Necrofilia II: A Ilha
6 Gato e Rato
Notas iniciais
Jason tinha saído com a sua Land Rover Defender e deixara Eva sozinha, trancada e amarrada no porão como um animal. Ele acreditava estar cedo para matá-la, já que costumava torturar suas vítimas por um bom tempo, até que elas mesmas suplicassem pela morte, ou lutassem bravamente pela vida. Enquanto isso não acontecia ele geralmente se aventurava pela noite da ilha, buscando presas fáceis e vulneráveis, preferencialmente bêbadas e sozinhas, vagando pelas festas noturnas enquanto o corpo metaboliza as drogas.
Naquela noite ele fez o papel de figurante durante quase todo tempo. Observando as vítimas em potencial, vendo-as se entregar para a embriaguez e dormência das substâncias entorpecentes. Já era madrugada quando ele achou o alvo perfeito – um homem de aproximadamente trinta anos, de pele morena e cabelos encaracolados, possivelmente latino do continente.
O rapaz tinha as pupilas dilatadas e os olhos vermelhos enevoados e segurava um copo de coquetel quando Jason fora até ele. Estavam na beira da praia, um pouco afastados da aglomeração de pessoas envolta da fogueira, que dançavam ao som de ritmos caribenhos.
— Gostando de La Désirade? – Jason perguntou, sentando ao lado do homem.
— Muito festiva – ele respondeu sorrindo.
— Eu sei, moro aqui.
— Nossa! Que sorte cara! Eu poderia morar aqui o ano todo.
— Já é.
O homem tirou um cigarro de maconha e um isqueiro do bolso.
— Você fuma?
— Dou um tapa as vezes – Jason respondeu. – Como você chama?
— Andrew.
— Sou Jason, Andrew.
Andrew acendeu o cigarro, puxando o ar profundamente, fazendo mais brasa, depois estendeu-o para o novo “amigo”. Jason tragou uma ou duas vezes e devolveu o baseado ao rapaz e eles ficaram apenas nisso por um tempo.
— Onde você está hospedado?
— Num hostel, no outro extremo da ilha.
— Eu moro lá em cima.
— Puts cara! Caraca. Deve ser o pico!
— Vambora! Eu te dou uma carona até o hostel, aí te levo pela parte alta e você curte a vibe lá de cima.
— Pode crer, parceiro!
Andrew e Jason embarcaram na Land Rover e seguiram pela estrada que levava ao topo do tabuleiro, margeando o despenhadeiro. Andrew estava, entre outras palavras, chapado.
— Veio sozinho para La Désirade?
— Eu e dois amigos, mas eles estão em Guadalupe, acho que voltam amanhã!
— Curtindo a vista?
— É irada!
Jason estacionou o carro próximo a borda da escarpa e os dois saíram no meio da noite, fitando o horizonte. Enquanto Andrew se perdia olhando para a paisagem, Jason foi até o porta malas do carro e retirou um bastão de metal. Aproximou-se do rapaz sem pressa, desferindo um golpe na cabeça do turista, que tombou desacordado. Jason retirou as roupas do homem e o colocou de bruços e enquanto fazia sexo, ele quebrou o pescoço de Andrew, matando-o ali mesmo, onde apenas a lua era sua testemunha.
Quando terminou de satisfazer seus anseios necrófilos, Jason arrastou o home para a borda do abismo e pôs fogo nele e nas roupas, esperando até que o fogo se apagasse para que ele pudesse jogar os restos mortais em queda livre contra as rochas mais abaixo.
***
Passei dois dias inteiros sem ver aquele psicopata, mas ele estava lá, levando-me água e comida – feita com gente morta – sempre que eu dormia. Ele sempre sabia quando eu adormecia, talvez houvesse uma câmera escondida, ou coisas do tipo, para que ele espionasse suas vítimas e controlasse seus movimentos.
Enquanto ele não apareceu eu pensei mil maneiras de escapar daquele maldito porão, mas como eu faria isso? Acorrentada ao chão, com fome – já que não comia o que me era dado – e fraca. Era impossível sair dali naquele estado.
Quando começava a pensar que ele não viria mais, ele apareceu e me tirou do porão, levando-me para cima, onde pude ver novamente a luz do sol. Deixou que eu tomasse banho, mas se manteve ao meu lado, segurando a corrente como forma de prevenção, depois refez o curativo para o dedo que ele mesmo havia arrancado.
— Como está se sentindo?
— Você se preocupa? – perguntei irritada.
Estávamos no quarto de hóspedes, onde eu tinha ficado com o Cayo.
— Talvez.
— O que você está esperando para me matar?
— A sua permissão.
— E se eu não permitir?
— Eu te deixo minha refém pelo resto da vida. Pode ser minha escrava sexual!
— Acho que já sou isso.
— Talvez não pela vida toda. Prefere morrer ou passar a vida toda aqui?
— Pensando melhor, a morte não me parece tão ruim agora – respondi em tom de deboche.
Ele tocou minhas bochechas de forma suave e carinhosa, me beijando em seguida.
— Ainda prefere a morte?
— Sim.
Ele me beijou novamente, me jogando de costas para a cama e acariciando-me de maneira gentil. Subitamente retirou um molho de chaves do bolso para destravar a coleira envolta do meu pescoço e a atirou no chão. Eu olhei discretamente para o vaso sobre o criado mudo ao lado da cama.
— Prefere a morte?
— Sim.
Beijou-me mais uma vez, com mais vontade a cada segundo. Eu estendi a mão até a mesa de cabeceira e apanhei um vaso de vidro, atirando na cabeça dele com força. Jason soltou um urro raivoso e rolou para o lado, enquanto eu corria para fora do quarto, trancando a porta pelo lado de fora.
Como gato e rato, pensei.
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