New Life With Aliens
1 How it all began.
Notas iniciais
Eu tenho sérios problemas mentais e do nada eu penso em alguma coisa, tenho uma ideia e começo a escrever. É assim que surgem essas maluquices aqui. Enfim, se vocês gostarem, eu continuo ok?
Boa leitura.
Meu nome é Scarllet Dasovic Stonkovick, tenho 16 anos (quase 17). Vivo no Canadá, mas na verdade, nasci em Madrid, na Espanha.
Eu era dona da minha própria vida depois da morte de minha mãe. Meu pai vivia trabalhando e era muito ocupado para poder dar atenção para mim e para meus irmãos. Eu era a nova mãe da casa.
Para ser franca, eu não podia viver para mim mesma. Eu tinha que sempre estar olhando meus irmãos menores e brigando com os já mais velhos que insistiam em fazer bagunça. Odiava quando eles tiravam algo do lugar porque depois era eu quem teria de arrumar.
Eu fazia o café da manhã, o almoço e a janta. Eu dava banho nos meus irmãos. Ajudava-os a se vestirem e então, levava os pequenos para a creche, seguindo para a escola dos menores.
Eu sentia-me péssima por ter sido escolhida para ser a irmã mais velha. Por que eu tinha que fazer isso tudo? Por que justo eu?
Por que você teve que morrer, mamãe?
– Scar! Scaaaaar! — Eros gritava como louco lá na sala.
– Espere! Estou fazendo o café da manhã! — Bufei e rolei os olhos. Não posso fazer tudo!
– Vem aqui, agora! O John fez cocô e tá fedendo! Troca logo essa fralda nojenta! Scaaaaar! — Ele continuava elevando o tom de voz. — Scaaaaaar! — Foi o último grito e o mais alto, também.
Achei que minha cabeça fosse explodir.
– Tá bom, tá bom! Estou indo! — Soltei a garrafa de leite e fui até a sala. Para a minha surpresa, Eros não estava vestido ainda. — Por que não está vestido? Vai agora se trocar, moleque! Quer levar um cascudo? E onde estão os outros?
– E eu que vou saber?! Se vira, sua bruxa! — Ele mostrou a língua.
– Não faz isso! É feio! Acha que mamãe gosta de ver que você mostra a língua para a sua irmã?! — Cruzei os braços e olhei-o furiosa.
– Mamãe não está vendo, sua grande idiota. Ela abandonou a gente! Só você não notou isso ainda! Eu odeio você! — Eros empurrou-me e subiu correndo as escadas. Ele poderia ser bem novo, mas era forte. Forte o bastante para me derrubar apenas com isso. Eu era pequena, fraca e magra, não era difícil me derrubar e todos aqui sabiam disso.
Certo, vou apresentar minha família adequadamente. Nós éramos muitos, sete para ser mais exata.
Os meninos eram quatro: Nathan, de um ano; John, de dois anos; Eros, de nove anos; David, de quinze anos.
As meninas eram três: Jamie, de um ano e seis meses; Ashley, de treze anos; Scarllet, eu, com dezesseis anos.
Meu pai se chamava Ryan Dasovic, ele agora estava com quarenta e cinco anos. Ele era um homem esforçado e trabalhador. Muito forte, também. Nós sabíamos que era péssimo para ele ter que suportar tudo aquilo completamente sozinho. Esse era um dos motivos pelos quais eu ajudava, além de ser minha obrigação de filha mais velha.
Eu não costumava reclamar muito sobre as minhas obrigações por causa do meu pai. Se ele não tivesse a minha ajuda em casa, acho que enlouqueceria. É que às vezes, eu gostaria de poder ter uma vida adolescente normal.
Vejo todas aquelas garotas cheias de namorados quando vou para o colégio e me sinto péssima. Eu nunca tive um namorado. As garotas já não eram nem virgem (eu acho) e eu nunca beijei alguém.
Meu irmão David não ajudava nem um pouco com os afazeres da casa, ele simplesmente me deixava responsável por tudo que acontecia. Ele não me ajudava nem a levar as crianças para a escola ou para a creche.
