Notas iniciais
Olá, meus amores. ^-^ Espero que estejam todos bem.
Desculpem por não ter postado essa semana. Comecei a fazer o capítulo há uns três dias, mas não deu pra terminar até agora. Acreditem, sequer percebi a semana passar. o_o Minha classe foi visitar uma faculdade essa semana. Fiquei muito ansiosa para ir pra facul. (Pena que não sou estudiosa o bastante pra passar no vestibular KK) Triste vida.
Bem, na verdade, não iria postar hoje também. Andei brigando com uma "colega" minha e, sinceramente, tenho ficado muito nervosa por causa disso. Me pergunto o que fiz de ruim em outra vida, porque não é possível! x_x
Ah, eu quero agradecer a senhorita Letícia que RECOMENDOU a fic, gente! Ela não é uma coisa linda? Minha querida, muito obrigada! De coração! Você não sabe como fiquei feliz em saber que foi a primeira fic que leu...Ainda mais quando disse que é a sua preferida! Kyaaaa! Isso significa muito para mim e para a minha humilde fic xD obrigada mais uma vez!
Sem mais delongas, vamos ao capítulo!

Estava em Asgard há alguns dias, mas nada estava sendo como eu esperei que fosse. Loki estava completamente vidrado com aquele feitiço que diz ter criado. Mal o via durante o dia, já que ficava enfiado em um laboratório tentando descobrir uma forma de parar com aquilo.

Evitei dormir o máximo que pude durante esses dias. É claro, hora ou outra, eu acabava desmaiando de sono, mas nada ocorria. Talvez Amora estivesse apenas cansada de brincar com meus pensamentos.

Essa foi a única conclusão que cheguei.

Loki, é claro, tinha outras afirmações. Dizia que se eu suportasse ficar acordada por dois ou três dias, estaria tão cansada que quando pegasse no sono, nem mesmo Amora conseguiria entrar em minha cabeça para criar pesadelos, graças ao cansaço. Pelo jeito, ele estava certo.

Meus olhos estavam pesados novamente. Não tinha certeza de quanto tempo estive acordada e também não tinha noção de quanto tempo fazia que não via Loki, por isso, levantei de minha cama e saí do quarto.

– Saberia me dizer onde Loki está? — Perguntei à um guarda.

– Perdoe-me, minha senhora. Não posso lhe ajudar. — Respondeu um deles, fazendo um reverência depois de terminar a frase.

– Tudo bem. Muito obrigada. — Disse e saí caminhando pelos corredores.

Teria de encontrar aquele laboratório sozinha.

Pensei que pudesse estar perto da biblioteca e, como já sabia onde era, lá seria o primeiro lugar que eu deveria visitar. As portas da biblioteca eram tão grandes como as de entrada do palácio, por mais estranho que possa parecer. Tive de fazer uma força considerável para empurrar aquelas portas enormes e, assim que o fiz, ambas se abriram, revelando o belo interior da biblioteca.

– Parece até um shopping. — Resmunguei e adentrei o local, vasculhando todos os cantos rapidamente com o olhar.

– O que faz aqui? — Ouvi alguém dizer e virei-me em direção à voz.

– Anakin...Estou perdida.

– Que infortúnio. Como posso ajudá-la? — Falou com desdém, voltando a sua atenção ao livro que tinha em mãos.

– Como posso chegar ao laboratório?

– Qual deles?

– Há mais de um?

– Dois, na verdade. O de Loki e o nosso, que é o maior. Na verdade, não sei porquê perguntei qual deles. É bem óbvio. — Ele riu com sarcasmo enquanto eu continuava fitando-o. — Loki esconde seu laboratório como sua alma, mas todos acreditamos que ele esteja acima dos aposentos dele.

– Em cima do quarto?

– Exato. Existe uma porta que dá acesso às escadas que levam ao laboratório.

– Mas...Eu estava lá. Não há porta alguma.

– É claro que ela não pode ser vista. Você deve encontrá-la.

– E como diabos eu vou fazer isso?

– Eis a questão. Ninguém nunca encontrou, talvez você consiga. Boa sorte. — Terminou e virou-me as costas, caminhando para longe com seu livro em mãos.

Que legal.

