New Life With Aliens
15 Don't go without me, please.
Notas iniciais
Bem, desculpem o atraso. Eu tive alguns problemas familiares. Digo, nada sério, mas me irritei muito e não consegui pensar em mais nada. Além dos trabalhos que tive e ainda tenho pra entregar, mas sei que vocês são compreensivos ♥
Gostaria de explicar também que eu pretendo fazer essa ideia de desafio passar logo. Eu não quero enrolar muito nisso, se não vai acabar ficando chato e cansativo. Portanto, nesse capítulo, o dia de Anakin e Loki serão mostrados e também, o vencedor será escolhido.
PS: Depois do segundo *** Ani será o narrador. (Sim, hoje é ele!)
Boa leitura e se divirtam!
Acordei com muito frio. Estava tremendo. Olhei para meu corpo e lembrei que estava com uma camisola, e durante a noite, ela havia erguido-se, deixando todo o meu corpo praticamente descoberto. Normalmente, eu parecia lutar com alguém enquanto dormia, pois quando eu acordava, a maior parte da coberta com que dormi estava jogada no chão.
– Frio. Ainda bem que aquele calor insuportável terminou.
Resmunguei aquela frase em baixas palavras, espreguiçando-me lentamente. Considerava-me praticamente um urso. Gostava tanto de dormir; era o meu calmante. Todos os meus problemas pareciam desaparecer quando eu lembrava que poderia dormir. Afinal, era a única forma de desligar-me completamente de meus pensamentos.
Assim que sentei-me na cama e tentei levantar, ouvi alguém resmungar alguma coisa e em primeiro momento, assustei-me. Arregalei os olhos e olhei para trás, surpresa.
– Já acordou? Estranho. Ainda é cedo demais para você.
Ele estava deitado ao meu lado, sem camisa, apoiado em um dos braços enquanto olhava para mim de uma forma cheia de ternura e algo mais que, naquele momento, eu não conseguia compreender.
– O que você está fazendo aqui?
– Do que está falando? — Ele franziu as sobrancelhas. — Você não se lembra da noite passada?
– Como assim, Anakin? Não aconteceu nada noite passada! Nós apenas tivemos nosso encontro e...
– Não, Scarllet. Você não está compreendendo...Realmente não se lembra?
Estava apavorada. Anakin não parecia estar mentindo para mim sobre noite passada. Além disso, nós estávamos vestidos de uma forma bem...inusitada. Ou melhor, quase não estávamos vestidos!
***
Loki e eu ficamos juntos até tarde apenas apreciando a companhia um do outro, até que de manhã, fui obrigada a ir com Anakin. Desta vez, havíamos combinado que seria ele quem escolheria o local.
Para a minha surpresa, ele escolheu almoçar comigo em um restaurante maravilhoso. Logo depois, passamos a tarde juntos em um shopping e fomos ao cinema.
Assim que o filme terminou, insistiu para que fôssemos à um bar que Thor havia comentando com ele. Segundo Anakin, Thor havia dito que era muito divertido ver os mortais dançando, bebendo e dizendo mais um monte de maluquices. Disse para mim que seria mais divertido se eu estivesse ao seu lado naquele momento, caso não fosse exatamente o que ele esperava.
Acabei aceitando e fui com ele. Nunca fui do tipo de pessoa que bebe muito, mas acabei me esquecendo disso e me descontrolei. Não lembro de muita coisa depois disso.
Conseguia lembrar-me apenas que Anakin levou-me para casa e logo depois, eu e Loki ficamos juntos. Quer dizer, eu pensava ser Loki, mas pelo visto eu estava errada. Pensei ser Loki, mas era Anakin quem estava ao meu lado. E eu tinha medo pelo que poderia ter feito pensando que Anakin era, na verdade, Loki.
Que tipo de merda eu poderia ter feito agora?
***
– Você estava um pouco alterada noite passada, portanto, pensei em deixá-la em seu quarto e sair logo depois...- Pude ver um rubor em seu rosto. — ...Mas você simplesmente me abraçou, começou a me beijar e...Eu não resisti.
