New Life With Aliens

22 He Will Protect Me - Parte Final.


Notas iniciais
GENTE, precisamos conversar sério agora, certo? Bem, eu nunca costumo olhar exatamente quantos leitores minhas fics têm por dois motivos:
1 - Porque eu esqueço. Ehehe.
2 - Porque eu procuro não saber pra não fazer o que eu vou fazer agora.
Gente, 37 leitores e eu recebo só 6 reviews? Sério? :/ Eu fiquei muito triste depois que vi isso...
Eu realmente odeio cobrar esse tipo de coisas, mas eu gosto de saber o que vocês estão pensando. Poxa, eu já pedi outras vezes...Mesmo que seja uma palavra, vai me fazer feliz. Não custa nada me dizer alguma coisa :( se não, parece que eu estou esperando fantasmas falarem comigo, sabendo que não vão falar...
Bem...desejo boa leitura.

Medo. Angústia. Ansiedade...

Minha respiração estava acelerada e os batimentos do meu coração estavam descompassados enquanto eu observava o enorme portão abrir lentamente. Havia um enorme corredor e no fim do mesmo, eu o vi sentado em um grande trono. Parei de olhá-lo no mesmo instante que constatei que sabia quem era e passei a olhar o castelo. Aquele lugar parecia ser feito de bronze, a julgar pela cor.

Loki estalou os dedos e uma grande capa vermelha surgiu em minhas costas, cobrindo-me quase por inteira. — Coloque o capuz e olhe para baixo. — Sussurrou, começando a andar em direção ao homem que eu temia.

Sem hesitar, fiz o que Loki havia mandado e passei a caminhar atrás dele, olhando para o chão enquanto o seguia. Dobaruk andava ao meu lado, também mantendo sua cabeça baixa, assim como eu.

Filho de Odin, finalmente. — Pude sentir a irritação de Loki ao ouvir aquelas palavras, pois ele respirou fundo para tentar se acalmar. — Cheguei a crer que não viria. — A voz dele era rouca e imensamente grossa, como se carregasse um tom impiedoso nela.

– Nunca recusaria este convite, Vossa Majestade. — Loki respondeu com um tom de ironia e Surt sorriu, como se soubesse que todo aquele respeito por ele era mentira.

Ele parecia conhecer Loki muito bem e isso poderia ser um ponto negativo para nós.

– Devem estar cansados, correto? Serei breve. — Falou, massageando sua enorme barba. — Mandei uma mensagem para seu pai falando de um presente que seria considerado um pacto de paz. Creio que está ciente. — O grande homem olhou para Loki que assentiu em silêncio. — É algo muito valioso para mim e para seu pai. Deve ser levado com extremo cuidado e rigor. Por isso, ofereço à você e à seus companheiros um descanso e um belo jantar. Assim que terminarem, entregarei-o e assim poderão seguir seu caminho.

Enquanto falava, Surt sorria maldosamente sem tirar os olhos de Loki, que permanecia ereto. Aquilo soava como a mentira mais descarada que já ouvira antes e Loki não parecia estar percebendo, apesar de eu desconfiar que essa era a intenção. Aquele homem estava tentando nos enganar, e Loki também estava tentando enganá-lo.

– Vamos morrer....- Falei o mais baixo que pude, mas foi o suficiente para Loki me lançar um olhar feio que me fez calar a boca.

– Uma generosa oferta, Vossa Majestade. Embora esteja lisonjeado, creio que terei de recusar. Tenho instruções de levar seu tesouro para Odin o mais rápido possível. — Loki deu ênfase na palavra e Surt franziu o cenho, irritado.

– Não sou muito paciente, Filho de Odin. Insisto para que fique e desta vez, não aceitarei um não como resposta. Meus criados irão mostrar-lhe seus aposentos. Acompanhe-os. — Terminou ele, gesticulando para que saíssemos logo de sua frente.

Loki permaneceu alguns míseros segundos encarando aquele homem que lançou um olhar desconfiado, fazendo com que Loki voltasse à farça que criou. Passou a seguir duas criadas por um corredor e logo elas pararam de caminhar. Apontaram para três quartos, um ao lado do outro, e eu quase chorei.

Eu teria de ficar sozinha?!

As mulheres fizeram uma reverência para Loki e logo passaram por mim e Dobaruk de uma forma apressada, e foi só então que pude notar que elas tinham orelhas pontudas.

