Natural Born Killer
19 Verdades Enterradas
Notas iniciais
Desculpem pelo título UHSAHUDIUHS Eu realmente não sou boa com isso.
Enfim, esse capítulo é um dos meus preferidos por dois motivos:
. É a junção de vários rascunhos pequenos que eu fiz quando estava na escola. Ou seja, é meu Frankenstein e eu tenho muito orgulho dele.
. Tem mistério e vocês sabem como eu AMO mistério.
AH, a fanfic já está terminada e eu tenho uma boa notícia: vou postar mais capítulos por semana, heheh. Eu ainda não sei qual dia eu vou postar, mas quando eu tiver um tempinho livre eu venho aqui e atualizo. Pode ter capítulo todos os dias, pode ter um capítulo extra na quarta... Tudo depende.
Parei de falar, espero que gostem do capítulo!
10 DE SETEMBRO DE 2006
Enquanto olhava pela grande janela do apartamento, cercada pela atmosfera inquietante da cidade escura e da tempestade que se aproximava, pôde sentir naqueles símbolos a frieza de um psicopata. Um psicopata que ela não fazia ideia de quem era. Tomou mais um gole do café ainda quente e abraçou os próprios braços, tentando afastar o arrepio que teimava em tomar sua espinha toda vez que se lembrava dos corpos ensanguentados. Pegou a bolsa e saiu do prédio, fazendo sinal para um táxi. Seguiu na direção da delegacia e logo passou pela sala clara e cheia de policiais. Atravessou o corredor e abriu com cuidado a porta da sala da perícia, encontrando Luce com uma expressão confusa enquanto analisava algumas fotos.
– O computador não achou nenhum caso semelhante a esse. – Luce disse sem tirar os olhos da fotografia que estava em suas mãos.
– Então vamos ter que esperar outra morte? – Nora perguntou parando ao lado de Luce e observando a foto.
– Pelo jeito... – Luce respondeu sem vontade.
– Bom... O que sabemos sobre ele?
– Sobre quem? – Luce perguntou rápido.
– Sobre o assassino, Luce.
– Ah... Bom, é desorganizado, então ele pode ser um louco que vive num mundo de fantasia. – Luce respondeu colocando a foto em cima da mesa.
– Acho que não... Ele era amigo deles, eles não iriam confiar em um louco. Pelo menos eu não iria. – Nora deu de ombros.
– Como sabe que era amigo?
– A casa não era visitada por ninguém há anos. Todo mundo da cidade sabia que se alguém fosse lá, o vigia poderia chamar a policia.
– Isso não faz muito sentido... – Luce ergueu uma sobrancelha.
– Não sei como explicar... Olha, faz de conta que nós estudamos aqui no Ensino Médio e agora estamos em Nova Iorque, certo?
– Sim.
– Então, nós decidimos voltar para cá. Somos jovens, ricas e não estamos nem aí para nada. Quando chegamos aqui, encontramos um amigo que nos indica a casa, certo?
– Sim... – Luce respondeu ainda confusa.
– Luce, presta atenção... Se os jovens perguntassem sobre a casa para qualquer pessoa dessa cidade, provavelmente seriam alertados para nunca irem lá. Mas não, eles perguntaram para um amigo, o amigo que queria mata-los e que sabia que o vigia estaria fora. Um amigo que mora aqui. Entendeu agora?
– Acho que sim... Então, você acha que o assassino pode ter estudado com eles?
– Eu não sei... Vou pedir pra Katherine procurar os nomes em todas as escolas aqui. Depois a gente pode pedir pra ela falar com alguns professores pra descobrir quem tinha menos afinidade com as vítimas.
– Nora, você sabe que a gente não pode fazer isso. Nosso trabalho é analisar as provas...
– E tentar achar o assassino. – Nora interrompeu. – É isso que a gente está tentando fazer.
– Mas Nora... E se o assassino for um simples cidadão daqui, que nem conhecia as vítimas? – Luce perguntou curiosa.
– Acho que não... Houve só um assassino, ele não conseguiria imobilizar seis jovens se ele não soubesse pelo menos o ponto fraco deles, e pra isso, teria que conhece-los muito bem.
– Isso é muito confuso... – Luce passou a mão na testa.
– Eu sei.
– Nós não conseguimos nem decidir se o assassino é desorganizado ou organizado, nem se ele é primário ou secundário... Estamos andando em círculos.
– Alden me disse que às vezes temos que voltar anos atrás para descobrir alguma coisa. Talvez a melhor coisa que devemos fazer é pedir pra Katherine investigar sobre a vida desses jovens quando estudavam aqui. – Nora deu de ombros.
– Acho que você está certa... Eu vou ficar aqui tentando achar alguma coisa nessas fotos.
Nora assentiu com a cabeça e saiu rapidamente da sala, atravessando o corredor e chegando até a mesa de Katherine Law. Katherine brincava com um elástico enquanto mascava um chiclete.