Se eu já não pedi para que ele ajudasse? Cheguei até a implorar! Até papai implorou para ele, mas David não é do tipo de pessoa agradável. Ele tem o mesmo gênio que o vovô: anti-social, fechado, frio, arrogante...e ainda sim tem uma namorada! Com certeza é apenas pela beleza dele. Deve ser uma interesseira, apenas. David consegue ser insuportável o tempo todo, é quase inacreditável.
Bom, a segunda-feira mal tinha começado e eu já precisava estar correndo para lá e para cá arrumando as crianças e fazendo o café de todos.
– Scar, leve as crianças para o carro. — Disse papai.
– Estou terminando de vestir a Jamie, papai. David, por favor, leve os outros para o car...
– Estou ocupado. — David resmungou, levantando-se da mesa, colocando seus fones de ouvido e saindo de casa com a mochila nas costas.
– Ok, obrigada... — Resmunguei.
– Scar!
– Estou indo, papai! — Gritei para que ele pudesse ouvir lá de fora.
Corri com as crianças para que não chegássemos tão atrasados como fazíamos todos os dias. Eu fui a última a ser levada para a escola e já estava exausta, mesmo que o dia mal tivesse começado ainda.
– Seja forte, minha filha. — Foi tudo que papai disse antes que eu descesse do carro para enfrentar mais um dia nesse colégio.
***
– Olha lá, Jake! Aquela garota com o nome esquisito. — O ruivo dizia enquanto apontava para mim.
– Já vi, Peter. Não tem como não babar na beleza dessa gata! — Disse o garoto com braços turbinados, moreno de olhos verdes. Ah, pra variar, mais um sem cérebro. — Gostosona, ein, Brotovick?! — O moreno falou, zombando de mim.
– É Dasovic Stonkovick, na verdade. Mas deve ser muito difícil para um primata como você conseguir dizer ou memorizar, não é, Senhor Miller? — Falei sarcástica, provocando risos em todos as pessoas que estavam por perto.
Jake Miller era o capitão do time de futebol do colégio. Eu sabia o nome dele porque todos os alunos daqui sabiam, não porque eu tinha algum tipo de interesse por ele.
Enquanto algumas pessoas ainda riam baixo e outras seguravam o riso, Jake veio em minha direção. Ele andava lentamente com uma expressão séria que, confesso, achei que iria me dar um belo soco na cara.
– Continue rindo enquanto pode, nerd ridícula. Assim que for possível, eu vou acabar com a sua vida. — Miller estava com seu rosto há poucos centímetros de distância do meu e nem assim eu sentia-me atraída por ele.
Às vezes, perguntava-me porque nenhum garoto do colégio chamava a minha atenção. Era possível encontrar qualquer coisa naquele lugar, de rapper até surfista ou de skin head a nerd e, mesmo assim, ninguém me cativava. Será que eu era lésbica? Não. Odeio ainda mais as garotas desse lugar. Elas me enojam.
– Faça isso, Miller. Será um favor para mim, acredite. — Resmunguei e virei o rosto, passando por ele e indo em direção à entrada do colégio.
***
O dia já estava terminando e papai ainda não havia voltado com meus irmãos. Combinamos que seria ele quem iria buscar os mais novos e os bebês hoje, então, estávamos apenas eu e David em casa.
Era o primeiro dia em que eu pude respirar e relaxar por algumas horas.
– Papai, você já está voltando? — Eu liguei para Ryan porque fiquei preocupada com a demora.
– Já, querida. Talvez demoremos mais um pouco, está um trânsito do inferno aqui. Você fez algo para a janta?
– Vou ver o que posso fazer, papai. Quando chegarem estará tudo pronto.
– Certo, querida. Até mais tarde. Papai te ama, beijo.
– Também te amo, beijo. — Desliguei o telefone e levantei-me, indo em direção à cozinha para ver o que eu poderia preparar.
