New Life With Aliens
8 Save me.
Notas iniciais
Ah, claro, depois do primeiro *** Loki não é mais o narrador.
Boa leitura!
Listen up
Theres not a moment to spare
Its quite a drop
From the top
So why you feeling down there
Its a cold, cruel, harsh reality
Caught, stuck, here with your enemies
Who do you think you are
Tearing us all apart
Where did you think you could go
Cuz everyone already knows
Its twenty to one
Yea so you better run
You got the world on its knees
Your taking all that you please
You want more!
But youll get nothing from me
Your like the burden with air
You love the hate that we share
You want more!
But youll get nothing from me
But enemies!
Enemies — Shinedown
Quando consegui finalmente me livrar de todos aqueles mortais estúpidos, procurei Scarllet pelos lados mas não a encontrei. Virei em direção a um barulho de um automóvel sendo ligado e foi quando notei que ela estava lá dentro, olhando-me pelo vidro com uma expressão assustada. Ela mexia os lábios, tentando-me dizer alguma coisa e eu apenas fui capaz de entender uma parcela das palavras que ela estava praticamente gritando.
– Me ajude.
Ousei dar um passo a frente e o automóvel, imediatamente, sumiu da minha visão. Eu sabia que não seria capaz de perseguir aquele veículo veloz sozinho, portanto, apenas continuei ali parado vendo para onde o veículo iria.
Olhei para os mortais jogados na calçada e procurei algo que pudesse me dar uma pista de onde estavam levando-a. Não que eu me importasse, é claro. Apenas pensei em trazê-la de volta porque eu sabia que Thor não ficaria nem um pouco feliz com aquilo, e eu não podia me meter em mais problemas. Não na situação em que me encontrava agora.
Tinha interesse naquilo por mim mesmo, apenas por mim.
Voltei para a residência da mortal de Thor, a procura de algo capaz de fazer com que eu conseguisse me comunicar com alguém. Olhei rapidamente todos os locais onde seria possível colocar um objeto como aquele, que não era muito grande. Havia visto algumas vezes, enquanto Scarllet o usava. Ele estava em cima da estante, ao lado do objeto quadrado que os mortais chamavam de televisão.
– Como se usa isto? — Coloquei o objeto em meu ouvido. — Preciso falar com Jane Foster. — Falei e esperei alguns segundos, mas não obtive resposta. — Parece que não é assim que se usa.
Olhei novamente para o objeto e vi alguns números. A tolice humana deve estar passando para mim. Os números, é claro! Eu deveria discar alguns para conseguir contatar Jane.
Abri algumas gavetas do móvel que estava abaixo do objeto comunicativo e procurei algum papel que estivesse com o número de algum mortal.
Achei um pequeno caderno cheio de nomes e números. Deve ser isto, pensei. Procurei onde estavam os nomes com a letra "J", mas foi então que lembrei que eu estava na casa de Jane, não na de Scarllet. Não conseguiria falar com Jane pelo número dela e sim, pelo número da outra mortal.
– Como era mesmo o nome? — Tentei lembrar o nome da outra mortal que estava com elas da vez em que fui trazido para cá. — Car...ly? Dar...- Coloquei rapidamente onde estavam os nomes com a letra "D" e então, encontrei um que me era um pouco familiar.
Disquei os números que lá estavam e esperei alguns segundos, até ouvir uma voz do outro lado.
– Alô?
– Preciso falar com Jane Foster.
– Ué, quem é?
– Chame-a logo, mortal estúpida. Estou com um problema.
– Oh, é o irmão do Thor, só pode. Como conseguiu me ligar?
– Foi um pouco mais difícil do que eu pensava, mas, não importa. Chame-a agora!
– Ai, calma aí, apressadinho. Não precisa gritar não! Não sou surda! Jane não pode atender agora, ela tá tomando banho, cara. Cadê a Scarllet?
– Esse é o problema, criatura estúpida. Scarllet e eu fomos atacados enquanto voltávamos do hospital. Não sei para onde a levaram e se eu quiser ajudá-la...
– PERA AÍ! O QUE VOCÊ DISSE AÍ?! Isso é algum tipo de piada? — Ela gritou.
– Parece que estou brincando? — Continuei sério e então, ouvi um barulho do outro lado. Depois daquilo, não pude mais ouvir a voz dela. Olhei para o objeto e senti uma leve irritação. Ora, ela havia me deixado falando sozinho? Como ousa?
– Loki! Ainda tá aí? Estou indo aí agora! Jane também vai! Tente contatar o seu irmão! — Ouvi a voz que parecia estar bem longe, mas ainda sim, consegui ouvir. Depois disso, ela parecia ter desligado o objeto, já que ouvi o mesmo barulho de antes quando liguei-o.
