New Life With Aliens
6 My Prince.
Notas iniciais
boa leitura!
– Não. Você ficará aqui, com ele. Eu irei ficar com Darcy por enquanto. — Ela se aproximou de mim e segurou minhas mãos, apertando-as levemente. — Obrigada, mesmo. — Sorriu e eu não pude deixar de retribuir, apesar de estar em completo pânico.
Pensei ter notado alguma alteração na voz de Scarllet quando a preciosa de Thor levou-a até a cozinha, tentando esconder a conversa de mim e da outra mortal que estava ao meu lado. Obviamente, elas nunca imaginariam que eu possuia uma bela audição e mesmo com uma certa distância, eu era capaz de escutar tudo o que conversavam.
– De nada, Jane. Só espero que ele não me mate. — Ouvi um leve riso de uma delas e logo depois outro, sendo seguido por mais algumas palavras inúteis que não me interessei o bastante para escutar.
Essa seria uma ótima chance para finalmente conseguir o que tanto anseio há tanto tempo. Só não tinha certeza se seria sábio de minha parte tentar fazer algo contra Midgard em um momento como este. Não havia se passado tanto tempo assim desde o meu desentendimento com Midgard e, por isso, os mortais ainda se lembravam muito bem de mim e de meus feitos, que poderiam ser chamados de "terroristas", como os mortais dizem.
Mesmo com todos os pontos negativos, e com um plano tão arriscado, não permitia-me ter a opção de desistir.
Talvez, ainda não seja a hora de governar Midgard. Ainda.
– Darcy, vamos. — Dizia a mortal de Thor, fazendo um gesto para a outra que estava quase deitada no móvel macio. — Tenho que trabalhar e você precisa estudar. — Ela, então, virou-se para a mortal loira. — Scarllet, mais tarde, Darcy trará seus livros e suas roupas, certo? Assim você poderá continuar estudando.
– Não precisa trazer tudo, só algumas trocas de roupa. Não ficarei aqui por muito tempo. — Ela resmungou e olhou para mim com cara de desgosto. Ora, como ousa olhar-me dessa forma, sua mortal desprezível? – Eu espero, né.
A mortal que estava deitada sobre o móvel macio finalmente levantou-se, correndo até a porta para ficar ao lado da mortal de Thor. As duas despediram-se da loira, saindo do apartamento logo em seguida.
A mortal fechou a porta e trancou-a, olhando para seus próprios pés enquanto a trancava. Assim que o fez, veio em direção a onde eu me encontrava e sentou-se onde a outra mortal estava deitada minutos antes.
– Parece que somos só eu e você. — Ela deu uma risada que eu notei ser por uma brincadeira, ou algo do tipo. Não a respondi, apenas continuei olhando para o objeto grande e quadrado que transmitia imagens coloridas. — Você parece ter achado a TV um tanto quanto interessante, né? Não me lembro que você tenha gostado tanto da outra vez que viu uma, lá na minha casa.
– Obviamente era porque a sua era minúscula comparada à essa; e também, a imagem era péssima.
– Você é tão simpático, minha nossa. — Ela olhou para mim com o cenho franzido.
– Você está me elogiando mesmo depois de eu ter criticado algo que pertence à você?
– Foi uma ironia, Loki. — Ela sorriu.
Mortais...nunca conseguirei entendê-los.
– Ah, ironia... — Por que, exatamente, ela estava sendo irônica?
– Bem, como seremos obrigados a ficar aqui por um ou dois dias, o que acha de dar uma volta pela cidade? — Ela virou-se em minha direção, colocando uma das pernas sobre o móvel. — Claro que teremos que comprar roupas adequadas para você. Seria notado facilmente se continuasse com essa roupa de super herói aí. — Ela sorriu.
– Super Herói? Estou mais para vilão.
– Sério mesmo que vai tentar me convencer que é mau, Loki? Não perca seu tempo.
A mortal não disse mais nada depois daquilo e eu olhei-a intrigado. Era isso que ela pensava a meu respeito? Ela não tinha medo de mim, isso eu já havia notado. Só gostaria de entender porquê. Ela teria inúmeros motivos para sentir-se acoada em minha presença; para tremer de medo caso eu depositasse meu olhar impiedoso em seu frágil corpo.
