New Life With Aliens

23 We will be three.


Notas iniciais
Bem, primeiramente, quero agradecer às leitoras que se manifestaram, e eu quero pedir novamente para que as outras sigam estas lindas como exemplo e comentem, pois só assim eu continuarei a escrever, certo?
Fiz meio que correndo e para postar logo, acabei postando sem ver se haviam erros. Portanto, perdoem se houver um erro muito horrível aí KK assim que eu encontrá-lo, irei arrumar.
Depois do segundo *** Loki será o narrador. :D

Thor havia recebido a ordem de preparar o exército já fazia dois dias, e isso estava causando um grande alvoroço no palácio, um bem pior do que eu poderia imaginar.

Haviam guerreiros treinando suas habilidades com a espada uns com os outros; os arqueiros treinavam acertando alvos bem distantes, alguns eu sequer era capaz de enxergar. Embora todos estivessem treinando, notei que não haviam muitos magos pela região. Na verdade, não havia visto nenhum desde que estive acordada.

– Deve ser por isso que precisam tanto dele...- Balbuciei para mim mesma e fui em direção ao jardim, com o intuito de apenas observar as flores.

– Já está acordada, minha jovem? — Ouvi a voz doce que só poderia pertencer à Frigga. — Creio que deve ter se sentido estranha com todos estes guerreiros treinando tão avidamente.

– Bom dia, Frigg. — Segurei-lhe uma das mãos e depositei um beijo na mesma. — Sim, é verdade. Fico observando todas estas pessoas treinarem tão duro e me sinto mal. Afinal, não posso fazer nada para ajudar.

– Não se amaldiçoe por isto, querida. Há sempre uma esperança.

Ouvi-a dizer isto e olhei-a nos olhos, observando um brilho que eu nunca pensei que lá havia. Era como se os olhos dela estivessem me falando algo, assim como o sorriso doce que ela abrira logo em seguida. Frigga permaneceu alguns segundos olhando fixamente para mim e, mais rápido do que pude perceber, ela deu-me as costas e caminhou em direção ao palácio.

Foi então que me ocorreu uma ideia.

– Aí está você. — Ouvi e logo senti uma enorme mão acariciar meu ombro direito. — Frigga comentou que estava buscando por mim. Aconteceu alguma coisa?

– Na verdade, aconteceu sim. — Virei-me de frente para ele. — Preciso que me ensine a lutar.

Loki manteve uma expressão de alguém que fora estapeado por minhas simples palavras, e pela minha humilde frase. Seus olhos estavam parcialmente arregalados e ele manteve sua boca entreaberta, como se estivesse tentando compreender o meu pedido, que parecia mais uma ordem.

– Isto é...

Pensei em diversas coisas ruins que ele poderia me dizer, e em diversas palavras que poderia usar. Absurdo, maluquice, besteira? Ou talvez, suicídio? Haviam tantas possibilidades e tão pouco tempo para poder criar uma resposta objetiva boa o suficiente que o fizesse mudar de ideia...

– Magnífico. — Ele terminou. — Porém, confuso. Por que isto agora?

– Está curioso? Bem...- Sorri. — Espere...Você disse que vai me ensinar? Tipo, você concorda?

– Claro. Por que não concordaria? Creio que você possui um enorme potencial, só precisa aprender a dominar suas devidas artes. — Ele sorriu para mim quando notou que eu o encarava da forma mais agradecida e apaixonada possível. — Devemos começar o quanto antes.

– Sim, senpai! Ah, isto é tão divertido e emocionante! Qual será a minha habilidade? Será que eu sou superpoderosa igual à você? Bem, claro que não posso me comparar com você, mas...

– Não comece com suas frases sem sentido, Scarllet.

– Oh, desculpe.

Apertei os passos para poder chegar até ele e entrelacei nossos braços, levantando a cabeça para olhá-lo enquanto sorria. Seguimos nosso caminho sem dizer mais nada, pois eu sabia que não era necessário.

Logo chegamos ao nosso quarto e Loki caminhou até o espelho que permanecia em um canto do mesmo. Ele recitou algumas palavras que não fui capaz de compreender e logo o espelho começou a...

Borbulhar?

– Ele vai derreter?

– Venha. — Loki estendeu sua mão para mim. — Temos que ir.