Esperei alguns minutos e quando finalmente ouvi batidas apressadas na porta, levantei-me rapidamente para abri-la. Jane e a outra mortal estavam um tanto quanto afobadas. Gritavam várias palavras absurdas e brigavam uma com a outra, dizendo que nunca deveriam ter deixado Scarllet ao meu lado.
– A culpa é toda sua, eu tenho certeza! — A mortal de Thor apontou para mim, acusando-me.
– Escute bem, eu não fiz absolutamente nada. Como ousa duvidar de mim? Apenas pensei que vocês pudessem saber onde ela está.
– Como poderíamos, seu imbecil? É você quem tem poderes aqui! — Gritou a outra.
– Eu não sei, ela não tem aqueles objetos de comunicação?
– Tem. Mas o que isso tem a ver? — A mortal de Thor ainda estava exaltada.
– Achei que vocês poderiam se comunicar com ela. De qualquer forma, esse não é um problema meu. Apenas comuniquei o acontecido com vocês. — Terminei e fui em direção ao móvel macio, sentando-me calmamente e ligando o objeto quadrado que transmitia imagens.
– Já que não vai fazer nada, chame Thor. Agora. Ele com certeza pode ajudar em alguma coisa!
– Meu tolo irmão só serve para brigas, Senhorita Foster. Ele não sabe usar o cérebro, acredite. Até mesmo uma mortal como você pode ser mais inteligente que ele. — Eu disse, com um sorriso sarcástico.
– Cale essa boca! Chame-o!
– É isso aí! Usa aquele seu cetro legal ali e chama o fortão! — Dizia a outra que ainda estava perto da porta. Ela agora sabia o que nós éramos? Jane deve ter contado.
– Por que eu deveria?
– Por favor, Loki. Você não se importa nem um pouco com o que estão fazendo com ela? — Jane entrou em minha frente, impedindo-me de ver o objeto que transmitia as imagens.
Por um instante, olhei para seu corpo. Ela era tão sem graça. Seu corpo não era nem um pouco belo, muito menos seu rosto que ele dizia ser angelical. O que havia de angelical ali? Absolutamente nada. Thor era mais tolo do que eu pensara. É verdade que eu tinha ciência de que tudo em Midgard não era belo, mas Jane deixava tudo a desejar.
– Na verdade, não. Por que me importaria?
– Chame logo ou eu quebro essa sua cara divina, ouviu bem? — A outra empurrou Jane para o lado e se aproximou de mim, com o punho cerrado bem perto de meu rosto. Olhei-a com desprezo, mas achei melhor evitar mais confusões e fiz o que elas pediram.
Assim que usei o cetro para chamar Thor, alguns segundos depois ele já havia aparecido com Luke e Anakin ao seu lado. Jane parecia estar indignada com a forma pela qual eles apareceram em sua varanda.
– O que houve, irmão? — Thor abriu o vidro que separava a varanda da residência de Jane e entrou rapidamente, vindo em nossa direção. Jane correu para abraçá-lo, fazendo-o sorrir.
– Scarllet foi...levada.
– Levada? Por quem?
– Não sei. Eu estava com ela, andando pela rua, voltando para cá. Alguns homens vestidos de preto nos atacaram e eu lutei contra eles, mas quando notei, ela estava dentro de um veículo de quatro rodas. Mal tive tempo de ir até ele e ela já havia sumido. — Pigarreei. — Voltei para cá para tentar contatar Jane, já que elas são conhecidas. Faça algo, Thor. Salve-a.
– Mas como podemos achá-la? — Luke agora havia se pronunciado e eu notei que havia pânico em seu tom de voz. Depois de todo esse tempo, ele ainda amava a mortal. Eu podia perceber.
– Anakin pode cuidar disto. Temos que encontrá-la! — Thor olhou para Anakin, que concordou balançando a cabeça, em silêncio. — Loki, precisaremos de você também. Sua mágica é impecável, irmão. Venha conosco.
– Pensei que fosse apenas um prisioneiro pela forma que esteve me tratando, Thor.
– Não, meu irmão! Isso nunca! Só queria que ela estivesse ao seu lado..
– Para evitar que eu causasse algum problema.
– Eu não duvido de você, irmão. Ajude, estou pedindo. — Olhei para todos que estavam presentes e acabei cedendo. Era melhor ter uma prova de que eu era digno de confiança. Só assim eu teria o que tanto desejava.
– Está bem.
Thor havia insistido para que Jane não fosse junto conosco, mas ela era um tanto quanto teimosa. Não aceitou aquilo e Thor acabou cedendo, deixando que ela nos acompanhasse, seguida pela outra mortal.
