Neighbors

11 Capítulo 10 - Está comigo ou contra mim?


Notas iniciais
MENINAS CHEGUEI COM OS REFRIGERANTE Bom, estou de saída rapidinho, mas de início já digo que estou amando a repercussão, que vocês estão gostando e tudo mais. Esse capítulo ficaria muito maior, mas como não tive muito tempo de escrevê-lo decidi dividir! O próximo ficará praticamente do tamanho desse para equilibrar (ou maior) vai depender da minha cabeça louca. Espero que gostem, responderei a todas nos comentários, e claro, o próximo capítulo SERÁ UMA AVENTURA. E nem todos vão se dar bem. Espero que fiquem ansiosos depois desse capítulo 10. Boa leitura, florzinhas. ♥

Felicity Smoak

— Preciso me acalmar... — minhas mãos tremem à medida que coloco um pouco de água com açúcar para ver se meus nervos à flor da pele voltam ao normal. A minha atenção não saiu do celular desde que deixei o apartamento de Iris, Oliver ainda não checou às ligações, dando a entender que seu celular permanece desligado. Um banho. Eu preciso de um banho gelado para tentar reestabelecer as coisas, é isso que devo fazer, deixar com que a água gélida leve para o ralo todo esse desconforto.

Após me despir o próximo passo é me render à água que cai sem pena sobre meu corpo e eu tento expulsar as lembranças que assombram meus pensamentos.

Assim que Erick saiu pela porta com seu rabo entre as pernas ainda desequilibrado, esperei apenas alguns minutos para também sair do apartamento de Iris, como uma fugitiva. Meu coração estava acelerado a ponto de sair pela boca, mas a imagem dos olhos profundos de Erick na minha direção marcou os meus pensamentos, pareciam como dois poços escuros prestes a me puxar para o fundo na primeira oportunidade, nunca o vi daquela forma. As suas mãos tinham uma força desconhecida e estavam frias na minha cintura, se eu não tivesse reunido todas as forças, não sei do que ele seria capaz de ter feito.

Eu poderia ter ligado para a polícia quando o encurralei contra a parede, mas eu não consegui, porque involuntariamente meus dedos buscaram pela memória o número de Oliver, a única pessoa que me veio à cabeça. Parece que ele sabia exatamente o que Erick tentaria contra mim, por isso que antes de sair do hospital o seu semblante gritava certo medo e eu o enxerguei, mas não quis perguntar diretamente o porquê de tanta cautela comigo, afinal Erick e eu tínhamos tido uma história e por mais que eu houvesse optado em não estarmos mais juntos, não casarmos, no mínimo conseguiríamos manter o respeito que havíamos criado um pelo outro.

Mas não foi assim.

Erick surgiu como um louco a minha procura, me seguiu até o apartamento de Iris, tentou me violar e, por fim, ainda não aceitando a minha escolha quase me obrigou a assinar um papel que alegava ser sobre o nosso fim. Mas como acreditar que realmente se tratava de nos desligarmos se ele estava ali na minha frente, descontrolado, justamente em uma tentativa de me mostrar o contrário? Suspeito. Oliver tinha razão ao me fazer prometer que eu não assinaria qualquer papel duvidoso que Erick pedisse, eu não faço ideia do porque, mas além do seu pedido, o meu coração mesmo atordoado com tudo o que estava acontecendo também pedia para que eu não assinasse.

Ao sair enrolada no meu roupão branco de algodão sentindo que estou voltando ao normal, ouço barulhos vindos da porta de madeira como se alguém estivesse a batendo com as mãos abertas. De início meu coração palpita, mas olhando pelo olho cego da porta avisto Oliver com as mãos na cintura, agora eu gostaria de rir, mas mantenho a postura assim que abro a porta. Ele está respirando fundo como quem correu uma maratona e a me ver, seus braços fortes envolvem meu corpo com propriedade deixando com que eu sinta o seu coração vibrar sobre meu peito. Alívio é o que eu sinto, soltando o ar dos pulmões de uma vez só.

Eu também o abraço forte, pressionando meu rosto no acesso do pescoço onde sinto um cheiro gostoso.

— Aconteceu alguma coisa? — pergunto devido a sua expressão esbaforida.

— Lances de escadas. Eu nunca subi tão rápido um lance de escadas.

Eu rio baixinho.

— E você ainda dizia que era bobagem falarmos com o proprietário do prédio sobre colocar elevadores.

— Elevadores gastam energia, teríamos que trocar toda a fiação. Você sabia que o plástico demora muito mais para ser degradado?

— Desde quando você virou o senhor natureza?

— Não sou politicamente correto, mas...

— Uma ova! Você consome milhares de garrafas de cerveja por semana, acha mesmo que isso é se preocupar com a natureza?

Oliver faz uma feição incrédula.

Desvencilhando de mim apenas poucos centímetros.

— Eu odeio você...

— Você também não é uma das minhas pessoas favoritas! — empurro seu ombro para longe, bufando. Bom, aquele recorde pela manhã que disse que ainda não havíamos discutido foi quebrado. Acho que estava ficando louca quando pensei que poderíamos ser um casal... Daqui a pouco estaremos discutindo sobre a toalha molhada encima da cama ou sobre meu café gelado roubado da geladeira. Argh.

— Está mentindo.

— Talvez.

Os braços irritantemente macios de Oliver voltam a abrigar minha cintura a puxando para o calor do seu corpo que agora se encontra mais tranquilo. Seus lábios passeiam pelo cabelo úmido na minha nuca, depositando beijos demorados pelo local mais sensível de todo o meu corpo. Pronto, agora estou traindo meus próprios instintos, me odeio por isso.

— Eu menti sobre as escadas.

— Claro, porque você tem um corpo atlético e maravilhoso... As escadas não são o problema.

Ironizo.

Um silêncio surge. Aposto que Oliver está tentando ignorar minha ironia para não começarmos a disputa de discussões novamente.

— Quando ouvi sua mensagem meu corpo não parou de reagir daquela forma, como se eu estivesse corrido quilômetros. Ainda me sinto estranho, não costumo sentir tudo isso, mas também senti medo quando você disse que estava com... Medo.