Olhei-o com as sobrancelhas franzidas, mostrando não compreender absolutamente nada. Embora soubesse que eu estava confusa, Loki não me explicou nada e simplesmente puxou-me em direção ao espelho. Não demorou muito para que nós, simplesmente, atravessássemos o espelho, chegando à um local que tinha um ar de sótão.

Haviam inúmeras estantes com livros enormes, e outros com tamanhos normais. Haviam alguns potes de vidro que continham um líquido colorido de cor diferente em cada um deles, sem contar nos objetos que estavam pendurados junto à outras armas: chicotes. Um pior que o outro.

– Porra, esse é o covil de uma bruxa masoquista? — Perguntei e Loki riu, limpando a garganta em seguida para tentar manter as aparências, como normalmente ele fazia.

– Antes de realmente começarmos, preciso que beba algo que irei preparar.

– E o que seria, posso saber?

– Você não precisa saber, apenas observe. — Respondeu e foi em direção ao local onde se encontravam o que eu julguei serem poções.

Loki misturou uns três ou quatro líquidos de cores diferentes em um só e, então, pegou uma faca, cortando seu próprio dedo. Estendeu a mão para que algumas gotas de seu sangue se juntassem ao líquido e, pouco tempo depois, colocou tudo em cálice, entregando-o para mim.

– Assim que beber isto, você terá uma parcela dos meus poderes, e nós estaremos ligados fisicamente.

– O que isto quer dizer?

– Tudo que acontecer à você, acontecerá à mim também. Vamos, beba logo. Não temos muito tempo e eu ainda preciso treiná-la.

Sem mais perguntas, fiz o que ele mandou e bebi. O gosto era incrivelmente parecido com dipirona, juntamente com estrume.

Uma delícia.

– Porra, que gosto horrível! — Fiz como se fosse cuspir o líquido, apesar de já tê-lo engolido. — Pelo amor, me diga que não vou precisar beber mais essas coisas.

– Por enquanto, não. — Olhou-me e deu um meio sorriso. Maldito, estava se divertindo às custas da minha desgraça.

Pra variar.

– Sente alguma...Mudança?

– Nada. Só minha língua que parece estar formigando depois de sentir o gosto daquela merda que você me fez beber. Sério, o que você colocou ali? Eu achava que com o seu sangue ficaria uma delícia, e tal. Afinal, é sangue...

– Espere. Você gosta de gosto de sangue?

– Quem não gosta? É uma delícia, cara. Uma vez, eu cortei o dedo e fiquei lambendo ele até parar de sangrar e...

– Tirarei proveito disto mais tarde. — Ouvi-o dizer em um tom malicioso que eu já conhecia. Tremi e suspirei por ansiedade antecipada. — Agora, poderemos começar. — Loki começou a caminhar em volta do meu corpo, lentamente, enquanto usava uma das mãos para massagear o queixo. — Feche os olhos. — Ordenou e eu o fiz. — Esqueça de qualquer som à sua volta a não ser o som da minha voz. — Respirei fundo, tentando fazer o que ele dissera. — Esvazie sua mente, livre-se de qualquer infortúnio. — Senti-o passar os dedos gelados por minha bochecha, mas tentei conter-me. Porém, um arrepio foi inevitável. — Pare. Comece outra vez.

– Ahn? Por que?

– Você se distraiu quando sentiu meu toque. Está errado, você deve esvaziar sua mente de toda e qualquer coisa que possa lhe atrapalhar neste momento. É crucial que você não sinta e não pense em nada.

– Filho, isso vai ser mais difícil do que parece. Não estou acostumada a não pensar e não sentir nada.

– Não disse que seria fácil. Realmente, é algo além da habilidade humana, mas agora você não é uma simples humana. Você possui meus poderes correndo por suas veias, e é capaz de fazer isto. Apenas acha que não é.

– Mas como posso fazer uma coisa que nunca fiz antes logo de primeira?

– Sabia que não conseguiria de primeira, por isto estou aqui. Minha função é orientá-la e, acima de tudo, ajudá-la a adquirir a completa paz em sua mente. Vamos começar novamente.

– Quando estarei pronta?

– Quando for capaz de ignorar completamente minhas ações contra você. — Ele sorriu maliciosamente. — Claro, isto será bem mais difícil do que imagina...

Oh, meu Deus. Ajude-me.

Conseguir o que Loki havia dito foi bem mais difícil do que eu pensei que seria. Sempre que pensava que estava conseguindo esvaziar minha mente, tudo ia embora rapidamente quando aquele desgraçado vinha baforar perto da minha pele e eu me arrepiava.

