava parada na porta olhando em minha direção com um sorriso.
– Sim, já estou de saída.
– Espero que se cuide, mocinha. — Ela deu uma leve risada e saiu, fechando a porta atrás de si.
Peguei minhas coisas e saí do hospital. Estava de noite, para a minha sorte; ou azar, já que em menos de uma semana eu quase havia sido morta umas duas vezes.
Ri dos meus próprios pensamentos e olhei para o céu. Era uma das únicas coisas que faziam com que eu me acalmasse, não importava a situação em que eu me encontrava. Olhar as estrelas era totalmente reconfortante e relaxante.
– Estive em Asgard e nem olhei para o céu. Como sou burra. — Ri de minha própria brincadeira, com o intuito de me animar um pouco, caso eu encontrasse alguém pelo caminho; mas por algum motivo, aquilo era em vão. Sentia como se houvesse um enorme buraco em meu peito; em minha alma.
Sentia-me horrível, completamente destruída. Vê-lo se casando foi um grande choque, sim, mas nunca pensei que ficaria desse jeito. Esse era um fato que eu já estava ciente. Loki, um dia, teria de se casar com uma deusa, uma divindade, assim como ele. Eu sabia disso. Tinha conhecimento. Embora doesse mesmo assim.
Quando notei, já estava em casa.
– O tempo passa tão rápido quando estamos distraídos. — Falei, indo em direção ao elevador.
Logo que cheguei ao apartamento de Jane, hesitei por alguns segundos. Eu não sabia se deveria voltar ali, afinal, Jane e Thor poderiam estar juntos. Esse seria o menor dos problemas, é claro. O que eu temia, realmente, era encontrar outra pessoa ali.
Não sabia o que eles haviam decidido fazer enquanto eu estava no hospital. Não sabia nem se minhas coisas ainda estavam aqui ou não. Agora, pensando melhor, não sabia nem porquê eu havia ido parar ali e não no apartamento em que Darcy me esperava.
– Talvez seja o hábito. — Bufei e coloquei a chave na fechadura, girando-a, destrancando a porta.
Abri a porta lentamente e entrei sem fazer barulho, fechando-a logo atrás de mim. Achei melhor não acender a luz para que ninguém me visse. Checaria primeiro se Jane e Thor estavam lá.
Assim que comecei a andar, pensei ter chutado alguma coisa. Estava tudo completamente escuro e eu era incapaz de enxergar um palmo que estivesse bem diante dos meus olhos. Amaldiçoei-me por ter tido essa brilhante ideia, porque eu sabia que era completamente desastrada e que, cedo ou tarde, eu faria algum barulho.
Continuei a andar lentamente, esticando os braços para a frente e para os lados do meu corpo, tentando não esbarrar em mais nada. Eu sabia mais ou menos como era o apartamento, já que fiquei lá por um tempo.
Logo após a entrada, já era a sala de estar. Do lado direito, era a cozinha. Do lado esquerdo havia uma escada que levava para os quartos e para o banheiro. Claro, mesmo sabendo onde eram todos os cômodos, haviam armadilhas pelo caminho.
Continuei indo para a direita e encontrei o balcão da cozinha. Agradeci mentalmente por saber onde estava e fui até a geladeira, abrindo-a, podendo enxergar um pouco graças à luz que a mesma produzia.
Tirei os sapatos — que faziam um certo barulho chato enquanto eu andava — e os deixei em cima de um dos bancos, em frente ao balcão, juntamente com a minha bolsa. Fechei a porta da geladeira e fui em direção à escada, caminhando lentamente para não fazer nenhum ruído.
– Onde pensa que vai?
Ouvi aquilo e dei um pulo. Fiquei estática logo em seguida e simplesmente não respondi, provocando uma risada sarcástica no indivíduo. Virei o rosto lentamente e vi um corpo jogado no sofá. Os pés caíam lentamente sobre os braços do estofado, demonstrando que era pequeno demais para o ser que estava se acomodando nele.
Não consegui ver muito bem, mas notei algo mexer-se ali, em meio à escuridão. De repente, as cortinas logo atrás do sofá se abriram, como em um passe de mágica, fazendo com que a luz do lado de fora entrasse e iluminasse uma boa parte da sala.
– Ah, é você. — Rolei os olhos, desviando-os dele.
