Neighboring
9 Brittany's Cake
Notas iniciais
Bati na porta e esperei por uma Britt animada, mas quem apareceu foi Rachel, e estava séria.
– Buenos dias, Rachel.
– Que seja! Entra logo, e fecha a porta.
Ela entrou, me deixando para trás, eu entrei, fechei a porta e me sentei no sofá, ao lado da Quinn.
– Bom dia, Quinn.
– Se você estiver em um bom dia...
Olhei em volta, Britt não estava na sala, e o clima parecia pesado ali.
– O que estão assistindo?
– Uma merda de um desenho sem graça. – Rachel respondeu.
– Ok, qual o problema de vocês? – perguntei, mas fui ignorada. – Se for por causa de ontem, me desculpem. Eu não estava em um dia bom. Vão me dizer que, quando vocês estão em um dia ruim, continuam sorrindo para todos?
– Não é nada sobre ontem. – Quinn respondeu. – Britt está na cozinha.
– E qual o problema nisso?
– Britt na cozinha? Todo o problema.
– Eu ouvi isso! – Britt gritou.
Eu revirei meus olhos, olhei para Quinn e suspirei.
– Preciso conversar com você... – olhei para Rachel, em seguida voltei a olhar para Quinn. – A sós.
– Eu não vou sair daqui.- Rachel disse.
Quinn se levantou, segurou minha mão e me puxou até seu quarto.
– Pode começar. – ela disse.
– Britt quer me beijar.
– Achei que era algo sério, Sant.
– Mas isso é sério, Quinn.
Nos sentamos em sua cama, ela respirou fundo e olhou para mim.
– Qual o problema nisso?
– Eu... eu não sei se quero beijá-la.
– Você não sabe? Assim como não soube se queria me beijar?
– Pare de fazer piada, Quinn.
– Não estou fazendo piada. Você está confusa, certo?
– Sim.
– Você já imaginou beijando-a?
– Na verdade... eu...
– Está sentindo esse cheiro? – ela me cortou.
Não tive tempo para responder, Quinn se levantou e correu para fora do quarto, eu fui atrás, um pouco confusa. Ao entrarmos na cozinha, vimos uma grande fumaça preta saindo pela janela. Quinn pegou a luva térmica, pegou a forma que estava dentro do forno e a jogou em cima do balcão.
– Brittany! – Quinn gritou. – Eu vou te matar!
– Me desculpe... – Britt choramingou.
Eu olhei para o lado e vi Britt encolhida no chão, encostada na parede, os olhos cheios de lágrimas.
– Está vendo? É por isso que eu não deixo você entrar na cozinha! – Quinn gritou, tentando abafar a grande fumaça.
Britt se levantou, parou em minha frente e percebi seu olhar triste.
– Me desculpe, Sant...
Ela correu para o quarto, eu olhei em volta, Rachel parou ao meu lado e começou a rir.
– Britt não sabe mesmo, cozinhar.
– Não ria disso. – eu reclamei.
– Qual é! Vai me dizer que não é engraçado?
– Não é.
Fui até a porta do quarto da Britt e bati, mas ela não abria.
– Britt, abra a porta.
– Você deve estar me odiando... – ela choramingou.
Percebi que ela estava sentada encostada na porta, me sentei de costas para a porta e suspirei.
– Eu não estou te odiando, Britt. É normal alguém queimar algo.
– Mas era o seu café da manhã, Sant.
– Não tem problema, Britt...
– Não sou boa em nada!
– Não é verdade. Olhe o seu corpo. É perfeito, bem formado, isso porque você se esforçou, correndo todos os dias.
– Grande coisa...
Olhei para Quinn, que estava com o rosto preto, entrando no banheiro, passei a mão em meu rosto, por sorte ele estava limpo.
– Ainda quer tomar café da manhã comigo? – perguntei.
– Mas eu não fiz nada. – ela sussurrou.
– Podemos ir naquela lanchonete. O que acha?
– Você não está chateada comigo?
– Claro que não estou, Britt.
Ela ficou em silêncio, me levantei e me apoiei na porta, na esperança dela abri-la.
– Podemos comer aquela torrada que eu gosto?
– Podemos sim. – respondi sorrindo.
Novamente o silêncio. Fechei meus olhos e imaginei o que ela estaria fazendo. Talvez ainda estivesse sentada chorando. De repente a porta foi aberta, e eu cai de cara no chão, fazendo Britt começar a rir.
– Escutando as coisas escondida, Sant? – ela perguntou, ainda rindo.
Quinn e Rachel rapidamente apareceram e começaram a rir.
– O que aconteceu? – Rachel perguntou.
– Eu consegui arrancar um sorriso do rosto da Britt. – respondi, orgulhosa de mim mesma.