Ele jogou sujo diversas vezes depois disto. Passou as mãos pelo meu corpo e sempre que minha pele entrava em contato com a pele gelada dele, outro arrepio corria por todo o meu corpo e eu me desconcentrava. Loki jogou tão sujo que chegou a usar aqueles lábios maravilhos...digo, aqueles lábios desgraçados para tirar alguns suspiros de mim.

E conseguiu, é claro.

– Scarllet, concentre-se!

– É fácil pra você falar isso porque não é com você! Duvido que se estivesse no meu lugar conseguiria resistir assim, tão facilmente.

– Não duvide, pois eu conseguiria, e você iria sentir-se mal no fim. — Balbuciou e eu olhei-o cheia de ódio. — Vamos, faça certo desta vez, ou por hoje terminaremos as lições.

– Mas...Eu não aprendi nada!

– Então, concentre-se e consiga agora.

Ah, como eu o odeio.

Loki voltou a caminhar em volta do meu corpo e eu fechei meus olhos novamente, procurando esvaziar minha mente. Primeiramente, tudo que veio em minha mente foi minha família. Apesar de estarem aqui, eu quase não os via, e eu sabia que isso só iria piorar agora que a guerra estava por vir.

Sentia saudade de tudo. Deles, de nossa vida na Terra, da minha faculdade e do meu trabalho. Também sentia saudades das aventuras ao lado de Loki, Anakin e Luke. Foram bons tempos para mim, eu me divertia todos os dias com cada um deles...

– Concentre-se. Deixe toda a felicidade que está sentindo ir embora. Abra as portas para sentimentos antigos que você escondeu dentro do seu coração. Deixe-os sair, e logo você encontrará a paz em sua mente e, só então, poderá esvaziá-la por completo. — A voz dele era suave e ecoava dentro de minha mente, como também em meu coração, que acelerou depois de ouvir aquelas palavras.

Naturalmente, sentimentos antigos reapareceram em minha memória. As lembranças de minha mãe brincando comigo quando eu era mais nova, que logo abriram caminho para as lembranças da morte dela. Apesar de meus olhos estarem fechados, pude sentir que eles estavam marejados.

– Sua mãe amou você e, apesar do sentimento de perda, ela não gostaria de saber que você guarda sentimentos amargos dentro do seu coração. Deixe-os ir...

– Eu não posso. Tenho medo de me esquecer dela. — Respondi, tentando segurar o choro, apesar de ainda estar tranquila.

– Você sabe que não pode esquecê-la, e sabe que nunca ousaria esquecê-la. Portanto, deixe.

Respirei fundo e finalmente fiz o que achei que deveria. Loki estava certo, minha mãe não gostaria de saber que eu ainda guardava algo tão ruim dentro de mim, em vez de apenas lembranças boas. Logo as sensações ruins e de tristeza que estive sentindo desapareceram, deixando-me apenas com coisas boas em mente.

– Muito bem. Agora, guarde estas lembranças boas e abra as portas do seu coração outra vez. Deixe sair tudo de ruim que está enterrado lá, e você encontrará o que deseja.

Antes que eu pudesse perceber, muitas lembranças ruins da minha adolescência e infância ressurgiram. Desilusões amorosas; crueldade dos meus colegas de colégio; maldade dos meus irmãos enquanto eu apenas cuidava de todos eles com todo o amor que havia em meu coração; o caos de nossa família com a morte de nossa mãe; época que meu pai chegava bêbado em casa e brigava com todos nós; e, para a minha surpresa, a pior lembrança de todas ressurgiu com uma enorme intensidade: Loki abandonando-me enquanto eu implorava para que ele ficasse. Tudo aquilo estava passando pela minha cabeça como se fosse um filme, ou um sonho lúcido. Poderia até dizer que estava vivendo aqueles momentos ruins novamente.

Meus olhos já não eram capazes de segurar todas as lágrimas e, não muito tempo depois, todo o meu rosto estava molhado. Demorei algum tempo para poder ter controle sobre a situação, e quando o fiz, respirei fundo e permaneci em silêncio.

– Muito bem. — O tom de voz dele carregava algo parecido com orgulho e alívio ao mesmo tempo. — Agora, concentre-se apenas no nada dentro de sua mente. Diga-me com o que ele se parece.

