Neighboring
18 Abuela
Notas iniciais
Acordar com aqueles olhos azuis me encarando não foi fácil. Britt sorriu e acariciou meu rosto, me fazendo fechar os olhos novamente.
– Quinn está fazendo panquecas. – a ouvi dizer.
Novamente abri meus olhos, ela me deu um selinho demorado e sorriu novamente.
– Com mel? – perguntei, com a voz falha.
– Sim, com mel.
Eu sorri, Britt se sentou e se espreguiçou, me fazendo ver um pouco de suas costas brancas, fechei meus olhos e me virei de bruços.
– Eu não quero me levantar... – murmurei.
– E vai perder as panquecas? – ela perguntou rindo.
– Posso comer na cama.
– Não mesmo. Quinn me mataria se vesse minha cama suja.
– Britt...
– Levante-se, Santana.
Me virei de frente para ela, abri meus olhos e suspirei, ao vê-la tirar a blusa.
– Não pode fazer isso depois de eu sair?
– Você está enrolando demais.
Percebi que Britt estava sem sutiã, me sentei e olhei para a porta, assim que ela se virou para mim.
– Britt! Coloque uma roupa.
– Estou fazendo isso.
Ela sorriu e tirou seu short, sua calcinha era azul, assim como seus olhos. Britt foi até seu armário, pegou uma camiseta preta e a colocou, em seguida pegou um short rosa.
– Não vai usar sutiã? – perguntei, me levantando.
– Não quero.
– Britt, estão prontas! – Quinn gritou.
Eu abri a porta, vi Rachel sair de seu quarto e sorriu ao me ver.
– Buenos dias, Sant.
– Buenos dias, Rae.
Ela me deu um selinho, foi para a cozinha e Britt apareceu atrás de mim.
– Vamos?
– Ainda preciso tomar um banho, colocar outra roupa e...
– Come primeiro, depois você faz isso.
Entramos na cozinha, Quinn olhou para mim e sorriu.
– Bom dia, Sant.
– Bom dia, Quinn. Onde estão as panquecas?
– Já estão na mesa. Tem leite e suco na geladeira, ou tem café.
– Obrigada.
Me aproximei dela e lhe dei um beijo na bochecha, me aproximei da geladeira, peguei uma caixinha de leite e a coloquei em cima do balcão, vendo Britt ir para a sala de jantar.
– Estou com medo. – ouvi Quinn dizer.
– Do que?
– Nós iremos sentir saudade, mas Rachel e eu somos fortes, poderemos aguentar em três semanas, ou Rachel suportará por duas. Mas Britt é diferente, sabe?
– Ela parece bem.
– Atuação, Santana. Conhecer Rachel por muito tempo ajuda a aprender isso. Quando eu acordei, vi Britt sentada no sofá chorando.
– Não quero vê-la sofrer.
– Eu também não.
Quinn colocou a última panqueca no prato e se virou para mim.
– Ela disse que está com medo que eu encontre outra loira por lá, e a esqueça.
– Sim, todas nós temos esse medo.
– Acha que isso pode acontecer?
– Tudo pode acontecer.
– Frase de contos de fadas?
– Frase que a Britt usa.
Eu peguei o prato de sua mão, sorri e olhei em seus olhos verdes.
– Eu não vou me apaixonar por outra, não me permitirei fazer isso.
– Espero que não.
– Quinn, onde estão o resto das panquecas? – Rachel gritou.
Nós rimos ao mesmo tempo e fomos para a sala de jantar.
***
Eu tinha apenas 17 anos, era injustiça ver três mulheres chorando porque eu ia ficar três semanas fora. Tentei não olhar para trás depois de ter entrado no carro, mas não consegui evitar e as vi chorando, uma abraçada na outra. Eu queria chorar, mas não fiz, apenas ergui a cabeça, suspirei e não olhei mais para trás.
– Três semanas... – murmurei para mim mesma. – Apenas três semanas e o pesadelo acaba.
– Disse algo, Santana? – minha mãe perguntou.
– Não.
Ao entrar na casa da minha abuela, vi minha duas primas, Carmen e Esmeralda, estavam sentadas no sofá. Fui direto para o quarto que eu ficaria, coloquei minha mala em cima da cama e me sentei. Eu já estava sentindo falta das meninas, na verdade nem queria estar ali.
– Santana, querida! – ouvi minha abuela dizer na porta.
Me levantei com um grande sorriso e a abracei. Eu ainda não queria estar ali, mas amava minha abuela, e adorava passar alguns dias com ela.
– Senti saudades, abuela.
– Tambiém sentí, pequeña.
Nos separamos, ela acariciou meu rosto e beijou minha testa.
– Achei que você não queria vir. – ouvimos minha mãe dizer.
– Eu não queria, mas estou feliz por estar perto da minha abuela de novo.
As duas sorriram, fomos até a sala e ficamos conversando por um longo tempo, na verdade eu apenas escutava, pois tinha a mente em outro lugar.
***
Estava quase na hora de dormir, eu ainda não tinha ligado para as meninas e minhas primas ainda estavam acordadas assistindo televisão. Peguei o telefone, fui até a varanda e disquei. Deu quatro toques, achei que elas já estavam dormindo.
– Sim? – ouvi Rachel dizer.
– Buenas noches, Rae!
– Oh! Sant! Buenas noches! Como você está? Sua abuela é legal? Suas primas estão sendo legais com você? Já sinto saudades... O que você fez hoje? Comeu bem? Não quero que você fique com fome. Eu disse à Quinn para lhe dar algumas panquecas para você comer quando chegar, mas ela nunca me ouve, sabe? Me diz que você comeu, ou eu irei até ai e...