– Mas ao mesmo tempo conseguiu um tombo. – Quinn disse.
– Isso não importa. – me levantei, acariciei o rosto da Britt e sorri. – Vamos?
– Para onde vocês vão? – Rachel perguntou.
– À lanchonete, já que meu bolo ficou um desastre.
– Também vamos. – Quinn disse.
– O que?
– Você acabou com o único café da manhã que eu esperava comer, e a cozinha está horrível.
– Está tudo bem. – eu respondi.
– Mas...
– Vai ser legal, Britt.
– Está bem. – ela resmungou.
***
– Britt, você tem razão. Essa torrada é muito boa. – comentei.
– Eu sei.
– Prefiro a torta de morango. – Rachel disse.
– Sou mais a de chocolate. – foi a vez da Quinn.
Eu bebi um pouco do meu milk shake de chocolate, olhei para Britt e sorri, pois ela tinha um bigodinho de leite.
– Hum... Britt. – Quinn a chamou. – Limpe a boca.
Britt fez o que Quinn disse e sorriu, nos fazendo sorrir. Quinn terminou de comer sua torta, limpou a boca e olhou para Britt.
– Você paga.
– O que?
– Sim, você paga.
– Mas eu só comi as torradas e...
– Você destruiu o bolo, então você paga.
Eu soltei uma pequena risada, as duas olharam para mim e eu me encolhi na cadeira. Britt pediu a conta, revirou os olhos e pegou sua carteira, mas eu peguei o dinheiro em meu bolso rapidamente e entreguei à Lucy, junto com a conta.
– Não precisava, Sant. – Britt disse.
– Eu te convidei para vir à lanchonete, então eu pago.
– Mas eu prometi que faria um café da manhã para você.
– Não discuta comigo, Britt.
Rachel e Quinn se levantaram, Britt continuou olhando para mim, eu sorri e segurei sua mão.
– Um dia você paga, está bem?
– Ok.
Então começamos a voltar para casa. Quinn e Rachel iam na frente, pareciam ter uma conversa boa, percebi que Britt havia parado, olhei para trás, ela parecia olhar para as meninas. Me aproximei e vi seus olhos cheios de lágrimas.
– Você está bem? – perguntei.
Britt não respondeu, eu olhei para as meninas, que estavam um pouco mais longe, segurei a mão da Britt e a puxei para o outro lado da rua, entrando em um pequeno bar. O dono disse que eu não podia entrar, por ser menor de idade, mas eu não liguei, puxei Britt até um sofá velho encostado na parede, nos sentamos e olhei para o seu rosto, que já estava molhado pelas lágrimas.
– Eu... eu não devia estar aqui. – ela disse, quase em sussurro.
– É só um bar, eles não vão ligar.
– Não. Estou falando dessa cidade, a casa onde moro... eu não devia ter vindo para cá.
– Britt...
– Quinn me convidou, eu pensei em não aceitar, por causa da Rachel.
– Rachel? O que a Rachel tem a ver com isso?
– Rachel me odeia.
– Isso não é verdade, Britt.
Ela se apoiou no encosto do sofá e estendeu a mão, um garçom se aproximou.
– Traga uma taça de vinho para mim. – ela disse.
– Britt, você não pode beber de manhã.
– Cale a boca, Sant.
O garçom se afastou, Britt passou a mão em seu rosto e olhou para mim.
– Me desculpe.
– Sim, mas...
– Rachel e Quinn eram amigas, quando eu as conheci, eram vizinhas. Quando eu tinha dez anos, fui da mesma turma da Quinn, eu era tão inocente, tinha medo do que as pessoas falariam de mim, então Quinn se tornou minha amiga.
O garçom voltou com o vinho, Britt bebeu um pouco, fechou os olhos e voltou a chorar.
– Não chore, Britt...
– Eu conheci a Rachel quando fui à casa da Quinn pela primeira vez, e eu juro, tentei ser a garota mais legal do mundo, mas Rachel parecia não ter gostado de mim. Quando entramos na adolescência, Quinn não fazia nenhuma aula comigo, mas continuava falando comigo, e sempre me defendia dos outros, às vezes até da Rachel. – ela bebeu mais um pouco e olhou para mim. – Em uma sexta, enquanto estávamos na minha barraca, Quinn já estava dormindo, Rachel disse que Quinn não ligava para mim, apenas falava comigo porque tinha pena de mim.
– Oh...
– Eu não acreditei no inicio, mas Rachel dava ênfase em algumas coisas que Quinn fazia.
– Como o que?
– Me ajudar sempre com o dever de casa, me ensinar a dançar, me defender quando me chamavam de idiota...
– Isso é ser amiga, Britt.
– Eu sei, agora eu sei. Mas antes eu achava que Quinn não gostava de mim como amiga.
