New Life With Aliens
9 Dream or Reality?
Notas iniciais
E uma coisa muito importante: QUERO AGRADECER A PRIMEIRA RECOMENDAÇÃO DA HISTÓRIA! Obrigada, Rafha-chan, sua linda! Significa muito para mim!
Mudei a capa pela milésima vez, mas ainda não estou satisfeita com ela e_e ódio.
Enfim, boa leitura. ♥
PS: Depois do primeiro *** Loki será o narrador.
Acordei e notei estava em um lugar diferente. Diferente de tudo que já havia visto em toda a minha vida. Era um lugar majestoso e muito bonito; chegava até a brilhar aos meus humildes olhos.
Fui em direção ao maravilhoso castelo dourado e quando estava me aproximando, notei que haviam inúmeras pessoas do lado de fora. Todos eram irreconhecíveis para mim até aquele momento, mas assim que me notaram, cumprimentaram-me como se eu fosse uma velha conhecida. Não pude fazer nada além de retribuir e acenar amigavelmente para todos aquelas pessoas, que não pareciam ser míseras pessoas. A maioria usava vestidos belíssimos que, aos meus olhos, podiam ser chamados de medievais; mas ainda sim, sem perder sua beleza.
Procurei por algum rosto familiar por ali, mas não encontrei. Continuei andando entre àquelas pessoas, com a esperança de entender porquê eu estava ali. Foi aí que, então, surpreendi-me. Vi um rosto familiar, ou pensei ter visto.
Ela havia passado rápido demais e haviam inúmeras pessoas na minha frente, dificultando ainda mais a minha visão. Notei que ela entrou no castelo e então, não pensei duas vezes, apenas segui-a. Assim que tive a chance de olhar mais atentamente, confirmei minhas suspeitas.
Era mesmo Jane.
Ela estava fabulosa. Vestia um vestido longo de coloração bege, que combinara muito bem com seu tom de pele. Ela sorria alegremente para outro rosto que me era um tanto familiar; era Thor. Ele estava muito bonito, assim como Jane. Ele sorria e acariciava o rosto da mesma, que sorria cada vez mais a cada toque do deus.
Logo atrás de ambos, avistei Luke e Anakin. Ambos estavam acompanhados de mulheres maravilhosas que eu nunca havia visto na vida. Anakin estava com um cabelo bem mais comprido do que eu poderia me lembrar; ele sorria carinhosamente e discretamente para a garota ao seu lado, que fazia o mesmo, mostrando estar envergonhada com a situação.
Luke, por outro lado, gargalhava e falava alto, provocando risos nada discretos na companheira; tal comportamento havia chamado a atenção de um Senhor, que eu imaginei ser Odin.
Estavam todos tão felizes e bem arrumados. Havia tanta gente naquele local naquele momento que, graças a isso, imaginei ser um evento importantíssimo. Olhei para os lados, procurando o filho que faltava.
Primeiramente, não tive sucesso. Acabei encontrando com Darcy, que sequer prestou atenção em mim ou cumprimentou-me. Ela apenas correu na direção de Jane e abraçou-a, deixando-me sem reação e bem longe deles.
Confesso que tentei me aproximar de todos, mas hesitei. Não sabia como havia ido parar ali, nem porquê estava ali. Se tivesse sido convidada, por que ninguém havia falado comigo? A propósito, como eu havia ido parar lá? Eu com certeza não estava na Terra. Mas Jane e Darcy também estavam lá. Eu realmente não conseguia entender o que estava se passando. Será que eles não conseguiam me ver?
Com esse pensamento em minha mente, dei o primeiro passo em direção aos meus conhecidos. Assim que consegui fugir da multidão, ficando bem no meio do local que parecia mais um pátio, todos se afastaram, deixando-me bem no meio, sozinha, enquanto faziam um círculo em volta de mim.
