Neighbors

10 Capítulo 9 - RMS Titanic


Notas iniciais
Olá minhas florzinhas, peço desculpas, pois esse capítulo deveria ter sido postado ontem à noite, mas não consegui revisá-lo de forma adequada... Então só agora pude ter um tempinho para entrar aqui e postá-lo, ah e também vou responder os últimos comentários super divertidos. Agora preciso da ***ATENÇÃO*** de vocês. Talvez esse capítulo tenha ficado um pouco "pesado" então mesmo sendo "Acima de 18+" eu peço que vocês ao lerem me avisem se preciso maneirar um pouco, porque nem tudo são flores, mas confesso que posso ter pego muito pesado. HAUSHAUSHAUS Então dependo da opinião de vocês para saber dosar um pouco os próximos capítulos que queimaram como o inferno. Observação: Tudo em itálico é referência ao filme Titanic. Agora, boa leitura minhas florzinhas, não se esqueçam de me falar nos comentários se fui longe demais. ♥.♥

Oliver Queen

O que é estar apaixonado?

Me lembro de quando estava na segunda série, uma menininha de cabelos dourados em duas tranças pegou na minha mão para lancharmos juntos na hora do recreio. Eu não sabia muito bem o que estava acontecendo, nessa época os meus amiguinhos faziam cara de nojo quando alguma garota se aproximava. Naquela idade eu achava tudo muito estranho, não entendia o porquê de fazer isso com as meninas, mas como membro de uma gangue eu agia da mesma forma, colocava minha língua para fora e da minha garganta surgia sons como de alguém que iria vomitar.

Por cargas d’água aqueles patifes faziam isso com as meninas? Essa loirinha tinha cheiro de flores frescas como de um jardim que meus pais me levava todos os finais de semana para um piquenique com Thea. E a sua mão? Ela era macia como uma almofada, mas estava um pouco molhada, porque estranhamente eu estava suando como um porco. Também não sabia explicar porque estava me sentindo tão nervoso e me perguntava se todo esse medo era de ser pego por um dos meus colegas e correr risco de ser expulso do Clube do Bolinha ou se cada gota de suor era simplesmente porque a garota que eu ficava espiando secretamente pelos corredores do colégio estava ali na minha frente, pegando na minha mão.

Lanchamos.

Conversamos sobre a sua coleção de bonecas.

Sim. Bonecas.

Porque só ela conseguia falar alguma coisa já eu me encontrava ocupado demais hipnotizado.

Até que o sinal tocou histericamente e ela saiu correndo para a professora responsável pela nossa turma. Naquele momento minha ideia sobre as meninas passou a me perturbar, meu pai quem me buscava todos os dias na porta do colégio percebeu o quanto eu estava quieto naquela tarde e decidiu me perguntar o porquê de todo o silêncio. Ingênuo eu o disse que tinha lanchado com uma menina de cabelos que tinha a cor do sol e tive como resposta um extenso sorriso de orelha a orelha, meu pai parou o carro em um acostamento, endireitou a gravata e me perguntou: “Então o meu rapazinho está apaixonado pela primeira vez?”

Eu o perguntei o que era estar “apaixonado”, parecia uma doença como, por exemplo, uma gripe. Mas papai me disse que a paixão era trazida por um mosquitinho que nos picava bem no lado esquerdo do peito e depois que isso acontecia nada mais passava a ser igual. Era como se tudo fosse vivido com mais intensidade, o azul do céu se tornaria mais azul durante o dia e caso fossemos atingidos por um dia nublado aos nossos olhos ainda estaria fazendo um belo dia. As estrelas se tornariam únicas e cada dia seria um motivo de nos levantarmos da cama com um sorriso vívido no rosto, o nosso coração atropelaria as marchas, as nossas mãos escorregariam pelo suor e as nossas pernas bambeariam. Meu pai naquele instante desfez toda a perturbação, eu apenas um garoto, estava apaixonado pela menina de tranças douradas.

Felicity não é a mesma menininha de tranças do meu passado, mas o maldito mosquitinho voltou a me picar, eu tenho certeza disso porque o azul do céu é mais intenso, o sorriso no meu rosto é incrivelmente o mais ridículo que existe e, para finalizar, durante o percurso a mão de Felicity soltou da minha por pelo menos duas vezes para limpá-la na sua calça jeans rasgada, pois continuo suando como um garotinho.

— Por que estamos em um hospital? — pergunta Felicity um pouco desconfiada. Essa é uma curiosidade que desconhecia na minha insuportável vizinha, ela é quase cem por cento ansiosa. Desde que a disse que precisava lhe apresentar uma pessoa diversas perguntas apareceram e as poucas horas de sono que nos restaram se transformaram em um jogo de perguntas e respostas sobre as nossas vidas. Mas eu guardei a cereja do bolo para agora pela manhã o que a deixou levemente estressada.

— Venho aqui praticamente todos os dias... — como o combinado dois homens parrudos estão como soldados russos na frente do quarto de Thea. Eles me reconhecem de imediato e assim que assinto com a cabeça permitem a nossa entrada, lá está Thea dormindo plenamente sendo encoberta pelas poucas luzes do sol que escapam pela persiana. Eu sorrio para Felicity que me olha ainda confusa soltando da minha mão aos poucos para observar Thea com mais cuidado.

— Por que estamos aqui? — ela pergunta em um sussurro.

— Essa é a pessoa que disse que você precisava conhecer.

Uma sensação de formigamento sobe pela minha espinha.