O gosto amargo volta à boca.

Por um momento eu havia esquecido o que tinha acontecido mais cedo com Erick.

Oliver nota o meu silêncio e continua. — Quer falar sobre isso?

Estou levemente impressionada, esperava abrir a porta e ser atingida com diversas perguntas sobre a mensagem que deixei no seu celular. Mas está acontecendo justamente o contrário, Oliver é compreensivo fazendo de tudo para não se tornar invasivo com perguntas diretas.

— Erick...

As suas mãos apertam mais a minha cintura.

— Ele te machucou?

— Não, eu consegui me livrar dele.

— O que ele fez?

Sua voz é baixa, arrancando arrepios.

— Erick estava descontrolado... Nunca o vi daquele jeito. Assustador! Ele pediu para voltarmos, tentou me tocar, me forçar a assinar documentos, mas eu não deixei.

— Está dizendo que ele te tocou a força?

— Eu já resolvi isso.

— Porra nenhuma, Felicity! Isso não está resolvido.

Oliver solta minha cintura indo em direção à porta, a mão tenta girar a maçaneta, mas não consegue. Essa porta, digamos, é um pouco antiga, então precisa de um jeitinho para abri-la.

— Essa merda não está abrindo. — ele diz inconformado forçando a maçaneta.

— Onde você pensa que vai?

— Arrebentar as fuças do Erick até que ele não consiga respirar.

— Agir como um brutamonte e ir preso? Ótimo, você realmente é inteligente.

— Está me chamando de burro?

— Não que você seja, mas agora... Parece agir como um!

Oliver volta a bufar, largando a porcaria da maçaneta.

Ele encosta nas costas da porta frustrado, novamente, eu gostaria de rir... Porém o momento não é dos mais adequados.

— Você tem razão... — murmura baixinho.

— O que acabou de dizer?

Espremo meus olhos na sua direção e ele me dá um sorriso amarelo.

Baby, você é insuportável... — sua voz é cansada.

— Eu não queria causar isso em você... Te deixar desse jeito, mas quando Erick me pressionou só me veio você na cabeça. Uma loucura, não é?

— Estamos juntos. Tem loucura maior do que essa?

Ele ri sem jeito.

E eu suspiro.

Aff.

— Hoje mais cedo, você disse... — meneio a cabeça.

Oliver volta a se aproximar, desta vez, mais calmo.

Ele assente a cabeça para que eu continue.

Pigarreio tentando focar no que tenho que perguntar. Não é fácil fazer isso estando só com um roupão de algodão quando se tem toda a casa para você e não seria uma má ideia colocar para fora o estresse através de um bom orgasmo. Mas é isso, preciso de foco, Felicity Smoak, foque.

— Disse que me explicaria o porquê de me pedir para não assinar nenhum papel de Erick.

— Felicity...

— Eu preciso saber, Oliver.

— Antes eu preciso que vista alguma roupa ou não vou conseguir me concentrar. — Oliver dá de ombros.

Reviro meus olhos, mas sou obrigada a concordar.

Agora que estou devidamente vestida e confortável, volto à sala me deparando com Oliver agarrado a Polly enquanto toma uma cerveja gelada. E o jogo dos 6 erros começa na minha cabeça, Polly está no sofá o que quebra uma das minhas primeiras regras – ela solta mais pêlos do que todos os cães de Nova Iorque, minha rinite não aguenta –, os pés de Oliver estão apoiados na minha mesinha de centro com seus sapatos que mais parecem duas botinas, a cerveja está no braço de apoio do sofá sem um protetor de copos – protetor de corpos é a segunda regra mais importante da casa, porque depois sou eu quem perco meu tempo limpando as marcas de impressão –, a TV está ligada no jogo de beisebol da semana passada o que me faz quebrar a cabeça para entender como funciona a cabeça dos homens, e para completar, o som não está nada baixo – será que ele é surdo ou o que? –, por fim, todas as luzes do apartamento estão acesas sendo que só somos nós dois sozinhos aqui.

— Você está querendo me enlouquecer?

— O que fiz agora?

— “O que fiz agora?” — o remendo. — Polly no sofá, pés encima da mesa, cerveja sem protetor de copos, TV em jogo repetido no máximo volume e todas as luzes acesas. Tá bom pra você?

— Qual o problema?

— O problema é que você já ultrapassou pelo menos 4 regras de uma boa convivência só no tempo que fui me trocar!

Ele ri.

Ri de verdade.

Divertidamente.

— Se quisermos morar juntos vai ter que mudar um pouco suas regras. — ele dá de ombros.

— Morarmos juntos? Só nos seus sonhos, vizinho! — reviro meus olhos. Ele só pode ter batido bem forte esse cabeção, porque Oliver Queen e eu juntos de baixo do mesmo teto seria um ato de suicídio.

Baby­... Não se faça de difícil. — as mãos dele me puxam fortemente pela cintura para seu colo e o impacto que fazemos expulsa Polly para o chão, arrancando-me uma risada. A barba rala roça meu queixo fazendo cócegas à medida que procura minha boca para um beijo rápido. Eu o correspondo com vontade ignorando o estresse de minutos atrás. E queimamos, há faíscas nascendo em um simples beijo, nossas línguas já conhecidas brincam sem se separarem um só segundo, nossas mãos já percorreram todos os lugares dos nossos corpos flamejantes e, sim, já sinto algo duro pulsar na minha bunda. Deus. Isso não pode ser tão bom.

— É... — me distancio puxando o fôlego.

— Só mais um pouquinho...

Escorrego do colo de Oliver para o outro lado do sofá brigando comigo mesma.

Eu não troquei aquele roupão macio à toa.

— Depois. — imponho.

— Depois do que?

— De você me contar tudo o que sabe sobre Erick!

Oliver bufa ao menear a cabeça.

Parece ser algo sério, eu não consigo entender, antes era como uma implicância. Não sei, podia ser ciúmes talvez? Como Oliver poderia conhecer mais de Erick do que eu? Como poderia desconfiar tanto do homem que eu havia aceitado subir ao altar?