– Por que me olha assim? Não sei o que os outros fizeram pra você, mas eu tenho certeza que bem no fundo, você não é mau. Só quer atenção, como um bebê. — Ela sorriu. — Tem algumas roupas que Thor usou quando veio pra cá no quarto de Jane. Vá lá e coloque, vamos sair.
– Para onde vamos?
– Comprar roupas para você e visitar alguns lugares. Apenas passar o tempo.
– Ei, mortal. Por que acha que eu vou obedecer aos seus comandos?
– Que comandos, Loki? Estou fazendo um favor pra você, seu idiota. A propósito, meu nome é Scarllet! Acho que você se lembra, né? Levanta logo daí e vai pegar uma roupa!
A mortal puxou-me pelo braço, fazendo com que eu levantasse do sofá. Ela levou-me até o quarto da mortal de Thor e empurrou-me lá para dentro, fechando a porta atrás de si.
Vasculhei alguns locais, procurando pelas vestimentas que Scarllet havia falado. Encontrei apenas roupas com um tom rosado e alguns tecidos curtos e bem abertos nas duas extremidades.
– Não estou encontrando nada que sirva para mim aqui, mortal. — Falei um pouco mais alto para que ela pudesse escutar. Logo em seguida, ela abriu a porta e olhou para a peça de roupa que eu tinha em mãos, soltando uma gargalhada após fitar aquela peça por alguns segundos.
– Isso é uma saia! — Ela disse, entre risos.
Thor havia vestido aquilo?
– Ah, uma saia. Como se coloca isso? — Ousei perguntar enquanto virava a peça e tentava colocar em meus braços. Quem sabe, poderia ser um tipo de bracelete de tecido.
– Isso é só para mulheres, idiota! Larga isso! — Ela correu até mim, arrancando a peça de meus braços.
– E onde vocês usam isto?
– Aqui. — Ela colocou a peça em frente ao seu quadril, olhando-me logo em seguida.
– Não é curto demais?
– Precisamente. Não imagino uma garota como Jane usando isso. — Ela jogou a peça para longe, que caiu em algum canto do quarto. — Talvez ela tenha comprado para usar especialmente quando Thor estivesse aqui. — Ela sorriu de uma forma que eu não havia visto nenhuma outra vez anteriormente e, por algum motivo que desconheço, senti uma estranha sensação em meu ventre.
Olhei para meu próprio corpo, indignado. O que era aquela sensação?
– Achei! Olha só! — Ela retirou algumas peças de dentro do grande objeto de madeira. — Uma camisa branca e uma calça jeans clara. Está ótimo, veja se serve! — Jogou as peças em mim e sentou-se na cama, como se estivesse prestes a assistir um show muitíssimo esperado.
– Essas peças são horríveis. Não as usarei.
– Sei que não são o seu estilo, mas é só por enquanto. Vamos comprar outras roupas pra você assim que sairmos daqui, relaxe! Agora coloque logo isso aí. Estarei te esperando lá na sala, ok? — Ela levantou-se em um pulo e correu para fora do quarto, fechando a porta ao sair, assim como da outra vez.
***
Minha paciência estava sendo testada ao limite durante aquele dia que, para mim, parecia ser interminável. Durante todo o caminho que fizemos, a mortal encontrava um conhecido em cada esquina. Em algumas horas, não éramos mais só nós dois e sim, uns dez ou quinze mortais. Todos eles pareciam se divertir imensamente ao lado da loira que, por sua vez, correspondia às risadas e às piadas dos outros, sorrindo como uma verdadeira tola.
Estive esperando a chance perfeita para puxá-la para longe daquele bando de primatas risonhos, mas não estava sendo fácil. Sempre que pensava ter alguma oportunidade perfeita, algum mortal tolo entrava em meu caminho e brincava com ela, distraindo-a ainda mais de nossos verdadeiros objetivos.
Andamos até um cruzamento e um dos mortais teve a brilhante ideia de entrar em um restaurante, segundo o próprio. Teríamos de atravessar uma avenida um tanto quanto movimentada por seus veículos de quatro rodas.
Essa seria a minha única chance de tentar levá-la para longe deles.
Enquanto eles esperavam para que pudessem atravessar, puxei Scarllet por um dos braços para um beco que havia ali por perto, sumindo da vista de todos os outros mortais.
