Acordei com um sorriso no rosto, me levantei e tomei um rápido banho. Desci as escadas, já com um vestido vermelho e levemente rodado, uma sapatilha preta e os cabelos soltos, entrei na cozinha e vi minha mãe fazendo torradas.

– Buenos dias, madre.

– Buenos dias, Santana. Está um pouco adiantada.

– Sim. Quinn não gosta de atrasos e...

– Entendi.

Eu sorri, me aproximei dela e lhe dei um beijo na bochecha, peguei uma torrada e fui até a porta da cozinha.

– Voltarei à noite. – avisei.

– Sim, eu sei.

Ela sorriu, revirei meus olhos e fui até o carro da Quinn, encontrando-a entrando no mesmo.

– Bom dia, Q.

– Bom dia, Sant. Achei que nos atrasaria novamente.

– Hoje não.

– Que bom.

Lhe dei um selinho, entrei no carro e vi Beth brincando com seu bichinho de pelúcia.

– Onde está Rachel?

– Nos atrasando. – Quinn respondeu, em seguida buzinando.

Rachel apareceu na porta rapidamente, correu para o carro e suspirou, depois de entrar e fechar a porta.

– Buenos dias, Rae.

– Oh! Buenos dias, Sant.

– Atrasada?

– Um pouco.

Ficamos em silêncio, Rachel se posicionou em frente ao espelho retrovisor e começou a passar batom em sua boca.

– Tia Rae, passa batom em mim também. – Beth pediu.

– Não mesmo. – Quinn disse, me fazendo rir.

– É só um batom, Quinn. – comentei.

– Cale a boca, Santana.

– Quando voltarmos para casa, eu passo em você, está bem? – Rachel perguntou, fazendo Beth sorrir.

Quinn parou o carro em frente à escola da Beth e a tirou do carro. Quando Quinn parou o carro em frente à minha escola, percebi Katie olhar para nós. Sorri, me aproximei de Rachel e lhe beijei, fazendo-a soltar um pequeno gemido.

– Meninas! – Quinn gritou.

Me afastei da Rachel, sorri e beijei sua testa, dei um selinho em Quinn e saí do carro.

– Ótimo! Agora eu terei que retocar o batom. – Rachel disse, rindo.

Acenei para as duas enquanto o carro se afastava, entrei na escola e vi Marley conversando com Sophia perto do meu armário.

– Bom dia, meninas!

– Bom dia, Santana. – Sophia respondeu.

– Santana, sua boca está manchada de rosa. – Marley disse, apontando para a minha boca.

– Ah! E-eu... foi só... eu... – tentei, limpando minha boca com minhas mãos. – Onde está Kimberly?

– Doente. – Sophia respondeu, entendendo minha mudança de assunto.

– Bem, espero que ela fique bem.

– Alunos do colégio McKinley, eu, diretora Kung, tenho o prazer em anunciar que, daqui à três semanas acontecerá o Baile de Outono. – ouvimos das caixas de som presas na parede, muitos comemoraram. – Infelizmente o convite é para casais, o que quer dizer que, não podem entrar sem acompanhante. Corram e escolham seus acompanhantes! A venda dos ingressos vai até semana que vem, então se apressem!

Muitos casais começaram a se formar, Sophia sorriu e fechou seu armário, que era ao lado do meu.

– É melhor eu ir comprar agora, ou Kim e eu ficaremos sem.

Eu sorri, ela se afastou e Marley ficou de frente para mim.

– Não vai comprar o seu? – ela perguntou.

– Não.

– Por quê?

– Pelo simples fato de ninguém ter me convidado. – respondi, pegando o livro da primeira aula.

– Santana, você tem três opções de acompanhantes para escolher, e não quer comprar um ingresso porque ninguém lhe escolheu?

– Exatamente por isso. Eu tenho três opções, terei que escolher uma delas, e isso é como escolher quem amo mais. Foi difícil escolher com quem eu faria sexo pela primeira vez, imagine escolher uma delas para vir ao baile.

– Não é muito importante.

– Por isso mesmo que não vou vir.

Fechei o armário, ajeitei a mochila em meus ombros e suspirei.

– Podemos vir juntas. – Marley disse, dando de ombros.

– Não, obrigada.

– Por mim?

– Marley...

– Qual é? Eu quero vir, mas ninguém vai querer ser meu acompanhante. E você ainda está me devendo uma, lembra? Na praia...

– Eu vou pensar, está bem?

– Sim. Você tem exatamente uma semana, se ninguém lhe convidar, nós iremos juntas.

– Ok.

