Necrofilia II: A Ilha
5 O Gosto da Morte
Notas iniciais
Ao cair da noite Jason me levou para fora de casa. Dessa vez não estava de quatro andando como uma cadela, mas ele ainda me segurava como uma. Estávamos na varanda dos fundos, com vista para o mar e um caminho que levava à uma plataforma que ia além da beirada do precipício, de onde se podia observar as luzes da cidade que crescia ao longo da costa de La Désirade.
— Morar aqui em cima é bastante solitário – ele disse – mas é bom para fazer o que faço.
— Foi aqui que você matou todas aquelas pessoas dos passaportes?
Ele me olhou surpreso.
— Andou bisbilhotando as minhas coisas?
— Não foi porque eu quis.
— Hum. Como você sabe, nem sempre morei aqui.
— Quando começou?
— A matar, ou foder gente morta?
— As duas coisas.
— Eu sempre gostei da morte. Quando criança arrancava as cabeças de ratos e morcegos, estripava pássaros e outros animais, mas nunca me sentia satisfeito. O meu desejo era matar pessoas, vê-las sofrer antes de morrer, observar como elas agiriam e ouvir suas súplicas. Aos dezoito anos esfaqueei os meus país enquanto eles dormiam. Foi maravilhoso, senti meu corpo pulsar de prazer e felicidade.
Tentei processar aquele relato pavoroso sem me deixar abalar por aquilo, mas era impossível. Segurei o medo e continuei encarando-o com o semblante mais indiferente que conseguia.
— Depois de ser inocentado eu recebi minha herança. Meus pais eram empresários bem sucedidos, então não me preocupei com dinheiro.
— Aí você resolveu assumir identidades falsas e viajar pelo mundo satisfazendo sua ânsia por carnificina.
Ele meneou a cabeça positivamente.
— Quem é Brooke?
— Está na hora de entrar.
— Diga-me quem ela é, ou foi! – insisti. – Você a amava não foi? Será que foi capaz de matá-la?
— Cale a boca!
Ele puxou a corrente para trás, apertando o meu pescoço e me deixando sem ar. Me olhou nos olhos, chegando seu rosto para perto do meu, forçando mais e mais a corrente.
— N...ã...o me ma...te... – eu disse com dificuldade, então ele folgou a corrente e eu respirei fundo.
— Você não tem o direito de falar sobre a Brooke.
Jason me arrastou para casa, levando-me de volta ao porão e me prendendo a grilhões na parede, como se prendiam os escravos e infratores nas masmorras. Em seguida ele agachou diante de mim, levantando o vestido e afundando sua boca em minha pélvis, me fazendo gemer, mesmo que eu não quisesse aquilo. Enfiou os dedos em minha vagina e apalpou os meus seios por baixo do vestido. Depois de um tempo ele se levantou e me encarou com um olhar lunático, segurou minhas bochechas e as apertou contra os meus dentes, deu-me um tapa no rosto e me beijou em seguida e mesmo que recusasse era impossível livrar-se dele. Ali, em pé e agarrada a parede, ele me violou mais uma vez, satisfazendo seus sádicos desejos sexuais.
***
Jason injetou uma dose do tranquilizante em Eva e esperou alguns poucos segundos até que fizesse efeito. Em seguida livrou-a dos grilhões na parede e a colocou de volta na cadeira, tomando o cuidado de afivelá-la para que não ocorresse nenhum imprevisto. Caminhou até um dos dois armários com portas de vidro e agachou-se, abrindo a gaveta e retirando seus equipamentos e materiais de tatuagem. Aprontou tudo no pequeno braço anexo a cadeira e iniciou o trabalho, que não seria demorado.
Pegou a mão esquerda da garota e virou de forma que a sua palma ficasse de frente para ele, depois começou a tatuar a ponta do dedo mindinho, com gestos suaves e sem ajuda de um desenho prévio. Quando terminou de tatuar, se afastou e olhou extasiado.
XIX.
Eva era a vítima dezenove. A vítima feminina na verdade, já que os desejos sexuais macabros de Jason não levavam o sexo em consideração.
Conrad deixou a maquininha de tatuagem no braço da cadeira e focou sua atenção para outra ferramenta: uma pequena serra elétrica, cujo serrador tinha o tamanho de uma lixa de unha. O rapaz pegou a lixa e testou seu funcionamento, fazendo o aparelho zumbir. Ligou mais uma vez, tomando a mão da garota e aproximando a serra cada vez mais do dedo mindinho tatuado, até esta tocar o dedo, decepando-o no segundo seguinte.
O ferimento jorrou sangue no rosto de Jason, mas ele não se importou. Uma gota escorreu até o seu lábio e sua língua deslizou sobre ela, saboreando-a.
O gosto da morte.
Antes de voltar ao andar superior, Conrad tratou de cuidar da mutilação, lavando-a com álcool e atando com gazes e esparadrapos. Saiu do cômodo com o dedo nas mãos, indo direto ao seu quarto no primeiro andar, onde a escrivaninha o esperava com o seu aparato de taxidermia. Limpou cuidadosamente o dedo, retirando as partes indesejáveis e lavando-o com produtos especiais, depois encheu-o com o preenchimento adequado e finalizou juntando-o a um pequeno pedestal de madeira com o nome EVA entalhado. Agora que estava feito, Jason guardou o troféu junto aos outros numa estante embutida na parede, escondida pela beleza de uma imensa pintura da ilha, que ia do chão ao teto.
Sentiu-se realizado ao contemplar todos os troféus, mesmo antes de completar o ciclo, o que significava matar a vítima, manter atos sexuais com o corpo e depois armazenar suas partes para consumo próprio.
***
Quando eu despertou sentia uma agonia dolorosa numa das mãos. Estava amarrada a cadeira novamente e isso me incomodava bastante. Olhei para minha mão esquerda e não acreditei.
Ele arrancou o meu dedo!
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