– Eu não acredito que Rachel te odeie.
– Fala sério, Sant! Desde que nos mudamos, Rachel está sempre brigando e gritando comigo, por qualquer coisa. E no final, eu sou amparada pela Quinn, como um cachorrinho sem dono.
– Você não é um cachorrinho sem dono.
Peguei a taça da sua mão e a coloquei no chão, a abracei e ouvi seu suspiro.
– Eu só queria que a Rachel gostasse de mim, sabe? Não posso morar com ela. Se eu não voltar para casa, irei receber insultos dela todos os dias.
– Você não vai voltar para casa, vai continuar morando aqui, porque eu não quero perder você.
Ela se afastou, colocou as mãos em meus ombros e sorriu.
– Você é uma boa amiga, Sant. Às vezes eu acho que você tem 22 anos e eu tenho 17.
– Apenas gosto de cuidar de quem gosto.
Acariciei seu rosto, olhei para sua boca e suspirei.
– Seria egoísmo, se eu quiser um beijo agora? – ela perguntou, me fazendo encarar seus olhos.
– Não.
Me aproximei dela, coloquei minhas mãos em sua cintura e prendi minha respiração. Nossos lábios se tocaram lentamente, fechei meus olhos e soltei a respiração que havia prendido. Beijar Britt era exatamente do mesmo jeito que beijar a Quinn. Senti um frio na barriga, minhas mãos começaram a suar e, se eu estivesse de pé, sentiria minhas pernas tremerem. De repente ela se afastou, eu a olhei confusa e ela sorriu.
– Eu disse que o beijo seria igual o da Quinn.
Eu sorri, segurei sua mão e a puxei, mas sem antes deixá-la pagar o vinho. Ao passarmos em frente à um pet shop, eu a puxei para dentro, peguei dois potinhos para água e comida, um saco de ração, uma coleira azul, da mesma cor dos olhos da Britt, uma caminha verde e uma bolinha laranja, os coloquei em cima do balcão e olhei para Britt, que tinha um olhar confuso.
– Vão querer mais alguma coisa? – a atendente perguntou.
– Sim. – respondi. – Queremos adotar um cachorro.
– Sant... – Britt chamou.
– Ele tem que ser filhote, para que a loira aqui atrás cuide dele por muito tempo.
– Está bem. Me sigam.
Eu comecei a segui-la, mas Britt segurou meu braço, me parando.
– O que você está fazendo? – ela perguntou.
– Lhe dando um cachorrinho.
– Mas...
– Para você ter companhia nas corridas matinais, já que eu fui um fracasso. E para você não se sentir mais sozinha.
– Obrigada, Sant. – ela disse, me abraçando.
Fomos atrás da atendente, Britt olhou todos com brilhos nos olhos, queria levar todos, mas não podia. No final escolheu um Golden Retriever, que parecia estar implorando para que ela o adotasse. Ao sairmos da loja, Britt colocou a coleira nele e o colocou no chão.
– Qual nome vai dar à ele?
– Polar.
– Ele é marrom e...
– Mas é fofo.
– Está bem.
Eu sorri, peguei as sacolas na mão da Britt e olhei para o Polar.
– Quinn vai me matar. – a ouvi dizer. – Ela vai dizer que um dia ele vai crescer e não terá lugar para ele ficar.
– Quando ele crescer, é só fazer uma casinha e colocar no quintal.
***
Britt abriu a porta e o Polar correu para dentro, começando a cheirar tudo, e fazendo Rachel gritar de susto.
– Quinn! – Rachel gritou. – Tem um rato dentro de casa!
– Ele não é um rato. – Britt disse. – Seu nome é Polar.
Quinn apareceu rapidamente, eu coloquei as sacolas no chão perto da porta, fechei a mesma e olhei para Quinn.
– Mas que merda é essa? – ela perguntou, apontando para o Polar.
– Seu nome é Polar. – Britt repetiu. – E ele é um cachorro.
– Isso eu estou vendo. O que ele está fazendo aqui?
– Sant me deu ele.
– Santana...
Eu me aproximei dela, a puxei para a cozinha e suspirei.
– Deixe-a ficar com o cachorro.
– Mas ele vai crescer, não terá mais espaço para ele e, quando as aulas começarem novamente, não terá alguém para cuidar dele.
– Eu cuidarei de tudo, Quinn. Britt não estava bem, sentia saudade do antigo cachorro e...
– Eu tinha esquecido o Eddie. Está bem, ele pode ficar. Mas...
– Eu sei, eu sei.
Voltamos para a sala e vimos Britt brincar com o Polar, enquanto Rachel se encolhia no sofá, olhando para Quinn, como se pedisse para ela mudar de ideia, mas Quinn apenas deu de ombros e se aproximou do Polar.
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