Notas iniciais
Hey queridos leitores :) Desculpem por não ter postado nem sexta nem sábado. Eu escrevi esse capítulo na sexta de noite, mas não consegui revisá-lo nem postá-lo. Me desculpem e espero que gostem :) xxJuhxx

Demorei a dormir, demorei a levantar, demorei a trocar de roupa, demorei tanto que saí de casa depois de Carol.

“Até que enfim!” Disse ela com um sorriso quando cheguei ao seu lado.

Hoje de manhã nenhuma de nós duas estávamos a fim de conversar, e eu agradeci por isso, afinal, não estava muito no “clima”. Acho que Carol também não, hoje era a colheita, e se eu a conheço bem ela devia estar tão nervosa quanto eu, acho até que a vi tremer alguma vez.

“Está com frio?”

“Ahm… É… É sim… Frio.” Ela respondeu pausadamente.

Em um dia como esses eu não estaria nervosa, acho que não estaria esboçando nem sentindo nada, mas os acontecimentos de ontem mudaram as coisas um pouco… Eu realmente preciso parar de pensar nessa conversa com a Senhora Perri. Como ela disse, eu sou boa nisso, são tão boa que estão de olho em mim, sou tão boa que posso ganhar novamente… Ou pelo menos eu acho que posso. Um menino conseguiu não foi? Quanto mais eu tentava apagar esses pensamentos de minha cabeça, mais eles tomavam-na por inteiro.

“É aqui estamos.” Carol disse enquanto observávamos as grandes escadarias.

“Escola North Shore Moutain High.”

“Primeiro de dezembro.”

“Dia da colheita.”

Entramos na escola, que tinha os corredores desertos. Não se via nenhum aluno, todos estavam nos fundos, formando filas para o coleta de sangue e marchando para a grande Praça Central onde o prédio da Capital, onde a chamada “Colheita” aconteceria. Os nomes dos alunos sorteáveis da quinta série ficavam em uma grande bola de vidro no canto estremo direito do pedestal do microfone. As bolas de vidro das outras séries ficavam à esquerda dessa, sendo a bola da oitava série a mais próxima do pedestal. Uma funcionária da Capital que sempre fazia o sorteio, geralmente eram mulheres bem... Estranhas.

As funcionárias da Capital possuíam todos os tipos de tatuagens, em todos os lugares do corpo diferentes, cabelos de cores diferentes, olhos de cores diferentes. Suas peles eram quase da cor da neve, muitas vezes com algum tipo de tinta, que as fazia parecer esverdeadas, rosadas, douradas e até meio amareladas. Eles são os descendentes diretos das pessoas que antes moravam na Capital, principal cidade de Panem.

Eu e Carol entramos na escola, andamos pelo corredor em silêncio. Guardei minha bolsa no armário de Carol, que era mais perto da porta dos fundos, assim não precisaríamos fazer mais de uma parada. Atravessamos a escola inteira em questão de minutos em silêncio. Abrimos as portas do fundo, que fizeram um estrondo. Encontramos as tradicionais quatro mesas brancas da coleta. Entrei em uma fila e Carol em outra, e antes que eu percebesse já tinha tido meu dedo perfurado rapidamente e meu sangue escaneado e mapeado. Segui para a fila de minha série.

Oito filas horizontais eram formadas, separadas por cordas, de frente para o palco. Você entrava na fila por série. Do lado direito, quatro filas de meninos, e do lado esquerdo quatro filas de meninas. Posicionei-me e fiquei entre uma menina de cabelos cacheados e pretos e uma menina albina. Por causa de minha série – oitava- minha fila era a primeira depois do palco. Procurei qualquer uma das meninas, mas não as encontrei no meio da multidão.