Não havia quase nada, provavelmente os meninos comeram ontem a tarde e eu sequer havia notado. Fui ao quarto de David para pedir que ele fosse ao mercado para mim. Já era, mais ou menos, 19:45 da noite e eu não gostava de ir ao mercado sozinha de noite.
Hoje em dia, era perigoso ficar até na porta da sua casa.
– Eu não vou, nem fodendo! Pirou, garota? Some logo da minha frente!
– Dá pra parar de me tratar assim?! Eu dou as tripas pra fazer seu café da manhã, almoço e janta! Cuido das suas coisas, lavo sua roupa, arrumo seu quarto e você é sempre grosso comigo! Será que não entende que você é o único que pode me ajudar, David? Você não mexe nem um dedo para me ajudar aqui em casa, nem com nossos irmãos!
– Não é minha obrigação!
– Claro que é! É a sua família! Que tipo de merda você é para ver sua irmã se matando e ficar todo largadão aí, olhando-me sofrer? Você é um retardado! Não faz nada que presta!
– Cala essa boca! Sai do meu quarto!
– Não! Cale a boca você, mal agradecido! — Gritei e bati o pé esquerdo no chão, com força. David olhou-me sério e calado por alguns segundos, levantando-se da cadeira rapidamente.
Ele colocou algumas roupas dentro de uma mochila e começou a descer as escadas com uma cara emburrada.
– Não volto nos próximos dois dias. Vê se me esquece, retardada.
– Vê se me erra! — Mostrei o dedo do meio para ele que, por sua vez, continuou me olhando com aquela cara de todo poderoso emburrado. David saiu batendo os pés e a porta e pelo que notei, estaria sozinha nas próximas horas.
Ótimo, quem iria no mercado agora?!
Depois de rezar o caminho todo de volta para casa, entrei e comecei a preparar vários mistos-quentes de presunto e queijo com vinagrete. Era uma delícia. E era uma gostosura simples de ser feita, o que era melhor ainda.
Eu estava quase terminando de fazer todos os lanches quando senti um tremor. Não fui eu, nem o vento. Foi a casa. O chão. E eu também, mas eu tremia de pavor.
Segurei alguns copos que estavam prestes a cair da pia, quando as janelas se quebraram. Todas simplesmente explodiram! Cacos de vidros voaram pela casa toda, inclusive para cima de mim que acabei cortada por alguns que vieram em minha direção.
Joguei-me no chão com o intuíto de me proteger em baixo da mesa. Pensei que fosse um terremoto ou algo assim, mas vi que estava errada quando ouvi um barulho muito alto vindo do quintal. Parecia que algo havia batido contra o chão porque havia um pouco de terra nas paredes.
Esperei alguns segundos para ver se não aconteceria mais nada e fui até o quintal e realmente fiquei assustada. Havia um buraco imenso bem no meu gramado!
Tomei coragem e aproximei-me lentamente do buraco e quando consegui olhar mais atentamente, fiquei perplexa. Haviam quatro garotos ali, jogados dentro daquele buraco. Eles estavam cobertos por terra, mas ainda sim dava para perceber que eles estavam...sem roupa alguma.
É. Havia quatro homens pelados dentro de um buraco no meu quintal.
– V-vocês...estão vivos? — Foi a única coisa que consegui dizer.
– Quem é você? — Um deles levantou a cabeça para olhar-me. — Onde estamos?
– E-eu...sou Scarllet. Vocês estão no meu jardim. — Sorri torto.
– Que planeta? — Aquele comentário me fez rir baixo, mas ele não parecia estar brincando.
– Planeta Terra. No Canadá. Quem são vocês? Por que estão sem roupa? — Eu corei, acho. Comecei a ficar quente quando notei aqueles olhos azuis escuro olhando para mim como se eu fosse uma Deusa, ou algo parecido.
– Meu nome é Thor. Esses são meus irmãos: Loki, Luke e Anakin. Somos de Asgard.
– Asgard? O que é isso?
– Digamos que nós não somos desse planeta, Senhorita.