Fiquei surpresa e não entendi aquilo; apenas continuei olhando com os olhos arregalados para todos e foi aí que, então, todos começaram a bater palmas. Virei para poder olhar para quem eram esses aplausos e quando vi, pensei que morreria.
Loki entrava no local de braços dados com uma mulher. Ambos sorriam como se estivessem completamente apaixonados um pelo outro. Notei que até nos olhos dele havia um brilho desconhecido para mim e, aquilo doeu. Senti meus olhos marejados, mas eu não podia chorar. Não, não mesmo.
A mulher tinha uma expressão amável e bondosa; era de baixa estatura — o que tornava Loki ainda maior perto da mesma -, seus olhos eram azuis esverdeados, que lembravam duas pedras preciosas. Os olhos dela brilhavam, exalavam vida, amor e ao mesmo tempo, luxúria. Havia algo de sagrado neles, que podia ser visto de longe sem qualquer esforço. Seus cabelos claros emolduravam seu rosto. Mostrava ser alguém de carácter arrebatador, sem deixar de exibir suas formas voluptosas enquanto caminhava. Notei que havia trazido consigo um colar, que com certeza era mágico, já que havia uma pedra que brilhava de uma forma incomum, assim como seus olhos claros.
Era, realmente, maravilhosa.
Eu estava sentindo uma dor ainda pior agora, depois de vê-la nitidamente. Eu nunca chegaria aos pés dela, nem em meus sonhos mais distantes. Parecia uma linda e frágil boneca de porcelana. Ainda sim, apesar disto, parecia-se como uma verdadeira princesa. Seu olhar era cheio de sabedoria e ponderação, como o olhar de algum sábio que já conhecia muito bem todas as histórias que o tempo trazia consigo.
Embora emanasse feminilidade, era perceptível em seu rosto que, era uma guerreira excepcional, sem dúvidas. Venerável como uma guerreira experiente, coroada com muitas batalhas que foram vencidas e ao mesmo tempo, vigorosa como uma guerreira experiente no auge de sua força. Não havia dúvidas nos talentos de guerreira que ela possuía.
Loki e a mulher vieram em minha direção e sequer olharam-me. Era como se eu não estivesse lá, assim como antes quando Darcy havia passado por mim. Loki levava a mulher segurando-a pelo braço com carinho, de uma forma que eu nunca havia visto antes.
Ambos foram em direção à Odin, que logo pediu silêncio no local. Loki olhava com ternura para os olhos da mulher, que apenas sorria, como se aquela fosse a resposta que ele mais ansiara.
O vestido da mulher era realmente maravilhoso. As mangas eram douradas e caiam de uma forma que deixava ambos os ombros expostos. Havia um espartilho com uma colaração que lembrava salmão, e aquilo moldava ainda mais seu belo corpo. A parte de baixo do grande vestido caía em ondas que pareciam de seda, indo até o chão. Usava o colar de antes e brincos que combinavam claramente, dando um aspecto ainda mais divino para a mulher.
Enquanto todos posicionavam-se em seus devidos lugares, ouvi algumas conversas de garotas que estavam ao meu lado. Decidi prestar atenção, para tentar entender o que se passava ali.
– Freyja é tão sortuda de se casar com ele! — Uma delas disse, suspirando.
– Quem diria, não é mesmo? Ninguém poderia imaginar que alguém como Loki se casaria antes de Thor.
– Nossa última chance está perdida. Agora, todos os príncipes já estão noivos ou casados. — Choramingou.
– Tens razão. Nada poderemos fazer quanto a isso.
– Peguei-me imaginando como eles seriam na cama! — Uma delas falou, fazendo a outra sorrir. Aquilo provocou alguns gritos entre as outras garotas que também ouviam a conversa.
– Exemplares, sem dúvidas. — Respondeu uma delas, fazendo as outras sorrirem ainda mais.
Aquilo me deixou muito brava. Bufei, rolei os olhos, bati um dos pés no chão com força e saí de lá rapidamente. Eu precisava ficar longe daquelas grandes imbecis, antes que estrangulasse cada uma delas.
