Nephilins de Londres
20 Toda Guerra, Mesmo Ganha, Deixa Perdas.
Notas iniciais
2 Semanas depois:
Cyril deu um beijo em Ella antes de passar pelo portal para Alicante. Somente duas semanas após a última batalha, as fadas e vampiros voltaram a atacar, isso pegou os nephilins desprevenidos de novo, mesmo com aquele aviso. Chamaram até mesmo os criados de vários Institutos ao redor do mundo para ajudar na guerra, e o de Londres era um deles.
Ella passou primeiro, e a única coisa que ela havia visto por dentro em Idris era o salão dos acordos, então foi para lá em que foram parar. Não estava um caos tão grande quanto deveria estar no Gard, mas estava, já que lá também estava tendo distribuição de armas para os nephilins que estivessem desarmados.
–Aqui, Ella!-Charlotte gritou ao longe, com Charlie no colo e Tatiana e mais algumas outras pessoas desconhecidas de Ella ao lado. “Devem ser os outros instrutores do Charlie.” Ella concluiu.
Essa foi a deixa para Ella, Cyril, Olívia e Bridget se despedirem. Eles iriam direto pegar uma arma e ir para o ataque. Ella cuidaria de Charlie, mas antes, notou que Cyril e Tatiana se entreolharam rapidamente antes dele ir para a outra direção, como se compartilhassem algo que estava somente entre eles. Ella não conseguiu não sentir uma pontada de ciúmes boba em si. Mas ela foi embora quando Ella chegou até eles. Foi só então que percebeu que Tessa, Will e Cecily. Estranhamente, Tessa ao invés de estar com o uniforme nephilim, estava com armadura das fadas, mas foi interrompida antes que pudesse perguntar.
–O plano é o seguinte:-Charlotte começou.-Um dos caçadores de sombras conseguiu matar uma fada e pegou alguns fios do cabelo dela a meu pedido. Tessa está usando as roupas dela e com o cabelo vai se transformar nela e entrará por aquela fenda em que vocês entraram de novo, mas levará você como desculpa para permanecer perto dela, já que ela está te caçando. O Charlie, nós temos esperança de que você tenha criado algum feitiço que o ajude a passar despercebido.
–Bem, eu já havia criado um que deixa o que eu quiser invisível, sem uso de marca nenhuma, lógico.
–Perfeito. Usaremos esse. Mas, já que alguns ainda não confiam em você, teremos que deixá-la completamente desarmada. Mas não a prenderemos de verdade, já que os feitiçeiros precisam das mãos para fazer o que fazem. Todos os envolvidos de acordo com o plano?
–Sim-Charlie, Tessa e Ella responderam ao mesmo tempo.
Enquanto Tessa pegava o cabelo e as armas da fada morta, Ella foi praticamente massacrada por Will e Cecily a abraçando:
–Nós sentimos muita saudade!
–Eu também senti muita falta de vocês!-Eles se separaram.
–Ella, nos prometa uma coisa.
–O que?
–Não morra!
–Como!?
–Nós já te perdemos uma vez, não queremos te perder de novo.
–Nem eu quero perder vocês. Então, não morram também, por favor!
–Tentaremos.
–Tentaremos!? Não! Com CERTEZA viveremos e nos encontraremos felizes. Nunca mais vamos deixar nos separarem. Tudo bem?-Ella levou a mão com a palma para baixo até o meio deles.
–Tudo bem!-Os dois falaram e colocaram as mãos sobre as de Ella.
–Ninguém é páreo para os Herondale!-Ella disse do mesmo jeito que ela dizia brincando quando eram crianças.
–Ninguém é páreo para os Herondale!-Os três repetiram juntos e levantaram as mãos.
–Muito bem, todo mundo está pronto?-Charlotte interrompeu e chegou com Charlie e Tessa.
–Sim.-Responderam juntos.
–Ótimo! Will e Cecily, peguem lâminas serafim e alguma arma para ajudarem na luta.
–Claro.-Cecily disse e seguiu Will para a distribuição.
–Bem, vocês vão sair por trás para que ninguém desconfie. Tessa, ninguém além de nós está vendo, já pode se transformar.