Voltei para o quarto e comecei a caminhar lentamente pelo quarto enquanto passava ambas as mãos por toda a extensão da parede. Afinal, a porta poderia estar invisível ou algo assim. Procurei por um tempo e não encontrei, então, fui em direção à estante de livros. Joguei um por um para longe, esperando que algum tipo de passagem surgisse por trás da estante.

– Que merda! Onde essa passagem pode estar? — Resmunguei.

– O que está procurando? — Aquela voz suave finalmente quebrou o silêncio ensurdecedor do local.

Olhei para trás e avistei Loki em pé, de braços cruzados, olhando para mim. Andei até ele sem deixar de sustentar seu impiedoso e caloroso olhar. Sorrimos.

– A entrada para o seu laboratório, mas parece que você escondeu muito bem.

– Creio que escondi. — Deu um passo a frente para que pudesse ficar mais próximo à mim. — Qual é o seu interesse em ir até lá?

– É, você me pegou. Não há mais como esconder. — Debochei. — Eu estive planejando algo grande, veja bem. Você não tem noção da grandeza do meu plano...

– Oh. Eu posso imaginar. — Fechou os olhos e sorriu quando encostou sua testa na minha. — Algo perigoso e, talvez, cruel?

– Maldade pura. — Sorri sem tirar meus olhos dele.

– Vejo que se aproximou demais daquele deus perigoso. Como era mesmo o nome...

– Loki?

– Exato. Ouvi dizer que ele é muito temido e cruel.

– E é. Principalmente quando está comigo. — Beijei-lhe a ponta do nariz e ele olhou-me surpreso. — Senti a sua falta. Andou se escondendo naquele laboratório como um rato. Só queria vê-lo.

Loki deu um meio sorriso e beijou minha testa, afastando-se logo em seguida. Resmunguei, desgostosa, desaprovando o seu distanciamento. Eu estava em um momento que só ficaria satisfeita se ele ficasse ao meu lado o dia todo.

– Perdoe a minha ausência. Estive ocupado tentando encontrar uma solução para o feitiço.

– E você achou?

– Ainda não.

– Não tem nenhuma ideia do que pode fazer?

– Provavelmente ela tentará algo novamente esta noite. Estou contando com isso.

– Está?

– Pretendo ameaçá-la. Quero compreender quais são as verdadeiras intenções dela por trás disto.

– Acho que deveria dormir, então...

***

Abri os olhos e senti algo bem macio abaixo de mim, mas eu sabia que não era a cama. Estiquei meu braço direito e toquei o chão, percebendo que aquilo macio era grama. O céu acima de mim estava aberto e muito claro. Uma brisa agradável soprava e fazia com que meus cabelos ficassem desarrumados. Até mesmo as mangas soltas de meu vestido, assim como a saia do mesmo, também estavam esvoaçantes.

Vasculhei o campo verde e avistei Amora ao longe, caminhando em minha direção. Ela parou há alguns metros de distância e eu não deixei de sustentar seu olhar impiedoso.

– Finalmente dormiste. Aguentaste muito desta vez. — Disse.

– Você tem me deixado exausta, Amora. Parece que também está cansada, já que desta vez o local em que estamos é bem agradável.

– Creio que devo concordar. — Ela olhou para o horizonte e eu juro que pude ver um olhar sonhador e esperançoso. — Só não é mais agradável que Asgard.

– Diga, Amora...Por que tudo isso? Por que eu?

– Por que acha que vou falar sobre isso com você, mortal?

– Talvez seja porque você quer roubar meu corpo. Só isso.

Olhou-me com fúria em seu olhar, mas nada disse e voltou sua atenção ao horizonte, fazendo-me olhá-lo igualmente.

– Amora. — Ambas ouvimos e ela arregalou os olhos, vasculhando todos os cantos próximos com seu olhar. — Você não pode me ver, mas eu posso ver você.

– Oh. Como é bom ouvi-lo, meu grande amor. — Disse ela, olhando para o céu apaixonadamente. — Apareça para mim, milorde. Lhe imploro.

Ela não obteve resposta nos primeiros minutos, mas logo fomos surpreendidas por uma leve imagem do corpo de Loki. De quase invisível, fora tornando-se mais sólida e já era possível praticamente tocá-lo.