Aquelas palavras haviam sido como um soco em meu rosto. Não. Isso não poderia acontecer. Eu não poderia ter feito aquilo. Nunca. Quer dizer, não havia nenhuma regra de que eu podia ou não fazer algo como aquilo com eles durante o desafio, mas...
Loki não entenderia.
– Você não está mentindo, está? Por favor. Isso não tem graça...
– Acha que sou como Loki, Scarllet? Eu não minto.
Eu estava ao lado da porta, estática como uma estátua. Meus lábios estavam entreabertos pela surpresa e pela vergonha que eu tinha de mim mesma naquele momento.
Meu corpo já não tremia pelo frio e sim, por toda aquela situação embaraçosa. Não sabia o que dizer, nem o que fazer. Fui até o canto do quarto e vesti minhas roupas rapidamente, sem sequer olhar nos olhos dele, apesar de saber que ele ainda olhava para mim atentamente.
Saí do quarto sem dizer nada. Pensei em ficar ali ou trancar-me no banheiro, mas eu não suportaria. Precisaria sair daquele lugar. Fugir, escapulir. Seria incapaz de olhar para Loki naquele momento e mentir para ele. Com certeza, ele perceberia a mentira e a situação ficaria ainda pior.
Fui diretamente à cobertura do prédio e lá permaneci por horas que, para mim, arrastaram-se. A cada segundo interminável, culpava-me pelo que havia feito. Não só por Anakin que pensou ter alguma chance comigo, mas, acima disso, por Loki.
Sabia que não tinha um relacionamento verdadeiro com ele, mas por que sentia-me tão culpada? Sequer contava como uma traição e ainda sim, não conseguia pensar em outra maneira de chamar aquilo.
Queria compreender, mas era difícil. Por que eu mesma deixei tudo aquilo acontecer? Era tão óbvio que resultaria em uma grande confusão e, mesmo assim, insisti naquilo por uma mísera esperança de conseguir ficar ao lado de Loki, oficialmente.
Lágrimas escorriam rapidamente de meus olhos. Eu já não me importava de esconder mais. Guardar todos aqueles sentimentos era demasiado difícil para uma humana. Tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo e eu tinha que engolir tudo, aguentar tudo sozinha. Era impossível.
– Finalmente encontrei você.
Ao ouvir aquela voz, minha respiração parecia ter cessado. Todo o oxigênio que estava ali, disponível para mim, já não parecia estar mais lá. Meus pulmões não faziam força alguma para ajudarem-me a respirar; eles pareciam estar congelados.
Talvez estivessem mesmo, apenas pela frieza da voz que eu havia acabado de ouvir. Aquela frieza machucou-me. Parecia uma grande e extensa lança atravessando o meu pequeno e frágil corpo da forma mais cruel possível.
Não virei a cabeça para olhá-lo, apenas continuei olhando para o céu, como se estivesse distraída demais até mesmo para notar a presença dele. Claro que ele sabia que isso não era possível. Apesar de eu não possuir nenhum tipo de poder, eu era capaz de sentir Loki quando ele estava por perto. Talvez, a responsável por isso fosse a nossa relação-sem-nome.
Balancei a cabeça de um lado para o outro, tentando espantar esses pensamentos que outra vez insistiam em tomar conta de todo o meu subconsciente.
– O que aconteceu? — Perguntou, mas eu ignorei. Afinal, eu não sabia o que diria.
O que seria mais sensato dizer? E menos mortal para mim?
"Fiquei bêbada e transei com seu irmão, mas não me mate, porque eu ainda quero escolher você."
Eu nunca poderia dizer algo como isso. Loki me mataria.
– Você fez o-quê, mortal estúpida?! — Ele gritou e eu olhei para ele, surpresa e com muito, mas muito medo mesmo da sua próxima reação. — Transou? Com quem? Anakin? Luke? Thor? — Insistiu e eu continuei a ignorar. — Responda, eu ordeno!
Havia visto Loki nervoso, mas não daquela forma. Eu era quase que capaz de enxergar algumas chamas em seus olhos que sempre eram frios. Ele mordia os próprios lábios, em uma tentativa de conter a raiva.