Mas o gosto amargo que sinto toda vez que coloco meus pés através dessas portas não está mais na minha boca, pelo contrário, é reconfortante estar dividindo isso com uma pessoa que não seja meus pais ou toda a cidade de Starling City que só sabe me julgar por algo que não me orgulho de ter deixado acontecer. Ter Felicity aqui comigo depois de termos andado pelas ruas mais movimentadas de Nova Iorque de mãos dadas como um casal normal me faz esquecer um pouco dos problemas, como se eu estivesse apenas dividindo um pouco da minha história e do homem que me tornei depois de toda uma adolescência sendo o foco dos problemas.

— Não estou entendendo. — murmura.

— Essa é Thea, minha irmã caçula... — engulo a seco. — Ela está em coma há dois anos.

— Oliver... — seu olhar fraqueja e sua mão busca pela minha acalentando-a. — O que aconteceu?

Sua pergunta me obriga a voltar a parte mais obscura do meu passado, sendo assim, mesmo tentando evitar pensar em tudo o que aconteceu, me vejo tendo que explicar o que me fez chegar até aqui. Eu me sento na poltrona ao lado da cama de Thea enquanto Felicity se acomoda em um dos braços acolchoados, seus olhos em um azul claro estão voltados aos meus com atenção a cada palavra que expulso da minha boca com certa dificuldade, porque indiretamente estou expondo um dos únicos motivos que consegue me deixar tão vulnerável.

É difícil se manter em uma muralha a todo o tempo, os monstros existem e se escondem de baixo da cama ou dentro do armário, mas eles sempre vão estar ali fazendo questão de guardar os nossos maiores medos. Quando eu era criança pedia que meu pai deixasse a porta entreaberta e que checasse de baixo da minha cama ou no interior do armário para me mostrar que eles não estavam ali. Mas eu cresci e esses monstros se tornaram mais sólidos, agora eles não estavam somente ali, mas também dentro da minha cabeça fazendo parte de cada lembrança que se tornou fixa nos meus pensamentos.

— Eu não sou um assassino. Entende? — sussurro após conta-la tudo.

— Deus... — ela escorrega do braço da poltrona se aconchegando no meu colo. As mãos buscam minha cabeça acomodando-a no peito quente à medida que acaricia minha nuca. Estamos em silêncio por alguns minutos, por incrível que pareça, o abrigo que procurei desde que o acidente aconteceu, desde que tudo desmoronou na minha frente como um castelo de cartas, encontrei nos braços de Felicity. Ninguém conseguiu passar tanta sinceridade dentro de um carinho tão puro naquela trágica noite como estou recebendo agora, eu poderia morar aqui dentro, ficar aqui até os meus últimos dias. — Você não é um assassino, na verdade, eu me sinto agradecida...

— Agradecida?

— Sim, porque você é lindo. — suas mãos levantam meu rosto buscando meu olhar nublado. Felicity está malditamente sorrindo, ela acaricia meu maxilar seguindo com o dedo indicador o caminho da minha barba por fazer, é um toque delicado que encontra meus lábios arrancando um suspiro intenso dos meus pulmões. E antes que eu procure pela sua boca Felicity levanta do meu colo rapidamente buscando uma das mãos de Thea, o sorriso continua iluminando cada centímetro do sua delicada face. — Olá, eu sou a Felicity e você deve ser a menina dos olhos desse grandão aqui, não é? Bom, eu preciso te contar como descobri que nos tornaríamos... Vizinhos.

— Antes você precisa contar como me comeu com os olhos assim que enfiei o meu másculo braço dentro daquela jarra de poncho para salvar a sua vida. — caminho até o corpo de Felicity o abraçando por trás com uma necessidade absurda de sentir o seu calor mais perto.

— Te comer com os olhos? Eu queria degolar você.

— Eu errei. Não deveria ter te ajudado com aquele anel de brilhantes, acabei te metendo em uma furada. — reviro meus olhos.

— O assunto em questão é outro, Queen. — Felicity pigarreia arqueando uma das sobrancelhas. — Nos conhecemos em uma festa de casamento de uns conhecidos do meu... Ex-noivo. Mas vamos pular para a parte em que eu deixei cair meu anel de noivado dentro de uma jarra cheia de poncho não alcoólico e meus braços eram muito curtos para alcançar o danadinho. Então surgiu o seu irmão... — ela revira os olhos antes de continuar. É incrível como torna uma simples história em algo curioso, eu poderia fazer um balde de pipoca e sentar para ouvi-la mais e maias. — No início eu quis mata-lo, ele só dizia bobeiras para me irritar, mas ao mesmo tempo, no fundo, bem no fundo, eu gostaria de rir do esforço que estava fazendo para ganhar a oportunidade de tirar minha calcinha. Mas eu venci, não dei se quer uma chance.

— Você não deu mesmo. — dou de ombros.

— Não eu não dei. — ela se gaba. — Quando eu pensei que teria paz me mudando de prédio eu estava bem errada, porque no primeiro dia eu dei de cara com quem? Sim, com o traste do seu irmão. Ele estava como o protagonista de um filme de comédia romântica, mostrando seu bíceps torneado e o tanquinho que despensa qualquer máquina de lavar. O sorriso presente na boca e nas mãos um balde de tinta branca com um pincel.

— Adianto logo que não foi proposital.

— Não foi proposital? Você derramou toda a tinta branca em cima de mim!

— Eu levei um susto e me desequilibrei!

E foi verdade.