Seria um tanto complicado ter que cuidar delas duas também, caso a situação saísse do controle. Porém, mesmo que eu discordasse de levá-las, Thor não havia me dado atenção, como eu já esperava.
Não que eu estivesse preocupado com elas. Para mim, não importava se elas respiravam ou não. Apenas não queria ter problemas como ter que trazê-las de volta carregando-as.
Andamos até o amanhecer pelo centro da cidade procurando Scarllet, mas sem sucesso. Decidimos ir até um dos pontos mais afastados, onde não haviam muitos lugares luxuosos como os outros locais que havíamos vasculhado.
Passamos por um beco, indo em direção a algumas casas que tinham a aparência de estarem abandonadas. Anakin andava na frente e então, ele finalmente parou, fazendo um gesto para que todos parássemos também.
O beco terminava em um parque. Haviam inúmeros mortais passeando por lá; outros sentados perto de uma fonte, sorrindo como se não tivessem problema algum em suas vidas.
Anciões jogavam alguma coisa em um outro canto do parque e demonstravam estar muito concentrados. Algumas crianças corriam com balões coloridos nas mãos, sorrindo como se aquela fosse a melhor brincadeira de todas.
– Ela está por perto, posso sentir. — Anakin finalmente havia dito aquelas palavras que seriam o fim daquele nosso passeio.
– Sabe em que direção? — Perguntou Thor.
– Ao norte. Deve estar em uma daquelas casas ali, atrás do parque. — Todos olharam para as casas que ele havia citado. Elas eram como as outras que havíamos passado há pouco. Velhas, em mal estado.
Dignas de humanos.
Enquanto eles iam na direção que Anakin havia falado, eu fui rapidamente para o outro lado da fonte, antes que eles pudessem notar que eu já não os seguia mais. Quando notassem, tarde demais seria.
– Loki! Onde está Loki? — Thor girava sua cabeça em todas as direções, procurando por mim.
Quando ele finalmente notou-me, transformei-me no animal peludo que havia visto na casa de Jane outra vez. Escondi-me entre as flores ali perto e avistei Thor logo à frente, procurando-me.
– O que aconteceu, Thor? — Lá estava ela, a mortal de Thor. Só de olhá-la eu sentia desconforto.
– Loki desapareceu. — Quase pude sentir o pavor na voz de Thor ao dizer aquilo. Ele olhou para a mortal, que agora carregava uma expressão preocupada. Notei que todos eles falavam alguma coisa, cheios de preocupação, assim como a mortal.
– Mais essa agora! Loki, pare com gracinhas! Temos que encontrar Scarllet! — Luke gritava como um grande tolo, fazendo outros mortais olharem-no desconfiados. Seus gritos foram cessados assim que Thor chamou a atenção dele.
– Vamos, temos que encontrar Scarllet. Vamos rezar para que Loki não tente nada. Vamos confiar nele desta vez. — Foi o que Thor disse, antes de ir em direção às casas que Anakin havia citado.
Por alguns instantes, eles hesitaram; mas acabaram seguindo Thor. Era óbvio que com aquele tolo no comando, eles nunca encontrariam a mortal. Foi então que me ocorreu que deveria encontrá-la primeiro. Essa seria uma grande prova da minha astúcia e inteligencia. Talvez assim, eles finalmente me reconhecessem, como eu devidamente merecia.
Saltei para longe das folhas e andei majestosamente, ainda na forma do animal. Avistei um outro beco distante e senti algo que me dizia para checá-lo.
Quando cheguei, avistei uma escada que dava acesso à uma janela um tanto quanto alta para mim agora. Entre saltos, consegui subir e olhei pela pequena janela.
Havia um lugar sujo, com algumas mesas e cadeiras velhas. Um homem estava sentado em uma das cadeiras, de costas para mim. Vasculhei o canto direito e nada lá havia. Assim que vasculhei o esquerdo, surpreendi-me.
Havia um mortal lá, preso contra a parede.
Graças à escuridão do local, eu não fui capaz de saber quem era. Teria de me aproximar mais para poder ter certeza se era a mortal por quem procurava, ou não. Para a minha sorte, o vidro estava um pouco aberto. Tive que forçar um pouco para poder passar por baixo dele, para finalmente conseguir entrar. Aproximei-me do homem e notei que ele estava adormecido. Menos trabalho. Não terei que matá-lo.
Por enquanto.
Fui em direção ao mortal que estava de cabeça baixa e adormecido, assim como o outro. Quando cheguei mais perto, fui capaz de reconhecer. Era mesmo quem eu procurava.
