New Life With Aliens
4 Reunion.
Notas iniciais
Enfim, sei que ninguem lê mas okay, rs. eu gosto dessa história :3
Boa leitura.
Em Asgard, nada mais era a mesma coisa de antes. Quase todo o Reino fora destruído em uma batalha contra os Chitauri, que estavam a procura do Tesseract.
– Vencemos por enquanto, meu filho. — Dizia o Pai De Todos, referindo-se à Thor. — Você precisa levar o Tesseract com você, para bem longe. Devemos escondê-lo.
– Mas, meu pai, não devemos escondê-lo aqui em Asgard?
– Não, Thor. O Reino está destruído, não temos como suportar outro ataque. Se o Tesseract permanecer aqui, eles logo o encontrarão e tudo estará perdido.
Para variar, meu tolo irmão como sempre dizendo coisas nada inteligentes. Odin parecia estar muito nervoso com aquela situação, agora que seu amado Reino estava praticamente destruído.
É verdade que morei em Asgard desde pequeno e Asgard era considerada a minha casa, mas eu não a via assim. Afinal, não sou o filho legítimo.
Desprezava meu irmão, era verdade; mas, acima disso, invejava-o. Era a ele que todos os olhares se dirigiam desde quando éramos crianças. Era ele de quem Odin tinha orgulho, era ele a quem todos recorriam. Era ele, a todo momento, para tudo. Era ele, sempre o melhor. Era ele destinado a ser rei.
– Maldição. — Peguei-me resmungando enquanto todos começaram uma discussão sobre o que fazer com o Tesseract.
Havia pensado de tentar pegá-lo novamente e tomar o poder, mas sem exército? E o que eu dominaria? Midgard novamente? Não. Talvez, se eu fizesse algo assim novamente, eu não seria poupado.
Porém, apenas ao lembrar que era Thor quem tinha o destino de ser amado, sentia nojo e ódio novamente. Eu estava acima de todos! Como ninguém podia enxergar isso? Eu estava acima do poder. Eu merecia tal reconhecimento.
Mas tudo o que eu poderia receber era desgosto e desigualdade. Até Anakin, o mais novo, era melhor e mais reconhecido do que eu. Será que ninguém compreende? Apenas fiz aquelas coisas para que eu pudesse ter o reconhecimento que mereço! Agora, apenas tratam-me de forma grosseira, olhando-me como se eu fosse um monstro.
– É claro, talvez eu seja mesmo um. — Eu era mesmo um monstro. Um Gigante de Gelo. O filho adotivo. Alguém, alguma vez, me deu algum valor? Não que me lembre.
– O que está resmungando, Loki? — O Pai De Todos dizia com a voz cheia de calmaria e serenidade, apesar da situação estar um tanto quanto preocupante. — Tem alguma sugestão?
– Na verdade, tenho sim, pai.– Remoí meu amargor e quase cuspi as palavras de minha garganta. Aquelas falsas palavras.
– Então, diga-me.
– Talvez...só talvez, pudéssemos confiar em Midgard novamente. Eles já estiveram com o Tesseract e nada de mal fizeram. Portanto, seria uma boa ideia levá-lo até lá. — Mal pude acreditar no que disse; Mas assim, quem sabe, eu conseguiria o que tanto estimava.
Afinal, que lugar poderia ser melhor para dominar que Midgard?
– Você não pode ir lá, irmão. — Thor, como sempre, necessitava dizer algo inútil. — A S.H.I.E.L.D deixou claro que se você voltasse lá, seria preso! Deve ter outra solução, meu pai.
– Aqueles mortais estúpidos não podem fazer nada contra mim enquanto eu estiver ao seu lado, irmão. — Tremi enojado ao dizer aquilo. — Afinal, já paguei por meus crimes.
– Loki tem razão, Thor. Midgard é sua protegida, convença-os a aceitar até que nós nos instalemos em outro local. Vão agora! — O Pai De Todos bateu no chão com seu cajado, provocando um tremor abaixo de nossos pés.
***
– Irmão, por que logo Midgard? — Thor perguntou animado enquanto ia em direção aos controles da nave.
– Nenhum motivo especial. — Menti.
– Não tente enganar-me, irmão! Você quer ver aquela Midgardiana, não é? — Ele deu-me um soco no ombro, fazendo com que eu me afastasse um pouco dele. Thor não tinha noção de sua força e infelizmente, nesse sentido, eu não tinha tanta facilidade quanto ele.