Meu corpo começou a tremer; eu suava frio de desespero. Pensar em Loki nervoso e magoado me apavorava de uma forma que eu nunca pensei que seria.
Ele continuou olhando-me seriamente e, tudo que fui capaz de fazer foi chorar. Não silenciosamente como eu estava fazendo há horas, pelo contrário; chorei absurdamente alto e, entre soluços, eu tentava puxar um pouco de oxigênio para poder respirar.
– Me perdoe, Loki...Por favor...
Eu esperava que ele fosse compreensivo depois de gritar e talvez me bater algumas vezes, mas ele não o fez. Na verdade, não fez nada. Não gritou, não me bateu e principalmente, não foi compreensivo. Percebi graças ao olhar que ele me lançou antes de descer rapidamente as escadas.
Vê-lo desaparecer daquela forma me irritou profundamente. Sabia que havia cometido um erro, mas não fora intencional. Ele deveria compreender. Deveria, pelo menos, tentar ou fingir compreender.
Não preocupei-me nem em limpar as lágrimas e segui-o, antes que ele conseguisse sumir completamente do meu campo de visão. Loki entrou no apartamento de Jane e fechou a porta com grosseria antes que eu pudesse entrar.
Aproximei-me e forcei-a, tentando abri-la; mas toda a minha força era em vão. Provavelmente, ele trancara a porta. Encostei a testa na mesma e comecei a resmungar pedidos de desculpas enquanto minhas lágrimas ainda insistiam em escapar de meus olhos. Esperava e rezava para que ele estivesse ouvindo e pelo menos importando-se com o que eu dizia. Esperava que ele acreditasse que eu estava verdadeiramente arrependida. Era tudo que eu queria.
Logo em seguida, ouvi alguns barulhos estrondosos vindo de dentro do apartamento. Gritos e mais gritos. Não muito tempo depois, fui capaz de identificar. Era Anakin quem gritava; mas seus gritos eram de dor, de desespero.
– Loki, eu imploro, pare, por favor!
– Como ousou fazer isso com ela? Você não tinha direito!
– Você já não dormiu com ela?! Por que eu não poderia?
– Porque isso aqui não é um jogo, sua criança imunda e tola! Nunca dormimos juntos porque ela não quis! E com certeza, não aceitou você também. Você a obrigou, não é?
– Não! Ela estava um pouco bêbada, você sabe...E bem, ela começou a me beijar e me abraçar...Eu não pude resistir.
– Não acredito em você. Ela não iria beijá-lo, nem abraçá-lo. Você está mentindo para o Deus da Mentira, rapaz. Sabe onde vai chegar com isso?
– Bem, eu esqueci de dizer uma parte...Quando já estávamos prestes à cair no sono, ela me chamou de Loki. Foi aí que eu entendi tudo...Ela, por estar bêbada, deveria ter pensado que era você...Mas como eu iria adivinhar? Eu não sabia, irmão.
– Eu vou matar você.
Houve silêncio, seguido por gritos de dor novamente. Loki estava machucando Anakin e eu não conseguia encontrar uma forma de fazê-lo parar. Mesmo com tudo que havia acontecido, Anakin não era um mentiroso e eu sabia disso, assim como Loki. Ele estava tomado pela raiva naquele momento, portanto sequer lembrou-se desse fato. Anakin não merecia sofrer por uma coisa que eu havia feito. Afinal, era minha culpa. Eu quem confundira Anakin com Loki; eu quem começara a beijá-lo...
A culpa era toda minha.
– Loki! Por favor, não o machuque! A culpa foi minha, me perdoe! — Gritei batendo com ambas as mãos fechadas na porta, fazendo com que os gritos de Anakin cessassem. Suspirei aliviada. — Por favor...deixe-me explicar, Loki. Por favor. Abra a porta.
Esperei por alguns segundos e pensei que ele não abriria, mas logo em seguida, consegui sentir a porta empurrando meu corpo levemente para trás. Fui capaz de ver sua expressão séria outra vez e aquilo fez com que eu sorrisse levemente.
