Nephilins de Londres
19 Cyriella
Notas iniciais
–AH! O que é isso!?-Olívia gritou.
O portal estava se abrindo, azul e brilhoso no quarto de Ella, que Olívia estava limpando. Olívia tentou tocar, mas Ella saiu de dentro antes de conseguir chegar perto.
–AAAH!!!-Olívia gritou de novo.
–Olívia! Desculpa, não quis te assustar! Por isso que pensei no meu quarto.
–O que aconteceu? Vocês não deveriam ficar lá?
–Deveria, mas desconfiaram do fato de eu ser uma fada e que as fadas atacaram Alicante quando estávamos lá. A maioria votou para eu ficar trancada aqui no Institutos aos cuidados de vocês.
–Ah. Sinto muito. Nem me lembrava que vocês haviam ido para Alicante.
–Olívia! Você tem que dar um jeito nessa sua falta de memória.
–Eu até cuidaria, mas eu esqueço.-As duas riram.-Vocês ficaram lá por bastante tempo! Já são 18 horas. A Bridget já deve ter arrumado a mesa. E eu já acabei de limpar seu quarto. Vem, vamos jantar.
–Claro! Eu ainda tenho um pouco de sangue guardado-Ella foi até a cômoda ao lado da cama, abriu a gaveta e retirou uma garrafa cheia de sangue, quando reparou na cara de susto de Olívia.-O que foi? Eu posso ter fome à noite.
–Está bom, então.
As duas desceram juntas até a sala de jantar, onde Bridget e Cyril já estavam sentados, comendo, e tinha um prato de comida ao lado de Bridget, que deveria ser o de Olívia.
–Ella? O que você está fazendo aqui?-Bridget perguntou quando as duas entraram e Cyril virou para trás, surpreso.
–Me expulsaram por que tenho sangue de fada e elas atacaram de surpresa com os vampiros lá em Alicante.-Ella contou enquanto puxava a cadeira do lado de Cyril e se sentava e Olívia fazia o mesmo na cadeira ao lado de Bridget.-Fizeram uma votação e decidiram que eu deveria ficar aqui aos cuidados de vocês sem sair e só receber notícias se for necessário.
–Ah. Sinto muito.-Bridget disse, enquanto levava a colher até a boca.
–Sente por que? Você não fez nada.
–É só uma forma de dizer que está triste pelo o que aconteceu com a pessoa em questão.
–Ah. Nunca havia ouvido isso antes.
–Puxa, com essa orelha grande você deveria ter ouvido tudo à um quilômetro de distância.-Cyril disse enquanto Ella dava um gole na garrafa de sangue
–Eu nao entendi. Você que deveria ouvir à essa distância, já que as SUAS orelhas mais parecem a de um coelho do que de um ser humano normal.-Ella retrucou.
E assim o jantar seguiu…
Bridget, Olívia, Cyril e Ella ficaram conversando e brincando até ficarem com sono. Ella, ao contrário dos outros, caminhou até a biblioteca, já que não estava com muita vontade de ir dormir.
Acendeu uma vela que estava em cima da mesa e pegou um dos livros para ler. Falava sobre como utilizar as armas nephilins e como se defender sem uma, mas não se importou. Poderia ler qualquer coisa que caísse em suas mãos que não se importaria. O estoque de livros da biblioteca não tinha muitos livros do estilo “Alice no País das Maravilhas”, a maioria era de história nephilim, manuais, e coisas parecidas.
Já deveria estar um pouco tarde, quando Cyril abriu a porta e entrou na biblioteca. Ele estava de pijama e parecia cansado, como se não tivesse dormido e passara o tempo no quarto pensando em alguma coisa:
–Cyril?
–Ella? Não conseguiu dormir também?-Ele foi até a mesa e sentou ao lado dela.
–Na verdade, eu estou aqui desde aquela hora. É um pouco estranho dormir de noite para mim, eu ainda não consegui regular meu horário direito.
–Entendo.
–Não entende. Você não é vampiro.
–Bem, isso é verdade. Mas eu também não consigo regular direito meu horário desde…-Ele deu uma pausa.-Desde que descobri uma coisa.
–O que você descobriu?
Ele permaneceu em silêncio, encarando Ella na luz fraca, mas quase ofuscante da vela.
–Bom, se não estiver com vontade de contar tudo bem, mas se alguma hora quiser falar, eu sou toda ouvidos.
–Claro.
Cyril continuou olhando para Ella, como se tivesse tentando escolher se dizia para ela ou não. E finalmente, ele se pronunciou:
–Ella.
–Sim!?
–Eu te amo!
E então, Ella fez uma coisa que Cyril não esperava: Deu um tapa no rosto dele.
–Ai! Eu sou tão horrível assim?
–Você está bêbado de novo, não está?
–O que? Não Ella-Cyril segurou as mãos dela.-Eu não estou bêbado! É verdade! Quer dizer, além de eu não estar bêbado, é verdade que eu te amo.
Ele parecia sério no que falava. Ella ficou em um impasse entre acreditar no que ele estava falando ou se convencer que ele estava realmente bêbado e expulsá-lo de volta para o quarto dele. Mas ela sentiu alguma coisa que nunca sentiu antes. Era um sentimento muito esquisito, mas não deu tempo de raciocinar direito o que estava acontecendo com ela, pois Cyril se aproximou dela e a beijou.
Ella nunca havia beijado antes e foi uma enorme surpresa ele ter feito isso. Ella levou um susto, mas o sentimento que estava sentindo antes foi fortalecendo e o choque passou, e ela queria continuar ali com ele, daquele mesmo jeito. Ella levou alguns segundos para processar aquilo, mas chegou a uma conclusão:
O que estava sentindo era amor.
Ella estava apaixonada pelo Cyril, assim como ele estava por ela.
Ela só não sabia disso.
Depois de passarem quase a noite juntos, Cyril à deixou na porta do quarto dela.
Ella poderia dar a desculpa que acordou tarde por que era uma vampira, mas Cyril não tinha essa sorte e seria estranho vê-lo acordar tarde depois de uma noite mal dormida. Mas não seria uma noite mal dormida. Ele estava muito feliz, e isso anularia qualquer desconforto que sentiria. E não importava se Olívia ou Bridget desconfiassem do que havia acontecido.
Ele e Ella estavam juntos agora. E era isso que importava.
Cyril e Ella dormiram, pensando no que havia acontecido naquela hora.
Depois de realizar esse desejo, Cyril poderia morrer daqui à um século, um ano, um mês, uma semana, amanhã, ou até mesmo agora, que morreria feliz.
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