Neighboring
20 Sleepwalking
Notas iniciais
Acordei sentindo o cheiro da grama, abri os olhos lentamente e percebi que estava dormindo do lado de fora da casa. Me sentei um pouco confusa, olhei em volta e olhei para a porta da casa. Me levantei rapidamente e entrei, vi Quinn saindo do seu quarto e Rachel entrando no banheiro.
– Isso não teve graça, não é nada legal! – gritei.
– O que? – Quinn perguntou.
– Me tirarem da minha cama e me colocarem na grama! É uma brincadeira sem graça, que poderia ter causado um resfriado!
– Mas não fizemos isso, Britt.
– Oh, não. Eu mesma me levantei durante a noite e fui para a grama!
Entrei em meu quarto, me sentei em minha cama e suspirei. Faltava apenas uma semana para Sant voltar, eu estava feliz com isso, embora tenha demorado muito. Tirei minha regata e olhei para minha cama. A última vez que Sant dormiu em nossa casa, ela estava em minha cama, e estava constrangida, por eu ter tirado a blusa na frente dela. Eu havia feito aquilo de propósito.
– Britt, quer panquecas? – ouvi Quinn gritar.
– Sim.
Me levantei e tirei meu short, coloquei uma roupa apropriada para correr, fui até a sala de jantar e me sentei à mesa. Rachel entrou e sentou de frente para mim, já pronta para sair.
– Vai correr hoje? – Rachel perguntou.
Eu fiquei calada, Quinn entrou, colocou as panquecas em cima da mesa e os pratos nos devidos lugares, voltou até a cozinha e pegou os garfos, em seguida sentando ao meu lado. Comi um pouco, apenas para não ficar com fome, me levantei rapidamente e peguei Polar, colocando a coleira nele.
– Britt. – Quinn chamou. – Beth vai estar pronta quando você voltar.
Sai rapidamente, coloquei Polar no chão e olhei para a janela do quarto da Sant. Eu podia ver naquele momento seu sorriso ao me ver, acabando de acordar, mesmo ela não estando ali. Corri os cinco quarteirões, voltei para casa e vi Beth sentada no sofá assistindo televisão.
– Bom dia, B.
– Bom dia tia Britt.
– Fique quietinha com Polar enquanto eu tomo banho.
– Está bem.
Tomei um banho rápido, coloquei um short verde, uma regata amarela e deixei meus cabelos soltos, fui para a sala e vi Beth pulando no sofá.
– Beth, pare com isso, ou irá se machucar.
– Do que vamos brincar hoje, tia Britt?
– Não quero brincar, B. E pare de pular no sofá.
– Mas eu quero brincar... – ela choramingou, voltando a sentar.
– Então brinque com Polar no quarto da sua mãe.
– Mamãe não deixa Polar entrar lá.
– Brinque na sala mesmo, mas fique quieta.
Beth se levantou, eu mudei de canal e a vi brincando com Polar. Olhei para o relógio, ainda eram dez da manhã, me deitei no sofá e suspirei.
– Tia Britt, você está triste?
– Um pouco.
– Por que Sant ainda não voltou?
– Sim.
– Mamãe também está.
– Eu sei.
Ela se levantou, parou ao meu lado e sorriu.
– Quando que ela volta?
– Não sei. Daqui à uma semana.
– Vamos comprar um presente para ela.
– Como o que? – perguntei me sentando.
– Não sei... do que a Sant gosta?
– Não sei.
Fiquei pensativa, olhei para o porta retrato em cima da mesa ao lado do sofá, em que eu estava entre Rachel e Quinn, quando tínhamos 14 anos, sorri e peguei a coleira do Polar.
– Beth, tive uma ideia.
***
Entramos na lanchonete e eu vi Rachel atendendo uma mesa, me aproximei do balcão e Quinn olhou para mim.
– B, não pode entrar animais aqui dentro.
– Me desculpe, mas eu tive uma ideia com a ajuda da Beth, e preciso de vocês.
– É algo na cozinha? Porque eu já disse que não quero você mexendo no fogão e...
– Não é na cozinha... bem, pode ser daqui à uma semana, mas não.
– O que é?
– Loirinha, não pode animais aqui dentro. – ouvi uma mulher morena dizer.
– Me desculpe, Lucy. – Quinn disse. – Essa é minha amiga, Brittany. Ela disse que precisa de mim para algo e Polar não pode ficar lá fora sozinho com minha filha.