– Não sou como você, filho de Odin. — Olhei-o com remorso, fazendo-o desistir de sorrir imediatamente. — E de que Midgardiana está falando?
– Como era mesmo o nome? — Thor colocou a mão em seu rosto, pensativo; mas eu sabia que ele não pensava em nada, era apenas para disfarçar. — Aquela loira graciosa por quem Luke se apaixonou. Não lembra-se? Destruímos o quintal da casa dela. — Ele riu. — Como será que ela está? Devíamos fazer uma surpresa para ela. O que acha?
– Acho uma péssima ideia, já que perguntou.
***
Eu agora morava em Nova York.
Consegui uma bolsa de estudos em uma ótima faculdade de medicina veterinária; mas, graças à isto, fui obrigada a deixar minha casa e me mudar para cá.
Meu pai não gostou da ideia no início e resmungou muito, é claro. Insisti para que ele me deixasse vir mais algumas trezentas vezes e então, ele finalmente concordou. Arrumei minhas malas no mesmo instante para não dar tempo para que ele mudasse de ideia. No dia seguinte já havia comprado a minha passagem e em menos de uma semana, já estava aqui. Sorte a minha que a faculdade possui apartamentos para os alunos que não têm lugar para ficar.
No momento, tenho uma colega de quarto. O nome dela é Darcy, Darcy Lewis. Ela na verdade fazia curso para se tornar astrofísica, mas como outros apartamentos estavam lotados, acabei ficando junto com ela.
Darcy era simpática e um tanto faladeira; às vezes ela fazia com que eu me sentisse estranha, já que nunca tive amigos. Mas, era bom tê-la comigo. Além de tudo, ela me ajudava com muitas coisas: estudos, roupas e até havia prometido me mostrar os lugares importantes da cidade.
– Ande logo aí, loirinha. — Ela dizia enquanto mexia em seu óculos com o dedo indicador, levantando-o levemente. — Não quer conhecer a cidade? Temos que sair cedo!
– Mas só são seis da manhã, Darcy! Eu estudei até tarde da noite ontem... — Virei de bruços e coloquei o travesseiro em cima da cabeça.
– E daí? Levanta logo! — Ela chutou meu colchão, nervosa.
Rolei os olhos — ainda em baixo do travesseiro — e decidi levantar, antes que ela me jogasse para fora da cama. Coloquei um short jeans escuro, um all star e uma camisa preta. Aquele era o meu normal. Se eu não estivesse vestida com algo preto, me sentia estranha.
– Coloca uma maquiagem nessa cara, criança.
– Não gosto muito de maquia... — Fui interrompida pela campainha do apartamento. Darcy olhou para a porta e sorriu, correndo para abri-la.
Havia uma mulher na porta. Na verdade, não parecia ser muito mais velha que nós duas. Darcy gritou assim que a viu e abraçou-a. A garota sorriu com o cenho franzido. Darcy estava massacrando-a.
– Jane! Você veio mesmo! Estou tão feliz! — Darcy berrava enquanto abraçava a tal garota.
– Para com isso, Darcy! — Jane conseguiu livrar-se do abraço apertado e sufocante de Darcy, dando uns tapinhas em sua roupa para tentar tirar os amassados.
– Certo, certo. — Darcy pigarreou. — Jane, essa aqui é minha colega de quem te falei. Scarllet Stok alguma coisa. — Olhou para mim e fez uma cara sapeca. — O quê? Não me olhe assim. Seu nome é muito complicado.
– Muito prazer, Scarllet. — Ela veio em minha direção e deu-me um beijo no rosto. — Sou Jane Foster. — Sorriu levemente e eu retribuí. — Ansiosa para passear pela cidade?
– Estou, mas não quero atrapalhar.
– Não se preocupe. Não tenho nenhum compromisso por enquanto.
– Você e Darcy não são do México?
– Na verdade, costumávamos trabalhar lá, mas nossos planos mudaram. — Ela olhou para o céu e sorriu discretamente, deixando-me confusa.
Não tive certeza, mas acho que pude notar um leve rubor em seu rosto. Estranho.
– Ela ficou toda toda depois que nós encontramos um maluco no meio do deserto. Ela atropelou ele. — Darcy olhou-a e gargalhou. — Não vou mentir, ele é um gostosão! Loiro, cabeludo, alto e forte, sabe?
– Uh, nada mal. — Não pude deixar de comentar e rir pela cara de Jane. — Não precisa ter ciúme, Jane. Não sou do tipo que atrai homens. E também, bombados não são o meu tipo. — Confessei, fazendo Darcy rir e Jane suspirar aliviada.