— Então não tem mais para onde fugir?

— Não.

Ele suspira longamente e eu faço o mesmo.

Que Diabo está acontecendo?

— Quando a vi encima daquele pequeno palco no primeiro dia que nos conhecemos eu sabia que não o amava. Era tão claro... — suas mãos seguram as minhas, elas são tão quentes e macias. — Mas Erick nunca me pareceu confiável, claro, confesso que eu tinha uma pequena dose de ciúmes, ele tinha você quando queria. Vocês pareciam felizes, tinha que ver como seus olhos brilhavam quando estava com ele, agora eu sei que eles têm a capacidade de brilharem ainda mais. — ruborizo, é, as minhas bochechas estão malditamente avermelhadas agora, bosta. — Só que não era reciproco, Erick não demonstrava se quer emoção. O cara tinha a mulher mais incrível do lado e nem se quer sorria? Patético. Então, na manhã depois daquele beijo que você me pediu... Baby, você acabou comigo! Mas uma loira bem louca que cozinhava ovos na minha cozinha...

O interrompo.

Que eu saiba eu sou a única loira por aqui. Tá bom, eu pinto e retoco todo mês, mas não importa, eu sou a única loira.

— Então tinha alguém cozinhando ovos na sua cozinha?

— Por que está me olhando assim?

— Depois daquele beijo você ainda conseguiu procurar outra mulher? Você é um cretino.

Não, a cretina aqui é você Felicity. Ciúmes? Isso mesmo? A essa etapa da vida?

— Não rolou nada. — Oliver faz cara de nojo.

— Eu deveria arrancar suas bolas.

Ele arregala os olhos.

— Posso continuar?

Assinto com a cabeça.

Ainda estou absorvendo os fatos.

— Essa fada madrinha me alertou sobre o que eu realmente sentia por você. Nossa, eu nunca me senti tão confiante em correr atrás de algo que eu queria. Eu calcei os sapatos, vesti a primeira camisa limpa que encontrei e dei um jeito no bafo de álcool! Estava prestes a ir atrás de Erick e dizer que você seria a minha garota.

AHHHHHHHHHHHH.

“Minha garota”

Meus pés formigam.

— Mas quando entrei na sala de Erick eu o vi...

Porradas fortes são dadas na porta.

— Você está esperando alguém? — pergunto ainda anestesiada. Corações saem pela minha boca.

— Estamos na sua casa! — ele responde confuso.

Eu volto a rir.

— É verdade.

As batidas fortes continuam.

— Você não vai atender?

— Cacete...

Levanto rapidamente, deve ser o porteiro para entregar as contas de cobrança. Só preciso pegar, despachá-lo e voltar a ficar de quatro por Oliver. Isso não ficou muito legal, não é? Não foi naquele... Sentido. No entanto, abrindo a porta me deparo com um negro forte vestido de preto me olhando. Atrás dele ainda tem mais dois homens vestidos com a farda da polícia de Nova Iorque.

— Felicity Megan Smoak? — o homem de corpo atlético me pergunta.

— Vocês não são gogoboys, não é?

— Está acontecendo alguma coisa? — Oliver pergunta logo atrás.

— Senhorita Smoak, sou o Promotor John Diggle de Nova Iorque, você está presa!

O homem intitulado John Diggle faz um sinal para os dois policiais que se aproximam de mim, mas antes de conseguirem me alcançar, Oliver surge na minha frente como uma armadura me puxando para longe.

— É um engano! — ele diz assustado.

— Claramente é um engano... Se há alguém mais honesta do que eu, desconheço!

Meu coração está à mil.

— Saia de perto da moça ou eu terei que leva-lo junto! — Diggle ameaça.

— Nem fodendo. — Oliver rosna.

— Quer ser preso por desacato à autoridade, bonitão? — Diggle ironiza.

— Oliver, não... — coloco minha mão sobre seu peito vibrante. Nossos olhares assustados se cruzam e ele dá um passo atrás me entendendo.

— Só preciso entender o que está acontecendo aqui! Por que estou sendo presa?

— Artigo 312, Peculato. Resumindo, desvio de dinheiro público. E artigo 297, falsificação de documentos públicos. Além de outras infrações sobre a compra de pessoas para que ficassem em silêncio.

— Eu não... Não sei do que está falando! Sou fotógrafa, nunca tive contato com isso! Erick, pergunte a Erick, ele sabe que isso é um engano. — gaguejo, tremo, estou quase paralisando.

— Policiais. — Diggle estende as mãos, pegando as algemas.

— Solte ela agora! — Oliver empurra John, mas é segurado pelos policiais. Meu coração está saltando dentro do peito, a visão começa a ficar turva e as minhas pernas bambeiam pelo nervoso. É a primeira vez que não consigo entender o que está acontecendo, não existem argumentos suficientes para que eu possa contrapor o que esse homem desconhecido diz. Há uma pressão crescente ao pé do meu ouvido fazendo com que as vozes e gritos fiquem distantes.

— Você tem o direito de permanecer em silêncio e tudo o que disser poderá e deverá ser usado contra você no tribunal.

As algemas frias tocam meus pulsos.

Mãos pesadas agarram meu braço.

— Foi Erick! Isso é uma armação! — Oliver grita, mas ouço pouco, há muita turbulência ao redor.

— Até que prove o contrário, ela está presa. — Diggle diz me levando para fora.

Estou em transe, porque eu só continuo andando. Sendo levada.

— É o maldito Erick! — Oliver continua gritando. — Me solta! Felicity!

— Rapazes, solte ele. Vamos.

Ao ser solto, Oliver corre na minha direção, ele está com seus olhos tão perdidos quantos os meus. Suas mãos trêmulas seguram o meu rosto com firmeza tentando me trazer de volta de qualquer maneira.

— Eu vou te tirar de lá! — ele sussurra.

Mas eu não consigo respondê-lo.

Baby...

— Abra passagem! — Diggle grita.

— As consequências... — murmuro.

— Eu vou te tirar de lá! Confia em mim.

Apenas concordo.