– O que está fazendo?! — Ela tentou soltar-se de meus braços enquanto eu apenas a prendia contra a parede.
– Até quando terei que suportar esses inúteis? Você disse que compraríamos coisas para mim. Andamos praticamente o dia todo, enquanto você se divertia com esses primatas. Eu ordeno que você os deixe agora. — Eu disse, deixando de apertá-la tão forte nos braços.
Ela riu.
– Você quer dizer que se sente deixado de lado? Ficou magoado por ser ignorado pelos "primatas"? — Ela continuou rindo e eu pude notar o deboche. — Como você é fofo. Não se preocupe, irei me despedir de todos e iremos às compras. — Aproximou-se de meu rosto e depositou um beijo no mesmo, fazendo com que eu me afastasse bruscamente dela, soltando-a. — Ai, que gatinho assustado. Relaxa, eu não mordo. Vamos lá, vou me despedir. Não posso simplesmente sumir.
– Por que não?
– Notariam que sumimos e provavelmente diriam um monte de besteiras, coisas bem desagradáveis ao nosso respeito.
– Por exemplo?
– Que fugi para dar uns pegas em você. Ou vice-versa.
– Uns pegas? O que isso quer dizer, exatamente?
– É melhor você não saber por enquanto. Anda, vamos lá. — A mortal segurou minha mão, indo em direção ao tal restaurante, fazendo-me segui-la enquanto ela apenas sorria como uma completa tola.
Assim que entramos, os outros mortais nos avistaram e fizeram um gesto para que nós dois fôssemos até eles. Scarllet levantou uma das mãos, cumprimentando-os, puxando-me na direção deles.
– Onde foram? — Uma das mortais perguntou, sorrindo da mesma forma estranha que Scarllet havia sorrido para mim enquanto ainda estávamos no apartamento.
– Eles foram se comer, ué! — Um deles gritou alto, fazendo todos os outros gargalharem logo após de ouvirem aquilo.
– L-lógico que não! — Scarllet forçou uma tosse e apertou minha mão, olhando-me de canto de olho. Ela parecia estar desconfortável.
– Você está bem? — Sussurrei em seu ouvido para que apenas ela pudesse me ouvir.
– Ihhhh, olha aí! Sussurrando coisas calientes ao pé do ouvido! Parece que foram mesmo aproveitar, ein?
– Parem com isso! Não é nada disso!
– Então é o que? — Uma outra mortal com cabelos avermelhados perguntou, cheia de curiosidade em seu olhar.
– É que...ele disse que precisava ir pra casa. E como ele é minha carona, falou para que eu me despedisse rapidamente de vocês. — Ela mentiu descaradamente e sequer fraquejou. Fiquei um tanto quanto surpreso, na verdade. Ela tinha um talento e tanto para mentiras, assim como...
O que eu estou pensando em dizer? Comparar-me com algo como ela? Devo estar louco.
– Poxa, sério, Scar? Que pena! — Um dos mortais exclamou, levantando-se rapidamente. Ele veio em direção a ela, fazendo com que nós dois nos separássemos.
Scarllet soltou minha mão e o rapaz passou seus braços em volta do pescoço dela, puxando-a para perto de seu corpo. Ela sorriu com ternura e abraçou-o em resposta, dizendo algo que não pude ouvir.
Ou talvez eu apenas não quisesse escutar.
***
– Scarllet! — Loki praticamente gritou, fazendo todos olharem-no, surpresos. Ele mantinha aquele tom impiedoso e controlador em sua voz. — Precisamos ir. — Foi o que ele disse, antes de fuzilar John com os olhos, o amigo que me abraçava. — Agora.
– Certo. — Soltei-me de John e me despedi rapidamente dos outros, apenas acenando. Teria me despedido adequadamente se não tivesse notado a irritação na voz de Loki.
Afinal, ele era um deus. Não ousaria desfiá-lo em todos os momentos em que respiro.
Levei-o em um shopping e fomos direto para algumas lojas de roupas. Escolhi para ele algumas conjuntos como uma camisa verde escura com uma calça jeans preta. Camisa preta, calça da mesma cor e uma gravata vermelha.