– Kath? – Nora sussurrou.
– Ahn? Ah, oi Nora! – Katherine colocou o elástico em cima da mesa. – Do que precisa?
– Preciso que você procure os nomes das vítimas nas escolas daqui. Quero também nomes de professores, notas e tudo o que você puder achar. – Nora falou enquanto olhava a tela do computador de Katherine.
– Ok... – a japonesa falou enquanto digitava rapidamente os nomes.
Nora andou até a pequena lanchonete da delegacia e pediu um café. Não demorou muito para que Law corresse até ela segurando algumas folhas.
– Achei, Nora. Conan Carroll, estudou no Pitsford até completar o Ensino Médio e logo se mudou para Nova Iorque. O pai dele, Stuart Carroll, é um importante olheiro de futebol e fez um acordo milionário com o Manchester City. As notas do Carroll são boas, comparadas às notas dos atletas da escola na época. Ele era mais um rico desejado por todas as meninas do colégio.
Law fez uma pausa para que pudesse ler outra folha.
– Adam Smith também estudou no Pitsford até completar o Ensino Médio, mas não tinha as notas tão boas quanto Conan. Na verdade, Adam foi pego com drogas na escola e o histórico dele é recheado de brigas e suspensões, mas nada anormal para um adolescente rico.
Outra pausa.
– Norman Brontë. Notas boas, família boa... Mudou-se para Nova Iorque para cursar Engenharia e pelo visto teve sucesso, já que consegui extratos bancários que mostram que ele transferia seis mil dólares todo o mês para a irmã que morava na Índia... Ah, Emily MacCorkindale, essa eu realmente gostei. Líder de torcida, modelo fotográfico, rica, linda... E odiada. O histórico escolar fala sobre três agressões que ela sofreu, aparentemente por ter roubado o namorado de alguma nerd. Notas horríveis, provavelmente pagou para finalizar os estudos. Conseguiu uma boa carreira em Nova Iorque e ela tinha acabado de assinar o contrato para tirar umas fotos na semana que vem... Bom, o corpo ainda está aqui, se os fotógrafos não mudaram de ideia... – Law riu.
Nora fez uma careta e riu também.
– Virginia Hobbes. Tinha bastante amigos, era carismática, boas notas, família boa... Nenhuma razão para ser brutalmente morta... E... Achei! Anne Tolkien. Morou na Arménia até os sete anos de idade e estudou no Pitsford até completar o Ensino Médio. Era apenas um ano mais nova do que os outros, tinha notas excelentes e trabalhava em um mercado para ajudar os pais. A ficha mais limpa e mesmo assim foi a morte mais brutal. – Law chacoalhou a cabeça.
– Alguma semelhança? Além de terem estudado no Pitsford... – Nora perguntou.
– Não. Todos eram da mesma sala, mas eles eram muito diferentes, duvido que fizessem parte do mesmo grupo. Eu não entendo... – Law cruzou os braços e bufou – É melhor você ir pra casa, eu vou ver se descubro alguma coisa e te ligo.
– Não, eu...
– Nora, por favor. – Katherine interrompeu.
Nora assentiu com a cabeça. Sabia que a amiga estava certa; ela já não se lembrava da última vez que havia tirado um tempo para si mesma. Sorriu agradecida e saiu rapidamente da sala, atravessando a delegacia. Não teve certeza, mas teve a impressão de ter sido seguida pelo olhar reprovador de Alden, mas ela não ligou. Sua mente e seu corpo estavam cansados e ela sabia que tudo iria melhorar depois de algumas longas horas de sono e um café quente. Assim que chegou em seu apartamento, tirou o casaco e jogou a bolsa em algum canto da sala. Estava cansada demais para pensar. Rastejou até o quarto e jogou seu corpo pesado em cima da cama, agradecendo pelo colchão macio e pelo quarto quente. Seus planos foram interrompidos pelo som estridente da campainha. Ela resmungou e levantou com dificuldade, refazendo o trajeto até a sala e abrindo a porta bruscamente. Matt a olhou com olhos desesperados e culpados, o que a fez desmanchar a feição raivosa e dar espaço para ele entrar no apartamento.
– Nora, eu... Eu... – ele tentava falar enquanto gesticulava – Eu preciso da sua ajuda.
– O que aconteceu, Matt? – ela perguntou preocupada enquanto segurava os ombros dele e o guiava até o sofá.
– Eu... – ele coçou os olhos – Eu não consigo trabalhar, eu não consigo pensar, não consigo fazer nada... E-eu não consigo me controlar, Nora, eu não consigo mais pensar antes de fazer as coisas e depois... Depois eu me arrependo. Eu me arrependo, Nora. – ele bateu no peito – Mas isso não adianta mais. Não vai mudar nada...
– Matt, espera, eu não estou entendendo... – Nora falou ao vê-lo enterrar a cabeça nas mãos frias.