A apresentadora subiu ao palco e sentou-se em uma das três cadeiras ao fundo, logo a seguinte foi tomada pelo Presidente Marley e a última pelo Diretor Ranowski, o idealizador de Jogos. Depois da conversa com a Senhora Perri não conseguia nem olhar mais o diretor nos olhos. A apresentadora levantou-se e caminhou até o centro do palco. Ela tinha cabelos vermelhos, mas não como o de pessoas ruivas, um vermelho vivo, vermelho sangue. Ela tinha tatuagens douradas acima das sobrancelhas, e nas pernas. Sua pele tinha um tom amarelado. Ela usava muita maquiagem. Cílios dourados, pálpebras tomadas por lilás e dourado, um blush que não fazia muito para aparecer, seus lábios carnudos preenchidos por um batom lilás. Ela vestia um vestido lavanda, com uma saia baloné curta e avajantada, sapatos com um salto de pelo menos 15 centímetros e uma flor lavanda que se destacava no meio de seus cabelos. Ela deu algumas batidinhas no microfone para ver se o mesmo estava ligado. Apresentou-se como Gloss.

“Bem vindos, bem vindos!” O som agudo de sua voz ecoou sobre toda a praça. “Bem vindos à octogésima oitava edição dos Jogos Vorazes de Oak.”

“Antes da cerimônia do sorteio dos corajosos jovens meninos e jovens meninas, vamos para um discurso do nosso querido Presidente Marley.”

Ela começou a bater palminhas desesperadamente, mas ninguém se juntou a ela, que parou depois de perceber que ninguém ia realmente bater palmas. O silêncio era enorme na praça. O Presidente levantou-se de sua cadeira, ajeitou o terno cinza de risca e seguiu em direção ao centro do palco, onde o pedestal do microfone se encontrava.

“Bom dia e bem vindos. Como uma tradição de todos os Jogos, iremos ver o vídeo que explica o que aconteceu com nosso país, e ressalta a importância dessa tradição de todos os anos.” Ele fez um sinal com o braço para a tela que logo se acendeu iniciando o vídeo passado todos os anos sobre a importância dos Jogos.

O presidente voltou à sua cadeira e Gloss ficou parada ao lado do pedestal, recitando o vídeo de olhos fechados em silêncio. O vídeo terminou, ela novamente voltou a bater palmas e ninguém novamente se juntou a ela que ajeitou o cabelo, o microfone e se posicionou atrás do pedestal.

“Eu simplesmente adoro esse vídeo.” Ela disse com um sorriso falso enquanto sua voz aguda novamente tomava conta da praça.

“Então, vamos aos nomes!” Ela se dirigiu ao canto esquerdo do palco, ficando de frente para a bola dos alunos sorteáveis da quinta série. Ela colocou a mão pálida com as unhas de gel longas vermelhas e douradas no meio dos papéis, retirou cinco e voltou para o pedestal. Todas as pessoas presentes seguraram o fôlego, pois sabiam que as cinco próximas pessoas de doze anos não sobreviveriam na arena. Então ela começou a pronunciar os nomes e sua voz ocupou a praça.

“Henry Miller.”

“James Jackson.”

“Lawrence Green.”

“Linda DiCesaré.”

“Christine Hanovan.”

Cinco menininhos assustados subiram ao palco, feições aterrorizadas e congeladas, mas nenhum deles chorava. Todos se cumprimentaram e ficaram lado a lado enquanto o outro grupo da quinta série era escolhido. Houve muito choro, muita tristeza, alguns gritos e nenhum voluntário até que chegou à vez dos alunos da oitava série. Gloss se dirigiu para frente da bola, colocou sua mão no interior da mesma e girou-a lá dentro, misturando os papéis. Suas unhas longas e vermelhas contrastavam com os papéis esbranquiçados. Ela tirou cinco papéis lá de dentro, segurei meu fôlego e fiquei encarando-a, enquanto ela voltava ao pedestal e começava a ler os nomes. Silêncio total.

“Jimmy Herold.”