Enquanto ele experimentava as roupas, quase não pude conter-me e quase babei inúmeras vezes. Ele era, realmente, uma perdição. Quando mostrei os conjuntos que mais gostei, ele apenas discordou. Falou que era estranho usar aquilo, sem esquecer de dizer que era desconfortável.
Deixei que ele escolhesse outros conjuntos e quando ele finalmente escolheu, notamos que havia um total de quase quinhentos dólares.
– Meu Deus! Eu não tenho todo esse dinheiro! — Choraminguei, olhando minha carteira que deveria ter apenas uns míseros vinte dólares.
– O que houve? — Ele perguntou e eu apenas mostrei-lhe a carteira praticamente vazia. Ele bufou e fechou os olhos, balançando a cabeça em negação. — Eu resolvo. — Foi a única coisa que ele disse antes de olhar firmemente para a vendedora.
A mulher mudou a expressão exausta para uma expressão completamente apaixonada, no mínimo. Ela abriu um sorriso imenso quando Loki aproximou seu rosto do dela, ainda sem dizer nada. Ele seguiu com seu olhar para a tela do computador, fazendo os olhos da vendedora acompanhá-lo. Ele, então, voltou a olhá-la firmemente. Logo em seguida, a vendedora fechou os olhos e permaneceu um tempo daquela forma.
– Está certo, vamos.
– O que você fez com ela?
– Não se preocupe. — Ele sorriu, cheio de malícia em suas íris verdes.
Ousei olhar a vendedora e após alguns segundos, ela abriu os olhos e apagou a minha conta do computador. Desligou a tela e correu para atender outro cliente que entrara logo atrás de nós.
– Você hipnotizou a vendedora?
– Sim. Ela apenas apagou os dados, como se nós tivéssemos desistido de comprar lá.
– Isso não se faz, Loki!
– E como você estava pensando resolver aquela situação, Senhorita? Você estava sem dinheiro, não é? — Loki continuou andando com passos firmes em minha frente e eu tive que acelerar para poder alcançá-lo.
– Sim! Mas isso é errado! — Segurei seu braço com força, fazendo-o parar de caminhar e olhar para mim. — Não faça isso de novo, ouviu?
– Quem você pensa que é para me dar ordens?! — Ele puxou seu braço com força, fazendo-me largá-lo.
– Não sou ninguém! — Gritei. — Mas você...você também não é ninguém enquanto estiver aqui.
– Eu ainda tenho meus poderes, garota. — Loki exalava ódio por todos os seus poros e eu jurei que ele me mataria naquele instante, graças ao olhar mortal que ele lançou para mim. — Se eu quiser, eu posso matá-la nesse instante. Bem aqui, no meio da rua. Na frente de todos. O que a fez pensar que eu não faria isso? — Loki levou uma de suas mãos contra o meu pescoço, fechando-a em volta do mesmo.
– Você quer me matar? Então mate, Loki. Ninguém pode te impedir agora. Estamos só você e eu aqui. Vamos lá, faça.
– Acha que eu não tenho coragem?
– Não estou duvidando de você, Loki. Sei que tem coragem de sobra para fazer o que bem entende...mas, me diga, o que vai ganhar com isso?
– Como?!
– O que vai ganhar me matando? O que vai provar para si mesmo fazendo isso? Nada, Loki. E mais, não há ninguém que se importe comigo aqui. Ninguém ligará para o que você fizer comigo, ninguém dará atenção à você...Seria inútil ter essa responsabilidade, e você sabe disso. Por isso, sei que não vai me matar. — Mesmo que eu estivesse sentindo sua mão apertar meu pescoço levemente, eu sorri para ele. Loki arregalou os olhos, demonstrando estar completamente surpreso pelas palavras que havia jogado sobre ele.
Ele continuou olhando para mim, indignado, durante alguns segundos. Assim que notou estar demonstrando seus sentimentos, ele desviou o olhar para o chão, jogando a cabeça para o lado. Depois disso, tirou sua mão de meu pescoço, que antes tinha a missão de enforcar-me ali mesmo. Sem mais nenhuma discussão, continuamos a andar.
– Venha, vou mostrar-lhe um lugar bonito. — Sorri para ele enquanto massageava a pele que ele havia apertado. Loki não respondeu nenhuma outra pergunta ou nenhum outro argumento meu naquela noite, por isso, logo voltamos para casa.