Ninguém deve pensar no Loki nu. Só eu.
Odin, assim como a multidão à sua frente, ajeitou-se visivelmente em seu lugar ao ver seu filho andando pelo corredor. Loki estava muito elegante em sua impressionante armadura, que continha tons em preto e verde escuro, suas cores preferidas. O deus sorriu para todos à sua volta enquanto andava até seu pai, sendo seguido pela mulher ao seu lado.
– Loki Odinson, você está aqui, diante de mim e do reino em que cresceu, para casar-se com sua futura esposa. Você jura amá-la, respeitá-la e protegê-la, por toda a eternidade? — O próprio Odin quem dizia aquelas palavras para Loki e foi só então que minha ficha caiu.
Ele estava mesmo se casando.
– Eu juro. — Loki respondeu, como um verdadeiro cortês, tentando cativar ainda mais a dama ao seu lado. Aquela voz que antes era tão fria, agora continha calor em seu tom.
– Que assim seja. Estamos reunidos aqui hoje para celebrar o casamento de Freyja e Loki, na frente de seu Rei e de todo o seu reino. De hoje em diante, suas vidas estarão unidas pela eternidade, jurando amar e cuidar, apoiando um ao outro. Loki, qual é a sua promessa à Freyja?
– Freyja, minha amada. Eu aceito-a como minha esposa. Peço para que compartilhe sua vida comigo, quero que me dê a honra de chamá-la de minha e, assim, você poderá me chamar de seu. — Ele segurou as mãos dela, sem deixar de olhá-la nos olhos. — Deste dia em diante, nos apoiaremos nos dias felizes e nos mais sombrios, com amor e carinho, na saúde e na doença. E, como prova do meu compromisso e amor por você, dou-lhe este anel. — Ele colocou cuidadosamente e lentamente um anel dourado com um diamante em seu dedo.
– Freyja, qual é a sua promessa à Loki?
– Loki, meu amor. Prometo que serei uma esposa que irá honrá-lo e amá-lo sem limites. Serei o seu escudo quando você precisar, como também serei sua espada. Estarei sempre ao seu lado, nos dias felizes e nos mais sombrios, caminhando ao seu lado na luz ou na escuridão. Estaremos juntos na riqueza ou na pobreza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe. Amarei você até meu último suspiro. Amarei você neste mundo e em outros. Amarei você nesta vida e nas próximas, nunca serei infiel e nunca irei abandoná-lo. A partir de agora, eu sou sua; apenas sua. Como símbolo da minha promessa, concedo-lhe este anel. — Com as mãos ainda trêmulas, colocou lentamente o anel de ouro em dedo, sentindo as mãos dele apertarem as suas com delicadeza.
– Com os votos que ambos fizeram na frente de todas as suas testemunhas, eu os declaro marido e mulher. Curvem-se diante do rei, para que eu possa dar-lhes a bênção.
Então, ambos fizeram o que Odin havia ordenado. Assim que receberam a bênção, todos gritaram e aplaudiram, como se aquele fosse o dia mais feliz para Asgard. E até deveria ser, já que agora o único filho que dava problemas estava se casando e fazendo promessas apaixonadas para a mulher que estava ao seu lado.
Eu não queria mais ver aquilo. Não sabia o que sentia por Loki, e tinha consciência de que nunca poderia ser eu no lugar dela, mas mesmo assim, era o que eu queria no momento. Estou fadada a ter azar durante toda a minha vida quando se trata de homens? Por que eu não posso tê-lo? Só porque eu nasci em um lugar inferior do que ele? Não era justo. Nem um pouco justo, e isso me deixava muito irritada.
Baixei a cabeça, fitando meus próprios pés, enquanto pensava em tudo isso. Eu estava confusa, sentia um desgosto enorme tomar conta do meu peito. Eu precisava mesmo ir embora dali, o mais rápido possível.
