Natural Born Killer
23 Vingança?
Notas iniciais
Enfim, esse também é outro capítulo preferido... Acho que daqui pra frente todos os capítulos serão meus preferidos, rs.
Espero que gostem também.
Música: Rammstein - Hallelujah (http://www.youtube.com/watch?v=XasjOg-b2nw)
07 DE JANEIRO DE 2007
Ramirez abriu seu livro preferido enquanto se sentava no banco do parque quase vazio. Já estava escuro e a pouca iluminação dificultava a leitura, mas a visita diária era uma rotina que ele não gostaria de deixar de ter. Algumas pessoas arrumavam seus pertences para ir embora, enquanto alguns jovens passavam rindo alto e correndo com suas bicicletas metálicas. Ramirez leu as primeiras linhas do capítulo e logo sua atenção foi tirada quando um homem sentou-se no banco ao seu lado.
– Ramirez? – o homem perguntou – Ramirez González?
– Sim...? – Ramirez respondeu enquanto fechava o livro nas mãos.
– Não se lembra de mim? – o homem perguntou erguendo as sobrancelhas.
Ramirez olhou o rosto do homem por um instante e por fim sorriu.
– Claro! Nossa, quanto tempo! – Ramirez falou sorrindo enquanto colocava o livro no espaço vazio no banco e levantava.
O homem levantou sorrindo e abraçou Ramirez.
– Pois é. Achei que não estivesse mais aqui. – o homem falou soltando o abraço.
– Moro com a minha mãe. Nunca conseguiria deixar Northamptonshire, tenho tantas lembranças boas daqui... Esses dias fui ao Pitsford! – ele respondeu alegre.
O homem desmanchou o sorriso.
– Pitsford? Hum... Nunca mais fui lá. – ele deu de ombros enquanto se sentava novamente no banco.
– Não mudou nada. As salas ainda são grandes e abafadas. – Ramirez riu.
– Podíamos tomar um drinque e colocarmos o assunto em dia. – o homem sugeriu.
– Boa ideia. Só me deixe ligar para a minha mãe... – Ramirez respondeu enquanto colocava a mão no bolso para pegar o celular.
– Não! – o homem segurou o braço de Ramirez – Você liga quando chegarmos lá, assim você vai poder dizer à ela exatamente onde você está. – o homem sorriu de canto.
– Tudo bem então. Vamos? – Ramirez perguntou.
– Claro, meu carro está ali. – o homem respondeu apontando para um carro preto estacionado do outro lado da rua.
Os dois seguiram até o carro e entraram. O homem ligou o carro e seguiu pela rua quase vazia. Após alguns minutos de conversa, Ramirez estranhou o caminho; o homem havia pegado uma saída e dirigia por uma estrada escura e vazia.
– Onde estamos indo? – Ramirez perguntou curioso.
– Tem um bar de estrada não muito longe daqui. Lá servem os melhores drinques de todos. – o homem respondeu calmo.
Ramirez sorriu aliviado e voltou sua atenção para a estrada. A lua iluminava o céu e dividia espaço com várias estrelas. Sorriu. Ele gostava de prestar atenção nas pequenas coisas que muitas vezes deixávamos passar despercebidas. Gostava de ouvir o barulho da água corrente e o cheiro do café de manhã. Gostava de ver como sua mãe balançava calmamente a cadeira de balanço e como os quadros na parede eram perfeitamente alinhados. O homem parou o carro no canto da estrada e Ramirez estranhou; não havia nenhum bar ali. Sequer havia alguém.
– Esqueci meu celular no banco de trás. É rápido. – o homem falou enquanto saía do carro e abria a porta traseira.
O homem entrou no carro e fechou a porta. Abaixou e pegou uma corda grossa em baixo do banco do motorista. Deslizou rapidamente pelo banco e se colocou atrás de Ramirez. Enrolou as duas pontas da corda em suas mãos e a colocou na frente de Ramirez, pressionando o pescoço dele. Ramirez sentiu uma forte pressão na cabeça enquanto seus pulmões imploravam por oxigênio. Podia sentir seus olhos queimarem e tinha a certeza de que poderiam explodir a qualquer momento. Perdeu os sentidos e seu corpo amoleceu. O homem tirou a corda com cuidado do pescoço de Ramirez e a colocou de volta no lugar. Saiu do carro e sentou-se no banco do motorista, batendo a porta com força. Estava feito. Não podia voltar atrás, ele tinha que continuar. O corpo semimorto de Ramirez continuava sentado no banco quando o homem guiou o carro pelo meio do mato fresco, parando na frente da casa abandonada. O homem carregou o corpo até a entrada da casa e o colocou no chão. Abriu a porta velha com o pé e arrastou o corpo para dentro.