Naquele dia qualquer lugar de Nova Iorque tinha um sol para cada um, estava um verdadeiro inferno. Eu consegui folga da clínica por motivos de... Não havia motivos, apenas decretei que aquele dia eu não iria esquentar ainda mais a minha cabeça com nenhuma proprietária histérica. E sem muito o que fazer decidi pintar a parede do corredor que o vizinho rebelde havia pichado, era uma frase nada gentil, ou seja, ela não deveria estar ali. Mas então como um comercial de TV surgiu Felicity Smoak com os cabelos esvoaçantes e com os lábios carnudos recheados pelo gloss de morango, ela olhou para mim e piscou tão lentamente que deve ter matado no mínimo umas trezentas fadas e quinhentos guinomos.

Tudo bem, essa parte é mentira, a verdade é que Felicity surgiu da porta que dava acesso às escadas esbaforida com as malas nas mãos e os cabelos rebeldes, não havia nada de sexy como aquelas meninas que ficam com suas roupas molhadas transparentes oferecendo uma limpadinha no vidro do seu carro. Mas para mim, ela estava linda e isso me desequilibrou, eu pensei que fosse uma miragem daquelas de quando nos vemos perdidos há dias em um deserto quente.

— Ele me sujou toda.

— Batemos boca.

— Eu te derrubei da escada. — ela gargalha divertidamente.

Baby, eu quase quebrei a minha perna.

— Não importa. O que eu posso dizer é que a partir desse dia minha vida virou de cabeça para baixo, o seu irmão passou a ser o furacão dentro da minha vidinha pacífica. Eu não poderia imaginar que um dia estaríamos aqui... Juntos. — ela olha rapidamente em seu relógio. — Você pode não acreditar, mas batemos o nosso primeiro record, sete horas em ponto sem nenhuma discursão.

O que é esse maldito sorriso?

Estou fodido.

É isso.

— Você é a segunda pessoa que conversa com ela como se ela pudesse escutar.

— E ela pode. — Felicity aperta a mão de Thea na sua, a mão está com seus dedos entrelaçados como amigas conhecidas. Com toda certeza elas seriam boas amigas, as duas possuem gênios fortes, no caso, eu seria o ferrado da história, mas um ferrado feliz por ter duas pessoas tão especiais na minha vida. — Ela só está dormindo, Oliver. Pode não ser hoje, amanhã, seja lá qual dia for, mas ela vai acordar!

— Como pode ter tanta certeza?

— Eu acredito.

— Obrigado...

— Não há de que, Queen! — Felicity pisca para mim, mas o vibrar do seu celular nos interrompe, ela olha rapidamente o visor do mesmo. — Merda! É Iris. Ficamos de conversar sobre negócios. Thea, depois eu preciso contar algumas aventuras estressantes que passei com o seu irmão, ele não deveria se orgulhar de certas coisas. — a sua risada é tão natural e gostosa aos meus ouvidos, o ambiente fica mais leve com a sua presença, minha pequena também parece ter gostado da visita, assim que acordar levarei as duas para um piquenique como meus pais faziam, porque da mesma forma que Felicity acredita no despertar de Thea, eu também acredito. — Preciso ir.

— Podemos vir mais vezes aqui? Juntos?

— Claro! Será divertido acabar com a sua reputação de irmão perfeito. — Felicity encosta nossos lábios em um beijo terno e ao se despedir de Thea se prepara para partir, mas eu não a deixo dar se quer mais um passo em direção à porta.

— Me promete uma coisa? — pergunto a deixando intrigada novamente.

— Depende.

— Se você encontrar Erick... — agora é a vez de Felicity me interromper.

— Não precisamos falar sobre isso aqui. — murmura.

— Apenas prometa que não vai ceder.

— Não temos mais nada, já não tínhamos há muito tempo.

— Tudo bem, eu acredito. Apenas não assine nada sem que alguém possa te auxiliar, nenhum papel que pareça suspeito.

Acaricio a maçã um pouco ruborizada das bochechas com meus polegares e covinhas tímidas aparecem em resposta de um sorriso raso, seus dentes são tão brancos e alinhados que chegam à perfeição. Eu acaricio nossos narizes em um beijinho de esquimó patético para absorver mais profundamente sua respiração calma, mas mantenho meus olhos abertos esperando por uma resposta.

— Eu não entendo...

— Sara e Tommy estão me pressionando para encontra-los na clínica hoje, mas tentarei largar mais cedo e quando eu chegar passarei na sua casa. Prometo explicar tudo, ok?

— Uhum.

Ela assente com a cabeça me destinando outro sorriso, desta vez, mais aberto.

— Até mais tarde?

