Neighboring
35 Sunday
Notas iniciais
Entrei na cozinha com um grande sorriso, dei um rápido beijo na bochecha da minha mãe, assustando-a e me sentei à mesa.
– Buenos dias, Santana. Achei que ficaria mais um pouco com as meninas.
– Eu quero passar um tempo com mi madre. Como você está? O que fez de bom até agora? O que tem para comer?
– Vá com calma, hija. – ela disse, sentando à mesa, de frente para mim. – O que você comeu, para estar com esse pique todo?
– Panquecas da Quinn. Elas são tão deliciosas! Tenho certeza que elas têm um ingrediente que Quinn não diz.
– Santana.
– Hum?
– Você fez sexo?
– O que? – gritei. – D-de onde tirou isso, madre?
– Do seu sorriso bobo, ao qual aparecem suas covinhas, por você falar sem parar, por ter dormido na casa das meninas à noite e por fim, e muito importante, seu grito agudo durante à noite que, eu nunca imaginei querer ouvir.
Abaixei minha cabeça corando, ela riu e segurou minhas mãos por cima da mesa.
– Não foi muito planejado na hora. – sussurrei.
– E com quem foi?
– Britt...
– Você gostou?
– Sim. Foi perfeito...
Ela sorriu, acariciou meu rosto e se levantou.
– Hoje você está livre, certo?
– Sim.
– Então está livre por mim também.
– Mas madre, eu quero ficar com você.
– Eu só vou fazer um bolo, depois tricotar enquanto assistir televisão. Vá se divertir com suas amigas, ou até mesmo com as meninas.
– Obrigada, madre.
Lhe dei um beijo na bochecha, fui até meu quarto e peguei um boné preto, pois o sol estava forte.
***
Passei em frente ao parque, vi Quinn sentada com Beth em cima de uma toalha de mesa verde, que estava estendida em cima da grama, me aproximei rapidamente, elas sorriram, me sentei ao lado da Quinn e suspirei.
– Achei que você ficaria com sua mãe. – Quinn disse.
– Ela me dispensou. – respondi, dando de ombros.
– Mamãe, posso brincar nos brinquedos? – Beth perguntou.
– Sim, mas não fique muito longe.
Beth se levantou rapidamente e foi brincar com as outras crianças, Quinn olhou para mim e sorriu.
– O que foi?
– Já disseram que você fica linda de boné?
– Não, mas eu ficaria feliz se você dissesse.
– Você... – ela se aproximou. – fica... – deu um beijo em minha bochecha. – linda... – outro beijo na ponta do meu nariz. – de... – um selinho. – boné.
– Acho que vou passar a usar boné todos os dias. – respondi com um sorriso.
Nos beijamos, Quinn me deitou na toalha e se afastou, pouco o bastante para eu conseguir ver seus olhos.
– Estou imaginando você, neste momento usando apenas uma calcinha. – ela sussurrou.
– E qual seria a cor dessa calcinha?
– Hum... Verde.
– Não é minha cor preferida, mas...
– Não gosta de verde?
– Hum...
– Então acho que você não poderá mais olhar em meus olhos. – ela disse, fechando seus olhos.
– Estou brincando, Q!
Lhe dei um selinho, ela abriu os olhos e sorriu, voltando a me beijar.
– Vocês não respeitam as crianças! – ouvimos uma mulher gritar.
Quinn parou de me beijar, sorriu e se virou para as crianças.
– Devíamos esperar chegarmos em casa.
– Hum... Sobre o que você está falando?
– Quinn, não pense besteira.
– Eu não pensei besteira, apenas perguntei.
Eu sorri, olhei para Beth e em seguida para Quinn.
– Ela se parece muito com você.
– Sim, isso é bom.
– Mas o sorriso dela não é igual.
– Eu sei. O sorriso é do pai.
– Ela o vê? – perguntei, voltando a olhar para Beth, que subia no escorregador.
– Não. Ele quis assim, então apenas sumiu.
– Então cuidou dela por seis anos, sozinha?
– Não. Tive ajuda dos meus pais, da Rachel e da Britt. As duas sempre me ajudaram com tudo, sabe? Quando eu tinha que sair para algo sério e não podia levar Beth, Rachel e Britt cuidavam dela.
– Sozinhas?
– Sim.
– E quando você chegava, não achava ninguém com olho roxo?
Ela riu, se deitou ao meu lado e olhou para mim.
– Eu passei por fases difíceis, assim como você. Meus pais não queriam aceitar minha opção sexual, então para ver eles felizes, comecei a namorar um garoto, mesmo não gostando dele. Uma noite, fomos à uma festa, bebemos demais e acabamos transando.
– Beth.
– Sim. Eu fiquei assustada no início, meus pais disseram que essa notícia era pior do que descobrirem que sou lésbica, porque eu ainda era uma criança, embora já tivesse 16 anos. À partir daquele momento eles me aceitaram, mesmo relutando, e me ajudaram com Beth.
Me virei de frente para ela, Quinn fez o mesmo e sorriu, acariciei seu rosto, me aproximei e lhe dei um selinho.
– Agora, além de Rachel e Britt, você tem a mim, para ajudar a cuidar da Beth.
– Obrigada, Sant.
Novamente sorri, coloquei minha mão em sua cintura e me aproximei mais.
– Quer ir para casa? – perguntei.
– Ainda não. Se eu tirar Beth e Polar de lá agora, ela vai começar a chorar e, acredite, Beth não é uma gracinha quando está chorando.
Lhe dei mais um selinho, fechei meus olhos e senti-la acariciar meus cabelos.
– É bom estar assim. – sussurrei.
– Também acho.
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