Never Let Me Go

1 Yes, I'm one of the winners.


Notas iniciais
Bom, primeiro capítulo, espero que gostem ;)
Ele vai ser um pouco complicado de entender, mas conforme a história se passa eu acho que isso vai mudar. Se não entenderem alguma coisa podem deixar review perguntando ou me mandar MP.
xxJuhxx

Abri meus olhos vagarosamente enquanto alguns raios de sol saíam da pequena – e única- janela de meu quarto branco. Eu digo isso sabendo que tudo em meu quarto era de tal cor, salvo a pequena televisão que era preta. Pisquei algumas vezes até meus olhos se acostumarem com a luz e o quarto começar a ficar menos embaçado. Meus olhos percorreram a parede de frente para mim que continha alguns rabiscos de lápis de cor rosa, que foram feitos quando eu era criança e só queria “colorir” meu quarto; Sorri com essa lembrança.

Meus olhos se voltaram para a janela que havia sido cuidadosamente “destruída” por mim, em algum momento ano passado quando roubei tinta da escola e pintei as bordas de madeira branca de verde, minha cor preferida. É claro que eu havia sido punida, mas não me importei com algumas semanas limpando armários. A janela era meu ponto preferido do quarto, mas a imagem que era observada dela era aterrorizante.

Rapidamente a pequena e sombria cidade de Oak tomou conta de minha visão. Uma das últimas manhãs frias de outono, as ruas vazias como todos os anos aconteciam quando inverno estava chegando e o terror já havia começado a tomar conta da cidade. Sabia que as famílias já estavam se preparando para quando começasse a nevar.

Praticamente joguei meu corpo para fora da cama e me dirigi ao armário, peguei uma roupa qualquer e abri a porta esperando não ter ninguém no corredor, mas eu estava errada. E lá estava minha mãe espanando os vasos da mesinha.

"Bom dia querida" Ela disse com uma voz doce, enquanto se virava para mim com a expressão cansada e meio tristonha.

"Bom dia" Respondi indiferente.

Ela havia se decepcionado com o jeito que eu havia falado com ela, mas ela sabia o porquê de eu estar respondendo-a daquele jeito. Ela tentou disfarçar a tristeza esboçando um pequeno sorriso e se virando para continuar espanando os vasos. Eu simplesmente passei por ela e entrei no banheiro sem dizer mais nada.

Não me leve à mal, eu amo minha mãe, realmente amo, mas eu não poderia sair por aí saltitandando mandando beijos e distribuindo abraços quando daqui a dias, quem sabe um mês eu estaria confinada em um campo de batalha sem saber se voltaria no ano que vem? A ideia de ter que sobreviver mais uma vez no campo me aterrorizava, e eu também não poderia sair por aí tremendo de medo. Tinha que ficar neutra, sem aparentar nenhuma emoção, um preço pago por sobreviver.

Deixei a água morna escorrer pelo meu corpo, os pensamentos fluírem livremente por minha cabeça, as lágrimas caírem sem que eu me preocupasse. Saí do banho vesti as roupas e quando saí do banheiro minha mãe não estava mais no corredor. Desci para tomar café e encontrei mais uma figura cansada. Meu pai estava sentado à mesa tomando um gole do suco em silêncio.

"Bom dia" Ele disse com a voz rouca.

Só fiz balançar a cabeça enquanto minha mãe colocava meu prato na mesa com a mesma expressão cansada e tristonha que aumentava a cada dia que se aproximava. Eu não aguentava mais ficar ali, com os outros ao redor sentindo pena de mim, ficando tristes por mim, era uma sensação horrível. Comi rapidamente em silêncio, um silêncio que chegava a me dar calafrios. Levantei, coloquei o prato na pia e saí da cozinha rapidamente em direção à porta, onde meu casaco, meu gorro e meu cachecol me esperavam, vesti-os e saí porta afora. Respirei, inspirei e uma pequena fumaça saíra de meu nariz, que eu tinha certeza que nesse momento já estava vermelho.

Desci os três pequenos degraus da varanda e comecei a caminhar sem rumo pela cidade “fantasma”. Nenhum carro, nenhuma pessoa, as poucas lojas, fechadas, nenhum sinal de vida, persianas baixadas, portas fechadas, pessoas encurraladas dentro de casa. Às vezes eu achava que não tinha ninguém na cidade, até ver alguns pares de olhos atrás das persianas em algumas casas, observando a única menina que andava sozinha pela cidade. Somente os semáforos das grandes avenidas funcionavam, mas ninguém tinha o trabalho de sair de casa, pelo menos não às sete e meia da manhã de um domingo.

Eu observava o inverno chegar em silêncio, caminhando sozinha nas ruas estreitas e que daqui a pouco estariam cobertas de neve. Chutava algumas pedras que encontrava no caminho, pensando que eu aos quinze anos adquirira uma maturidade impressionante. Assim como a maioria dos cidadãos de Oak era acostumada a fazer quando atingia certa idade, isso se a atingisse.

Continuo minha caminhada que ficava mais desconfortável a cada vez que outro par de olhos de punha a observar-me. Passo em frente a uma pequena praça que contém um parquinho que está ali desde que a cidade fora criada, agora estava velho, já que nenhuma criança mais brincava nele. Dois pequenos balanços se movimentavam para frente e para trás devagar por causa do vento, e um chiado agudo saía dos mesmos. Um chiado de metal enferrujado que me causava arrepios.

Segui em frente até um prédio alto e longo entrar em meu campo de visão. Com dois andares, paredes pintadas de um amarelo claro, várias janelas brancas e grandes deixavam o interior à mostra, salas cheias de carteiras, algumas paredes com cartazes. A bandeira de Oak do telhado se agitava, e uma grande escadaria reluzente de mármore dava para grandes portas de madeira escura, esculpidas delicadamente com desenhos de combates de deuses gregos. Em cima do telhado letras de metal brilhavam com o nome: North Shore Mountain High School. Ao lado das portas haviam várias placas de bronze com os nomes dos vencedores do que eles chamam de Jogos Vorazes.

Subi rapidamente a grande escadaria e fiquei na frente da porta encarando-a por alguns segundos. Meus olhos se dirigiram para uma placa em especial. Andei até ela e passei meus dedos por cima de um nome entalhado na mesma. Meu nome.

Notas finais
Espero que tenham gostado :)
Mereço reviews?
Obrigada por lerem :)
@juhh_goomes
xxJuhxx