Sendo retirada às pressas pelos dois policiais.

~~~

Oliver Queen

Testa-de-ferro.

Testa-de-ferro.

Testa-de-ferro.

Essa palavra começa a badalar minha cabeça como um insuportável sino.

Era isso desde o início, Erick tinha Felicity como uma laranja para usar no momento certo, para sua autoproteção. Como eu fui tão ingênuo de deixar isso passar? Me preocupei tanto em proteger Thea e ter Felicity comigo que esqueci que agora ela era a parte mais vulnerável. Foi ele quem falsificou os documentos usando a assinatura de Felicity e também foi ele quem desviou todo o dinheiro.

Não acredito que deixei isso acontecer.

— Merda! — empurro a mesa de metal na minha frente causando certo estrondo. — Preciso encontrar uma maneira... Só uma maneira.

A imagem de Felicity atrás das grades me traz repulsa, e agora, quem sofre é a lixeira próxima à porta que é chutada para longe. Meus olhos estão fervendo desde que a deixei ser levada por aqueles dois policiais.

— Que isso cara, tá doidão? — Tommy surge pela porta impedindo que eu derrube algumas caixas com soro fisiológico.

— Tira a mão de mim! — fujo, minha respiração é pesada.

— Pra você quebrar todo o consultório? Nada disso. — suas mãos abraçam minha cintura, eu reviro os olhos porque a bochecha de Tommy está colada na minha. Isso é ridículo.

— O que você está fazendo aqui?

— Estou de plantão.

— O amor é lindo. — ouço palmas de Sara.

Ela deve estar se referindo à cena que Tommy está proporcionando, ele continua abraçado a mim com seu rosto colado no meu. Seria pedir muito um momento de paz em meio a toda essa guerra?

— Tommy, me solte.

— Vai ficar calminho?

— Se você me deixar respirar, talvez.

Os braços do otário me soltam.

Agora posso respirar com tranquilidade sem um perfume doce embriagando minhas narinas.

— Parece que eu perdi a festinha por aqui... — Sara aponta para a mesa derrubada, a lata de lixo quebrada e todos os papéis bagunçados sobre a mesa.

— Foi uma aventura. Oliver é insaciável. — Tommy brinca.

— Vai se foder. — o empurro para longe.

— Ei cara, cadê sua dose de humor? — o idiota pergunta.

— Pareço um palhaço agora?

— Campeões, vamos acalmar os ânimos. — Sara vai até o frigobar no canto do consultório pegando uma água com gás. Eu gostaria de um uísque sem gelo para diminuir um pouco minha irritação, mas aqui dentro seguimos as regras e álcool é proibido. Então, acho que a água com gás é a única saída. — Bebam. — ela nos serve dois copos. — Agora contem pra amiguinha o que está rolando?

— Ele que me agrediu. — Tommy dá de ombros.

— Felicity foi presa. — murmuro.

— A sua vizinha? — Sara pergunta incrédula.

— Sabia que ela tinha um rostinho duvidoso.

— Cala a boca Tommy! — Sara e eu falamos no mesmo instante.

O idiota levanta as mãos em rendição.

— Eu descobri que Erick estava transando com Helena Bertinelli, o crápula me raptou, me espancou e ameaçou Thea caso eu contasse a Felicity. Na hora eu aceitei a chantagem, mas assim que a poeira abaixou contei tudo aos meus pais e pedi que eles colocassem homens de confiança para proteção da minha pequena. — suspiro. — Felicity desistiu de se casar com Erick... Por nós.

— Meu Deus... — sussurra Sara.

— Nos apaixonamos.

— E aí? — Tommy pergunta ansioso.

— Quando fui raptado por Erick, durante as pancadas, a água fria, minhas alucinações... Ele disse que Felicity era importante para ele, porque era a testa-de-ferro dele. Agora ela está presa, simplesmente porque eu deixei! — meu coração está frio, parece que se encolhe para ter um pouco de calor. As lágrimas tímidas aparecem nas pontas dos meus olhos, mas eu corro com os dedos para limpá-las antes que elas deslizem.

— Isso não é sua culpa, parceiro. — Tommy volta a sussurrar.

— Claro que não é. O que você ia fazer? Esse cara é um maníaco! E pior, eu votei nele! — Sara chuta a mesa.

— Eu vou atrás de provas que inocentem Felicity... Se ela está sendo usada é porque devem existir os papéis verdadeiros! Eu não entendo essas burocracias, mas devem existir!

— Conheço um bom advogado. — Tommy meneia a cabeça.

— Não, nada de terceiros. Eu vou fazer isso com as minhas próprias mãos!

— Ah, claro, por que você é um agente da CIA? — Sara ironiza.

— Vocês não entendem! Dallas é muito perigoso, não posso envolver mais ninguém nessa história.

— Agora você que está fazendo o maluco. Parceiro, esse cara comanda Nova Iorque inteira, acha mesmo que vai ser fácil encontrar esses papéis sozinho? Nem que a vaca tussa. — uma luz deveria surgir dos céus, porque é a primeira frase sensata que Tommy diz.

— O pulha está certo. — Sara concorda.

— O que vocês estão querendo dizer? — volto a sentar na poltrona como um fracassado.

— Que somos os três mosqueteiros... Não vamos te deixar sozinho nessa! — Tommy me puxa pela poltrona de rodinhas me dando um abraço apertado. Na verdade, costuma ser assim, entre nós três Tommas é o mais sentimental. Na época da faculdade confesso que era um perfeito otário em relação a tudo, mas conforme foi evoluindo, passou a ser aquele cara que abraça as árvores no Central Park, que adora um relacionamento aberto e, claro, aplaudir o por do sol. Não vou mentir, depois que você se acostuma passa a ser engraçado.

— Estamos mais para os três patetas. — Sara murmura.

— Sem chances. — dou de ombros.

— Oliver, não queria dizer isso, mas Tommy tem razão! Você sozinho não vai conseguir nada e já somos bem grandinhos para decidir sobre nós. Eu, Sara, estou dentro!

— Parceiro, estou mais do que dentro!

— Eu não vou conseguir me concentrar com vocês junto comigo... — suspiro.

— Bobeira sua, duas pessoas agregam confiança. E não vamos permitir que saia daqui enquanto não deixar a gente te ajudar e cuidar de você. — a loira de olhos azuis não está brincando, ela fará Tommy me agarrar feito uma lesma possessiva e o seu perfume pegajoso vai me fazer desmaiar.