– Que tipo de homem é o seu preferido, Scar? — Darcy perguntava enquanto fechava a porta do apartamento com a chave. Jane e eu já estávamos indo em direção ao elevador nesse momento.
– Não estou certa. Só tive uma paixão na vida e foi um imbecil do meu colégio. — Rolei os olhos. — Ele era bonito, era o capitão do time de basquete; mas era um idiota.
– Mas prefere o que? Morenos? Loiros? Magrelos? Gordinhos? Altos? Baixos? É disso que estamos falando! — Darcy falava alto e usava as mãos gesticulando enquanto vinha em nossa direção.
– Altos. Morenos, de cabelo castanho quase claro até aos de cabelos totalmente escuros. Olhos claros. Nem forte, nem magro; definido mas não bombado. — Mal havia notado mas estava sentindo uma coisa estranha. Não sabia o quê, nem porquê, mas estava sentindo.
– Que cara de boba apaixonada é essa? Parece que já temos um homem aqui e eu nem sabia! — Darcy estava olhando para mim desconfiada e Jane estava segurando a risada. — Pode ir contando!
– Não tem nada para contar. Não tive nada com ele.
– Mas o que aconteceu? — Jane perguntou exalando curiosidade por todos os poros de seu corpo. Eu sorri.
– Nós nos encontramos de uma forma bem...inusitada. Ele apareceu em casa depois de ter destruído meu jardim com sua...seu carro.
– Ele teve um acidente?! — As duas gritaram assustadas ao mesmo tempo, fazendo-me rir.
– Quase isso. Mas não aconteceu nada demais. Ele estava com três irmãos, também. Disseram que eram turistas e não tinham como voltar pra casa no momento. Acabei pedindo para que meu pai deixasse que eles ficassem em casa por alguns dias, até concertarem o carro. Eles me ajudaram com as tarefas domésticas e eu acabei ficando mais próxima deles.
– E aí?
– Fiz amizade com o segundo mais novo. Ele gostou de mim e disse que queria se casar comigo. Na época, ele tinha minha idade hoje, vinte e três. Claro que recusei. — Abaixei a cabeça e sorri sem graça. — Eu estava apaixonada pelo mais novo. Ele quase não falava, era meio antipático. Ele tinha cabelo claro, quase tão claro quanto o meu. Olhos azuis e um rosto maravilhoso, mas...tinha o outro irmão.
– Pera, estou confusa. — Darcy reclamou. — Você gostou de quem, afinal?
– Dos dois, eu acho. O mais novo eu sabia que gostava, mas o segundo mais velho...ele chamava a minha atenção de uma forma estranha. Nunca soube explicar. Ele era completamente diferente do mais novo. Não sei, ele aparentava ser o cara mau. Vivia dizendo que odiava outras pessoas...era horrível.
– Mas você gostava de quem, criatura confusa?
– Dos dois. Ou de nenhum deles. Nunca fui próxima deles para poder ter certeza. Eu tinha dezesseis anos, ora. Depois de algumas semanas eles foram embora e eu nunca mais os vi.
– Você é besta? Não pegou o telefone de nenhum deles? — Darcy socou a parede do elevador e logo depois disso, a porta abriu. As pessoas lá fora olharam para ela com os olhos arregalados, fazendo Jane rir, seguida por mim. Saímos do prédio, indo em direção à um táxi que Jane havia chamado.
– Não achei que fosse precisar.
– Tá, mas e o outro? Aquele que gostava de você?
– Também nunca mais o encontrei. Na verdade, ele me deixou um anel. Disse que se eu quisesse vê-lo novamente, era para usá-lo, assim ele voltaria e casaria comigo, levando-me com ele.
– E você já usou?
– Claro que não! Não quero casar com ele, nem usá-lo para encontrar os outros. Acho errado.
Darcy bufou e rolou os olhos; mas antes que ela pudesse falar mais alguma coisa sobre aquele assunto, Jane gritou para que nós duas andássemos mais rápido e entrássemos no táxi.
***
Aquele dia passou rápido, na verdade. Fomos em vários pontos turísticos maravilhosos, tomamos muito sorvete e rimos bastante. Não lembrava de ter me divertido assim com pessoas antes.
– Foi muito divertido. — Falei, assim que nos sentamos em um banco do Central Park.
