Notas iniciais
Boa tarde, gatinhas!

Acordei um pouco tarde, eram 10 ou 11 da manhã, tomei um banho e coloquei roupas leves. Fui até a cozinha e comi cereal, fui para a sala e me sentei no sofá. O dia parecia normal e calmo, até eu ouvir alguém bater na porta, me levantei com um pouco de preguiça e a abri.

– Buenos dias, hermosa.

– Buenos dias, Rachel.

– Acordou agora? Porque você não apareceu, então achei que teria acordado tarde.

– Sim, eu acordei agora.

– Já comeu alguma coisa? Ainda tem biscoitos em casa, se você quiser.

– Eu já comi sim e, na verdade, eu quero ficar sozinha.

– Eu te fiz algo? Se for, me diga, posso concertar.

– Não é você, são vocês. – ela me olhou confusa, eu suspirei. – Vocês são três, eu sou apenas uma.

– Você quer um pouco de espaço?

– Por hoje sim.

– Está bem. Se você precisar...

– Eu sei. Obrigada, Rae.

Ela sorriu, lhe dei um selinho e fechei a porta. Ao me sentar novamente no sofá, liguei a televisão e suspirei. Eu gostava do silêncio, talvez gostasse mais ainda naquele momento, por ouvir as meninas gritarem o dia todo, mas ainda gosto de ouvir suas vozes. Me levantei novamente, prendi meus cabelos em um coque mal feito, peguei meus óculos escuros e minha bicicleta. Ao entrar na lanchonete, vi Quinn conversando com Lucy, me aproximei do balcão e sorri.

– Não sabia que começou a trabalhar aqui, Quinn.

– Sim, comecei ontem. Como eu consegui bolsa na faculdade, só precisei do emprego para me manter viva. – ela respondeu.

– E por que não me disse isso ontem?

– Se não percebeu, não conversamos muito ontem à noite.

Eu sorri, peguei o cardápio e Quinn pegou um pano, começando a limpar o balcão.

– Bom dia, Santana. – ouvi Sophia dizer, atrás de mim.

– Bom dia Sophia. – respondi, me virando. – Kimberly veio hoje?

– Não, ela está doente.

– Hum... melhoras para ela.

Me virei novamente para Quinn, olhei o cardápio e sorri.

– Você a conhece? – ouvi Quinn perguntar.

– O que? Sophia?

– Sim.

– Eu a conheço desde que entrei no colegial, estudamos juntas.

– Achei que você não tivesse amigas. – ela resmungou.

– Sophia não é minha amiga, apenas uma conhecida.

– Não foi o que pareceu.

Ela se virou, eu a olhei confusa, Lucy se aproximou e pegou o cardápio da minha mão.

– Vai pedir logo, ou vai continuar enrolando?

– Eu quero ser atendida pela Quinn, você se importa?

– Não. Assim ela conhece as clientes mais antigas.

Lucy se afastou, disse algo para Quinn, que olhou para mim e revirou os olhos. Assim que ela se aproximou, pegou o bloquinho de anotação e suspirou.

– O que vai querer?

– O de sempre.

Ela olhou para mim, elevou sua sobrancelha direita e se apoiou no balcão.

– E o que seria “o de sempre”?

– Panquecas com mel e milk shake de chocolate.

– Está falando sério?

– Sim, por quê?

– Desde quando você come panqueca aqui?

– Desde sempre?

Quinn se virou, pegou um papelzinho pendurado em um mural e voltou a olhar para mim.

– Aqui diz “Santana Lopez: Torta de limão e milk shake de chocolate.”.

– Ok. Mas eu gosto de mudar às vezes.

– Então diz que vai mudar, ao invés de mentir.

– Qual é o problema, Quinn?

– Nenhum.

Ela colocou o papelzinho no mural, anotou o meu pedido e se afastou, falando algo para Lucy. Eu a observei por um tempo, ela atendia todos com um lindo sorriso, sempre olhava para mim pelo canto dos olhos e tentava disfarçar, quando percebia que eu a olhava.

– Seu pedido, Santana. – ouvi Lucy dizer.

– Lucy, posso fazer uma pergunta?

– Se não for “posso fazer uma pergunta?”...

– Como Quinn veio trabalhar aqui?

– Eu ofereci o emprego. Ela entrou aqui e parecia triste, me lembrei de tê-la visto com você outro dia, então resolvi falar com ela. Quinn me disse que estava atrás de um emprego, mas não conseguiu, nós estávamos precisando de uma garçonete, então ofereci.

– Que horas acaba o turno dela?