— Eu topo!

Os dois festejam.

Reviro os olhos.

— Por onde começamos? — Tommy pergunta animado.

— Não faço ideia... — os meus pensamentos estão um único lugar, Felicity. Eu precisava correr para vê-la, segurar na sua mão para que não se sinta sozinha... Conseguir um advogado, sei lá, recorrer aos familiares. Mas não posso me aproximar, Erick não está brincando, ele poderia prejudicar as coisas para Felicity se voltasse a nos ver juntos. Preciso deixa-lo pensar que não estou por perto, comer pelas beiradas do prato até chegar ao centro. Claramente existe uma ponta solta nessa história, como Dallas disse, Felicity era a sua testa-de-ferro, se ele a usou agora é porque as coisas não estão favoráveis a ele, principalmente porque ela não assinou os papéis que ele quis força-la a assinar.

É isso.

Eu preciso desses papéis verdadeiros, descobrir o que eles representam.

— Já sei! — volto a dizer em um rompante. — Felicity foi presa porque os policiais disseram que ela havia desviado dinheiro público, falsificado documentos e comprado pessoas pelo silêncio... Mas é claro que quem fez isso foi Erick, ele é o único que tem acesso a esses documentos.

— E Felicity seria a pessoa perfeita para levar a culpa e por isso a vontade súbita em transformar ela na primeira dama... — Sara murmura ligando os pontos.

— Tendo Felicity como a primeira dama seria fácil dizer que ela se aproveitou dele para roubar o dinheiro do povo. Só assim para permanecer sendo o mocinho indefeso, continuar com o dinheiro roubado e incriminar a loirinha. — Tommy finaliza dando de ombros.

— Exatamente... Mas algo deu errado. — começo a andar de um lado para o outro pensativo. — Na última vez que eles se viram Erick quis forçar Felicity a assinar papéis suspeitos!

— Ela chegou a ler? — Sara pergunta.

— Não sei... — bufo.

— Nós precisamos desses papéis. — Tommy murmura.

— E como faríamos isso? — pergunto intrigado. Porque essa é a grande dificuldade, Erick é ardiloso, não guardaria esses papéis em lugares óbvios. Isso deve estar trancafiado de baixo de sete chaves.

— Quando eu era mais nova brincava de desviar ligações, desligar câmeras, burlar alarmes de casas e carros... Não sou um gênio, mas sei brincar! — Sara me destina um sorriso provocante.

— Brincadeira? Caracterizo isso como pequenos crimes, mocinha! — Tommy aponta seu dedo indicador.

— Mas no que isso me ajuda? — estou verdadeiramente perdido.

— Eu posso monitorar vocês, ajudar a entrar nos lugares sem serem vistos. — ela dá de ombros.

— Bom, eu tenho preso na minha parede um Rifle calibre 22... Era do meu avô, ele cismava que tínhamos que caçar aos domingos. — o idiota meneia a cabeça em negativa.

— Cara, você atirava nos bichinhos? — Sara pergunta com repulsa.

— É claro que não, mas sabia fingir bem que errava os alvos. — ele dá de ombros.

— Não Tommy, não precisaremos de armas de fogo. Nada de violência.

Respiro fundo.

— Eu vou levar do mesmo jeito, não quero arriscar minha vida. Afinal, a belezinha tem uma ótima visão de aproximação no escuro.

— Tudo bem sabichão. — Sara consente. — E quando começamos?

— Essa noite. Erick planejou a prisão de Felicity, só não está planejando que vamos ficar na cola dele. Sara, tem como você procurar por uma tal de Senhorita Parker? Ela é a secretária de Erick, deve saber onde ele está.

— Acredito que sim, a internet consegue tudo. Ou quase tudo.

— O gabinete do prefeito é rodeado por seguranças... Não sei se essa noite conseguiríamos entrar lá! A casa de Erick, por hora, me parece mais favorável.

— Acha mesmo que ele esconderia papéis tão importantes na própria casa? — Tommy pergunta intrigado e, novamente, ele tem razão. Mas não podemos deixar de fechar todos os pontos, ter certeza que estamos encurralando Erick sem que ele saiba. Então, o primeiro passo é entrar na sua mansão e vasculhar todos os cantos até encontrarmos uma prova de que ele não passa de um filho da puta corrupto.

— Não tenho certeza de nada, Tommy.

— Fechado. — Sara concorda de imediato.

— A mansão deve ser rodeada por cães raivosos, alarmes e seguranças parrudos. — murmuro.

— Dardos de cetamina, meu caro, somos médicos veterinários... Esses cãezinhos vão dormir como bebês.

Sara ri. — Os alarmes e as câmeras eu resolvo. Vocês cuidam dos parrudos e, por favor, não deixem eles fazerem um estrago muito grande!

— Isso é uma loucura. — sussurro.

— Vamos lá cara, salvar a mocinha das mãos do vilão de merda. — Tommy me empurra animado.

Nutro ar nos pulmões. — Do que vocês vão precisar?

— Eu tenho o meu Macbook, ou seja, não preciso de mais nada. — a loira volta a se gabar.

— Podemos usar o furgão de banho e tosa, não vai chamar muita atenção e tenho o meu Rifle.

— Tudo bem... Só preciso passar em casa, pegar uma lanterna e aqueles rádios que usamos na feira de castração para nos comunicarmos. Eu sabia que serviria para alguma coisa, aqueles danadinhos. — brinco. — Ah, e meu taco de beisebol.

— Podemos usar preto? — Sara pergunta. — Eu acho tão sexy.

Reviro os olhos como resposta.

— Nos encontramos há três quadras da mansão? — Tommy pergunta.

— Sim senhor. — Sara bate continência.

— Vai dar conta das câmeras e dos alarmes sozinha?

— Poderia levar isso como uma ofensa. — Sara abre a boca feito um ‘O’ — Mas tenho os meus contatos.

— Você quis dizer o lado negro da internet e seus códigos fora da lei. — Tommy ironiza.

— Às duas horas da manhã há três quadras da mansão. Certo? — pergunto ansioso.

— Certo. — Sara assente.

— Certo, não vamos deixar a loirinha cair nessa furada! — Tommy dá um soquinho no meu ombro me fazendo suspirar.

Então é isso.

Aqui vamos nós.