— Até.

~~~

Felicity Smoak

Que loucura.

Anteontem eu era uma mulher prestes a me casar e hoje mais cedo me vi de mãos dadas com o homem que julgava ser tão insuportável, o meu vizinho de olhos azuis claros de peito largo definido como um ator hollywoodiano. É engraçado e ao mesmo tempo assustador, sinto-me até um pouco irresponsável por ter terminado com Erick de forma tão superficial, estaríamos a poucos dias de cruzar um tapete vermelho aveludado que nos levaria a um juiz de paz que selaria nosso amor. Minha mãe não deve estar sabendo de toda essa loucura, eu preciso avisar, dizer que tudo está acabado e que decidi me dar uma segunda chance. Ou seria a primeira chance? Porque eu nunca me permiti olhar para o meu interior, buscava sempre uma segurança da qual eu não precisava. Agora me sinto livre, tirar o anel de brilhantes do meu dedo anelar foi como se eu estivesse retirando um elefante das minhas costas, estou livre, livre de toda a pressão de ter que me submeter a aulas de boas maneiras e etiqueta, assessores escolhendo as roupas que deveria usar em certos eventos de importância. Eles escolheram até o vestido de noiva que eu usaria e todo o buffet. Eu estava presa a uma vida de acrílico moldada da maneira que eles queriam.

Mas que chegou ao fim.

— Pensei que a senhorita não iria mais vir! — Iris brinca ao abrir a porta.

— Estava com Oliver. — murmuro.

— Com o bonitão que te arrastou feito homem das cavernas da Output ontem? — ela ri.

Nossa eu estava tão bêbada que não me lembrava da forma que Oliver tinha me levado àquela noite, ele me contou que eu tinha feito um show para subir na sua moto, mas não que eu havia chegado a esse ponto. Passa a ser um pouco vergonhoso, essa é a hora em que me faço de desentendida indo direto ao assunto que me trouxe aqui.

— Iris, vamos direto ao assunto. Ok?

A morena revira os olhos.

— Claro que não! Você vai me contar tudinho o que está rolando. Lembrando que eu adoro os detalhes sórdidos. — ela gargalha. Como eu poderia achar que passaria batido pelo faro de Iris? Ela não vai me deixar em paz enquanto eu não disser o que aconteceu na noite de ontem e no que está rolando entre eu e Oliver.

Boa pergunta.

O que está rolando entre nós dois?

Droga, nem eu sou capaz de saber.

— Não está rolando nada... — desconverso e sou traída pelo rubor nas minhas bochechas. Ódio define.

— Ele é bom de cama?

Sua pergunta me faz engolir a seco e meus olhos arregalam, pareço uma menina que acaba de ser descoberta pela mãe que perdeu a virgindade. Porque foi exatamente isso que Donna Smoak me perguntou depois que passei a primeira noite com Erick.

— Iris! — respondo incrédula.

— Do jeito que suas bochechas queimaram ele deve ser insaciável. — ela da de ombros com um sorriso sensual no rosto.

— Por que precisamos falar dessa parte?

— Simples, é a parte mais divertida. Nada paga a forma com que você reage quando o assunto é sexo... Pobre garota, sexo é a segunda melhor coisa na vida.

— E qual é a primeira?

— Dormir, mas não fuja do assunto mocinha.

— É bom. — mordo meu lábio inferior. — Não, não é bom. É ótimo. — gaguejo.

Iris gargalha batendo palminhas.

Eu odeio quando ela faz isso.

— Voe Felicity, apenas voe! — Iris pisca.

Uma sensação estranha incomoda a boca do meu estômago me fazendo arrepiar, não é ruim, mas parece que estou dando o primeiro passo para trilhar um novo caminho. Àquela sensação do primeiro dia de aula ou no primeiro dia do emprego novo, melhor, a sensação de quando apresentávamos seminários difíceis na universidade.

— Com ele eu me sinto livre... Oliver não me tem como uma propriedade. Ele me mostra coisas novas, não só no sexo, mas também na vida. Esses dias quase fomos pegos pelos seguranças de Helena simplesmente porque tacamos ovos nos seus carros importados e depois corremos como dois fugitivos da polícia. Oliver enfrentou Erick quando ele foi grosseiro comigo, me protegeu mostrando que eu não precisava daquilo, mas que precisava ter agido daquela forma... E hoje foi incrível, ele me levou para conhecer sua irmã que está em coma há dois anos! Contou como tudo aconteceu, mostrou um lado que eu não conhecia e que ele esconde atrás daquela postura inabalável de vizinho implicante. Eu só quero conhece-lo mais, fazer mais loucuras... Todas que ele me propor.

Suspiro.

— Garota... Você está perdida! — Iris revira os olhos gargalhando em seguida.

— Mais alguma pergunta? — ironizo.

— Sim. Essa onda de paixão é contagiosa? Porque se for eu preciso correr para tomar alguma vacina o quanto antes, estou querendo distancia de romance. — ela brinca.

— E Tommy? — pergunto incerta. Oliver tocou nesse nome mais cedo, acredito que seja esse o rapaz que sempre o acompanha.

— Está com Caitlin. — ela diz tranquilamente à medida que abre sua agenda.

— Pensei que vocês estavam juntos.

— E estamos. — ela dá de ombros.

— Com Caitlin também?

Agora estou levemente confusa.

— Lis, em que mundo você anda? Caitlin e eu somos amigas e amigas dividem. — ela gargalha.

— Claro que não dividem. Eu não vou entrar nessa não! — faço um sinal negativo com o dedo indicador e recebo risadas divertidas de Iris. Parece que as meninas estão partilhando o rapaz, não que eu tenha algo contra, acho interessante a forma como as duas encaram isso, mas não evoluí a esse ponto de chegar a dividir quem está comigo. E não, eu não sou a louca obsessiva ou ciumenta da relação, apenas gosto de ser a única.

— Relaxe Felicity, quatro já é demais! Caitlin é seletiva, não sei como ela aceitou esse lance com Tommy...

Os meus olhos voltam a arregalar.

Nossa.

NOSSA MÃE DE DEUS.

Nova Iorque pare de girar, porque eu preciso descer agora.

— Você e...

— Caitlin?

— Vocês?

— A gente gosta de se divertir e é bom. — ela dá um soquinho no meu ombro não parando de rir da minha cara que deve estar passada. Nós somos amigas desde que cheguei a Nova Iorque, Iris é uma das amigas mais próximas e eu nunca percebi nada. Nyssa sempre deixou escancarado na cara que curtia meninas, mas Caitlin e Iris é uma grande novidade, é uma baita de uma novidade.

— Estou sendo careta demais? — espremo os olhos ao perguntar um pouco sem graça.

— Um pouquinho, mas nada que uma dose de uísque não melhore as coisas. — ela se levanta em direção ao pequeno bar.

— Não. Eu não posso beber em uma reunião de trabalho.

— Felicity... Se vamos ser sócias você precisa entender que aqui não há regras.

Iris me entrega um copo de cristal com dois dedos de uísque e duas pedras de gelo.

— Erick não suportava quando eu bebia... — murmuro.

— Erick Dallas é um patife. Um bundão. — Iris revira os olhos.