Assim que seu corpo finalmente estava "inteiro", Amora correu até ele e beijou-o. Naquele momento, o céu escureceu e trovões surgiram. Meu coração disparou e eu teria matado aquela mulher se tivesse condições para tal.

Claro que isso não era novidade para ninguém.

Tentei ir até lá e separar os dois, acabando com a onda daquela mulher. Porém, ela fez com que tudo ficasse preto e branco aos meus olhos e eu, simplesmente, não podia impedir. Havia algum tipo de barreira entre o corpo de ambos que impedia a minha aproximação. Fui obrigada a ver aquela cena, esperando que Loki tentasse empurrá-la, matá-la ou até estrangulá-la...Para mim não importava quais seriam os métodos.

Só não queria mais ver aquilo.

Fechei os olhos com força e passei alguns minutos assim. Quando abri ambos novamente, Loki finalmente separou-se dela sem expressar qualquer reação. Amora, por outro lado, parecia satisfeita.

– Escute, Amora. Você deve ir embora.

– Não posso, Loki. Simplesmente não posso deixá-lo. Estive esperando por todo este tempo para conseguir um corpo e voltar para você, meu amado. Todas as minhas tentativas foram inúteis, mas com a mortal foi fácil. Agora que consegui, não posso desistir.

– Pode e vai. Aceite enquanto estou sendo solidário, Amora. Assim que eu encontrar uma forma de acabar com este feitiço, que eu encontrarei, irei mandá-la para o pior lugar existente entre os nove reinos.

– Se tentar me expulsar, posso muito bem queimar todos os neurônios dela. O que acha de vê-la morrer aos poucos e bem lentamente em frente aos seus olhos?

– A brincadeira já acabou. Não nutro nenhum tipo de sentimento por você, Amora. Vá e descanse em paz, não fique presa à mim.

– Não posso perder você novamente, milorde! — A voz dela estava exaltada e então, Loki encostou seu dedo indicador na testa dela, fazendo com que uma grande pressão fosse praticamente jogada contra a pele da mesma.

Amora gritou de dor e Loki encostou o indicador da outra mão também em sua testa, fazendo-a gritar de dor. Não compreendia o que ele estava fazendo, mas pude notar que alguns raios escapavam do corpo dela. Parecia que ela estava levando algum tipo de choque.

Loki manteu ambos os dedos pressionados contra a testa dela e, alguns segundos depois, Amora caiu de joelhos à sua frente. Levantou a cabeça e fitou Loki com lágrimas nos olhos, surpresa por sua crueldade.

– Este será apenas o início de sua dor. Desista agora. — Falou em tom impiedoso e furioso, assim como ela havia feito comigo.

– Não posso...- Insistiu ela.

– Então, você provará de minha fúria. — Respondeu ele, colocando todos os dedos da mão direita na testa dela. — Quero que diga-me a verdade. Por que escolheu Scarllet?

– Porque...Ela é fraca demais só por ser mortal. Não havia ligação alguma entre nós, diferente do que pensou, milorde. Não tive muito tempo para escolher. Creio que compreende.

– Sim. Você tentou tomar posse do corpo de mais alguém?

– De Sigyn. Inicialmente, tive sucesso. Contudo, a deusa logo tornou-se raivosa e expulsou-me de seu corpo, tirando-me os míseros poderes que me restavam. — Explicou ela, já com a voz fraca.

– Sigyn...Foi por isso que recebi a proposta do matrimônio de repente? — A frase de Loki deixou-me muito nervosa. Quase pude ver o fogo que saía de meus ouvidos e narinas.

Toda aquela confusão foi por causa dessa mulher?

Assim que terminei de falar aquilo em minha mente, ambos olharam para trás, fitando-me. Foi aí que, então, lembrei que ambos estavam dentro da minha cabeça. É claro que poderiam ouvir o que penso.

Duh.

Amora ainda olhava para mim e assim que Loki voltou a fitá-la, ela sorriu maldosamente. Ele deu alguns passos em sua direção e abaixou-se quando estava à poucos centímetros de distância de seu rosto.

– É culpada por um grande problema, Amora. Já lhe dei tempo demais para decidir. — Limpou a garganta e levantou-se. — Não sou misericordioso, creio que se lembra disto.

– Com todo o meu coração. — Resmungou.

– Este é o fim.