– Eu adorei, também. — Jane olhou para mim e sorriu, sendo seguida por mim e Darcy.
Nós três nos encostamos no banco e olhamos para o céu. Claro que elas duas adoravam isso, já que eram astrofísicas. Apesar de eu não ser, eu adorava tudo relacionado ao Universo. Era tudo tão complexo, imenso e ainda sim, maravilhoso. Eu amava as estrelas, acima de tudo. Era uma pena não ser capaz de ver as outras beleza que existem lá fora.
– Você parece gostar disso, Scar. — Jane sorriu curiosa.
– Eu amo. Só não estudo como vocês porquê acho muito complexo. Não sou inteligente o bastante. — Sem sequer perceber, fiz um bico.
– Não pense assim. Se você quer, você consegue. Nunca é tarde para aprender!
– Jane está certa, Scar! E nós podemos ajudar você, também. — Darcy levantou seu corpo para olhar-me. Eu apenas sorri e balancei a cabeça, concordando silenciosamente. Ficamos alguns minutos em silêncio e quando ele foi quebrado, achei que morreria graças ao espanto e à surpresa pelos gritos de Jane.
– Thor? Thor! Você veio! — Ela levantou-se rapidamente, correndo em direção à um homem alto e loiro. Olhei confusa para Darcy, que revirou os olhos e entortou os lábios.
Olhei mais atentamente e senti meu corpo tremer. Era ele. Thor, o cara que caiu no meu jardim.
– Scar, que cara é essa? Eu falei que ele era bonitão, mas não babe tanto. — Darcy deu-me uma leve cotovelada, tentando fazer com que eu acordasse do transe.
– D-Dar-Darcy...- Eu estava tentando reunir coragem e fôlego para falar. — Eu conheço ele. Eu conheço. É ele, não posso ter confundido.
– Conhece? Da onde?
– Ele...ele destruiu o meu jardim...foi ele! É ele! — Eu olhava para Thor abismada, enquanto ele abraçava e beijava o rosto delicado de Jane, que sorria alegremente.
Será que ela sabia o que ele era? Será que eles eram namorados há muito tempo? O que ele poderia estar fazendo aqui na Terra outra vez? Eu não sabia se podia confiar neles, e pior, não sabia se podia deixar Jane na mão dele. Na verdade, era perigoso.
Certo, ela nem era minha amiga e não era minha parente, mas é humana e amiga de Darcy. Já são ótimos motivos para que eu me preocupe com ela. Thor é um deus! Não um homem bonitão qualquer!
– Jane! — Gritei, deixando o controle viajar para longe. — Se afaste dele! Ele é perigoso!
Assim que terminei de falar, fiquei estática. Logo atrás do casal, vi mais três homens andando em direção aos dois. Meu estômago revirou com tanta força que eu achei que minha cabeça descolaria do pescoço e rolaria pelo chão.
Os cinco olharam-me surpresos. Ela sabia. Pude perceber pelo olhar que ela lançou para mim e logo em seguida para Thor, como se estivesse dizendo "O que vamos fazer agora?".
Olhei para Darcy que estava com uma expressão desentendida. Ela arqueou uma sobrancelha enquanto me olhava e eu continuei abismada com aquela situação.
– Scarllet, preciso falar com você. Venha. — Jane resmungou de longe, mas eu pude ouvi-la, assim como Darcy. — Espere aí, Darcy.
Assim que Jane terminou de falar, soltou-se dos braços de Thor e veio em minha direção, segurando meu pulso, puxando-me na direção inversa de Darcy. Thor e os outros nos seguiram, mas eu mal pude notar o que estava acontecendo ao meu redor. Eu estava completamente assustada e surpresa.
Entramos em um restaurante e nos sentamos em uma mesa um tanto quanto afastada das demais.
– Como você sabe sobre ele? — Jane foi direta, mas não consegui respondê-la. Eu estava assustada e não podia olhar para cima. Estava com a cabeça baixa, fitando meus joelhos. — Me conte, Scar. — Ela pedia, mas ainda sim não a respondi.
– Foi um acidente, minha amada. — Thor finalmente falou e eu senti a nostalgia quase arrancar-me todo o controle. — Há algum tempo atrás, nós caímos no jardim dela. Ela cuidou de todos nós e foi muito gentil conosco. É bom vê-la novamente, Scarllet.
– Espere... — Jane finalmente havia entendido. — Aquilo que nos contou...Era deles?
– Sim. Eu não achei que você soubesse a verdade, por isso fiquei assustada. Desculpe. — Falei, ainda com a cabeça abaixada.