Estava machucada nas mãos e no rosto, que sangrava em algumas partes. Aquilo deixou-me cheio de ódio e eu mal pude entender o porquê.
***
Acordei sentindo algo peludo encostar em meu braço. Olhei melhor e percebi que era um gatinho preto de olhos verdes. Sorri apenas por ver algo agradável em um momento como aquele.
– Olá, amiguinho. Como veio parar aqui? Você deve sair, aqui é um lugar muito ruim. — Sussurrei, fazendo-o olhar para mim de uma forma estranha.
Ele olhou para mim e eu pude perceber que ele não era um animal normal. Não, com toda certeza, não era. Ele me olhou com carinho, com piedade. Aqueles olhos estavam expressando tantas coisas que, em um momento como aquele, eu não conseguia descrevê-las. Senti tantas coisas ao olhar aqueles olhos verdes, mas permaneci quieta, ainda fitando-o, como se estivesse hipnotizada.
– O que você...é? — Falei um pouco mais alto, ainda indignada com os sentimentos que estava sentindo graças àquele animal.
– Que que tá resmungando aí, pirralha? — Aquele homem imenso que, anteriormente dormia, agora estava vindo na minha direção. Tentei esconder o gatinho me arrastando para sua frente. Eu não sabia o que aquele marmanjo enorme poderia fazer, caso o encontrasse.
– Nada, estou apenas pensando alto.
– Até quando terei que aguentar você, ein? Vou falar pro chefe aumentar a dose daquele veneno lá. Parece que aquela outra não te derrubou, né. — Ele disse, soltando um riso exagerado logo depois, como se estivesse se divertindo com a minha situação. Bom, ele deveria estar mesmo, de certa forma. Essas pessoas não costumam ter sentimentos de compaixão.
Enquanto eu pensava nessas besteiras, o gatinho saiu de trás de mim e ficou na minha frente, encarando o homem.
– Mas que caralho é isso? De onde essa porra saiu?! Ele é seu?! — Ele olhou para mim, irritado.
– Não...ele apareceu aqui. — Apontei com o queixo para um canto qualquer do local onde eu me encontrava.
– Xô, bicho! Some daqui! — Ele fazia um gesto para tentar espantar o gatinho, que ainda permanecia estático olhando para o homem. — Tô mandando você sair daqui, gato inútil! — O homem levantou uma das pernas, dando a entender que chutaria o pobre bichano. Aquilo fez com que eu sentisse um ódio descontrolado.
– Não machuque ele! É só um gatinho! — Gritei.
– Cale essa boca, vagabunda! — Ele veio em minha direção e segurou meu rosto com força, olhando-me nos olhos. — Apesar de tudo, você é uma belezinha, sabia? Pena que é chata desse jeito e esteja fadada a morrer aqui, juntinho comigo. — Ele sorriu cheio de malícia e eu achei que fosse vomitar. — Sabe o que eu gostaria de fazer com você, pirralha? — Aquele nojento passou a mão por uma das minhas pernas e subiu até minha coxa, fazendo-me espernear para que ele tirasse suas mãos sujas de mim. — Fique parada, vadia! Eu deveria foder você até você cair morta, vagabunda. É, é isso que eu deveria fazer com você. O que acha? Uma boa ideia, né?
Ousei olhar nos olhos dele, que ainda sorria maliciosamente. Tentei soltar-me das mãos dele, mas ele era mais forte que eu. Foi aí que, então, cuspi em seu rosto.
– Sua vadia! — Ele rosnou e virou o rosto, empurrando-me contra a parede. Assim que ousei levantar a cabeça para olhá-lo, ele deu-me um tapa forte. Senti minha pele começar a arder, mas permaneci em silêncio.
Ouvi uma pequena risada e olhei-o novamente, assustando-me. Havia algo atrás dele. Ou melhor, alguém. Alguém muito grande. Eu não fui capaz de ver quem era porque não havia iluminação o bastante, até que então, o pescoço do homem que havia me batido foi torcido.
Ele caiu no chão, completamente desacordado aos meus olhos.
– Ele...está morto? — Gaguejei ao falar e olhei novamente para a pessoa que estava ali, bem em frente ao meu corpo. — Você...como entrou aqui?
– Feliz por me ver novamente? — Ele deu um passo a frente e eu pude finalmente ver quem era. Nunca pensei que diria isso, mas, eu estava inexplicavelmente feliz em poder ver aquelas íris verdes outra vez.
Não disse nada, apenas continuei fitando-o. Ele bufou e abaixou-se, ficando próximo de mim. Loki passou a mão pelo meu rosto com o cenho franzido, sem perder a seriedade que já era familiar para mim.
