Neighboring
31 The Fight
Notas iniciais
Acordei com o barulho do meu despertador, o desliguei rapidamente e me sentei, olhando para a janela.
– Não demorem, ou se atrasarão! – ouvi Quinn gritar.
Eu sorri e me levantei. Era bom voltar ao que éramos antes. Tomei um banho rápido, coloquei um short rosa e uma camiseta preta, prendi meus cabelos em um rabo de cavalo e peguei minha mochila, indo para a cozinha.
– Buenos dias, madre.
– Buenos dias, Santana.
– Padre se ha ido ya?
– Si.
Peguei uma xícara de café, o bebi calmamente e ouvi tocarem a campainha. Minha mãe saiu da cozinha, peguei uma torrada e coloquei minha mochila nas costas.
– Santana! – ouvi minha mãe gritar. – Rachel estas aqui!
Fui até a porta, encontrei Rachel usando um vestido azul, que parava no meio de suas pernas, seus cabelos soltos com a franja tampando sua testa. Ela sorriu, eu fiz o mesmo e me aproximei mais.
– Buenos dias, Sant.
– Buenos dias.
– Quinn perguntou se você quer uma carona.
– Ah... eu não sei...
Ouvimos a buzina do carro da Quinn, eu sorri e dei um rápido beijo em minha mãe, em seguida seguindo Rachel. Quinn parou o carro em frente à escola de Beth, eu olhei para o espelho retrovisor e comecei a passar meu brilho, Rachel sorriu e beijou meu queixo, me fazendo olhar para ela.
– O que vai fazer depois da escola? – ela perguntou.
– Não sei. Ficar com a Britt, talvez. – respondi, voltando para o lugar.
– Você sabe que hoje é meu dia de ficar com você, certo?
– Eu sei, Rachel.
Quinn entrou no carro, ligou o carro e olhou para Rachel, um pouco confusa.
– O que? – Rachel perguntou.
– Você está vermelha.
– Ah... Eu...
– Deve ser o calor. – comentei.
– Sim... o calor...
Eu sorri, Quinn olhou para mim confusa e parou o carro.
– Estarei aqui no final da aula.
– Está bem. Amo vocês.
– Também amamos você. – Rachel respondeu.
Saí do carro, fui até Marley que conversava com uma garota e sorri.
– Bom dia, Marley.
– Bom dia, Santana. – a garota acenou para nós duas e se afastou. – Soube que você está namorando.
– Como...
– Minha prima me contou.
– Marley...
– Ela disse que conhece uma das suas namoradas.
Olhei em volta e vi Katie conversando com Rachel, Marley seguiu meu olhar e soltou uma pequena risada.
– Não me diga que...
– Não! Minha prima disse que conhece uma loira de olhos azuis. Seu nome é Caroline.
– Oh! Você é prima da Carol?
– Sim. Ela ligou para sua namorada ontem à noite, ela contou para Carol, que me contou.
– As notícias correm rápido, não?
Ela sorriu e eu olhei para Katie novamente, que se despedia da Rachel, enquanto o carro se afastava. Nós entramos, parei em frente ao meu armário e peguei o livro da primeira aula.
– Soube que você está namorando três mulheres, Santana. – ouvi Katie dizer, em alto e bom tom para que todos ouvissem.
– Sim, eu estou. – respondi firme. – Qual é o problema?
– Rachel não gosta de você. Ela está namorando você porque tem pena de você.
– Isso não é verdade.
– Não ouça ela, Santana. – Marley disse, segurando meu braço.
– Acha que, se ela gostasse mesmo de você, não teria lutado para ter apenas você, para que não fosse dividida com mais duas mulheres? – Katie perguntou, se aproximando de mim.
O corredor começou a ficar cheio, todos olhavam para nós duas.
– Eu dou atenção igualada para as três, amo as três e elas me amam.
– Santana... – Marley chamou.
– Atenção igualada? Então por que Rachel havia me dito um dia que você não dava muita atenção à ela? Ou será que eu ouvi errado? Tenho certeza que foi o que ela me disse...
