Notas iniciais
Boa noite com cara de tarde, anjinhos!

Acordei com um pouco de dor de cabeça, abri os olhos e vi Polar morder meu tênis preferido.

– Brittany! – gritei. – Tire esse cachorro daqui, agora!

Em segundos Britt entrou em meu quarto, pegou Polar e saiu, sem dizer nada. Me levantei, prendi meus cabelos em um coque mal feito, fui até a janela e suspirei. Fazia uma semana que Sant tinha ido para a casa da avó, eu sentia saudade e não gostava daquela sensação. Fui até a cozinha e vi Quinn fazendo torradas.

– Bom dia.

– Bom dia, Rae. Está com fome?

– Não.

– Mas vai comer.

– Eu sei.

Peguei uma xícara de café, uma torrada e fui para a sala, me sentei no sofá e comecei a assistir televisão.

– Você não pode ficar assistindo televisão o dia todo. – Britt disse, saindo de seu quarto.

– O que quer que eu faça?

– Não sei, arrume um emprego.

– Quem vai cuidar da Beth?

– Eu.

– Fala sério, Britt! Você não sabe cuidar nem de si mesma, como vai cuidar da Beth?

– Não fale assim comigo! Eu posso cuidar dela sim.

– Assim como você cuida do Polar?

– Eu sou responsável, Rachel!

– Parem vocês duas! – Quinn gritou. – Gritar com Britt não vai trazer Santana de volta nesse momento, Rachel!

– Eu sei... – murmurei.

– Sabemos que você está com saudade, pois nós também estamos, mas não quer dizer que você precise gritar com a Britt a semana inteira!

– Mas ela não ligou ontem.

– Isso não signifique que você deva ficar sentada no sofá assistindo televisão o dia todo e gritar com Britt. Agora se levante, troque de roupa e eu lhe esperarei no carro.

– Para que?

– Vou pedir à Lucy um trabalho para você, pelo menos até conseguir um bom.

Me levantei com má vontade e fiz o que Quinn mandou. Ao entrarmos na lanchonete, uma garota loira olhou para mim e sorriu, eu apenas sorri de volta como comprimento e segui Quinn até a cozinha.

– Lucy, essa é Rachel, minha amiga. – Quinn disse.

– Sim, já lhe vi com Santana. – Lucy disse, olhando para mim. – Em que posso ajudar?

– Eu queria pedir um trabalho para ela aqui, pelo menos por um tempo. – Quinn respondeu.

– Por que eu a contrataria?

– Eu posso atender muito bem as pessoas, sou bem educada, gosto de conversar, caso não seja problema para os clientes, adoro crianças, velhinhos, posso manter um sorriso no rosto por horas, porque eu já fiz aula de teatro, sabe? Em breve serei uma grande atriz e todos pedirão meu autógrafo e...

– Acalme-se, pequena! – Lucy me interrompeu. – Adorei sua personalidade. Por hoje ficará em treinamento, verei o que posso fazer por você.

– Obrigada.

– Agora pegue um avental e comece limpando as mesas que esvaziarem.

– Sim, senhora.

– Me chame por Lucy.

– Ok, novamente obrigada.

Quinn me puxou para perto balcão, me entregou um avental e um pano, eu olhei em volta, estava vazio, talvez por ainda estar cedo.

– Ok, me escute Rachel. – Quinn disse, eu me virei de frente para ela. – Lucy é uma pessoa legal, mas eu peço, por favor, não acabe com tudo, está bem?

– Sim.

– Nada de começar a fazer drama com os clientes, ou eu lhe chutarei daqui, antes mesmo de Lucy saber.

– Entendi.

– Agora comece limpando as mesas, pois os clientes logo chegarão.

***

Assim que começou o horário de almoço, Quinn e eu entramos na cozinha, o cozinheiro nos entregou nossos pratos e nos sentamos à mesa. A mesma garota loira sentou ao meu lado, sorriu e começou a comer.

– Pequena! – ouvi Lucy me chamar, me virei e a vi parada na porta. – Depois de comer, você começa a atender.

– Está bem.

– Me surpreenda, pequena!

Eu sorri e voltei a comer, Quinn me deu uma cotovelada e sorriu.

– Está indo bem, Rae.

– Obrigada, Q.

– Você tem sorte. – ouvi a loira dizer. – Eu demorei essa semana inteira para começar a atender.

– Eu sou incrível! – respondi.