– Você está muito machucada. O que fizeram com você? — Ele dizia com um tom sereno em sua voz e, desta vez, não havia nenhuma ironia ou sarcasmo em seu tom. Ele realmente parecia estar preocupado e tudo que eu conseguia absorver dele era afeição.
Claro, eu já deveria estar em pleno estado de alucinação.
– Nada que importe. — Sorri. Sorri como se não sorrisse há anos; como se aquele fosse o momento mais feliz da minha vida. E realmente era. Eu não sabia porquê, mas eu estava imensamente feliz por vê-lo.
– Ele falou sobre veneno. Você ingeriu algum líquido?
– Não que eu me lembre...mas eu fiquei desacordada por muito tempo. Não sei o que eles fizeram.
– Entendo. Irei cuidar disso quando sairmos daqui. Afinal, por que te trouxeram aqui? — Ele dizia enquanto tentava tirar as algemas de minhas mãos sem machucar-me.
– Falaram algo sobre a S.H.I.E.L.D! Queriam saber quais eram os seus planos contra a Terra e me perguntaram porquê eu estava com você. — Tudo que eu via agora eram os ombros largos dele, que estavam bem próximos do meu rosto. Não pude evitar de encostar minha cabeça em um deles, procurando por um mísero conforto que não tinha há algum tempo.
Quando finalmente ouvi as algemas se quebrarem, levantei meus braços e enlacei o pescoço de Loki. Ele permaneceu quieto e para a minha surpresa, não reclamou.
– Eu sabia que você ia aparecer. — Eu resmunguei, mas tive certeza que ele ouviu, já que suspirou. Quando senti o conforto do corpo dele, não pude resistir e acabei chorando em silêncio.
Eu finalmente estava a salvo.
– Não estou te salvando por interesse em você, mortal. Eu só fiz isso para provar a minha astúcia, ouviu bem? Não confunda nada...
– Certo, Loki. Está bem. Você só quer se mostrar superior, não é?
– Exatamente. — Ele disse. Eu apenas sorri e não disse mais nada.
Por que será que eu não acreditava naquilo?
Loki levantou-se, segurando-me pelo braço, puxando-me para cima para que eu me levantasse também. Porém, assim que fiquei de pé, senti-me tonta e pensei que cairia novamente se ele não tivesse me segurado.
– Estou completamente tonta.
– Pode ser porque ficou muito tempo sentada aqui no escuro. Vamos, tente andar.
Assim que me distanciei um pouco dele, achei que cairia novamente e procurei desesperadamente algo para me segurar. Quando encontrei, ousei olhar o que era e senti meu rosto ficar quente. Era a mão de Loki.
– Viu? Eu disse. — Ele continuava com a expressão serena de antes, mas agora, ele segurava a minha mão. Senti uma imensa vontade de sorrir novamente, mas me controlei.
– Sim, obrigada. Como vamos sair daqui? — Tentei mudar de assunto e ele soltou minha mão, virando-se para olhar o lugar em que estávamos, procurando alguma saída. — A única porta é aquela ali. — Apontei para a porta vermelha, fazendo-o olhá-la.
– Tenho uma ideia. Fique aqui. — Ele disse, indo em direção ao homem enorme que havia assassinado. Falando assim, eu deveria estar apavorada com o que Loki havia feito; mas eu não estava.
Ele puxou o homem pelo braço até o fim do quarto em que estávamos — que tinha mais a aparência de um porão — e jogou o homem atrás de uma mesa, colocando algumas cadeiras na frente. Haviam algumas caixas de madeira empilhadas ao lado da mesa, impedindo a visão de quem entrasse. Para alguém conseguir encontrar o homem, teria de ir muito perto da mesa. Isso nos daria tempo o suficiente para fugir.
Assim que ouvi alguns passos em minha direção, virei rapidamente, cheia de alegria, pensando que fosse encontrá-lo; mas na verdade, dei de cara com o brutamontes de antes. Olhei-o e arregalei os olhos.
– O que você fez com ele?! — Gritei e acertei-lhe um soco no nariz, fazendo grunhir e colocar uma das mãos no nariz. — Loki, cadê você?! — Eu ainda gritava enquanto corria até o fim do quarto, onde eu imaginava que Loki estivesse.
– Eu estou aqui. Sou eu, sua tola! — Olhei para trás quando ouvi a voz de Loki, mas foi aí que, então, fiquei surpresa.
Era o brutamontes quem falava.
– Ué...como?
– Eu consigo mudar minha aparência, mortal estúpida! — Ele gritou, com ódio em sua voz. Aquela expressão eu já conhecia, era mesmo ele.