Mais uma vez, fiz como Loki ordenou e fiquei calma, deixando apenas a tranquilidade tomar conta do meu ser. Minha mente se direcionou à um ambiente quente, e logo a voz de Loki ausentou-se, até sumir por completo.

Um campo repleto de flores brancas surgiu, enquanto as pétalas me rodeavam. Logo, o local tornou-se imensamente quente e chamas apareceram ao longe, mostrando algum incêndio bem distante de onde eu me encontrava.

O fogo não tardou a vir em minha direção e, diferente do que eu pensei, ele não me feriu. As pétalas foram queimadas e logo eram apenas pó aos meus pés. Abri ambos os braços e as chamas percorreram o meu corpo, indo em direção às minhas mãos, concentrando-se apenas lá. Em poucos segundos, todo o fogo que havia ali em volta estava em minhas mãos, tornando-se pequenas bolas de fogo.

Abri os olhos e sob minhas mãos o fogo permaneceu.

– Olhe! Estou conseguindo! — Eu gritei enquanto sorria e de repente, o fogo se apagou. — Ué..

– Você estava indo bem, mas se desconcentrou. Vamos, tente outra vez. Precisa continuar tentando até conseguir fazer uma bola de fogo rígida.

– Mas...Eu acho que vou demorar pra conseguir isso.

– Demoraria se você fosse aluna de outra pessoa. — Ele parou de caminhar em volta de mim e, parou de frente para mim. Aproximou-se até que nossos rostos estivessem bem próximos e deu um meio sorriso. — Mas como eu sou o seu professor, você conseguirá ainda hoje. Não te deixarei ir até que domine seu elemento.

– M-mas Loki...

– Você está indo bem, Scarllet. Estou surpreso por sua força de vontade e por você não ter desistido. Há inúmeros outros fatores que me deixaram surpreso, na verdade.

– Sério? E quais são?

– Mais tarde eu lhe contarei. Agora...- Ele fechou os olhos e encostou sua testa na minha. — Tente de novo. Ganhará uma recompensa se conseguir. — Disse e logo afastou-se de mim, deixando-me desapontada, porém decidida a continuar e finalmente conseguir completar minha lição.

Passei mais algumas horas tentando criar aquela bola de fogo rígida, mas parecia que eu estava sem foco. Quando estava quase desistindo, Loki repreendeu-me e eu voltei a treinar com toda a força de vontade que possuía.

Não tardei muito mais a finalmente conseguir.

– Bingo! Consegui! — Levantei ambos os braços e bati palmas acima de minha cabeça. — Quero a minha recompensa. — Brinquei, sem deixar de sorrir.

Loki cruzou os braços e abaixou a cabeça parcialmente, mostrando-me um meio sorriso que fez com que ele ficasse ainda mais lindo do que era normalmente. Caminhou até mim e usou ambas as mãos para acariciar a pele de meus braços, que ainda estavam erguidos. Levou a mão direita até meu pulso direito e juntou-o com meu outro pulso, segurando ambos com apenas uma das mãos sem qualquer esforço.

Levou-me até a parede e, assim que pude senti-la em minhas costas, Loki selou meus lábios com um beijo tortuosamente lento, porém maravilhoso. Tentei soltar-me para poder passar minhas mãos em seu rosto, corpo e para puxar-lhe o cabelo, mas ele não permitiu que eu o fizesse. Ele aumentou a intensidade do beijo até deixar-me sem ar e aproveitou a oportunidade para beijar a pele do meu pescoço.

Não pude deixar de suspirar desesperadamente, fechando os olhos enquanto esperava por mais carícias que não vieram. Loki afastou-se, enquanto me observava. Demorei um pouco para voltar à realidade que me fora arrancada por seus lábios e, quando o fiz, bufei irritada.

– Maldito, sempre me provocando.

– Continuaremos amanhã. Preciso fazer alguns preparativos para seu próximo treinamento. Descanse.

Loki deu-me as costas e atravessou o espelho, fazendo-me segui-lo logo em seguida. Assim que voltei para o quarto, ele já não estava mais lá. Observei o espelho e encostei uma das mãos no mesmo, e ele parecia sólido outra vez.

– Isso é muito estranho, mas muito legal também. — Disse para mim mesma e saí do quarto, indo em direção à sala onde a mesa de jantar estava.

Encontrei apenas as garotas, Anakin e Luke. Estavam sentados em volta da mesa, conversando alegremente.