Atravessei aquela multidão e fui em direção à enorme porta do castelo. Não havia sido notada antes, não seria agora que me notariam. Era o que eu pensava.
Assim que coloquei minhas fracas mãos na porta com intuito de abri-la, ouvi um forte assovio. Que eu saiba, deuses não estavam acostumados a fazer aquilo, portanto, chamou minha atenção. Olhei para trás, surpresa, e agora todos olhavam para mim.
– Scarllet, é você mesmo? — Thor abriu um sorriso enorme, olhando para os três irmãos, que não retribuíram. Jane parecia estar muito feliz depois de me ver, assim como Darcy. — Venha até aqui! — Ele falou, gesticulando.
– Sim, sou eu... — Sorri falsamente. — Não, eu..já estou de saída.
– Fico feliz que tenha vindo assistir o casamento de Loki. É uma pena que você precise voltar para Midgard. — Ainda era Thor quem falava. Os outros pareciam estar enojados pela minha presença.
– É, é uma pena. Jane e Darcy vão voltar quando? — Não sei porquê perguntei aquilo, apenas saiu sem que eu pudesse pensar melhor.
Eles se entreolharam e olharam para mim novamente, ainda deixando-me sem resposta. Jane parou de sorrir, fazendo com que Thor e Darcy fizessem o mesmo.
– Nós não vamos voltar, Scar. — A voz doce de Jane, desta vez, não fez com que a frase doesse menos assim que a escutei. Elas eram as únicas pessoas que eu conhecia, as únicas que eu podia chamar de "amigas" e mais, eu estava com tremenda inveja de ambas. Elas poderiam ficar em Asgard com eles?
– Você vai ficar porque vai se casar com Thor, certo? — Eu perguntei e ela confirmou silenciosamente, balançando a cabeça. — Mas e Darcy? Ela não vai se casar! Por que ela não vai voltar comigo?
– Ela vai se casar também, Scar. Com Luke.
Aquela frase fez com que eu estranhasse tudo aquilo à minha volta. O quê? Darcy e Luke, juntos? Isso não fazia sentido algum.
Franzi o cenho enquanto olhava para eles boquiaberta, esperando alguma explicação. Olhei para Darcy que dava sorrisinhos discretos para Luke, que correspondia. E aquela mulher de antes ao lado dele? Quem era?
Quanto mais eu pensava, mais confusa ficava.
– Basta! Quem é esta? — A atenção de todos foi tomada pela poderosa e rouca voz que tomou conta do local. Era Odin.
– Meu pai, esta é a mortal que nos ajudou enquanto estávamos em Midgard. Ambas as vezes. — Thor olhou para o pai, sorrindo como uma criança.
– Oh, então era desta criança que tanto falara para mim, Thor?
– Sim, meu pai. Ela veio para Asgard participar da cerimônia de casamento de Loki.
– Se é assim, seja bem vinda à Asgard, Senhorita.
– Obrigada...Vossa Majestade. — Eu não sabia como me portar em uma situação daquela, ainda mais com alguém como ele, que era um rei de verdade.Era tão esquisito. Se eu estivesse em meus dias normais, poderia chegar e dizer algo como "Valeu aí, tio." Mas não, isso não contava como uma opção em um momento como esse. — Eu já estou de saída. Sinto muito ter atrapalhado a cerimônia. — Olhei para Loki com todo o rancor que guardei durante todo aquele tempo que assisti aquela tortura psicológica. Loki apenas olhava-me, como se sentisse pena de mim.
Tive vontade de voar em seu pescoço e matá-lo naquele instante.
– Espere um momento. — Odin ordenou e eu apenas obedeci, virando todo o meu corpo em sua direção. — Thor deixou claro que não sabia que você estava aqui, senhorita. Vieste de Midgard, portanto, vieste sozinha, estou certo?
– Sim, Meu Senhor.
– Se é assim, quem foi que te trouxeste? — Assim que ele terminou aquela frase, todos olharam para mim com os olhos arregalados. Eu não sabia do que eles estavam desconfiando, nem porquê. Mas era mesmo muito estranho estar ali em um lugar como aquele, sem pelo menos alguém ao meu lado.