– Seis horas, mas ontem ela quis ficar mais um pouco.

– Por quê?

– Não sei. Ela disse algo sobre morar com mais duas mulheres, e não quis voltar antes.

Novamente olhei para Quinn, ela estava conversando com um dos clientes. Terminei de comer, deixei o dinheiro em cima do balcão e me aproximei da Quinn.

– Posso conversar com você?

– Estou trabalhando. – ela respondeu, sem olhar para mim.

– Por favor.

Quinn olhou para mim, segurou minha mão e me puxou para perto dos banheiros.

– O que quer?

– O que houve? Você estava feliz quando eu entrei aqui, e de repente fica séria comigo.

– Estou tentando ser profissional.

– Quinn...

– Achei que você estaria com as meninas.

– Eu precisei ficar sozinha.

– Então vá ficar sozinha.

Ela se virou, mas eu segurei seu braço, nos entreolhamos e Lucy a chamou.

– Eu quero conversar com você depois. – eu disse.

– Está bem.

Eu passei por ela, peguei minha bicicleta e fui para casa.

***

Assim que escureceu, vi o carro da Quinn chegar, já passava das oito da noite. Desci as escadas rapidamente, corri até seu carro e entrei, assustando-a.

– Por que só chegou agora? – perguntei.

– Isso te importa?

– Sim. O que diabos aconteceu naquela lanchonete?

– Não sei do que você está falando.

– Você sabe sim. Aquilo foi por quê? Porque eu troquei mínimas palavras com a Sophia?

– Não.

– Haja como adulta, Quinn! Fale a verdade.

– Está bem! Eu estava com ciúmes! Era o que você queria ouvir? – ela gritou.

Quinn saiu do carro, eu fiz o mesmo e a segui para dentro.

– Eu só perguntei se Kimberly tinha ido! – gritei de volta, fechando a porta atrás de mim.

Britt olhou para nós duas, Rachel apareceu na porta da cozinha e Quinn apenas seguiu para o seu quarto.

– Quanta afinidade! – ela gritou.

– Pare de drama, Quinn!

Ela se virou, parando na porta, me encarou fixamente que, se fosse à uma semana antes, eu teria ficado com medo daquele olhar.

– Você não queria espaço?

– Quinn.

– Vá ter seu espaço!

Quinn fechou a porta, eu corri até a porta do seu quarto e bati algumas vezes.

– Abra, Quinn! Por favor... Eu não vou gritar mais...

– Esquece, Santana. – ouvi Rachel dizer. – Depois que ela se tranca no quarto, não sai mais.

– Quinn... – choraminguei. – Por favor...

– Vai jantar conosco? – Rachel perguntou.

Afirmei com a cabeça, me encostei na porta e suspirei.

– Lhe dou um beijo se você abrir a porta.

– Não, Santana. – Quinn disse.

– Você é uma pessoa má!

– E você está agindo como uma garotinha de 17 anos.

– Mas eu tenho 17 anos, Quinn!

Ouvi sua risada, eu sorri e ouvi o barulho da porta sendo destrancada. A abri rapidamente, olhei para Quinn, que tirava sua camiseta, me virei de costas e suspirei.

– Isso é maldade.

– O que?

– Você tirar a roupa na minha frente.

– Por quê? Acha que não vai resistir?

Novamente a ouvi rir, mordi meu lábio inferior e me virei lentamente, a encontrando de roupa trocada.

– Estava mesmo com ciúmes?

– Eu sei, foi infantil da minha parte. Mas você viu como aquela garota olhava para você?

– Sophia não gosta de mim como você e as meninas gostam.

– Como você pode ter tanta certeza?

– Kimberly é sua namorada.

Quinn me olhou surpresa, eu sorri e me aproximei mais.

– E-eu achei que...

– Achou que, por eu ter me apaixonado por três mulheres ao mesmo tempo, me apaixonaria por mais uma garota?

– Bem... Sophia é bonita e...

– Você a acha bonita?

– Sim, quero dizer, um pouco.

– Um pouco?

– Ela é bonita sim, mas não tanto quanto você.

Eu sorri, Quinn segurou minhas mãos e me deu um beijo na porta do nariz.

– Eu sou bonita?

– Você é linda, Santana.

– Obrigada...

– O jantar está pronto. – Rachel disse da porta.

– Agora vamos comer, agir como se nada tivesse acontecido e dormir.

– Dormir? – perguntei, sorrindo.

– Cada uma em sua cama.

Soltei uma pequena risada e fomos para a sala de jantar.

Notas finais
Beijos, fofas!