– C-como? Que tipo de brincadeira é essa? Vocês vão arrumar o jardim, não vão? Meu pai vai ficar furioso se vocês fugirem sem falar nada, ouviram bem?!
– Pode nos emprestar alguma roupa? Vocês três, acordem! — Ele chutou cada um dos garotos que estavam jogados lá, de barriga para baixo.
– Midgard outra vez, Thor? — Um moreno de olhos claros com cabelo um pouco acima do ombro levantou-se parcialmente, ficando apoiado em um dos joelhos.
– Dessa vez foi um acidente, Loki! Era para estarmos fora da Via Láctea. — Um outro levantou-se, sentando com as pernas cruzadas como se fosse um índio. Esse tinha cabelo com corte meio tigelinha, como costumamos dizer. Também possuía olhos claros, mas eram verdes que praticamente brilhavam.
– Que seja. Odeio midgardianos. Ei, Luke, acorde o Anakin.
– Será que ele está bem? Por que ainda não levantou? — O tal Luke levantou-se e chutou o último que continuava deitado. — Ani! Ani! Acorde! Nós escapamos, Ani! Acorde logo! — Luke se abaixou e posicionou sua boca perto da orelha do outro. — Aniiiiiiiii! Acorda agora! — Ele gritou, fazendo o garoto acordar em um pulo.
Meu coração fez algo parecido quando o último garoto levantou a cabeça, olhando em minha direção.
Ele tinha uma expressão séria e belíssimos olhos azuis. Eram diferentes dos olhos dos outros. Os olhos dele eram mais...profundos. Tinham um brilho diferente. Eram cheios de sentimento, de dor.
Aqueles olhos praticamente falavam por ele.
Ele levantou-se lentamente, olhando com raiva para os outros três. O tal Thor falava alguma coisa com os outros que eu não prestei atenção. Sentia-me completamente hipnotizada pelo último garoto que acordou. Ele era diferente.
Meus olhos estavam agindo como nunca haviam agido antes. Eu estava olhando para todo o corpo dele que, ainda tinha algumas partes cobertas por terra, mas isso só fez com que ele ficasse ainda mais lindo aos meus olhos.
Eu não entendia porque eu estava fazendo aquilo, eu só queria fazer!
O cabelo dele era parcialmente curto dos lados. Era de um castanho muito claro, quase loiro. Ele tinha um topete que no momento, não estava em pé. Em sua nuca caíam longos fios quase loiros. O corpo dele era muito bem esculpido e alguns garotos teriam inveja daquele certo...instrumento.
Quando meus olhos chegaram lá, ele olhou para mim novamente e viu para onde eu estava olhando. Tentei disfarçar com uma tosse, fazendo-o arquear a sobrancelha e olhar levemente para baixo.
Agora eu deveria estar um completo tomate. Eba.
– C-com licença! Vocês podem me explicar o que está havendo aqui? — Quase ordenei.
– Como eu disse, Senhorita...- O loiro mais velho se pronunciou. — Nós viemos de um lugar distante. Pode, por favor, arranjar alguma roupa?
– Isso é uma piada?
– Parece que estamos brincando? — Thor foi direto.
– Como poderíamos ter feito esse grande buraco aqui em alguns segundos sem a nossa nave? — O grosso Loki resmungou. Ele parecia ser o todo espertinho do quarteto.
– Desculpe aí, Senhor Espertinho do Quarteto Fantástico! Eu só estou tentando entender o que está acontecendo aqui!
– Humanos...sempre pensando que são os únicos no universo. — Luke, o mais novo, zombou enquanto levava um grande sorriso no rosto.
– Isso não é brincadeira, é?
– Explicaremos tudo depois. Por favor. — Pediu Thor, o mais velho.
– Certo, me acompanhem. Vamos procurar algumas roupas para vocês. — Eu disse, entrando em casa, sendo seguida pelos quatros homens nus mais gostosos que já vi na vida.
Isso é um sonho? Se for, não me acordem!
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