– Se pretende acabar comigo, quero que ela veja tudo o que passamos antes que eu me vá.

– Não permitirei isto, Amora.

– Perdoe a minha ousadia, milorde. Não pedi sua opinião. — Respondeu e sorriu.

A agradável brisa de antes transformou-se em ventos perigosos. Tive que tomar cuidado para não cair daquele local alto em que estávamos, vez ou outra que o vento passava por mim com tanta força que eu pensava que voaria para longe. Amora ainda permanecia de joelhos à nossa frente e então, notei que os olhos dela começaram a tomar uma coloração esverdeada.

– Loki! Ela está fazendo alguma coisa! — Gritei, pois o barulho que o vento fazia era extremamente alto.

Loki, ao ouvir meu aviso, passou a fitar Amora, mas parecia ser tarde demais, já que ele voltou a olhar-me em seguida, com ambos os olhos arregalados. Pude ler algo como "Perdoe-me" enquanto via tudo ao meu redor desaparecer, transformando-se em um furacão em diagonal.

Sim, parecia que eu estava dentro de um grande furacão. Senti meu corpo levitar e fui levada para longe de ambos, voando para algum lugar. Fechei os olhos e coloquei ambas as mãos em meu rosto, tentando diminuir a sensação horrível que estava sentindo.

Logo fui capaz de sentir o chão duro sobre meu corpo. Levantei-me com dificuldade, pois ainda estava enjoada por ter passado por uma viagem não muito agradável.

– Voar não é tão bom como eu pensava. — Disse para mim mesma, enquanto dava leves tapas em meu vestido com o intuito de tirar toda aquela terra que estava nele.

Olhei para trás e avistei uma floresta. Tremi por lembrar do que aconteceu da última vez em que estive em uma junto com Amora. Voltei a olhar para frente e avistei um tipo de vilarejo.

– Antes vilarejo do que floresta com baratas. Ugh.

Em passos lentos e cuidadosos, caminhei até as pequenas casas que avistei. Quando cheguei mais perto, notei que a população era realmente muito pequena. Pareciam gnomos e fadas. Também pude ver alguns anões caminhando por ali, enquanto outros estavam sentados em mesas, bebendo e rindo alto.

– Está perdida, milady? — Ouvi alguém dizer e virei todo o meu corpo para trás, encontrando um garotinho loiro de olhos claros.

Que graça.

– Você...Pode me ver? — Falei, acenando para ele, que fez o mesmo e sorriu.

– É claro que posso vê-la. Você é mesmo uma moça muito bonita. Me chamo Yngvi...

– Saúde.

O pequenino não me respondeu e eu percebi que aquilo não fora um espirro, nem uma piada.

– Oh. Desculpe. Seu nome é bem diferente.

– Na verdade, ele é comum. — Sorriu. — Posso perguntar o seu?

– Pode me chamar de Scar, pequenino. — Retribuí o sorriso.

– Posso perguntar também porque está aqui? Parece estar perdida.

– E estou mesmo. Sou de um reino muito distante daqui. Estou procurando alguém...Mas esse alguém não sabe que estou aqui.

O pequenino me olhou confuso e deu de ombros. Caminhamos até sua casa e ele me apresentou para seus pais, contando para eles a minha situação. A mãe, muito simpática, ofereceu-me a casa deles para poder passar a noite. O pai, por outro lado, não parecia ter confiado plenamente em mim. Sabia que anões costumavam ser um pouco desconfiados no início, por isso acabei negando o convite.

– Não quero ser um incômodo. Agradeço imensamente pelo convite. Posso encontrar algum lugar abandonado para ficar.

– Saindo desta forma, seria como um insulto para mim. Por favor, fique. Eu insisto. — Disse ela mais uma vez e, por isso, eu acabei aceitando. Afinal, não sabia por quanto tempo Amora me deixaria mofar naquele lugar que, de início, achei que era minha mente.

Contudo, agora eu sabia que estava errada. Amora provavelmente fez alguma outra coisa para mostrar-me uma lembrança dela ou algo do tipo. Não sabia bem o que aquela situação significava, mas eu estava sozinha. Loki não apareceria tão cedo para me salvar dessas lembranças e eu temia o que Amora gostaria que eu visse. Provavelmente, seria algo para me machucar profundamente e tinha certeza que estava relacionado à Loki.