Deixei o livro cair no chão, tirei minha mochila das minhas costas e senti Marley segurar mais firme o meu braço.
– Você não tem o direito de falar sobre minha relação... – murmurei.
– Mas não foi eu que disse isso, Santaninha... Rachel veio me procurar, querendo desabafar e...
– Você a beijou... – completei. – Sua vadia! Você a beijou!
– Sim, eu a beijei. – ela concordou com um sorriso. – Mas tecnicamente ela ainda não era sua namorada, e ela beijou de volta.
– Mentirosa! Rachel disse que não fez isso! – gritei, tentando avançar nela, mas não conseguia por causa da Marley.
– Claro que ela disse isso. Acha mesmo que ela diria a verdade para você? Como você é inocente, Santana...
– Sua...
– Cuidado com as palavras, Santana. Às vezes elas podem machucar, sabe?
Fechei minhas mãos com bastante força e lhe dei um soco no nariz, fazendo-a cair no chão. Me sentei em cima da sua cintura e lhe mais alguns socos.
– Fique longe da minha namorada, vadia! – gritei.
Senti alguém me puxar, tentei me soltar, mas não consegui.
– Katie Backer e Santana Lopez, na minha sala, agora! – ouvi a diretora gritar.
Dois garotos ajudaram Katie a se levantar, ela seguiu a diretora e senti me soltarem, me virei rapidamente e vi Sophia me olhar preocupada.
– Você ficou louca, Santana? Não devia ter batido na Katie desse jeito.
– Mas ela começou e...
– Rachel não beijou Katie de volta.
– C-como...
– Eu vi Katie beijando Rachel, ela se afastou e pediu para que Katie não fizesse aquilo novamente, ou ela teria que terminar com a amizade.
Todos ainda olhavam para mim, revirei meus olhos e saí de perto de todos, sendo seguida por olhares. Assim que entrei na sala, vi Katie sentada em uma cadeira com uma bolsa de gelo no nariz.
– Sente-se, Santana. – ouvi a diretora dizer.
Me sentei em uma cadeira ao lado da Katie, a diretora sentou em nossa frente e nos encarou.
– Ela começou. – Katie disse, me fazendo olhá-la incrédula.
– O que? Está brincando comigo? Ela que começou e...
– Não quero saber quem começou! Eu ligarei para seus responsáveis e...
– Não precisa ligar para minha mãe, posso responder aos meus atos. – Katie disse.
– N-não ligue para minha mãe... ela está trabalhando e...
– Teremos que chamar um responsável, Santana.
– Ligue para minha vizinha, ela saberá o que fazer.
Ela afirmou, lhe dei o número e ela ligou, assim que terminou a ligação, olhou para mim.
– Ela disse que não saberia o que fazer, então ligará para outra mulher que poderá ajudar.
Eu abaixei minha cabeça e me amaldiçoei por dentro. Com certeza Britt ligaria para Quinn, e essa me mataria ao souber do ocorrido.
***
Eu ouvi passos do lado de fora, passos esses que pareciam apressados. Fechei meus olhos e respirei fundo, me preparando para o furacão Quinn. Alguém abriu a porta da sala, percebi um sorriso no rosto da Katie, mordi meu lábio inferior e suspirei.
– Rachel não... por favor... – sussurrei para mim mesma.
Levantei meu rosto e vi Rachel e Quinn olhando para nós duas. Bufei, a diretora se levantou e elas se apresentaram, apenas como minhas vizinhas e amigas da família.
– Bem, temos um problema à resolver. – a diretora disse.
– Sim, e qual seria esse? – Quinn perguntou, olhando para mim, em seguida para Katie, e voltando para a diretora.
– Santana bateu em Katie.
– Oh, meu Deus! – Rachel exclamou. – Você está bem, Katie?
Rachel se aproximou de Katie e começou a analisar seu nariz, eu revirei meus olhos ao ver o sorriso da Katie, olhei para Quinn e me encolhi, ao ver seu olhar mortal.
– Tenho certeza que Santana teve motivo para isso. – Quinn respondeu.
– Eu sei, mas escola não é um lugar para brigas, e Santana quase quebrou o nariz da Katie.