~~~

Felicity Smoak

Os policiais que estavam com John Diggle me deixaram em uma pequena sala com má iluminação, há somente uma cadeira e uma mesa. Estou sentada aqui há algumas horas com minhas mãos ainda algemadas, meus pulsos estão doloridos, minha cabeça uma bomba prestes a explodir.

Presa por falsificação de documentos públicos? Uma grande merda.

Eu nunca cheguei a ter contato com algo da prefeitura, a verdade é que sempre achei essas burocracias um pé no saco. Era Erick quem se responsabilizava por tudo, ele muitas vezes não parava em casa, sempre em reuniões de negócios e eventos para arrecadar dinheiro para a cidade. Nos víamos mais no início do namoro quando ainda existia aquele fogo da conquista, mas que durou pouco até cairmos na rotina. Aos poucos nosso relacionamento se tornou mais uma imagem criada para O povo do que para nós mesmos, e eu, apenas relaxei e deixei acontecer. Foi somente quando nos tornamos populares aos olhos do público que Erick decidiu acelerar as coisas do casamento, dizendo que as pessoas gostavam de mim e gostariam ainda mais se nos tornássemos um só. E, então, toda a loucura começou... Uma coisa que eu pensava que aconteceria futuramente me pegou desprevenida em um palco de um casamento qualquer. As turbulências de como seria o casamento do ano me atingiram em cheio, ele me dizia que teria de ser perfeito, no entanto, Erick e eu quase não nos víamos mais, quase não dormíamos juntos e, principalmente, mais parecíamos um casal de porcelana da revista mais popular de Nova Iorque.

Ouço palmas vindas da pequena porta por onde entrei, a iluminação ainda continua baixa, mas é inevitável não escutar o eco que as mãos batendo uma na outra fazem. A aproximação me faz espremer os olhos até conseguirem enxergar o corpo de um homem que cessa as palmas quando se aproxima, permitindo que eu o reconheça.

— Olá.

É Erick.

Sua voz é fria.

Mas o sorriso estampado no rosto é ainda pior.

— Erick! Você precisa ir até lá e dizer a eles que sou inocente. Foi algum engano, você sabe disso, sabe que eu não tenho nada a ver com esses crimes. — as palavras quase atropelam umas as outras para saírem. Eu estava sozinha aqui dentro por muito tempo em silêncio quase esmagador, pensando em formas irreais que me fizeram chegar aqui e nenhuma consegue fazer muito sentido.

Shhhhhhhh! — as mãos dele se batem contra a pequena mesa o que me faz pular instantaneamente da cadeira onde estou sentada. Meus olhos se apertam e minha boca retrai quando ainda fazendo voto de silêncio seus lábios gélidos tocam os meus com pressão. — Sentiu a minha falta?

— Erick, por favor, você precisa...

Ele tira do paletó as chaves das algemas, trazendo um pouco de alívio aos meus pulsos avermelhados.

— Como estão te tratando? As instalações não são das melhores. — Erick solta os botões do paletó quando se senta na minha frente. As mãos passeiam com nojo sobre a mesa, entrelaçando os dedos com a maior frieza, pouco se importando com o medo que estou sentindo.

— Eu quero ir para casa, sair daqui agora! Isso é a merda de um engano.

Agora ele gargalha.

— Engano? Pareceu enganada quando assinou todos aqueles papéis?

O impacto das palavras se choca contra meus olhos que arregalam, a minha boca entreabre e toda a minha linha de pensamento encontra o motivo que procurava. Erick sempre soube, sempre esteve por trás de toda a merda. A confiança que eu tinha sobre ele serviu para criar um monstro contra eu mesma, papéis que ele dizia ser de eventos beneficentes para confirmar presença, assuntos sobre a cerimônia, tudo programado para que no final eu fosse a grande culpada.

— Você não pode ter feito isso.

— Minha querida, foi tão fácil...

Ele curva seu corpo sobre a mesa, o sorriso diabólico ainda pregado nos lábios.

As lágrimas nascem nos meus olhos, mas eu as seguro para que não desçam. Na minha cabeça, todos os momentos que passei do lado de Erick somem com a presença dele, como se ele nunca estivesse de fato estado ali comigo, do meu lado. Como se tudo eu houvesse passado sozinha ou estivesse sendo usada como uma marionete em suas mãos.

— Por que você está fazendo isso? Depois de tudo!

— Tudo Felicity? Tudo? Eu fiz um favor a você. Uma menina que vivia no fim do mundo, que tinha um sonho tão pequeno... Uma família desacreditada depois da morte do querido pai. — ele volta a gargalhar. — Foi fácil te seduzir, você só precisava de alguém que te olhasse como uma mulher.

Meu coração se aperta ouvindo o som de cada palavra que é arremessada pela boca de Erick, ele está rindo de forma desequilibrada degustando a forma que me faz sofrer. Mas ele para abruptamente com a risada maléfica quando com o seu polegar encosta a pele da minha bochecha para limpar as lágrimas que estão escorrendo feito uma cachoeira, apenas o seu toque me faz pressionar os olhos, meu coração aumenta as batidas e minhas mãos ensaiam movimentos rápidos caso ele tente algo mais invasivo.

— É isso que pensa de mim? — fungo. Maldito choro.

— Sabe quando eu errei?

Erick levanta da cadeira arqueando seu corpo para baixo, agora estamos com nossos rostos bem próximos. Os olhos profundos, bem abertos que me engolem, se nutrem do meu medo.

— Não... — sussurro.

— Quando não te fudi como uma vagabunda! Não é assim que Oliver faz? Não é assim que você gosta?

