Neighboring
8 Crazy Dreams
Notas iniciais
Britt sentou em minha cama e acariciou meus cabelos. Eu sabia que era ela, por sentir seu perfume da Britney, Fantasy. Continuei com meus olhos fechados, fingindo que ainda dormia, para receber mais carinhos em meus cabelos.
– Sant... – ela sussurrou. – Acorde...
Virei meu rosto de frente para ela, mas ainda mantive meus olhos fechados. Senti mais alguém sentar na cama ao seu lado, eu queria abrir os olhos para ver quem era, mas queria manter aquele joguinho.
– Buenos dias, Sant... – Rachel sussurrou.
Segurei ao máximo meu sorriso, virei meu rosto novamente, para elas não perceberem que eu estava acordada.
– Vamos ter que acordá-la daquele jeito. – ouvi Quinn dizer.
– Tem certeza? – Britt perguntou.
– Ela não quer acordar, Britt. – Rachel respondeu. – Teremos que fazer isso.
– Se é assim...
Senti uma mão em minhas costas, a mesma levantou minha camiseta, Quinn sentou na cama, do outro lado de onde as outras estavam, deu leves beijos em minhas costas, o que me fez sorrir, mas ainda não abri meus olhos.
– Não seja teimosa, Sant... – Quinn disse. – Abra os olhos.
Eu virei meu rosto, de frente para Britt, senti Quinn beijar novamente minhas costas, em seguida bufar e se afastar, assim se levantando.
– É sua vez, Britt.
– Posso?
– Vá em frente.
Britt afastou meus cabelos do meu pescoço, o beijou lentamente e deu uma pequena mordida, novamente eu sorri, ainda mantendo meus olhos fechados.
– Olhe para mim, Sant. – ela sussurrou.
Novamente ela beijou meu pescoço, deu uma pequena mordida no lóbulo da minha orelha e suspirou.
– Ela não quer acordar, Q. – Britt reclamou.
– Agora é minha vez. – Rachel disse.
A sentir sentar em cima das minhas costas, colocou suas mãos em minhas pernas e começou a beijar o interior das minhas coxas. Eu suspirei, Rachel deu uma pequena mordida em minha coxa esquerda e passou a língua por cima, soltei um pequeno gemido, escondi meu rosto no travesseiro e ouvi a risada da Quinn.
– Está gostando? – Rachel perguntou.
Não consegui responder, prendi minha respiração e tentei me virar, mas Rachel ainda estava em cima de mim.
– Abra os olhos, Sant. – ela pediu.
Britt se levantou, Rachel saiu de cima de mim e senti que as queria perto novamente.
– Acorde, Santana. – Quinn disse, com o tom sério.
– Já está na hora de levantar. – Rachel disse.
– Levante-se, Santana Lopez! – Britt gritou.
Me sentei rapidamente, abrindo os olhos, olhei em volta, meu quarto estava vazio, meu rosto estava suado, assim como meu corpo. Coloquei minhas mãos em minha cabeça, respirei fundo e olhei pela janela, já era dia, talvez ainda estivesse cedo. Me levantei, tomei um banho bastante gelado, coloquei um short preto, uma regata branca, prendi meus cabelos em um rabo de cavalo mal feito, fui até a cozinha e vi meus pais tomando café da manhã.
– Buenos dias, madre y padre.
– Buenos dias, hija. – minha mãe disse. – Acordou cedo hoje.
– Tive um pesadelo. – respondi, pegando uma xícara de café.
– Sobre o que era? – meu pai perguntou.
– Não lembro. Mas sei que era um pesadelo.
– Tente não dormir tarde hoje. – minha mãe disse, colocando as xícaras na pia. – Estamos saindo. Não coloque fogo dentro de casa.
– Está bem.
Ela me deu um beijo na testa, sendo seguida por meu pai, eles saíram, fechei meus olhos e suspirei. Eu não sabia como eles agiriam se eu dissesse que meu sonho era sobre as três novas vizinhas.
– Rachel, volte aqui! – ouvi Quinn gritar. – Santana deve estar dormindo!
Senti meu coração acelerar, coloquei a xícara em cima da pia e fui até a sala. Ouvi Rachel bater na porta, eu a abri rapidamente e a vi sorrindo.
– Buenos dias, Sant.
– Sim, bom dia.
– Você está bem?
– Não sei. O que você quer?
– Bem... Quinn está fazendo panquecas novamente, então achei que você iria querer comer conosco.
– Eu recuso.
– Sant...
– Eu estou bem, só não estou com vontade hoje, está bem?
– Ok... Se mudar de ideia...
– Eu sei.
– Até mais.
Ela se afastou, eu fechei a porta, me apoiei na mesma e fechei os olhos, suspirando. Eu precisava parar de pensar nelas, principalmente parar de querer beijá-las. Além de, as três serem mulheres, eu estava interessada nas três, isso era mais que errado. Que merda! Eu estava rejeitando as panquecas da Quinn, só por ter sonhado com as três. Me sentei no sofá, liguei a televisão e fiquei assistindo um desenho qualquer.
***
Abri os olhos e vi Rachel apenas de lingerie rosa, se aproximando com um lindo sorriso. Ela sentou em cima das minhas pernas, beijou a ponta do meu nariz e soltou uma pequena risada.
– Você acha que consegue controlar seus sonhos? – ela perguntou, sussurrando em meu ouvido. – Seus sentimentos os controlam, e são eles que estão provocando esses sonhos.
– Saia de cima de mim, Rachel...
– Eu não quero.
Rachel começou a beijar meu pescoço, eu fechei meus olhos, suspirei e não senti mais seus beijos.
