05 DE MAIO DE 2007

– Se chamava Maria Rosália González. – Luce falou enquanto colocava um papel em cima da mesa de ferro – Dei uma olhada no registro e descobri que ela colocou o filho na lista de desaparecidos há quatro meses.


– Quatro meses? – Nora perguntou incrédula.


– Pois é. Aparentemente, a velha não aguentou a tristeza por causa do sumiço do filho e entrou em depressão profunda. Deu entrada no Saint Marcus ontem com fortes dores no peito e acabou morrendo hoje de manhã. – Luce falou enquanto dava uma mordida na maçã.


– Eles eram imigrantes, ou coisa assim? – Nora perguntou enquanto lia a folha.


– Não. Ela e o filho eram moradores conhecidos aqui. O filho estudou no Pitsford e ela sempre doava coisas pra igreja e pras crianças necessitadas.


– Estranho... Tem a ficha do filho dela? – Nora perguntou erguendo uma sobrancelha.


– Eu tenho! – Katherine respondeu entrando na sala – Acabei de achar a ficha de Ramirez González. Trabalhava numa fornecedora de alimentos, talvez a gente consiga alguma coisa por lá.


– Espera, vocês não estão pensando em estudar esse caso, estão? – Luce perguntou curiosa.


– Esse Ramirez está desaparecido há quatro meses, não podemos ignorar. – Nora respondeu.


– A mulher já está morta! A gente teve quatro meses pra desvendar isso e nem sequer sabíamos desse desaparecimento. Não podemos fazer mais nada. – Luce deu de ombros.


– Eu acho que temos que encontrar esse cara, pelo menos pra ele poder ir ao enterro da mãe. – Katherine respondeu.


– Claro! Kath, entre em contato com algum amigo ou conhecido do Ramirez, pergunte algumas coisas sobre ele. Lugares que gostava de ir, onde o viram pela última vez, se ele estava estranho... – Nora agitou as mãos.


Katherine saiu apressada da sala enquanto Luce mordia outro pedaço da maçã.


– E se for outro caso igual aqueles? – Luce perguntou sem interesse.


– Como assim? – Nora perguntou temendo a resposta.


– Você sabe. Se for outro caso do serial killer. – Luce respondeu.


– Acho que não... Das outras vezes, a gente achou os corpos pouco tempo depois do desaparecimento. Eu acho que ele não esconderia alguém por tanto tempo.


– E se ele não estiver escondendo? E se ele já tiver matado Ramirez? – Luce perguntou.


– Eu não sei... Vamos torcer pra conseguirmos alguma coisa com isso.


– Você sabe que é errado, não é? Digo, a gente é só da perícia. Não somos detetives ou coisa parecida. – Luce sorriu.


– Eu sei. Está com medo? Por que eu e a Katherine podemos fazer isso sozinhas. – Nora respondeu erguendo uma sobrancelha.


– Claro que não. Eu quero mesmo é ver a cara do Alden quando ele descobrir que a gente solucionou um crime. – Luce falou com um olhar vencedor – Falando nele, você soube que a mulher dele o traiu com, pelo menos, três caras?


– O que? – Nora perguntou curiosa.


– Pois é. Ela transou com três caras diferentes e depois falou tudo na cara do Alden. Nem sei se ele veio trabalhar hoje. – Luce deu de ombros.


Nora sorriu ainda não acreditando no que Luce havia contado. Ela gostaria de ser perversa o suficiente pra tirar sarro de Alden na frente de todos, mas não tinha coragem.


– Sucesso! – Katherine entrou contente na sala.


– O que foi? – Luce perguntou curiosa.


– Falei com Alexander Winkler. Disse que Ramirez sempre tinha o hábito de levar livros para o trabalho e depois ir até o parque aqui perto. Alexander disse que no dia que sumiu, Ramirez ficou cumprindo hora extra e saiu mais tarde da distribuidora. Alexander ofereceu uma carona pra ele, mas Ramirez disse que iria para o lado oposto. Ou seja, ele veio para o parque antes de sumir.