Deixo a cabeça se curvar, meus olhos comprimem com tanta força que gostas do líquido salgado que escorre dos meus olhos molham a pequena mesa. A repulsa que surge da boca do meu estômago me faz querer vomitar, mas eu a seguro com tanta força que machuca, me dói. Eu meneio minha cabeça tentando desacreditar no que escutei do homem em que eu confiava de olhos fechados, negando a minha consciência o quanto fui burra em mergulhar de cabeça em um homem, confiar inteiramente sem ao menos perceber que a todo o momento ele estava preparando uma armadilha. Uma armadilha que não precisou de esforços para que eu caísse.

Mas eu levanto a cabeça novamente, desta vez, meus olhos estão bem abertos para olhar cada centímetro do rosto desse miserável. Antes marejados de dor, mas que agora, estão com raiva por ter se referido a mim como uma qualquer que ele usou enquanto foi jogo para ele, mas que quando se negou a se rebaixar e assinar mais uma das suas novas armações, não pensou duas vezes em jogar na fogueira.

Eu me aproximo mais da sua face que não se mantém inquieta observando com luxúria a minha queda, seu cheiro aumenta o enjoo, e então, eu cuspo na sua cara com vontade.

— Você é nojento!

Rapidamente ele se afasta, virando de costas inconformado, suas mãos descem até o lenço no bolso para limpar o estrago que fiz. Quando se vira novamente, suas mãos já alcançam meus braços com força, voltando a se aproximar.

— Repete!

— Eu tenho nojo de você... — minhas mãos estão se debatendo contra o peito de Erick, eu quero me soltar, desviar de tudo de mal que esse homem está me fazendo. Ao mesmo tempo em que meus punhos encontram o peitoral, as lágrimas também voltam a encontrar os meus olhos com força. Estou colocando tudo para fora o chamando de todos os piores adjetivos que possam existir, a minha voz falha, a minha gargalha arde, mas eu apenas continuo até me faltar o fôlego. E ninguém aparece, ninguém surge por aquela porta para me separar de Erick, para me manter distante, para evitar que eu cometa alguma besteira. Os meus olhos queimam sobre os dele que permanecem serenos aceitando todo o meu ódio que era desconhecido, mas que existia em alguma parte de mim que estava desconhecida.

— Acabou? — ele pergunta pressionando minha cintura até que eu fique sem espaço para agredi-lo, no entanto, tampouco tenho forças para continuar. Estou ofegante, meu nariz obstruído de tanto chorar, meus olhos ardendo pelas lágrimas quentes de um misto de emoções.

— Como eu não enxerguei antes? — murmuro.

— Você não quis.

— Eu vou contratar os melhores advogados, eles vão me tirar daqui e... Erick, eu vou acabar com você. É melhor que esteja preparado. — meu sussurro é tão baixo e sincero que o arrepio na espinha é atormentador.

Ele volta a rir.

Aperta meu corpo contra a cadeira e inicia passos lentos de um lado para o outro dentro da pequena sala em que estamos.

Minha respiração é tão rápida e superficial quanto às batidas do coração.

— Você vai fazer tudo o que eu quiser.

— Só nos seus sonhos!

— Sabe o que eu descobri? — ele para na minha frente tirando do bolso interno do paletó um envelope pardo. — Algumas fotos suas. Felicity, os ângulos são perfeitos!

— Não me interessa... — rosno.

— Mas vale a pena vê-las. — as mãos abrem o envelope com lentidão, mantendo meus olhos bem fixos em cada movimento. De dentro do envelope Erick retira certa quantidade de fotos, a primeira que me mostra é a de Polly brincando com as almofadas encima do sofá, eu me lembro perfeitamente de quando a tirei, ela estava completando três anos que estávamos juntas. — Essa cadela sempre me enchendo com seus latidos insuportáveis!

Ele suspira.

— Não ouse...

— A brincadeira só está começando, minha querida.

A próxima foto é da minha mãe tomando café na bancada da minha cozinha, eu a peguei desprevenida justamente no momento em que fazia a maior careta. Ela tem o mesmo defeito de Oliver, diz que tomar meu café é como mergulhar em uma lagoa amarga e sem açúcar. Foi um momento divertido, Donna Smoak é sempre divertida.

Erick mexeu nas minhas coisas, ele pegou as minhas fotos que escondia em um álbum debaixo da cama e todas essas fotos há um pequeno texto gravado atrás, algo íntimo que guardava somente comigo.

— Você não seria capaz.

Ele percebe o desespero ao ver a foto da minha mãe.

Só de imaginar qualquer mal sendo feito a ela meu corpo paralisa lentamente.

Mas ignora voltando a colocar as fotos sobre a mesa, a próxima é da noite em que fomos comemorar meu aniversário em um pub de Nova Iorque, Nyssa não suporta essa foto porque diz que saiu no seu pior ângulo, mas Caitlin e Iris adoraram. Não vou mentir, Nyssa saiu a mais bonita, um mulherão de dar inveja, mas seu mau humor insiste em colocar defeito em tudo e essa é a sua melhor qualidade, porque quanto pior é o seu mau humor, maior é o seu cuidado com todas nós.

— Dessas três meninas... Iris é a pior. Sempre se achando a feminista que vai revolucionar o mundo com suas causas de merda!

— Você é doente, Erick. — murmuro.

— Agora sim, a melhor parte. — a próxima foto é de Oliver apoiado nas escadas do nosso prédio. Ele estava conversando com um amigo quando a tirei sem que percebesse, o seu sorriso era lindo e eu precisava guarda-lo. — “Mesmo que escondas o que realmente és, no teu sorriso, consigo encontra-lo.” — ele volta a bater palmas. — Primoroso! — a foto é colocada sobre a mesa ao lado das demais. Meus lábios se apertam quando ele retira mais uma foto, eu nunca me senti tão exposta. Tão invadida. — “Faíscas, explosão, somos a pólvora e o fogo. Somos a dinamite.” — essa é a foto de quando estava bastante irritada com Oliver. A noite era de muito trabalho, eu precisava editar as fotos do catálogo da nova capa das Revistas V. Helena estava me enchendo o saco para que eu adiantasse o trabalho, mas o insuportável do meu vizinho decidiu que àquela noite seria uma das nossas noites de implicância. Ele bateu na minha porta só com a sua calça de moletom pedindo uma xícara de leite. Isso mesmo, às duas horas da manhã o idiota queria uma xícara de leite. Eu suspirei, manti a calma e o controle diante de tudo aquilo. Essa noite ele me perturbou, me colocou de cabelos em pé e tirou uma self com minha câmera dizendo que sabia que guardaria. E ele estava certo, eu a guardei.