Ela sorriu, ajeitou sua mochila e foi para a primeira aula. Revirei meus olhos, fui na direção contrária, entrando na sala de aula.

***

Corri até o carro da Quinn, acenando para as meninas, entrei no carro e vi Beth dormindo em sua cadeirinha.

– Ela está cansada. – Quinn comentou.

– Imagino.

– Vai ir para a lanchonete?

– Sim.

Ficamos em silêncio, coloquei minha mochila ao lado dos meus pés e liguei o rádio, deixando em som baixo para não acordar Beth.

– Alguma novidade?

– Não. – respondi, olhando pela janela. – Na verdade tem. Baile do outono.

– Por que acho que você não está animada para isso?

– Porque eu realmente não estou animada para isso.

– Motivos?

– Tenho três opções, não quero escolher apenas uma e ninguém me convidou. Mesmo que me convidem, não vou aceitar.

– Você sabe que não precisa ficar com medo de escolher apenas uma, não sabe?

– Sei, mas...

– E você ainda é adolescente, Santana. Não desperdice isso, vá com algum garoto, ou...

– Marley quer ir comigo, por ainda não ter sido convidada.

– Está vendo? Vá com a Marley.

– Não quero ir com ela, quero ir com vocês três, mas...

– Vá com ela, ou com quem lhe convidar, está bem? Quando tudo terminar, estaremos em casa lhe esperando.

Bufei, Quinn parou o carro e levou Beth para dentro. Ao entrarmos na lanchonete, Rachel olhou para mim e sorriu, joguei minha mochila em cima de uma mesa perto do balcão e a abracei.

– O que vai querer para comer? – ela perguntou, assim que nos afastamos.

– Não estou com fome.

– Mas você tem que comer algo.

– Hum... que tal... panquecas?

– No almoço?

– Você disse que eu tenho que comer algo, mas não especificou.

– Está bem, saindo uma pilha de panquecas para você.

Lhe dei um selinho, me sentei à mesa e peguei meu caderno, começando a estudar. Em minutos Rachel apareceu com a pilha de panquecas e um milk shake de chocolate, sentou ao meu lado e olhou para o meu caderno.

– Sabe algo sobre francês? – perguntei.

– Não... – ela respondeu, fazendo uma careta. – Mas Quinn sabe.

Ela se levantou, caminhou até o balcão e falou com Quinn, que atendeu uma mesa e sentou ao meu lado.

– N'importe qui veulentde l'aideavec le français?

– Pelo amor de Deus, Quinn! Eu não sei falar francês e você começa a falar em francês comigo? Assim não ajuda muito.

– Me desculpe! No que posso ajudar?

– Menino.

– Sério? Eu achei que você estivesse no terceiro ano, Santana.

– Qual é? Eu nunca consegui aprender! Ninguém quis me ajudar.

– Está bem. – ela disse, suspirando. – Garçon.

– Só isso?

– O que mais queria?

Revirei meus olhos e anotei no caderno.

– Eu te amo.

– O que? – ela perguntou confusa.

– Como se diz “eu te amo” em francês?

– Ah! Je t’aime.

– Hum... Je t’aime também.

Ela ficou um pouco confusa, olhou para o meu caderno e deu um tapa em meu braço.

– Pare de graça e termine de estudar! – ela se levantou e olhou para mim. – E o certo seria Je t’aime trop.

– Obrigada.

Eu sorri, ela revirou os olhos e se virou. De repente Britt entrou apressada na lanchonete, com os olhos vermelhos e corada.

– Q-Quinn... – ela tentou dizer.

– Britt, você está bem? – Quinn perguntou. – Onde está Beth?

– E-eu... eu não sei...

– O que? – Quinn gritou, voltando a se sentar.

Comecei a afagar suas costas, tentando acalmá-la, Britt sentou de frente para ela e fechou os olhos.

– E-eu... nós estávamos na loja de fantasias, eu conversava com Carol. Beth havia dito algo sobre querer que Rachel passe batom nela. Eu só a perdi de vista por um segundo e...

– Brittany! Ela tem apenas seis anos! – Quinn gritou, assustando Britt e chamando a atenção de todos. – Como você deixa uma criança de seis anos sozinha?

– Seis anos e três meses... – Britt murmurou.

– Temos que achá-la!

Ela novamente se levantou, Britt e eu fizemos o mesmo, Rachel se aproximou e olhou para Britt.

– O que aconteceu?

– Beth sumiu. – Britt disse.

– O que? – Rachel gritou. – Britt, como você perde uma criança de seis anos?

Quinn e Rachel tiraram seus aventais, Quinn foi até Lucy e eu me aproximei da Britt.

– Não chore, nós vamos achar ela. – sussurrei.