– Elfos?! — Dobaruk exclamou. — Desde quando o Rei dos Gigantes de Fogo têm elfos trabalhando para ele? Loki! O que está acontecendo?

– Isto é um problema. Não tinha conhecimento da estadia de elfos aqui, mas agora preciso saber o que Surt está tramando. Entrem no quarto e fiquem lá. — Ele olhou para mim como se soubesse que eu iria fazer alguma merda. — Amanhã veremos o que podemos fazer.

Dobaruk bufou e foi em direção ao quarto batendo os pés enquanto caminhava. Olhei para Loki, confusa e completamente perdida. Estava com medo. Não sabia o que estava acontecendo, mas não parecia ser bom pela cara de Dobaruk, assim como a de Loki.

– Eu tive um péssimo pressentimento. Eu te avisei. — Enquanto falava, passei a encará-lo. Loki fechou os olhos e ergueu as sobrancelhas em derrota.

Ele sabia que eu estava certa.

– Boa noite. — Praticamente ordenou que eu ficasse quieta e fosse para meu quarto, então deu-me as costas, entrando em seu quarto e batendo a porta com força.

Estava com vontade de fazer o mesmo que Dobaruk havia feito, mas queria acrescentar umas porradas na cara de Loki.

Ele estava merecendo.

Além de me fazer entrar nesse lugar horrível sabendo o quanto eu temia-o, deixou-me em um quarto escuro sozinha. Sem contar que falou como se estivéssemos encrencados apenas pelos Elfos estarem aqui.

Em contos de fadas e também em livros, Elfos são bonzinhos, ora!

Caminhei até meu quarto e assim que abri a porta, desejei com todas as minhas forças voltar para Asgard. Estava sujo, escuro e desarrumado. Havia apenas uma vela acesa, em cima de uma escrivaninha ao lado da cama. Rezei para que não houvessem bichos desconhecidos ou talvez até mesmo ratos e corri para a cama. O meu plano era pegar no sono rapidamente e esquecer onde eu estava e em que situação me encontrava.

Claro que isso não deu certo.

O sono parecia ter desaparecido juntamente com o meu cansaço. Rolei inúmeras vezes na cama, até mesmo contei carneirinhos até cansar, mas nada do que fiz adiantou.

Passei a olhar a janela e lá estava o céu escuro que eu tanto gostava. Levantei-me da cama e andei em direção à janela, parando para observar tudo que havia lá fora.

O lugar não era dos melhores, na verdade. Haviam inúmeras árvores mortas (queimadas), sem contar no gramado que nem mesmo parecia um. As criaturas de fogo andavam por todo o local, derrubando e queimando ainda mais as árvores e plantas que sobravam.

Olhei ainda mais adiante e avistei grandes montanhas pelas quais eu havia passado juntamente à Thor e os outros.

– Eu estava em um lugar tão bonito. Veja só onde estou agora...- Resmunguei e passei a olhar para o terreno do castelo. Não demorei muito para encontrar alguns elfos jogados em um canto. Estavam em cima de algo que parecia lama e estavam...Apanhando?

As criaturas de fogo urravam, mostrando gostar daquilo. Usavam um chicote enorme para bater naqueles pobres corpos que gritavam em agonia. Meus olhos arregalaram-se assim que vi aquilo e, naquele instante, desejei que pudesse ser forte o bastante para acabar com aquilo.

– Saia da janela, amor.

Olhei para trás, sem dizer nada e assim que o vi lançar-me aquele olhar, abri a boca em completa surpresa.

– Você não vai fazer nada para acabar com isso?! Eles vão morrer! Você vai ficar aí só olhando enquanto esses monstros fazem essas cois...

– Quieta. — Ele me interrompeu enquanto usava uma das mãos para tampar minha boca. — Não grite. Eu não posso fazer nada ainda. Tenho que descobrir o que os elfos estão fazendo aqui e terei de usar esta noite para isso, pois amanhã creio que Surt nos expulsará.

– E o que você está esperando? — Falei, já em tom mais baixo.

– Não sei se já lhe disse, mas não tenho uma boa imagem para os elfos...

– Diga-me alguma raça que goste de você, Loki. Será mais fácil citar uma ou duas do que dizer todas as outras que te odeiam. — Sorri.

– É algo cômico, tenho que concordar. — Ele deu um meio sorriso e usou a mão que antes cobria meus lábios para acariciar meu rosto. — Preciso que confie em mim. Descobrirei o que está acontecendo e assim que possível resolverei isto. Porém, temos que ir embora amanhã.