Durante a madrugada, acordei subitamente. Olhei para os lados e notei que ainda estava vivendo aquela lembrança de Amora. Em seguida, ouvi a porta da casa de Yngvi abrir. Aquele barulho de madeira velha rangendo me deu arrepios.

Ousei levantar e quando cheguei perto de abrir a porta do quarto em que eu estava, ouvi vozes. Vozes familiares que fizeram com que eu ficasse estática.

– Ouçam, criaturas imundas...Hoje o reino de vocês cairá.

– Por que está fazendo isso, filho de Odin?

– Ora...Porque é divertido. — Disse e gargalhou, sendo seguido por Amora.

Meu coração estava descompassado. Batia desenfreadamente e até mesmo minha respiração estava difícil de ser controlada. Respirei fundo com o intuito de me acalmar e me afastei da porta lentamente, quando pisei em uma madeira que fez um barulho. Naquele silêncio amedrontador, qualquer mísero ruido poderia ser ouvido e foi o que aconteceu.

Ouvi os passos pesados vindo em minha direção e tremi de medo. Onde poderia me esconder? Vasculhei os cantos e finalmente compreendi que só tinha duas opções: pular da janela ou esconder-me em baixo da cama.

Optei pela segunda.

Assim que a porta do quarto abriu, fui capaz de ver os pés dele e de Amora. Ele caminhou por todo o quarto e foi até a janela, olhando para todos os locais atentamente.

– O que houve, milorde? — Disse Amora.

– Havia mais alguém aqui. Deve encontrá-lo, Amora. Deixe a família comigo. — Respondeu, gesticulando para que Amora sumisse de lá.

Amora logo obedeceu e pulou pela janela, assim como eles acreditavam que eu havia feito. Os pés dele continuaram a caminhar até a sala e, de onde eu estava, pude ver os três ajoelhados em frente à lareira. Pude ver o terror estampado nos rostos de cada um deles, enquanto ele estava de costas para mim.

Andou de um lado para outro e, em seguida, abriu a mão direita. Fumaças esverdeadas surgiram em sua mão e ele levou-a até a cabeça da mãe de Yngvi.

– Tire esta mão imunda de minha mulher! — Gritou o pai do pequenino, completamente exaltado.

O desespero dele fez Loki gargalhar.

– Como quiser. — Respondeu, levantando sua mão, deixando-a pairando sob a cabeça da mulher. A fumaça verde parecia elástica, já que quando Loki levantou o braço, ela tomou uma forma vertical e, em seguida, o corpo da doce e jovem mulher caiu com tudo no chão.

– NÃO! Seu asgardiano imundo, maldito! O que fez com ela?

– Ela está em um lugar melhor agora. — Respondeu em tom impiedoso e voltou a rir.

Yngvi, em seguida, começou a chorar. Tentava conter seus soluços, mas sabia que seria em vão tentar conter-se agora. O pai do pequenino encostou o queixo na cabeça do menino, tentando confortá-lo miseravelmente, já que não podia abraçá-lo, pois suas mãos estavam amarradas nas costas.

– Me perdoe, meu filho. — Resmungou, levantando-se.

Olhou para Loki com fúria tomando conta de todo o seu ser e caminhou até ele. Quando ambos estavam bem próximos, o anão deu um grande salto e deu-lhe uma forte cabeçada.

Loki cambaleou para trás e, em seguida, esticou o braço para que seu cajado aparecesse. O anão teve tempo suficiente para soltar suas mãos e pegar um machado. Ambos se enfrentaram furiosamente ali mesmo, na sala de estar daquela humilde casa, enquanto Yngvi ainda chorava e se encolhia em algum canto para que não fosse golpeado por nenhum deles.

Yngvi olhou para os lados, procurando fugir e assim que ele olhou para o quarto em que eu estava, acenei para ele. Quando me viu, sorriu levemente e eu gesticulei para que ele viesse até mim. O pequenino rastejou sem ser visto, como um garoto muito ágil.

– Venha, Yngvi! Venha até mim! — Sussurrei sem deixar de gesticular para que ele viesse.

Ele rastejou até a porta e então, ambos nos assustamos com os gritos de seu pai. Olhei para a sala e vi o cajado de Loki atravessando o peito do pequeno homem.