– Por favor...Me desculpe. Eu nunca, nunca, nunca faria algo assim com ele. Nunca. Você sabe disso...Eu...Realmente pensei que fosse você. Era o que eu desejava, por isso...Meu fraco cérebro humano acabou pregando uma peça em mim...Por favor, acredite em mim. Eu nunca faria isso com você. Eu não quero outra pessoa além de você, Loki, acredite em mim. Sei que te magoei, mas por favor...Não me odeie. Eu não suportaria.
– É uma pena, mortal. Depois desta noite, seu vencedor já foi escolhido.
– Não diga isso, Loki...Meu vencedor é você. Sempre foi, desde o início!
– Não se eu não quiser ser mais. De hoje em diante, Anakin é o seu vencedor, humana.
Suas palavras saíram como navalhas cortando minha pele da forma mais lenta e cruel possível. Seus olhos estavam fixos em algum ponto atrás de mim, evitando encarar-me. Aquilo machucava ainda mais.
– Não diga isso, Loki... — As lágrimas outra vez voltaram a escorrer por todo o meu rosto. — Eu não posso viver sem você.
– Então não viva. Agora, saia da minha frente. — Ele quase cuspiu as palavras no meu rosto e empurrou-me, sem nem um pingo de cuidado ou gentileza.
Fui lançada com força até a parede, abrindo espaço para que ele pudesse passar. Senti uma imensa dor em um dos braços que havia batido contra a parede e caí no chão. Virei a cabeça, ainda caída, para acompanhá-lo. Loki andava graciosamente até o elevador, sem olhar para trás.
Gritei seu nome inúmeras vezes, o mais alto que pude; mas nem assim ele olhou para trás. Tentei levantar-me, mas meu braço doía demais e aquilo acabou impedindo-me de mover-me. Tentei, então, arrastar-me até ele. Rezava para que o elevador demorasse mais a chegar, pelo menos até que eu fosse capaz de chegar até ele.
A porta finalmente se abriu e ele entrou no elevador, tendo que ficar de frente para mim. Seus olhos, então, finalmente notaram-me enquanto eu me arrastava até ele. Eu chorava e gritava descontroladamente, pedindo para que ele me perdoasse e não me deixasse, pois eu não suportaria viver sem ele; eu não queria aprender a suportar ou a viver uma vida sem ele.
– Não me deixe, Loki! Por favor, não! Não me deixe! Volte! Loki, volte! — Minhas palavras saíam tremidas e roucas graças à imensidão de sentimentos que eu estava suportando naquele momento.
Loki fechou os olhos e respirou o fundo, olhando para cima, evitando ver aquela cena outra vez. O desdém dele foi como um tiro em meu peito já machucado. Não sabia como ainda haviam lágrimas fugindo de meus olhos. Pelas minhas contas, eu já chorava há horas.
Quando as portas finalmente fecharam-se, consegui notar que ele olhara para mim e aquilo foi como um doloroso e cruel adeus. Loki continha o cenho franzido e parecia estar desgostoso com aquela situação, mas seu orgulho ainda deveria ser maior.
Fora o que deduzi.
– Scarllet, por favor....levante-se e pare de chorar. — Anakin estava ao meu lado, segurando-me por um dos braços.
Não conseguia respondê-lo. Eu apenas continuava olhando para o elevador, com a esperança de que as portas iriam abrir-se e Loki voltaria correndo para mim, deixando-me abraçá-lo e beijá-lo como eu tanto ansiava. Sabia que isso não aconteceria, mas eu queria que acontecesse. Queria tanto, tanto...
– Venha para dentro. Vou ligar para Jane.
Anakin ajudou-me a levantar e levou-me à contragosto para dentro do apartamento outra vez. Meu braço doía imensamente, mas eu sequer ligava para a dor agora. Tudo que eu desejava era correr atrás de Loki, procurando-o pelas ruas escuras de Nova York.
– Jane, você e os outros precisam vir pra cá. Aconteceu uma coisa muito...séria.