– Mas...Muitos morrerão se formos agora!

– Não posso arriscar a sua segurança. A vida deles não é importante para mim assim como a sua.

– Mas são vidas, Loki. Não podemos deixá-los, você sabe disso. Eu sabia que tudo seria perigoso, mas mesmo assim eu aceitei viver com você, não é? Devemos enfrentar isso juntos. — Passei a olhá-lo profundamente e sorri, usando ambas as mãos para acariciar o rosto dele, assim como ele fazia com o meu.

– A compaixão é uma de suas melhores qualidades, Scarllet. Mas em momentos como este, será apenas nossa maior fraqueza. Dobaruk é forte, mas ele continua sendo um anão e, em uma luta física contra elfos e gigantes de fogo, eu provavelmente perderia. Você...você é mortal. Nunca conseguiremos salvá-los se formos as novas vítimas. Precisamos de uma estratégia, e eu...

– Ué, vamos criar um plano agora! Eu tenho uma ótima mira! Se você me arranjasse um arco, eu poderia acertar o olho de todos os monstros. Até mesmo de Surt se você quisesse. Eu consigo lutar! Não precisamos fugir, eu..

– Scarllet! Não insista! Você não pode ficar aqui! Eu disse que a protegeria, e é isto que farei, mesmo que você tente me impedir. Coopere comigo, estou pedindo.

– Mas...Eu posso ajudar.

– Sei que quer ajudar, mas aceite que está fora do nosso alcance no momento e não crie confusões. — Ele fechou os olhos e respirou fundo, encostando sua testa na minha. — Não posso deixar que nada aconteça com você, compreenda. Eu os ajudarei, mas preciso tirá-la daqui primeiro.

Enquanto ele falava, também fechei os olhos e passei a senti-lo. Apesar das condições precárias, Loki ainda cheirava bem. Comecei a desconfiar que ele era praticamente um vidro de perfume ambulante. Passei minhas mãos em sua nuca e ele soltou o ar de uma forma desesperada. Sabia que não era a hora para pensamentos pervertidos, mas ele estava uma verdadeira belezinha naquela escuridão.

– Não me provoque...- Ele quase rosnou, enquanto jogava a cabeça para trás e essa foi a minha deixa. Passei a depositar alguns beijos no pescoço dele e ele apertou minha cintura.

Ignorei suas palavras maldosas e continuei beijando-o. Loki não tardou a juntar nossos lábios como se estivesse com fome. Levou uma das mãos até meus cabelos, bagunçando-os completamente. O beijo era desesperado e ele ditava o ritmo de tudo enquanto levava minha cabeça para onde queria enquanto puxava meu cabelo.

Continuei passando minhas mãos pelo corpo dele e, assim que a mão que estava em minha cintura desceu para os meus glúteos, ele pulou para trás e se afastou. Ambos sorrimos.

– Terminaremos isto mais tarde. — Lançou-me um olhar que eu julguei ser mais quente que o fogo dos gigantes lá fora. — Fique aqui. — Assenti e ele logo saiu do quarto, deixando-me só novamente.

– Como eu queria um banho gelado agora...- Disse para mim mesma e voltei para cama.

Não tardei a pegar no sono.

***

Acordei com a claridade que entrava pela janela e logo levantei-me. Saí do quarto e fui até o quarto de Dobaruk.

– Entre. — Ele disse e eu logo o fiz, dando de cara com um anão nu.

– Meu Deus! — Virei-me de costas para ele. — Coloque uma roupa!

– Estou vendo um rubor no seu rosto ou será que é impressão? — Ele semicerrou os olhos e riu. — Eu devo ser bem mais gostoso que aquele magrela, né?

– Se eu responder, você vai ficar chateado, então ficarei em silêncio. Já colocou uma roupa?

– Já.

Algo me dizia que eu não deveria confiar naquilo, então permaneci de costas.

– Coloque logo ou eu corto seu cajado de ouro com uma faca.

– Um instante. — Respondeu e só então pude ouvir seus passos atravessarem todos os cantos do quarto, até que finalmente Dobaruk jurou estar vestido.

Ambos saímos do quarto de Dobaruk e fomos até o quarto de Loki em seguida. Fomos obrigados a invadir, pois ele não abrira a porta mesmo depois de eu tê-lo chamado inúmeras vezes.