Matt permaneceu em silêncio enquanto sua respiração ofegante podia ser ouvida no apartamento silencioso.
– Quer me contar algo? – ela perguntou, lembrando-se do que havia lido no computador da delegacia.
– Não. – ele respondeu rapidamente – Não tenho nada pra te contar. Eu só... – ele suspirou – Queria te pedir uma coisa. – ele a olhou com olhos suplicantes.
– Pode pedir. – ela respondeu calmamente.
– Não se aproxima do Brian. – ele respondeu rapidamente.
Nora piscou os olhos rapidamente enquanto tentava assimilar as palavras que havia acabado de ouvir.
– O que? – ela perguntou erguendo as sobrancelhas.
– Eu não posso te dizer nada, Nora. Não agora... Por favor, fica longe dele. – ele falou enquanto pegava nas mãos pequenas dela – Por favor. Por favor... – ele repetiu enquanto apertava os olhos.
– Matt, você conhece o Brian? – ela perguntou se aproximando – Matt? – repetiu ao perceber o silêncio.
– Eu não posso dizer nada, Nora. Eu vou ter que me afastar por um tempo. – ele falou baixo.
– Matt, para com essa brincadeira! – ela levantou irritada – Primeiro, você diz que fez coisas erradas. Depois, você pede pra que eu me afaste do Brian e agora você diz que vai ter que se afastar! – ela bateu com as mãos no ar.
– Eu sinto muito... – ele balançou a cabeça e levantou – Eu preciso ir.
– Não! – ela gritou enquanto segurava o braço dele – Você não vai embora. Nós vamos resolver tudo isso. Eu, você e o Brian. – ela falou enquanto o puxava na direção da porta.
Ele sentiu seu braço esquerdo ser puxado bruscamente e seu corpo foi arremessado no sofá. Nora sentou-se e sentiu suas costas baterem violentamente no encosto, fazendo seus cabelos ficarem bagunçados na sua face. Sua respiração assustada fazia com que algumas mechas voassem e saíssem da frente de seus olhos. Matt estava com os olhos semicerrados e sua respiração também estava ofegante, mas ao contrário de Nora, ele respirava alto por conta do esforço que havia feito para jogá-la no sofá. Ele se aproximou dela e ela pôde sentir seus músculos se contraírem e seus ossos tremerem. Seu braço estava dolorido e ela lutava para conter as lágrimas de dor e de medo que teimavam rolar por seu rosto. Ele ajoelhou em sua frente e balançou a cabeça, como se tivesse retomado a consciência e se dado conta do que havia feito.
– Nora, eu...
– Cala a boca. – ela falou entre os dentes, com uma coragem que não sabia de onde havia saído.
– Me desculpa. – ele pediu sem olhá-la – Eu pedi pra você ficar longe dele e você não ouviu. – ele falou como se fosse um motivo para a violência.
– Sai da minha casa. – ela falou com a voz embargada pelo choro – Sai!
Ele levantou ainda sem olhá-la e passou a mão na nuca. Ele olhava o cômodo como se estivesse perdido; como se algo tivesse entrado em seu corpo e puxado Nora. Os olhos dele não encontraram os dela; ele sabia que não aguentaria ver a decepção e o medo naqueles olhos que ele tanto gostava de olhar. Caminhou até a porta do apartamento e Nora franziu o cenho e apertou os olhos ao ouvir o barulho alto da porta se fechando. Finalmente, ela deixou as lágrimas finas escorrerem por seu rosto. Sentiu um misto de sentimentos que ela não soube identificar. Era decepção, era dor, era medo, era agonia, era tristeza, era arrependimento... Passou a mão no cabelo e desceu a mão até o braço dolorido. Levantou do sofá e limpou o rosto com a manga da camiseta clara. Respirou fundo e andou até a porta do apartamento. Não se preocupou em ver se Matt ainda estava no prédio, e entrou no elevador. Subiu até o quarto andar e olhou por alguns instantes a porta clara. Ela precisava acabar com aquilo; precisava descobrir os motivos que levaram Matt a falar aquelas coisas. Ela sabia que algo estava errado e não ligava se Matt iria ataca-la novamente ou se ele iria realmente sumir; ela precisava acabar com a curiosidade e a desconfiança que, com certeza, a impediria de dormir.
Andou até a porta e deu leves batidas. Nenhuma resposta. Bateu mais forte e bufou enquanto esperava Brian aparecer. Nada. Pousou delicadamente a mão na maçaneta fria e girou, lembrando-se de que Brian sempre esquecia a porta aberta. Assim que entrou, sentiu como se tivesse voltado no tempo. O apartamento estava exatamente como ela se lembrava de ter visto quando ainda era vazio. Não havia móveis e muito menos um sinal de que alguém havia passado os dias morando ali. Passou pela sala ouvindo sua respiração alta ecoar pelo imóvel e observou calmamente os cômodos vazios. Nada de móveis. Nada de Brian.
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