Notas iniciais
Boa tarde, gatinhas!

Acordei cedo, talvez cedo demais, já que ainda ouvi meus pais saindo do quarto. Tentei dormir novamente, mas não consegui. Me levantei e fui tomar banho, coloquei um vestido amarelo e uma sapatilha branca, deixei meus cabelos soltos e coloquei óculos escuros. Ao entrar na cozinha, sorri e peguei um copo de leite.

– Buenos dias, madre.

– Buenos dias, hija.

– Onde está o papai?

– Tomando banho.

Peguei uma torrada, terminei de beber o leite e caminhei até a porta da cozinha.

– Santana. – ouvi meu pai chamar da escada.

– Si, padre?

– Nós queremos conversar com você.

– Agora? Porque Quinn deve ter feito panquecas, e elas são tão boas e...

– Agora.

– Está bem.

Me sentei à mesa ao lado da minha mãe, meu pai sentou à minha frente e olhou para mim sério.

– Sua abuela quer que você passe o resto das férias com ela. – ele disse.

– O que? Devem estar brincando comigo!

– Isso é sério, Santana.

– E nós concordamos com ela, querida. – minha mãe disse. – Você quase não a vê.

– Eu não gosto das minhas primas, madre... Por favor, não me obrigue a ir para lá?

– Sua abuela quer, sua abuela consegue.

– Mas...

– Você vai amanhã, então trate de preparar sua mala ainda hoje. – meu pai disse.

Meus olhos se encheram de lágrimas, por sorte eu ainda usava os óculos escuros, me levantei e olhei para eles.

– Isso não é justo... Vocês não deviam me obrigar a ir...

Corri para o meu quarto, tranquei a porta e me joguei em minha cama, jogando os óculos escuros longe. Escondi meu rosto no travesseiro, mordi meu lábio inferior com força e gritei, abafando o grito com o travesseiro. Eu não sabia exatamente porque estava chorando. Poderia ser porque eu não queria passar três semanas com minhas primas, mas eu tinha quase certeza que, era porque eu não queria passar três longas semanas longe das meninas. Ouvi meus pais saírem, me levantei e olhei pela janela, o carro da Quinn também já estava saindo, indicando que ela saía para trabalhar. Abri a janela, olhei para baixo e suspirei. Eu poderia me jogar daquela janela, não para causar uma morte, mas sim quebrar uma perna e não ter que ir para a casa da minha abuela.

– Bom dia, Sant! – ouvi Britt gritar da calçada, pronta para correr com Polar.

– Bom dia, Britt...

– Você está bem? Está chorando?

– Eu...

Novamente voltei a chorar, desci as escadas correndo, corri até Britt e a abracei forte, deixando-a confusa.

– O que aconteceu, Sant?

– Eu... eu não quero ir...

– Se acalme. – ela sussurrou em meu ouvido. – Vamos entrar, você toma uma água e me diz o que aconteceu, está bem?

Afirmei com a cabeça, nós entramos, Britt soltou a coleira do Polar e entramos na cozinha.

– Eu não quero ir... – choraminguei.

– Beba um pouco de água. – ela disse, me entregando um copo.

Eu bebi a água, me sentei no balcão e Britt parou em minha frente, acariciando meu rosto.

– Eles querem que eu vá para a casa da minha abuela. – sussurrei.

– Sua abuela?

– Minha avó.

– E por que você não quer ir?

– Além de não gostar das minhas primas que moram com ela, não quero ficar três semanas longe de vocês.

– Três semanas? Mas isso é injusto!

– Eu sei...

– Diga à eles que você não quer, Sant.

– Eu já disse, mas eles estão me obrigando. Tudo o que minha abuela quer, ela consegue, sabe?

– Sei. Rachel é assim.

Fechei meus olhos e suspirei, Britt colocou suas mãos em minhas pernas e me deu um selinho demorado. Ao abrir meus olhos, vi seus olhos azuis cheios de lágrimas.

– Britt, não chora...

– Eu só não consigo me imaginar longe de você por três semanas.

– Eu vou voltar.

– Eu sei, mas... estou com medo.

– De que?

– Você achar outra loira por lá, se apaixonar e me esquecer. Esquecer nós três.

– Eu não vou esquecer vocês, nunca Britt... Não há ninguém nesse mundo que me faça esquecer as três mulheres que amo.

– O-o que você disse?

– Que eu as amo, Britt. Eu realmente as amo.

– Mas... nos conhecemos em pouco tempo e...

– Eu tenho certeza dos meus sentimentos.

– Oh, Sant... – ela me abraçou pela cintura, eu fechei meus olhos e beijei sua testa. – Eu também te amo...

Eu não queria me soltar daquele abraço, era confortável, me passava segurança. Abri meus olhos e vi Rachel parada na porta, seus olhos estavam cheios de lágrimas.

– Você disse...

– Sim, eu disse.

– Você tem certeza?

– Sim.

Ela se aproximou, Britt se afastou e rapidamente Rachel me abraçou. Eu desci do balcão, apertei mais Rachel no abraço e suspirei.

– Eu te amo, Sant... como nunca amei ninguém.

Eu a olhei nos olhos, lhe dei um beijo na testa e outro na ponta do nariz.

– Vocês são as mulheres mais lindas e apaixonantes que já conheci em toda a minha vida.