– Elas estão certas... eu não deveria ter deixado ela sozinha.

– Britt, isso acontece, está bem?

Ela suspirou, eu lhe dei um rápido abraço, Quinn se aproximou de nós duas e olhou para Britt.

– Rachel e você a procurarão andando, eu estarei de carro.

– Está bem.

– Eu vou com você, Quinn. – eu disse, ela apenas foi até a porta, eu a segui.

***

O carro estava silencioso. Eu queria dizer algo para confortar Quinn, mas eu não sabia o que dizer.

– Droga, já está escurecendo... – ela murmurou.

– Nós vamos achar ela, Quinn.

– Brittany às vezes não ajuda muito.

– Quinn, não a culpe.

– Mas ela perdeu minha filha, Santana! – ela gritou.

– Olha, Beth tem seis anos, é normal crianças se afastarem e se perderem. Britt apenas estava conversando e, por um pequeno descuido que, qualquer um teria, Beth sumiu.

– Acha que ela está bem?

– Claro! Beth é esperta demais, pode se cuidar muito bem.

Quinn suspirou, olhei pela janela e senti o carro começar a parar, olhei para Quinn e a vi começar a chorar.

– Ela não devia ter vindo para cá... eu sou uma péssima mãe.

– Quinn...

– Meus pais vão dizer que eu não sirvo para isso! Imagine se ela... Oh, droga!

– Quinn, olhe para mim! – gritei, fazendo-a me encarar. – Você é uma ótima mãe, cuida muito bem da sua filha e de mais três mulheres. Beth te ama, eu te amo! Ela apenas se perdeu por algumas horas, está bem? Em alguns segundos acharemos ela, você vai castigá-la como qualquer mãe e, ainda assim, ela vai dizer que te ama. Agora pare de chorar, seja a Quinn forte que eu conheci e volte a dirigir este carro!

Ela secou algumas lágrimas, se aproximou de mim e me abraçou, logo suspirando.

– Obrigada, Sant.

– De nada. Agora vamos achar Beth.

Quinn ligou o carro, olhou em volta e soltou um pequeno gemido, segui seu olhar e suspirei, abrindo a porta do carro. Beth estava ao lado da Kimberly, ambas indo em direção à lanchonete.

– Beth Fabray! – Quinn gritou, o que fez Beth se esconder atrás da Kimberly. – Não adianta se esconder, mocinha!

Me aproximei das duas, Kimberly sorriu e Beth olhou para mim.

– Onde você estava, pequena? – perguntei.

– Eu queria que a tia Rae passasse batom em mim, e fui até a lanchonete.

– Ela acabou se perdendo e parou perto da minha casa. – Kimberly completou.

Quinn se aproximou, Beth abaixou a cabeça e se aproximou dela, logo recebendo um forte abraço da mãe.

– Por favor, nunca mais faça isso... – Quinn sussurrou. – Eu fiquei preocupada.

– Me desculpe, mamãe.

Olhei para Kimberly, ela sorriu e fomos em direção ao carro da Quinn.

– Sophia disse que você estava doente. – comentei.

– Sim, eu estava. Mas como já estou melhor, resolvi dar uma passada na lanchonete, então achei uma pequena perdida perto da minha casa.

Quinn colocou Beth na cadeirinha, nós três entramos no carro e voltamos à lanchonete, achando Britt sentada em uma mesa chorando.

– Tia Britt! – Beth gritou, ao entrar na lanchonete.

Britt sorriu, as duas se abraçaram e Britt voltou a chorar, de alívio.

– Onde está Rachel? – Quinn perguntou para Britt.

– Ela está andando por aí. – Britt respondeu, com a voz falha. – Disse que volta em dez minutos, para saber se vocês voltaram.

Quinn afirmou com a cabeça, me aproximei dela e lhe dei um empurrãozinho, recebendo um gemido de desgosto.

– Britt, me desculpe. Eu não devia ter gritado com você e, não devia ter lhe culpado.

– A culpa foi minha, Quinn...

– Não, a culpa não foi sua.

As duas se abraçaram, Rachel entrou na lanchonete e sorriu, se aproximando de mim.

– Nem quero saber onde acharam essa pestinha.

– Bom mesmo. – sussurrei em seu ouvido.

Ela me abraçou, beijei sua testa e suspirei.

– Quero ir para casa, mamãe. – Beth reclamou.

– Nós já vamos para casa. E você está, duas semanas de castigo.

– Mas mamãe...

– Quer três, Beth?

– Não...

– Que bom.

Nós rimos, Beth cruzou os braços e sentou à mesa onde estava minha mochila.