Ramirez abriu os olhos com dificuldade e pôde observar o local sujo e mal iluminado. Seus pulsos estavam presos atrás de suas costas e ele podia sentir a corda grossa arranhar dolorosamente a sua pele. Estava apenas de cueca e suas roupas estavam jogadas não muito longe dali. Sentiu dor nos músculos por ter estado deitado no chão duro por tanto tempo. Seus ossos tremeram assim que ouviu o ranger da porta. O homem entrou no quarto e não pareceu surpreso por ver Ramirez acordado. Andou lentamente até ele e sorriu de canto. Agachou-se e olhou nos olhos da vítima, como se quisesse fazê-la entender que aquele seria o último dia de sua vida.
– Eu poderia te dopar ou te envenenar. – o homem deu de ombros – Mas não seria tão divertido.
– O-O que você... Vai fazer? – Ramirez perguntou tremendo.
– Você se lembra de todas as vezes que você riu de mim? Agora quem irá rir de você sou eu, seu mexicano de merda. – o homem falou cuspindo.
Ramirez apertou os olhos e virou a cabeça. O homem deu um tapa forte e ardido em seu rosto.
– Olhe para mim... Olhe para mim! – o homem gritou – Quero ver a dor em seus olhos... Quero que você veja o sorriso em meu rosto. – o homem falou sorrindo – Quero que conheça alguém.
Ramirez sentiu sua respiração falhar assim que viu o homem pegar um pano negro e tirar uma faca de desossar de no mínimo 28 centímetros.
– Quero que conheça Angeline. – o homem falou enquanto passava o dedo indicador pela lâmina da faca comprida – Não é uma das melhores, mas foi a única que consegui pegar na última vez que vim aqui. – ele deu de ombros.
– Por que está fazendo isso? – Ramirez perguntou.
Percebeu o medo em sua voz e isso o fez sorrir. Era exatamente isso que ele queria; queria ver Ramirez implorando por sua vida. Queria ouvir os gritos de horror saindo da garganta dele. Queria cortar sua cabeça e fervê-la até que a carne se separasse dos ossos. Queria corta-lo em pedaços e servir como almoço para mãe dele. Queria faze-lo pagar por todos os pesadelos que ele havia causado. Queria faze-lo se arrepender de todas as piadas e de todas as risadas.
– Eu não quero te roubar, nem te manter aqui por anos. Eu só quero te matar. – o homem respondeu calmo.
– A minha mãe... Ela precisa de mim. Você não pode fazer isso. – Ramirez pediu enquanto segurava as lágrimas.
– Não coloque sua mãe no meio. Não seja uma criança de merda. – o homem respondeu.
Ramirez soluçou e abaixou a cabeça. O homem sorriu.
– Sabe, eu cresci. E aí eu percebi como eu era diferente dos outros, como a minha casa era diferente da casa dos outros. Isso não é justo, Ramirez. Não é justo que você viva normalmente a sua vida enquanto eu tenho que conviver com meu passado todos os dias. Espero que se lembre bem do meu rosto, você não vai ver outra pessoa tão filha da puta quanto eu.
– Me perdoe... Eu era uma criança, eu não sabia...
– Cala a boca. – o homem interrompeu – Você só fala quando eu mandar. Você não era uma criança, você sabia muito bem o que estava fazendo e sabia o que aquilo estava causando em mim. Você ajudou a acabarem com a minha vida, e eu vou acabar com a sua. É uma troca justa. – ele falou sorrindo.
Ramirez apenas o olhou pela última vez. O homem ajeitou a faca na mão esquerda e rapidamente cortou a garganta de Ramirez. O sangue jorrava, manchando novamente o chão daquele quarto que já havia presenciado tantas insanidades daquele homem. Ele não se sentiu satisfeito; ainda ouvia a voz de Ramirez em sua cabeça. Afundou a faca no pescoço de Ramirez e logo sua cabeça foi ao chão. O homem soltou o corpo e sorriu. As vozes pararam. Não havia mais o sorriso debochado e as piadas já não podiam ser ouvidas. Arrancou todos os dentes de Ramirez, amarrou em um barbante que estava jogado no chão e o passou cuidadosamente em torno do pedaço de pescoço que ainda estava no corpo do homem. Ele então começou a fazer seus desenhos nos membros pálidos de Ramirez. Era a sua assinatura, era a mensagem que ele queria deixar para os moradores daquela cidade. Era a sua forma de dizer que não iria parar até que todos estivessem mortos, até que ele ouvisse o último suspiro. Terminou o último desenho e jogou a faca ensanguentada no chão. Suspirou pesadamente, como se estivesse acabado de acordar de um sonho. Olhou o corpo ensanguentado e sem cabeça jogado no chão e analisou os desenhos que ele sequer se lembrava de ter feito. Era como se algum espírito houvesse possuído seu corpo. Ele havia feito de novo. Mas ele sabia bem o que tudo aquilo significava, sabia que dali em diante teria uma voz a menos atormentando as suas lembranças.
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