Notas iniciais
Boa tarde, anjinhos!

Acordei tarde, devia ser 10 ou 11 da manhã, tomei um banho rápido, coloquei uma calça jeans, uma regata azul, um All Star preto, deixei meus cabelos soltos, peguei minha bicicleta que tinha uma estúpida cesta rosa na frente, ao qual eu não conseguia tirar, parei em frente à calçada e vi Rachel regando o jardim.

– Buenos dias, Rachel! – gritei, chamando sua atenção.

– Buenos dias Sant. Acordou tarde hoje.

– Sim, brigar com vocês cansa.

Ela riu e voltou ao que fazia, eu montei na bicicleta e suspirei. Fazia um bom tempo que eu não andava de bicicleta, e eu ainda tinha um certo receio de cair.

– Rachel, o café está pronto. – Quinn gritou de dentro.

– Estou indo.

– Rachel. – eu a chamei. – Dê bom dias para as meninas.

– Está bem.

***

Prendi minha bicicleta em um poste, entrei na lanchonete e me sentei no banco, próximo ao balcão.

– Bom dia, Santana. – ouvi Lucy dizer.

– Bom dia.

– Vai querer o de sempre? – ela perguntou, limpando o balcão.

– Hoje eu vou querer um pedaço de torta de chocolate.

– Oh! Experimentando coisas novas? E para beber?

– O de sempre.

Ela riu, anotou em seu bloquinho e se afastou. Olhei em volta, o local estava calmo, havia apenas algumas famílias aproveitando as férias, pessoas solitárias como eu, aproveitando o silêncio.

– Bom dia, Santana. – ouvi Sophia dizer.

– Bom dia, Sophia.

– Andou sumida.

– Apenas aproveitando a casa vazia.

Sophia soltou uma pequena risada, colocou uma cestinha com guardanapos próximo a mim e sorriu.

– Vai ficar em casa à noite?

– Não sei. Tenho vizinhas novas, e elas estão ocupando todo o meu momento de tédio.

– Elas são legais?

– Sim, apesar de brigarem o tempo todo.

Novamente ela riu, se apoiou no balcão e olhou por cima do meu ombro.

– Tem uma loirinha lhe vigiando. – ela sussurrou.

Olhei para trás e vi Britt sentada em uma mesa, olhando para mim, mas logo desviou o olhar. Voltei a olhar para Sophia, Lucy serviu meu pedido, os peguei e me sentei à mesa onde Britt estava, de frente para ela.

– Bom dia, Britt.

– Bom dia.

– O que está fazendo aqui?

– Café da manhã.

– Quinn cozinha bem, e você está aqui?

– Eu gostei das torradas daqui.

Ficamos em silêncio, bebi um pouco do meu milk shake de chocolate, olhei pela grande janela de vidro e ouvi Britt suspirar.

– Não foi correr hoje? – perguntei.

– Fui. Acordou tarde?

– Sim.

– Você realmente beijou Quinn?

– Britt, eu não quero lembrar disso, está bem?

– Ok.

Sophia se aproximou, entregando o pedido da Britt, peguei um pedaço da minha torta e comi.

– Sabe brincar de esconde-esconde? – Britt perguntou.

– O que?

– Esconde-esconde.

– Sei, por quê?

– Estou brincando agora.

– Você pode me explicar melhor?

– Quinn disse que estava com tédio, Rachel não parava de falar, então começamos a brincar de esconde-esconde.

– Isso é brincadeira de criança.

– Mas o sentido não é nos acharmos, mas sim ficarmos escondidas, sem nos encontrarmos.

– Ou seja, vocês não se veem até...

– À noite.

– E?

– Depois jantamos juntas, conversamos sobre o que fizemos e depois dormimos.

– E o que vocês fazem durante isso?

– Não sei. O que tem de bom na cidade?

– Abriram um circo à poucos dias, vai ficar apenas essa semana na cidade.

– Podemos ir? Diz que sim, por favor...

– Está bem, mas antes, vamos terminar o café da manhã.

***

– Olhe Sant, um anão! – Britt gritou, dando pulinhos e apontando para o lado.

– Britt, não grite.

– Posso tirar uma foto com ele?

– Está bem, eu vou ali comprar algodão doce.

Entrei na fila, Britt correu até o anão e deu um pulinho, ao se aproximar. Assim que comprei dois algodões doces, a vi se aproximar com um biquinho nos lábios.

– Ele não é do circo. – ela resmungou.

– Então ele...

– Ele disse que não trabalha aqui, só veio assistir o espetáculo.

– Sinto muito, Britt...

– Tudo bem. Vamos?

Depois de nos sentarmos no banco de madeira, Britt olhou para onde acontecia a apresentação, comeu um pedaço do seu algodão dose e sorriu.

– Acho que já vai começar, Britt.

– Sim. Olhe, um palhaço!

O local foi enchendo, Britt ria de tudo que os palhaços faziam, dava pulinhos com as outras atrações, e agarrou meu braço quando o tigre entrou com o domador. Assim que terminou, comprei pipoca para ela e voltamos à lanchonete para pegar minha bicicleta.

– Gostou de ter brincado de esconde-esconde hoje? – perguntei, enquanto soltava a bicicleta.

– Gostei. Aquele leão parecia com a Quinn.

– Por quê?

– Primeiro, por causa do cabelo dela, parece com o cabelo dele.

– Juba.

– Sim. Segundo, ela é linda, assim como ele.

– Concordo.

– E terceiro, mesmo ela sendo linda, é perigosa e me dá medo, assim como o leão.

– Mas a Quinn não é tão perigosa.

– Já viu ela de TPM? Tenho que passar o dia no quarto, ou ela me jogaria pela janela.

Eu ri, nos aproximamos da calçada de sua casa e Britt parou.

– Posso te fazer uma pergunta?

– Se não for “posso fazer uma pergunta?”... – brinquei, mas ela não riu.

– Você gostou de ter beijado a Quinn?

– Britt...

– Apenas responda.

– Não foi exatamente um beijo.

– Mas você gostou?

Eu fiquei em silêncio, ela se aproximou, colocou suas mãos em meus ombros e aproximou sua boca em meu ouvido direito.

– Você deixaria eu te beijar? – ela sussurrou.

– B-Britt..

– Vai ser como o beijo da Quinn.

– E-eu...

Ela se afastou, olhou para a porta da sua casa e sorriu.

– Ninguém acreditaria se eu dissesse que eu moraria com a Quinn e com a Rachel, e que seria vizinha de uma garota de 17 anos, à qual é linda.

– E ninguém acreditaria se eu dissesse que moraria com três mulheres lindas, de temperamentos totalmente diferentes.

– Tempe... o que?

– Esquece.

– Então, posso te beijar?

– Pode ser na bochecha?

– Por agora sim, mas você não me escapa, Sant.

Eu sorri, ela deu um leve beijo em minha bochecha esquerda e se afastou sorrindo.

– Boa noite, Britt.

– Boa noite, Sant. Sonhe comigo, está bem?

– Se for possível.

Ela riu e correu para sua casa, parou na porta e acenou para mim. Ao me deitar, toquei minha bochecha e sorri.

Notas finais
Tenham um bom domingo! Beijos, fofas!