***
Jane e Thor acharam mais prudente virem ao amanhecer do próximo dia, já que estava de madrugada. Deixei claro para eles que Loki estava desaparecido, mas Thor não parecia preocupado com o que ele poderia fazer. Na verdade, nem eu mesmo estava preocupado. Apenas Scarllet me preocupava.
Durante toda a noite, ela ficara na varanda, completamente encolhida. Seus braços abraçavam seus joelhos e ela, vez ou outra, perdia-se em lágrimas e em soluços escandalosos. Sentia-me péssimo, pois sabia que o causador de toda aquela confusão havia sido eu.
Perdi as contas de quantas vezes desculpara-me com ela, que apenas concordava balançando a cabeça, em silêncio. Vê-la praticamente definhar à minha frente era arrebatador para mim; chegara a doer.
Logo a campainha tocou e eu fui capaz de ver Thor, Luke, Jane e Darcy entrarem com pressa, olhando para os cômodos da casa.
– Onde ela está? — Perguntou Darcy. Apontei para a varanda, fazendo todos olharem para lá, podendo enxergar Scarllet que permanecia lá desde que Loki desaparecera.
– O que aconteceu, Anakin? — Disse Thor.
– Bem, deixem-me explicar...- Engoli em seco e continuei. — Eu e Scarllet tivemos nosso dia juntos. Bebemos em um bar qualquer e...ela ficou bêbada. Assim que trouxe-a para casa, nós dormimos juntos porque ela me confundiu com Loki...e bem, eu não consegui resistir aos encantos dela. Ao amanhecer, quando ela já estava sóbria, entrou em pânico. Loki descobriu e ficou muito nervoso com ela. Torturou-me com seus poderes e eu nunca pensei que sentiria tanta dor, mas eu tenho certeza que ela está muito mais machucada do que eu. Ele disse a ela que não queria vê-la outra vez e, deixou claro que o vencedor do desafio era eu. Scarllet apenas chorou durante toda a noite e continua chorando. Não sabia o que fazer ou o que dizer à ela, por isso chamei vocês.
A expressão das mortais era de completa surpresa e espanto. Sabiam que Scarllet deveria estar péssima e a primeira a correr até ela foi Jane, sendo seguida por Darcy. Thor também as seguiu, assim como eu e Luke.
Chegamos perto o bastante para poder ouvir Scarllet respirar descompassadamente e, aquele som deixou-me ainda mais frustrado. Ela realmente amava Loki e nada poderia fazer isto mudar. Por mais que houvessem desafios entre nós, guerras, desavenças e grandes discussões...Esta guerra já estava ganha e Loki era o vencedor. Não havia nada que eu e Luke pudéssemos fazer e agora eu compreendia isto, apesar de ainda doer admitir.
– Scar...- Jane andou lentamente ao seu lado e ajoelhou-se, colocando uma mão no ombro de Scarllet, que mantinha sua cabeça baixa, encostada em seus joelhos que estavam sendo abraçados por seus dois braços. — Querida, fale comigo.
Jane insistiu mais algumas vezes, mas não obteve resposta. Pensei que Darcy faria algo mais bruto, como ela geralmente mostrava fazer, mas esta não o fez. Apenas foi para o outro lado do corpo de Scarllet e abraçou-a, enquanto ela ainda estava segurando seus joelhos. Jane fez o mesmo.
Ambas as mortais abraçavam-na com ternura enquanto sussurravam algumas palavras que pudessem fazer com que Scarllet reagisse positivamente. Jane e Darcy logo levantaram-se, gesticulando para que Thor entrasse em ação.
Thor andou até o pequeno corpo trêmulo de Scarllet e carregou-a contra a vontade dela, levando-a até o sofá. Ela, agora, era obrigada a olhar para todos nós e seu rosto estava péssimo. Marcado graças à força que fazia para abraçar seus próprios joelhos, prensando sua pele contra os duros ossos. Seus olhos estavam tão vermelhos que pareciam ter derramado lágrimas de sangue durante toda a noite. Sabia que olhos mortais não sangravam, mas o coração dela com certeza deveria estar pingando sangue.
– Scar...- Repetiu Jane. — Diga alguma coisa.