Ela riu, limpou sua boca e sorriu.

– Sou Katie.

– Rachel.

Nos cumprimentamos com um aperto de mão, eu terminei de comer e voltamos a trabalhar. Olhei para um homem que tinha acabado de entrar, me aproximei e sorri.

– Boa tarde, o que o senhor deseja? – perguntei um pouco animada.

– Quem sabe... você?

Eu fiquei séria, olhei para trás e vi Quinn me olhar seriamente, como se dissesse para eu não estragar tudo.

– Bom, eu não estou no cardápio senhor, mas tenho certeza que a torta de morango está ótima.

– Você viria com ela?

– Senhor, como eu disse...

– Não seja tímida, gracinha. – ele disse, colocando sua mão em minha cintura. – Apenas quero que você seja minha essa noite.

– Realmente não posso fazer isso.

– Por quê? Seu namorado ficaria com ciúmes?

– Não, mas quem sabe minha NAMORADA fique com ciúmes e, posso garantir que ela não é muito paciente com pessoas do seu tipo, sem contar que minha melhor amiga, está vendo aquela loira de olhos verdes no balcão? Então, ela realmente sabe bater em alguém, e se eu fosse você, ficaria com medo dela, porque eu mesma tenho medo.

– Acha que uma mulher como ela me daria medo?

– Como ela não, mas como eu, tenho certeza que sim. – ouvi Lucy dizer atrás de mim. – Saia da minha lanchonete, porque minhas garçonetes não são como as mulheres que você consegue à noite!

O homem se levantou bufando e saiu, me aproximei do balcão e suspirei.

– Você está bem? Ele te fez algo? – Quinn perguntou.

– Ele só ficou se jogando para cima de mim.

– Não ligue para ele, pequena. – Lucy disse. – Homens assim aparecem à todo momento, apenas me chame da próxima vez, está bem?

– Sim e... obrigada.

– Ok. Anjinho, atenda o próximo, e depois deixe que a pequena faça o resto.

– Está bem. – Quinn respondeu.

Bebi um pouco de água, Quinn atendeu uma mulher e depois voltou para o balcão.

***

Coloquei o avental em cima do balcão, fechei meus olhos e suspirei.

– Já quer desistir? – ouvi Lucy perguntar.

– Não, estou ótima! – respondi, sorrindo.

– Ótimo, porque a quero aqui amanhã, no mesmo horário, o que acha?

– Perfeito!

Ela sorriu e foi até seu escritório, Katie se aproximou de mim e sorriu.

– Está cansada?

– Apenas me acostumando com a movimentação. – respondi sorrindo.

– Logo você se acostuma.

– Espero.

Quinn se aproximou, colocou seu avental em cima do balcão e pegou sua bolsa.

– Vamos?

– Claro! Estou precisando urgentemente de um banho!

Katie soltou uma pequena risada, eu sorri e me afastei do balcão.

– Te vejo amanhã, Rachel.

– Igualmente, Katie.

Quinn e eu entramos em seu carro, olhei no relógio e suspirei, eram sete da noite.

– O que foi aquilo? – Quinn perguntou.

– O que?

– Você faz drama, Katie ri do seu drama e você sorri de volta?

– Não tenho culpa se ela acha graça dos meus dramas.

– E você sorri de volta?

– Apenas achei fofo.

– Fofo?

Eu a olhei, Quinn não tirava a atenção dos olhos na estrada.

– Aonde você quer chegar, Quinn?

– Santana.

– O que tem ela?

– Levando em consideração que você a nomeou como namorada à tarde, quase gritando para todos ouvirem, você a ama, ela te ama e tenho certeza que não ficará nada feliz em saber que você está flertando com outra garota.

– Eu não estou flertando com Katie.

– Oh, não! Sorrir para ela, depois de ouvi-la rir de seu estúpido drama não é um flerte?

– Não.

– Espero mesmo que não seja.

Cruzei meus braços, olhei pela janela e bufei.

– Ela não ligou ontem. – murmurei.

– Eu sei.

– Ela se esqueceu de nós.

– Não acredito que essa seja a verdade.

– Ela prometeu, todas as noites.

– Talvez ela estivesse doente.

– Você acha? – perguntei, voltando a olhar para ela.

– É uma possibilidade. O jeito é esperarmos ela ligar.

Quinn terminou de estacionar o carro, saímos e vimos Britt sentada na grama com Beth e Polar ao seu lado, me aproximei e me sentei ao seu lado.