– Tudo bem... mas seja rápida, porque nem todos os clientes são como esses, que estão namorando essa bola de pelos.
Eu sorri, Quinn se apoiou no balcão e olhou para Beth, que levava Polar para todos conhecerem.
– Ok, me diga o que quer.
– Beth teve uma ideia de dar um presente para Sant quando ela voltar, mas eu não sei do que a Sant gosta, além de nós.
– E?
– Eu estava pensando... Podíamos tirar uma foto juntas e dar à Sant.
– É uma boa ideia, B.
– Assim ela coloca em um porta retrato e deixa em seu quarto.
– Você está certa. – ela disse, sorrindo. – Rae, venha aqui.
Rachel se aproximou terminando de anotar um pedido, parou ao meu lado e sorriu.
– Sim?
– Britt e Beth tiveram uma ideia e eu concordo com elas.
– Deve ser uma ideia muito boa...
– Não comece. – eu disse, o que a fez rir.
– Britt quer tirar uma foto nossa para dar à Sant, quando ela voltar.
– Legal. Quando isso?
– Pode ser hoje à noite. – Quinn respondeu.
Beth se aproximou, eu a coloquei sentada no balcão e segurei a coleira do Polar.
– Posso aparecer na foto também?
– Claro, Beth. – Rachel respondeu.
– E Polar também. – Quinn completou.
Eu sorri, peguei Beth nos braços e suspirei.
– Estaremos em casa.
– Está bem.
Beth e eu saímos da lanchonete, entramos em uma loja de fantasias e Beth correu por todos os lados.
– A senhorita vai querer algo? – ouvi uma atendente perguntar, ao se aproximar.
– Quero quatro fantasias lindas para três mulheres e uma criança.
– A que acabou de sumir pelos corredores?
– Essa mesma.
– Tem preferência?
– Hum... Não sei...
– As fantasias devem ser iguais?
– Não.
– Tive uma ideia. Pego algumas para você ver, você experimenta algumas e me diz qual lhe agradou.
– Boa ideia.
Fui até o provador, vi Beth correndo para outro corredor e sorri, me sentei na cadeira macia, amarrei a coleira do Polar em um pequeno poste que havia ali e vi a atendente voltar com algumas fantasias.
– A primeira é de cozinheira sexy.
A peguei, posicionei na frente do meu corpo e suspirei.
– Não sou cozinheira. Na verdade nem posso entrar na cozinha, ou queimo algo.
Ela riu, pegou outra fantasia e a esticou para mim.
– Essa é de Marilyn Monroe, e o vestido é mais curto.
– Acho que também não... – peguei a fantasia de sua mão e sorri. – Você tem alguma de dançarina?
– Acho que sim.
A atendente sumiu nos corredores, Beth apareceu correndo com uma fantasia na mão e a esticou para mim.
– Tia Britt, compre essa para mim?
– É de que?
– Fada.
– Está bem, fadinha B.
Ela sorriu, sentou na cadeira com um pouco de esforço e olhou para mim.
– Essas são da mamãe e da tia Rachel?
– Sim.
– E qual vai se a sua?
– Aqui. – ou a atendente dizer.
Peguei a fantasia de sua mão, a posicionei em frente ao meu corpo e sorri.
– É essa mesma.
– Não quer vestir?
Lhe entreguei as outras duas fantasias, entrei em uma cabine e troquei a roupa, em seguida voltando onde estava.
– Está linda, tia Britt! – Beth disse.
– Concordo. Vai ser essa?
– Sim. – respondi sorrindo.
Quando já estava pagando as fantasias, Beth correu com Polar até uma fantasia de animais.
– Olhe tia Britt, uma fantasia para o Polar!
– Traga-a até aqui.
Beth pegou uma grande bola de pelo, se aproximou e sorriu.
– Isso é uma juba. – a atendente explicou. – Ele ficará igual ao leão.
– Levarei esse também.
Eu ia colocar a juba junto com as outras fantasias, mas Beth pegou de minha mão e colocou em Polar, que apenas se balançou e começou a pular.
– Quer que eu mande entregar?
– Não precisa, não moro muito longe.
– Eu aconselho, já que são muitos para apenas uma mulher e uma criança.
– Eu quero levar minha fantasia, tia Britt. – Beth resmungou.
– Está bem. Pode mandar entregar as outras fantasias, eu levo a da Beth.
Beth sorriu, pegou sua fantasia e correu até a porta para me esperar.
