Never Let Me Go
5 You have the chance of winning again.
“Eu só quero saber de uma coisa. O que acabou de acontecer?”
“Julia, ahm, não sei como te explicar o que aconteceu aqui.”
“Desculpe-me, mas a senhora vai ter de achar um jeito.” Disse seriamente olhando para ela, que ainda continuava sentada.
“Sabe Julia, o diretor Ranowski conhece todos vocês, principalmente os vencedores.”
“E o que é que tem, é o dever dele nos conhecer, principalmente os vencedores.”
“Ai é que está o problema Julia.”
Deve ter acendido uma lâmpada na minha testa com o símbolo de um ponto de interrogação, a Senhora deu um leve sorriso, como se tivesse pena de mim, por não ter entendido e ficado confusa do jeito que estava.
“Sabe Julia; O diretor geralmente presta muita atenção nos vencedores, já que como você sabe todos eles voltam para os Jogos no ano seguinte.”
“Isso não é tão confidencial Senhora Perri.” Ela deu outro sorriso, um mais amarelado dessa vez.
“Eu sei minha cara. O fato é que geralmente, quando os alunos voltam para os Jogos, o diretor tenta criar estratégias para… exterminá-los.”
“Usando essa palavra, a sua frase fica muito pior Senhora.”
“Perdão.”
Ficamos em uma espécie de silêncio constrangedor por alguns minutos. Pois agora eu havia entendido o que ela queria dizer. Pelo menos eu acho que tinha. Acho que só entendi que o diretor tentava exterminar os alunos que ganharam em um ano, no ano seguinte. Engoli em seco. Como eu sou burra!
“A Senhora que… que… quer di… didididi…” Engoli em seco novamente. Me recompus para conseguir dizer alguma coisa.
“A Senhora quer dizer que ele está criando estratégias para me exterminar?” Perguntei com medo da resposta. A Senhora deu outro sorriso. Meu Deus! Se ela estava tentando passar confiança, acho que não estava conseguindo.
“Sente-se aqui Julia.” Ela deu umas batidinhas do banco ao seu lado. Permaneci em pé, talvez fosse melhor eu me sentar. Minhas pernas estavam fraquejando, eu corria o risco de cair, mas resolvi continuar em pé.
“Bom…” Acho que só fiz deixá-la constrangida. Resolvi sentar-me. Ela deu outro sorrisinho e colocou a mão em meu ombro. Não demonstrei nada, ela rapidamente a tirou, e sorriu novamente.
“Julia, é muito difícil de te explicar isso.”
“Tente.”
“Tem certeza?”
“Não quero continuar com a minha dúvida.”
***
Cheguei em casa, deixei meu gorro nos ganchinhos perto da porta. Subi as escadas rapidamente para evitar contato com minha mãe, não estava com paciência para falar com ninguém. Mas acho que ela não estava em casa, não escutei nenhum som vindo da mesma.
Cheguei em meu quarto mentalmente e fisicamente exausta, quando se vai para casa sozinha o percurso parece muito mais cansativo e chato, mas eu não culpo a Carol fiquei quase uma hora conversando com a Senhora Perri. Uma conversa que eu gostaria que não tivesse acontecido, ou melhor, eu gostaria que tivesse sido apagada de minha memória.
Cheguei em meu quarto, joguei minha mochila em algum canto, sentei-me na cama, tirei minhas botas, meu casaco e joguei-os perto da mochila. Deitei-me e suspirei. A única coisa que aquela conversa fez foi me deixar nervosa, coisa que eu definitivamente não precisava. Olhei para a janela e ao invés de ver as casas e as montanhas que estou acostumada, vi um papel. Peguei-o em minha mão e fiquei brincando com ele, dobrando algumas pontas, fazendo triângulos, rolinhos, quadrados, até que decidi abri-lo. Observei a caligrafia delicada e pequena que logo reconheci como a de minha mãe.
Fui ao mercado querida. Logo estou de volta. Seu almoço está no micro-ondas.
Beijos Mamãe.
Amassei o papel e o joguei na lata de lixo. Tirei meu uniforme e coloquei um moletom qualquer. Antes de sair do quarto tropecei em alguma coisa e cai no chão.
“Droga de mochila.”
Virei-me de barriga para cima, suspirei alto e fiquei fitando o teto por algum tempo até que minha barriga roncou. Desci as escadas e encontrei na cozinha somente algumas plantas velhas, e umas ervas para fazer chá. Eu sabia que estávamos sem comida, mas não achei que a situação era tão desesperadora. Fiz o chá e um tipo de sopa, na verdade eu somente refoguei as folhas com uma cenoura que encontrei no balcão. Terminei meu “almoço” e minha mãe ainda não tinha voltado do mercado, olhei no relógio e eram 16h30min. Por mais que eu demonstre que não me importo, não é verdade, nunca foi. Eu só não quero deixá-los mais preocupados do que já são.