– Desculpe. — Fui em sua direção e pensei em tocar seu nariz, mas ele virou o rosto. — O que pensa em fazer? — Perguntei, curiosa.
– Apenas observe e não reclame. — Ele passou as mãos enormes do homem pela minha cintura, levantando-me. Colocou-me sobre um dos seus ombros e caminhou comigo em direção a porta.
Tentou abri-la, mas como eu já imaginava, estava trancada. Loki resmungou alguma coisa que eu não fui capaz de entender e deu algumas batidas na porta.
Esperamos um pouco e logo ela se abriu. Haviam dois homens bem menores do que esse que Loki estava fingindo ser. Ele poderia acabar com ambos se quisesse, mas não o fez.
– A pirralha tá querendo ir ao banh....- Ele tossiu. — Ela tá querendo mijar. Vou levar ela lá. — Ele usou palavras que normalmente não usava, como se fosse mesmo um humano normal.
– Certo. Vamos com você.
– É melhor ficarem. O chefe pode aparecer.
– É, tem razão. Patrick, fique aí. Eu vou com ele. — Um deles falou e deixou que Loki passasse, seguindo-o de perto.
Andamos por alguns momentos e quando finalmente chegamos ao banheiro, Loki colocou-me no chão. Ele olhou para a porta e pediu que eu entrasse. Foi o que fiz.
Quando entrei, notei que estava sozinha. O lugar estava muito limpo e haviam inúmeras janelas abertas, fazendo com que a luz do sol fosse capaz de passar por ali, iluminando o local. Fui até a pia e abri a torneira, passando um pouco de água pelo meu rosto. Quando ousei olhar para o espelho, notei que estava pior do que imaginava. Havia muito sangue sobre o meu rosto e até em meus cabelos.
Eu estava horrível.
Tentei tirar tudo aquilo apenas com a água, mesmo sabendo que seria impossível. Tirei o máximo que pude do sangue e então, ouvi um grito rouco vindo de fora do banheiro.
Olhei para a porta, assustada, quando ela abriu rapidamente. Loki entrou puxando o homem que havia vindo conosco por sua camisa, jogando-o perto de uma pia do lado oposto em que eu me encontrava.
– Temos que sair daqui. Agora. — Ele disse, vindo em minha direção. — Eles devem ter ouvido os gritos.
– Você é muito delicado. Devem ter ouvido mesmo! — Brinquei, esperando provocar alguma reação nele, mas sem sucesso. Ele deveria estar sério demais para poder expressar alguma coisa e, mesmo sabendo disso, não pude deixar de ficar um pouco chateada.
Balancei a cabeça em negação para espantar esses tipo de pensamentos. O que eu estava pensando, afinal? Em tentar agradá-lo? Loki era um deus. Eu já estava em uma grande vantagem só por ele estar me ajudando.
Enquanto eu pensava, Loki passou uma das mãos pela minha cintura, puxando-me para mais perto dele. Olhei-o desentendida e surpresa. Ele olhou para mim e eu pude sentir um arrepio tomar conta do meu corpo.
Eu não conseguia me controlar ao lado dele.
– O que está fazendo? — Desviei o olhar e falei tão baixo que achei que ele não ouviria.
– Te tirando daqui.
Loki levou-me até uma janela e encostou um dos dedos no vidro, fazendo-o virar areia sem qualquer esforço. Arregalei os olhos quando vi aquilo e ainda sim, não pude acreditar. Ele, então, segurou-me com mais força e simplesmente pulou em direção ao telhado da outra casa a nossa frente.
Assim que chegamos no telhado da casa, olhamos para trás e vimos que haviam alguns homens com armas em nossa direção.
Olhei para ele com os olhos arregalados, que agora estava com seu cetro em mãos. Ele apontou-o para onde os homens estavam e simplesmente disparou, causando uma explosão no local.
– Corra. — Ele segurou minha mão novamente, puxando-me para longe dali.
Corremos pelos telhados por algum tempo e quando finalmente chegamos em uma casa qualquer, Loki parou. Ele olhou para baixo e em seguida, olhou-me de cima a baixo. Não haviam mais casas por perto e o telhado havia terminado.
– O que foi? — Perguntei.
– Pule.
– O quê?! — Perguntei, enquanto franzia o cenho. — Tá maluco?
– Pule agora! — Ele gritou e empurrou-me com uma das mãos, fazendo com que eu me desequilibrasse e caísse.
Eu, com certeza, me quebraria inteira; portanto, fechei os olhos. Seria pior se eu ficasse com eles abertos.
Quando finalmente toquei em alguma coisa, senti que não era o chão. Abri os olhos e notei que estava sim caída, mas Loki estava em baixo de mim.