Abri meus olhos e percebi que era novamente um sonho. Eu tinha dormido no sofá, sentada de frente para a televisão. Olhei para o relógio, passava das duas da tarde, me levantei e fui até a cozinha, achando um prato com uma pilha grande de panquecas na mesa. Me aproximei, vi um papel amarelo ao lado, então eu o peguei.
“Eu sei que você iria querer em alguma hora, então fiz uma pilha apenas para você.”
Sorri, peguei um garfo e me sentei à mesa, começando a comer toda aquela panqueca, banhadas à mel.
***
Ao me aprontar para me deitar, olhei pela janela e vi Britt deitada no gramado da sua casa, olhando para o céu. Coloquei meu roupão branco, desci as escadas lentamente para não acordar meus pais, saí de casa e corri até Britt, de pantufas nos pés.
– Boa noite, Britt.
– Boa noite. – ela respondeu, ainda olhando para o céu.
– O que está fazendo aqui, às onze da noite?
– Olhando a lua.
Me sentei ao seu lado e olhei para a lua, ela estava cheia, parecia gigante.
– Por que está olhando para a lua?
– Saudade de casa.
Eu a olhei, ela sorriu e se sentou.
– Seus pais?
– Também. Se eu estivesse em casa agora, estaria em um acampamento com meus pais, Rachel e Quinn, minha irmã e sua melhor amiga, no quintal.
– Por isso está olhando para a lua?
– Sim. Era uma tradição, olhar para ela e dizer a melhor coisa que aconteceu na semana. – ela olhou novamente para a lua e sorriu, seus olhos azuis estavam quase brancos. – Uma vez, quando minha mãe perguntou qual foi a melhor coisa que havia acontecido na semana para Quinn, ela disse que era ter beijado uma garota pela primeira vez.
– E o que os seus pais disseram?
– Nada. Apenas colocaram as meninas para dormir, e pediu para Quinn não dizer aquilo na frente da minha irmã, porque ela ainda tinha nove anos.
– E qual foi a melhor coisa que aconteceu essa semana para você?
– Ter me mudado para cá.
– Achei que você iria responder, ter ido no circo ontem.
– Também foi, mas se eu não tivesse me mudado, não teria lhe conhecido, não teríamos nos tornado amigas e não teríamos ido no circo.
– Amigas em apenas uma semana.
Nós rimos, novamente ela se deitou, eu me deitei ao seu lado e sorri.
– Qual foi a melhor coisa que aconteceu com você? – ela perguntou.
– Preciso responder?
– Sim.
– Pode ser mais de um?
– Pode. – ela respondeu rindo.
– Ter sido acordada com o barulho da mudança de vocês, me tornado amiga de vocês e, as panquecas da Quinn.
– E o beijo da Quinn?
– Eu não sei. Foi diferente, sabe?
– Sei. Também fiquei confusa quando uma garota me beijou pela primeira vez.
– O que você fez?
– Conversei com a Quinn. Ela disse que eu devia seguir meu coração, ouvir o que ele queria dizer.
– E?
– Eu fiquei mais confusa. Meu coração não dizia nada, apenas ficava batendo. – soltei uma pequena risada e olhei para ela. – Então apenas fiz o que devia fazer.
– Que era?
– Beijar a garota novamente. Depois disso, nos tornamos mais amigas, ela disse que gostava de mim, e que queria dizer isso para todos, mas apenas se eu quisesse.
– Você quis? – perguntei, olhando para ela.
– No inicio não. Fiquei com medo do que pensariam, do que diriam sobre mim, mas Quinn disse que eu não devia ouvir os outros. Já me chamavam de burra e idiota, por gostar de unicórnio, e eu não ligava. Eu disse para os meus pais que gostava de garotas, eles disseram que meus sentimentos não são controlados por mim e me apoiaram.
– E sua irmã? O resto da família?
– Minha irmã perguntou se a garota era legal e se me fazia feliz, eu respondi que sim e ela passou a amar a garota. O resto da família disse que eu fui influenciada pela Quinn, porque eles sabiam da opção sexual dela, mas meus pais disseram para não ligar para o que eles estavam falando, porque nunca ligaram para nós, e também não ligariam naquele momento.
Ficamos em silêncio, ouvi um gato miar pela rua e Britt riu.
– O que foi?
– Eu tinha um cachorro, antes de me mudar.
– E qual é a graça?
– Eddie gostava de correr comigo, todas as manhãs. Ele sempre me acordava subindo em cima de mim, puxava meu cobertor e lambia meu pé.
– Por isso você corre todos os dias?
– Sim. Eu acostumei.
– Britt, está na hora! – ouvimos Quinn gritar.
Britt se sentou, eu fiz o mesmo, nos entreolhamos e ela sorriu.
– Foi bom conversar com você, Sant.
– Eu digo o mesmo.
Ela olhou novamente para a lua, suspirou e sorriu, voltando a olhar para mim.
– Você se importaria se eu lhe beijasse?
– Britt...
– Eu sonho com isso todas as noites, desde que me mudei. Quinn conseguiu isso, achei que eu também conseguiria.
– Talvez se você fizesse algo de comer, que me surpreenda. – brinquei.
– Boa ideia. Quinn fez as incríveis panquecas e ganhou um beijo...
– Britt, eu estava...
– Apareça amanhã, farei algo para você comer no café da manhã.
– Mas...
– Boa noite, Sant.
Britt se levantou e correu para casa, eu suspirei, olhei para a lua e sorri.
– Hija, volte para a cama! – ouvi minha mãe gritar.
Me levantei, cruzei os braços e entrei.
Fale com o autor