– Então, o que queremos pode estar lá. – Nora respondeu.


– E o que vocês querem? – Alden perguntou entrando na sala.


Nora olhou apreensiva para Luce. Katherine se apressou em sair da sala, mas foi segurada por Alden.


– Ramirez González desapareceu há quatro meses. – Luce respondeu.


Nora fechou os olhos e apertou os lábios.


– E vocês, meras peritas, estão querendo acha-lo? – Alden perguntou erguendo as sobrancelhas.


– Sim. Já que os detetives não estão ligando para isso. – Katherine respondeu sem pensar.


– Volte para a sua mesa, secretária. – Alden falou enojado.


– Não sou secretária! — Katherine respondeu rapidamente. — Sou analista em informática.


Alden semicerrou os olhos na direção dela e Katherine bufou, saindo rapidamente da sala.


– E o que vocês sabem até agora? – Alden perguntou cruzando os braços.


– Que ele foi ao parque antes de desaparecer. – Nora respondeu contra a vontade.


– Vou mandar alguém para lá.


– Agora? Depois de quatro meses? O que você acha que vai encontrar lá? – Luce perguntou incrédula.


– O mesmo que vocês estavam achando. Ou não era esse o plano de vocês? – ele perguntou antes de sair da sala.


– Nosso plano pareceu bem idiota quando foi dito por ele. – Luce deu de ombros.


Nora apertou os lábios. Ela não queria que Alden tomasse o controle da situação; ela, Katherine e Luce haviam trabalhado para conseguir aquelas informações. Quero dizer, elas conseguiram mais rápido do que imaginavam, mas a ideia partiu das três e ele estava querendo os créditos. Nora não sabia se torcia para ele não achar nada, ou se torcia para que ele encontrasse alguma pista e achasse Ramirez. Ela não podia investigar o local sem que Varghese autorizasse.


– Aonde você vai? – Luce perguntou ao ver Nora caminhar até a porta.


– Vou falar com o Varghese. – Nora respondeu antes de abrir a porta e sair para o corredor.


Depois de cruzar com alguns policiais e ver Katherine nervosa enquanto batia a mão em sua mesa, Nora chegou até a porta da sala de Varghese. Bateu três vezes na porta e ela não demorou muito para ser aberta.


– Senhorita Mayson, no que posso ajuda-la? – Varghese perguntou sorrindo.


– Bom, senhor... – Nora pigarreou – Eu gostaria de pedir permissão para analisar um caso.


– Qual caso? – ele ergueu uma sobrancelha.


– O desaparecimento de Ramirez González. – ela respondeu rápido.


– Bom, pelo o que sei, Ramirez desapareceu há quatro meses. – ele falou confuso.


– Sim, mas o Dr. Alden encontrou novas pistas e eu gostaria de ter acesso ao parque. – odiava chamar Alden de “doutor”.


– Entendo. Eu autorizei Alden a convocar uma equipe de investigadores, Nora, e desculpe, mas se ele não a chamou, é porque ele não a quer no caso. Você é da perícia criminal, e nós não tomamos conhecimento de nenhum crime. – ele fez uma pausa – Daniel Alden tem experiência e é o chefe investigativo, eu não posso tomar qualquer decisão sem falar com ele. – Varghese falou em tom de pena – Você entende, não é?


– Sim... Claro. – Nora sorriu fraca – De qualquer forma, obrigada.


Ela saiu rapidamente da sala e fechou a porta com cuidado. Atravessou o corredor com passos firmes e abriu bruscamente a porta da sala da perícia.


– Sem sucesso? – Luce parou de ler um papel e levantou os olhos para Nora.


– Aquele filho da puta do Alden conseguiu de novo! – Nora falou sem pensar – Eu não aguento, Luce! Toda vez ele entra no meu caminho. Eu nunca fiz nada pra ele! – ela falava enquanto passava a mão na testa.


– Acho que a gente vai ter que deixar isso de lado, Nora.


Ela deu de ombros e sentou no banco alto. Não havia outra saída; Alden era mais forte do que ela.