— Você não conta, nunca foi muito com a cara dele. — dou língua para Iris, me arrepiando ao sentir o gosto amargo do líquido que arde quando passa pela minha garganta. Uou, isso é forte, somente esse copo me faria estar dançando no pole dance de Iris. Sim, Iris tem um pole dance bem no meio da sala de estar, não seria diferente algo vindo de uma das maiores donas das redes de Sexy shop de Nova Iorque, ela é a ousadia em pessoa. Eu não sei como aceitei o convite de nos tornamos sócias. Claro, não vou servir de modelo das coleções de brinquedinhos ou algo parecido, na verdade, vou ser a responsável por todos os catálogos das coleções e modelos de Iris. Mulheres com lingeries exibindo corpos deslumbrantes e objetos sexuais que levariam qualquer pessoa à loucura, quer dizer, quase qualquer pessoa à loucura.

— Agora sou eu quem vai fazer a perguntinha mágica. Será que poderíamos ir direto ao assunto? — Iris volta a debochar. Ela nunca foi muito fã de Erick, quando estávamos sozinhas comentava o quanto o achava abusivo e narcisista, mas eu encarava como ciúmes de amigas.

E se nunca foi ciúmes de amigas?

— Por favor. — rio.

O som da campainha soa nos interrompendo.

— Os deuses parecem não estarem ao nosso favor. — Iris resmunga se levantando para ir em direção a porta. Ao abri-la posso reconhecer de longe a voz pacífica de Erick, rapidamente Iris o deixa entrar. — Lis...

— Erick?

— Será que você poderia nos deixar a sós, querida Iris? — ele pergunta com um sorriso raso nos lábios.

— É... — Iris me olha por uns instantes me perguntando com o olhar se ficará tudo bem se ficarmos sozinhos por certo tempo e eu assinto com a cabeça a respondendo. — Preciso fazer algumas compras. Lis, assim que eu voltar retornaremos, ok?

— Certo. — sorrio.

— Felicity... — Erick se aproxima, mas não está como costumo vê-lo, os cabelos estão bagunçados. Erick Dallas é um amante da aparência, geralmente perde horas arrumando o cabelo para que nenhum fio de cabelo fique fora do lugar. As mangas da camisa social estão dobradas até os antebraços e o paletó pendurado nas mãos, sem contar as olheiras profundas em cada sulco de baixo dos olhos.

Ele não parece bem.

Nunca o vi assim.

— Como você soube que eu estava aqui?

— Eu a segui... — ele meneia a cabeça. — Me desculpe, mas eu não consegui me segurar. Eu não sei o que está acontecendo comigo!

— Erick, você precisa... — me aproximo com cautela, retirando com cuidado o paletó ao redor das mãos que está envolvendo um envelope pardo. Logo sinto braços fortes me puxando para perto, impactando nossos peitos um no outro com força e de imediato seus lábios pesados atingem os meus forçando o início de um beijo desesperado. Seu hálito é alcoólico, parece que estou sentindo o gosto do uísque que bebi a poucos minutos me trazendo uma ânsia de vômito, mas com as minhas mãos tento manter distância espalmando seu peitoral que permanece resistente.

— Eu preciso de você. — Erick sussurra ao descolar nossos lábios, parece um pouco desiquilibrado e tem nos olhos uma escuridão desconhecida que se contrasta com o pavor que surge nos meus olhos. Novamente tento espalmá-lo para longe, mas a força com que segura minha cintura impede que eu faça qualquer movimento, aumentando o compasso das batidas do meu coração que se tornam mais céleres.

— Por favor, Erick... — sussurro.

— Eu a perdoo.

O sorriso nos seus lábios é assustador.

— Me solta, não precisamos terminar assim.

— Esse homem que está entre nós dois não passa de uma distração... Meu amor, nascemos um para o outro, vamos nos casar!

As mãos apertam ainda mais a minha cintura arrancando-me um grunhido, a sensação de chorar nasce da minha garganta, mas eu a pressiono engolindo as lágrimas. Novamente estou me sentindo violada, indefesa pela força que Erick impõe contra meu corpo, mas eu preciso nos distanciar ou não sei do que ele seria capaz de fazer, afinal de contas, estamos sozinhos aqui. Iris mora em uma cobertura que é longe dos demais vizinhos, seria difícil alguém me escutar mesmo que eu grite desesperadamente. Dessa forma, meu corpo se torna mais enrijecido entre os braços fortes de Erick e ganhando centímetros de espaço entre suas pernas consigo levantar meu joelho esquerdo o impulsionando para trás, e em questão de segundos, ouço seu gemido de dor ao me largar.

Acho que sou boa nisso.

Corro atrás do meu celular sobre a bancada da cozinha quando a voz de Erick me impede.

— Você venceu! — ele suspira entre a voz agonizante.

— Eu vou ligar para polícia.

Minha voz é assustada.

A adrenalina corre por cada partícula do meu corpo.

As mãos que seguram o celular tremem.

— Não precisa ser assim, eu já entendi. — Erick levanta do chão com as mãos entre as pernas. Os passos são milimetricamente cautelosos até alcançar o paletó sobre o braço do sofá, pegando o envelope pardo dentro dele. — Passei dos limites, porque pensei que ainda pudéssemos resolver esse assunto da melhor forma, nos casarmos como havíamos planejado por tanto tempo... Mas vejo que você mudou.

— Não se aproxime ou eu...

Minha respiração é incerta.

À medida que sinto a aproximação de Erick dou um passo para trás.

— Aqui estão os papéis para que eu cancele tudo! A cerimônia, a entrega dos presentes, as viagens de Lua de Mel. — ele dá mais um passo. — Só preciso que você assine.

“Apenas não assine nada sem que alguém possa te auxiliar”

A voz de Oliver como um sopro passa pelos meus ouvidos.

Parece que posso sentir o seu sussurrar ao pé dos meus ouvidos.

— Se você der se quer mais um passo eu ligarei para a polícia e pouco me importo que você seja o maldito prefeito dessa cidade!

— Querida...

— Nem mais um passo Erick!

— Você precisa assinar. — ele dá mais um passo e involuntariamente meus dedos desbloqueiam a tela do celular.

— Saia daqui. Agora.

Levo o celular ao ouvido.

Meus nervos estão à flor da pele.

— Tudo bem, eu vou sair. Mas essa não vai ser a última vez que nos veremos!

— Saia daqui! — grito.

Erick respira fundo, seus olhos estão presos aos meus a cada passo que dá em direção a porta e assim que ouço o som da mesma batendo, permito que meu corpo exausto pela emoção escorregue até tocar no chão e, desta vez, as lágrimas escapam dos meus olhos sem que eu perceba, minhas mãos continuam pregadas no celular que continua preso ao meu ouvido e o número que ameacei Erick dizendo que seria da polícia na verdade é o de Oliver.

Era o de Oliver o tempo inteiro.

“Sua mensagem está sendo encaminhado para caixa de mensagens e estará sujeita à cobranças após o sinal.”

Oliver. — sugo o líquido quente que insiste em escorrer pelo meu nariz. — Preciso que você me encontre! Estou com muito medo!