– Ora, onde ele se meteu? — Dobaruk balbuciou, enquanto checava todos os cantos do quarto. — Achei que ele ainda estivesse dormindo.

– E deveria estar. Aconteceu alguma coisa, Dobaruk. Temos que encontrá-lo.

Coloquei o capuz para cobrir meu rosto e corri até a sala do trono ao lado de Dobaruk. Todo o meu medo e pavor por Surt já não importava. Tudo o que eu temia era que Loki pudesse estar com problemas.

Assim que chegamos perto da enorme porta que dava acesso à sala onde eu julgava que Surt estava, tentamos espiar sem chamar a atenção. Loki não estava em frente ao trono, mas Surt permanecia sentado, como se esperasse por alguma coisa.

– Ele não está lá. — Sussurrei. — Não devemos falar com Surt ou podemos causar problemas. Loki ficaria muito irritado, além do mais, podemos acabar com a nossa própria segurança.

– Eu não causo problemas com tanta facilidade assim!

– Pelo que sei, anões são extremamente impacientes. — Olhei-o em tom de deboche, fazendo Dobaruk bufar. — Não causaria problemas se ficasse quieto, o que é praticamente impossível. — Sorri.

– Muito engraçado. Começo a rir agora ou mais tarde?

– Ah, fique quieto de uma vez. — Dei-lhe um tapa na cabeça. — Vamos procurá-lo por aí.

– Que plano brilhante, madame. Você só se esqueceu de que estamos em um castelo desconhecido no reino de Muspelheim. E além disto, estamos cercados por elfos negros e por gigantes de fogo. Esqueci alguma coisa? Ah! E acabamos de perder o único deus que tínhamos ao nosso lado.

– Você deveria ter me dito que era azarado. Geralmente, gnomos trazem sorte.

Dobaruk parou de caminhar e olhou-me incrédulo. Não pude me conter e gargalhei durante todo o caminho que estávamos fazendo, até que ele se irritou e gritou para que eu parasse de perturbá-lo.

Demorei mais alguns minutos para finalmente parar de rir, mas consegui me controlar.

– Quase desejei que um gigante pisasse em você, mas não seria cavalheiresco da minha parte. Hoje deve ser seu dia de sorte. — Dobaruk praticamente cuspiu aquelas palavras em meu rosto.

– Sem dúvidas. — Rolei os olhos.

Passamos a caminhar pelo castelo, nos escondendo em cantos minúsculos para que ninguém nos encontrasse fuxicando. Dobaruk era pequeno e conseguia esconder-se facilmente. Já eu...Quase quebrei meus ossos inúmeras vezes enquanto tentava me enfiar em algum lugar para me esconder dos elfos que caminhavam pelos corredores.

Enquanto caminhávamos, avistei uma enorme porta em um canto afastado do castelo. Haviam alguns dizeres na mesma, mas eram apenas palavras que eu não reconhecia.

– O que será que tem aí? — Perguntei, aproximando-me da enorme porta. Passei uma das mãos por ela, assustando-me ao sentir algo me espetar. — Ai!

– O que houve?

– A porta...Me espetou. — Olhei para minha mão e notei que dois dos meus dedos sangravam. — Como isso é possível?

Dobaruk aproximou-se dela e encostou seu rosto na parede, tendo uma visão precisa do que ali havia.

– São espinhos. — Disse. — Torça para que não sejam venenosos. — Ele olhou para minha mão que sangrava. — Deve haver alguma coisa muito importante aí dentro...

– E eu gostaria muito de saber o que é. — Ambos falamos ao mesmo tempo enquanto nos olhávamos.

– O que pretende fazer para abrir? — Perguntei e Dobaruk deu de ombros.

– Odeio admitir, mas precisamos do magricela. Eu não posso usar minha força já que não posso tocá-la. Provavelmente deve estar protegida com algum campo de força. Seria perda de tempo.

Assenti e logo nós dois ouvimos um grito. Caminhamos por alguns segundos até chegarmos em um lugar que parecia ser a cozinha do castelo. Dobaruk abaixou-se e rastejou pelo chão, entrando no local sem ser visto. Não tardei a segui-lo e ambos nos escondemos em baixo de uma das mesas de madeira.

Uma mulher surgiu de trás de umas das paredes e ficou à nossa frente. Dobaruk e eu éramos capazes de ver apenas os pés dela, mas logo mais dois pés surgiram do mesmo lugar de que ela havia vindo.