Assim que chegamos, joguei minha bolsa em cima do sofá e corri para o banheiro. Eu precisava de um banho quente para digerir o que havia acabado de acontecer. Eu poderia estar morta agora, se ele realmente quisesse. Mas, por alguma razão, eu sabia que ele não faria nada. Não sei como, nem porquê. Eu apenas sabia. Havia confiado nele o bastante para deixar minha vida em suas mãos. O quão louca eu sou? Como poderia confiar em um assassino desses?
O que está havendo comigo?
– Loki, vai querer tomar banho? — Assim que saí do banheiro, já vestida, fui para a sala pensando que ele estaria lá; mas não estava. Fui em direção à cozinha, e também não estava. — Só sobrou o quarto, então. — Resmunguei para mim mesma, indo em direção ao quarto de Jane.
Abri a porta lentamente por algum motivo que desconhecia. Pensei que Loki estivesse fazendo alguma coisa suspeita e pensei em espionar, então, abri o suficiente para que apenas um olho meu conseguisse ver tudo que se passava ali dentro.
Quando o encontrei, assustei-me. Loki estava apenas de calça jeans, em pé em frente a cama. Pelo que consegui ver, ele estava tentando dobrar a camisa que vestia, mas sem sucesso. Ele olhava confuso para as outras peças dobradas como normalmente todos nós fazemos e tentava fazer o mesmo com sua camisa.
Tentou mais algumas vezes e quando finalmente conseguiu, parecia sentir-se o Rei do mundo. Ele estufou o peito e olhou glorioso para a peça que agora estava dobrada, colocando-a perto do casaco que estava usando anteriormente.
Assim que ele se virou de frente para a porta, achei que desmaiaria. O quarto estava escuro, mas existia alguma luz entrando pela janela. A luz do luar iluminava apenas uma parte do corpo dele, mas mesmo assim, a visão era perfeita.
Loki passou as mãos pelos cabelos e baixou a cabeça, bufando alguma coisa que não fui capaz de entender. Ele sentou-se na cama e olhou para a janela que estava ao lado, olhando para o céu. Parecia haver nostalgia em seus pensamentos pela forma que ele olhava para o infinito azul escuro — praticamente preto — lá de cima.
– Você é tão lindo...- Pensei ter sussurrado, mas assim que falei, Loki olhou surpreso para a porta. Assustei-me com sua reação e notei que ele havia se levantado, ainda olhando para a porta.
Ele começou a caminhar diretamente para a porta e eu entrei em pânico. Olhei para os lados procurando algum lugar para me esconder, mas não havia escapatória. Tentei correr para longe dali e escorreguei no tapete que havia ali no corredor, caindo com tudo no chão.
– O que está fazendo? — Ele falou com o mesmo tom frio de sempre. Ousei olhá-lo e ele possuía uma das sobrancelhas arqueadas, olhando-me como se eu fosse uma completa idiota.
– E-eu vim perguntar se você ia tomar banho e...me assustei com uma...lagartixa! É, bem ali na parede. Morri de medo e corri, aí escorreguei no tapete e caí. — Ri alto enquanto olhava-o, tentando disfarçar. — Sou muito desajeitada, né?
– Não estou surpreso. — Ele veio em minha direção. — Está machucada? — Perguntou, olhando-me com um certo desprezo.
– Não finja que se importa. Estou ótima, ok? Sou forte! — Eu disse, levantando-me rapidamente, provocando alguns sorrisos sarcásticos nele. — Qual a graça? Eu sou forte mesmo, ok? Você nunca lutou comigo pra saber! — Desafiei-o.
– Ah, é? Quer me provar agora?
– Pode ser quando você quiser! Eu acabo com você! — Eu disse, posicionando-me como se fosse uma lutadora de kung fu. Ele franziu o cenho e sorriu sarcástico novamente, esnobando-me. — Não vai vir pra cima, gatinho? Estou esperando! Tá com medo, é?
Assim que terminei de falar, Loki avançou contra mim. Ele apenas jogou o peso de seu corpo contra mim e por algum motivo que eu desconhecia, não consegui desviar. Ele prensou-me contra a parede, segurando meus braços acima da minha cabeça apenas com uma de suas mãos.