– Não se desculpe, querida. Obrigada pela preocupação, mas eu sei de tudo. — Ela piscou para mim. Fui capaz de ver por canto de olho, mesmo com a cabeça abaixada.
– E você, ainda sim, namora com ele? — Levantei a cabeça, olhando-a de forma incrédula, enquanto apontava para Thor que, por sua vez, soltou um riso abafado. — Como isso pode ser possível se ele é um deus?!
– Temos um relacionamento tanto quanto problemático, é verdade. — Ela riu baixo, mas eu sabia que ela não estava feliz com aquilo. — Vejo-o raramente. A propósito, Thor, o que veio fazer aqui?
– Vim para pedir um favor à Nick Fury. Midgard já foi encarregada de ficar com o Tesseract por algum tempo e, nós precisamos que fiquem com ele novamente.
– Aconteceu alguma coisa? — Perguntou ela.
– Asgard foi atacada. Estamos em Guerra, apesar de sermos um povo pacífico. — Thor tomou um gole de uma cerveja que Jane havia pedido para ele assim que entramos. — Os Chitauri ficaram raivosos depois da derrota de meu irmão, mas não desistiram do Tesseract e atacaram Asgard. — Ele tinha um tom de tristeza na voz e foi por isso que ousei olhá-lo. Thor era mesmo um homem muito bonito, mas não me atraía nem minimamente.
Enquanto ele explicava mais algumas coisas sobre aquele assunto que eu não compreendia quase nada, ousei olhar para os outros. Luke olhava para mim com ódio transbordando de seus olhos. Concluí que ele parecia ter se lembrado de mim. Olhei mais para a esquerda e meus olhos foram ao encontro dos olhos de Anakin.
Ele estava com o cabelo praticamente raspado e continuava lindo, mas dessa vez, eu não senti absolutamente nada ao olhá-lo. A única coisa de que me lembrava realmente eram dos olhos dele, que ainda continuavam muito expressivos. Agora eu compreendia. Ele não precisava dizer absolutamente nada, os olhos falavam por ele, assim como antes.
Assim que levei meu olhar ainda mais para a esquerda, na direção de Jane, encontrei Loki. Aquele que parecia o cara mau aos meus olhos. Ele estava com o olhar nas mãos, que estavam apoiadas na mesa. Sua cabeça estava levemente abaixada, assim como a minha há alguns momentos antes. Ele parecia estar atento à tudo que Jane e Thor conversavam, mesmo parecendo indiferente.
E por mais incrível que pareça, ele foi o único que chamou a minha atenção de uma forma que eu não soube explicar, nem compreender. Ele sequer olhou para mim alguma vez, mas eu não me importei. Eu estava olhando para ele. Não importa se ele me viu ou não. Eu estava vendo-o, isso já era o bastante para mim.
– Vai ser muito difícil, Thor. Ainda mais agora que vocês estão com ele. — Jane não apontou, apenas olhou para Loki discretamente, fazendo o mesmo rir em tom de sarcasmo, deixando Jane um tanto quanto nervosa.
– Escute aqui, mortal.– Loki resmungou e notei que sua voz estava cheia de ódio. Ele teria continuado se não tivesse sido interrompido pelo irmão.
– Irmão, não faça isso. — Thor falou sério, mas sem perder a calmaria em sua voz. — Você deve respeitar Jane, já que ela se casará comigo. — Assim que ele disse aquilo, olhei-o com os olhos arregalados. Ele sorriu para mim e eu olhei para Jane, que agora estava ruborizada.
– Você vai casar com ele? — Perguntei. Ela balançou a cabeça, concordando silenciosamente, sem deixar de sorrir.
Eu estava curiosa sobre como isso era possível. Eles podiam se amar muito, mas ele era um deus. Jane seria obrigada a deixar tudo aqui na Terra para morar com ele em outro planeta? O que ela iria dizer para Darcy? O amor dela era tão forte para estar prestes a fazer uma coisa dessa?
– Desejo felicidades aos dois, de verdade. Parabéns, Jane. Parabéns, Thor. — Sorri sinceramente, afinal, aquele não era um problema meu. Eu não sabia o que eles fariam, mas acima de tudo, não era da minha conta.
– Agradeço a sua gentileza, Scarllet. Talvez, se for possível, você está convidada ao nosso casamento. — Ele sorriu alegremente para Jane, que retribuiu.