– Eu gostaria de saber também. Apenas me lembro de algumas coisas. Lembro de ter desmaiado depois de fugir dos agentes da S.H.I.E.L.D. e de repente, acordei aqui, vestida dessa forma. Acham mesmo que eu teria vindo aqui para o casamento dele? — Apontei para Loki.
– Quais são seus propósitos aqui? — Odin tinha ainda mais seriedade em seu tom. Frigg gesticulou e sussurrou algo para Thor, que negava inúmeras com as vezes com a cabeça. Como eu estava longe, não fui capaz de ouvir a conversa. Os outros apenas me olhavam desconfiados, assim como antes.
– Nenhum! Eu não sei porquê estou aqui, mas já estou indo embora. Com licença. — Voltei meu corpo em direção à porta, mas fui impedida por alguns guardas com armaduras brilhantes. Franzi o cenho e olhei para Odin, desolada.
O que ele estava pensando?
– Não, meu pai! Isto só pode ser um engano! Scarllet nunca faria algo assim para nós! — Thor agora estava posicionado em frente à seu pai, falando em um tom desesperado. Odin apenas olhava para o filho sem sequer importar-se com o que o deus falava.
– Como tens tanta certeza, Thor?
– Ela...não poderia fazer isto.
– Dá pra alguém me explicar o que que tá acontecendo aqui? — Gritei, chamando a atenção de todos novamente. Eu estava sendo levada para algum lugar pelos guardas brutamontes. Com a maior facilidade do mundo, eles haviam segurado meus braços e tirado-me do chão.
– Midgardiana, quem foi que te trouxeste aqui? Esta é a última vez que perguntarei. Diga-me a verdade e talvez, será poupada.
– Epa! Pera aí! Como assim "talvez será poupada"? Eu já disse! Não sei como vim parar aqui! Só quero ir embora!
– Não pode ser verdade. Midgardianos não possuem poder para vir aqui, meu pai. — Dessa vez, foi Luke quem falou.
– Disto eu já estou ciente, meu filho. — Odin respondeu sereno e voltou a olhar-me mortalmente. — Será melhor se disser quem foi que fez isso, Senhorita.
– Mas eu já falei que não sei! — Continuei rebatendo os braços em tentativa de fazer aqueles gigantes me largarem.
Assim que Thor ia dizer alguma coisa novamente, ouvimos um estrondo do lado de fora do castelo. Alguns gritaram, assustados. Thor olhou para a grande porta de ouro que estava logo atrás de mim e em seguida, olhou para seu pai.
– Vão todos vestir as armaduras, é um ataque! — Ordenou, fazendo com que os quatro filhos corressem para um lugar afastado.
Jane, Darcy e a noiva de Loki também correram atrás deles, seguidas por outros que conclui serem guerreiros também. Os guardas jogaram-me em um local afastado e assim que foram sair, Odin chamou a atenção deles.
– Não! Antes, prendam-na. Se não conseguirmos capturar ninguém, ela pagará pelos crimes que estão sendo cometidos contra Asgard.
– O quê? Por que eu?! O que eu fiz?
– Foi você quem os trouxe aqui, Senhorita.
– Quem que eu trouxe?!
– O povo de Muspelheim.
– Povo da onde?
– Lar dos demônios de fogo, liderados por Surt. Todos em seus postos! — Odin gritou, levantando-se e indo em direção ao grande portão do castelo. Logo em seguida, Thor e outros guerreiros estavam logo atrás de Odin, inclusive Jane e Darcy. Elas poderiam morrer ali, o que elas estavam fazendo?
– Não vão! Vocês podem se machucar! — Gritei para que elas pudessem ouvir, já que estava um maior auê ali.
Ambas olharam-me com desgosto e vergonha, assim como Loki havia feito minutos antes. Aquilo me machucou imensamente. Eles realmente estavam pensando que eu levei aqueles caras pra destruir tudo?