Subi as escadas, fiz minha lição, guardei minhas roupas e arrumei meu quarto.
17h50min.
Nada de minha mãe, nem de meu pai. Ele eu sabia que estava trabalhando nas minas, mas minha mãe trabalhava em casa, como lavadeira, geralmente eu que ia ao mercado para ela, mesmo não gostando. Achei estranho, mas não me importei.
Escutei a porta de casa e desci as escadas, mas era meu pai que havia chegado das minas.
“Oi pai. Chegou cedo.”
“Olá minha filha. Sim, hoje nós fomos liberados mais cedo por causa do trabalho a mais no domingo semana passada.”
Dei-lhe um sorriso, e me virei para subir as escadas. Acho que ele ficou espantado, mas não me importei.
“Cadê sua mãe?” Dei meia volta e o-encarei novamente.
“Quando eu cheguei em casa ela também não estava, deixou um bilhete dizendo que estava no mercado, mas até agora não voltou.”
“Tudo bem. O que tem para comer?”
“Nada.”
Ele apenas concordou com a cabeça e voltei ao meu quarto, ele não me seguiu, ficou na sala.
Exatamente nove horas da noite minha mãe voltou. Eu não desci quando escutei a porta se abrir, desci somente quando ela me chamou para guardar as compras. Minha surpresa ao descer as escadas, foi não encontrar a mulher que eu estava acostumada a ver, mas sim uma mulher descabelada, suada, com o vestido amarrotado e desfiado nas pontas, um dos sapatos desamarrado e o outro sem cadarço. Ela tinha lama nos cabelos.
“Onde esteve?” Meu pai perguntou olhando-a por cima dos óculos.
“Fui ao mercado, Julia não te disse?”
“Disse sim, mas geralmente quando as pessoas vão ao mercado elas não passam o dia todo fora de casa Laura.”
Passei diretamente pelos dois que quase gritavam um com o outro na sala e fui para a cozinha, onde uma pequena sacola branca estava em cima do balcão. Abri a mesma que dentro continha um pequeno queijo de cabra fresco – deve ter custado uma fortuna – três pães “de verdade”, uma garrafa de óleo, e mais alguns pães feitos de tesséras — óleos e grãos diferentes, que formam um pão duro e seco, com cor marrom-acinzentada-. Guardei as coisas nos armários, não preenchendo nem metade deles. Voltei para a sala, onde meu pai e minha mãe ainda discutiam.
“Mas eu não estou mentindo Carlos! Eu estava saindo do mercado e encontrei com Mandy, fui até a casa dela e fiquei lá até as cinco, mas quando estava voltando decidi pegar um atalho e me perdi, quase fui atropelada e pisei em algumas poças de lama, caí no chão. Desculpe-me se demorei!”
Eu passei rapidamente, sendo imperceptível a minha presença no local. Decidi ir logo dormir, a discussão parou depois de uns quinze minutos, quando os barulhos na casa cessaram, e duas portas bateram. Total silêncio. Deitei-me na cama e vozes vieram em minha cabeça, a voz da Senhora Perri.
“Sabe Julia; O diretor geralmente presta muita atenção nos vencedores, já que como você sabe todos eles voltam para os Jogos no ano seguinte.”
“É meio complicado de se entender. Somente um menino ganhou os Jogos Vorazes duas vezes, só que na segunda vez ele passou para o ensino médio, e não pôde mais competir o que deixou o Diretor Ranowski –que é Idealizador de Jogos- e o Presidente Marley ainda mais furiosos. Eles decidiram que nunca mais iriam deixar isso acontecer.”
“É difícil de entender, mas o Presidente não gosta de vencedores. Para ele são pessoas que deveriam ter morrido e que estão gastando o dinheiro dele.”
“Perceberam que vocês meninas, principalmente você Julia, tem talentos especiais com relação à luta, e não querem que o evento se repita, ou melhor, eles não podem deixar que se repita.”
“O Diretor sabe que eu e você somos mais chegadas, ele me proibiu de falar com você sobre quaisquer circunstâncias. Muito menos lhe contar sobre tudo o que realmente acontece fora dos Jogos.”
“Eles dois fazem uma investigação especial em vencedores como vocês e descobrem seus pontos fracos. Descobrem o que tem de fazer para vocês perderem.”
“Como assim vencedores como nós? Por que estão de olho especificamente em nós?” Perguntei.
“Por que eles sabem que vocês não venceram por sorte. Porque eles sabem que vocês tem chance de ganhar novamente.”
Notas finais
Por favor deixem reviews! Não faz mal p coração galera :p haha
Espero que tenham gostado.
Bejitos
xxJuhxx
OBS: Hoje postei no dia certo! yay
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