– Surpresa. — Ele bateu palmas duas vezes, exatamente como uma criança maldosa faz quando termina de fazer travessuras com algum amiguinho. Urr.– O que faz aqui?
– Para ser sincera, nem eu mesma sei. Vim pra cá porque queria pegar minhas coisas para voltar pra casa. Jane e Thor estão?
– Ora, ora, sua tola. Acha mesmo que vai se livrar assim tão fácil de mim? Thor e Jane estão aproveitando o tempo que têm juntos. Estão lá, com a outra mortal, assim como meus irmãos.
– Mas a Jane me disse que...
– Eu sei o que ela disse; mas parece que meu tolo irmão decidiu ficar mais um tempinho para aproveitar uns momentos com Jane. Assim, talvez, ele consiga traçá-la. — Ele falou e eu olhei-o com uma cara de puro horror, com o cenho franzido. Loki, ao ver minha reação, sorriu malicioso.
– Não seja um maldito cafajeste, Loki. Thor não quer Jane como um troféu. Tenho certeza que quando eles forem fazer algo assim, será por amor.
– Oh, é claro. Com certeza. Você está totalmente certa. — Ele ainda mantinha aquele tom mentiroso enquanto quase cuspia aquelas palavras cheias de sarcasmo. — Thor a ama. Eles vão... — Loki levantou-se e começou a andar, vindo na minha direção. Por instinto, afastei-me alguns passos, enquanto ele continuava se aproximando. -...Fazer amor. — Ele semicerrou os olhos e sorriu maldosamente, assim como antes.
– Não faça essa cara de psicopata. — Fingi uma tosse, tentando desviar-me daquela situação. Ele estava deixando-me assustada. — Bom, acho que vou dormir. Boa noite. — Loki parecia ignorar tudo o que eu havia dito e antes que eu pudesse subir a escada, ele segurou meu braço. — Me solte, Loki.
– Quero conversar com você.
– Sobre o que? Conversaremos amanhã, estou exausta. — Falei e tentei soltar-me dele, mas ele resistiu e puxou-me com força, fazendo com que eu ficasse de frente para ele.
Nossos olhares se cruzaram, mas eu não estava em condições de suportar aquilo. Não agora. Desviei o olhar para um canto qualquer da sala, tentando parecer mais calma.
– O que você viu enquanto dormia? — Seu tom era calmo, mas impiedoso e frio, como costumava ser.
– Se eu não falar, não vai me deixar dormir, né? — Perguntei e ele confirmou silenciosamente, balançando a cabeça. Bufei, fechando os olhos para tomar coragem e fôlego o suficiente. — Certo. Eu apareci em Asgard e...você estava se casando. Onde já se viu, não é? Ela era realmente linda, e tal...e você parecia feliz. Tipo, realmente feliz. Como eu nunca vi antes. — Abri os olhos e sorri, mas sem deixar de fitar meus próprios pés.
– Quem era?
– Não sei se posso falar. Aí depois disso, Jane falou que ia casar com o Thor e, a Darcy ia se casar com o Luke. Bem maluco, né? Só que aí, seu pai desconfiou de mim. Não sei porquê, mas ele quis me prender. Seus guardas me agarraram e quando estavam me levando para a prisão, começou um ataque. Eram uns caras de fogo atacando todo mundo...e apareceu um doido barbudo dizendo que era meu marido. — Gargalhei e pensei em olhá-lo, mas não tive coragem. Apenas continuei fitando meus pés. — Thor disse que traí a confiança dele e me deu as costas, junto com seus irmãos, Jane e Darcy. Aquilo me machucou um pouco e eu pedi perdão à todos vocês. Mas...mesmo assim, não sei dizer se me perdoaram.
– Perdoar...pelo quê, exatamente?
– O homem que dizia ser meu marido falou que quem ordenou o ataque fui eu. Ele disse que fiquei com raiva pelo seu casamento e quis destruir tudo. — Sorri. — Por isso, pedi perdão. Ninguém parecia ter acreditado completamente, só uma pessoa. A pessoa que eu menos esperava, na verdade. Enquanto aquele cara me levava embora, me puxando pra longe, eu estiquei o braço com o intuito de segurar aquela pessoa comigo. E, para a minha surpresa, a pessoa fez o mesmo. Acho que foi a melhor parte do sonho, para ser sincera.
– Posso saber quem era essa pessoa?