– Scar, finalmente você apareceu! Vem cá! Já tomou café?

– Tomei, eu acordei mais cedo hoje. Vim aqui justamente pra procurar alguém, e já encontrei. — Andei em direção à mesa. — Sif, gostaria de te pedir ajuda.

– Ajuda? Para mim? — Ela olhou confusa para mim e eu assenti. — Com o quê?

– Ensine-me a lutar com uma espada.

– O quê?! — Todos gritaram ao mesmo tempo.

– Sif, eu preciso. Não quero continuar a ser uma inútil enquanto a guerra se aproxima. Eu quero ser capaz de ajudar, e digamos que agora eu posso.

– Agora você pode? O que quer dizer com isto? Você é mortal e é fraca. Não duraria nem um minuto com uma espada em mãos...

– Loki passou uma parcela de seus poderes para mim. Sou forte o bastante para segurar uma espada, mas preciso aprender a usá-la. Por favor.

Sif olhou-me profundamente, mas nada disse. Fui obrigada a insistir mais algumas vezes até que ela finalmente percebesse que eu não iria desistir até que ela aceitasse. Ela concordou comigo, e concordou até em ajudar Jane e Darcy a treinarem usando um arco.

Não era novidade para ninguém que Sif não era uma fã de Jane, afinal, todos sabíamos que Sif era apaixonada por Thor desde...sempre. Mesmo à contragosto, Sif nos ajudou e até que foi simpática comigo, apesar de ser um pouco casca-grossa.

Uma semana passou rapidamente e eu continuava treinando e me esforçando o máximo que podia. Durante a manhã, Loki me ajudava a dominar o fogo e me ensinava algumas magias; durante a tarde, Sif me ajudava e me treinava com a espada, ajudando também com o arco.

– Você tem uma ótima mira, midgardiana. Você treinará esta noite comigo e irá ultrapassar todos os obstáculos que surgirão. Precisa treinar seus reflexos. Quando conseguir dominá-los perfeitamente, não haverá criatura que escape de sua flecha. Seu tiro será certeiro. — Sif falava enquanto subia em seu cavalo. — Venha comigo, vou levá-la até um local que costumo usar para meus treinamentos.

– É muito longe? — Perguntei, curiosa.

– Mais distante do palácio do que você jamais foi. — Ela abriu um sorriso amedrontador e esticou um dos braços em minha direção. — Suba.

Fiz o que ela mandou e ambas cavalgamos para longe do palácio, indo em direção ao local de treinamento de Sif.

Passamos por uma floresta escura e assustadora, cheia de barulhos estranhos demais para serem julgados normais. Apesar de não imaginar o que poderia encontrar ali, não estava com medo. Pelo contrário, queria encontrar alguma ameaça para que eu pudesse testar as minhas habilidades que estive treinando tão duramente durante toda a semana.

– Parece que o super-ego de Loki passou para mim também...- Debochei e Sif bufou, divertida.

– Estou começando a concordar com você, midgardiana.

Desde quando Sif era tão legal assim?

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***

Duas semanas era o tempo correto em que estive treinando manhã, dia e noite. Estava exausta e acabei pedindo uma trégua para Sif apenas por ser sábado. Ela não gostou muito da ideia e disse que uma guerra nunca espera até que nós fiquemos descansadas, mas acabei contando-lhe a verdade.

Não estava me sentindo bem há alguns dias, mas hoje estava realmente difícil suportar.

Passei a manhã treinando com Loki e, logo que consegui concluir minhas lições, voltei rapidamente para o quarto e joguei-me na cama, apagando logo em seguida.

Acordei algumas horas depois e notei que ainda estava de dia, graças à luz do dia que insistia em entrar e iluminar todo o quarto. Gemi desgostosa e cansada, massageando ambos os olhos.

– Você está se sentindo bem?

– Ai, porra! Que susto! — Dei um pulo, levantando da cama, mas logo senti que cairia e segurei-me na parede. — Estou péssima. Sinto tontura, mal estar e enjoo.

– Por que não me disse? Você treinou comigo mesmo estando assim?

– É claro. Não tenho tempo para ficar me importando com as minhas besteiras mortais.

Loki olhou para mim com ambas as sobrancelhas arqueadas e riu.

– Porra, tô falando igual a você! Agora sou uma preconceituosa com humanos...E pior que eu sou uma! Triste...Onde já se vi...- Fui interrompida por algo desagradável mexendo-se em minha garganta e, de repente, não fui mais capaz de segurar.