Seus lábios estavam tortos e ele fazia uma cara de desaprovação que me fez rir.
– Achou que fosse morrer, não é? — Falou em tom de deboche.
– Lógico! Diferente de você, humanos morrem com facilidade, idiota. Nunca mais faça isso, fiquei com muito medo. — Falei, apoiando-me no chão, com o intuito de me levantar. Assim que olhei para o rosto dele, percebi que estava mais perto do que eu podia imaginar.
Fiquei algum tempo fitando-o e para a minha surpresa, ele fez o mesmo. Não tentou me tirar de cima dele, não me xingou e nem me empurrou. Não sei por quanto tempo exatamente ficamos daquele jeito, mas logo fomos interrompidos por uma voz um tanto familiar.
– Scarllet! — Deixei de olhá-lo e virei o rosto na direção da voz que chamava meu nome. Era Darcy, e ela estava acompanhada de Jane e Thor, sem esquecer de Luke e Anakin, que não pareciam estar felizes. — Você está bem! — Ela correu em minha direção e ajudou-me a levantar, abraçando-me forte logo em seguida.
Retribuí o abraço, ainda olhando Loki de canto de olho. Ele deu leves batidas em sua roupa, tentando tirar algumas manchas que lá estavam por causa da nossa maratona.
– Loki, venha até aqui. — Thor falou com seriedade em seu tom, deixando todos tensos. Não era comum vê-lo falando daquela forma. Loki, por sua vez, parecia não se importar com aquilo, mas seguiu o irmão até um lugar movimentado, fazendo com que todos fossemos na mesma direção.
– O que é? — Loki perguntou, cheio de arrogância.
– Como ousa sumir assim em um momento como esse? Eu já não lhe falei que ninguém sabe que está aqui, irmão? Por que insiste em não fazer o que digo? Sempre faz com que tudo seja mais difícil, irmão. Por que sempre precisa complicar tudo?
– Vocês são lerdos demais. Apenas provei que sou melhor que os três, outra vez. A mortal era o que queriam e aí está ela. E não me diga que não sabem que estou aqui. Quem a raptou foram mortais que trabalham para a S.H.I.E.L.D! Eles estavam querendo saber quais eram os meus planos para destruir Midgard. — Loki olhou para mim, mas não havia nada de mal em seu olhar desta vez. Não para mim, pelo menos. — Acharam que ela era minha aliada. — Ele sorriu com sarcasmo.
– Não estou ciente disto, irmão. Se está dizendo a verdade, conversarei com Fury sobre este absurdo e exigirei para que se desculpe com você e Scarllet. Perdoe-me, irmão. Apenas fiquei preocupado.
– Pare com todo esse sentimentalismo para cima de mim, Thor. — Loki abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas ele ficou mudo assim que seus olhos foram em outra direção dos de Thor. — Cuidado! — Ele gritou e correu até mim, empurrando Darcy para o lado e abraçando-me. Ele praticamente se tornou um escudo para mim e foi então que pude ouvir.
Eram tiros.
Todos olharam surpresos para a cena e Thor correu para proteger Jane e Darcy. Os tiros não os afetavam diretamente, portanto, era inútil que atirassem contra eles.
– Cessar fogo! — Gritou um dos homens. — Opa! Olha só quem são! Nossos queridos amiguinhos alienígenas! — Ele gargalhou, fazendo Loki largar-me e virar-se de frente para eles, deixando-me atrás dele. — E também temos nosso criminoso preferido! Como vai, Loki?
– Humano! Pare agora! Fury está ciente sobre o que está fazendo? — Thor levantou-se, vindo para o lado de Loki enquanto Luke e Anakin levavam Jane e Darcy para um lugar seguro.
Oi, estou aqui também! Esqueceram de mim?!
– Fury pediu para que eu ficasse de olho em você depois de falar com ele. Você pediu para que ficássemos com o Tesseract, mas esqueceu de dizer que trouxe seu irmãozinho criminoso com você, né? Acha que somos burros, Thor? O único burro aqui é você. — O homem apontou para Thor, que não estava com uma cara nem um pouco agradável.
– Loki já pagou por seus crimes e não pretende nada contra Midgard. Apenas está aqui porque estamos com problemas em Asgard e ele precisou vir conosco. Logo iremos embora, não queremos confusão alguma com o seu povo.
– É o que você acha? Um criminoso nunca deixa de ser um criminoso. Olhe bem pra ele. Acha que ele não planeja nada? Um cara como ele não viria aqui somente para umas férias com uma loirinha gostosa. Já disse, Thor, não somos burros.