Quando o primeiro nome foi chamado voltei a respirar, aquele não seria meu grupo, os próximos quatro nomes não seriam das pessoas que eu amo. Olhei diretamente para o Presidente Marley que sorriu para mim, revirei os olhos e voltei a me concentrar em Gloss que se preparava para ler o próximo nome.

“Lillian Fletcher.”

“Mary Brown.”

Senti pena por Mary, que subiu os degraus para o palco dolorosamente, seus olhos explodiam em dor, medo e sofrimento. Ela olhava para o chão, então não consegui ver se estava chorando ou não.

“Harry Foster.”

“Gabriel Brown.”

Minha boca literalmente formou um prefeito “o”. Dois primos no mesmo grupo, e eu conhecia ambos. Quando o nome de seu primo foi chamado Mary arregalou os olhos, e o procurou no meio da multidão. Quando o encontrou arregalou os olhos mais ainda, ele se posicionou do seu lado e eles seguraram as mãos. Nesse momento senti tanto pena deles como de suas famílias.

Gloss voltou a andar em direção à bolada oitava série e meu coração parou, o mundo parou; Tudo parou. Fiquei travada, não olhava para nenhum lugar sem ser os olhos do Presidente Marley, ele deu um sorriso de cobra para mim. Rolei meus olhos e fixei meu olhar na bola de vidro, nas pequenas tiras. Ela pegou os cinco pedaços de papel. Os cinco que todos nós sabíamos quais nomes ele continham. Ela posicionou o microfone e começou a falar.

“Jane Bunch.”

A loira saiu da multidão, começou a caminhar pelo corredor formado entre os lados de meninas e meninos, ela virou-se para trás e me encarou com o olhar frio e duro. Por fora ela parecia durona, mas por dentro, sabia que estava totalmente perdida, quebrada e desamparada. Subiu no palco e se posicionou.

“Kate Brown.”

A morena que hoje usava um laço preto, com as pontas desfiadas, derramou somente uma lágrima e se posicionou ao lado de Jane em silêncio. Elas mal se olharam.

“Caroline Johnson.”

Carol saiu de algum lugar do meio das meninas e subiu as escadas para o palco sem olhar para ninguém, nem mesmo para mim.

“Allyson Greyson.”

A pequena ruiva que estava em minha frente – eu nem tinha percebido – Virou-se para mim e me abraçou, ela olhou em meus olhos e estava chorando. Essa foi a primeira vez que vi Ally chorar. Soltou-me e se dirigiu ao palco com passos curtos e rápidos.

Essa era a hora. Meu nome era o próximo a ser chamado, eu seria a última escolhida dos Jogos Vorazes desse ano. Encarei todas as meninas e percebi que a ordem dos nomes fora a mesma sorteada no ano passado, nos nossos primeiros Jogos. Como que eles fizeram isso? Nem foi Gloss que sorteou os nomes no ano passado. Olhei para o Presidente Marley. Ele deu seu sorriso de cobra e gargalhou baixo ao ouvir meu nome.

“Julia Foster.”

Apertei os punhos, cerrei os lábios e parti em direção ao palco com passos pesados, olhando para o chão. Rapidamente estava no palco ao lado de Ally. Gloss começou a agradecer aos alunos e dizer o tanto que eram corajosos e falar da importância dos Jogos para Oak de um jeito “otimista”.

Senti um cutucão em minhas costas e virei-me para trás, Carol pedia socorro com os olhos. Ela estendeu a mão por trás dela mesma e de Ally. Segurei a mão de Carol com força, por trás de nossos corpos, assim ninguém veria nossa fraqueza.

Senti-me como se tivesse voltado no tempo. Como se estivesse nos meus Primeiros Jogos.

Notas finais
Eu gostei muito desse capítulo e achei que ficou legal e vocês? O que acharam? Como não postei nem sexta nem sábado, hoje vai ter dupla postagem yay Posto o capítulo 7 (que já está pronto) mais tarde ^^ Kissos xxJuhxx