Notas iniciais
Buenas noches, angelitos! É apelar demais, postar mais um hoje?

O que eu fiz? O que eu fiz? Não devia ter beijado a Quinn! Isso vai contra os meus princípios... eu estou ferrada! Me joguei em minha cama e fechei meus olhos. O que eu faria? Nem eu mesma sei. Deveria enfrentar, certo? Conversar com a Quinn seria o certo. Me sentei, dei alguns tapas em minha testa e deixei uma lágrima cair dos meus olhos.

– Sant? – ouvi a voz da Quinn. – Santana, posso subir?

Eu não respondi, pois as palavras simplesmente não conseguiram sair da minha boca. Ouvi Quinn subir as escadas, ela parou na porta e olhou para mim, me fazendo virar de costas para ela.

– Você está chorando? – ela perguntou, em sussurro. – Sant, você me beijou e está chorando?

– Eu... eu não devia ter feito isso.

– Porque eu sou mulher.

– Porque eu estou confusa.

– Com o que?

Ela se aproximou e sentou ao meu lado, olhei em seus olhos, que estavam vermelhos, com certeza ela também chorou.

– Com você...

– Confusa comigo? Eu fiz algo para...

– Você é linda, Quinn.

– Ainda não entendi.

– Não vê? Eu sou uma criança, comparada a você, não posso ter nada com você...

– Quem liga para a idade?

– Eu, meus pais, a vizinhança, a sociedade, o mundo...

– Acalme-se Santana. Se você realmente quiser ter algo comigo, não devemos ligar para o que os outros pensam.

– Não é o que eu quero, mas o que eu devo fazer.

– E o que você deve fazer? Ficar trancada nesse quarto fugindo do mundo? Se excluir de tudo e todos, enquanto as pessoas vivem e amam à todo momento?

– Eu não...

– Você se tranca sim. Por que acha que Rachel veio lhe buscar ontem? Ela também percebeu isso, Britt percebeu isso. Você devia ao menos tentar fazer algum amigo, porque isso não ajuda na escolha da sua sexualidade.

– Eu sei sobre a minha sexualidade.

– Sabe? Então me explique. Você é normal, ou é um unicórnio?

– O...

– Coisa da Britt.

– Olhe, eu sei o que devo fazer.

– E o que você...

– Eu devo me envolver com garotos, ter amigas da minha idade, ser uma adolescente normal!

– Então seja uma adolescente normal! Namore os garotos invisíveis e fofoque com suas amigas inexistentes!

Quinn se levantou e saiu do quarto, fechei meus olhos com bastante força e comecei a chorar, me deitei, fiquei encolhida e tentei esquecer tudo o que havia acontecido.

***

– Sant? – ouvi a voz fina e doce da Rachel. – Me desculpe não ter batido, mas acho que você não atenderia, então resolvi entrar. Espero que você não fique chateada. Britt às vezes fica chateada quando entro no quarto dela sem bater, ainda mais quando ela está em momentos constrangedores que, tenho certeza que você não vai querer saber, até porque eu...

– O que você quer? – perguntei, de costas para ela.

– Quinn me disse que você está com raiva.

– E?

– Eu queria saber se é de mim... – ela sussurrou. – Geralmente as pessoas ficam com raiva de mim, por eu ser um pouco irritante. Quero dizer, bastante irritante. Mas isso não signifique que precisem sentir raiva de mim e...

– Rachel, eu não estou com raiva de você.

– Então é de quem?

– De mim.

Ouvi seus passos, indicando que ela se aproximava, fechei meus olhos e respirei fundo.

– Quinn me disse que te beijou, e depois você...

– Eu a beijei.

– Mas Quinn havia dito que você não é um unicórnio.

– Que merda é essa de unicórnio? – perguntei, me virando de frente para ela.

– Britt inventou isso quanto tínhamos 13 anos, então não esquecemos, e...

– Eu não sou um “unicórnio”, se é o que você quer saber.

– Então por que beijou Quinn?

– Eu não sei. Eu estava confusa, Quinn estava flertando comigo e...

– Você ficou curiosa.

Revirei meus olhos, me sentei, Rachel também se sentou e acariciou meu rosto.

– Acha que eu sou isolada? – perguntei, com a cabeça baixa.

– Acho. – eu a encarei, ela sorriu. – Por isso vim lhe convidar para comer o bolo ontem.

– Quinn me disse isso.

– Não fique triste. Ficar confusa na sua idade é normal.

– Eu não estou confusa.

– Não? Então me responda. O que você sentiu, quando beijou Quinn?

– Não sei. Eu senti um frio na barriga...

– As pernas tremeram?

– Sim.

