New Life.
1 Sullivan
Estava em meu quarto olhando a foto de minha mãe e passando a mão sobre seu rosto, ela era tão linda; tinha cabelos cacheados, era morena e tinha olhos escuros, era tão linda e tão jovem quando morreu, tinha dezenove, eu sempre tive muita raiva daquele monstro que era meu pai, afinal, que tipo de ser engravida uma garota e depois fala que ela não foi nada na vida dele? Eu sabia da verdadeira história, e me dava arrepios apenas de lembrar. Meu pai, segundo ao George e a Ana — meus pais adotivos — , ele, assim como minha mãe, foi nascido e criado na California, devia ser aqueles playboys que só pensam em transar com garotas e que mais pareciam uns armários de tão bombados.
- Jorie. — Dona Ana gritava da escada atrapalhando meus pensamentos. — Desça aqui um instante.
Fiz o seu pedido e me sento ao lado deles.
- Bom... — George dava um longo e tenso suspiro.
- Não sei por onde começar... — Dona Ana completava.
- Aconteceu alguma coisa? — Falei preocupada.
- Seu pai... — Ana prosseguia.
- Ele finalmente morreu? — Falei aliviada. — Glória a Deus. — Disse erguendo as mãos e olhando pro teto, realmente, seria bom se ele morresse...
- Não Marjorie, que horror, não fale isso. — Ana hesitava.
- Que pena. — Sussurrei para mim mesma.
- Continuando... seu pai, ele ligou para nós- George falada.
- Edai? — Falei sem algum interesse, eu odiava receber noticias dele, apesar de ele só querer se importar comigo nesses ultimos meses...
- Você vai para a Califórnia morar com ele. — Dona Ana completou.
- O QUE? — Gritei. — COMO ASSIM? AQUELE IDIOTA PASSA ANOS SEM QUERER SABER DA FILHA DELE QUE ELE MESMO ABANDONOU E DEPOIS QUER QUE EU VA MORAR COM ELE? AAH FALA SÉRIO, ME POUPE.
- Na verdade Jorie, ele tem toda a razão e todo o direito. — Seu George falou calmo. — Ele falou com o advogado dele e realmente ele tem toda a razão, como sua mãe partiu e lhe deu para a adoção assim que faleceu, sem nenhum concedimento dele... ele pode te levar a hora que quiser. — Ele prossegui cabisbaixo, que idiota, puta que pariu, quem ele tava pensando que era? Primeiro ele resolve abandonar minha mãe, depois passa anos me ignorando e agora quer tentar ser legal comigo? Mas é muita falta de louça para lavar viu...
- Ele não pode fazer isso. — Falei mais calma mas um pouco alto.
-Sim, ele pode, se não ele ira processar a gente e sabe que somos fracos, velhos e pobres, não poderiamos pagar um advogado bom. — Dona Ana falou baixo, o que me deu lágrima nos olhos, eu não gostaria de deixa-los mas eu não queria causar aquele prejuiso para eles.
- Faça isso por nós Marjorie. — George falou com um olhar triste.
- Tudo bem. — Disse derrotada. — Quando eu vou?
- Na verdade, a ligação faz alguns dias e sua passagem chegou ontem pelo correio. — Ela apontou para uma mesa onte tinha uns papeis, peguei e li, tudo estava em ingles, alias, eu era ótima em ingles, mas não seria nescessário usa-lo, não iria querer ter papo com nenhuma daquelas pessoas.
- Eu vou amanhã as 7 da manhã. — Disse desanimada. — Bom, já que não me resta escolha, vou ir arrumar as malas. — Dei um sorrisinho de lado querendo esboçar algum tipo de felicidade que naquele momento, eu não tinha.
Peguei uma mala grande no guarda-roupa e fui tacando as coisas dentro, e por fim, coloquei o retrato da minha mãe e do Seu George e da Dona Ana, jamais esqueceria deles.
Tomei meu banho e arrumei o resto do quarto , seria um dia incrivelmente longo; iria para a California ver o cretino do meu pai que eu nunca vi e nem tive a vontade de ver e ter que me acostumar com a miseravel vida que eu ia levar daqui para frente...
Pois é, não ta fácil pra ninguém.
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