– Traíste minha confiança, mortal. — Thor falou severamente e aquela frase foi como uma forte tapa em meu rosto. Olhei para ele, desamparada, como se implorasse para que ele não duvidasse de mim, mesmo sabendo que seria inútil fazer isso agora.
Odin finalmente abriu o portão e todos correram para fora, sendo seguidos de muitos guardas e outros guerreiros que eu não conhecia. Ousei ir até lá e olhar o que estava acontecendo.
– Oh, meu Deus...o que é isso?
Haviam criaturas enormes que possuíam fogo ao redor do corpo. Uns muito grandes, outros nem tanto. Haviam outras criaturas medonhas que eram estranhas para mim, também.
Thor usava seu Mjolnir, batendo sem misericórdia naqueles monstros de fogo. Loki usava seu cetro e também magia. Todos lutavam bravamente, deixando-me boquiaberta.
Andei mais um pouco para fora do castelo e quando notei, já estava no meio do campo de batalha. Olhei para os lados procurando alguma escapatória. Eu precisava sair dali rapidamente. Não sabia lutar, não tinha poder nenhum e se continuasse ali, morreria esmagada por eles.
– Ali está ela, Surt! — Um dos monstros grunhiu, fazendo um homem enorme e barbudo olhar para mim. Ele veio em minha direção em passos lentos, puxando-me pelo braço em direção à ponte que eu estava antes.
– Temos que sair daqui, minha rainha. Temo que perderemos.
– Epa, pera aí, senhor barbudo! Sua o quê?
– Minha rainha, perdeu a memória novamente? Não podemos continuar aqui ou seremos mortos. — Ele continuava puxando-me fortemente pelo braço.
– Como assim eu sou rainha? Você fumou? — Tentei soltar-me, mas ele era imensamente mais forte do que eu. Apertou meu braço com mais força, impedindo-me de fugir, puxando-me para bem perto dele.
– Pare de ser mal educada, minha senhora. Queres ficar aqui para morrer pelas mãos dos Asgardianos? É isto que queres?
– Só quero entender o que está acontecendo!
– Explicarei em casa. Venha, estou ordenando!
– Não! Eu quero saber agora! — Dei-lhe um chute e ele grunhiu raivoso, rangendo os dentes em seguida. Soltou-me e eu caí sentada na ponte, olhando para ele com os olhos arregalados.
– Muito bem. Sou Surt, seu esposo. Há tempos fui até Midgard procurando um trapaceiro e ele estava aos seus cuidados. Fizemos um acordo, nós dois. Você se tornaria minha esposa e eu deixaria o seu querido deus da trapaça em paz. — Ele falou com sarcasmo, sem deixar de sorrir. — Assim que os Asgardianos voltaram para seu planeta natal, fui até lá novamente procurando minha noiva. Nos casamos e assim que soubeste que o deus da trapaça estava casando-se, ficou raivosa e ordenou um ataque à Asgard.
– Não...não pode ser verdade! Eu nunca faria isso! Eu nunca machucaria ninguém daqui, nunca!
– Não estejas tão certa disto, minha senhora. Esta é a mais pura verdade. — O homem continuava olhando-me malicioso, cheio de maldade em seu tom de voz. Ele parecia estar satisfeito por saber que eu havia ordenado o início daquela confusão.
– Você está mentindo para mim! Só pode estar mentindo! Eu...não faria uma coisa dessas! — Assim que falei, olhei para trás e vi alguns jardins de Asgard em chamas.
Aquele imenso caos era por minha causa?
Ao pensar nisso, lágrimas correram pelo meu rosto. Será que eu realmente havia feito tudo aquilo? Quem era esse homem na minha frente? Será que era mesmo meu marido? Eu só poderia ter vindo aqui com a ajuda de alguém, mas porque não me lembrava de nada? Será que ele dizia a verdade? Aquela dúvida estava fazendo o meu coração doer ainda mais. Será que, por puro ciúme e inveja, eu havia sido capaz de fazer aquilo com o homem que amo e com sua família?
