Notas iniciais
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Desci a escada correndo e cheguei a sala, indo direto a porta de entrada da casa. A porta estava trancada e a chaves não estavam na fechadura. Fui até as janelas, mas estas também só eram abertas com chaves. Eu estava presa de qualquer maneira. Ouvi quando Jason destravou a porta do quarto e começou a descer a escada, então corri para a cozinha, peguei uma faca no faqueiro sobre o balcão e me escondi ali mesmo.

— Gosta de ser a caça e eu gosto de ser o caçador, será que você é uma boa jogadora? – ele disse quando pôs os pés na sala.

Continuei em silêncio, ouvindo seus passos pela casa e tentando adivinhar onde exatamente ele estava. Os passos ficavam mais próximos e de repente cessaram. Ele estava parado, talvez a menos de dois metros de distância. O que eu faço?

Repentinamente copos, talheres e outros objetos caíram perto de mim e eu me assustei. Ele tinha empurrado tudo que estava sobre o balcão. Levantei-me apontando a faca para Jason, enquanto ele me olhava com seus olhos castanhos, transmitindo uma calma perturbadora.

— Acha mesmo que consegue me deter com isso?

— Não chegue mais perto!

Acho que ele não entendeu a mensagem, pois um segundo depois ele começou a dar a volta no balcão, enquanto eu me afastava pelo outro lado. Jason pegou uma vassoura encostada a parede e segurou como se fosse uma lança, caminhando para mais próximo de mim. Eu continuava de frente para ele, a faca em riste e o coração na boca. Tropecei em um degrau atrás de mim e me desequilibrei por um estante, mas não caí, foi quando Jason golpeou minha mão com a vassoura, fazendo-me derrubar a faca.

Corri de volta à escada em desespero. O que eu estou fazendo? Jason foi em meu encalço, desferindo outro golpe com a vassoura, dessa vez no meu pé e eu caí sobre os degraus. Ele tentou me agarrar, mas eu o chutei no rosto e continuei subindo a escada. Jason segurou meu pé e eu caí novamente. Mas que droga!

— Não fuja de mim sua puta!

Agarrei-me firmemente às hastes de madeira da escada, enquanto Jason me puxava com mais força.

— Solte, vadia!

Mas eu não soltei, estava abraçada às hastes como se agarrasse a minha própria vida. A força foi tanta que uma das hastes cedeu, se soltando da escada e sendo puxada junto comigo. Virei-me de frente para Jason enquanto ele me puxava para baixo e acertei sua cabeça com a haste. Ele perdeu o equilíbrio e caiu da escada, rolando até o chão sobre os quatro últimos degraus. Foi quando eu pulei sobre ele golpeando novamente sua cabeça, como um jogador de baseball rebate a bola.

Ele ficou inconsciente!

Enquanto Jason permanecia desacordado, eu o arrastei até o porão com dificuldade e o amarrei aquela cadeira maldita. Fiquei sentada ao seu lado até que ele acordasse, era a minha vez de jogar.

***

Jason despertou com uma forte dor de cabeça e no primeiro momento não entendeu o porquê de não conseguir se mexer. Estava sentado na cadeira cirúrgica do porão, a visão um pouco embaçada, distinguindo apenas um vulto ao seu lado. Seus olhos começaram a se adequar a luminosidade e então ele notou Eva, que devolvia um olhar malvado para ele.

— O que você vai fazer?

— Talvez pior do que fez com o meu marido – ela se lembrou do que ele havia dito, quando era ela que estava naquela situação.

Eva se levantou e chegou mais perto, apalpando o membro viril do rapaz, com a mão sobre a calça. Fez movimentos suaves, abrindo o zíper e pondo seu pênis para fora, tocando-o com calma.

— Acho que devo arrancar isso – Eva disse apertando com força até que Jason gritasse como menininha.

Deslizou seus dedos pelo abdômen definido do rapaz até chegar ao seu rosto, onde ela deu tapinhas de leve em suas bochechas.

— E se eu desfigurasse o seu rosto? São tantas possibilidades, não acha?

— Você não é assim, não é como eu!

Eva foi aproximando seu rosto ao pescoço dele, até tocá-lo. Beijou até chegar aos lábios e de repente mordeu o lábio inferior com força, até sentir o sangue brotar pelas marcas deixadas pela mordida.

Levou sua mão aos olhos do rapaz e os pressionou com os polegares, fazendo-o gemer de dor.

— Essa é uma coisinha que eu aprendi vendo televisão, me pareceu bem doloroso.

— Vadia! – Jason gritou.

***

Aquilo era só o começo.

Deixei-o gritando no porão e subi para a sala, procurando algo que fosse grande, grosso e que machucasse bastante. Aquele homem nojento tinha matado o meu marido, feito um cozido com as partes do corpo dele, me estuprou, me fez refém e me mutilou, ele merecia mais do que uma morte rápida. Ele merecia sofrer!

Fui até o quarto do Jason e mexi nas coisas dele, acabei achando mais do que eu imaginava. Atrás de um quadro gigante que retratava a ilha eu encontrei uma vitrine onde eram guardados todos os dedos arrancados das vítimas, inclusive o meu e do meu marido, sobre plaquinhas de madeira entalhadas com nosso nome. Mas a visão mais perturbadora daquela vitrine macabra não era o conjunto de dedos mindinhos empalhados, nem a quantidade deles, mas sim o que estava atrás deles. A mulher da foto, Brooke Desmont, estava ali naquele lugar, empalhada e nua, olhando-me com um semblante inexpressivo.

Desviei o olhar e coloquei o quadro de volta no lugar, voltando a vasculhar o quarto. Dentro do guarda-roupas encontrei uma maleta com artigos eróticos e em uma das gavetas achei um revólver winchester 44 carregado.

Como eu tinha imaginado!

Uma pessoa sádica e sexualmente perturbada como Jason, deveria ter brinquedos sexuais escondidos em algum lugar. Na volta passei pelo meu quarto e apanhei as correntes. Quando retornei ao porão ele me olhou desconfiado e eu levantei o dildo e o revólver que carregava numa das mãos.

— Acho que vamos nos divertir!

Notas finais
Que comecem os jogos! Próximo capítulo dia 03/12/2016 às 15:10