O que realmente me surpreendeu foi que eu conhecia aquelas botas.

– Não posso fazer o que está me pedindo. — A elfa falou quase que em um sussurro, mas eu tinha uma boa audição quando estava brava. — Se ele descobrir, me matará.

– Sei disso, por isso estou oferecendo a minha ajuda. Poderá fugir comigo quando eu me for, e isso será em breve. Hoje a tarde, para ser mais preciso. — Houve um momento de silêncio e Loki não tardou a continuar. — Vamos, conte-me o que o seu povo está fazendo servindo este porco.

– Isto não é da sua conta, filho de Odin. Você escreveu seu destino vindo até aqui. Surt nunca deixará que você saia, espero que saiba. O que ele lhe prometeu?

– Fui enviado por meu pai, encarregado de levar um presente de Surt para ele.

A mulher gargalhou.

– Asgardianos são realmente tolos. Você nunca sairá daqui, asgardiano. Morrerá hoje ou passará a eternidade mofando neste lugar, assim como todos nós. Tenho muito trabalho a fazer, vá embora. — Ela andou até ele e tentou empurrá-lo para fora do local, mas Loki manteve-se no lugar.

– Eu só quero compreender o que ele está fazendo, assim posso libertar todos vocês.

– Devo acreditar que veio aqui apenas para libertar meu povo, sem querer nada em troca? Devo acreditar que agora você é como seu irmão? Suas mentiras não me afetam.

– Não me compare à meu irmão. — Ele falou pausadamente, mostrando estar nervoso. — Para ser franco, não me importo com o que acontece com você, nem com seu povo. Tudo que posso dizer é que alguém me convenceu a ajudar.

– Alguém te convenceu? Não acredito. Você não recebe ordens de ninguém.

– Não foram ordens. Estou fazendo porque...A bondade dela é tanta que não quis desapontá-la. — Assim que ouvi aquelas palavras, levei minha mão direita ao peito e apertei o tecido do vestido que usava com o intuito de me conter. — Ajude-me. Como abro aquela porta?

– Você é o mago aqui. — Ela riu. — Tudo que posso lhe dizer, asgardiano, é que Surt agora têm um aliado muito poderoso.

– Quem?

– Um grande e poderoso elfo...Ele não simpatiza muito com o seu povo.

Loki permaneceu um tempo em silêncio e isso fez com que eu e Dobaruk ficássemos apreensivos. Ele demonstrava saber quem era o tal elfo poderoso, e pior, ele parecia ter ficado preocupado por descobrir.

– Eles estão juntos para tentar destruir Asgard? Como farão isso? Pretendem usar o presente como arma destrutiva ou Malekith pretende apenas usar o poder dos gigantes de fogo para tomar Asgard? Diga-me!

– Eu não diria nada à você mesmo que soubesse de alguma coisa. Agora, quer saber qual era a verdadeira intenção de Surt para chamá-lo aqui? Ele temia que você descobrisse qual era o plano dele, por isso exigiu que fosse você quem viesse buscar o presente de Odin. Quando estivesse aqui, poderia matá-lo, assim você não iria impedir seu plano. Porém, o que ele não esperava era que você iria descobrir tão rápido o que ele demorou diversos anos para planejar. — Ela riu. — Você é mesmo indomável. Estou surpresa.

– Então..Ele planeja me matar hoje? Como? — Ele andou até os caldeirões que preparavam a comida. — A comida está envenenada?

– Com o veneno mais poderoso de todos, um que você conhece bem. Mas posso garantir que não será apenas isto. Sua morte será lenta e dolorosa, príncipe. — A voz da mulher continha uma alegria plena. — E sabe do que mais? Eu vou adorar vê-lo agonizar até a morte.

Loki tornou-se um borrão e logo nós dois fomos capazes de ver os pés da elfa saírem do chão. Ela fazia barulhos estranhos, como se estivesse se afogando, enquanto Loki permanecia parado em frente ao seu corpo suspenso.

– É uma pena que você não viverá tanto para isto.

Assim que Loki terminou de falar, o corpo da mulher caiu imóvel no chão. Dobaruk e eu usamos a oportunidade para finalmente sairmos de baixo da mesa e Loki nos olhou surpreso.

– O que estão fazendo aqui?! — Ele gritou.