– Scarllet...O que é isso?! — Loki correu até meu corpo que estava ajoelhado no chão, tremendo.

– Isso é vômito, querido. Humanos geralmente fazem isso quando se sentem mal...Meu estômago não 'tá legal.

– Mas você não comeu praticamente nada esta manhã.

Aquilo era verdade, e era isso que me assustava. Estive comendo apenas coisas saudáveis desde que cheguei em Asgard, pois aqui não havia praticamente nenhuma besteira que eu estava acostumava a comer. Senti muita falta do meu querido chocolate, mas agora eu sequer me lembrava disso.

Claro que uma torta holandesa não faria mal a ninguém, mas...

– Ficarei bem. Só preciso descansar um pouco...Não se preocupe, isso é...

– Chamarei minha mãe. — Disse e saiu rapidamente de nosso quarto.

Não tive tempo suficiente para impedi-lo, então, levantei-me e voltei para a cama com o intuito de dormir até o próximo dia. Embora essa fosse a minha intenção, Frigga não tardou a chegar para acabar com todos os meus planos de dormir mais.

– O que está sentindo, minha jovem? — A voz doce dela transmitia tranquilidade para qualquer criatura viva, eu imaginei. Frigg andou até a cama e sentou-se ao meu lado, colocando uma das mãos em minha testa. — Você não está quente, e aparenta estar bem.

– Isso é porquê estou bem, Frigg. Só estou cansada. — Sorri. — Assim que descansar, me sentirei renovada. Por favor, não se preocupe comigo.

Apesar de estar completamente certa de que não era nada além de um cansaço, Frigga parecia não concordar comigo. Ela colocou uma das mãos em minha barriga e fechou os olhos, como se estivesse procurando alguma coisa. Frigg passou alguns segundos e quando ela finalmente abriu os olhos, eles estavam arregalados.

– Curioso e...Belíssimo.

– O quê é curioso? Não estou entendendo...- Resmunguei e franzi o cenho, sem deixar de encará-la.

Frigga não me respondeu, apenas sorriu e olhou diretamente para Loki, gesticulando para que ele saísse do quarto e nos deixasse sozinhas.

– Precisamos conversar, querida. — Disse, antes de sorrir como se não estivéssemos prestes à ter uma guerra terrível. — Isto pode ser a esperança que todos nós estávamos procurando.

Que merda ela estava falando, afinal?

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***

Depois de ter sido expulso do meu quarto por minha própria mãe, decidi ir à procura de Jane e Darcy. Afinal, ambas eram midgardianas e deveriam saber o que fazer quando se está passando mal desta forma.

Caminhei até os aposentos de ambas, mas não as encontrei. Fui, então, em direção à sala, também sem sucesso.

– O que está procurando, Loki? — Ouvi a voz de Anakin que eu sequer havia notado estar ali. Tinha um costumeiro livro em mãos, como sempre.

– As midgardianas. Você sabe me dizer onde estão?

– Foram ao jardim acompanhadas por Sif e Thor...- Antes que ele pudesse terminar, dirigi-me até o portão frontal do palácio. — De nada.

Assim que passei para o lado exterior do palácio, fui capaz de avistar os quatro fugitivos perto das flores que Frigga cultivava para passar o tempo. Caminhei até eles sem chamar a atenção de nenhum dos quatro, e logo fui capaz de ouvir a conversa.

– Ela é realmente uma ótima arqueira, tem uma ótima mira. Passou em todos os meus testes, até mesmo no escuro. — Sif dizia. — Foi capaz de aprender a melhorar seus reflexos, e suas habilidades com a espada estão realmente invejáveis, tenho que admitir.

– Parece que alguém vai te deixar para trás, minha brava guerreira. — Disse Thor, que não tardou a apanhar de Sif.

– Ela é boa, mas não é melhor do que eu. — Levantou a cabeça, como se quisesse mostrar ser superior às outras mulheres. — Fico feliz em ter conseguido ajudá-la. Só espero que fique viva durante a guerra.

– Posso saber de quem estão falando? — Falei, chamando a atenção de todos.

Sif permaneceu inquieta com a minha aparição repentina, assim como Thor. As midgardianas, por outro lado, pareciam apavoradas por eu ter ouvido aquela inocente conversa.

– De ninguém. — Respondeu Thor, fazendo Sif rolar os olhos.