– Fuja, Yngvi. — Disse, caindo no chão logo em seguida.

– Papai! Não! — O pequenino gritou enquanto chorava e aquilo chamou a atenção de Loki, que olhou para ele rapidamente.

Começou a caminhar até o corpo do pequenino que estava jogado no chão, com ambas as mãozinhas em frente ao rosto, tentando conter o choro. Aquilo estava acabando comigo, honestamente. Por que, Loki? Por que?

– Viu como seu pai era fraco, garoto?

– Meu pai é muito forte e corajoso.

– Corajoso? Creio que quis dizer a palavra covarde. — Sorriu.

– Não, meu senhor. Creio que esteja enganado...Meu pai era forte e corajoso. Minha mãe era corajosa e bondosa. E eu...Eu sou esperto, meu senhor.

– Esperto? Confesso que suas palavras são sábias. Contudo, terá que me provar que é esperto, garoto. Assim, quem sabe, eu poupe a sua infeliz vida.

– Como desejar, meu senhor. — Respondeu o pequenino, levantando-se.

Estendeu os pequenos bracinhos até Loki, que tirou as cordas que amarravam suas mãozinhas juntas. Ele correu até uma mesinha ao lado da janela e, assim que Amora retornou, o pequenino acendeu um fósforo e virou-se de frente para Amora, que estava bem perto de seu pequeno corpo.

– Levaram meus pais e agora querem me levar, não? Aceito isto, mas levarei alguém comigo. — Disse ele, tirando uma das mãos de suas costas. — Vá embora! — Gritou, olhando para mim.

Senti meu coração dar um pulo e saí de baixo da cama, passando por Amora sem que ela pudesse me segurar. Pulei a janela e rolei alguns metros para longe da casa. Ao me levantar, consegui ver o meu pequenino amigo. Ele segurava uma pequena bola preta em uma de suas mãozinhas e, em seguida, tudo estava em chamas. Houve uma enorme explosão e tudo foi para os ares.

Arregalei os olhos, completamente desolada. Não conseguia acreditar naquilo. Apesar de ser apenas uma lembrança, para mim, foi real. Loki fez toda aquela crueldade com uma família inocente. Por que ele havia feito isso? Por pior que fosse, não havia explicação para aqueles atos.

Olhei em volta e fiquei ainda mais chocada. Todo o vilarejo estava em chamas. Gritos ecoavam por todo o local, assim como o barulho de espadas em uma batalha. Corri até uma árvore perto da casa do meu pequenino amigo e não demorou muito para que Loki surgisse das cinzas com Amora em seu colo. Colocou-a com gentileza no chão e olhou para ela de forma triste. Passou a mão esquerda em seu rosto, levantando-se e caminhando para longe poucos segundos depois.

O vi desaparecer em meio à escuridão da floresta e, novamente, senti meu corpo flutuar e todo aquele vento ressurgir. Lá estava eu dentro do furacão, outra vez.

Fui jogada em algum lugar e quando me levantei, notei que estava em algum tipo de palácio. Não era o de Odin, não. Era bem diferente, mas também não era apenas uma casa qualquer. Havia muito luxo ali.

Fui até a mesa que estava cheia de frutas e peguei o jarro de água, colocando um pouco em um copo para beber. Estava com muita sede, muito cansada e faminta, também. Sentei-me na cadeira e, de repente, ouvi um grande estrondo.

Olhei para trás com os olhos arregalados pelo susto e notei que havia um casal se pegando legal ali. A mulher andava sem se desgrudar do rapaz e logo mais ambos já estavam na cama.

– Ótimo, isso aqui é um quarto. — Resmunguei sem tirar os olhos deles.

– Oh, milorde. Você é mesmo maravilhoso. — Ela gemeu.

Filha da puta.

Continuei observando os dois e quando finalmente eles se largaram, confirmei minhas suspeitas. Eram mesmo eles dois. Amora o beijava ardentemente, passando a mão por toda a extensão de seu peito enquanto resmungava algumas palavras que não pude decifrar.

De repente, Loki pulou para longe dela, deixando-a incrédula.

– O que há, milorde?

– Isso acaba aqui, Amora. Não a amo da forma que me ama.