Tessa agarrou bem os fios de cabelo da fada, que Charlie percebeu que eram roxos. E então, se transformou na fada morta. Ao acabar, Charlie se assustou ao perceber os cabelos roxos esvoaçantes, olhos rosa, pele como a neve familiares. A fada morta era a Gália.
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–Perfeito!-Exclamou a Rainha da Corte Seelie.
Charlie estava agarrado no pescoço de Ella, visivel apenas aos olhos dela. Tessa conseguiu entrar lá dentro facilmente, escoltando Ella até lá.
–Coloque-a na cela lá atrás. Vai receber uma bela recompensa por isso, Líder da segunda fileira de ataque Gália.
–Claro, majestade.-Tessa disse e caminhou para uma passagem na direção em que a rainha apontava.
Lá era um espaço enorme e vigiado por guardas. Havia várias celas, com os reféns capturados 2 semanas atrás. Ella olhava para os lados e reconhecia algumas pessoas: ”O inquisidor à direita, o líder do conclave à esquerda, e ali está o diretor do Instituto de Nova York, eu acho...” e assim foi indo até chegar à última cela disponível.
“Até mais tarde, Ella.”-Tessa disse na mente de Ella.
“Até mais tarde, Tessa.”-Ella respondeu telepaticamente de volta. Era um pouco estranho para ela os caçadores de sombras não darem boa sorte para os outros, mas já que era assim, eles tem certeza que vão conseguir e voltar bem, por isso o “até mais tarde”.
Ella não tirou o Charlie da invisibilidade por causa dos guardas, mas ele tinha telepatia, então os dois conversaram por ela:
“Charlie, dessa vez você não pode ter medo. Tem que dar certo, se falhar, isso pode significar o fim dos caçadores de sombras. E isso não é nada bom.”
“É que tem uma coisa que eu não te contei. Eu, quando era Dylan, e trabalhava para o magistrado, tinha uma amiga que trabalhava para ele também. E ela é a Gália. A mesma que te denunciou e que morreu e que Tessa usou como disfarce.”
“Nossa. É por isso que você paralisou naquele momento. Eu… sinto muito.”
“Não. Você não fez nada. Só… é difícil acreditar que ela estava do lado dos vampiros e da Corte Seelie, bem ela era uma fada, e da Corte Seelie, mas mesmo assim,...”
“Eu já entendi. Mas, o que você vai fazer?”.
Charlie tomou muito cuidado para não respirar fundo e não entregá-los.
“Eu vou fazer conforme o plano”.
Dessa vez, Ella tomou muito cuidado para não sorrir. Mas, não teve tempo de falar nada, pois a Rainha entrou.
–Olá!
Ninguém respondeu.
–Eu disse: Olá!!!-Ela disse com raiva.
–Oi-Todos responderam dessa vez.
–Só vim aqui para avisar que nós já conseguimos derrotar praticamente todos os nephilins e vou anunciar nossa vitória a todos. Levarei vocês comigo para mostrar para o mundo que ainda faço de vocês, caçadores de sombras, meus escravos pessoas.
Houve uma onda de reclamações das pessoas.
–E quem reclamar morre.
–Eu prefiro morrer do que servir à vocês-alguém gritou.
A Rainha chamou dois dos guardas que estava perto:
–Mate esse nephilim que prefere morrer, e você, lidere a ordem até chegarmos lá em cima. Resolvi declarar vitória agora.
Assim, ela se virou para a saída e houve uma sequência de reclamações, dos nephins, claro. Os guardas destrancaram as celas e amarraram os pulsos das pessoas para levá-las para fora. Ella conseguiu afrouxar as amarras dela sem que percebessem, assim poderia continuar fazer Charlie ficar invisível. Charlie teve que ficar novamente agarrado ao pescoço de Ella. Quando passou pela fileira de reféns, deu para ver aquele guarda guardando a espada na bainha da calça, e o nephilim morto no chão, com uma poça de sangue saindo de um corte no peito, onde deveria estar o coração. Ella não reconheceu quem era, mas ainda assim não pôde deixar de sentir uma onda de tristeza invadindo ela.