– Fez uma boa escolha, tia Britt.
– Você também é filha da Quinn? – perguntei confusa.
– O que? Não! Já que ela te chamou de tia eu achei...
– Me chame apenas de Britt.
– Ok Britt. Mandarei entregar suas fantasias, quem sabe eu mesma não vou até lá.
Eu sorri, lhe paguei e me afastei, mas logo sendo segurada por ela.
– Pois não? – perguntei.
– Você tem planos para hoje à noite?
– Sim, vou tirar uma foto com minhas melhores amigas e com Beth.
– E depois disso?
– Isso é um flerte? Porque eu não gosto que flertem comigo, sabe? Normalmente eu flerto com as mulheres...
– Bem, isso não é um flerte. É apenas um pedido para irmos ao cinema à noite, como amigas.
– Então somos amigas?
– Apenas se você quiser.
– Vamos, tia Britt! – Beth gritou.
– Eu nem sei seu nome ainda.
– Não seja por isso. Sou Caroline, mas pode me chamar apenas por Carol.
– Brittany.
– Tia Britt!
– Estou indo, Beth! – gritei, em seguida voltando a olhar para Carol. – Você já tem meu endereço, então pode aparecer por lá.
– Oito horas?
– Sim, oito horas.
– Polar está com fome, tia Britt!
– Até às oito, tia Britt.
– Até, Carol.
***
Quinn e Rachel chegaram antes das sete, o que me deixou feliz, eu estava sentada na grama, Rachel sentou ao meu lado e sorriu.
– Pronta para tirar a foto?
– Sim.
– Sant ainda não ligou?
– Não.
Nós ficamos em silêncio, eu olhei para a lua e suspirei.
– Vou tomar banho, depois tiramos a foto.
Rachel se levantou, eu segurei sua mão e ela me olhou confusa.
– Rae, quando uma mulher te chama para ir ao cinema, dizendo apenas ser sua amiga, é um flerte?
– Acho que não, Britt. Por quê?
– Nada.
Ela entrou, olhei novamente para a lua e sorri. Quinn sentou ao meu lado, olhou para mim e sorriu.
– Qual foi a melhor coisa que aconteceu para você essa semana? – ela perguntou.
– Ainda não aconteceu.
– E o que é?
– A foto. E com você?
– Lucy ter me deixado entrar na cozinha essa semana.
– Você fez panquecas?
– Sim, mas não apenas panquecas.
– E por que você não fica mais na cozinha?
– A lanchonete tem cozinheiro, Britt.
Ficamos em silêncio, olhei para ele e suspirei.
– Comprei fantasias.
– O que?
– Comprei fantasias. – repeti.
– Não vamos tirar foto usando fantasia.
– Mas...
– Não, Britt. Vamos colocar roupa normal, nos sentarmos no sofá e tirarmos uma foto, como pessoas normais.
– Mas não somos normais, somos unicórnios.
– Seremos pessoas normais por uma noite.
– E o que faço com as fantasias quando chegarem?
– Guarde-as, mas não usaremos.
Nós entramos, Beth chorou um pouco dizendo que queria tirar a foto usando a fantasia, então a deixamos usar, assim como Polar, Quinn colocou sua câmera fotográfica na estante onde ficava a televisão, nos sentamos no sofá, Quinn colocou Beth em seu colo e eu peguei Polar. Faltando apenas dois segundos para a foto bater, ouvimos o telefone tocar.
– Deixe. – Quinn disse.
– Mas...
– Apenas deixe.
A foto bateu, me levantei rapidamente e peguei o telefone.
– Britt falando!
– É Santana.
– Oi, Sant! Adivinha! Nós tiramos uma...
– Cale a boca, Britt! – Quinn sussurrou ao meu lado. – Não diga à ela.
– Tiraram o que, Britt?
– Hum... Nada de mais. Como foi seu dia?
– Normal. Meu tio trouxe um cachorro para brincarmos com ele, e eu me lembrei do Polar.
– E quando você volta?
– Ainda falta uma semana, lembra?
– Sim.
– Está olhando para a lua?
– Não...
– Por que não?
Ouvimos a campainha tocar, Quinn atendeu a porta e vi que era Carol.
– Estou procurando por Britt. – Carol disse.
– Ela está no telefone, pode esperar.
– Claro.
– Sant, eu preciso ir, vou passar o telefone para a Quinn.
– Mas Britt... o que aconteceu?
– Nada de mais, eu vou sair com uma amiga.