– Vendo você assassinar uma cozinheira do Rei. Você é tão brilhante quanto ela. — Dobaruk usou o queixo para apontar para mim. — Então, quer dizer que você nos trouxe para uma armadilha e o único destino que temos é a morte? Emocionante.

– Eu sabia que havia algo errado, por isso vim até aqui. Mas não esperava que o que me esperava era a morte. — Loki resmungou e quando finalmente seus olhos encontraram os meus, ele franziu o cenho. — Não posso simplesmente permitir isto, pois se me matarem, matarão você também.

– E eu. — Relembrou Dobaruk.

– E quem disse que eu me importo com você? — Loki passou por Dobaruk e empurrou-o para fora de seu caminho, caminhando até mim. — Não deixarei que nada aconteça com você. Não se preocupe.

– Sei disso. — Aproximei meu rosto do dele e dei-lhe um beijo rápido nos lábios. — O que pretende fazer?

– Precisamos abrir aquela porta para descobrir o que Surt pretende fazer. Assim que conseguirmos, teremos que fugir. Ele provavelmente já avisou Malekith sobre minha estadia aqui, por isso sugeriu um almoço e não um café da manhã. Queria que Malekith tivesse tempo para chegar aqui, assim poderia ter certeza que eu não escaparia.

– O que estamos esperando? — Dobaruk chamou nossa atenção e logo fomos em direção à porta misteriosa.

Loki não teve dificuldades em tirar o campo de força que lá havia, mas o que estava deixando-o preocupado era o veneno. Não havia fechadura na porta, ou seja, ela não poderia ser aberta por fora. A única opção de conseguir passar, segundo Loki, era atravessando-a ou usando o teletransporte. Embora ele soubesse que a porta era muito espessa e, por isso, talvez fosse impossível atravessá-la.

– Tente usar o teletransporte, então. — Falei.

– Não posso me teletransportar para um lugar que não conheço. — Ele explicou e eu dei de ombros.

– E se nós...Explodíssemos a parede?

Dobaruk comentou, chamando a atenção de Loki que pareceu frustrado por sua ideia.

– Brilhante, anão. O que diríamos para os guardas de Surt? "Já descobrimos o plano, por isso vamos roubar o presente e fugir". Que tal isto?

– Teríamos poucos segundos para entrar, mas explodindo pelo menos um pedaço da parede, você conseguiria ver o que há depois da porta. Ou seja, você iria conseguir se teletransportar rapidamente para o outro lado. Pena que não temos um anão forte o bastante para quebrar a parede para você, majestade. — Debochou o loiro, fazendo Loki bufar irritado.

– Sabem que depois disso, teremos um tempo limite até que Surt apareça, abra a porta e mate a gente. Precisaremos entrar, passar por todas as armadilhas que devem estar muito bem colocadas e escondidas, pegar o que quer que seja que achamos suspeito, torcer que seja leve para conseguirmos carregar e, além disso tudo, teremos que sair antes que Surt chegue. Nossa, vai ser moleza. Por que vocês estão hesitando mesmo?! — Olhei para eles com um sorriso no rosto. — Porra, vocês enlouqueceram?! Nós vamos morrer!

– Quem está sendo negativa agora? — Loki olhou para mim em deboche pelo que havia dito a ele antes de entrarmos no palácio e eu fuzilei-o com o olhar, fazendo-o sorrir. — Muito bem, anão. Faça.

Dobaruk não tardou a obedecer e apenas respondeu para Loki com um sorriso no rosto. Tirou um machado enorme da sacola que vinha carregando e, rápido como um raio, acertou a parede. Foi forte o suficiente para abrir um enorme buraco, mas o outro lado ainda estava escondido. Dobaruk acertou outra vez usando mais força e assim conseguiu quebrar.

Loki foi até a parede quebrada e olhou o que havia do outro lado. Andou até nós dois e passou seus braços sobre nós, como se estivesse nos abraçando. Fechei os olhos e, um segundo depois, Loki chamou a minha atenção.

– Temos que ser breves, amor. Venha. — Ele estendeu sua mão para mim e eu sorri por sua bondade, segurando-a.

Corremos por todo um corredor escuro e logo avistamos uma grande escadaria. Dobaruk desceu correndo e, antes que Loki pudesse fazer alguma coisa, Dobaruk sumiu do nosso campo de visão.

Ouvimos um grito estrondoso e corremos em sua direção para poder ajudá-lo. Olhamos para baixo e avistamos lava ao fundo do local. Não havia chão, apenas a escadaria que nos levava à uma outra porta. Dobaruk estava pendurado em uma pedra, um pouco abaixo de onde nós nos encontrávamos.