Baixei a cabeça e chorei em minhas mãos, sem saber o que fazer ou o que pensar. Permaneceria assim por muitas horas se eu tivesse opção, mas o homem barbudo não me deu chance. Ele segurou-me pelo braço novamente e puxou-me com força, fazendo com que eu me levantasse. Embora eu não tivesse mais nenhum tipo de força, nem para ficar de pé.
– Temos que ir agora! — Ele gritou e eu não respondi, apenas continuei chorando e fiquei com a cabeça baixa. Alguns gigantes de fogo apareceram no final da ponte, gesticulando para que nós dois fôssemos mais rápidos.
Surt continuaria puxando-me, se não tivesse sido interrompido por uma voz familiar para mim.
– Solte-a, Surt! — Levantei a cabeça para olhar e vi que era Thor, com Jane ao seu lado e todos os outros que eu costumava chamar de "amigos".
– Por que deveria soltar minha esposa? — A voz do gigante era a única no local naquele momento. Todos ficaram chocados com as palavras dele, inclusive eu. Olhei para ele com as sobrancelhas arqueadas, olhando logo depois para Thor e os outros.
Loki estava com uma expressão de ódio bem óbvia. Ele parecia estar bufando e haviam alguns machucados em seu rosto. Eu teria corrido até ele para cuidar dele, mas Surt segurava-me forte demais para que eu pudesse fugir.
– Sua esposa? Do que está falando? — Dessa vez era Loki quem falava. Só por ouvir a voz dele, eu acabei sorrindo discretamente, mas eu sabia que ele e os outros haviam percebido graças aos olhares que me lançaram.
– Isso mesmo, deus da trapaça. Abandonaste-a em Midgard e eu resgatei-a. A fiz minha por direito. Dei-lhe um reino, dei-lhe poder! Agora, já não és mais necessário. A propósito, qual a grande preocupação que tens por minha esposa? Talvez você apenas tenha se casado com Freyja por pensar que a mesma era, ninguém menos, que a minha amada esposa? — Assim que terminou de falar, Surt gargalhou maldosamente ainda sem tirar os olhos de Loki, que não havia dito nada.
– Pessoal...me perdoem. — Choraminguei. — Não me lembro de nada, mas ele me disse que fui eu quem ordenou esse ataque. Se for mesmo verdade, me perdoem. Imploro de todo o coração. Nunca quis fazer nenhum mal à vocês...me perdoem, por favor. — Olhei para eles com lágrimas escorrendo de meus olhos, implorando para que eles me perdoassem. Eu estava sentindo-me péssima por ter feito uma coisa horrível como aquela.
– Não peça perdão. Acreditamos que você não faria uma coisa dessas. — Pensei que todos entenderiam, menos quem disse aquela frase. Era Loki.
Fiquei surpresa por ouvir algo como aquilo dele. Todos os outros também pareciam surpresos, até mesmo Odin que estava ao lado de Loki.
– Obrigada. — Sorri carinhosamente, olhando-o fundo nos olhos. Eu estava feliz por ele confiar em mim, apesar de eu mesma não confiar mais.
– Já basta! Venha logo, temos de voltar! — Gritou Surt, arrastando-me com ele para o fim da ponte até o outro lado.
Continuei olhando Loki e os outros, vendo-os diminuírem cada vez mais. Estiquei meu braço em uma inútil tentativa de conseguir segurar as mãos de Loki. Ele apenas olhava-me com o cenho franzido, como se estivesse machucado tanto quanto eu.
Todos deram as costas para mim, menos Loki. Sua esposa rapidamente chegou ao seu lado, falando algo em seu ouvido. Logo em seguida, ela seguiu os outros. Conclui que ela deveria ter vindo chamar Loki para que ele acompanhasse seus irmãos.