– Se acalme, Rachel! – a interrompi. – Estou bem, minha abuela é legal sim, minhas primas ainda não começaram a me atormentar, o que é bom, também estou com saudades, de todas vocês, eu não fiz nada de mais, apenas conversei com minha abuela e pensei em vocês, eu comi sim, não estou passando fome, não precisa se preocupar, e eu sobrevivo sem as panquecas da Quinn.
Ouvi sua risada, eu suspirei e me sentei no chão, me encostando na parede.
– Por que ainda não está dormindo? Já passou das onze da noite e...
– Rachel, sem sermões. Estou acordada porque estou ligando para vocês, o que acha?
– Me desculpe.
– Tudo bem... Onde estão as meninas?
– Quinn está terminando de colocar Beth para dormir, e Britt está estirada na grama olhando para a lua.
– Sexta... – murmurei.
– Ok, Quinn está aqui. Vou passar o telefone para ela.
Respirei fundo e fechei meus olhos, em seguida os abri e olhei para a lua.
– Sant?
– Oi Quinn...
– Você está bem? Está comendo, certo?
– Estou bem, Quinn. Como você está?
– Não sei... com saudade, eu acho.
– Você acha?
– Eu acho. Já senti saudade antes, mas isso é diferente.
– Diferente por quê?
– Sinto que posso lhe perder a qualquer momento.
– Você não vai me perder, Q.
– Ok... Não devia estar dormindo?
– Eu não estou com sono, está bem? – respondi, revirando os olhos.
– Não precisa se irritar, Santana. Apenas me preocupo, porque você ainda é uma criança, e tem que dormir bem.
– Eu sei, me desculpe. Posso falar com a Britt agora?
– Está bem.
Eu fui uma idiota à pouco tempo. Elas apenas se preocupavam comigo, estavam apenas cuidando de mim.
– Hum... Sant?
– Britt... Como você está?
– Bem. Estou vendo a lua, e você?
– Também estou vendo a lua.
– Sabe o que minha mãe dizia?
– Não, o que?
– Quando duas pessoas distantes olham para a lua ao mesmo tempo, quer dizer que as duas estão com saudade e está pensando na outra.
– Sua mãe tem razão, Britt.
– Ela sempre tem.
Eu sorri, olhei para a lua e me lembrei de seus olhos azuis.
– Britt, qual foi a melhor coisa que aconteceu com você essa semana?
– Hum... Acho que ter ido buscar Beth no aeroporto. Ela estava tão feliz, e Quinn também ficou feliz.
– Concordo.
– E você, Sant? Qual foi a melhor coisa que aconteceu com você?
– Descobrir que amo as três mulheres mais lindas e perfeitas do mundo.
– É... acho que isso também conta.
Novamente sorri, e sabia que ela também estava sorrindo. Olhei para o lado e vi minha abuela saindo de casa, parecia estar indo para o jardim.
– Britt... espere um pouco.
– Está bem.
Me levantei rapidamente e corri até minha abuela.
– O que está fazendo, abuela? – perguntei, abaixando o telefone.
– Apenas caminhando. Quer vir comigo?
– Sim, espere um pouco.
Voltei até a varanda, olhei para minha abuela que continuava caminhando até o jardim e suspirei.
– Britt?
– Sim.
– Vou ter que desligar agora.
– Está bem.
– Amanhã eu ligo novamente no mesmo horário.
– Não se esqueça.
– Não esquecerei.
– Eu te amo, Sant.
– Eu também te amo, Britt. Diga isso às meninas por mim?
– Sim.
Desliguei o telefone, o coloquei no banco que havia perto da porta e voltei para perto da minha abuela.
– Eram suas amigas? – ela perguntou.
– O que?
– As três mulheres que você ama, são suas amigas?
– Oh! Sim, s-são minhas amigas! N-novas vizinhas n-na verdade...
– Por que está mentindo para mim, Santana?
Eu parei, estava surpresa, voltei a andar ao seu lado e senti meu rosto corar.
– Não estou mentindo, abuela.
– Eu lhe conheço, Santana. Desde que você nasceu, sempre começa a gaguejar quando mente.
– M-mas eu não estou m-mentindo.
– Santana Lopez... – ela me repreendeu, parando.
Eu também parei, abaixei minha cabeça, evitando olhar para ela.
– Você vai ficar brava comigo... – sussurrei.
– Tente.
– Não quero que você fique brava.
– Apenas tente.
– E-eu... eu estou apaixonada por três mulheres. – respondi rapidamente.
– Espera! Apasionado, no sólo uno, sino tres mujeres? – ela gritou.
– Está vendo porque eu não queria dizer.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas, minha abuela se aproximou, eu achei que ela me bateria, mas ela apenas me abraçou, me fazendo deixar as lágrimas caírem.
– Eu não estou brava com você, Santana. Estou apenas confusa... Minha pequena, que sempre foi mais sensata que minhas outras netas gosta de m...
– Mulheres. – completei.
– Você tem certeza disso?
– Eu tenho... eu acho que tenho...
– Acha?
– Eu as amo, abuela... mas tenho medo do que os outros podem pensar de mim, sabe?
– O que importa é o que sua família pensa, Santana. Eu ainda não me conformei com isso, mas estou aqui, lhe acolhendo, lhe aconselhando...
– Devo dizer aos meus pais?
– Sim.
– Mas e se...
– E se eles não lhe aceitarem, você virá morar comigo.
– Mas... se eu vir para cá, não poderei ver as meninas...
– Nós daremos um jeito nisso, está bem?
Afirmei com a cabeça, ela secou minhas lágrimas e beijou minha testa.
– Te quiero, abuela.
– Yo también te quiero, cariño.
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