– Não. Não pode.
Assim que terminei de falar, levantei a cabeça com toda a coragem que havia reunido para poder olhá-lo. Loki possuía uma expressão serena agora, como se realmente se importasse com o que havia acontecido comigo durante o meu sono profundo.
– Por que não? — Ele falou bem baixo, mas eu pude ouvir. Puxei meu braço com força, fazendo-o me soltar, agora que estava intrigado por causa do que havia acabado de ouvir.
Dei-lhe as costas e fui em direção a escada, segurando-me no corrimão da mesma para que evitasse tombos desnecessários e bem prováveis, já que ainda estava escuro.
– Você não precisa saber. — Soltei um riso razoavelmente alto para que ele pudesse escutar e entrei no quarto de Jane, trancando a porta logo em seguida.
***
Abri meus olhos e a primeira coisa que vi foi o travesseiro amassado entre meus braços. Estiquei-me com o intuito de espantar a preguiça e olhei para o teto branco. Era realmente bom sentir-se em casa. Levantei-me e percebi que estava de bom humor naquela manhã.
Abri a porta e corri para o banheiro para fazer a minha higiene matinal. Assim que terminei, prendi os cabelos em um rabo de cavalo considerado frouxo e desci as escadas. Precisava comer alguma coisa.
Desci calmamente pensando que Loki estivesse dormindo ainda, mas ele não estava lá. Procurei-o rapidamente, passando os olhos pela casa, mas não o encontrei.
– Céus, será que ele foi aprontar alguma?
Não conseguia pensar em onde ele poderia estar em um momento como aquele. Haviam tantas possibilidades e eu não sabia por onde deveria começar a procurá-lo.
Corri em direção ao quarto e troquei-me rapidamente, colocando uma calça jeans — a primeira que encontrei -, uma blusa preta simples e um tênis qualquer.
Desci as escadas correndo e saí do apartamento. Primeiro, procuraria pelas ruas mesmo. Se ele estivesse fazendo algo ruim, com certeza as pessoas estariam gritando e estaria o maior caos. Se fosse assim, seria fácil encontrá-lo.
***
– Loki, está me dizendo que a Scar apareceu ontem em casa, do nada? — Jane Foster possuía um tom de preocupação em sua voz.
– Sim. Era quase de madrugada quando ela apareceu.
– E o que houve?
– Parece que ela teve um sonho perturbador enquanto...dormia.
– Sonho? Que tipo de sonho? — Thor perguntou.
– Para ser franco, irmão...- Tentei controlar-me e apenas menti para conseguir dizer aquilo com naturalidade. — Pareceu-me mais um tipo de visão.
– Não pode ser, Loki. Ela é apenas uma Midgardiana, não possui poderes.
– Estou ciente, mas...isso pode mudar conforme a convivência dela com certas pessoas. — Não pude evitar de sorrir de canto, fazendo com que todos me olhassem de forma estranha. Preferi não concluir nada e apenas concentrei-me em não fazer isso novamente.
– Mas como você sabe que é uma visão, irmão? Ela está desconfiada disso também?
– Não. Ela apenas me contou detalhadamente o sonho que teve e havia informações nele que ela desconhece.
– Espera aí, bonitão! — A mortal que eu sempre esquecia o nome surgiu por trás de Luke para falar. — A nossa amiga contou algo detalhadamente pra você? Sério?
– O que está insinuando? — Assim que falei, ela sorriu.
– Parece que estão íntimos. — Ela arqueou ambas as sobrancelhas, ainda contendo aquele sorriso estúpido em seu rosto. Rolei os olhos e assim que fui respondê-la, o aparelho comunicador dos midgardianos tocou, chamando a atenção de todos.
Jane correu para pegá-lo e assim que colocou-o perto do ouvido, sua expressão passou de serena para assustada. Ela franzia o cenho, tentando entender o que se passava.
– Fale mais devagar, Scarllet...Não consigo entender o que você diz! Pare de gritar! — Ela falou elevando a voz, ficando em silêncio logo em seguida. Esperou por alguns segundos e ainda continuou com aquela expressão confusa.
– O que é? — Perguntei.
– Ela não para de gritar e não me ouve. Está gritando algo sobre você. — Jane resmungou, abaixando o braço, fazendo com que o aparelho saísse de seu ouvido.