– Estamos falando da sua amada. — Disse Sif enquanto me encarava. — Vai dizer que não sabia que ela estava tendo aulas comigo durante o dia? Você é realmente um ótimo marido.

– Como ousa fazer essas coisas pelas minhas costas? Ela está sobrecarregada, Sif. Sabia que ela está de cama agora? Está doente. Há algo errado com ela.

– Isso não é problema meu. Tudo que fiz foi atender o pedido que ela me fez. — Virou todo o seu corpo em minha direção e caminhou até mim. — Você precisa parar de pensar que sua mulher é inofensiva, fraca e inútil, pois ela não é. Ela têm potencial e você sabe disto, por isso deu seus poderes à ela. Além disto, mentiu. Disse que deu apenas uma parcela dos poderes, quando na verdade deu uma grande parte deles. Ela possui com uma força descomunal, seus reflexos e suas habilidades melhoraram rapidamente...Isto só poderia ser possível com grandes poderes. — Ela sorriu. — Você não consegue ficar longe de problemas por muito tempo, não é? Espero que você não seja castigado por dar poderes à uma humana, Laufeyson. Espero que Odin veja por trás de suas atitudes tolas e perceba que o verdadeiro intuito por trás disto era apenas proteger a mulher que você ama. Rezo para que ele compreenda, ou tudo isto terá sido em vão. — Ela passou por mim e pôs-se a caminhar para longe. — A propósito, o que ela têm não foi devido ao treinamento. Deve ser outra coisa bem pior. — Terminou e continuou em direção ao palácio.

Animador, Sif. Animador...

– Foi isto que vim perguntar à vocês. — Apontei para as midgardianas. — Scarllet soltou um líquido estranho pela boca e disse que vocês chamavam aquilo de vômito. O que deve-se fazer para alguém que tem isto melhorar?

– Bem, depende do que a pessoa tem...- Começou Jane.

– A Scar tá passando mal?! A gente precisa ir ajudar ela, Jane! Vambora! — Darcy interrompeu-a e agarrou-a pelo braço, correndo na mesma direção que Sif havia ido.

Olhei para Thor e antes que eu pudesse dizer alguma para repreendê-lo por tentar enganar-me, ele seguiu as midgardianas com pressa, obrigando-me a fazer o mesmo.

No dia seguinte, Scarllet parecia estar ainda pior e todos estávamos preocupados, menos minha mãe. Frigga parecia saber de alguma coisa que ninguém mais sabia, e eu precisava descobrir o quê.

Tentei fazer meus joguinhos de sempre para convencer Scarllet a falar o que realmente tinha, porém, agora que tinha poderes — e ainda por cima, os meus poderes, — ela já não caía mais em minhas armadilhas.

Meu próximo alvo foi minha mãe, que também acabou com todos os meus planos. Frigga deixou claro que não iria me dizer o que estava acontecendo, e disse que eu descobriria na hora certa.

Sabia que não teria sucesso pedindo ajuda às midgardianas, assim como no dia anterior. Afinal, de nada elas me serviram e Scarllet somente piorou depois da visita de ambas em nosso quarto.

– Loki, parece aflito. O que há, irmão?

– Estou sem paciência para você hoje, Thor. Preciso procurar uma forma de ajudar Scarllet. Porém, não sei por onde começar, se ela mesma não quer me dizer o que há de errado...

– Ouvi Jane e Darcy conversando sobre isto ser normal para mulheres. Parece que há um período em que elas ficam assim mensalmente. Mas, segundo Jane, os sintomas estão bem piores do que são normalmente. Não se preocupe tanto, irmão. Ela estará boa logo, você verá. Afinal, ela têm o apoio de suas amigas, sua família e também de nossa mãe.

– Foi o que eu soube também, Thor. Mas...Algo está estranho. Têm algo fora do normal que elas não querem contar para nós. Há algo a mais...

– Você está sismado, irmão.

– Sabe que se eu estou desconfiando de algo, é porque realmente existe algo para se desconfiar. Eu nunca erro, Thor.

– O que está pensando em fazer, então? Precisa de ajuda?

– Para ser franco, não preciso. Mas você pode ser mais útil do que eu para este trabalho. Venha comigo, Thor. Temos algo importate para descobrir.

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Notas finais
Espero que tenham gostado e, espero, do fundo do coração, que vocês sejam lindas comigo e comentem. Beijos e boa semana.