Neighboring
1 New Girls
Notas iniciais
Acordei com o barulho vindo da rua, abri meus olhos e a luz do sol bateu em meus olhos. Novamente ouvi o barulho, me descobri e me sentei.
– Tome cuidado com isso! – ouvi uma voz fina e um tanto irritante gritar.
Me levantei, desci as escadas e vi minha mãe na cozinha.
– Buenos días, madre.
– Buenos días, Santana.
Ela me deu um beijo na testa, me sentei à mesa e olhei para o que ela fazia.
– Bolo? – perguntei.
– Sim.
– E eu posso...
– Não. Esse bolo é para as novas vizinhas.
– Vizinhas?
– Sim. Pelas informações, são três mulheres.
Nesse sentido quer dizer que, pelas fofocas que andaram dizendo à ela, são três solteiras que farão festas todos os finais de semana.
– Mas posso pegar um pedaço?
– Não, Santana.
– Madre...
– Hija...
– Só um pedacinho?
– Eu já disse que não. Pare de ser uma menina mal educada, vá tomar banho e leve esse bolo até elas, como boas vindas.
– Eu?
– Sim.
– Mas você que está fazendo o bolo.
– Sem discussões, Santana.
Bufei e me levantei, tomei banho e coloquei uma regata roxa, uma saia jeans um pouco curta e um tênis preto, prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, desci até a cozinha e minha mãe sorriu.
– Ótimo. O bolo está pronto, você está pronta, agora é só ir até lá e entregar.
– Você ao menos sabe o nome das mulheres que morar lá? – perguntei, enquanto pegava o bolo.
– Tem a ver com rainha...
– Rainha? Fala sério!
Eu ri, fui até a porta e a abri com um pouco de dificuldade, olhei para a casa ao lado e vi um grande caminhão de mudança, dois homens carregavam uma estante que parecia ser leve.
– Isso é da Quinn, não deixem cair, ou ela me mata. – a mesma voz de antes disse.
Logo entendi porque minha mãe disse que uma delas tinha algo a ver com rainha. Me aproximei da casa, vi uma mulher de cabelos castanhos usando um short rosa e uma regata azul, seus cabelos estavam presos em um coque mal feito. Ela me viu, fez uma expressão de curiosa e eu me aproximei mais.
– Buenos días, señorita.
– Oh... que fofa. Buenos días, hermosa chica.
– Mi madre envió este pastel en forma de bienvenida.
– Ok, isso foi realmente fofo, mas eu não sei nada mais em espanhol.
Eu sorri, ela fez o mesmo e olhou para o bolo.
– Minha mãe mandou esse bolo em forma de boas vindas. – repeti.
– Eu agradeço, mas Britt vai surtar. Ela está em uma dieta nova, que corta qualquer tipo de comida que contém calorias, sabe? Eu digo à ela que isso não é necessário, mas como ela adora dançar, acha que deve ter um peso bom e um corpo impecável. Ao menos ela não fica vomitando, e não para de comer, porque eu ficaria preocupada com ela. Britt sabe cuidar do corpo e...
– Rachel, pare de falar e venha aqui! – ouvimos alguém gritar de dentro da casa.
– Estou indo! – ela gritou de volta. – Qual seu nome, chica?
– Santana.
– Prazer em conhecê-la, Santana. Me chamo Rachel Berry. Guarde esse nome, para quando eu me tornar famosa, me procurar e dizer que já foi minha vizinha.
– Então acho que eu devia dizer, guarde meu nome, para quando você se tornar famosa e eu ir atrás de você nos seus espetáculos, você lembrar que já teve uma vizinha chamada Santana.
Ela riu e se virou. Sua risada era contagiante, mesmo sendo um pouco escandalosa.
– Gostei de você, Santana.
Assim que ela entrou, fiquei olhando em volta com o bolo nas mãos. Um homem passou por mim carregando uma caixa um pouco grande, ele entrou e vi uma mulher loira, alta e magra, dos olhos azuis, sair da casa.
– Não me diga que isso é um bolo! – ela gritou.
– Hum... Isso não é um bolo.
– Você quase me enganou, mas eu ainda sei o que é um bolo, que por sinal, esse parece ser bem gostoso.