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Eles todos estavam no monte do Gard. A Rainha estava na frente dos prisioneiros, que estavam sendo barrados e vigiados por guardas muito bem armados. Havia muita destruição em baixo deles, e realmente parecia que os vampiros e fadas estavam massacrando os nephilins. “Tomara que todos estejam bem.”-Ella e Charlie pensaram. Ella também chamou Tessa por telepatia, mas ela estava bem, então presumia que os outros também estavam.
A Rainha estava radiante em frente à todos. A única coisa que teria que fazer para dar ponto final à guerra era entrar no Gard, assim domando Alicante, e quem sabe até Idris inteira e anunciar isso. Eles entraram no Gard por trás e cuidaram de matar todos que estavam lá dentro, que felizmente, eram poucos. Novamente, nenhum que parecesse familiar para Ella. Chegaram à entrada. Dava para ver que fadas e vampiros estavam posicionados em pontos estratégicos pela cidade, e partiriam para cima assim que a Rainha mandasse. Ela realmente havia conseguido Idris para ela. Havia apenas um pouco de esperança entre os nephilins que o plano daria certo no último minuto, mas estava se apagando.
A Rainha pegou um objeto estranho, ele era feito de madeira e tinha algumas folhas em cima (Seria uma espécie de microfone antigo, inventado pelas fadas, ok?). Ela falou por aquilo e a voz dela saiu em alto e bom som:
–Olá, senhoras e senhores! Eu sou a rainha da Corte Seelie! Eu estou aqui para avisar que suas chances de vitória são mínimas e que tenho guerreiros espalhados nos limites da cidade.-Ela começou, e a maioria, tanto de vampiros e fadas, quanto de nephilins diminuiu o ritmo para ouví-la melhor.
“Vamos, Charlie, agora!”-Ella disse.
Os olhos de Charlie ficaram claros e a Rainha começou a falar:
–É por isso, que declaro que…-Ela parou de falar, e os olhos dela clarearam um pouco e Charlie assumiu o controle:-Eu declaro que a guerra acabou!
Todos pararam, confusos.
–Não me ouviram!? Estou declarando paz. Desamarrem-os e deixem-os ir.-Ela disse, virando-se para os reféns.
–Mas, majestade…-Um guarda começou.
–Vai recusar uma ordem da Rainha!?
–Não, senhora.
Eles soltaram as amarras em todos os prisioneiros.
–Agora, podemos voltar para a Corte Seelie. Venham de volta todas as fadas. Vampiros, façam o que quiserem.-E, assim, eles saíram de volta, toda a Corte sem entender o que estava acontecendo. Os vampiros saíram também, pois estavam sem moral. Charlie controlou a Rainha até que ela voltasse. Depois disso, ela não poderia declarar guerra novamente.
Ella fez Charlie reaparecer de novo e correu junto aos outros, para todos lá embaixo. Havia muitas pessoas se abraçando, chorando, depois de se reencontrarem. Ella e Charlie encontraram o pessoal do Instituto de Londres. Eles todos também se abraçaram felizes. Apesar de haver muitos feridos por aí, que estavam sendo atendidos na rua mesmo, e alguns já estavam sendo levados para a enfermaria.
–Ella! Charlie! O plano foi um sucesso!
–Parabéns!
–Vitória!
Mas, então, Ella percebeu a falta de alguém:
–Onde está Cyril?
Então, os outros perceberam que ele não estava lá. Ella olhou para o lado, e viu, agradecendo por sua visão de vampiro e lobisomem tão potente, do outro lado da praça do anjo, lá estava ele: Cyril, recebendo ajuda de médicos.
–Cyril!-Ella gritou, apontando para a direção dele, deu Charlie para a Charlotte e correu. Chegou antes de Bridget e Olívia, que estavam atrás dela também. Elas chegaram do lado dele. Ella tentou não olhar para a quantidade de sangue saindo da barriga dele:
–Cyril! O que aconteceu?-As três perguntaram juntas.
Ele teve dificuldade em responder, tossia muitas vezes:
–Estava...Cof cof...lutando com um vampiro e...Cof cof… uma fada chegou por trás, e os dois...Cof cof… me nocautearam.