– Se é isso que temem, posso garantir que não planejo nada. — Loki falou com o tom superior de sempre.
– Você deve permanecer preso enquanto estiver aqui, meu caro. — Um dos homens apareceu com uma arma bem estranha em mãos, entregando-a para o chefe. — Creio que se lembra bem dessa beleza aqui. O Agente Coulson deu a você o prazer de conhecê-la, estou certo? Ou você vem com a gente sem resistir ou eu meto bala em você e no seu irmão fortão aí. Sem esquecer da beleza loira que você tem aí atrás.
Loki olhou-me discretamente e eu balançava a cabeça negativamente, sussurrando um "não" para que ninguém além dele notasse. Em seguida, ele olhou para Thor, que fechou os olhos e nada disse.
– Abaixe a arma, vamos conversar...- Começou Thor, indo em direção ao homem que manejava a estranha arma.
– Parado aí, bonitão. Não queremos conversa, não. Só pegamos a gatinha ali porque sabíamos que o seu irmãozinho iria salvá-la. Ou melhor, não sabíamos, apenas arriscamos. Assim que vimos os dois pombinhos juntos uma tarde, desconfiamos que eles estivessem juntos, e parece que acertamos. — Ele olhou para mim, que estava no chão, agora desprotegida, já que Loki havia seguido Thor, indo em direção ao homem com a arma. — Tive uma ideia melhor, Loki. Que tal isso? Se não vier com conosco, eu meto bala nela. — Ele sorriu e eu tremi. — Uma arma normal já a mataria. O que será que essa faria com ela? Quer descobrir?
– Não ousaria fazer isso. — Loki rangeu os dentes.
– Quer apostar? — Ele colocou um dos dedos no gatilho, apertando levemente. Uma luz acendeu e a arma fez um barulho, como se estivesse sendo carregada, fazendo Thor arregalar os olhos e olhar para Loki, sem saber o que fazer.
– Não! Pare com isso. Eu irei! — Loki gritou, fazendo todos olharem-no surpresos, inclusive o chefe. O mesmo sorriu e tirou o dedo do gatilho, fazendo-me suspirar fundo graças ao alívio.
– Bom garoto. Coloquem a algema que trouxemos apropriada pra ele. — O homem ordenou aos outros, que atenderam rapidamente à sua ordem.
Quando eles estavam prendendo as mãos de Loki, o mesmo desapareceu. Todos olharam confusos ao redor, procurando-o. Até mesmo Thor parecia ter ficado surpreendido, mas logo entendeu o truque e sorriu, correndo para longe.
Esqueceram de mim outra vez! Ô, merda!
Levantei-me sem tentar chamar muita atenção e tentei correr para o lado oposto do deles. Eu com certeza não conseguiria chegar onde todos estavam, já que teria de passar pelo meio da multidão, fazendo com que todos me vissem.
– Olha lá a garota, chefe!
– Atirem nela! — Ele gritou e eu fechei os olhos, sem parar de correr. — Atirem!
– Não! — Gritou Loki, que estava ao lado de Thor.
Assim que ouvi os disparos, fui derrubada. Senti uma dor imensa em um dos braços e na perna, fazendo-me incapaz de correr mais. Abri os olhos e tudo o que eu via era o chão abaixo de mim.
Virei-me de barriga para cima, olhando para o céu. Se fosse terminar assim, pelo menos eu estaria olhando algo agradável.
– O que há com você? — Ouvi aquela voz e virei o rosto, surpresa. — Por que fez isso? Sua tola. Será que não pode deixar de fazer tolices nem por um segundo?
Loki estava ao meu lado, caído no chão. Ele levantou-se parcialmente, ficando com seu tronco por cima de mim para olhar para meu rosto.
– Você está ferido? — Falei mais baixo do que pensei ter falado, mas eu sabia que ele entenderia.
– Estou bem. Venha, temos que sair daqui.
– O que você fez? — Levantei um pouco o pescoço e notei uma fumaça cobrindo o local onde os homens estavam.
– Explodi todos eles. — Ele sorriu e passou um dos braços pela minhas costas, segurando minhas pernas com o outro; exatamente como da outra vez.
– Princesa do pântano novamente? — Brinquei e então, senti ainda mais dor nos ferimentos. Tossi sangue logo em seguida e gemi por causa da dor, fazendo Loki olhar para mim. Eu podia jurar que havia preocupação em seu olhar, apesar de saber que não era verdade. — Estou com frio. — Resmunguei. — Eu...não quero morrer.
– Você não vai. — Ele parou de olhar para mim e levantou-se, andando em direção aos outros.
– Não sou forte como você. — Sorri.
– Não vou deixar você morrer, sua tola.
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