– Aguente, Dobaruk! Vamos ajudar você! — Gritei para ele, que mantinha uma expressão de pavor.

Olhei para os lados, tentando descobrir uma forma de chegar até onde ele estava para poder ajudá-lo, mas para o nosso azar, não havia nenhum caminho para chegar até lá.

– Scarllet, aquelas pedras abaixo da escadaria estão ali apenas por uma razão: para fazer com que a queda de qualquer um seja ainda mais dolorosa...- A voz de Loki chamou a minha atenção e eu passei a olhá-lo com medo do que ele iria dizer em seguida. — Não podemos salvá-lo, estamos perdendo tempo. Morreremos se não formos em frente agora.

– Não vou deixá-lo, Loki. Ele é nosso amigo, não podemos fazer isso! Temos que salvá-lo! — Gritei enquanto olhava-o, incrédula. — Como você pode desistir assim? Se quer continuar, pode ir! Eu ficarei e encontrarei uma forma de salvá-lo sozinha.

– Ei, vocês dois! Estão esperando o que? Vocês precisam ir em frente! Não se preocupem comigo, eu vou dar um jeito de sair dessa. — Ouvi a voz distante de Dobaruk e logo ajoelhei-me na escada, tentando ficar mais próxima dele. Ele lutava para segurar-se na pedra com suas mãos que obviamente estavam escorregando, já que não havia nada em que ele pudesse segurar-se. — Vão!

– Não! Não vou deixá-lo, Dobaruk! — Gritei, tentando impedir que minhas lágrimas escorressem por meu rosto. Acabei ficando com a visão turva por conta delas.

– Quero que perdoe-me pelo que farei a seguir. — Disse Loki, antes de levantar-me com apenas uma mão. Colocou-me sobre seu ombro e passou a correr enquanto descia a imensa escadaria.

– Nos vemos no inferno, Laufeyson! — Ouvi Dobaruk falar e aquilo foi o suficiente para que eu passasse a me debater contra os braços fortes que me seguravam, enquanto gritava as mesmas palavras de sempre, que eram ignoradas por Loki, como eu esperava que ele fizesse. Embora estivesse me debatendo em suas costas, Loki levantou um dos braços alto o suficiente para que Dobaruk conseguisse ver, como se estivesse dizendo um "até mais, parceiro. Nos vemos logo".

A porta já estava próxima, mas tudo que eu olhava era meu amigo segurando-se para não cair na lava. Loki parou de correr e, enquanto fazia alguma magia que eu julguei ser para abrir a porta, Dobaruk não aguentou mais e soltou-se. Mas mesmo depois de vê-lo soltar-se, eu pude ouvi-lo dizer algo.

– Eu te amo, minha bela deusa!

Assim que ouvimos aquela pequena frase, Loki conseguiu abrir a porta e nós entramos em um outro local, muito parecido com uma caverna de morcegos. Loki colocou-me no chão e eu abracei meus joelhos, em silêncio, enquanto ele continuava encarando-me.

– Foi necessário, Scarllet. Precisa compreender isso.

– Não me venha com essa agora. Você sabe que poderíamos tê-lo salvado.

– Você tem razão, poderíamos. Mas nos atrasaria e daria tempo suficiente à Surt para chegar até nós. Ele sacrificou sua vida para dar uma chance para nós, Scarllet. Não podemos desperdiçar isso. — Disse enquanto ajoelhava-se à minha frente, ficando praticamente na mesma altura que eu. — Devemos seguir em frente. — Colocou uma de suas mãos em meu ombro e usou a outra para levantar minha cabeça.

Fechei os olhos e respirei fundo, procurando forças para levantar-me. Sabia que Loki tinha razão, mas ainda doía saber que Dobaruk estava morto, ainda mais sabendo que havia sido por minha causa.

Loki aproveitou a oportunidade para ajudar a levantar-me e logo voltamos a correr. Diferente do que havia pensado, não haviam muitas armadilhas, por isso conseguimos chegar ao nosso destino sem problemas.

Era um local enorme e estava completamente lotado de ouro e algumas outras coisas que deveriam ser valiosas. Mas, o que realmente chamou a atenção de Loki não foi nenhum daqueles tesouros, afinal, ele era um riquinho desgraçado.