– Esperando ela ligar? – perguntei, assim que vi o telefone em sua mão.

– Sim.

– Beth já jantou?

– Sim. Pedi comida chinesa, já que não sei e não posso cozinhar.

– Já deu banho nela?

– Ainda não. Beth queria esperar Quinn chegar.

Olhei para trás, Quinn estava parada na porta olhando para nós, se aproximou e sentou ao meu lado.

– Beth, vá para o banho, não mexa em nada, para não quebrar.

– Está bem, mamãe.

Beth se levantou e correu para dentro, Polar foi atrás dela, Britt olhou para lua e suspirou.

– Acham que ela vai ligar?

– Claro que vai. – Quinn respondeu.

– Mas ela não ligou ontem.

– Britt, ela prometeu e vai ligar.

Quinn e eu olhamos para a lua, eu me deitei na grama e suspirei.

– Estamos parecendo três adolescentes de 17 anos. – resmunguei.

– Santana está causando isso. – Quinn disse.

As duas se deitaram, fechei meus olhos e ouvimos o telefone tocar, nos sentamos ao mesmo tempo, ficamos olhando para o telefone, senti meu coração acelerar.

– Sim? – Britt atendeu. – Santana!

Ela sorriu, eu me levantei e senti Quinn segurar minha mão, a puxei de volta e corri para o quarto. Eu estava chateada, não só por Santana não ter ligado na noite anterior, mas por ela sempre falar com Britt primeiro e terminar com Britt tomando o telefone da minha mão e encerrando a conversa. Não estava sendo ignorante, apenas queria um pouco mais de atenção, já que ela mesma disse que me amava. Quinn era mais madura, Britt era meiga e eu... eu era apenas uma mulher que queria seguir seu sonho. Ouvi alguém bater na porta, Quinn entrou com o telefone na mão, eu abaixei minha cabeça e suspirei.

– Sant quer falar com você.

– Não, obrigada. – respondi em um tom um pouco alto, para que Santana ouvisse.

– Rachel...

– Dê para Britt, ela vai adorar.

– Não faça isso... atenda.

Revirei os olhos, peguei o telefone de sua mão e a encarei.

– Posso ficar sozinha?

– Oh! Claro.

Quinn saiu, me deitei na cama e suspirei.

– O que?

– Rae...

– Não me venha com Rae. Me diz logo o que você quer.

– Ontem eu não liguei porque eu havia saído com minha abuela e voltei tarde, achei que vocês já estariam dormindo, então não liguei.

– Que seja. Era só isso?

– Rae, vamos conversar...

– Está bem. Está se divertindo ai?

– Ah! Estou sim. Minhas primas estão sendo mais legais e compreensivas sobre...

– Já tem amigas novas?

– O que? Não, mas...

– Então ainda não se apaixonou por outra garota?

– Rachel, eu disse que isso não aconteceria, e não vai acontecer.

Fiquei em silêncio, fechei meus olhos e senti-os se encherem de lágrimas. Eu a queria por perto, queria sentir seu corpo quente ao meu.

– Aposto que você não quer mais voltar. – eu disse, com a voz falha.

– O que? Claro que quero voltar! Estou morrendo de saudade de vocês, dos meus pais...

– Sente saudade de mim? – sussurrei.

– Claro que sinto, Rae. Seus beijos são incríveis, me deixam tonta... só de pensar, sinto vontade de pegar uma bicicleta e passar horas em cima dela para chegar aí!

– Não brinque comigo, Sant.

– Não estou brincando.

Eu sorri, me sentei e limpei as lágrimas.

– Eu adoraria passar horas conversando com você, mas eu preciso tomar banho e dormir.

– Eu entendo. Quinn me disse que você começou a trabalhar na lanchonete.

– Disse?

– Sim.

– O que mais ela disse?

– Que Lucy se surpreendeu com você e que um idiota deu em cima da minha garota.

– Sua... garota?

– Sim, você é minha, certo?

– Acho que sim...

– Não ache, tenha certeza.

Novamente sorri, me levantei e fui até a sala, Britt estava sentada assistindo televisão.

– Vai ligar amanhã?

– Pode ter certeza que sim.

Britt sorriu e pegou o telefone da minha mão. Revirei meus olhos e fui até o banheiro, encontrando-o vazio, tomei um banho rápido e me deitei.

Notas finais
Beijos, gatinhas!