Neighboring
13 Talk
Notas iniciais
Acordei um pouco tarde, eram 10 ou 11 da manhã, tomei um banho e coloquei roupas leves. Fui até a cozinha e comi cereal, fui para a sala e me sentei no sofá. O dia parecia normal e calmo, até eu ouvir alguém bater na porta, me levantei com um pouco de preguiça e a abri.
– Buenos dias, hermosa.
– Buenos dias, Rachel.
– Acordou agora? Porque você não apareceu, então achei que teria acordado tarde.
– Sim, eu acordei agora.
– Já comeu alguma coisa? Ainda tem biscoitos em casa, se você quiser.
– Eu já comi sim e, na verdade, eu quero ficar sozinha.
– Eu te fiz algo? Se for, me diga, posso concertar.
– Não é você, são vocês. – ela me olhou confusa, eu suspirei. – Vocês são três, eu sou apenas uma.
– Você quer um pouco de espaço?
– Por hoje sim.
– Está bem. Se você precisar...
– Eu sei. Obrigada, Rae.
Ela sorriu, lhe dei um selinho e fechei a porta. Ao me sentar novamente no sofá, liguei a televisão e suspirei. Eu gostava do silêncio, talvez gostasse mais ainda naquele momento, por ouvir as meninas gritarem o dia todo, mas ainda gosto de ouvir suas vozes. Me levantei novamente, prendi meus cabelos em um coque mal feito, peguei meus óculos escuros e minha bicicleta. Ao entrar na lanchonete, vi Quinn conversando com Lucy, me aproximei do balcão e sorri.
– Não sabia que começou a trabalhar aqui, Quinn.
– Sim, comecei ontem. Como eu consegui bolsa na faculdade, só precisei do emprego para me manter viva. – ela respondeu.
– E por que não me disse isso ontem?
– Se não percebeu, não conversamos muito ontem à noite.
Eu sorri, peguei o cardápio e Quinn pegou um pano, começando a limpar o balcão.
– Bom dia, Santana. – ouvi Sophia dizer, atrás de mim.
– Bom dia Sophia. – respondi, me virando. – Kimberly veio hoje?
– Não, ela está doente.
– Hum... melhoras para ela.
Me virei novamente para Quinn, olhei o cardápio e sorri.
– Você a conhece? – ouvi Quinn perguntar.
– O que? Sophia?
– Sim.
– Eu a conheço desde que entrei no colegial, estudamos juntas.
– Achei que você não tivesse amigas. – ela resmungou.
– Sophia não é minha amiga, apenas uma conhecida.
– Não foi o que pareceu.
Ela se virou, eu a olhei confusa, Lucy se aproximou e pegou o cardápio da minha mão.
– Vai pedir logo, ou vai continuar enrolando?
– Eu quero ser atendida pela Quinn, você se importa?
– Não. Assim ela conhece as clientes mais antigas.
Lucy se afastou, disse algo para Quinn, que olhou para mim e revirou os olhos. Assim que ela se aproximou, pegou o bloquinho de anotação e suspirou.
– O que vai querer?
– O de sempre.
Ela olhou para mim, elevou sua sobrancelha direita e se apoiou no balcão.
– E o que seria “o de sempre”?
– Panquecas com mel e milk shake de chocolate.
– Está falando sério?
– Sim, por quê?
– Desde quando você come panqueca aqui?
– Desde sempre?
Quinn se virou, pegou um papelzinho pendurado em um mural e voltou a olhar para mim.
– Aqui diz “Santana Lopez: Torta de limão e milk shake de chocolate.”.
– Ok. Mas eu gosto de mudar às vezes.
– Então diz que vai mudar, ao invés de mentir.
– Qual é o problema, Quinn?
– Nenhum.
Ela colocou o papelzinho no mural, anotou o meu pedido e se afastou, falando algo para Lucy. Eu a observei por um tempo, ela atendia todos com um lindo sorriso, sempre olhava para mim pelo canto dos olhos e tentava disfarçar, quando percebia que eu a olhava.
– Seu pedido, Santana. – ouvi Lucy dizer.
– Lucy, posso fazer uma pergunta?
– Se não for “posso fazer uma pergunta?”...
– Como Quinn veio trabalhar aqui?
– Eu ofereci o emprego. Ela entrou aqui e parecia triste, me lembrei de tê-la visto com você outro dia, então resolvi falar com ela. Quinn me disse que estava atrás de um emprego, mas não conseguiu, nós estávamos precisando de uma garçonete, então ofereci.
– Que horas acaba o turno dela?
