Nevasca

3 Coração de pedra


Havia uma praia a poucos quilômetros dali, então caminhei até lá e sentei em uma rocha grande, e assisti o vem e vai das ondas.

- Parece que perdi a felicidade no mar, e as correntes a levaram para o fundo, onde ninguém poderia encontrar novamente. — Pensei triste, ninguém me queria, sou uma adolescente e não um bicho anormal ou um extraterrestre em forma de garota.

Ali não era o melhor lugar para se passar a noite, então me levantei da rocha e pulei na areia, e comecei a caminhar em direção da floresta, eu sempre quis passear em uma floresta à noite, eu havia de temer pelos animais que ali habitavam.

Andei bastante, aliás, MUITO, e cheguei ao topo da floresta, havia um pequeno lugar aberto, dava para ver a cidade inteira,era maravilhoso!

- Às vezes eu não perdi a felicidade, meu coração pode ter endurecido... Tem como consertar, um dia descubro como.

Deitei no chão coberto de uma fina camada de grama, não era fria e nem quente, estava ideal. Estava com tanto sono que foi fácil dormir.

Algo se encostou a mim durante a madrugada, acordei rapidamente, havia algo olhando para meu rosto.

Havia um clã de lobos olhando para mim, e o que estava mais próximo era um lobo branco. Eu me afastei quase que imediatamente, me assustando com o tamanho quase monstruoso deles. Foi quando o lobo branco se aproximou e se jogou no chão fazendo graça como um cãozinho inofensivo.

- Olá senhor lobinho. – acariciei atrás de suas orelhas e o lobo abanava o rabo feliz, em quanto os outros lobos se entre olhavam. – não posso acreditar que um lobo possa ser tão inofensivo, aliás, você sabia que você amoleceu só um pouquinho do meu coração?

Ele soltou um barulhinho que me deu a intenção de que ele havia entendido.

- Fazia anos que não sonhava algo que me trouxesse conforto, obrigada. – deitei na grama novamente e o lobo branco deitou ao meu lado, me esquentando com aquele casaco natural dele. Adormeci novamente, mas agora já não sentia frio.

Acordei encharcada, estava chovendo, eu não havia mais o lobo branco ao meu lado, então realmente foi um sonho.

Levantei-me e bati nas roupas para tirar a grama e a terra que estava em meu corpo, mas não ajudou muito, eu teria que ir ao orfanato de qualquer forma me trocar.

Comecei a descer a montanha, que estava cheia de poças de lama, e a todo momento eu escorregava em uma, até que tropecei em uma pedra e afundei o corpo numa extensa lamaçal.

- Droga! – levantei novamente e agora furiosa. – Isso só acontece comigo!

- Olá. – Uma voz masculina falou atrás de mim. Virei automaticamente rápido.

- Ah, oi. – limpei mais uma vez, e a blusa que era preta, mudou a cor para marrom e verde. – Quem é você?

- Meu nome é Quil Ateara, e o seu?

- Tucca. . . – murmurei antes de colocar as mãos no rosto, tonta.

- Você está bem? Porque está molhada? – O garoto perguntou preocupado.

- Eu estou bem sim e a dona do orfanato disse que não podia dormir lá, porque ela não queria.

- Ela é um monstro! – O garoto falou indignado. – Venha comigo, vou te dar roupas secas.

- Eu não posso, tenho que ir direto para o meu trabalho agora, é meu segundo dia.

- Peço pro meu amigo te levar, venha... Por favor... — Fez olhos de uma criança pidona.

- Está bem, eu vou então.

Caminhamos até a saída da floresta e andamos bastante até chegar a casa dele.

- Entre entre – Ele abriu a porta para que eu passasse, mas não sai do tapete na varanda da casa dele. – o que foi?

- Vou sujar a sua casa. – olhei para minhas roupas enlameadas.

- Não se importe com isso, entre – passei pela porta parando perto de seu sofá. – espere um pouco.

Ele foi a cozinha, e logo depois alguém mais voltou com ele. Era sua mãe.

- Oh querida, venha comigo. – ela apontou para porta do banheiro e eu me assustei. – Tome um banho quente, eu vou te arranjar roupas.

- Não precisa se importar comigo, por favor, não quero atrapalhar. – Estava ficando sem jeito.

- Você não atrapalha em nada querida, você ficará doente, não queremos isso, queremos?

- Nem pensar – ri, mas me sentia muito fraca, não sabia por quê.

- Aqui estão as roupas e toalhas. – Quil havia ido pegar as roupas para o banho e eu não havia notado.

Peguei as roupas e entrei no banheiro, era estranho como eles agiam, como se me conhecesse, afinal, por que estavam deixando que tomasse banho na casa deles?

Liguei a válvula do chuveiro e esperei que esquentasse enquanto tirava as roupas cheias de lama para o canto do Box.

Entrei no chuveiro e vi o quanto de barro havia no meu cabelo, eu o esfreguei bem até que não sobrasse nada. Não demorei nada no meu banho, me sequei e coloquei as roupas, pareciam ser da mãe de quil, mas de quando ela havia minha idade, eram roupas de bom gosto.

Sai do banheiro e não havia ninguém na sala, mas algo me fez sair daquela casa correndo. “MARRY”.

Corri para fora de casa e continuei a correr como louca pelas ruas de Forks, eu havia me esquecido de marry, como fui estúpida.

Sabia que me cansaria rápido, estava sendo tola em correr, eu podia VOAR. Entrei na floresta novamente e sai em disparada entre as árvores, algumas vezes galhos batiam no meu rosto, mas ignorei a dor, sabe se lá o que marry podia estar passando nas mãos da freira.

A floresta estava quase acabando então esta era a hora de correr. Eu estava próxima a uma casa branca, não me lembrava dela, desacelerei os passos na frente dela e derrepente alguém gritou:

- Tucca – alguém me abraçou mas estava atordoada demais para ver quem era. – Eu não posso acreditar que é você mesma!