– Essa é a sua força? — Ele sussurrou perto do meu ouvido e eu não pude evitar de me arrepiar quando senti o hálito dele batendo contra a minha pele.
– Eu ainda nem comecei! — Tentei soltar meus braços, mas ele impediu. Loki tinha uma força tremenda nos braços, eu havia aprendido isso agora.
Para a minha sorte, ele havia esquecido das minhas pernas. Entrelacei sua cintura com ambas as pernas, fazendo-o olhar para baixo, alarmado. Enquanto isso, soltei um dos braços e levei um deles para seu pescoço, puxando os fios do cabelo comprido. Loki rosnou raivoso e olhou-me mortalmente, fazendo-me retribuir apenas com um sorriso vitorioso.
– Viu só?
– Você está morta. — Ele rangeu os dentes logo após terminar de falar.
Enquanto uma de suas mãos ainda segurava um de meus braços, ele usou a outra mão para puxar meus cabelos, assim como eu fazia com ele. Claro, ele era bem mais forte que eu, por isso, doeu muito mais e eu achei que meu pescoço quebraria.
Murmurei por causa da dor e notei que um sorriso malicioso tomou conta de seu rosto. Ele parecia estar adorando me ver sofrer daquela forma, sem poder fazer nada para vencê-lo.
– Isso dói! — Praticamente gritei.
– Essa é a intenção. — Ele aproximou seu rosto do meu pescoço, mesmo que eu estivesse puxando seu cabelo com toda a minha força. Ele fez o mesmo, fazendo-me arquear a cabeça para trás, impedindo que eu olhasse para ele.
Assim que senti sua respiração bater contra a pele do meu pescoço, parei de resistir. Aquilo parecia estar saindo do controle de uma forma boa. Eu estava completamente agarrada com Loki, e ele nem estava percebendo isso. Se estava, nem importou-se. Apenas queria provar que era mais forte que eu.
O que ele não sabia era que disso, eu já estava ciente.
Não pude deixar de rir baixo enquanto pensava nisso e ele finalmente parecia ter entendido que eu estava aproveitando aquela situação de outra forma, já que ele soltou-me bruscamente, fazendo-me cair no chão.
– O que você...- Ele parou e olhou para sua cintura, franzindo o cenho. Olhou para mim novamente e eu apenas sorria maliciosamente.
– De certa forma, eu venci.
– Cale essa maldita boca. — Quase cuspiu as palavras e dirigiu-se ao quarto de Jane, batendo a porta atrás de si.
Apenas continuei sentada ali no chão, rindo vitoriosa. Ou eu estava louca, ou consegui mexer com os sentidos daquele maluco o tanto quanto ele mexeu com os meus.
– Parece que hoje, quem vai dormir no sofá sou eu. — Rolei os olhos e fui em direção ao sofá da sala.
***
Assim que acordei, notei que havia esquecido da TV ligada durante toda a noite. A luz do sol entrava pela janela e estava incomodando meus olhos, então, decidi levantar. Corri para o banheiro e fiz minha higiene matinal, saindo logo em seguida. A casa estava em completo silêncio, portanto, concluí que ele ainda dormia.
Fui até o quarto com a intenção de acordá-lo, torcendo para que ele não me matasse.
Assim que abri a porta, notei que ele dormia calmamente. Sua expressão era serena e tranquila. Dessa forma, ele nem aparentava ser quem era verdadeiramente. Aproximei-me lentamente dele e ajoelhei-me ao lado da cama, podendo olhá-lo melhor.
– Até parece um menino bonzinho. — Falei o mais baixo possível para não acordá-lo e passei um dos dedos em seus cílios. Eles pareciam ser tão longos e macios que não pude resistir.
Loki franziu o cenho, obviamente sentindo cócegas com o meu toque. Tão fofo, pensei. Comecei a assoprar lentamente seu rosto e então, ele finalmente abriu os olhos.
– O que está fazendo? — Lá estava aquele tom de voz autoritário novamente.
– Estou brincando com o seu cílios, ué. — Sorri e levantei-me em um pulo. — Vamos lá, diva. Tá na hora do café da manhã.
– Que horas são?
– São onze.
– É cedo. Quero dormir mais. — Ele reclamou, virando-se para o outro lado, dando-me as costas.