–Calma, Cyril, você vai ficar bem!
Ele deu uma risadinha irônica, e disse:
–Não tem...Cof cof… jeito. Estou morrendo.
–Não fala assim, Cyril, vamos arranjar um jeito!
–Eu fui…Cof cof...feliz. Não sei o que tem depois da...Cof cof… morte, mas estarei com meu…Cof cof... irmão. Eu conheci vocês. Pude...Cof cof…ficar junto da...Cof cof...Ella. Eu sou feliz.
Olívia, Bridget e Ella estavam chorando. Ella disse:
–Você vai ficar bem! Eu te amo!
Cyril sorriu.
–Eu te amo também.
Os médicos o levaram para a enfermaria. Foi um pouco estranho para os outros que não estavam no Instituto descobrirem que eles estavam juntos. Mas, tudo bem. O que mais queriam, era saber o estado de Cyril e ter a certeza de que ele iria sobreviver.
Na semana seguinte:
“-Sinto muito, mas ele não resistiu.-O médico disse.
–Não!!!-Falaram Ella, Bridget e Olívia ao mesmo tempo, as três chorando muito.” Era a última coisa que Ella pensou durante o funeral de Cyril. Ele, assim como todos que ajudaram na guerra, como verdadeiros nephilim. Criados de outros Institutos morreram também, e estavam naquele canto, outras pessoas estavam lamentando a perda de seus criados, assim como eles. Tinham sorte de ter chefes tão atenciosos e gentis.
O Caminho de volta foi em total silêncio. Algumas coisas em Alicante estavam destruídas, mas estavam sendo consertadas rapidamente. Passaram até o portal no Gard, e voltaram para o Instituto de Londres.
Ella ficou na biblioteca, junto com Tessa, Olívia, Bridget, que tinham ganhado um dia de férias e Tatiana. Ella olhou para a mesa, e se entristeceu, lembrando de seu primeiro beijo, e que foi ali que eles começaram. “Foi um tempo curto em que pudemos ficar juntos, mas pelo menos foi verdadeiro” Ella pensou para si mesma.
–É tão estranho não ir falar com ele depois do trabalho.-Olívia disse.
–Verdade.-Bridget apenas concordou.
–Eu não o conhecia tão bem, como vocês, mas eu sinto muito.-Tessa disse, se desgrudando do livro que estava lendo.
Tatiana estava com uma cara estranha, que Ella não soube identificar o que era, mas ainda assim, ela falou:
–Também sinto muito.
–Parecia até que ele já sabia o que ia acontecer.-Ella comentou.
–Como assim?
–Ele estava morrendo tão… bem. Parecia conformado. Ele disse que foi feliz em sua vida, mas não é só por causa de felicidade em uma vida, que quando morre a pessoa não tenta resistir. Isso é muito estranho.
Tatiana se retorceu um pouco novamente, mas disse:
–Você está certa. Ele já sabia.
Todos olharam diretamente para ela:
–O que?
–Eu previ que ele iria morrer durante o conflito. Contei isso para ele. Ele ficou muito triste, mas me disse que iria mesmo assim, servir aos propósitos nephilins, apesar de ter me dito que só precisava fazer uma coisa antes para morrer feliz. Acho que deveria ser ficar ao seu lado.
Ella se levantou do sofá, e disse muito braba:
–Você sabia o que ele ia morrer lá!? E nem tentou o impedir de ir!?
–Era escolha dele ir ou não ir, e se ele preferiu enfrentar os vampiros e as fadas, isso foi escolha dele.
Ella estava tão braba, que nem conseguia raciocinar direito. Tatiana a acusou de traição, ficou brigando com Charlie, ou Dylan, tanto faz, e agora havia deixado Cyril morrer!? Ella tinha uma vontade enorme se acumulando dentro dela para dar um soco no meio do rosto da Tatiana, mas teve que se controlar, para que ela não tivesse a chance de culpá-la novamente. Então, apenas andou com passos firmes até a porta, a abriu, se virou, encarou Tatiana com um olhar que era uma mistura de decepção e ódio, e disse:
–Eu te odeio!-E saiu.
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