– Mas você ainda tem 17 anos. – Britt disse.

– E quero continuar com meus 17 anos, se vocês estiverem comigo.

– Estaremos com você aos 17, 18, 19... até você estiver bem velhinha. – ela disse, abraçando Rachel e eu.

– Lembrando que vocês são mais velhas que eu, então...

– Não estrague o momento, Sant. – Rachel reclamou.

Nos separamos, dei um demorado beijo em Rachel e sorri.

– Eu realmente não quero ficar três semanas longe de vocês.

– Como assim? – Rachel perguntou.

– Eu...

– A avó da Sant quer que ela passe três semanas na casa dela. – Britt disse, percebendo que eu não queria repetir a informação.

– Oh, Sant... e se você se apaixonar por outra garota?

– Rachel, eu não farei isso.

– Quem garante? Você se apaixonou por três mulheres ao mesmo tempo sem nem ao menos querer.

– Eu garanto, Rae.

Ela sorriu, Britt pegou Polar nos braços e limpou suas lágrimas.

– Eu preciso correr, mesmo querendo ficar aqui com você.

– Pode ir, Britt. Eu vou à lanchonete, preciso falar com a Quinn.

– Quer que eu vá com você? – Rachel perguntou.

– Não precisa. Beth não pode ficar aqui sozinha e... onde está Beth?

– Dormindo.

– Não mais. – ouvi Beth da porta.

Nós olhamos para ela e sorrimos ao mesmo tempo. Seus cabelos estavam bagunçados, o pijama de verão estava todo amassado e os pés no chão. Eu a peguei nos braços, ela olhou em meus olhos e mudou sua expressão.

– Sant está triste?

– Um pouco, pequena.

– Mamãe bateu em você?

– Não... por que sua mãe bateria em mim?

– Ela já bateu em mim, quando eu quebrei um copo da coleção da vovó.

– Quinn não bateu em mim.

– Foi tia Rae? Uma vez ela bateu na tia Britt, por ter quebrado o CD dela.

– Ninguém me bateu, Beth.

– Sant vai ter que ficar uns dias longe. – Rachel explicou.

– Por quê?

– A vovó dela quer passar uns dias com ela.

– E por que você está triste? Sua vovó não é legal?

– Ela é, mas minhas primas não.

Coloquei Beth sentada no balcão, ela bocejou e coçou o olho direito.

– Se elas brigarem com você, liga para mim.

– Por quê?

– Eu vou fazer você sorrir.

Eu sorri, lhe dei um beijo na bochecha, que ela limpou rapidamente, a coloquei no chão e peguei uma torrada, lhe entregando em seguida,

– Eu ligarei todas as noites, o que acha?

– Legal.

***

Entrei na lanchonete, vi Quinn atendendo uma mesa, segurei seu braço e a puxei até o banheiro.

– Ficou louca, Santana? Eu estou trabalhando!

– Eu te amo.

– Você o que?

– Eu te amo. – repeti.

– Olhe, Santana... se está dizendo isso para brincar comigo...

– Quinn, eu realmente te amo. Amo você, Rachel, Britt...

– Sant...

– É verdade.

– Mas é como... não é apenas como amigas?

– Pelo amor de Deus, Quinn! Eu estou dizendo que te amo e você ainda está em dúvida?

– Eu... só está sendo difícil de entender que... Santana Lopez, uma garota de 17 anos que é apaixonada por três mulheres mais velhas, que à pouco tempo brigou comigo porque eu a beijei, mesmo tendo me beijado de volta, esteja dizendo que me ama.

– Você ainda quer duvidar? – perguntei chateada.

– Eu não duvido de você, Sant.

Ela me abraçou, senti seu perfume e suspirei.

– Então acredita em mim?

– Acredito sim. Eu também te amo. Te amei desde a primeira vez que nos beijamos.

Eu me aproximei para lhe beijar, mas logo me afastei quando uma mulher entrou. Quinn olhou para mim, eu limpei suas lágrimas e abaixei a cabeça.

– Eu ficarei longe por um tempo... – sussurrei.

– O que? Um tempo quanto?

– Três... semanas....

– Três semanas? – ela gritou. – O que diabos você vai fazer em três semanas longe de casa?

– Fale baixo, Quinn.

– Me explique, por favor.

– Minha abuela quer que eu passe o final das férias com ela.

– Isso só pode ser brincadeira... – ela resmungou, se virando de costas para mim.

– Eu também queria que fosse, mas não é. Meus pais estão me obrigando a ir.

– Você tem o direito de não ir.

– Não tenho. Se minha abuela quer, eu devo ir.

– Mas... – ela se virou de frente para mim e aproximou seu rosto do meu. – Como vamos nos falar durante esse tempo?

– Eu vou ligar, todas as noites, e todas as manhãs se for preciso.

– Promete?

– Prometo.

– Ainda vai estar em casa hoje à noite?

– Sim.

– Me espere?

– Espero.

Quinn fechou os olhos, as lágrimas voltaram a cair dos seus olhos, eu suspirei, a mulher saiu do banheiro e eu rapidamente lhe beijei, mas logo me afastando.

– Eu... eu te amo, Sant...

– Eu também te amo, Quinn.

Notas finais
Volto mais tarde. Haha Beijos!