Andei em sua direção rapidamente e peguei o aparelho de suas mãos, colocando-o em meu ouvido para que eu pudesse me comunicar com a loira louca. Assim que comecei a escutá-la, ela parecia mesmo uma louca. Gritava como uma, pelo menos.
– E SE ELE ESTIVER MATANDO ALGUÉM, JANE? EU NÃO SEI ONDE ELE PODE ESTAR! EU ACORDEI ESSA MANHÃ E ELE NÃO ESTAVA LÁ, AÍ EU SAÍ CORRENDO PROCURANDO PELAS RUAS E NADA. ESTOU PROCURANDO POR HORAS E NÃO CONSIGO ENCONTRÁ-LO. CHAME THOR, PRECISAMOS ENCONTRÁ-LO, JANE! ISSO PODE SER PERIGOSO. SEI QUE LOKI NÃO FARIA NADA CONTRA A HUMANIDADE DE NOVO MAS ELE NÃO SABE SE VIRAR NA CIDADE...E SE ALGO GRAVE ACONTECEU? JANE, ME AJUDE, EU...
– Eu estou aqui, mortal estúpida.
Assim que eu falei aquela pequena frase, a mortal calou-se no mesmo instante. Aquilo fez com que eu tivesse vontade de sorrir e eu não pude segurar por completo. Deixei escapar um riso que saiu mais como se eu tivesse tossido algo.
– Está ouvindo? — Falei em um tom risonho que eu gostaria de ter evitado, mas isso não estava ao meu alcance no momento. Imaginei a expressão que ela deveria ter feito em um momento como aquele e tive ainda mais vontade de sorrir.
– Quando eu chegar aí, vou arrebentar essa sua cara pálida. — Ela quase cuspiu no aparelho e desligou-o.
A mortal deveria estar muito brava e por um motivo que eu ainda não entendia, eu havia gostado daquilo. Tirei o aparelho do ouvido e fitei o chão por alguns segundos, concentrando-me para segurar a imensa vontade de sorrir bobamente como os mortais costumam fazer.
Levantei a cabeça novamente quando notei que estava tudo sob controle e entreguei o aparelho nas mãos da mortal de Thor, indo em direção ao móvel macio que eu havia usado como cama durante esses dias.
Todos olhavam para mim como se não entendessem absolutamente nada do que se passava e, por um lado, eu os compreendia. Apenas eu poderia entender Scarllet. Apenas eu poderia lidar com as loucuras dela. Apenas eu poderia suportá-la e apenas eu poderia salvá-la. Nenhum de meus irmãos teria sucesso se tentasse, agora eu compreendia isto igualmente.
Alguns minutos depois, batidas descompensadas na porta assustaram a todos. Jane levantou-se rapidamente e abriu-a, deixando que Scarllet entrasse.
Todos viraram para olhá-la e ela apenas ficou parada em frente à porta, olhando para mim. Ela estava toda desarrumada e suada. Seu cabelo estava bagunçado e suas roupas amassadas. Gotas escorriam por sua testa e eu quase pude notar um fogo dentro dos olhos dela. Se ela pudesse, estaria queimando-me naquele fogo por estar com tanto ódio de mim.
Sabendo daquilo, não pude evitar de sorrir novamente, fazendo com que todos estranhassem aquela situação, outra vez.
– Bom dia. — Eu disse e ela rolou os olhos, correndo em minha direção.
Eu sabia o que ela faria, mas mesmo assim, não evitei. Scarllet jogou-se em cima de mim e depositou inúmeros socos em meu braço, nas costelas e até mesmo na barriga. Aquilo não doía nem um pouco, pelo contrário, era bom. A expressão raivosa dela valia qualquer tipo de dor que eu viesse a sentir.
– Seu imbecil! Eu achei que você tava indo matar alguém! Retardado! Idiota! Filho da mãe! Sabe o susto que me deu? Eu vou acabar com você! E pare de rir! — Ela gritava e socava-me com mais força, mas eu não conseguia parar de sorrir.
– Eu não matei ninguém, sua tola! Só vim aqui conversar com eles! Pare de me bater, eu ordeno. — Falei, tentando me concentrar para voltar a ter o tom autoritário que normalmente tinha.