– Suas mãos suaram?

– Um pouco.

– Você quer, ou queria beijá-la cada vez mais?

– Isso conta?

– Claro que conta. – ela respondeu sorrindo. – Agora, o que você sentiu quando beijou um garoto?

– Na verdade...

– Oh! Você nunca beijou um garoto?

– Fale baixo!

– Me desculpe, mas... como sabe que não é um unicórnio, se nunca beijou um garoto?

– Eu apenas sei, está bem?

– Não. Você precisa ao menos beijar um garoto para ter certeza.

– Eu não consigo, nunca me interessei por isso.

– E acha que querer beijar a Quinn novamente seria estranho?

Fiquei em silêncio, Rachel se levantou e segurou minha mão.

– O que está fazendo?

– Nós vamos lá em casa, você vai conversar com a Quinn, vocês vão se acertar e seremos amigas novamente.

– Amigas?

– Sim, somos amigas, certo?

– Acho que sim.

– Que bom. Agora levante-se, lave o rosto, porque você está terrível, e você vai conversar com a Quinn.

***

Entramos devagar, eu estava com a cabeça baixa, passamos por Britt, que estava assistindo televisão, paramos na porta do quarto da Quinn, Rachel bateu na porta e a abriu lentamente.

– Q, alguém quer conversar com você. – Rachel sussurrou.

– Não quero conversar. – a ouvi dizer.

– Mas vocês precisam conversar.

Rachel abriu totalmente a porta, vi Quinn deitada na cama, como eu estava antes, me aproximei mais, Quinn olhou para mim e voltou a olhar para a janela.

– Eu disse que não quero conversar.

– Me ouça, Quinn.

– Não.

Olhei para Rachel, ela deu de ombros e saiu, fechando a porta.

– Me desculpe.

– Pelo que? Ter me chamado de estranha?

– Também. – me aproximei mais, olhei para seus olhos, que estavam cheios de lágrimas e suspirei. – Me desculpe por ter beijado você e depois ter fugido, por ter lhe chamado de estranha e por ter praticamente te expulsado do meu quarto.

– O que eu ganho, se lhe desculpar?

– Minha amizade?

– Serve.

– O que?

– Estou brincando.

Ela se sentou, eu me sentei ao seu lado e encarei seus olhos.

– Vai me desculpar?

– Sim. E me desculpe ter lhe beijado, sem te pedir, e depois ter gritado com você.

– Tudo bem.

Eu me aproximei lentamente, mas Quinn me puxou para um abraço, que eu estava gostando.

– Você pode ser uma criança, mas é legal. – ela disse, enquanto se afastava.

– Eu não sou criança.

– Você mesma disse isso.

– Eu estava nervosa e...

– Não comece, Sant.

– Está bem, eu sou uma criança.

Nós rimos, me levantei e Quinn segurou minha mão.

– Espere um pouco.

– O que?

Ela se levantou, se aproximou da porta e sorriu.

– Quando eu gritar, grite qualquer coisa, está bem? – ela sussurrou.

– Por quê? – perguntei no mesmo tom.

– Apenas grite.

– Está bem.

– Você foi muito infantil, Santana! – ela gritou.

– Hum... Eu... Eu sou infantil, lembra? Tenho 17 anos! – também gritei.

– Isso não signifique que você deva ser infantil! Cresça!

– Cresça? – perguntei, em sussurro, ela deu de ombros e eu suspirei. – Eu sou grande, não vê? Sou maior que a Rachel!

– Essa foi boa. – ela sussurrou. – Então use a mentalidade de uma pessoa mais velha!

– Devia dizer isso para você mesma, que me beijou, sem nem ao menos avisar!

– Isso doeu. – ela sussurrou. – Quer saber? Saia daqui! Não quero mais saber de você! Vá ficar com seus amigos, se é que eles existem!

Quinn rapidamente abriu a porta, Rachel e Britt caíram no chão, nos fazendo rir, e deixando-as coradas.

– Que feio, meninas! – eu disse, ainda rindo.

– Seus pais não ensinaram a não ouvirem a conversa dos outros, escondidas? – Quinn perguntou, também rindo.

– Queríamos saber o que estavam conversando. – Britt disse, se levantando.

– Isso doeu... – Rachel resmungou.

– Vamos! Saiam daqui, antes que eu tenha que colocar uma câmera na porta do meu quarto.

As duas foram para a sala, eu me aproximei da Quinn e começamos a parar de rir.

– Quer jantar conosco? – ela perguntou.

– Pode ser.

Saímos do quarto, Quinn pediu pizza, ficamos assistindo televisão e depois comemos a pizza.

Notas finais
Beijos, lindas!