Eu sorri, ela se aproximou mais e lambeu seus lábios.
– Minha mãe mandou de boas vindas.
– Sim, Rachel me disse.
– Brittany S. Pierce, venha até aqui, AGORA!
– Oh! Acho que vou morrer hoje. – ela disse correndo para dentro.
Novamente eu fiquei sozinha do lado de fora, três homens passaram carregando um piano, eles se enrolaram para passar pela porta, o que me fez rir.
– Hey, você! – ouvi alguém gritar da porta.
– E-eu? – perguntei.
– Sim, você. Venha até aqui.
Me aproximei, a terceira mulher também era loira, mas seus olhos eram verdes, seus cabelos não eram longos como das outras duas, caiam nos ombros.
– Santana, certo?
– S-sim.
– Leve o bolo até a cozinha, Rachel está lá arrumando as coisas.
– Sim, senhorita.
– Quinn, por favor.
Afirmei com a cabeça, entrei rapidamente e procurei a cozinha. Entrei em um cômodo que parecia ser a sala de jantar, Rachel apareceu na porta da cozinha e sorriu.
– Traga o bolo até aqui. – ela disse.
Me aproximei, entrei na cozinha e coloquei o bolo em cima do balcão. Rachel se aproximou, pegou um pedaço do glacê, colocou o dedo na boca e sorriu.
– Morango... meu preferido.
Eu sorri, Rachel colocou o bolo na geladeira e olhou para mim.
– Quer beber algo, Santana?
– Oh! Não, obrigada.
– Que bom, porque não tem nada de bom nessa geladeira.
Ela riu, o que me fez rir também, me apoiei no balcão e Rachel se aproximou.
– Por que se mudaram para cá? – perguntei, não querendo parecer curiosa.
– Quinn está fazendo faculdade em Yale, Britt conseguiu uma bolsa de dança em uma universidade qualquer que ninguém se importa e eu não queria perder minhas melhores amigas.
– Então veio junto com elas?
– Sim. Mas não ficarei muito tempo parada, pretendo arrumar um emprego, melhorar na vida e me tornar uma grande atriz.
Eu sorri, Britt entrou na cozinha e sentou no balcão, em minha frente, o que me fez olhar para suas pernas bem trabalhadas na dança.
– Então, Santana. – Britt começou. – Me fale sobre você?
– Moro com meus pais, estou no terceiro ano, não tenho muitos amigos, o que me torna uma garota excluída.
– Quantos anos você tem? – Rachel perguntou.
– 17.
– Ainda é muito nova. – Britt disse, apoiando as mãos no balcão e jogando o corpo para trás.
– Não é verdade. – Rachel disse. – Você não é muito velha para a idade dela.
– Tenho 22 anos, tem muita diferença.
– Diferença de cinco anos?
– Sim. Enquanto ela nascia, eu já estava aprendendo a dançar.
– Não comece com essa história, Britt.
– É minha história, devo compartilhá-la.
– Por que não fala de unicórnio?
– Unicórnio? – perguntei.
– Você conhece algum unicórnio? – Britt perguntou.
– Não.
– Vou lhe apresentar à um.
– O unicórnio de pelúcia dela. – Rachel disse, rindo.
– Não começa, Rachel! – Britt gritou, descendo do balcão.
– Oh! Ela vai chorar? – Rachel provocou.
– Quinn! Rachel está me provando!
Rachel continuou rindo, eu olhei para a porta da cozinha, onde Quinn apareceu com a expressão séria.
– Qual é o problema de vocês? Temos uma mudança para terminar hoje, e vocês estão falando de unicórnios?
– Eles são importantes. – Britt murmurou.
– Que seja! Vamos terminar logo com essa mudança, depois vocês conversem sobre qualquer coisa.
Ouvimos um barulho, Quinn rosnou e saiu. Rachel se aproximou da Britt e a abraçou, eu estranhei, elas sorriram e Britt olhou para mim.
– Me ajuda a arrumar a sala, Santana?
– Hum... E-eu não sei.
– Vamos. É só me ajudar com os sofás, a mesinha, as estantes...
– Está bem.
Ela segurou minha mão e me puxou.
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