– Loki...- Sua voz saiu trêmula, rouca e muito baixa. Todos ficamos em completo silêncio para que pudéssemos ouvi-la. — Eu quero Loki de volta. Por favor.
Suas palavras soaram tão doloridas e machucadas como ela demonstrava estar. Vê-la sofrer daquela forma estava sendo como uma punhalada em meu coração...Naquele momento, quis correr até Loki e arrastá-lo de volta à ela.
– Para onde ele foi? — Perguntou Thor.
– Eu...n-não sei. Ele disse que...não queria me ver outra vez. Por favor, tragam-o de volta. Eu vou implorar à ele. Vou ajoelhar à seus pés...Posso até beijá-los, contanto que ele fique ao meu lado. Por favor, Thor. Traga-o para mim.
– Viu, olha o que aconteceu com ela! Eu disse que Loki acabaria de vez com ela! — Exclamou Darcy.
– Parem com isso, a culpa foi minha. — Falei, chamando a atenção de todos.
– N-não...A culpa foi minha por pensar que era Loki ao meu lado...Por favor, Thor, traga-o aqui. Eu vou implorar seu perdão.
– Não vai implorar nada, Scarllet! Ele deveria compreender que você só fez aquilo porque pensava que era ele! Que homem mais idiota ele é, meu Deus! — Disse Darcy.
Scarllet, ao ouvir aquilo, começou a chorar novamente. Todos olhavam para ela com mágoa nos olhos, sem saber o que fazer ou dizer para poder ajudá-la. Não estava sendo mais capaz de suportar aquilo e, então, tive uma ideia.
– Tenho que dizer uma coisa. Scarllet, por favor, me perdoe. — Pedi e respirei fundo antes de continuar. — Nós não...fizemos nada. Quero dizer, nós dormimos juntos. Mas apenas dormimos, não fizemos nada antes disso. Eu disse que fizemos apenas para irritar Loki. Pensei que se dissesse isso, você me escolheria. Sei que foi uma atitude infantil da minha parte, mas eu estava em completo desespero...Me desculpe, por favor.
Baixei a cabeça enquanto falava tudo aquilo e logo depois ergui-a novamente, olhando para todos, que estavam perplexos. Jane e Darcy estavam boquiabertas, Luke estava surpreso e Thor permanecia com a mesma expressão de sempre. Ele já deveria saber do plano, afinal, ele me conhecia muito bem. Scarllet olhava-me sem reação, até que deixou um sorriso debochado escapar.
Franzi o cenho, estranhando sua reação. Ela, então, levantou-se e veio lentamente até mim. Caminhava passo a passo de uma forma bamba. Seu corpo mostrava estar fraco e frágil por tudo que passara na última noite, mas ela foi forte o bastante para caminhar até mim e dar-me um tapa muito forte no rosto. Senti o lado direito do meu rosto arder imensamente e ouvi Scarllet bufar.
– Dê um jeito de trazer Loki de volta para mim, Anakin. Se fizer isso, eu o perdoarei. Se não fizer...você está morto para mim.
***
Durante todo o dia, eu, Luke e Thor procuramos Loki por todos os lugares próximos ao prédio de Jane. Não o encontramos e Thor decidiu voltar para casa, pensando que ele poderia ter voltado. Assim que chegamos e entramos, sentamos nos sofás de Jane para descansarmos um pouco antes de voltarmos a procurá-lo.
– Ainda nada? — Perguntou Jane.
– Não, querida. Mas não vamos desistir. Precisamos encontrá-lo, afinal, nosso prazo já está no fim e devemos voltar à Asgard logo. — Disse Thor, sendo interrompido pela campainha.
Jane andou rapidamente até a porta e abriu-a, sendo surpreendida. Era Loki.
Eu, Luke e Thor nos levantamos em um pulo, olhando para ele surpresos por ele finalmente ter voltado. Loki estava com a mesma expressão de ódio que continha assim que saiu do prédio, deixando Scarllet jogada e machucada no chão.
– Loki, irmão, você veio. — Disse Thor, dando um passo em direção de Loki.