– Eu entendo isso, e Santana também, certo Santana?
– Certo. – murmurei.
– Eu conversarei com ela depois.
– Sim, mas Santana sofrerá uma punição por isso.
– E qual seria?
– Uma semana de suspensão.
– Uma semana? – gritei.
– Santana! – Quinn me repreendeu. – Nós entendemos, senhora Kung.
Abaixei minha cabeça, olhei pelo canto do olho para Rachel, que cuidava de Katie, suspirei e me levantei.
– Podemos ir? – perguntei.
– Sim, já pode ir. E... Santana, tente não bater em alguém dentro da escola novamente. – a diretora disse, apenas respondi com um suspiro.
Me aproximei da porta e a abri, sendo seguida por Katie, Rachel e Quinn. Fomos até a entrada da escola, me aproximei do carro da Quinn e entrei, me sentando no banco de trás, Quinn entrou em seguida e olhou para fora, eu segui seu olhar e vi Rachel consolando Katie. Segundos depois Rachel entrou no carro, acenou para Katie e sorriu.
– Quer ir para casa, ou vai ficar na lanchonete? – Quinn perguntou.
Eu não respondi, apenas olhei para fora, vendo as casas passarem rapidamente.
– É melhor irmos para a lanchonete, depois você vai direto para a faculdade. – Rachel respondeu.
***
Entrei na lanchonete, me sentei em uma mesa distante e murmurei, vi Lucy se aproximar, logo sentando ao meu lado.
– O que está fazendo aqui? Devia estar na escola.
– Eu fui suspensa.
– Por quê?
– Por ter batido em Katie. – Rachel respondeu, colocando seu avental.
– Ela está bem?
– Está sim. Seu nariz ficou inchado, mas logo ela ficará melhor.
– Eu devia ter quebrado ele. – resmunguei.
– Fique calada, senhorita vale tudo. – Lucy disse, me fazendo sorrir. – Já que está suspensa por...
– Uma semana.
– Uma semana? E não quebrou o nariz dela?
– Lucy! – Rachel a repreendeu.
– Certo. Já que você está suspensa e, tenho certeza que não quer que seus pais descubram, vou lhe dar um meio emprego.
– Como assim?
– Você ficará limpando as mesas e o balcão durante essa semana, e ajudará se alguém precisar. Será como um castigo pelo que fez.
– Está bem.
Ela se levantou, eu me levantei em seguida e peguei o avental que ela me estendeu, Rachel se aproximou, parou atrás de mim e começou a amarrar o avental.
– Por que você fez aquilo? – ela sussurrou em meu ouvido.
– Isso não te interessa. – respondi, me afastando e terminando de amarrar.
– Sério? Você é minha namorada e Katie é minha amiga. Qual a coincidência de você bater nela e começar a me ignorar?
– Parece que Katie é sua namorada e eu sou uma nada.
– Santana, vai começar com isso? – peguei um pano e comecei a limpar o balcão, ignorando-a. – Escuta, eu sou SUA namorada, não da Katie.
– Então, por que você foi consolar ela, ao invés de ficar ao meu lado?
– Você quase quebrou o nariz dela, Santana!
– Eu devia ter quebrado o pescoço dela.
– Santana!
Me virei de frente para ela, respirei fundo e segurei suas mãos.
– Olha, eu não quero discutir com você por uma coisa que Katie fez, então...
– Foi por causa do beijo? – ela finalmente perguntou.
– Bem... também.
– Eu já disse... eu não a beijei de volta.
– Eu acredito em você, mas... Katie disse coisas que eu não gostei e...
– Não escute ela, escute à mim. Eu sou sua namorada, e não ela.
– Eu sei...
– Não quero que briguemos à toa.
– Eu também não. Me desculpe.
– Na verdade, você deve isso à Katie.
– O que? Nem morta eu vou pedir desculpas à ela.
– As duas vão.
– Ótimo! Assim ela consegue o que quer novamente.
– Santana...
– Eu vou pensar nisso.
Ela sorriu, me deu um rápido selinho e foi atender a primeira mesa.
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