~~~

Erick Dallas

Titanic não deveria ser somente um simples filme de romance norte-americano, e sim uma obra que contasse a história de um importante navio que transportava passageiros britânicos para a grande Nova Iorque que acabou colidindo contra um Iceberg. Mas os bastardos insistem em colocar o amor em todas as histórias, porque é isso que vende ingressos, então precisamos nos submeter a esse circo hollywoodiano.

Rose Bukater, a linda mocinha, noiva do imponente Cal Hockley que preferiu tentar suicídio ao aceitar um casamento icônico. Como se não fosse o bastante a história se torna ainda mais patética quando a estúpida Rose conhece Jack Dowson, um rato que viva junto da sua ninhada na terceira classe e juntos acabam desenvolvendo uma incrível história de amor que veio a acabar com o naufrágio do grande navio. Ingrata Rose, trocar um herdeiro do magnata do aço por uma ratazana da pior espécie?

— Querida Rose, nessa história eu sou o iceberg... — gargalho ao ingerir o líquido ardente do uísque enquanto miro um dardo no alvo. — Não tente colidir contra mim, porque afundará como o Titanic, querida! — lanço o dardo acertando no centro do pequeno alvo, mas antes que eu possa me preparar para lançar outro dardo ouço o ranger da porta anunciando Helena Bertinelli. Ela está trajando um vestindo negro com uma extensa abertura em uma das coxas, me arrancando um extenso sorriso, minha língua passeia pelos dentes incisivos com verdadeira fome. — O coração de uma mulher é como o oceano, cheio de segredos!

— Estou te ligando há horas! — ela bate a pequena bolsa de couro sobre a mesa em que estou sentado me fazendo gargalhar divertidamente.

Eu trago o meu charuto intensamente soltando a fumaça de maneira lenta.

Tortuosamente.

Se eu pular, você pularia, Rose? — miro um dardo em direção a Helena que dá um passo para trás. — Me responda, Rose! — ordeno.

— O que está havendo com você Erick? Abaixe isso...

— Tudo está afundando Helena, como o Titanic! — lanço o dardo que passa rente a cabeça de Helena que paralisa assustada.

— Aconteceu alguma coisa?

— Um promotor responsável por chegar todos os gastos da prefeitura me procurou. John Diggle. — levanto caminhando lentamente até o bar. É a segunda garrafa de uísque que estou degustando, o álcool já está descendo como água, uma água que preenche toda a garganta, meus olhos ardem pelo bafo que sai da minha boca a cada palavra. Estou irreconhecível, a gravata desfeita ao redor do pescoço, a camisa social amassada como se um caminhão estivesse passado sobre ela e todo meu charme de um lorde europeu não existe mais.

— Não me diga que...

Inicio uma gargalhada incontrolável.

A face de Helena está branca como de uma alma penada.

Deveria ser cômico se não fosse tão trágico.

Ela continua. — Erick você precisa parar de beber! — sua mão toca o copo na intenção de tirá-lo, mas a impresso.

— Não seja patética, Helena!

— Patética? — o corpo magro de Helena me empurra contra o bar fazendo com que as taças de cristal apoiadas sobre ele caiam no chão gerando um barulho audível. As mãos encontram a gravata e em um movimento rápido sinto minha garganta se apertar. — Você não tente me deixar fora da jogada ou eu acabo com a sua raça.

— Mais forte! — murmuro.