– Voltei porque devemos ir embora logo, estou certo? Infelizmente, preciso de vocês para isso.
– Loki...precisamos conversar. — Eu disse e ele olhou para mim de uma forma que eu pensei que morreria naquele mesmo momento.
– Não dirija a palavra à mim ou sou capaz de matá-lo. A propósito, onde está sua noiva?
– Loki, deixe-me explicar. Eu e Scarllet não fizemos nada. Apenas brinquei com aquilo por pura diversão, achando que ela me escolheria se eu afirmasse que havíamos feito algo.
– Boa tentativa, rapaz. Direi-lhe outra vez: Pensas que pode enganar o Deus da Mentira? Óbvio que não.
– Estou dizendo a verdade.
– Não, não está. Sou capaz de perceber se está mentindo ou não apenas pelo tom da sua voz. Não perca seu tempo tentando concertar tudo isto...Afinal, finalmente conseguiu o que queria. Espero que seja muito feliz com a mortal.
– De que adianta tê-la ao meu lado se é ao seu lado que ela deseja estar? Não quero conviver com isso. Não posso. Você não a viu, Loki...seu estado é completamente deplorável.
– E só por isso você quer devolver a mercadoria? Agora ela é sua propriedade, portanto, ela é um problema seu, não meu. Não me aborreça com isto outra vez.
– Ela não é uma mercadoria! Não diga como se não se importasse com ela, droga! Você pode odiar admitir, mas você a ama! Sei que sente algo por ela, portanto pare de se fazer de difícil! Você está prestes à perdê-la para sempre e ainda se importa com seu orgulho? Suportaria ficar sem a companhia dela para sempre, Loki? Nem mesmo você aguentaria!
– Pelo contrário, filho de Odin. Eu suportaria sem sequer fazer esforço. Como sabe bem, não sou filho legítimo de seu pai, portanto, o sentimentalismo barato Asgardiano não corre em minhas veias. Eu sou um Jotun e, como o próprio nome da minha espécie já diz, sou frio. Posso viver perfeitamente bem com a ausência dela.
– Nada ganhará além de solidão se continuar com toda essa pose. Você já não é mais o mesmo, Loki. Todos nós sabemos disso. — Thor finalmente pronunciou-se. — Até mesmo sua aura corporal agora está repleta de calor...Apenas você não vê, irmão. O único tolo aqui é você, que ainda tenta esconder e negar isso para si mesmo.
– Calem-se todos vocês! Vamos logo para Asgard! Anakin, se não quiser levá-la, apenas deixe-a aqui! Devemos ir, não pretendo ser preso por mortais inúteis.
Jane e Darcy estavam incomodadas pelo jeito que Loki falava, estava muito explícito nos rostos delas. Loki, por outro lado, parecia orgulhar-se disto, assim como antigamente, na primeira vez em que estivemos em Midgard.
Ele olhava para ambas as mulheres da forma que olhava para os mortais na primeira vez que os viu. Cheio de ignorância e desprezo pela espécie que ele considerava fraca e inferior.
– Eu estava certa. Em meus sonhos, você havia voltado...e está mesmo aqui agora.
Olhamos todos para a escada e nos deparamos com Scarllet. Ela ainda vestia seus pijamas. Sua expressão ainda estava cansada e seus olhos ainda estavam inchados graças à tanto tempo de sofrimento.
Olhei de rabo de olho para Loki que, assim que a viu, demonstrou um pouco de emoção, mas logo controlou-se e voltou a olhá-la da mesma forma que olhara para Jane e Darcy há poucos segundos antes. Ele sorriu de canto, maldosamente, olhando-a de cima a baixo.
– Você já teve dias melhores, mortal. — Debochou, fazendo-a ficar indignada.
– É só isso que têm pra me dizer? Anakin já não...esclareceu tudo à você?