– Se você me der uma carona até Asgard, eu não me importaria de ir. — Eu ri. — Não vou ter que usar alguma roupa de astronauta, não é? — Eu e Jane rimos, mas vi que Thor não havia entendido. Os outros continuavam em silêncio absoluto e pude quase jurar que vi Loki rolar os olhos.
– Astro o quê?
– Ela está perguntando se vai poder respirar normalmente e se vai poder usar roupas normais. — Jane explicou.
– Ah, é claro! — Ele sorriu imensamente e pegou o enorme copo de cerveja com uma das mãos, levantando-o. Assim que ele foi jogá-lo no chão, Jane chamou sua atenção.
– Já disse que se quiser outro, apenas peça! Não jogue o copo! — Ela levantou as mãos, fazendo o gesto para que ele parasse com aquilo que estava prestes a fazer.
– Desculpe, Jane. Eu me esqueci. — Ele mordeu o lábio e ergueu as sobrancelhas, colocando uma das mãos na cabeça enquanto massageava os próprios cabelos.
O que diabos foi aquilo?
– Vamos voltar, Darcy está sozinha lá fora. — Jane resmungou e Loki logo se levantou, ficando ao seu lado. Anakin e Luke saíram logo em seguida, mas o único que saiu do restaurante foi Luke. Ele parecia estar nervoso com alguma coisa e eu pude imaginar com o que.
– Por que ele está assim? — Ousei perguntar.
– Por sua causa, não é óbvio? — Anakin falou com grosseria e fuzilou-me com o olhar.
– Você também me odeia? — Perguntei.
– Não estou longe disso. — Ele quase cuspiu as palavras e seguiu o irmão, indo em direção à saída do local.
– O que é isso? — Jane perguntou com curiosidade.
– Longa história. — Bufei. — Vamos logo embora daqui.
***
Darcy havia insistido para que todos ficássemos na casa de Jane aquela noite, já que Thor havia trazido companhia com ele. Conclui que Darcy estava querendo tentar a sorte de pegar algum dos irmãos.
Por incrível que pareça, todos eles eram maravilhosos. Seja lá quem fosse, ela não sairia perdendo. Por um lado, eu entendia o desespero dela. Isso era uma grande sorte, com certeza ela não teria uma chance como aquela durante toda a sua vida.
Até seria bom se isso acontecesse, assim ela poderia se casar com algum deles também e viver em Asgard, exatamente como Jane faria. Assim ela não se sentiria tão triste, imaginei.
– O que tanto pensa aí, loirinha? Pode tirar os olhos do bonitão ali, vi primeiro. — A voz de Darcy acabou com os meus pensamentos toscos e foi quando notei que ela estava apontando para Anakin.
– Grande escolha. Ele é uma gracinha, mesmo. — Ele poderia ser bonito, mas não era nem um pouco agradável.
– Só sobrou o moreno com cara de assassino e o outro bonitinho. O que vai fazer?
– Por que acha que vou fazer algo? — Bufei.
– Se não fizer, vou obrigá-la. — Ela sorriu maliciosa e eu fiquei com um leve pavor. Juro.
– Darcy, preciso te falar uma coisa muito importante. — Olhei séria para ela e quando fui falar, ela me interrompeu.
– Ah, agora não! Temos que bolar um plano primeiro para podermos agarrar os bonitões.
– Eles são os quatro irmãos que destruíram o meu quintal, Darcy. — Falei e ela olhou para mim com os olhos arregalados.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que Jane nos chamou para entrarmos na casa dela. Eu e Darcy andamos até lá lentamente e assim que entramos no quarto em que dormiríamos, ela sentou-se na cama rapidamente, puxando-me com ela.
– Isso é sério? E de quem você estava falando aquela hora?
– Anakin, o que você gostou, foi por quem eu me apaixonei. Luke, o de cabelo castanho, foi o que me pediu em casamento. E o moreno...- Teria continuado a falar se não tivesse sido interrompida pelo barulho da porta abrindo rapidamente.
– Jane está chamando vocês. — Foi a única coisa que Loki disse, antes de fechar a porta com força. Mesmo com aquela frieza toda em sua voz, não pude deixar de sorrir quando coloquei meus olhos nele.
– Meu Deus! Não me diga que você se sente atraída justo pelo cara mau?! Qual é o seu problema? — Ela gritou. Muito alto. Na verdade, quase fiquei surda. Mas o problema nem era esse. Com certeza, todos ouviram aquilo.
Merda, Darcy.
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