– Sei bem disto, milorde, já que nunca deixa com que eu me esqueça. Vamos apenas nos divertir. — Sorriu. — Venha, milorde. — Estendeu a mão para ele, enquanto sorria maliciosamente.

Loki não demorou a segurar sua mão, voltando a beijá-la.

– JÁ CHEGA! Eu não quero mais ver isso! — Gritei e pude sentir, mais uma vez, aquele forte vento que me levou para longe, assim como das outras vezes.

Embora eu estivesse pensando que iria para outro lugar e viver uma outra lembrança de Amora, abri os olhos e notei que estava em minha cama. Olhei para o lado e Loki estava lá, segurando minhas mãos.

– Acabou, Scarllet. Consegui convencê-la de partir e deixar você em paz.

– Ela só concordou em ir porque já me mostrou tudo o que queria, Loki. — Respondi, levantando-me da cama, dando-lhe as costas.

– E o que ela lhe mostrou?

– Coisas terríveis, Loki. É demais até mesmo para mim.

– Scarllet...Você sabe que mudei...

– Sei, sei sim. Mas, por agora, preciso de um tempo sozinha.

Ao dizer aquilo, fui em direção à porta e saí rapidamente do quarto sem deixá-lo responder. Não estava pronta para receber uma desculpa. Agora eu compreendia porquê Amora simplesmente desistiu dele, no fim de tudo. Loki a deixou morrer. Ele nunca se importou com ela, apenas a usou, e ela, mesmo sabendo de tudo isso, continuou o amando.

Ela não era tão vagabunda assim, no fim das contas.

– Eu te entendo. Você foi muito forte. Espero que fique em paz agora. — Falei para mim mesma, enquanto olhava para o céu. Em seguida, senti uma leve brisa passar por mim, fazendo com que pétalas de rosas fizessem o papel de um pequeno e leve tornado em volta do meu corpo.

Amora, com certeza, havia ouvido aquilo.

– O que faz sozinha aí? — Olhei para trás e vi Frigga aparecer entre as flores.

– Precisava...pensar. Tomar um ar.

– O que há de errado? — Perguntou, colocando uma mão em meu ombro.

– Amora, aquela que estava em meus sonhos...Me mostrou muitas coisas perturbadoras sobre o passado de Loki. Depois de ver tudo aquilo, não sei mais o que pensar.

– Loki sempre foi muito travesso, é verdade. Porém todos sabemos que ele está diferente agora, e é graças à você. Está ciente disto, não?

– Sim...

– Se conseguiu mudá-lo em tão pouco tempo, o que será capaz de fazer daqui para frente? — Olhei-a e ela sorriu. — Sabia que havia alguém que apareceria para colocá-lo na linha. Estou feliz que você finalmente chegou. — Com sua última frase, não pude deixar de sorrir e corar levemente. — Venha, vamos caminhar. Existem alguns lugares secretos neste jardim que não pude mostrar antes.

Não hesitei em segui-la, estava realmente interessada. Frigga tinha razão, Loki realmente estava mudado agora. Não estava o culpando pelos erros do passado, era só que...Aquilo era muito difícil de aceitar. A cena do meu pequenino amigo não saía de minha cabeça. A forma como a família dele morreu; a forma como Loki foi cruel. Sem contar nos inúmeros beijos que trocou com Amora em seu quarto aquela vez. Naquele momento, não poderia simplesmente perdoá-lo assim, com tanta facilidade.

A imagem daquele vilarejo pegando fogo; a imagem da mãe e do pai de Yngvi sendo assassinados friamente pelas mãos de Loki; a imagem de meu pequeno Yngvi explodindo a si mesmo e a imagem de como ele, tentando se vingar, assassinou Amora; a imagem do beijo de Loki e Amora enquanto ambos sorriam e brincavam deitados na cama dela.

Oh. Aquilo tudo eu não esqueceria tão facilmente.

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Notas finais
Espero que tenham gostado um pouquinho. Desculpem mesmo pelo atrasado e pelo capítulo não ser lá dos maiores. Eu não estava conseguindo escrever esse T_T demorei uns três dias, wtf?!
Não esqueçam de comentar, tá? Mesmo que seja um "QUE BOSTA!" hdpaidhpihspd por favor, amores. Apenas uma palavra me fará muito feliz.
Desculpem qualquer erro!
Beijos! ♥