– Você é mesmo uma tola. O que eu faria se estivesse prestes à ficar com você por toda a eternidade? Acho que nem mesmo em séculos você se tornaria menos tola. O que Anakin contou-lhe é uma das mais puras e mais tolas mentiras que ele já pôde contar antes. Vocês fizeram mesmo aquilo durante aquela noite, querida. Ele apenas disse o contrário para tentar fazê-la sentir-se melhor com tudo isto; para fazê-la acreditar que eu voltaria para você. Foi uma tentativa de acalmá-la, de fazê-la sofrer menos. Mas todos aqui sabemos quem sou, não é? Eu sou o Deus da Mentira. Ninguém é capaz de mentir para mim sem que eu saiba que é uma mentira.
– Certo, mesmo que ele tenha mentido para amenizar toda a situação...Loki, eu não fiz aquilo por vontade própria. Foi um acidente. Por que está agindo assim? Você parece outra pessoa agora...Por que está fazendo isso? Por que continuar se enganando assim? Eu sei que você sente algo por mim também, e...
– Cale essa maldita boca, mortal estúpida. Como ousa dizer que sinto algo por você? Realmente acreditou nisso tudo? Pare de ser tola ao menos uma vez e escute o que diz. Um Deus; uma mortal. Isto nunca poderia acontecer. Jamais. Ainda mais eu sendo quem sou. Como poderia apaixonar-me por uma mortal qualquer, que não possui nada para oferecer? Eu apenas usei você todo este tempo, não vê? Pare de se iludir. Deixe o sentimentalismo de lado e pare de sofrer inutilmente.
Scarllet voltou a deixar que lágrimas escapassem de seus lindos olhos e eu já não sabia mais o que poderia fazer para ajudá-la. Thor rapidamente andou até Loki e levou-o para fora do apartamento, tentando impedir que ele dissesse mais alguma coisa cruel que pudesse machucar Scarllet ainda mais.
– Nós devemos ir agora mesmo. Jane, eu logo voltarei. Eu te amo. — Disse Thor, sendo seguido por mim e Luke.
Thor sequer despediu-se formalmente de Jane, pois segurava Loki fortemente. Enquanto andávamos pelo corredor até o elevador, Scarllet correu até a porta, mas foi impedida de nos seguir por Jane e Darcy, que seguravam-na com força por ambos os braços.
– Não! Loki, não vá! Não me deixe, por favor! Eu imploro à você! Loki! Me leve com você! Por favor, não faça isso! Não...Não posso viver sem você, Loki! Eu te amo tanto! Por favor, estou implorando...Eu faço o que você quiser! Tudo que desejar! Leve-me com você! Eu posso ser sua criada, sua escrava...Você sequer precisa falar comigo, apenas me leve com você! Deixe-me vê-lo todos os dias e eu estarei feliz...Por favor! Não vá! Não vá! Loki! — Ela gritava e soluçava graças ao choro. Aquilo para mim eram como lentas facadas em meu peito.
Logo que entramos no elevador e descemos os andares, os gritos de Scarllet tornaram-se inaudíveis. Por um momento, houve silêncio entre nós. Loki estava quieto e olhava para baixo.
Assim que as portas abriram-se, ele foi o primeiro a sair e, eu tive certeza. Fui capaz de ver uma lágrima escapulir de um dos olhos dele. Olhei para Thor, indignado, que apenas fechou os olhos e sorriu docemente.
– Thor...não podemos ir. — Falei.
– Nós devemos ir agora, Ani. Mas...logo voltaremos e tudo estará resolvido. Você verá. Paciência, irmão. — Respondeu Thor, seguindo Loki.
Fomos em direção à um parque deserto e entramos na nave. Thor rapidamente ligou-a e tornou-a invisível aos olhos mortais, levantando voo imediatamente.
Assim que saímos de Midgard, Loki levantou-se e andou até a janela da nave, olhando para o planeta que ainda estava muito grande aos nossos olhos. Luke, Thor e eu apenas continuamos observando-o, enquanto ele olhava o planeta deixado para trás. Loki fingira não sentir nada tão bem todo o tempo, mas ele com certeza estava machucado; tão machucado quanto Scarllet. Agora, depois de vê-lo assim, eu já não duvidava mais de nada que ele dissera.
Ele realmente mudara. Por ela.
Notas finais
(a crueldade nos capítulos que estão por vir será ainda pior KK)
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