Havia algo semelhante à um pedestal bem no meio do local e, ele servia apenas para diferenciar uma coisa que eu não julguei ser importante.

– Uma luva? — Franzi as sobrancelhas. — Só pode ser brincadeira. Tudo isso por uma maldita luva?

Olhei para Loki, tentando compreender aquela situação mas logo que coloquei meus olhos nele, fiquei em silêncio. Seus olhos estavam arregalados enquanto ele encarava a luva.

– Loki...O que é aquilo?

– É a Manopla do Destino...Mas ela estava...Deveria estar no cofre de Odin. Temos que pegá-la. Se Malekith ou Thanos colocarem as mãos nela, tudo estará perdido.

– Não sei o que está acontecendo, mas pela sua cara não é muito bom. Ok, então vamos pegar e dar o fora.

– Não, fique onde está. Tem algo errado, está muito fácil. Provavelmente, assim que tocarmos o chão, algo acontecerá. — Ele caminhou lentamente até mim e passou um braço pela minha cintura. — Não se mova. Vou me teletransportar até lá, mas você não pode tocar em nada. — Alertou-me e eu assenti.

Em um piscar de olhos, lá estávamos nós. Loki levantou sua mão e levou-a até a luva, tocando-a delicadamente, enquanto eu permanecia parada. Quando ele tentou retirá-la do pedestal, a luz que pairava sobre o local tornou-se intensa, assustando-nos.

Loki cambaleou para trás, mas logo voltou a ficar ereto. Porém, para a nossa alegria, sua capa tocara em um tesouro que estava bem abaixo de nós.

– Sua capa...- Resmunguei e logo fui interrompida pelas pedras que começaram a cair sobre nós. Loki teletransportou-nos para longe do pedestal, que de repente tornou-se longo e levou a luva com rapidez para cima, atravessando o teto. — Não! Temos que pegá-la!

– É tarde demais, Scarllet. — Enquanto Loki falava, ouvimos urros em nossa direção. Ambos olhamos para o caminho que havíamos feito e notamos fortes luzes que diminuíam e aumentavam com frequência. — Eles nos encontraram.

Assim que fomos capaz de enxergar os Gigantes de Fogo acompanhados por seu Rei, que parecia estar mais nervoso do que nunca, Loki fechou os olhos e nos levou de volta para Asgard.

Caímos de joelhos, exaustos, bem à frente de Odin e Frigga, que estavam sentados na sala do trono. Thor e os outros estavam bem atrás de nós e exclamaram surpresos quando aparecemos.

– Loki! Scarllet! O que aconteceu com vocês? — Perguntou Frigga, levantando-se para vir de encontro à nós.

– Quase fomos mortos por Surt. — Começou Loki. — Ele pretendia me matar, mas eu descobri tudo à tempo. — Resmungou e levantou-se, ajudando-me a fazer o mesmo. — Ele está com a Manopla do Destino.

O silêncio pairou no local, até Odin finalmente pronunciar-se.

– O que está dizendo, Loki? Ela está segura no cofre.

– Eu também pensava que sim, mas parece que Surt conseguiu roubá-la sem que ninguém notasse. Ele planeja atacar Asgard em breve, e ele têm a ajuda de Malekith. Está mantendo os elfos em seu reino como escravos e, agora que possui a luva, Thanos provavelmente tentará pegá-la. Surt aproveitará esta chance para exigir a ajuda de Thanos na guerra contra Asgard, e ele aceitará sem hesitar. — Loki fez uma pausa para respirar fundo. — Surt sabia que eu era o único que poderia descobrir seu plano, por isso exigiu que eu fosse até lá buscar seu presente que não existe. Seu único interesse era que eu fosse sem companhia, assim como aconteceu, para que ele pudesse matar-me sem esforço. Se me permite dizer, devemos nos preparar para a guerra o quanto antes, pai.

– Thor, prepare o exército. Esta será a pior guerra que já enfrentamos.

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Notas finais
Antes de falar mais, apenas uma observação: Surt e Surtur são a mesma "pessoa". Existem vários fatos históricos que referem-se à ele por qualquer um dos nomes, ou até por ambos. Então, tanto faz, okay? xD
Estou desanimada, sinceramente. Não consigo pensar no que posso fazer nos capítulos e não consigo fazê-los grandes. Espero que tenham gostado um pouco e que me ajudem a ter mais inspiração para os próximos. Beijos e bom fim de semana.