– Já deixei você dormir, gatinho. Vamos lá, levante! — Coloquei uma das mãos em suas costas e o empurrei levemente, mas ele sequer se mexeu. — Anda logo! Vou pular em cima de você, estou avisando, ein? — Ele ignorou mais uma vez. — Ok, você quem pediu.
Como disse que faria, joguei-me em cima dele. Rolei até o outro lado da cama, levando-o comigo enquanto eu ria.
– Pare com isso! — Ele gritou. — Eu estou com sono!
Fiquei de pé no colchão e coloquei uma perna de cada lado de seu corpo, enquanto ele ainda me olhava sem entender. Comecei a pular naquela mesma posição e ele arregalou os olhos, percebendo que eu pisaria em seu corpo a qualquer momento.
Loki levantou um dos braços fazendo um gesto para que eu parasse, mas eu ignorei. Continuei pulando e fechei os olhos, começando a rodar enquanto pulava.
– Pare! Pare agora! Você vai pisar em mim! — Ele gritava ainda deitado, mas continuei ignorando. Ele estava preocupado, eu podia perceber pelo tom de sua voz naquele instante.
Era divertido demais.
– Mortal estúpida! — Ele gritava enquanto batia levemente suas costas contra o colchão em movimentos de vai e vem, graças ao impulso que eu estava dando. — Mandei parar! Pare agora! — Ousei abrir os olhos e vi que ele já estava quicando no colchão por minha causa. Sua expressão era divertida demais, mas eu sabia que ele deveria estar querendo me matar, e isso só me fez querer rir ainda mais. — Ei! Pare agora mesmo! SCARLLET! — Ele gritou meu nome e eu me assustei.
Por causa do susto, desequilibrei-me e pisei em seu estômago, fazendo-o gemer de dor. Graças à isso, torci meu tornozelo e caí em cima dele.
– Eu deveria te matar agora. — Ele resmungou, ainda sentindo dor.
– Acho que quebrei o tornozelo. — Sorri.
– E você ainda ri?
– Valeu a pena, já que te vi tão irritado. Foi engraçado! — Gargalhei e apoiei as duas mãos em seu peito, tentando levantar-me.
– Você é louca. Saia de cima de mim. — Ele empurrou-me para o lado e levantou-se da cama logo em seguida. Assim que fui fazer o mesmo, pisei no chão com o pé direito e senti uma imensa dor no tornozelo.
– Acho que torci mesmo. — Choraminguei.
– Bem feito. — Loki olhou para mim com ódio e eu sorri em resposta.
– Me leve pro hospital.
– Por que eu deveria? Posso te deixar aí, morrendo de dor. Assim você vai me deixar em paz.
– Vou gritar durante horas se você não me levar, é sério. Não me desafie.
Loki olhou para mim desgostoso e finalmente cedeu, fazendo-me sorrir vitoriosa. Ele veio em minha direção e passou um de meus braços em volta de seu pescoço, ajudando-me a andar. Assim que chegamos no sofá, ele jogou-me sem qualquer delicadeza contra o estofado, voltando para o quarto para vestir-se.
Assim que voltou vestido, parou na minha frente, ainda em pé, e cruzou os braços.
– Onde devo levar você?
– No hospital. Vão cuidar disso para mim. — Sorri.
– E onde é isso?
– Tem um daqui há duas quadras. Podemos chamar um táxi.
– Certo. Vamos, então. — Ele foi em direção à porta rapidamente e eu assoviei para chamar sua atenção.
– Pera aí! Como acha que vou conseguir andar? — Apontei para o tornozelo dolorido.
– Você mesma se machuca e eu preciso tomar conta. É demais para suportar. — Ele rolou os olhos enquanto vinha até mim outra vez. — Thor vai me pagar por isso. — Bufou.
– Pare de reclamar e me carrega logo! — Levantei os braços, passando um deles em volta de seu pescoço. Ele passou um braço em volta das minhas costas e com o outro, segurou minhas pernas. — Oh, estilo princesa? — Sorri.
– Princesa do pântano, para ser mais exato. — Ele debochou e eu dei um tapa em seu braço. — Não bata novamente, ou te soltarei e deixarei você aqui no chão.
– Certo, Príncipe sapo.
Meu Príncipe Sapo.
Fale com o autor