– Ordena é uma bica nesse seu traseiro branco! Eu devia quebrar a sua cara na parede até ver você sangrar, seu grande filho da mãe! Mas minhas mãos doem, você é como pedra, credo. — Scarllet finalmente parou de me bater e levantou-se, olhando feio para mim em seguida.
Nossos olhares se encontraram e nos fitamos por alguns segundos. Ela, então, fez o favor de acabar com aquilo e gargalhou. Deliciosamente. Seu pescoço arqueou levemente para trás enquanto ela gargalhava. Eu apenas baixei a cabeça e controlei-me. Não sabia porquê, mas eu estava com uma imensa vontade de rir daquela forma. Igualzinho à ela.
– Ei...nós perdemos alguma coisa? — A mortal que estava ao lado de Luke falou, fazendo com que todos se entreolhassem. Logo depois, fitaram Scarllet e eu com expressões estranhas aos meus olhos.
– Tipo o que? — Scarllet falou, ainda sorrindo.
– Vocês dois estão tão...risonhos. — Dessa vez foi a mortal de Thor quem falou.
Aquilo fez com que eu voltasse para a realidade. Scarllet parecia ter sentido o mesmo, já que havia parado de rir no mesmo instante.
– Ah, impressão sua. — Scarllet fingiu uma tosse e eu quase pude acreditar que era legítima. Quase. Ela era uma ótima mentirosa, mas eu era melhor. — Desculpem ter voltado pra casa sem avisar ninguém. Eu estava em um momento muito...ruim.
– Que momento ruim? É ótimo ver que você está bem. — A mortal de Thor e a outra correram em direção à Scarllet, abraçando-a.
Scarllet contou sobre o sonho para todos eles, assim como havia feito para mim na noite anterior. Assim que terminou de contar — ainda fazendo mistério sobre quem era a pessoa que havia esticado o braço para ela no final — ela foi em direção aos meus irmãos e os abraçou.
Thor, como o brutamontes que costumava ser, apertou-a e levantou-a em meio ao abraço. Ela sorriu satisfeita, indo em direção à Luke.
Todos sabíamos que Luke e Anakin haviam brigado pela mortal quando eram um pouco mais novos, por isso a evitavam tanto. Mas, para a minha surpresa, mesmo com todas essas confusões passadas, Luke levantou-se para abraçá-la. Ele passou a mão pela cintura dela e levou-a até o final de suas costas. Foi um abraço demorado demais e eu senti algo estranho. Queria que ele a soltasse logo. Luke não parecia querer soltá-la e, por isso, a obrigou a afastar-se dele.
Foi em direção à Anakin que também abraçou-a de uma forma estranha. Ele passava as mãos inúmeras vezes pelas costas dela, subindo e descendo. Aquilo causava risadinhas nela e causava enjoo em mim. Crispei os lábios e olhei para outro lugar, antes que eu o matasse.
– Enfim, o que acham que pode significar esse sonho? — Perguntou Scarllet, vindo sentar-se ao meu lado no móvel macio.
– Parece ser uma visão...realmente é bem estranho você saber de coisas que desconhece. — Falou Luke, olhando para os outros, que pareciam concordar.
– Foi exatamente o que eu disse. — Deixei claro, fuzilando-o com os olhos. Todos olharem-me confusos, menos a mortal de Thor e a outra morena. Elas estavam sorrindo e aquilo fez com que eu ficasse aflito.
Por que estavam sorrindo assim?
– Eu não quero que seja uma visão. — Scarllet falou tão séria que todos notaram a mudança em seu tom de voz.
– Por que não? — Perguntou a mortal morena.
– A pessoa do fim do sonho...aquela que esticou o braço para mim...Eu não quero que aquilo aconteça. Não quero ser a responsável pela destruição do lar daquela pessoa. — Assim que ela terminou de falar, senti-a apertar minha mão por baixo de um travesseiro pequeno que estava no móvel macio.
Franzi o cenho e olhei para ela, tentando entender aquilo. Foi aí que, então, ela pareceu ter entendido o que havia acabado de fazer, pois tirou sua mão rapidamente de cima da minha e colocou-a em seus joelhos.
– Ok, Scarllet. Vem aqui comigo agora! — A mortal morena levantou-se em um pulo, vindo na nossa direção e puxando Scarllet e Jane para longe. Eu e os outros nos entreolhamos, confusos.
Mortais, sempre tão esquisitas.
Notas finais
Próximo capítulo "Something new" :O
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