— Que merda está acontecendo? — ela sussurra ao pé do meu ouvido, apertando ainda mais minha garganta com o nó da gravata de forma que minha respiração chegue a falhar. Mas, por incrível que pareça, estou me divertindo, eu quero que essa vadia perca sua força para que eu possa virar o jogo da melhor forma.

Eu sou o Rei do mundo! — murmuro novamente.

— Você só pode estar ficando louco! — suas mãos soltam a gravata e meus pulmões me fazem expirar com mais força buscando ar, porque continuo rindo. Estou rindo histericamente quando uma bofetada acerta em cheio minha face direita arrancando sangue da ponta dos meus lábios. A ardência da sua mão serve de gatilho para o vulcão dentro de mim explodir e como resposta a palma da minha mão também a acerta em cheio, com tanta força que a joga para longe.

— Quer medir forças comigo, Helena? — minhas mãos passeiam pelo cinto preso na cintura o desfazendo. O rosto de Helena com a impressão dos meus cinco dedos ainda não está virado para mim, ela deve estar reunindo todo seu ódio para enfim voltar a me olhar nos olhos, parece que as coisas aqui dentro vão esquentar.

A morena com duas bilhas azuis nos olhos que queimam como o inferno dá a volta em minha mesa central abrindo uma das gavetas trancafiada por um cadeado com segredo e de dentro da mesma retira uma pistola 9mm dourada com as minhas iniciais e para a minha não surpresa essa belezinha está carregada. Helena passa a língua molhada pelo sangue que eroticamente escorre pelos lábios carnudos, agora o sorriso maquiavélico está estampado nas duas almofadas, o dedo polegar risca o gatilho a deixando pronta para me atingir a qualquer momento. Seus passos são delicados mantendo a postura de alguém que sabe perfeitamente acertar o lugar fatal.

— Nunca mais toque se quer um dedo em mim novamente, porque se isso acontecer eu o acertarei sem piedade! — ela rosna.

— Puta merda isso é tão sexy! Estou duro Helena, você conseguiu!

Com quem essa vadia pensa que está lidando?

Não se aponta uma pistola 9mm carregada para o prefeito de Nova Iorque, não com sua própria pistola. Será que agora os postes que passaram a mijar no cachorro?

— Eu não estou brincando Erick! — a peste indomável meneia a cabeça deixando o cenário ainda mais interessante.

— Abaixe essa merda! — encosto meu peito enrijecido no cano dourado da pistola sem medo algum e a mão de Helena treme. — Se eu afundar você também vai descer pelo ralo... E não é isso que a vadia quer não é?

— Eu não vou abaixar enquanto você não me contar exatamente o que está acontecendo! Que história é essa de promotor?

As mãos trêmulas forçam o metal contra meu peito.

Me excitando.

Me provocando.

— Eu andei desviando dinheiro de projetos sociais para pagar alguns aliados... No início parecia fácil e eu passei a desviar muito mais, tudo no nome da nossa inestimável futura primeira dama. Para evitar possíveis desconfianças eu maquiava os documentos responsáveis por todo o gasto da prefeitura os enviando toda a semana como um mantra, mas surgiu uma pessoa mais cuidadosa que percebeu as planilhas maquiadas com resultados falsos. Bingo! John Diggle pediu ao Tribunal de Justiça uma permissão para ter em mãos os documentos verdadeiros.

— Por que tanta preocupação? Esses documentos estão assinados pela Felicity!

— Ingenuidade sua minha querida... Esses papéis são tão superficiais que qualquer advogado de merda conseguiria provar que alguém a fez assinar por engano!

— Não posso acreditar que você nos meteu nessa furada. — Helena aprofunda o metal gélido no meu peito com certa força, sua mão não está mais trêmula e seus olhos permanecem queimando, sou capaz de observar cada chama que surge através deles.

— Felicity não vai mais se casar comigo.

Volto a rir.

Sinto até certo alívio.

— Estamos fudidos e você está rindo?

— Para que os documentos passassem a ser mais reais eu precisava transferir imóveis caríssimos para o nome de Felicity. Mas...

— Mas?

— Ela se negou a assinar! — dou de ombros.

— Por quê? Por que você não inventou a porcaria de uma desculpa confiável?

— Porque a vagabunda está transando com um rato. Oliver Queen, conhece? Você andou cometendo o mesmo erro, mas não vou te julgar, o rapaz parece ter atributos. — volto a dar de ombros. — Ele deve ter a pedido para não assinar nada.

— Você diz tantas vezes que sou patética, mas é você que não consegue fazer nada certo! Se gaba por ter um império de baixo dos pés... — agora Helena é quem gargalha. — Império, Erick Dallas? Você acha mesmo que dá conta de uma cidade sem ao menos conseguir roubar suas migalhas sem que ninguém perceba? Patético é você e toda a sua equipe de merda, seus aliados de merda, porque afinal, você é um merda. Fica dizendo que honraria a morte do seu paizinho que com certeza foi o responsável por meter uma bala bem na cabeça da sua mamãe, mas não deixa de ser uma trágica vergonha.

As últimas palavras de Helena me fazem erodir como quem é atingido pelo ácido, minha mão em questão de segundos agarram a pistola a puxando da sua mão. Meu corpo pesado volta a empurrar Helena em direção à mesa a deitando sobre ela, no entanto, não permito se quer espaço para que sua estatura busque qualquer refúgio como uma barata prestes a levar uma chinelada. Meu cérebro está queimando os miolos e meus olhos estão negros assim como um buraco negro que suga tudo para o seu interior. Eu poderia acertar uma bala na cabeça de Helena assim como ela diz que meu pai fez com a minha mãe, porque eu não admito que ninguém ouse tocar no nome do meu pai em vão, chega a ser uma blasfêmia falar dessa forma do homem que me colocou no mundo e me ensinou tudo para que me tornasse o que sou. Tocar no nome de Anthony Dallas com toda certeza é o meu ponto fraco, me deixa louco, fora do eixo.