– Seis horas, mas ontem ela quis ficar mais um pouco.
– Por quê?
– Não sei. Ela disse algo sobre morar com mais duas mulheres, e não quis voltar antes.
Novamente olhei para Quinn, ela estava conversando com um dos clientes. Terminei de comer, deixei o dinheiro em cima do balcão e me aproximei da Quinn.
– Posso conversar com você?
– Estou trabalhando. – ela respondeu, sem olhar para mim.
– Por favor.
Quinn olhou para mim, segurou minha mão e me puxou para perto dos banheiros.
– O que quer?
– O que houve? Você estava feliz quando eu entrei aqui, e de repente fica séria comigo.
– Estou tentando ser profissional.
– Quinn...
– Achei que você estaria com as meninas.
– Eu precisei ficar sozinha.
– Então vá ficar sozinha.
Ela se virou, mas eu segurei seu braço, nos entreolhamos e Lucy a chamou.
– Eu quero conversar com você depois. – eu disse.
– Está bem.
Eu passei por ela, peguei minha bicicleta e fui para casa.
***
Assim que escureceu, vi o carro da Quinn chegar, já passava das oito da noite. Desci as escadas rapidamente, corri até seu carro e entrei, assustando-a.
– Por que só chegou agora? – perguntei.
– Isso te importa?
– Sim. O que diabos aconteceu naquela lanchonete?
– Não sei do que você está falando.
– Você sabe sim. Aquilo foi por quê? Porque eu troquei mínimas palavras com a Sophia?
– Não.
– Haja como adulta, Quinn! Fale a verdade.
– Está bem! Eu estava com ciúmes! Era o que você queria ouvir? – ela gritou.
Quinn saiu do carro, eu fiz o mesmo e a segui para dentro.
– Eu só perguntei se Kimberly tinha ido! – gritei de volta, fechando a porta atrás de mim.
Britt olhou para nós duas, Rachel apareceu na porta da cozinha e Quinn apenas seguiu para o seu quarto.
– Quanta afinidade! – ela gritou.
– Pare de drama, Quinn!
Ela se virou, parando na porta, me encarou fixamente que, se fosse à uma semana antes, eu teria ficado com medo daquele olhar.
– Você não queria espaço?
– Quinn.
– Vá ter seu espaço!
Quinn fechou a porta, eu corri até a porta do seu quarto e bati algumas vezes.
– Abra, Quinn! Por favor... Eu não vou gritar mais...
– Esquece, Santana. – ouvi Rachel dizer. – Depois que ela se tranca no quarto, não sai mais.
– Quinn... – choraminguei. – Por favor...
– Vai jantar conosco? – Rachel perguntou.
Afirmei com a cabeça, me encostei na porta e suspirei.
– Lhe dou um beijo se você abrir a porta.
– Não, Santana. – Quinn disse.
– Você é uma pessoa má!
– E você está agindo como uma garotinha de 17 anos.
– Mas eu tenho 17 anos, Quinn!
Ouvi sua risada, eu sorri e ouvi o barulho da porta sendo destrancada. A abri rapidamente, olhei para Quinn, que tirava sua camiseta, me virei de costas e suspirei.
– Isso é maldade.
– O que?
– Você tirar a roupa na minha frente.
– Por quê? Acha que não vai resistir?
Novamente a ouvi rir, mordi meu lábio inferior e me virei lentamente, a encontrando de roupa trocada.
– Estava mesmo com ciúmes?
– Eu sei, foi infantil da minha parte. Mas você viu como aquela garota olhava para você?
– Sophia não gosta de mim como você e as meninas gostam.
– Como você pode ter tanta certeza?
– Kimberly é sua namorada.
Quinn me olhou surpresa, eu sorri e me aproximei mais.
– E-eu achei que...
– Achou que, por eu ter me apaixonado por três mulheres ao mesmo tempo, me apaixonaria por mais uma garota?
– Bem... Sophia é bonita e...
– Você a acha bonita?
– Sim, quero dizer, um pouco.
– Um pouco?
– Ela é bonita sim, mas não tanto quanto você.
Eu sorri, Quinn segurou minhas mãos e me deu um beijo na porta do nariz.
– Eu sou bonita?
– Você é linda, Santana.
– Obrigada...
– O jantar está pronto. – Rachel disse da porta.
– Agora vamos comer, agir como se nada tivesse acontecido e dormir.
– Dormir? – perguntei, sorrindo.
– Cada uma em sua cama.
Soltei uma pequena risada e fomos para a sala de jantar.
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