– Uma amiga?
– Sim, seu nome é Carol.
– E... essa sua amiga é bonita?
– Eu acho que sim.
– Britt... ela é apenas sua amiga?
– É sim. Eu preciso ir, até mais Sant.
– Até mais. Eu te amo.
– Eu também te amo.
Entreguei o telefone à Quinn, peguei minha bolsa e entrei no carro da Carol, junto com ela.
– Qual filme quer ver? – ela perguntou.
– Não sei... Você que escolhe.
Fomos até o cinema, Carol escolheu um filme de comédia, porque eu disse que não gostava de filmes de terror. Ao sairmos do cinema, entramos em uma lanchonete perto do cinema e Carol pediu duas tortas de limão.
– Espero que não tenha problemas com comidas gordurosas. – ela disse.
– Não tenho. Quinn cozinha muito bem, eu sempre como e corro todas as manhãs.
– É por isso que tem o corpo lindo?
– Sim.
Ela sorriu, comeu um pedaço da sua torta e olhou para seu relógio.
– Britt, me desculpe. Eu já devia ter ido para casa.
– Está tudo bem. Podemos deixar a torta para outro dia.
– Me desculpe mesmo. Amanhã eu acordo cedo para trabalhar e já passaram das dez da noite.
– Não tem problema.
Carol pagou as tortas, entramos em seu carro e ela me levou até em casa.
– Britt, posso lhe perguntar uma coisa?
– Sim.
– Você tem namorada?
– Não.
– Então se eu pedisse para lhe beijar agora, você deixaria?
– Não sei se posso.
– Por quê?
– Eu amo a Sant, mas não estamos namorando, sabe?
– Por que não a pede em namoro?
– É complicado, Carol.
– Posso lhe beijar?
– Acho melhor não... Eu vou conversar com a Sant, saber o que realmente estamos fazendo e lhe digo depois, está bem?
– Sim.
Lhe dei um beijo na bochecha, sai do carro e acenei para ela. Assim que entrei, vi Quinn sentada no sofá com o telefone na mão.
– Ela chegou. – Quinn disse.
– Quem é?
– Sant.
– Ela ainda não desligou?
– Não. Ela ficou preocupada com você, e quis esperar você voltar.
Peguei o telefone de sua mão, me sentei no sofá e Quinn foi para o quarto dormir.
– Sant?
– Britt, me diz que você não fez nada!
– Como assim?
– Como beijar essa tal Carol.
– Não nos beijamos Sant, até porque, como eu disse à ela, eu te amo e achei que você não iria gostar.
Ouvi-a suspirar de alivio, me deitei no sofá e fechei meus olhos.
– Você gostou de ter saído com ela?
– Não sei, foi normal.
– Normal?
– Sim, como todos os outros encontros que já tive.
– Mas você disse que ela é apenas sua amiga, Britt.
– E é.
Sant ficou em silêncio, olhei para a televisão, passava um filme qualquer.
– Você gosta dela?
– Eu a conheci hoje, Sant.
– Mas gosta?
– Ela parece ser legal.
– Quer sair com ela novamente?
– Não sei.
Novamente o silêncio. Desliguei a televisão e as luzes, fui até meu quarto e tirei meu short, me deitei em minha cama e suspirei.
– Está chateada comigo, Sant?
– Não, Britt...
– Então fale comigo... não gosto que você fique calada comigo.
– Me desculpe.
– Você realmente me ama, certo?
– Com toda a certeza.
– Então, se eu lhe pedisse em namoro, você aceitaria?
– Isso é complicado, Britt. Tem as meninas, lembra?
– Sim...
– E eu ainda não conversei com meus pais sobre nós.
– Quando vai fazer isso?
– Quando eu voltar, prometo que converso com eles.
Me cobri até o ombro, ouvi sua respiração mais calma e novamente suspirei.
– Hoje eu acordei na grama.
– O que?
– Quinn e Rachel disseram que não fizeram isso. Mas quem elas querem enganar? Eu não posso ter me levantado durante a noite sozinha e ido me deitar na grama.
– Quem sabe você fez isso, para ver a lua, e não se lembra.
– Acha mesmo?
– Sim.
Eu sorri, bocejei e fechei meus olhos.
– Ok, Sant. Eu vou dormir agora, está bem?
– Está bem.
– Você devia fazer o mesmo.
– Sim, Britt.
– Eu te amo, Sant.
– Eu também te amo.
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