— Nunca mais fale sobre os meus pais ou eu arrancarei todas as suas unhas impecáveis com alicate e no final a darei de comida para os meus cãezinhos. — sussurro tão baixo que chega a ser inaudível.

— Você está me machucando!

— Cale a boca! — forço o cano de metal no frágil rosto de Helena.

— Erick, estamos passando de todos os limites, isso não vai nos tirar de toda essa merda! Você disse que tinha uma carta na manga, é hora de usá-la!

— Eu blefei.

— O que?

— Disse a Oliver que pediria um mandato para que desligassem os aparelhos da sua irmã que está em coma. O babaca acreditou na hora, parecia funcionar, mas alguns dos meus homens que trabalham no hospital disseram que os papais do rato colocaram dois seguranças de confiança nas portas do quarto da pequena Thea. Não posso fazer nada ou colocaria um alvo em minhas costas! — suspiro.

— Você estava pensando em matar a menina?

— Não... Isso Oliver fez em um passado nada admirável, eu só iria desligar os aparelhos e assistir.

— Você está totalmente desequilibrado... — pela primeira vez sou capaz de sentir medo na voz de Helena, demorou, mas consegui mostra-la quem está finalmente no comando. Esse Titanic não irá afundar, não se depender de mim.

— Fique quietinha e escute... Eu joguei a merda toda no ventilador, ela respingará em quem estiver na frente. — volto a sussurrar ao pé do seu ouvido.

— Não estou entendendo mais nada.

— O senhor Diggle tinha um mandato não assinado pelo Tribunal de Justiça, eu o mandei de volta avisando que ele só teria acesso aos documentos se esse mandato voltasse assinado pela juíza. Tempo era o que eu precisava mesmo que estivesse assinando um termo de culpa, mas Felicity se negou a assinar os papéis que eu precisava para incriminá-la, então eu a incriminei de qualquer forma! — inicio outra risada, desta vez, uma risada com gosto amargo.

— Não me diga que...

— Enviei para Diggle todos os documentos assinados por Felicity que provam que ela está por trás de todo o desvio.

— Filho da puta! — Helena rosna.

— Que linguajar mais vulgar, querida. — aperto seu pulso com demasiada forma arrancando um grunhido da garganta de Helena que tenta se soltar da pressão que meu corpo faz ao empurrá-la contra a mesa de madeira tingida.

— Você estragou tudo. — ela grita.

— Pare de latir e me escute! — a solto deixando com que a barata consiga fugir das chineladas à medida que guardo o revolver dourado na cintura. — Enquanto eu fizer um teatro de homem apaixonado que foi enganado prestes a subir ao altar com uma ladra que só pensava em roubar o dinheiro da cidade, ganharei tempo.

— Tempo?

— Sim... Antes que John pense em dizer que esses documentos são uma farsa e que Felicity é a mocinha injustiçada eu conseguirei que os papéis que a incriminam sejam assinados.

— Como você irá conseguir isso? — Helena pergunta com cautela.

— Digamos que não é da sua conta. — murmuro.

— Eu nunca fui com a cara insossa de Felicity, mas violência não estava no plano!

— O que não estava no plano era que fossemos pegos. Depois de me casar com Felicity e conseguir transferir todo o dinheiro para minha conta eu largaria o controle de Nova Iorque e fugiríamos para as Ilhas Maldivas, esse era o combinado! Mas não deu certo Helena, agora eu preciso fazer com que essas pontas soltas desapareçam.

— E o que eu faço se não consigo mais confiar em você?

— Fácil. Eu poderia ter enchido sua cabeça de balas assim que tocou no nome dos meus pais, mas eu evitei sujar meu tapete persa com o seu sangue... Isso quer dizer que tenho alguma consideração por você, além de te ter em minhas mãos. Então antes que pense em cometer qualquer besteira saiba que você seria um alvo não muito difícil. Você vai me ajudar com Oliver Queen.

— Oliver? — Helena pergunta confusa.

— Sim. Use o seu charme para atraí-lo, mas tem que ser de uma forma convincente que faça Felicity cair do cavalo e assim estaremos novamente no jogo. — dou de ombros.

— Não tenho chances com Oliver, o maldito acertou meus carros com ovos para ajudar a amiguinha Felicity. Ele não irá me dar nenhuma condição!

— Tente. — grito. — Melhor, consiga!

— Ou?

— Ou estará tão fudida quanto eu. — meneio a cabeça.

— Quando eu conseguir a minha parte no plano tudo entre nós dois estará terminado! — a vadia torna a rosnar.

Shhhhhhh... — faço um barulho com a boca exigindo silêncio dos lábios de Helena. Olho rapidamente as horas no relógio em meu pulso gargalhando em seguida. — Está quase na hora Rose, está quase na hora.

— Do que está falando?

— Felicity Megan Smoak.

— Você está louco.

Fecho meus olhos.

Respiro fundo.

Um sorriso tranquilizante nos lábios.

— Estará sendo algemada em um, dois, três!

Notas finais
ERICK É PSICOPATAAAAAA GENTE ME SOCORREEE ESPERO VOCÊS NOS COMENTÁRIOS. ♥.♥.♥ três pra casar. Beijinhos minhas flores. E agora o que será de Felicity?