Ele deu alguns passos para trás, mas não deu-me as costas. Ficou alguns segundos olhando para mim, assim como eu olhava para ele. Foi aí que, então, ele me surpreendeu. Ele esticou seu braço em minha direção, assim como eu havia feito antes, como se pudesse segurar-me. Como se pudesse impedir-me de ir embora. Aquele gesto fez com que eu sorrisse.
***
– Quando ela vai acordar, ein? — Dizia a mortal escandalosa que havia me ameaçado da outra vez.
– Já era pra ela ter acordado. É tão estranho. — Dessa vez foi a mortal de Thor quem falou.
– Os médicos disseram alguma coisa? Ela não corre perigo, não é?
– Não, Darcy. Devemos deixá-la descansar, vamos embora. — Jane pegou um objeto que levava sempre consigo que as mortais chamavam de "bolsa", colocou-a em seu ombro e foi em direção à porta, gesticulando para que a outra a seguisse. — Você também, Loki. Devemos sair agora.
– Eu vou ficar.
– Não, você não pode. Tem horário próprio para visitas, entende? Temos que ir.
– Eu faço o que eu desejo, mortal. Vou ficar. — Respondi sem sequer olhá-la, mas ela não insistiu outra vez e saiu, sendo seguida pela outra.
Eu estava sentado ao lado da cama de Scarllet. Ela estava dormindo há alguns dias, sem qualquer sinal de que estivesse viva. Aquilo, por um motivo que eu desconhecia, estava me deixando aflito. Se ela respirasse um pouco mais fundo, eu já me assustava e sem sequer notar, torcia mentalmente para que ela acordasse logo. Sentia-me completamente desconfortável por vê-la naquela situação. Às vezes, ela franzia o cenho, como se estivesse tendo um sonho ruim.
– Acorde logo, suas conhecidas mortais estão...preocupadas com você. — Eu disse baixo, com a esperança de que ela escutasse e voltasse logo. Segurei uma de suas mãos com cuidado para não machucá-la, já que ela parecia estar bem mais frágil do que aparentava normalmente.
Assim que segurei sua mão, senti-a apertar levemente a minha. Olhei diretamente para seu rosto e notei que lágrimas escorriam de seus olhos, mesmo que estivessem fechados.
Não compreendia o que estava acontecendo com ela, e a cada segundo que se passava, era ainda mais confuso para mim. Ela, então, apertou minha mão com mais força e logo em seguida, abriu os olhos.
Senti um sentimento estranho dentro de mim. Era como se meu coração pulasse. Não havia como explicar de outra forma, era como se realmente meu coração tivesse dado um grande salto. Levantei-me rapidamente e fiquei em pé de uma forma que ela pudesse me ver.
Quando nossos olhares se encontraram, ela arqueou as sobrancelhas e soltou minha mão rapidamente, virando o rosto, como se estivesse escondendo-se de mim.
– O que houve?
– Vá embora. Não quero ver você agora. — Sua voz estava com um tom choroso e ela gaguejava ao falar.
– Por que está triste?
– Não deveria estar com a sua esposa, Senhor? — Ela soluçou e olhou-me com raiva. Notei que ela chorava ainda mais agora, apesar de estar completamente nervosa.
– Esposa? Não tenho esposa.
– Ainda. Logo vai ter. — Ela sorriu, mas eu conhecia aquele sorriso sem emoção. Aquele sorriso falso. Conhecia-o com a minha vida, já que eu era obrigado a fazê-lo todos os dias da minha existência sem sentido. — Só vá embora. Estou implorando. — Ela disse e voltou a dar-me as costas, escondendo o rosto em suas mãos.
– Isso não vai ficar assim. Por agora, eu irei. Mas não pense que não conversaremos sobre isso. — Eu disse, indo em direção à porta. Pensei que não seria bom nem para mim e nem para ela se eu tentasse discutir agora. Simplesmente fiz o que ela pediu e deixei-a sozinha.
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