Essa foto é colocada com um soco sobre a mesa.

Forte.

— Você não tinha esse direito...

Ele respira fundo após o murro sobre a mesa, ajeitando a gravata alinhada.

— Eu também gosto de fotografias, Felicity. Eu gosto muito!

A próxima foto me surpreende, porque não foi eu quem tirei. E a minha surpresa volta a arrancar um sorriso dos lábios de Erick, um sorriso de orelha a orelha, porque ele sabe que me tocou da mesma forma quando me mostrou a foto da minha mãe. De alguma maneira, sem eu mesma perceber, acabei demonstrando que me importo com Oliver mais do que ele imaginava.

A foto é de Thea sorrindo antes do coma, uma imagem antiga, mas que retrata o quanto parecia ser uma garota feliz.

— Chega, diga o que você quer! — volto a pressionar meus olhos que estão secos, minha fragilidade emocional é tão desequilibrada quanto a psicopatia de Erick.

— Pensei que seria mais difícil... Que você fosse lutar mais. — ele meneia a cabeça. — Sempre fraca!

Agora sou eu quem soco a mesa com o resto da minha força, marcando meus punhos com a vermelhidão do impacto. Meus olhos não perdem os de Erick que continuam me vigiando com atenção.

— Lutar? Para que? — engulo a seco. — Você não vai desistir.

— Até que você não é burra.

— Diga Erick, acabe com isso, por favor...

— Amanhã, bem cedo, as notícias que a futura esposa do prefeito de Nova Iorque tentou enganá-lo para pegar o dinheiro da cidade vão se espalhar. — Erick faz uma cara de surpreso que me enoja. — E sabe o que é divertido? É que eu vou fazer com que eles acreditem que eu a amo. A cereja do bolo é que eu vou te perdoar, dizer que você não sabia o que estava fazendo, que está arrependida e que devolverá todo o dinheiro que roubou. Vou acrescentar que não desisti de você e que ainda manteremos o nosso casamento! — ele volta a rir. — Isso não é incrível?

— Não, isso não...

— Você vai continuar assinando os papéis que confirmem o seu envolvimento no roubo do dinheiro, vamos fazer isso de uma forma que ninguém perceba. Digamos que eu vou prestar mais atenção!

— Eu não vou fazer isso! — levanto, indo em direção a uma parte mais escura da pequena sala. Minhas mãos entrelaçam ao redor dos meus braços massageando-os para acalmar o frio que o nervosismo está trazendo. Mas volto a me arrepiar quando a presença de Erick volta a chegar mais perto, as mãos deitam sobre as minhas guiando os movimentos com mais calma, apreciando a sensação de estranhamento que causa.

— Sim, você vai. Porque seria muito divertido acabar com a vida de cada uma daquelas pessoas, querida. — ele sussurra ao pé do meu ouvido e eu prontamente afasto minha cabeça de perto da sua boca.

Não o respondo.

Eu não consigo o responder mais.

— Você se casará comigo, assinará todos os documentos necessários para oficializar a nossa relação, vai continuar desviando pequenas quantias para uma conta que tenho fora da cidade. E quando perceberem alguma coisa eu já vou estar bem longe daqui... — os lábios dele tocam meu pescoço com lentidão, a ânsia de vômito sobe a minha garganta. E ele continua a tocar a cartilagem da minha orelha voltando com sussurros amedrontadores. — O que tem a dizer?

— Vai deixa-los em paz?

— Se você seguir quietinha nenhum sofrerá as suas consequências!

— O que eu tenho que fazer? — minha voz fraqueja, sai praticamente como um gaguejo. Nesse momento todas as minhas estruturas estão vergonhosamente trêmulas.

— Ser minha.

— Eu faço o que quiser desde que não me toque. — meus dentes trincam à medida em que rosno.

— Hã hã... Vai ser minha onde eu quiser que seja ou vou ter o prazer de derrubar cada pessoa que você ama. Eu poderia começar por Donna Smoak, até que ela perca todo o fôlego! O que acha? O que acharia se eu a levasse para assistir?

As mãos passeiam por de baixo da minha blusa e um risco de lágrima desliza pelo meu rosto.

Faço não com a cabeça várias vezes.

— Imaginei. — ele continua. — Vou perguntar e quero que seja clara como a luz das estrelas... Está comigo ou contra mim?

— Estou com você. — sussurro de forma quase inaudível.

— Perfeito! — ele se afasta de imediato. — Tenho que passar essa noite no meu gabinete, explicar à assessoria o que está acontecendo para que amanhã eu esteja preparado para a chuva de entrevistas.

— Você é repugnante!

— Não seja malcriada. — Erick junta todas as fotos que pegou do álbum deixando apenas uma sobre a mesa. A que Oliver tirou quando foi a minha casa naquela noite. — Fique com essa foto, você vai precisar quando pensar em fazer alguma besteira!

— Saia daqui.

— Querida, sorria, nós vamos passar por cima desses problemas juntos! — ele anda até a porta. — Mais uma observação... O dramático promotor de Nova Iorque está lá fora, vai querer conversar com você. Diga a verdade. — ele meneia a cabeça. — A nossa verdade, que você é a culpada, seja convincente! — ele gira a maçaneta. — Isso se aplica a todos. — o maldito finalmente abre a porta, mas antes que eu se vá de vez ele pigarreia. — Felicity, você está comigo ou contra mim?

Erick volta a perguntar.

— Estou com você.

Notas finais
ESPERO VOCÊS NOS COMENTÁRIOS E VOU RESPONDER TODOS ASSIM QUE CHEGAR DE UM COMPROMISSO ♥